Beta - The Play [Fanfic Interativa]

9 Capítulo 9 - Sangue de Prostituta


Notas iniciais
Gente, esse capítulo teve quase 1.700 palavras! Eu me perdi na hora de escrever (pois gostei muito dessa personagem) e por isso ficou grandão assim. Espero que não se cansem de ler!

Sangue de Prostituta

Os mangás e animes foram as únicas coisas da cultura de seu país local que tinha a sua disposição. Los Angeles era a terra dos ricos, e numa visão categórica, a família de Miko ficava acima dos ricos. Miko, ou Moysume Miko, na forma japonesa, é seu nome. Filha de pais exigentes e com rédea firme, fora criada com livros na cabeça e aulas extras. Estudou em colégio particulares das melhores e mais caras universidades. Tinha um lugar importante na sociedade.

- Miko... – chamou a – Ei... Você está bem?

Por acaso ela parecia estar bem?

Quando tinha pouco mais de dez anos, descobriu, ouvindo uma discussão dos pais, que na verdade era fruto de uma prostituta e de um cliente. Sua mãe que a criava agora não podia ter filhos, por isso matou a mãe biológica de Miko e a roubou, fugindo com ela para Tóquio. Tudo se encaixava. Embora fosse filha de um fruto do pecado, era amada. Os pais não se importavam tanto com a vida dela, mas pelo menos lhe davam do bom e do melhor, isso demonstrava que eles se importavam com o bem estar dela.

- Miko... Estou falando com você...

Foi criada para ser uma verdadeira dama. Arrumando sempre a postura, aprendendo a levantar o dedinho na hora de pegar uma xícara, dançar valsa, aprendeu a gostar de música clássica, embora preferisse um estilo mais dance. Sabia diferenciar o verde água do azul piscina, o laranja do coral, vermelho do escarlate...

- Miko! – ele chacoalhou seus ombros – Por favor, me responda! Como seu líder, eu exijo que me diga o que houve!

Miko abriu os olhos um pouco desorientada, embora soubesse exatamente o que havia acontecido. Era uma garota diferente, tirava notas a baixo do esperado de todos os alunos e interrompia os professores para perguntar qualquer coisa. Todos a chamavam de burra. Ela tinha culpa de ter tantas dúvidas? Sofria bullyng, e isso continuou, até três meninas de sua sala a prenderem no armário do vestiário masculino. Ficou lá por quase duas horas. Os rapazes voltaram do treino e trocaram as roupas. Quando o armário foi destrancado e o dono dele viu que ela estava lá, não a deixou sair. Chamou um amigo e, esperando todos irem embora, tratou de tirar Miko de lá. E a abusaram.

- Miko!

Ela virou a cabeça na direção da voz. Yandoro Haru era um dos únicos japoneses que estavam no colégio. Ele treinava kendô todos os dias depois das aulas, por isso deveria ter vindo no vestiário àquela hora. Yandoro era o conselheiro de classe, líder do clube de artes. E Miko fazia parte do clube de artes.

- Moysume Miko! – sua voz se alterou.

- Yan... Doro... – ela conseguiu sussurrar.

- Ah, me chame de Haru – ele colocou a mão nos cabelos – Você estava inconsciente?

- Acho que sim.

- Desculpe, gritei com você pensando que estava acordada... O que faz aqui?

- O que acha que eu faço aqui?

- Se perdeu na hora de ir pro vestiário feminino?

- Não. – ela se sentou com cuidado. Sua cabeça doía. – Me trancaram num dos armários... Dois garotos me encontraram...

- Mas por que você estava desacordada? – ele perguntou, atônito.

Miko encarou os olhos escuros de Haru, escuros como os de qualquer japonês. Então uma luz se acendeu na mente de Haru e ele entendeu completamente o que ela queria dizer.

- Mas... Moysume-San, como puderam fazer isso? Eram do terceiro ano?

- Acho que sim. – ela deu e ombros – Vai espalhar por ai que eu sou uma vadia? Que não sou mais virgem?

- O quê? – ele piscou – Você é vítima de um estupro! Por que eu iria zoar sua cara?

- Porque a maioria das pessoas fariam isso... – encolheu os ombros.

- Bom, eu não vou fazer. Vou te levar para a enfermaria e ligar para seus pais...

- Não! Se meus pais souberem... Ficarei presa em casa sem poder sair um segundo sequer. – ela engoliu em seco – É horrível ser a protegida deles.

- Tudo bem, se você prefere assim. Mas vou na sua casa e explicarei que você não tem se dado bem com os alunos daqui. Talvez eles possam providenciar algo. Eles são ricos, não?

- Sim. Mas perto dos pais de qualquer um aqui, eles são bem classe média.

- Não seja tão dura. Se teu pai tem dinheiro para comprar dez casas, ou te colocar neste colégio, já dá pra saber que você é rica. – Haru riu. – Bom... Vou levar você para a enfermaria, então.

Colocou um dos braços de Miko envolta de seu pescoço e tentou levantá-la, com sucesso. Miko conseguia andar, mas tremia só de pensar que esse garotos poderiam estar lá fora, esperando-a... Quando chegaram na porta que os levaria ao corredor do ginásio, ela hesitou, mas teve de prosseguir, pois Haru não queria dar pausa. No primeiro andar do colégio, eles andaram mais cinco esquinas até encontrarem a enfermaria, normalmente vazia. Era bem raro um aluno fazer alguma atividade fora do comum que pudesse machucá-lo.

Miko se sentou na mesa do consultório com ajuda de Haru. A enfermeira, típica com seus trajes brancos, perguntou o que ela tinha. O nervosismo bateu nela. Não queria que ninguém mais soubesse o que tinha passado, não queria nem que as enfermeira soubessem!

