Beta - The Play [Fanfic Interativa]
1 Capítulo 1 - O Miado de Um Felino
Notas iniciais
O Miado de Um Felino
Se nesse dia eu tivesse me prevenido e escutado minha mãe, eu não estaria aqui, sentado nessa cadeira. Era dia de verão, e o Sol brilhava intensamente. Qualquer criança na minha idade iria querer sair na rua para brincar de bola. Mas quando eu fui sair, minha mãe disse para eu não ir no campinho que eles estavam reformando. Sozinho, esperando os meninos da rua de baixo chegar, eu chutava a bola inúmeras vezes no gol. Eu era péssimo! Os garotos só me convidavam para ir jogar pois era eu quem tinha a bola... Um pé de alface! Minha mãe tinha razão, eles estavam reformando o campinho. Mas era feriado, ninguém estava trabalhando, por isso eu nem liguei em tomar cuidado. Quando chutei a bola e ela foi para o lado totalmente oposto do que eu esperava, tive de ir correndo atrás dela. Eu era bem burro, sabe? A bola caiu dentro de um buraco que tinha sido escavado do outro lado do campinho. Não sei para o que servia, mas acho que era por causa do esgoto e do mau cheiro que vinha infestando o lugar á uns três dias. O buraco não parecia fundo, por isso me arrisquei. Fui devagar e consegui chegar lá. Quando peguei a bola, ela estava toda suja de barro. A joguei para fora do buraco e olhei para cima. Nossa! Era bem mais alto do que eu me lembrava! Mas eu não desisto, e se deu pra descer, dá pra subir. E realmente dava, se a terra não estivesse molhada. Quando tentei me segurar para tomar impulso, a terra, que era mais um bolo de barro, cedeu e caiu sobre mim. Um punhado. Aquilo era unido e aquecedor, e digamos que foi exatamente aquilo que trouxe-me aqui, como também me manteve vivo. A noite foi fria como nunca, o tempo estava doido, realmente. No outro dia, eu acordei quando o trabalho dos operários já havia começado. Eu sei que não foi culpa dele, o operário não iria me ferir de propósito! Quando a garra as maquia que estava escavando o buraco desceu e me segurou, pensei estar salvo, porém era o fim. Senti aquilo forçando demais contra minha perna. Ela estava de um lado e a garra tentava se fechar para pegar a terra. Eu pude ouvir, sim! O som do osso se quebrando. Das duas pernas, um seguido do outro. Foi horrível, eu me lembro. Digo como se tivesse sido á vários anos, porém foi mês passado! No final, eu quebrei as pernas. Fiquei desaparecido por um dia, dentro daquele buraco de bueiro. Ao contrário do que pensei, mamãe não quis bater em mim, para minha surpresa. Agora vocês me vêem neste vídeo, sentado nesta cadeira de rodas. Isso é só uma propaganda do movimento que o governo está promovendo, mas realmente estou empolgado! É horrível ter a sensação de correr tão vívida na mente, porém não poder sentir novamente. E agora, com esse jogo, eu finalmente posso realizar este desejo!
Os homens do cenário fizeram um positivo e o câmera gritou corta. Minha passagem na abertura da reportagem sobre O Jogo já estava pronta. Ensaiei as falas inúmeras vezes. Ao contrário do que você deve estar pensando eu realmente vivi tudo o que disse. O jeito como fui desobediente me trouxe á isto. Mas pelo que vi e ouvi, é bem melhor do que muitos que irão participar do projeto. Há crianças com câncer, crianças que sofrem de doenças incuráveis e ainda (as que me dão mais calafrios) as crianças tetraplégicas. Se eu já sofro sem as pernas, imagine os que não conseguem mexer as pernas e braços? Nossa!
Isso não são pensamentos bons para uma criança de dez anos, mas a gente aprende a amadurecer quando é preciso abrir mão de várias coisas. Alguns amadurecem ao perderem a infância, tendo de cuidar da família ou dos pais doentes. Outros amadurecem perdendo os pais, tendo de se virarem sozinhos. E eu amadureci sem as pernas. São coisas com as quais temos de abrir mão para amadurecer. Sei que você já abriu mão de várias coisas. Algumas pessoas tem a sorte de abrirem mão de coisas banais, porém outras... Não tem a mesma sorte, como eu.
Meu nome é Leonardo, mas eu sou chamado de Leo pelos meus pais. Minha mãe me chama de gatinho, quando está de bom humor e papai me chama de felino. Eu somente posso sorrir. Como eu descobri que era adorado por todos somente por ter a bola do jogo, também descobri não ter amigos. Sempre fui meio calado, é verdade. Mas parece que isto mudou. Eu ando conversando muito com as enfermeiras e até com outras crianças aqui no centro de tratamentos especiais. Minhas cicatrizes não se fecharam totalmente. Eu tive de amputar as duas pernas, mas de nada valia tê-las ou não. Elas não seriam necessárias, pois eu não poderia mais andar.
Entrei recentemente para um clube de paraplégicos e descobri que eles jogam basquete! Comecei a assistir os treinos para aprender a jogar. É um esporte onde os paraplégicos podem participar! Estou muito animado com isso! Descobri amigos que me entendem e que podem dividir comigo as limitações. Nós discutimos sobre escadas e sobre meninas, também! A maioria deles já passou dos treze anos, porém tem um que está na minha idade. Seu nome é Lucas. Lucas e eu nos conhecemos pois na chamada do clube somos seguidos. O meu nome vem primeiro, pois Leonardo tem o E e Lucas tem o U. Mas pouco importa. O Lucas também perdeu a movimentação das pernas recentemente, menos de seis meses. Mas ele já sabia que isso iria acontecer, pois tinha uma doença que impedia o crescimento das pernas, ou algo assim. Os médicos disseram que ele teria de conviver com aquilo e quando teve a oportunidade, amputou as pernas que não precisaria usar.
