Ben E O Paraíso

4 Amei, nota 3!


Notas iniciais
Olá, paradisers! Eu sei que demorei mais dessa vez e vim com um capítulo curto, mas vou deixar pra me desculpar de verdade nas notas finais. Tenham uma boa leitura!

O diabo do professor de Perspectiva ia entregar a primeira nota da unidade. Me diz quem faz uma prova antes de completar um mês de aula? Sem falar que ele fazia a matéria ser um porre. Talvez eu tenha um hate nesse professor porque eu peguei matéria com ele desde o primeiro período, mas o ser não me ajuda a desenvolver algum tipo de simpatia por ele.

Estava esperando um 6, pois acho que fiz uma boa prova, mas sei o quanto ele é exigente e sempre dá um jeito de achar erro em tudo. Jorgival, o professor, estava chamando um por um para pegar a nota. Ao ouvir meu nome, levantei pronto para fuzilar ele com os olhos.

— Benjamin! — diz ele ao olhar para minha prova e voltar seus olhos a mim — É, vai precisar estudar, garoto!

Eu queria que alguém tivesse gravado a cara de cão que eu provavelmente devo ter feito. Peguei minha prova e a primeira coisa que vi foi aquele 3 gigante no canto direito superior do papel. Como eu posso ter tirado só isso?

Voltei para minha cadeira pisando com força no chão. Queria deixar bem claro o meu descontentamento. Essa é a pior nota que eu tirei nesse curso e não estou nada satisfeito. Se tem uma coisa da qual eu me orgulhava era que a minha média estava sempre acima de 7 e agora vem esse cara me foder desse jeito?

Fiquei sentando, olhando a minha prova e desenvolvendo um ódio mortal contra Jorgival. Só saí desse transe quando ouvi Felipe me chamando.

— E aí, tirou quanto? — perguntou ele.

— Esse bosta me deu um 3. Eu tô com tanta raiva, Felipe. Você tirou quanto?

— Sete.

— Me deixa ver a sua prova. — Felipe me entregou sua prova e acho que peguei de maneira rude, mas não estava em um bom momento.

Comecei a comparar nossas respostas e tentar entender a correção do professor. Para mim, eu merecia muito mais que aquela nota fodida. Entreguei a prova de volta pra Felipe e fiquei calado pelo resto da aula enquanto o professor fazia um discurso sobre as notas terem sido baixas, mas que nós tínhamos a oportunidade de reverter isso nas próximas unidades. Ele até já tinha começado a passar assunto novo. Que ódio!

— Calma, amigo! É só uma nota. — me disse Felipe quando aquela aula dos infernos finalmente acabou.

— Que se foda! Eu quero tanto beber hoje, mas preciso fazer aquela maquete pra aula de Planejamento.

— Eu posso ir lá pra sua casa. Nós fazemos a maquete e depois bebemos um pouquinho.

— Não precisa. Eu sei que você prefere fazer essas coisas sozinho pra não perder a concentração. É só uma nota, eu vou tirar outras melhoras e fazer Jorgival engolir.

— Okay! Eu já tô indo pra casa então. Você vai ficar?

— Sim. Vou procurar a galera pra jantar no RU (Restaurante Universitário).

— Até amanhã, então!

Felipe me deu um abraço e foi embora. Eu segui até a lanchonete que era o ponto de encontro do nosso grupinho. Alice e John estavam numa mesa, conversando. Falei um olá e puxei uma cadeira para me sentar.

— Vão jantar no RU hoje? — perguntei.

— Sim. Estamos esperando a Micaela e o Matias. Como é que foi a aula?

— Um lixo. Tirei 3 naquela prova que fiz semana passada. Vontade de mandar o professor ir pra puta que pariu.

— Ih, problemas com Jorgival? — pergunta Ari chegando junto a nós e sentando ao meu lado. — Ainda bem que não peguei matéria com ele esse período.

— Pois eu me ferrei. Já tô até vendo que a primeira matéria que vou perder é a dele.

— A princesa precisa conhecer a sensação de perder uma matéria. — diz John. — Dói menos do que parece.

— Você não vai perder Jorgival. — fala Ari. — Já pegou matérias mais difíceis com ele e não perdeu.

— Espero viu. Olha ali os dois. — aponto para Micaela e Matias que estão se aproximando.

Nós decidimos ir direto pro RU jantar. Estamos andando em duplas: Micaela e Matias, Alice e John, Ari e eu. Ainda estou um pouco chocado pelo Ari ter tentado me beijar na última calourada e me sinto um pouco desconfortável.

— Vem cá. Sobre a calourada, ficou um clima estranho entre a gente não foi? — Ari fala um pouco baixo para que os outros não escutem.

— Acho que sim. Mas eu realmente não quero que a gente se trate como dois estranhos. Podemos esquecer isso.

— Sim, totalmente! Eu gosto muito da sua amizade e foi um erro ter insistido pra gente ficar.

— Imagina! Eu também gosto muito da sua amizade. Sigamos em frente com isso. Não tem porque transformar num drama. — Ari sorriu pra mim e passou o braço em volta do meu ombro, me abraçando de lado.

