Ben E O Paraíso

10 Qual o presente?


Notas iniciais
Whats up? Eu sei que esse capítulo demorou mais que o normal, mas infelizmente aquele ritmo de dois capítulos por semana vai ficar difícil de se manter agora. Vou fazer de tudo pra postar pelo menos um capítulo por semana/10 dias. Nesse capítulo teremos o aniversário do protagonista. Boa leitura!

A minha melhor lembrança de aniversários foi quando meus pais me acordaram de madrugada, eu acho que estava completando 7 anos, e me deram uma bicicleta de presente. Eu estava radiante nesse dia. Acho que nos anos seguintes fiquei esperando que eles me acordassem pra me dar algo, mas isso nunca mais aconteceu.

O que eu não poderia imaginar era que o presente que eu mais gostaria agora que estou completando 19 anos era o parabenizar do meu melhor amigo. Eu não sabia o que esperar dele. Pensei que talvez ele fosse me ignorar como vem fazendo há alguns dias. Mas será? Era um dia tão especial pra mim, ele não poderia simplesmente deixar passar. Felizmente, ele não deixou.

— Obrigado! – falei animado.

— Aproveita o seu dia. – e então veio o balde de água fria. Felipe nem esperou que eu o respondesse e já foi para se sentar do outro lado da sala.

Eu queria um outro presente de aniversário. Ter o meu melhor amigo de volta. Eu sei o quão egoísta é pensar assim, sabendo dos sentimentos que ele tem por mim e também das vezes em que o magooei, mas só por um dia eu queria que fóssemos apenas os melhores amigos que costumávamos ser.

Esse é o lado ruim de completar mais um ano. Você sempre vai esperar por algo que tenha o mesmo significado que teve pra mim quando os meus pais me acordaram pra me dar uma bicicleta, porém isso não costuma se repetir. Não no meu caso.

Acompanhei a aula com desânimo, mas precisava ficar mais atento. Não quero desandar na universidade e acabar em apuros. Quando a aula acabou, eu fui de encontro a meu squad na lanchonete. Eles me animaram, me fizeram rir e esquecer as más coisas por um tempo.

Depois, Micaela e Alice iriam pra minha casa e assistiríamos alguma coisa comendo o brigadeiro que Micaela disse ter feito. Aqui vai um fato sobre o brigadeiro de Micaela: a gente nunca admite, mas é muito bom. Óbvio que fazemos isso pra não dar chance dela ficar se gabando ainda mais.

Eu havia convidado John e Matias pra irem também, mas eles pularam fora. Deviam estar pensando que seria uma noite tediosa comparado a quando a gente vai se divertir pela cidade em festas.

Depois de jantarmos no RU, Micaela e Alice me acompanharam até a minha casa. Tive o maior susto assim que entrei e vi aquelas pestes ali, em frente a um bolo redondo com uma vela de 1. Até Luana e Cristiano estavam participando daquela surpresa.

— Eu não acredito que não descobri isso. Onde que eu tava com a cabeça? Vocês são óbvios demais pra conseguir me enganar tão fácil.

Matias, John, Micaela, Alice, Luana e Cristiano começaram a cantar parabéns. Eu não sei o que acontece, mas nessas horas você sente uma vontade enorme de sumir. Todos estão olhando pra você com sorrisos e uma animação que você ainda não adquiriu por causa do susto ou da vergonha mesmo.

— Muito obrigado. Velho, eu ainda não tô acreditando que nem desconfiei disso. Deveria ter sacado no momento em que Micaela disse que ia trazer brigadeiro pra cá. – eles riram e Luana me entregou uma faca. Eu abracei ela, que me desejou parabéns. – Por que só tem a vela do 1?

— Nós não achamos a do 9. – respondeu Alice. – Pensamos que seria até bom deixar só a do 1, já que você é e sempre será o nosso bebê.

— Que horror. – ri e apaguei a vela que ainda estava acesa. – Muito obrigado de verdade. Vocês são incríveis.

— É, a gente sabe. Agora diz, pra quem vai o primeiro pedaço? – alguém bateu na porta.

Por favor, seja o Felipe! Seja o Felipe!

Cristiano foi abrir. – Boa noite. Tô atrasado, não é? – era o Ari. Não vou mentir que fiquei decepcionado por uns instante, mas o Ari também era o meu amigo e tinha que estar nesse momento.

— Você tem carro e é o que se atrasa. – brincou John arrancando risadas.

— Parabéns! – disse Ari vindo até mim e me dando um abraço apertado.

— Obrigado. Toma esse pedaço de bolo antes que façam uma discussão sobre de quem deveria ser o primeiro.

— Isso não vale. – retrucou Micaela.

— Então você está dando pra mim porque não quer se comprometer? – perguntou Ari com um sorriso. Ele estava brincando comigo, mas não gostei. Eu sei me comprometer, estou apenas tentando evitar uma confusão de crianças numa festa de aniversário.

— Não é isso. Pega o bolo e pronto. – entreguei afoito para ele. — Quem foi que fez mesmo?

— Eu comprei. Dizem que é bom, espero que seja verdade. – respondeu Matias.

— Vamos comer pra ver então.

Eu cortei mais alguns pedaços do bolo e depois parei para comer junto com alguns salgadinhos e o brigadeiro. Mandei uma foto pra minha mãe do que havia sobrado da minha festa surpresa. Ela havia me ligado de manhã pra me parabenizar e o meu pai fez o mesmo. Eles disseram que fariam algo legal quando eu fosse visitá-los.

Distribui abraços em todas aquelas pessoas ali. Eu estava radiante pela surpresa e sabia que deveria ter uma gratidão enorme por ter amigos tão maravilhosos. Micaela disse que iria me dar um presente e chamou a atenção de todos.

