Ben E O Paraíso

11 Não tão fácil


Notas iniciais
Olá, paradisers! Eu sei que estou em dúvida com vocês pela demora do capítulo, mas estive em maus bocados esses dias (sem internet, pra ser mais específico). Porém, esse capítulo tá um pouquinho maior que o normal em minha defesa. Boa leitura!

A confusão sentimental que se tornou minha vida. Isso poderia ser a pauta de um livro inteiro se eu tivesse aptidão à escrita. E olha que tudo soa muito clichê, então provavelmente as chances desse livro se tornarem um sucesso são altas.

Recapitulando: eu pensava que o meu melhor amigo, Felipe, era apaixonado por Ari, nosso veterano. Mas aí acabei descobrindo que o Felipe está apaixonado por mim e o Ari também tá demonstrando algum tipo de interesse, mas ainda não sei ao certo sobre os seus sentimentos.

E como fica os meus sentimentos em meio a esse turbilhão? Puts, eu não consigo ver o Felipe como alguém além de um grande amigo. Ele é tipo o meu alicerce. A pessoa que me segura quando estou na borda, prestes a cair no abismo. Usando um exemplo daquele seriado médico, ele é a minha pessoa.

Eu reconheço o quanto o Felipe é cheio de qualidades e quem for se relacionar com ele será muito sortudo, mas eu não sou essa pessoa. Além de não estar apaixonado por ele, tenho medo de acabar tentando algo e acabar de vez com a nossa amizade que já está fragilizada. Faz uma semana que a gente não troca uma palavra. A última vez foi quando ele me parabenizou.

Vamos ao Ari. Ari é o tipo de garoto que chama a atenção em qualquer lugar onde passa. Ele é tipo, muito bonito. Sua pele bronzeada, o cabelo um pouco grande, a boca rosada e carnuda, olhos grandes e expressivos junto com um senso de moda muito bom.

Ele está sempre recebendo elogios das pessoas quanto a sua beleza, mas não vejo ele se gabando por isso. Felipe ficou encantado por ele no minuto em que viu sua foto num grupo que fizeram dos veteranos com os calouros. Ele havia me dito isso quando nos tornamos amigos. E teve toda uma história dele ter se apaixonado por Ari que garantiu que não procurava por compromisso.

Não posso negar que internamente sempre concordei com as pessoas sobre a beleza de Ari. Não é algo que eu externaliza-la porque não gostava de tanta babação. Eu não queria dar a ele um motivo pra se gabar, mesmo eu nunca tendo visto ele ter feito algo assim.

Muitas vezes eu me sentia pressionado pela sua presença e o ignorava. Odiava as pessoas que lhe davam tanta atenção só por causa da sua beleza. Se ao menos o conhecessem e vissem o quanto ele tem muito mais a oferecer do que a parte externa.

Eu criei uma barreira entre nós dois antes mesmo de tentar uma aproximação. Depois, fiquei amigo de Felipe e ele me contou dos seus sentimentos pelo veterano.

Quando vim a me aproximar de Ari foi por meio de Micaela. Como sempre estávamos nos encontrando, resolvi deixar de lado essa rixa que eu mesmo havia criado na minha mente e fui conhecendo um pouco mais dele. Porém, ainda havia Felipe que estava sofrendo por ele e como eu havia tomado parte do sofrimento do meu amigo pra mim, Ari e eu nunca chegamos a ser bons amigos.

Desde que eu percebi que ele tinha algum tipo de interesse em mim, algo acendeu. Ficar com o Ari nunca foi uma possibilidade diante de todas as circuntâncias, mas ter a certeza de que existia uma chance daquilo acontecer, pois ele queria me fez ficar um pouco pensativo.

Os nossos beijos foram em momentos em que eu estava mais propício a tomar atitudes corajosas. O primeiro, eu havia me acabado na bebida e tomei coragem pra experimentar como seria ficar com ele. O segundo foi de surpresa, mas em nenhum momento indesejado. Eu quis que ele me beijasse e eu retribui quando ele o fez.

O que será que ele sente por mim? Nós já até transamos e parece que ele continua insistindo em algo. Talvez faça parte de quem ele é. Um jogo de sedução onde ele deixa a vítima sempre ali, esperando por ele pra que no momento em que ele quiser, ele possuir a pessoa.

Será que eu estou sofrendo do mesmo mal que Felipe sofreu antes? A quantidade de vezes em que me pego lembrando dos nossos beijos e daquela noite e quando o vejo e tenho uma vontade estranha de sorrir, mas me controlo e cerro os dentes pra não demonstrar. Apesar disso, não sei se estou apaixonado.

