Notas iniciais
Mil desculpas pelo atraso, explico lá embaixo.
Boa Leitura.

Não fizeram alarde ao descer para o abrigo aquela noite, de certo modo, já esperavam por mais bombardeios

Ali no lusco-fusco piscante das luzes do porão, Heinrich pensava em Rudolph. Ainda não conseguira apagar da memória todas as coisas que ele dissera, mas se preocupava em imaginar onde ele havia se abrigado, isso contando que ele tivesse conseguido se abrigar.

Muito lhe incomodava as impressões que o amigo tivera de si, dizer que ele admirava Hitler era um completo absurdo. Não era?

Reconhecia os feitos do Führer, mas não o admirava como pessoa, sabia o quanto ele era perigoso e que estava provavelmente ficando senil.

Talvez seu entrosamento com Hitler não tivesse sido o real motivo as explosão de Rudolph. Certamente não era o único.

Talvez o fato de o médico ser sempre tão calmo tivesse resultado naquela fúria repentina, isso ou qualquer outra razão desconhecida, uma vez que Rudolph nunca falava sobre seus próprios problemas. Estava sempre ocupado resolvendo os dos outros.

Quanto mais Heinrich pensava a respeito, menos raiva e indignação sentia pelas palavras do amigo, pensava agora que aquele súbito ataque ocorreria uma hora ou outra, Rudolph era um ser humano e não havia como ele suportar o fardo de ser sempre bom.

A reflexão continuava em sua cabeça, e a cada minuto mais tinha vontade de ir atrás do amigo, preocupava-se por não saber onde e como ele estava.

- Papa, quando acaba esse spiel?

A pergunta de Liesel o despertou bruscamente. Como explicar para a menina que aquilo não era um jogo? Como dizer que não era uma brincadeira?

- Quando os barulhos acabarem querida, enquanto estiver trovejando temos de ficar escondidos.

Ver Anne sorrindo para Liesel em uma situação como aquela reconfortava o peito de Heinrich.

- E porquê tem esses barulhos Anne?

- Para que saibamos quando vamos poder sair.

- Quem os faz?

- Deus meine süße, é Deus.

- Como se ganha o jogo?

- Saindo daqui...

Liesel não compreendeu, mas os adultos sabiam exatamente do que se tratava. Sair vivo dali seria uma grande vitória.

Uma bomba caiu bem perto, a casa inteira estremeceu, Valkyrie fez uma oração apressada, Liesel sorriu porque era Deus quem estava fazendo aqueles trovões.

A lâmpada àquela altura piscava descontroladamente, e num momento de iluminação do porão, o olhar de Anne encontrou o de Heinrich.

Encaram-se por muito tempo, era como se tivessem chegado a um nível de conhecimento mútuo no qual palavras já não eram necessárias para que houvesse entendimento.

Com os olhos Veltheim disse que se preocupava com Rudolph, e Anne sem dizer nada respondeu que tudo ficaria bem.

Ao bater de duas horas de bombardeio as explosões deixaram de ser ouvidas, sendo substituídas pelo agudo tocar da sirene avisando o cessar-fogo.

***

Não consegui ter a paciência de esperar até o amanhecer como Nana sugerira, tinha que encontrar Rudolph o quanto antes.

Anne não se pronunciou contra ou a favor de sua decisão, tinha ciência da angustia que ele carregava no peito, e por isso preferiu acatar ao que ele fizesse.

Sendo assim saiu apressado, sem nem se despedir, se as coisas ocorressem como ele imaginava, estaria de volta em poucos minutos.

- Meus Deus... – sussurrou ele para a rua vazia.

Era chocante ver a cidade destruída como estava, ainda saía fumaça dos prédios recém-bombardeados, e para seu completo horror, ele podia sentir cheiro de carne queimada.

Tudo havia acontecido tão perto de casa que Heinrich sentiu arrepiarem os pêlos da nuca e parar o coração.

Tentando evitar a sensação de que poderia ter sido a sua casa destruída e sua família morta, acelerou o passo em direção ao único lugar em que Rudolph poderia estar. O covil dos conspiradores.

***

A expressão de Friedrich Olbricht não poderia ser menos convidativa, e não era de se esperar coisa melhor, uma vez que metade da sala dele estava destruída.

- O que deseja major Von Veltheim?

- Ao acaso viu Rudolph Krämer hoje?

- Sim, ele passou aqui mais cedo, mas logo foi embora.

- Houve alguma reunião?

- Não.

- Sabe onde ele pode ter ido?

- Não sei.

- Sinto muito pela casa.

- Obrigado pelos sentimentos.

- Até a vista.

Não esperou pela resposta, agora tudo estava muito complicado. Se Rudolph não estava ali, ele poderia estar em qualquer lugar. Poderia estar em um dos prédios destruídos....

- Não! – exclamou para si mesmo.

Antes de começar a pensar em desastres, forçou-se a continuar procurando. Talvez ele tivesse tido tempo de se esconder em algum dos abrigos públicos.

Encaminhou-se para o mais próximo. Com sorte, o amigo estaria lá e ele poderia dizer para irem para casa. Tudo ficaria bem.

Notas finais
Da parte de Heinrich essa confusão está acabada, mas vai depender de Rudolph....
Isso se ele ainda estiver em condições para isso...
-- X --
Um grande obrigado a todas as leitoras que comentaram, faz um bem enorme saber da opinião de vocês.
E um obrigado especial à ValentiinaXV, que fez uma recomendação maravilhosa para a fic. Muito obrigada!
-- X --
Muito bem, agora as explicações, na segunda feira da semana passada meu namorado sofreu um pequeno acidente futebolístico (arrebentou a perna. XD) e teve de ficar de cama, e adivinhem? Eu fiquei na casa dele ajudando.
Mas agora está mais tranquilo e semana que vem com certeza eu posto, okay?
Obrigada pela paciência e pela consideração, suas LINDAS!