Bem-vindos a Heide

16 O ECO DO PESADELO


Notas iniciais
Olá, leitores! 🤍 Chegamos oficialmente aos últimos capítulos de Heide. Depois de tudo o que aconteceu no deserto, depois das perdas, das fugas e dos sacrifícios, talvez vocês estejam se perguntando a mesma coisa que nós: O que foi real? O que foi sonho? E será que existe mesmo alguma diferença entre os dois? O capítulo de hoje é mais íntimo, mais emocional e, talvez, mais importante do que parece à primeira vista. Respirem fundo e embarquem em mais uma página dessa jornada. Boa leitura. ✨

CAPÍTULO 16: O ECO DO PESADELO

A chuva batia rítmica e fria contra as janelas de vidro de Forks, um contraste brutal com o inferno que ardia dentro de Bella. O quarto parecia girar em câmera lenta, as sombras dançando nas paredes enquanto ela se debatia entre a consciência e o delírio. Cada calafrio parecia uma mão gelada tentando arrancar sua alma para longe daquela casa.

O som de um motor potente estacionando na lama do quintal soou como um trovão. Momentos depois, passos rápidos subiram as escadas.

— Ela está aqui, Carlisle — a voz de Charlie ecoou, seguida pela figura imponente do médico, que trazia sua maleta preta com a precisão de quem estava acostumado a lidar com a fragilidade humana.

Ao lado de Carlisle, Edward entrou no quarto. Ele parecia pálido, seus olhos fixos em Bella com uma intensidade que transbordava angústia. Ele estava ali, vivo, real, sem o buraco no peito que a visão de Aro lhe impusera.

Ao vê-lo, Bella soltou um gemido que misturava alívio e terror absoluto. Ela se impulsionou para frente na cama, ignorando a fraqueza que lhe minava os ossos, e se jogou contra o peito de Edward, abraçando-o com uma força desesperada, como se o toque físico pudesse impedi-lo de se dissolver em poeira.

— Edward! — — ela soluçou, o corpo inteiro tremendo em espasmos febris. — Você não pode ir... Heide... oh, Deus, Heide é um monstro! Eles vão nos matar, eles vão nos apagar. Jasper, Alice, a pílula... tudo aquilo é real, Edward, eu vi! Eu vi vocês morrerem!

O quarto ficou em silêncio. Charlie e Renée trocaram olhares de desamparo, preocupados com o delírio violento da filha. Carlisle, contudo, manteve a expressão profissional, embora uma ruga de preocupação cruzasse sua testa enquanto ele observava os batimentos erráticos de Bella.

— É a febre, Bella — — Edward sussurrou, acariciando os cabelos dela, embora sua voz soasse estranhamente distante. — Está tudo bem, é apenas um sonho ruim...

— Não é um sonho! — Bella gritou, as lágrimas escorrendo por seu rosto ardente. — É um aviso! Nós vamos morrer lá, eles querem a nossa essência, eles querem o silêncio! Não me leve para lá, por favor, não me deixe ser um nada...

A febre de Bella atingiu um pico insuportável. Seus olhos perderam o foco, a visão do quarto se desfez em névoa, e o peso do próprio corpo tornou-se impossível de sustentar. O aperto de suas mãos nos braços de Edward afrouxou. O mundo mergulhou na escuridão total enquanto ela desfalecia nos braços dele.

O silêncio era a única coisa que existia quando ela despertou.

Bella abriu os olhos lentamente. A luz da manhã, filtrada pelas cortinas de Forks, era suave e fria. Ela sentia-se exausta, como se tivesse corrido uma maratona por dentro de um furacão. O quarto estava silencioso.

Edward estava sentado na cadeira de madeira à beira da cama, com os ombros curvados e os olhos cravados no vazio. Ao notar que ela havia acordado, ele se levantou imediatamente, caminhando até ela com uma lentidão calculada. Seus dedos, gelados e firmes, envolveram a mão de Bella.

O olhar dele não era o de um noivo prestes a se casar amanhã. Era o olhar de alguém que tinha visto o abismo.

— Edward? — a voz dela saiu num sussurro seco.

Ele apertou a mão dela e se inclinou, aproximando o rosto do dela. Seus olhos, antes calmos, agora carregavam uma sombra de terror que Bella reconheceu instantaneamente.

— Eu sei o que você está falando, meu amor — ele murmurou, a voz baixa, quase inaudível, mas carregada de uma gravidade que fez o sangue dela gelar. — Parece loucura. Parece o tipo de coisa que a febre constrói para nos torturar. Mas... eu também sonhei com isso.

O ar no quarto pareceu rarefeito. Bella sentiu o coração disparar, não de febre, mas de reconhecimento puro.

