Bem longe daqui
2 Capitulo 2
As ruas são muito perigosas, há uma organização criminosa chamada MTE, máfia do tijolo elétrico, dizem que têm esse nome pois eles eletrocutavam policias corruptos que ameaçavam seus negócios, em uma parede de tijolos. Eles fazem todos os tipos de assaltos pela cidade, expulsaram todos traficantes e demais criminosos que ficavam aqui, alguns deles até foram mortos. As ruas são desérticas, só falta aparecer àqueles fenos de faroeste rolando por aqui e aquele vento assoviando nos seus ouvidos, por isso minha mãe me mandou entrar logo, ela te trauma porque quando eu era mais jovem com uns 12 anos, eles me ofereceram drogas, mas eu não aceitei, mesmo com a persistência deles, acho que isso é algo pra gente sem noção que quer sofrer, havia drogas que faziam sua carne apodrecer.
Minha casa tem uma aparência de que não tem nada de valor dentro, eu e minha família temos só o que nós precisamos, de lazer até alimentação. Os muros que há entre o jardim, quintal e a casa são altos, com pedaços de vidro em cima, as janelas e a porta têm grades, e várias trancas na porta de trás e na da frente, é eu sei, minha casa é quase uma fortaleza, só falta guardas... Eu e minha mãe e Sara somos isolados do mundo que há fora de casa, só saímos de vez em quando.
Meu quarto bem é organizado visto que minha mãe sempre arruma quando tem tempo e eu não o bagunço muito, tenho um vídeo game antigo, o xtrony 2, dá última vez que um amigo veio me visitar aqui, ele ficou pasmo ao ver que eu tinha um xtrony 2 “Que maneiro cara, isso é uma raridade!” seus olhos brilhavam enquanto ele alisava o xtrony no seu colo. Há também uma televisão de 20 polegadas de tubo, que também é antiga, um computador incrível, adoro computação, passo a maior parte do meu tempo descobrindo mais sobre ele e escrevendo músicas para cantar com minha irmã, e tem uma cama é claro! Ao me esforçar a visão um pouco na janela, consigo ver o prédio onde Liza mora, mal a conheço e já estou ficando intimo dela.
Hoje o dia está nublado, frio, o clima é maluco, há dias em que o calor é intenso, por consequência você acaba tendo vontade de ficar nu em casa de tanto calor. Qualquer que ver Letícia e a mim acha que somos irmãos, pois minha mãe só tem 36 anos e uma aparência de 24 anos, ela tinha de trabalhar quando criança, visto que o governo cobra mais impostos do que o salário mínimo, então ela tinha de ajudar meus avos, a inflação naquela época era muito alta, hoje em dia ainda é, porém está maquiada pela mídia e as demais coisas que distraem o povo. Atualmente ela está estudando para se formar em Pedagogia, pra tentar dá um pensamento novo para as crianças desse país, fazer uma revolução sempre foi o sonho dela desde criança, derrubar o sistema que só rouba da gente, a elite do país nem liga, por que... Eles são ricos! E vivem as nossas custas, os políticos sabem que a educação é de péssima qualidade e cada ano que se passa dizem que nós, crianças e adolescentes somos o futuro da geração.
Analisando pela aparência o lugar onde Liza vive, e os carros que vi no estacionamento do prédio, os pais dela devem ser ricos, como já disse antes, eles não se importam com nós, o que será que Liza quer ou ela só está sendo educada e simpática em falar comigo?
Provavelmente amanhã de manhã ela vai sair pra pegar o ônibus para ir à escola, como de costume, vou ficar no portão olhando pelo buraco que há nele, o momento que ela sair do apartamento e vou ficar com ela lá esperando.
−Pedro, abre a porta −A voz feminina, prevejo que é minha irmã, Sara e vou abrir a porta, gosto de ficar trancado no meu quarto, pois posso ouvir minhas musicas e me isolar de todos os problemas que tenho, chorar etc...
−Estava fazendo o que? −Sara pergunta
−Pensando...
−Vamos ao shopping, estou cansada de ficar em casa sem fazer nada.
−Você nunca cansa −Digo com preguiça
−Quero ver as roupas, me leva, por favor Pedro.
Olho para ela e vejo sua carinha de gato pedindo comida, minha irmãzinha mimada, não resisto.
−Vamos logo.
