Bem-vindos a Heide
11 O PREÇO DA LINHAGEM
Notas iniciais
CAPÍTULO 11: O PREÇO DA LINHAGEM
A atmosfera nos subsolos do complexo laboratorial de Heide nunca esteve tão gélida. Edward, Jasper e James foram convocados à sala de projeção central logo nas primeiras horas da manhã. O ambiente, iluminado apenas por telas holográficas azuis, exibia gráficos de estabilização celular. No centro da sala, de costas para eles, Aro Volturi observava os dados com os dedos entrelaçados atrás do corpo de seu terno preto.
— Ah, meus caros colaboradores — Aro disse, virando-se lentamente com um sorriso que não alcançava seus olhos pretos e leitosos. — Hoje é um dia de triunfo científico, mas também de profunda consternação humana. O projeto que o Sr. Hale e a Sra. Hale integravam alcançou o seu ápice. O primeiro espécime da Nova Geração nasceu nesta madrugada. Um menino perfeito.
James manteve a postura rígida de diretor, mas seus olhos verdes fixaram-se na tela auxiliar. Seus dedos, discretamente posicionados no painel de controle de seu braço, digitaram um comando rápido de busca. No banco de dados da Fundação Familiar, o perfil de Rosalie Hale exibia uma tarja vermelha. Status: Arquivo Deletado.
— No entanto... — Aro continuou, adotando um tom de falsa complacência, colocando uma das mãos no ombro de Edward — a biologia cobra seus tributos. O processo de maturação acelerada exige muito do organismo hospedeiro. Infelizmente, a querida Rosalie não resistiu às complicações do parto. Uma perda trágica, mas o seu sacrifício garantiu o futuro de Heide.
Edward sentiu o estômago revirar. Ele olhou para Jasper, cujo maxilar estava tão cerrado que os músculos de sua face pareciam pedras. Rosalie não apenas morrera; ela havia sido usada até o último suspiro e descartada pelo sistema, exatamente como Emmett. O "não resistiu ao parto" era o código institucional para o esgotamento total de uma matriz humana.
Duas horas depois, o horror mudou-se para a superfície.
Bella e Alice estavam sentadas na varanda da casa dos Cullen, tentando processar o silêncio sufocante que a morte de Emmett deixara no quarteirão, quando o som de saltos altos ecoou pelo asfalto perfeito.
Aro e Sulpicia caminhavam pela rua residencial, seguidos por dois guardas da Fundação. Sulpicia empurrava um carrinho de bebê de luxo, feito de vime branco e detalhes em seda dourada. Ela parou exatamente diante da cerca dos Cullen, olhando para as duas garotas com uma expressão de triunfo quase teatral.
— Venham ver, meninas — Sulpicia chamou, a voz aguda e cantarolada cortando o ar como uma lâmina. — Venham saudar o futuro.
Bella e Alice levantaram-se em um transe de pavor, caminhando até o limite da cerca. Dentro do carrinho, envolto em mantas de algodão egípcio, estava o bebê. Era uma criança assustadoramente perfeita, com traços simétricos e uma pele tão alva que parecia feita de porcelana. Ele não chorava; apenas olhava para o céu com olhos vazios.
— O milagre da Rosalie — Sulpicia sussurrou, acariciando a borda do carrinho, os olhos fixos em Bella com uma intensidade predatória. — Ela nos deu essa joia antes de partir para o seu descanso definitivo. A administração cuidará dele agora. E logo, Bella... será a sua vez de dar a Heide um tesouro como este.
O choque atingiu Bella e Alice como um golpe físico. Rosalie sumira. O bebê estava ali, mas a mãe havia desaparecido de Heide, apagada da existência como se nunca tivesse cruzado aquelas ruas.
Assim que os Volturi se afastaram com o carrinho, Edward, Jasper e James cruzaram a entrada da casa. No instante em que a porta da frente foi trancada e o bloqueador de frequência de James foi acionado na sala, o luto coletivo desabou sobre eles.
— Ela se foi... a Rose se foi... — Alice desabou em prantos, os soluços rasgando seu peito enquanto ela se agarrava a Jasper. O ex-militar a segurou com força, deixando que suas próprias lágrimas silenciosas rolassem por seu rosto rígido.
Bella caiu de joelhos no tapete da sala, cobrindo o rosto com as mãos. Uma mistura de dor lancinante e ódio puro queimava em suas veias. Emmett e Rosalie haviam sido destruídos em um intervalo de vinte e quatro horas. Ela levou a mão ao próprio ventre, sentindo o relevo da cartela de anticoncepcionais escondida em seu bolso. Aqueles comprimidos eram a única barreira entre ela e o destino macabro de Rosalie.
— Chega — Bella disse, a voz subitamente firme, erguendo o rosto banhado de lágrimas, os olhos brilhando com uma resolução feroz. — Nós vamos embora. Nós vamos destruir este lugar.
James deu um passo à frente, retirando o chip de memória do bolso.
— O plano de fuga começa agora — James sentenciou, olhando para Edward e Jasper. — O sumiço da Rosalie e a falha no banco de dados do exame da Bella aceleraram tudo. Aro vai começar o protocolo com a Bella na próxima semana. Nossa única janela é amanhã à noite, durante o jantar de gala da administração no pavilhão central. Todos os diretores e guardas estarão focados no evento.
O luto transformou-se instantaneamente em adrenalina pura. A engrenagem da resistência começou a girar nos bastidores de Heide.