— Eu vi o deserto — Edward continuou, as palavras saindo com dificuldade.— Eu vi o Aro. Eu vi o padrão repetitivo das manhãs... Eu vi... eu vi o fim de tudo o que conhecemos. Bells, ouça-me bem: não podemos ir para lá. Não podemos cruzar aquela fronteira no fim de semana. Heide não é o nosso destino... é o nosso túmulo.

Edward aproximou-se ainda mais, sentando-se na beira do colchão. Seus dedos longos e frios acariciaram o rosto de Bella, que ainda emanava um calor residual da febre, mas seus tremores agora eram puramente causados pelo impacto daquelas palavras.

— Quando você apagou nos meus braços, com meu pai e seus pais desesperados correndo pelo quarto... a minha mente estalou — Edward continuou, a voz caindo para um sussurro cúmplice, os olhos de bronze fixos nos dela com uma determinação inabalável. — Aquela sensação de vazio, o cheiro de ozônio, as paredes brancas... tudo o que você gritava antes de desmaiar bateu exatamente com o que eu vi enquanto dormia. Eu não pude ignorar isso, Bella. Não vou arriscar a sua vida por causa de um contrato ou de uma promessa de cidade perfeita.

Bella o olhava em choque, as lágrimas finalmente secando em suas bochechas enquanto uma onda de alívio, misturada com descrença, lavava sua alma.

— O que... o que você fez, Edward? — ela perguntou, a voz ainda fraca, mas urgente.

— Eu desci até a cozinha enquanto seus pais tentavam descansar. Peguei o telefone e liguei diretamente para a central de administração da Fundação — Edward revelou, endireitando os ombros. — Eu falei com os responsáveis pelo recrutamento de Heide. Disse que houve um imprevisto médico grave, que você está severamente doente e que nós estamos cancelando oficialmente a nossa mudança. Eles tentaram insistir, disseram que a estrutura médica de lá era superior, mas eu fui categórico. Nós não vamos.

Bella soltou o ar que nem percebera que estava prendendo, fechando os olhos por um segundo enquanto o fantasma de Aro Volturi e sua redoma de vidro pareciam finalmente se dissipar na névoa de Forks.

—Mas e o casamento? E o nosso futuro? — ela sussurrou, abrindo os olhos novamente, buscando o porto seguro que era o olhar dele.

Edward sorriu, um sorriso genuíno, terno e livre do peso corporativo que vinha assombrando seus próprios pensamentos nos últimos meses.

— O casamento continua de pé, se você ainda quiser — ele disse, beijando o dorso da mão dela. — Nós vamos nos casar amanhã, exatamente como planejado, aqui em Forks, sob a chuva e perto das pessoas que realmente nos amam. Quanto ao resto... conversei com Carlisle e Esme. Nós vamos morar com os meus pais por um tempo. A casa deles tem espaço de sobra, e nós podemos ficar lá o tempo que for necessário até conseguirmos comprar o nosso próprio lugar, no nosso ritmo, do nosso jeito. Mas para Heide... para aquele lugar, nós nunca vamos colocar os pés.

Bella sentiu uma lágrima solitária escorrer, mas desta vez era de pura gratidão. O thriller psicológico, o deserto sem fim e as mentiras de porcelana haviam ficado para trás, trancados no fundo de um pesadelo compartilhado que eles nunca deixariam se tornar realidade. Eles estavam em Forks, estavam seguros, e o amanhã pertencia finalmente a eles.

Notas finais
E então...O pesadelo acabou? Ou apenas mudou de forma? Durante muitos capítulos acompanhamos Bella atravessando uma realidade marcada pelo medo, pela vigilância e pela perda. Agora descobrimos que ela acordou em Forks, cercada pelas pessoas que ama. Mas existe um detalhe impossível de ignorar: Edward também sonhou. E talvez seja justamente isso que torne tudo ainda mais assustador. Estamos entrando na reta final da história e cada capítulo nos aproxima da resposta definitiva sobre Heide, sobre o significado daquele pesadelo e sobre o futuro de Bella e Edward. Queremos muito saber: 🤍 Vocês acreditam que Heide era apenas um sonho? 🤍 Ou acham que foi uma visão do futuro? 🤍 O que sentiram ao descobrir que Edward também se lembrava de tudo? 🤍 Em qual momento vocês perceberam que a história estava caminhando para uma grande reviravolta? Muito obrigada por acompanharem essa jornada conosco até aqui. Cada comentário, teoria, voto, curtida e mensagem faz parte da história tanto quanto cada capítulo escrito. Faltam poucos passos para chegarmos ao fim. E às vezes, quando acreditamos ter escapado do pesadelo... É justamente quando ele decide nos observar de longe. Nos vemos no próximo capítulo. 🤍