Bem Vinda Ao Campo
47 Uma Boa Menina
Notas iniciais
Boa Leitura
Com os olhos arregalados Kristina observava a sala de estar. Nunca havia estado em uma casa tão grande. Aquela sala tinha praticamente o tamanho de sua casa inteira.
– É muito bonito... – sussurrou ela ainda assombrada.
– Obrigado Kristina, mas diga, quer subir para ver Rudolph?
– Sim senhor major, eu senti em meu coração que deveria vir vê-lo.
E quando ela falou seus olhos lampejaram momentaneamente. Falava a mais pura verdade. Estava ali por mando de seu coração.
Heinrich sorriu para Kristina e seus olhos iluminados, talvez Anne tivesse razão quanto a sua intuição. O acidente de Rudolph colocara uma pessoa muito especial na vida de seu amigo.
– Então vamos.
Conduziu a menina escada acima achando graça de como ela observava as coisas maravilhada. Lembrava um pouco de seu pai, tirando o fato de que Hans Kriegel ao mesmo tempo em que se admirava debochava também.
– Ele está nesse quarto, ainda não acordou, mas fique a vontade.
– Obrigada major...
Kristina sentia várias borboletas se agitando em seu estômago enquanto via o major se afastando. Tremia de expectativa quando ultrapassou o batente. Sem se dar conta fechou a porta ao passar pela mesma.
Ele estava deitado, os olhos fechados, os braços estendidos para fora da colcha de cor clara. Raios de sol de fim de tarde entravam pela janela.
Aproximou-se muito lentamente da cama, sentia o coração ribombar violentamente no peito.
– O senhor lembra de mim? Sou eu, Kristina. – explicou ela docilmente – Fui eu quem te encontrou.
Sentou-se na borda da cama com extremo cuidado, e cheia de delicadeza tocou o rosto do adormecido.
– Fiquei sabendo que o senhor se chama Rudolph, é um nome bonito.
Sorrindo de leve e sem se dar conta, penteava os cabelos castanhos dele para trás.
– Meu pai não sabe que eu estou aqui. Ele não gosta muito dos nazistas. – soltou um suspiro – Eu também não, mas o senhor e o major parecem boa gente...
Seus dedos corriam pela face dele, e a barba por fazer de dois dias fazia cócegas em sua mão.
– Eu queria ter vindo antes, mas não consegui.
Segurou a mão de Rudolph que parecia muito grande perto da sua.
– Minha mãe me disse que eu deveria vir. Se o meu coração pedia, eu deveria escutá-lo. – pressionou os dedos dele entre os seus – Meu coração me pediu para vê-lo.
Respirou fundo, apertou a mão dele com mais força.
– Espero que o senhor melhore logo. Para podermos nos conhecer sabe?
Sorria mesmo sabendo que o homem desacordado não podia vê-la. Nem mesmo sabia por que falava todas aquelas coisas, e no entanto não conseguia parar.
– Mal posso esperar para conversar com o senhor, e ouvir suas respostas.
Observava-o cheia de ternura, ele tinha o rosto de um homem bom, lembrava-lhe das imagens de Jesus Cristo.
Sem que percebesse, e antes que pudesse se conter, inclinou-se e beijou a testa dele. O contato abrasou seus lábios, e a respiração quente de Rudolph atingiu seu pescoço. Corou por inteiro.
Kristina sentia seu coração batendo tão rápido que era como se ele fosse sair pela boca. Olhou assustada para Rudolph e percebeu um leve sorriso em seu rosto.
– O senhor está acordado? Está me ouvindo?
O sorriso dele repuxou um pouco mais e Kristina sentiu uma leve pressão em sua mão. Ele estava consciente.
– Oh, Meus Deus! Você está acordado! – exclamou ela – Vou avisar o major e...
Estava se levantando quando a mão de Rudolph agarrou seu braço.
– Está tudo bem, vou chamar o seu amigo...
Com certa dificuldade ele abriu os olhos, e Kristina estacou fitando suas íris verdes vivas.
– Fiquei aqui – pediu com a voz rouca de desuso – Deixe eu te ver mais um pouco.
A menina sorriu e seu rosto se iluminou por completo. Seus olhos brilhavam como lingotes de ouro.
– Obrigado por ter me salvado.
– O senhor não precisa agradecer...
– Preciso sim Mein Engel – Rudolph sorriu – Você me trouxe de volta para a vida, obrigado.
Kristina corou, sorriu de canto, era pura inocência.
– Quantos anos você tem?
– Tenho quinze.
– Você é tão nova...
As tranças louras penderam quando Kristina abaixou a cabeça, de repente ela parecia triste.
Pensou em dizer-lhe algo, mas a porta do quarto foi aberta e a cabeça de Heinrich apareceu no batente.
– Está acordado! Como se sente?
– Um pouco dolorido...
– Pensei que não fosse mais acordar.
– Kristina me trouxe de volta. – deu uma piscadela para a menina.
– Acho que vou indo...
Falou baixinho, com um riso tímido.
– Já?
Rudolph entristeceu-se, não queria que ela fosse embora.
– Se o senhor quiser, eu posso voltar.
– Seria bom.
– Então eu volto.
***
Anne observava Rudolph comer a sopa feita por Valkyrie.
– O que achou de sua salvadora? – indagou ela com ares de riso.
– É uma boa menina.
– Valkyrie me disse que ela é muito bonita.
O médico engasgou-se com a sopa. Para onde Anne pretendia levar aquela conversa afinal?
– Ela só tem quinze anos.
– E eu tenho dezessete. – sorriu – Tenho um forte pressentimento sobre essa moça Rudolph.
– Ora Anne...
– Acredite em mim, sorte lida por cigana é certeza.
Deu uma risada gostosa e contagiante, fazendo Rudolph rir também.
– Como está se sentindo?
– Ótima, doutor. Já tem uma semana desde o parto.
– É sempre bom perguntar. E Wilhelm, como está?
– Lindo, mais tarde trago ele para você ver. Mas me diga, como você está se sentindo?
– Nenhuma dor além da esperada.
Anne sorriu, mas logo seu semblante ficou muito sério.
– Você e Heinrich precisam conversar...
– Eu sei que sim, mas ele não me deixa tocar no assunto, evita.
– Eu vou falar com ele.
***
Era uma situação estranha e completamente constrangedora. Sentiam-se duas crianças sendo obrigadas a fazer as pazes.
– Vou ter que voltar para Auschwitz em uma semana, mas você pode ficar aqui até se recuperar.
– Ah, não eu vou para casa. Não quero mais dar trabalho.
– Se for Kristina não poderá visitá-lo.
– Ora, você também...
– Foi só um comentário Rudolph.
E sorriu como se jamais tivessem brigado.
– Ela é só uma menina.
– E o pai dela um homem bem peculiar.
Rudolph rui, não pretendia complicar sua situação com Kristina ao ponto de ter de conhecer o pai dela.
– E agora, como estão as dores?
– Controladas.
– Falei com o médico, ele vai vir vê-lo mais uma vez,
– Não gosto de médico. – confessou Rudolph.
– Mas o quê?
E caíram na gargalhada, Continuavam sendo os mesmo amigos de antes.
Notas finais
(Sei que algumas leitoras querem tocar fogo nela de tão amadinha que é... ahahahaha)
E ainda bem que Heinrich e Rudolph fizeram as pazes! Ufa... =)
Comentem aí queridas. ;D
--X--
Um obrigado especial à leitora Kelly Cristina Miranda que fez uma recomendação bem linda para a fic! Obrigada sua linda!
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