Nas horas seguintes, Alice e Bella usaram a rotina simulada de tarefas domésticas para agir. Fingindo organizar o lixo reciclável e as compras da semana, as duas contrabandearam pequenas mochilas com roupas civis, mudas de documentos de Forks e provisões para os fundos dos carros de Edward e James, escondendo-os sob as redes de proteção dos porta-malas. Cada movimento diante das câmeras das calçadas precisava parecer o de duas donas de casa perfeitas e obedientes.
Enquanto isso, no complexo laboratorial, Edward e Jasper agiam na ala de manutenção. Fingindo inspecionar os reatores químicos para o relatório do luto oficial, Jasper usou seu conhecimento tático para sabotar sutilmente os fusíveis de emergência dos geradores de backup de Heide.
— Quando o James cortar a energia principal da ala sul amanhã à noite, estes geradores vão levar exatamente quinze minutos para reiniciar — Jasper sussurrou para Edward, fechando a caixa de alta tensão com um clique suave. — Essa é a nossa janela para cruzar o portão quatro antes que os rastreadores de perímetro voltem a funcionar. Se falharmos, as travas magnéticas nos prendem lá dentro.
A noite caiu sobre Heide com o peso de uma sentença. No quarto dos Cullen, deitados na escuridão, Bella e Edward permaneciam com os dedos entrelaçados. Nenhum deles conseguia dormir. O silêncio da rua lá fora parecia o som de um gatilho armado. Eles sabiam que a manhã seguinte traria o jantar de gala, as máscaras de porcelana e o início da execução do plano. Seria o dia da libertação ou o dia em que o deserto os consumiria para sempre.
A escuridão do quarto parecia pulsar com o ritmo acelerado dos corações de Bella e Edward. Eles não ousavam fechar os olhos, sabendo que cada segundo que passava os aproximava da sexta-feira, o dia que definiria se eles teriam um futuro ou se seriam apagados como Emmett e Rosalie.
De repente, o silêncio da madrugada foi quebrado por três batidas quase imperceptíveis na porta dos fundos da cozinha.
Edward sentou-se na cama instantaneamente, os músculos retesados. Bella segurou o braço dele por um segundo, os olhos arregalados na penumbra. Sem emitir som, eles desceram as escadas de madeira, movendo-se como sombras na própria casa. Ao abrirem a porta de vidro com extremo cuidado, James e Victoria deslizaram para dentro da cozinha. James trazia uma expressão endurecida que Bella nunca vira nele, e em suas mãos estava uma pesada bolsa de lona preta.
Jasper e Alice surgiram logo atrás, vindo do jardim lateral, fechando a porta e ativando o bloqueador de frequência magnética no mesmo instante. O zumbido familiar de baixa frequência preencheu o espaço, isolando-os do sistema de áudio de Aro.
James colocou a bolsa de lona sobre o balcão de mármore e abriu o zíper de uma vez, revelando o brilho metálico e frio de várias pistolas semiautomáticas pretas e pentes de munição sobressalentes.
— Onde você conseguiu isso, James? — Edward perguntou, a voz caindo para um sussurro tenso, os olhos fixos no armamento. Em Heide, apenas a alta guarda da Fundação Familiar tinha permissão para carregar armas de fogo; os civis eram mantidos completamente desarmados e vulneráveis.
— Eu invadi o arsenal do setor de segurança do laboratório durante a troca de turno da madrugada — James explicou, a voz firme e desprovida de qualquer hesitação. Ele pegou uma das pistolas, checou o ferrolho com um estalo seco e a estendeu para Edward. — Se vamos cruzar o deserto, não podemos depender apenas da sorte. Aro não vai nos deixar passar pelo portão quatro acenando um lenço branco. Se os guardas nos encurralarem durante os quinze minutos de apagão que o Jasper planejou, nós vamos abrir caminho à força.
Jasper deu um passo à frente, seus olhos analíticos de ex-militar brilhando com uma frieza tática. Ele pegou duas das pistolas com uma familiaridade assustadora, verificando o peso e o carregador de cada uma antes de passar uma delas para Victoria.
— O plano está fechado — Jasper sentenciou, olhando para o grupo reunido na penumbra da cozinha. — Amanhã à noite, o jantar de gala começa às vinte horas no pavilhão central. Às vinte e uma horas e trinta minutos, o James vai iniciar a sobrecarga na subestação sul. Eu já condicionei os fusíveis de emergência para falharem; teremos exatamente quinze minutos de escuridão total e travas magnéticas liberadas. Edward e eu vamos colocar as mochilas nos carros enquanto as mulheres mantêm as aparências na mesa principal. No instante em que as luzes apagarem, corremos para os veículos.
Bella olhou para a arma na mão de Edward e depois para Alice, que apertava o braço de Jasper com os nós dos dedos brancos. O thriller psicológico de Heide havia deixado de ser um jogo de aparências e sussurros; agora, eles estavam oficialmente armados, conspirando uma fuga que exigiria sangue se o tempo deles falhasse.
— Nós vamos conseguir — Bella sussurrou, a voz firme enquanto olhava para os aliados. Ela levou a mão ao bolso, sentindo o relevo da cartela de pílulas. — Por Emmett. Por Rosalie. Nós vamos sair vivos deste inferno.
James assentiu, fechando a bolsa de lona com as armas restantes para escondê-la sob o fundo falso do armário da cozinha de Edward. A contagem regressiva para a noite de sexta-feira havia começado, e o rebanho de marfim de Aro Volturi agora estava armado e pronto para atirar.
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