- Quinhentos mil para você calar a boca. – ofereceu Haru.

- Como, senhor?

- Setecentos mil e não falamos mais nisso.

- Ainda não consegui entender...

- Um milhão e o que está aqui fica aqui. – seus olhos eram perigosamente semicerrados, agora.

Miko não tinha conhecido este lado sombrio e “malvado” de Haru. Afinal, desde quando tinha intimidade para chamá-lo pelo primeiro nome?

- Certo. – a enfermeira sorriu. – O que a mocinha linda tem?

- B-Bem...

º º º

- Bom, isso é algo que de fato devemos contar aos superiores e aos pais dela. – disse a enfermeira, pensativa – Vou fazer um teste de sangue para saber se você pegou alguma doença ou está grávida.

- G-Grávida?

- Não se preocupe, se estiver eu assumo.

- Hein? – ela empurrou Haru. – Eu te conheço a menos de uma hora!

- Olhe, qualquer uma gostaria de ter uma pensão sendo paga pela família Yandoro.

- Você acha que é diferente, mas é igual a todos daqui! Exibido, chato, exibido...

- Meu tio é o quarto homem mais rico do mundo, meu pai está em segundo lugar neste ranking. Meu avô é o primeiro. Meus tios não podem ter filhos, por isso me adotaram como sendo seu filho. O testamento foi escrito e eles mandarão todos seus bens a mim quando morrerem. Meus avós me têm como único neto, por isso também me passarão suas riquezas. Eu herdarei a fortuna de meu pai. Serei, um dia, o homem mais rico do mundo. Acho que a pensão não seria assim tão ruim.

- Não preciso de pensão para sustentar um filho. – Miko disse – Sou rica, lembra?

- Gostei de você, Moysume-san. – ele olhou a enfermeira, que terminava os exames – Gosto ainda mais de saber que você é japonesa. E não uma mestiça, mas uma japonesa pura. Vi seus desenhos no clube de artes, você é muito boa para fazer mangás. Embora só tenha feito fotos, e nunca um quadrinho.

- Obrigada. Qualquer viciado em animes e mangas consegue fazer. – ela colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha. – Mas você não conseguirá me comprar com elogios.

- Você ainda vai se apaixonar por mim, eu garanto – Haru riu.

A enfermeira chegou com os resultados, negativo para qualquer doença ou gravidez, um alívio para ela e claro para Haru.

Haru a ajudou a recolher o material. E enquanto faziam isso, tinha começado a chover. E a chuva se transformou em tempestade. Tiveram de ficar lá dentro, presos, já que ninguém havia trazido guarda-chuva [N.A: Annabeth, sempre prevenida...]. Foram para a sala de Artes, onde poderiam passar o tempo pintado, desenhando ou simplesmente vendo o trabalho dos outros.

- Moysume-san, percebi que você só desenha personagens malvados. Eles tem olhares cruéis.

- Em toda minha vida só conheci pessoas malvadas. – ela respondeu, indiferente.

- Ei, eu não sou malvado! – Haru protestou – Sou bonzinho e muito bonito.

- Exibido, isso sim.

- O que posso dizer, que sou feio e malvado? Eu sei da verdade, sei do meu potencial, e por isso eu posso dizer o que sou ou o que não sou.

- Mesmo assim. – Miko pegou um dos quadros que estavam em ordem de cor. – Este é seu. – observou, detalhista. – É bem preto.

- É a sombra dos galhos de uma árvore.

- Há pássaros também.

- Sim. Eu quis usar só uma tinta, a preta. Acho que ficou bom. Não era pra ter ficado tão dramático, mas acho que cores escuras fazem isso.

- Vou experimentar nos meus trabalhos, então.

- Moysume-san, posso te chamar de Miko?

- Claro.

- Certo, Miko-Chan, e você me chame de Haru-Chan.

- Chan? Haru-Kun.

- Tanto faz. – ele deu de ombros. – Sai do Japão quando tinha dois anos.

- Eu também.

- Há mais alguma coisa que tenhamos em comum? – ele riu.

- Você... Sabe o que é o Beta?

- Beta? Ah, to ligado, aqueles testes pra arrumar bugs e ver se em erros.

- Mas... O Beta do The Play.

- É um novo jogo? Ah, não me diga que você está testando um beta de um novo jogo! Que irado!

- Não é isso. Eu ainda vou testar. É um jogo novo, de realidade virtual.

- O quê? Não... Me leva junto! – Haru chacoalhou seus ombros, assim como tinha feito para acordá-la. – Eu preciso testar o primeiro jogo em realidade virtual!

- É só para pessoas especiais.

- Eu sou uma pessoa especial! Sim, eu sou!

- Pessoas com doenças quase incuráveis...

- Eu posso aplicar AIDS em mim, mas me deixa ir!

Ela suspirou, rindo.

- Haru-Kun, qual seu tipo sanguíneo?

- O negativo.

Seus olhos piscaram.

- Mas ó negativo é muito raro... É o mesmo tipo sanguíneo que o meu! Haru...

- O quê que tem?

- Eu... Tenho leucemia... Nunca encontrei um doador na minha faixa etária ou que... Pudesse doar...

Notas finais
Moysume Miko: http://3.bp.blogspot.com/-rpNElq3pz0I/T6-6SaEaH-I/AAAAAAAABXs/zgtHcNwBlRs/s400/tumblr_lxsuegwCks1r9rijlo1_500_large.jpg
Yandoro Haru: http://24.media.tumblr.com/tumblr_mebhguy8Yc1ri2tm3o1_500.png
--TP--
Tirem o olho, evejoza, o Haru-Chan é meu!