Quando eu me apaixonei pelo Jefferson foi algo bem mais urgente. Eu não conseguia parar de pensar nele em qualquer lugar que fosse. E tinha a necessidade de conversar com ele, de criar assuntos, de nunca deixar a conversa morrer. De conseguir toda a atenção dele.

Pode ser que os sentimentos vão amadurecendo enquanto você cresce. Mas faz apenas dois anos que eu namorei com aquele embuste. Desde então, nunca mais tive um relacionamento e nem sei se tô pronto pra isso.

O meu maior medo é ter ficado traumatizado pela traição do desgraçado. Imagina se eu namorasse com o Ari, sendo ele tão aclamado pelas pessoas? Eu conseguiria confiar em alguém de novo? Ou isso é algo que eu terei que conviver se quiser voltar a ter um relacionamento com alguém?

Pois é, o meu drama se transformou numa verdadeira novela mexicana. Como eu consigo sair dessa? É por isso que eu abomino questões referentes à relacionamentos no momento. Há tanta coisa pra eu me preocupar, como a faculdade e conseguir um estágio.

Se pelo menos eu tivesse alguém pra eu me aconselhar. Felipe era quem fazia esse papel de conselheiro, mas não há como eu contar com a sua ajuda para isso agora.

Eu preciso ser corajoso sóbrio. Chega de bebidas ou maconha pra me dar a coragem que eu devo ter em qualquer momento. Vou chamar Ari pra conversar e esclarecer de uma vez o que está acontecendo entre a gente.

...

Tá, eu demorei uma semana pra realmente chamar Ari pra conversar. Eu inventava várias desculpas pra mim mesmo sobre o quão desnecessária seria essa conversa, mas chega de me enganar. Eu preciso saber o que está acontecendo pra poder tomar alguma atitude. Cansei de ser um agente passivo nessa teia de aranha que se transformou a minha vida.

Havia mandando uma mensagem naquela quarta perguntando à Ari se ele iria jantar no RU. Ele disse que não e perguntou o porquê. Eu respondi que precisava conversar com ele e a gente poderia ir pra minha casa depois de eu jantar. Espero que ele não tenha entendido que isso era um sinal de que queria transar com ele. Seja lá qual for a decisão que tomarei hoje, não vou terminar na cama com Ari. É uma promessa que eu fiz a mim mesmo.

Me despedi de Alice e Micaela que jantaram comigo e fui até o estacionamento. Ari já estava me esperando lá no seu carro. Eu abri a porta do banco de carona e percebi que ele ouvia música pelo rádio e tocava um funk que eu adorava.

— Desculpa a demora. – falei e me sentei no banco. Ari começou a dirigir.

— Nem demorou tanto. Tô curioso quanto a essa conversa.

— Você já deve imaginar mais ou menos o assunto que quero falar.

— Sim, tenho algumas teorias. Se for o que eu tô pensando, eu já estava esperando pra falar com você sobre isso há um tempo, mas você não parecia muito interessado nessa conversa.

— Vamos deixar essa conversa pra quando chegar na minha casa. Não quero que fique um clima estranho na estrada.

— Tá com medo que eu me distraia e a gente sofra um acidente? Eu dirigo muito bem, fica tranquilo.

— É, eu vi isso na noite que...

— Que eu te levei pra casa e nós ficamos.

— Você soube do DJ que morreu? Eu ainda tô muito chocado com a notícia.

— Uhum, eu gostava de algumas músicas dele. É uma pena.

— Sim, tão novo. – ficamos em silêncio e eu me sentia incomodado. Queria que ele falasse qualquer coisa, podia até contar uma piada idiota que já seria melhor do que aquele silêncio.

— Sabe que eu nunca fiz? – perguntou ele.

— Ahn?

— Nunca recebi um boquete enquanto dirigia.

— Meu Deus. E por que tu tá me falando isso? Não tá achando que eu vou...

— Não, não. É só que eu tava lembrando de um vídeo que vi na internet. Péssimo comentário pro momento.

— Não é perigoso? Por que tipo, você tá dirigindo e aí tá sentindo prazer. Você pode começar a mexer o seu corpo e quando estiver quase perto de, você sabe, aí perde o controle do carro e aí já era.

— Acho que é por isso que algumas pessoas acham excitante. Pelo perigo e também pela chance de serem pegos. Você sabe como o povo é exibicionista.

— Pois eu não tenho a menor vontade. Nem de fazer, nem de receber.

— Até porque pra receber, você precisaria de um carro pra isso. – olhei para ele e soltei uma risada.

— Que veneno. Pois logo eu vou ganhar um carro e vai ser melhor que o seu.

— Vai ganhar de quem? Do teu amante ricão?

— Não, idiota. Dos meus pais mesmo.

— Então você é um filhinho de papai.

— Ah, é? E foi você que comprou esse carro? Com qual dinheiro?

