minha mãe está trabalhando. Sara segue para seu quarto, ela sempre fica lá, lendo seus livros ou dormindo, sempre está com uma aparência triste.

Da janela consigo ver o segundo andar e Liza na varanda, ela acena e sorri pra mim, eu correspondo, porém a grade da janela dificulta a comunicação e ela vai embora. Sento na cama e ligo meu xtrony 2, meus jogos são tão ruins comparados a outros consoles, mas eu só tenho isso. Ouço a campainha tocando e olho por um pequeno buraco na porta, é Liza, abro um sorriso no mesmo instante e corro pra pegar as chaves para abrir a porta.

–Oi Pedro! –Ela fala alegremente

–Oi, entra ai!

Sua roupa é muito característica sobre sua personalidade, blusa branca básica sem detalhes, óculos Ray ban quadrados, uma calça jeans preta e um all-star roxo, seu cabelo solto puxado para esquerda, ela está bem bonita.

Conduzo-a até meu quarto, pois na sala não tem nada de entretenimento para nós, na cozinha só se eu fizer malabarismo com tomates, eu amo tomate! Sento na cadeira do computador e ela fica em pé ao lado da cama me observando.

–Vi você hoje com uma menina, você nem falou comigo.

–Desculpa, só fiquei com receio do seu pai.

–Ele é gente boa, cadê os seus pais?

–Meu pai morreu e minha mãe está trabalhando.

–Me desculpa não sabia –Ela se entristece.

–Aquela menina era sua namorada?

–Parece tanto assim? –Retruco, ela da de ombros pra mim.

–Ela é minha irmã, ela deve está dormindo agora–Sorrio, ela se chateia comigo.

–Você tem um xtrony 2! –Ela fala surpresa

–Sim, mas nem fabricam mais jogos pra ele.

–Cara, você tem, isso é uma raridade –Ela fala como se fosse o último videogame do mundo.

–Você também tem?

–Tenho um xtrony 4.

–Nossa, você é tão... Legal –Além de linda, gosta do mesmo que eu.

Ela rir e balança a cabeça em concordância

–Você também

–Você estuda aonde?

–No colégio central

–É do governo? –Pergunta ela preocupada

–Sim, não há como minha mãe pagar uma particular pra mim e Sara.

–Vou pedir a minha mãe pra ir para sua escola. –Afirma ela

–Por quê?! Você estuda na melhor escola da cidade. –Pergunto

–Como você sabe?

–Te vi com o uniforme da escola.

–Não conheço ninguém lá, eu vim da metrópole, e só tenho você de amigo aqui. Também não gosto das pessoas metidas de lá. –Responde ela

–Será que ela vai deixar?

–Não sei, na sua escola há um amigo da minha família que estuda lá, chamado Matheus, ele também é rico, mas estuda na escola do governo, mas o odeio, ele fica dando em cima de mim –Ela parece está com medo.

Conversamos bastante, ela pediu meu número, porém meu celular havia sido roubado, então ela disse que iria me dar outro que ela não estava usando, mesmo eu insistindo que não precisava, ela tira o chip e eu ponho um velho que tenho aqui agora o celular é meu, somos amigos e vizinhos!

Vamos nos ver mais e mais vezes agora...

Já é noite e minha mãe chega, Liza está saindo e ver Sara, as duas se cumprimentam, minha mãe nos ver saindo e dar um oi para Liza, deixo ela no portão do prédio e volto para casa.

–Quem é ela?- Minha mãe pergunta

–Elizabeth, uma amiga e vizinha.

–Pedro, você sabe que os burgueses não ligam para nós, ela tá com interesse em algo em você!

–Mãe, ela é diferente, não há nada de errado nela.

–Ela parece ser bem educada

–É sim- Respondo bem carinhosamente só pra ver se ela se convence mesmo que Liza não é uma pessoa ruim.

–Estou de olho em vocês dois! –Exclama ela

Poxa, minha mãe já está pensando nisso.

Sara toca violão, os dedos pequenos dela se mechem no braço do violão, um som tão bonito acalma os ecos da cidade barulhenta, a cidade cruel, fico olhando ela tocando e cantando com sua bela voz, nós dois até escrevemos músicas juntos. Está na hora de ir dormir, geralmente não como muito porque comida custa caro e a que nós temos não é para comer tudo de uma vez só. Vou dormir sem jantar, arrumo minha cama com meu edredom encostada na parede, fecho as janelas, e visto meu pijama, nós somos pobres que vivemos em boas condições(risadas). De madrugada é possível ouvir tiroteios, ninguém sabe se é a MTE ou a policia matando rebeldes, de 18h ninguém quer está na rua, de madruga ninguém quer morar aqui...

Ouço um som, já é outro dia, quem está ligando pra mim logo agora? O quarto está trancado e escuro, a luz do celular queima os meus olhos, sim, eu sou exagerado mesmo!

–Alô?

–Acorda Pedro!!!- Isso mesmo, é Liza.

–Ahn?

–Sua mãe esta em casa?

–Não, eu acho

–Vem tomar café aqui comigo

–Mas...

–Vem logo!

–Posso levar Sara?-Nem sei se Sara está dormindo ou não.

–Você leva um pouco pra ela.

–Ok, tchau.

Me visto o mais rápido possível, calça jeans, chinelos e a camisa do pijama mesmo.

A casa está silenciosa, Sara está dormindo e Leticia saiu, saio de casa silenciosamente e vou até o apartamento de Liza e ela estava me esperando na portaria.

–Oi Liza

–Oi, você estava se maquiando? –Ela sorrir enquanto eu notavelmente não entendo a pergunta.

–Não entendi

–você demorou, vamos –Ela rir novamente, nunca estive num apartamento antes, é tudo muito novo pra mim.

Chegando ao segundo andar prosseguimos para o apartamento 216, não há ninguém em casa, uma mulher sai da cozinha e vai embora pela porta, e na mesa há muitas coisas gostosas, hmmmmm! Torradas, pudim, omelete, sucos, café, pães recheados etc.

–Nossa! –Falo surpreso

–Senta ai, pode comer o que quiser. Pego um pouco de café... Ahh isso ta quente e amargo! Boto algumas colheres de açúcar, agora ficou amargo doce, e minha língua queimada, não escovei os dentes, que vergonha de falar perto dela!

–Amanhã eu já entro na escola que você estuda, minha mãe deixou, eu expliquei a ela que n iriamos gastar dinheiro com escola particular e ela aceitou.

–Sério?! Liza, agora eu também não estou mais sozinho lá!

–Pois é Pedro, somos nós dois agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.