Claro que tem alguns meninos aqui que tem pernas, mas são inúteis, em minha opinião. Não sei se penso assim por inveja deles terem e eu não, mas sei que Lucas divide a mesma opinião comigo, e isso já me consola bastante! O Jogo só será feito mesmo daqui alguns meses, pois eles têm de fazer os nossos personagens. Ainda está em fase de teste, por isso nós iremos ter nosso próprio personagem no jogo e com a nossa aparência.
Lucas acha que sou sortudo já que nasci de olhos claros. Não entendo por que. É tudo igual! Eu vejo o que ele vê e consigo identificar o que ele identifica. Não há diferença em ver com olhos claros ou olhos escuros. Ele também diz que eu sou sortudo por ter cabelo castanho claro, ou loiro escuro, como minha mãe diz. Resumidamente: Lucas acha que ser branco é bom. E novamente repito: Não há diferença em ser claro ou escuro. Ele não entende. Diz que, por ser negro, sofreu muito no bairro em que morava.
Não entendo muito bem essa coisa de racismo mas eu nunca iria olhar Lucas com outros olhos. Para mim ele sempre será meu amigo! Minha mãe diz que é lindo ver eu e ele jogando basquete juntos. Nós costumamos ficar depois dos treinos já que somos os novatos. Minha mãe sempre nos assiste. Ela diz que se lembra de quando ela mesma desprezava seus colegas negros e agora tem orgulho de ver que eu não segui seus passos. Repito somente para constar: Não há diferença entre negros ou brancos, ou brancos e negros. É tudo igual! Eu vejo o que Lucas vê. Eu posso segurar o que Lucas segura. E sou paraplégico dependente de uma cadeira de rodas, assim como Lucas.
Eu ganhei um gato de estimação! Lhe dei o nome de Tigor, que parece com tigre. Ele é malhado. Gosto do pelo dele, pois é marrom escuro misturado com marrom claro, como eu e Lucas! Misturados! Os olhos são redondos e bem esbugalhados! Ele tem bigodes longos e mamãe disse que é macho. Mas mesmo se fosse fêmea eu ficaria feliz. E sabe, isso é só mais um motivo para mim ir até a ala dos queimados. Lá tem a Isa... A menina que foi levar biscoitos para mim e para o time de basquete outro dia. Ela mesma tinha feito os biscoitos! E... Ela disse que fez o maior deles para mim... E também disse que me achava fofo. Eu somente pude sorrir. Depois, quando ela foi embora, Lucas ficou rindo de mim, pois eu havia ficado vermelho demais.
A Isa tem uma gata chamada Fifi. Se eu falar que o Tigor pode ter filhotes com a Fifi, será mais um motivo para nós ficarmos juntos por mais tempo. O Lucas disse que quer um filhote, já que a mãe é alérgica a cachorros e o pai odeia o barulho de pássaros. Ele disse que se fosse um gato não teria problema. Por isso eu prometi a mim mesmo dar um filhote a ele. Lucas também não tem amigos em casa, somente aqui no projeto. A Casa de Reabilitação e Cuidados. Isa tem parte do rosto e dos braços marcados. Ela tem um trauma terrível: Há duas semanas ficou presa em casa enquanto a mesma pegava fogo. Suas cicatrizes são feias. Sim, ela não é uma garota bonita. Talvez já tenha sido, mas agora não.
Sim, eu digo isso com sinceridade: Não acho as marcas dela, principalmente no rosto, bonitas. Minha mãe disse que essas marcas vão somente virar cicatrizes feias e ficarão no rosto dela para sempre. E sempre é muito tempo, nesse ponto de vista. Mas ela ser bonita ou não nunca vai interferir no interesse que surgir. Desde que ela me levou os biscoitos feitos a mão, nunca mais a esqueci.
Isso é chato, às vezes. Outras nem tanto. Quando tenho que fazer os testes com as enfermeiras tocando meus joelhos amputador, eu posso fingir que não estou ali e que a Isa está na ala dos queimados, somente fazendo biscoitos para mim. Faz duas semanas que cheguei aqui, no mesmo dia que ela. Acho que isso chamou a sua atenção. Nossos pais até conversaram. Eu não pude vê-la pois ela foi encaminhada rapidamente para a clínica. Deveria precisar de ajuda para limpar as feridas. Aqui não é um hospital, mas às vezes agem como se fossem um.
Isa é três anos mais velha que eu, treze anos. Ela é bem mais alta que eu e também bem mais... Formada. Sem seios e bumbum (como Lucas não deixou de notar e me contar mil vezes o dia todo). Às vezes acho que Lucas tem fixação por meninas com seios grandes (ou peitudas, como ele chama) e bumbum redondo (ou bunduda, como ele também chama).
Hoje eu irei falar com ela sobre meu gato. Espero que as palavras não fujam de mim e eu fique com cara de idiota...
Notas finais
--Fichas--
Nome:
Nick no Jogo:
Idade (10-25):
Características (Aceito Fotos, mas somente em anime ou mangá):
Guilda: [ ] Dragão Dourado (DD) [ ] Chama do Oriente (CO) [ ] Asa Branca (AB) [ ] Demônio das Trevas (DT)
Personalidade:
Gosta de:
Não gosta de:
Ponto Fraco (físico ou emocional):
Família:
Que doença tem (cardíaca, câncer, paraplegia, etc):
História (Não aceitarei histórias mal feitas):
Signo:
Aniversário:
Atração (O que lhe atrai em pessoas, ambientes, livros, etc):
Condição Financeira:
Lugar do Mundo:
--THEPLAY--
Espero que participem e deem uma chance à Fanfic. =D Beijins, Jujubas.
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