Bem Vinda Ao Campo

42 Quando o Diabo Sussurra


Notas iniciais
Atrasado, mas postado. Um dedinho de prosa com vocês lá embaixo suas lindas.
Boa Leitura.

Desde o início na reunião Heinrich e Rudolph não trocaram uma palavra sequer, e mesmo já estando fora do bunker, o médico não parecia estar inclinado a dizer qualquer coisa que fosse.

- Está tudo bem Rudolph?

O aceno positivo fez balançar os fios castanhos, os olhos verdes miravam fixo o caminho, deixando Heinrich profundamente incomodado.

- Sei que está chateado por não ter dado certo, mas teremos novas oportunidades.

Mais uma vez sem resposta, o major começou a crer que havia mais do que a simples frustração pela falha no plano.

- Rudolph, me diga o que há com você.

- Não há nada.

- Pare com essa infantilidade e diga o que está havendo.

Uma risadinha sarcástica escapou dos lábios finos do médico, retorcidos num ricto de escárnio.

- Acho que o novo queridinho do Führer está irritado... – murmurrou ele, quase um silvo.

Mal podia crer que aquela frase havia saído da boca do melhor amigo, não tivesse acabado de o ver pronunciando-a, Veltheim teria certeza de que havia sido sussurrada pelo próprio Diabo.

- Do que está falando?

Preferiu perguntar, porque não queria acreditar no que havia escutado, talvez tivesse sido um mal-entendido.

- Quem está sendo infantil agora, Kleinen Booten?

O som produzido pelo seu apelido de infância fez os pêlos da nuca de Heinrich se arrepiarem. Kleinen Booten era o modo como seu pai o chamava, Botinhas, pois os pequenos coturnos que ganhou de Natal quando tinha três anos foram seus sapatos favoritos. Na época achara fantástico ter botas militares como as que seu pai usava.

- Eu não sei exatamente o que se passa em sua cabeça, mas está completamente errado Rudolph.

- Ora, como poderia ser diferente? Você foi feito para isso Kleinen Booten, foi criado para isso, é isso.

- Pare com essas indiretas estúpidas e fale de uma vez.

- És um soldado, um perfeito soldado e não pode ir contra isso. – explicou Rudolph com um sorriso maldoso que não combinava com seu rosto – Não importa o que aconteça, você continua sendo um soldado.

Já estavam a bons metros de distancia do bunker, andavam bastante depressa e àquela altura Heinrich começava a considerar a possibilidade de bater no melhor amigo.

- Não posso crer que esteja me dizendo essas coisas, sabe o quanto é importante para mim que isso acabe.

- É? É importante para que possa ficar com a sua família, mas você não liga para os outros, não te importa todas as pessoas que morrerão e ainda vão morrer.

- Não fale esse tipo de coisa!

- Não fale alto como se me desse uma ordem! Não sou um dos seus subordinados. – exigiu Rudolph.

Sentia a situação escapando por entre os seus dedos, não sabia como parar aquilo e sentia que o amigo havia virado uma locomotiva desenfreada.

- Sabe o que é mais triste? Mesmo que seu filho e sua mulher sejam ameaçados por Hitler, você ainda o admira...

A acusação perfurou o coração de Heinrich como uma lança em brasa. Em outros tempos teria socado o médico até sentir os punhos doerem, mas estava tão abalado que a única vontade que tinha era de se afastar dele o quanto antes.

- Que Deus perdoe essas suas palavras.

Saiu andando rapidamente e virou na primeira esquina. Não era o caminho de casa, era o caminho da Igreja.

***

Não saberia dizer quanto tempo exatamente havia ficado orando, mas tinha certeza de que haviam sido horas.

Apesar de estar deixando aquele solo sagrado, tinha a sensação de que deveria rezar mais um pouco.

Ainda não conseguia acreditar em tudo o que Rudolph lhe dissera aquela manhã, não conseguia acreditar que Rudolph tivesse sido capaz de dizer coisas tão ruins.

Amargava a última frase dele. Não era verdade, não podia ser. Como iria admirar Hitler sabendo o perigo em que aquele homem colocava a sua família?

O carisma do ditador era inegável, e em pouco tempo havia conseguido erguer a Alemanha, mas o fato de reconhecer isso não significava que ele, Heinrich, admirasse o Führer.

Um lufada fria lhe golpeou o rosto assim que saiu para o pátio da Igreja, era o inverno que chegava soturnamente.

***

A expressão de susto de Anne e Valkyrie ao constatar a ausência de Rudolph foi mais do que visível, no entanto, foi Liesel quem a comentou.

- Onde está meu patenonkel? – indagou ela para o pai que entrava sozinho na sala.

- Seu padrinho foi dar uma volta, ele vem mais tarde...

Sua voz saiu cansada, os olhos pesaram e Heinrich derrubou sentado em sua poltrona, reforçando ainda mais o assombro da cigana e da babá.

- Está tudo bem, Heinrich?

A pergunta de Anne dançou em seus ouvidos e deu duas piruetas em sua mente. Nada estava bem.

- Sim.

- E Rudolph?

- Acabei de dizer meine liebe, ele saiu para dar uma volta...

Não acreditava em nada do que o major dissera. Rudolph não saíra apenas para dar uma volta, e ele não estava nada bem. Poderia contestá-lo e fazer novas pergunta, mas não.

Preferiu sentar-se na poltrona ao seu lado, a fim de mostrar que estava ali caso ele precisasse.

Embalou Wilhelm nos braços por mais de vinte minutos e Heinrich não disse uma palavra sequer. Anne começava achar que seria necessário perguntar novamente.

Liesel brincava com bonecas no tapete e Valkyrie havia se retirado para cozinha, estava preparando o jantar.

- O que houve, Heinrich?

- Nada, eu já disse que está tudo bem.

Não queria dizer. Não queria falar para Anne todas as coisas más que Rudolph havia dito, não queria contar a ela sobre a reunião com Hitler. Na verdade não queria falar coisa alguma.

- Acho que você brigou com ele... – sussurrou Anne.

Virou-se espantado, como ela podia saber de todas as coisas?

- Foi só um desentendimento.

- E quanto ele volta?

- Não sei se ele volta.

O silêncio teria imperado não tivesse tocado o conhecido sinal do alarme de bombardeio.

Notas finais
Acho que essa briga não foi como as outras...
Será que o Rudolph vai voltar?
Ele pegou um pouco pesado não?
--X--
Agora a conversa, então minhas queridas leitoras, como já disse anteriormente eu comecei a trabalhar o que reduziu bastante o meu tempo para escrever.
Sei que os capítulos não estão sendo postados com a frequencia satisfatória anterior, e por isso mesmo gostaria que vocês soubessem que apesar de não parecer, estou me esforçando bastante para conseguir atualizar a fic o quanto antes, por mais difícil que esteja sendo.
Logo, espero o retorno de vocês, deixem seus comentários e opiniões. É muito importante para que eu saiba o que estão achando da história, o que está bom, o que precisa ser melhorado e afins.
Por ora é isso, espero por vocês nos comentários, e até a próxima, suas LINDAS. ;D