— Foi muito difícil na hora de escolher um presente pra você porque eu queria dar o melhor. – algumas vaias foram direcionadas a ela que mostrou o dedo do meio. – Eu espero que você goste, Ben. – ela me entregou uma coisa quadrada embrulhada num papel de presente vermelho.

— Meu Deus. Eu tenho medo do que possa ser. Você não comprou isso num sex shop não né?

— Seria uma boa ideia, mas não.

Comecei a abrir o embrulho e percebi que era um cd. Era o álbum debut da Camila Cabello.

— Não acredito que você me comprou o hinário da fada cubana. – abracei ela animado.

— Eu não gostei, mas você não para de falar desse álbum, então...

— Muito obrigado mesmo. O que acham de eu colocar pra tocar agora? – ouvi vários “não” e fiz uma careta. – Tudo bem, eu ouço depois.

— O meu presente não é tão chamativo, mas espero que goste. – disse Alice se aproximando e entregando uma sacolinha. Eu abri e tinham três bottoms. Um da Lana Del Rey, outro da bandeira LGBT e um escrito Friendship Goals.

— Eu amei. – falei e abracei ela também. – Minha mochila agradece também. O da Lana já é o meu preferido.

— Só faltou o meu presente então né? – perguntou Matias e eu fiquei supreso. Não achei que ele fosse do tipo de comprar presentes.

— O nosso, eu ajudei. – disse John.

— Sai daqui, John. Se você não trouxe nada, não é minha culpa. Esse presente é exclusivo e desculpa Micaela, mas o meu ganha do seu de goleada. – quando Matias se aproximou mostrando o presente eu caí na gargalhada. Quando todo mundo viu o que era, começou a rir também.

— Matias, você não existe. – falei com a barriga já doendo de tanto rir.

O presente era nada menos que um beck já pronto. Isso é tão Matias que eu não sei como não havia associado logo qual seria o seu presente.

— E aí, bora tragar agora? – perguntou ele.

— Tudo bem pra vocês? – perguntei pra Luana e Cristiano, já que eu não sabia a opinião deles sobre maconha. Eles acenaram positivamente com a cabeça.

Matias acendeu o beck com um isqueiro e me entregou pra eu dar a primeira tragada. Fizemos uma espécie de fila e começamos a passar o beck de mão em mão. Maconha não era o meu forte, preferia beber, mas não vou negar que eu gostava da sensação de estar chapado.

— Bateu em alguém? – perguntou John quando o beck terminou.

— Não foi o suficiente. Um beck pra tanto drogadinho é osso. – respondi.

— Quero ver daqui a algum tempo o seu estado, Benzinho. – disse Matias.

— Vou estar plenamente comendo o resto do meu bolo.

— Ainda sobrou bolo? – perguntou Micaela e foi atacar o meu bolo junto com os outros.

— Deixem o meu bolo em paz, seus lariqueiros.

— Toma. Acho que esse é o último pedaço. – Ari me estendeu e eu senti uma vontade de chorar. – Algum problema?

Eu não estava em controle mental de mim mesmo. Comecei a chorar na frente de todo mundo que me olhava sem entender.

— Desculpa, é que eu tô muito feliz por vocês se importarem tanto comigo e terem feito essa festa maravilhosa. – continuei a chorar e fui consolado pelo pessoal.

Galera, há várias maneiras do seu corpo reagir à maconha. Minhas emoções eram amplificadas e por isso eu estava pagando aquele mico na frente dos meus amigos. Eu só espero que eles estejam tão chapados a ponto de não se lembrarem disso amanhã.

— Amigo, já estamos indo pra casa, tá? Você vai ficar bem? – perguntou Alice.

— Vou sim, ignorem o meu surto. Você vai pegar carona com o Ari?

— Sim. Ele vai levar Micaela e eu. John vai na moto de Matias.

— Abraço em grupo então. O último da noite, prometo. – anunciei e logo fui sufocado pelo calor humano.

Me despedi de todos. Eu avisei a Luana e Cristiano que poderiam ir dormir, pois amanhã eu arrumaria a bagunça que nem era tanta. Fui pra cozinha pegar, pois estava morrendo de sede. Peguei um copo e enchi com água. Ouvi a porta da frente se abrindo e logo Ari apareceu na minha cozinha.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntei.

— Esqueci de te dar o meu presente.

— Foi? – estranhei e ele se aproximou.

— Sim. Feliz aniversário. – Ari se aproximou mais ainda e pôs as mãos em meu rosto, me beijando em seguida.

Eu me sentia tão leve que tive me agarrar ao corpo de Ari com força, pois tinha a impressão de que poderia cair. Esse beijo foi uma loucura que não consigo definir. Quando Ari se afastou, eu nem sabia o que falar ou fazer. Beijar quando você está chapado é um pouco estranho, pra constar.

— Da última vez que tive aqui, fomos parar no seu quarto.

— Mas você tem que levar as meninas pra casa.

— Certo. – falou ele colocando a mão na cabeça como se tivesse se esquecido das meninas. – Tchau. – me abraçou e me deixou ali na cozinha, paralisado.

Chego a conclusão de que o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar era voltar a ter a idade que tinha quando ganhei aquela bicicleta. Crescer é uma droga. Como eu vim parar no meio desse furacão? O meu melhor amigo se afastou porque se apaixonou por mim e eu beijei, pela segunda vez, o cara que achava que o Felipe gostava.

Se é difícil enquanto eu estou chapado, imagina quando eu acordar e estiver sóbrio.

Notas finais
O que vocês acham desse casal? Não se esqueçam de deixar um parabéns pro Ben nos comentários e talvez desejar forças porque ele vai precisar, ein? Um beijo e até o próximo!