Pego meu cartão de passagens e vou com ela até a parada de ônibus. Sara é mais nova que eu, tem 14 anos, cabelos loiros, assim como minha mãe tinha quando era criança, ela herdara o cabelo de Leticia e eu os olhos da mesma, que são castanhos, enquanto o de Sara são verdes, que veio do meu pai que se chamava Daniel, ele era jornalista, entrou no congresso vestido de segurança, praticamente estava sendo um espião, ele tirou fotos, gravou vídeos e áudios de tudo que acontecia lá para publicar na mídia, por não ter experiência ele foi descoberto pelos seguranças verdadeiros enquanto tirava fotos e foi morto.
Atualmente minha mãe vive com um salário mínimo de 800 Reais, trabalhando na limpeza de um restaurante de burgueses no centro da cidade, comida gordurosa e cara, atrai crianças pelos brindes, e o lanche nem é ruim, as condições de trabalho não são boas também, mas é o jeito. Eu também a ajudo com os 400 reais que ganho no mercado, organizando as prateleiras, é um tédio ficar colocando produtos em ordem alfabética por setor nas prateleiras. Sara é a nossa bebê praticamente, todos os cuidados que se tem que ter com ela vem pra mim, minha bebê (Rio sozinho pensando nisso).
Sair de casa me dá medo, não há segurança por aqui, vou andando segurando Sara pela mão até uma borracharia aqui perto, porque há uns caras trabalhando, assim a gente não fica só, quando o ônibus estiver vindo à gente corre pra parada.
Sou bem calculista, devido a coisas que aconteceram no meu passado, porque eu não tinha planejado antes, como quando fui beijar pela primeira vez, com uns 10 anos e derramei suco na garota, estávamos um ao lado do outro no intervalo da escola, bati a mão na garrafa, foi o nervosismo que falou mais alto que o beijo, não sabia onde por a mão, no calor do momento de olhos fechados, tentei por a mão na cintura dela e derramei o suco, mas não vou contar quem é ela, isso é vergonhoso, acho até que beijei muito mal.
−Vamos Sara –Corremos para a parada de ônibus.
Os ônibus têm mau cheiro, a passagem é cara, o cartão é só um desconto de 0,50 centavos que o governo dá para que as pessoas achem que eles são bonzinhos e se importam com a gente (Suspiro).
Eu e Sara sentamos nas cadeiras da frente, perto do motorista, as cadeiras do fundo sempre estão vomitadas, sujas de xixi ou sangue, os jovens alienados nessa moda que é ir para a balada e beber o máximo que podem, entram no ônibus e vomitam, fazem xixi, até tem brigas e mortes dentro do ônibus, muitas vezes a própria polícia que entra e espanca ou mata a tiros mesmo alguém que “ofendeu” o governo publicamente, só pra mostrar quem é que manda.
Eles dizem que não é uma ditadura porque nós temos voto livre, porém, os votos são desviados, e somos obrigados a votar também. Sei disso porque meu pai me contava antes de ser morto, os arquivos que ele pegou no congresso devem está guardados em cofres pelo governo, não sei por que eles seriam tão idiotas a ponto de guarda os arquivos.
Chegamos ao shopping, que é uma maravilha de compras, porém a gente só veio olhar por que não temos dinheiro, fico sentado na praça vigiando Sara, enquanto ela olha as roupas. Vejo Liza numa loja de eletrônicos, ela e o pai dela, prefiro não ir lá, não gosto de atrapalhar e não posso tirar o olho de Sara, minha bebê(rio de novo).
−Vamos Sara, já tá tarde.
−Já?
−Sim, você nem viu o tempo passar –Sorrio para ela.
Uns tempos atrás ela me pedia para comprar tudo o que via pela frente, todas as coisas que eram fofas para meninas e vestidos, blusas etc, com o tempo ela foi aprendendo o valor das coisas e que nós tínhamos condições, hoje ela já sabe disto.
Na saída do shopping vejo Liza e seu pai botando umas caixas em um carro bem bonito. Fico parado olhando e dois homens vem em uma moto e param do nosso lado, no momento eu congelei, sem reação, comecei a suar e a tremer.
−Passa tudo! –Disse o homem que estava de passageiro na moto apontando um revolver pra mim e pediu pra passar tudo que eu tinha, só um celular, que minha mãe tinha trabalhado muito para comprar. Eles foram embora depois que entreguei e Sara apenas ficou por trás de mim com medo e me abraçou. Eu estava sem reação e vi que haviam policiais jogando baralho bem perto de onde nós estávamos e não fizeram nada.
Volto para casa o mais rápido que posso junto de Sara. Abro o portão e vou até o quintal para abrir todas as trancas da porta dos fundos e entrar em casa.
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