Notas iniciais
Eeeee mais um capítulo para vocês queridas... ;)
Boa Leitura!

Como era de se esperar, no dia seguinte Heinrich foi “convidado” a comparecer na sala do general Löhnhoff para dar explicações a respeito do ocorrido.

Assim que terminou seu expediente, que fora marcado por um silêncio sepulcral e desempenho perfeito dos soldados que temiam ter o mesmo destino de Zeller, o major se dirigiu para a sala do general.

Sentia-se bastante preparado para receber uma advertência por mal comportamento ou coisa do gênero, e isso seria o mínimo.

Quando entrou na sala deparou-se com seu superior sentado em sua poltrona de couro, tinha imponência aquele homem.

– Veltheim! – saudou o general enrolando os bigodes. Velha vaidade – Sente-se rapaz, sente-se.

Obedeceu achando curiosa a imensa simpatia. Verdade que Löhnhoff era um tanto quanto bonachão, mas considerando o que havia feito, esperava uma postura mais rígida do general.

– Estórias chegaram aos meus ouvidos major, e devo dizer que me deixaram preocupado.

Heinrich nada dizia, apenas fitava o general que parecia um velho cão de caça. Aparentemente cansado e fora de forma, mas com os mesmos olhos astutos.

– Entendo que Zeller seja um tremendo boca-aberta, e que anda conspirando contra o Führer, mas você o deixou gravemente ferido...

Confirmou com a cabeça ainda que não tivesse real consciência do estado em que deixara o soldado. Lembrava-se apenas de limpar o sangue dele de si.

– Sei que fez isso pela honra do Reich, mas ainda assim é uma má conduta.

Dessa vez Heinrich não concordou, ficou apenas fitando os olhos de perdigueiro do general.

– Foi pela honra do Reich não foi? – indagou Löhnhoff inclinando-se sobre a mesa.

– Não senhor.

– Não?

Veltheim pigarreou.

– Fiz o que fiz porque Zeller ofendeu a minha... – parou no meio da frase antes que dissesse esposa – A minha cigana.

– Aquela que morreu?

– Sim senhor.

O general ficou estático por alguns instantes, parecia estar vitrificado até que de repente deu um soco no tampo da mesa.

– Pelo amor que tem a Deus Veltheim, como fala uma coisa dessas! – esbravejou ele – Minta homem de Deus! Minta!

Heinrich espantou-se com a súplica bradada de Löhnhoff, que parecia extremamente preocupado.

– Já lhe falei isso antes rapaz, você não pode deixar que as pessoas saibam! Quase matou um homem, um soldado seu, para defender a honra de uma cigana.

Nervosamente o general enrolou as pontas dos bigodes.

– Se isso chegar a ouvidos de gente mal intencionada...

– Não tornarei a repetir senhor.

– Espero que não, espero que não.

Ainda perturbado, Löhnhoff balançou a cabeça negativamente. Gostava de Veltheim, achava-o um bom homem, mas ele se continuasse se expondo daquele modo iria acabar ficando em maus lençóis.

Ficaram calados se encarando por algum tempo, Heinrich permanecia inexpressivo, e o general ainda levemente contrariado.

Poderiam ter ficado daquele modo todo o resto da noite se o semblante de Löhnhoff não tivesse sofrido uma leve alteração.

Ele estava então reflexivo, e o enrolar de bigodes voltou a se fazer presente.

– Entendo que tenha se encantado pela moça Veltheim, posso compreender o porque de as ofensas de Zeller terem lhe afetado tão... profundamente

E mais uma vez enquanto um falava o outro nada dizia, Heinrich apenas observava, esperando para saber aonde aquilo terminaria.

– Ainda me lembro do dia em que ela morreu, Você estava desesperado Veltheim.

Aquilo era verdade, assim como era verdade que ele estava começando a se desesperar com o ressurgimento daquele assunto

– Engraçado aquele dia não? Várias coisas curiosas ocorreram.

Não pode dizer nada porque sentia como se uma corda invisível se apertasse ao redor de seu pescoço. Estava sufocando.

– Fiquei sabendo que o próprio Dr. Krämer levou o corpo dela para o crematório, inusitado, mas considerando o histórico peculiar da moça, até que fez sentido.

Não entendeu o que o general quis dizer por "histórico peculiar", mas tinha certeza de que aquela conversa estava tomando rumos nada favoráveis.

– Sabe de mais uma coisa engraçada Veltheim? – indagou ele suavemente – Quando procurei pela ficha da moça, não encontrei nenhuma Anne Kubícek nos registros. Não acha estranho?

Sequer se movimentou para concordar ou discordar, sabia que não faria diferença.

– É como se ela nunca tivesse pisado em Auschwitz...

E Heinrich engoliu em seco, pois não tinha o que responder.

O general sorriu-lhe um sorriso ardiloso, e nesse momento seus sagazes olhos de cão de caça lampejaram.

– Sabe, não é exatamente a minha obrigação, mas presto muita atenção no que ocorre no campo...

Um novo sorriso daqueles, que logo foi substituído pela expressão confiante de um caçador que encurrala sua presa.

– Eu sei de tudo Veltheim.

Notas finais
É...
Bem que algumas leitoras já desconfiavam do general Löhnhoff...
-- X --
Meninas, estou muito contente em saber que estejam acompanhando e apreciando a fic, obrigada as novas e antigas leitoras! E as leitoras "fantasminhas-camaradas", comentem suas lindas, preciso saber da opinião de vocês também!
Beijos e até o próximo capítulo. ;*