Após jantar, me despedi do pessoal e vim caminhando para casa, que não era muito longe da universidade. Tomei um banho e estava pronto para começar o trabalho da maquete quando meu celular tocou.

— Oi, mãe. — falei ao atender a ligação.

Quer dizer que se eu não ligar, você esquece que tem mãe?

— Meu Deus, que drama! A gente se falou faz três dias, no máximo.

Tem que me ligar todo dia. Pra que é que eu coloco crédito todo mês no seu número?

— Você me ligou pra reclamar? Eu tenho que fazer um trabalho.

Mas é ingrato mesmo. Liguei pra saber como você tá. Tá comendo o quê?

— Você sabe que eu como na universidade.

Come o quê?

— Comida, mãe.

Olha como é engraçadinho ele. Eu vou te fazer uma surpresa, Benjamin.

— Mal posso esperar.

Okay. Boa noite, beijo!

— Boa noite!

Minha mãe era louca por ter algum tipo de controle sobre a minha vida. Quando eu disse que queria sair de casa pra morar perto da universidade ela foi contra e se não fosse pelo apoio do meu pai, não estaria morando aqui. Consegui achar essa casa que divido com a Luana, que faz Letras — Português, e com o Cristiano, que faz Odontologia.

Todas as férias eu vou passo na minha casa e tenho que ouvir as lamúrias da minha mãe sobre eu ter saído de casa cedo demais. O ideal para ela seria eu sair de casa apenas quando me casasse. E ela pensa que isso aconteceria com um garota porque ainda não conversei com os meus pais sobre minha sexualidade.

Meu medo é que eles achem que estou sob algum tipo de influência e deixem de me manter aqui. Eu tô procurando por um estágio, mas as coisas não tem dado tão certo quanto a isso e nem sei se o dinheiro de estagiário conseguiria pagar minhas despesas aqui.

Comecei a fazer a maquete e só dei uma pausa quando já passava de 02:00 porque o sono havia me atacado. Antes de dormir, lembrei da minha nota na prova e gritei abafado no travesseiro. Quando é que os dias de glória chegarão na minha vida?

No dia seguinte, usei a manhã para continuar o trabalho. Eu estava realmente dedicado a fazer algo perfeito, pois não podia me dar ao lixo de ficar com outra nota baixa. E também, se eu me destacar para os professores, eles podem acabar me ajudando no futuro, me indicando para estágios ou coisas assim.

Pela tarde, almocei com Micaela e John no RU. Felipe não almoçava mais com a gente agora que estava estagiando de manhã. Ele chegava um pouco atrasado na primeira aula, mas o professor da aula daquele dia conseguia a proeza de chegar mais atrasado ainda.

Eu estava na sala, mexendo no Twitter, quando Felipe chega e se senta na minha frente.

— E aí! — fala ele.

— Olá!

— Por que não me contou que o Ari deu em cima de você na calourada? — tirei os olhos do meu celular no mesmo segundo e o encarei.

— Como é?

— Eu estava conversando com o Ari ontem por mensagem e ele me contou o que aconteceu na calourada. Fiquei pensando porque você me escondeu isso.

— Não foi nada importante, Felipe.

— Não é o que parece, ou então você teria me contado.

— Você está com raiva de mim?

— Eu não. Só não entendi isso.

— Olha, eu não contei pro Ari que você gosta dele, se é esse o seu medo.

— Você pode ficar com ele, se quiser, sabe?

— Eu não quero.

— Qual é? O Ari é um gato. Todo mundo quer ficar com ele.

— Eu não. E já deixei bem claro pra ele. Não sei porque ele comentou isso com você. Combinamos que iríamos esquecer isso.

— Você acha que ele gosta de você?

— Não. Você não disse que ele não tá procurando por um relacionamento sério? Deve ser apenas vontade de ficar mesmo.

— Mas, por mim, não tem problema se vocês ficarem. Eu já te disse que já superei ele.

— Parece que você quer me empurrar pra ele. Esquece isso, Felipe.

— Só não quero que deixe de ficar com alguém que tem vontade por minha causa.

— Vamos encerrar esse assunto, por favor?

— Tá bom.

O professor chegou na sala e pediu desculpas pelo atraso. Felipe se virou para prestar atenção na aula. Ele podia dizer quantas vezes fosse, eu sei o quanto ele faria magoado se eu ficasse com o Ari. Aliás, por que esse garoto foi contar do fato na calourada pra ele? Tudo bem que ele não imagina os sentimentos de Felipe, ou pelo menos acho que não. Porém, a gente havia combinado de deixar esse assunto morrer no limbo e ele deve ter falado com o Felipe depois dessa nova conversa.

Já não basta o meu drama acadêmico com Jorgival, agora vou ter que lidar também com drama de relacionamento? Isso era tudo o que eu não estava procurando.

Notas finais
E aí? Fiquem à vontade para comentar o que estão achando e o que esperam do desenvolvimento desses dramas. Próximo capítulo é um ponto de virada da história, então fiquem preparados para muito mais! Prometo que vou tentar postar bem mais rápido dessa vez, mas vocês podem ajudar me dando aquele incentivo com os seus comentários. É isso, até o próximo!