— Eu nunca disse que não era um filhinho de papai.

Chegamos na minha casa e Ari parou na porta. Nós entramos e eu indiquei o sofá para ele. Fui no meu quarto e deixei lá a minha mochila e também coloquei o meu celular pra carregar já que havia descarregado no meio da aula. Fui na cozinha e perguntei a Ari se ele queria água. Ele negou e eu enchi um copo para mim e tomei.

— Então... – falei quando voltei à sala e me sentei no mesmo sofá que ele, mas um pouco afastado. Eu não saberia conversar com ele olhando diretamente nos seus olhos, então olhei pra frente. – Acho que precisamos esclarecer algumas coisas.

— Da última vez que você me chamou pra conversar, você brigou comigo. Espero que não seja assim.

— Não foi uma briga. Mas não interessa aquela outra conversa agora. Eu nem deveria ter te falado que o Felipe gostava de você, mas descobri que ele já te superou.

— Ótimo. Então isso quer dizer que...

— Eu contei pra ele o que aconteceu entre a gente na noite em que você me trouxe pra casa. Acontece que o Felipe está apaixonado por mim.

— Eu sabia. – disse ele pra minha surpresa.

— Então todo mundo tava sabendo menos eu?

— Ah, eu desconfiei pela forma como ele te tratava e também quando ele e eu conversamos sobre você.

— Qual o meu problema, então? Por que eu nunca percebi nada.

— É, você tem um problema pra perceber o que as pessoas sentem sobre você.

— Isso foi uma indireta, né?

— Não tão indireta assim.

— Okay. E o que você sente sobre mim?

— Eu te acho interessante. Demais. E também divertido, tem uma vibe legal e sem falar que é muito bonito.

— Obrigado. Mas você falou o que acha de mim e não o que sente por mim. – olhei para Ari naquele momento. Ele olhou pra mim e abaixou a cabeça, mexendo no cabelo com uma mão. Logo, voltou a levantar a cabeça e olhar para mim novamente.

— Não sei bem. Eu gostei muito de quando ficamos e quando nos beijamos no seu aniversário. É algo que não sai da minha cabeça.

— Também tenho pensado muito nisso. O que você acha que podemos fazer pra resolver essa situação?

— Eu gostaria de tentar, sabe?

— Você fala tentar em sentido de namoro?

— Talvez. O que eu quero é que a gente se conheça melhor pra ver se há alguma chance de ficarmos juntos.

— Você sabe o que eu tô colocando em jogo se fizermos isso, não é?

— Eu sei que você não quer magoar o seu melhor amigo. Mas aí cabe a você definir o peso que essa amizade vai ter sobre nós.

— Eu sinto como se tivesse que fazer uma escolha entre vocês dois. Eu quero tentar seja lá o que for com você, mas eu também quero que as coisas continuem iguais entre o Felipe e eu. Se bem que acho que isso vai ser difícil. Mas não vejo como eu posso ter os dois.

— Quando eu imaginei como seria essa conversa, pensei que finalmente resolveria essa situação, mas é tão complicado. Pelo menos agora eu sei o que você sente e o que quer de mim.

— O que eu mais queria é que isso não fosse tão complicado. Pior que eu sei que você vai acabar desistindo por medo de perder o seu amigo e eu nem posso te culpar por isso. Perder um amigo por causa de algo incerto, nem eu faria isso, acho.

— Você está fazendo propaganda contrária de si mesmo?

— Eu vou superar. Mas eu queria muito que a gente tentasse.

— Eu também.

— Vou indo. Preciso ir pra um outro lugar ainda hoje.

— Alguma festa?

— Sim. Vou pegar alguns carinhas que não tem um melhor amigo que tá apaixonado por eles. – dei um tapa no braço do Ari que reclamou, mas eu comecei a rir.

— Não brinca com isso.

Nos levantamos do sofá e eu acompanhei ele até a porta. Ari me abraçou bem apertado e eu queria que ele não me soltasse ali naquele instante. Ele deu um tchau e foi para o carro, dando partida. Sem nenhum beijo de despedida. Eu deveria ter tomado a iniciativa, era provavelmente a nossa última chance de trocar saliva.

Fechei a porta e fui para o meu quarto, me jogando na cama. Quanto tempo vai demorar pra eu resolver isso? Eu não aguento mais, já saturei de tanto drama. Peguei o meu celular e o liguei. Fui dar uma olhada nas mensagens e meu coração bateu até mais rápido.

Haviam três mensagens não lidas de Felipe.

Notas finais
E aí, o que acharam? O Ben vai ter que tomar uma decisão logo, né? Já tá enrolando um pouquinho demais. Espero que tenham gostado, um beijo e até o próximo!