Belos tempos.

9 Um presente para você.


Notas iniciais
Alguns probleminhas me impediram de postar antes. Espero que me perdoem. O capitulo esta intercalado entre Laura e Edgar, se ficar confuso podem reclamar! Finalmente eles se encontram.

Já era noite quando o seu pai voltou do vilarejo. Laura o esperava na biblioteca. Ela havia jantado em companhia de Du, pois não sabia quando o pai voltaria.

__ Papai! Estou aqui.

Ouvindo a voz da filha o Sr Assunção logo se dirigiu para onde ela estava.

__ Olá, minha filha, só agora conseguir voltar. Mas tenho boas notícias, o senhor que foi picado já está medicado e passa muito bem. Já o trouxe de volta para casa.

__ Que bom papai!

Laura com a ajuda do pai, dirigiu-se para a sala, onde o jantar do pai estava sendo servido. E conversaram mais um pouco, até que Du veio buscar a menina para arrumá-la para dormir.

Na manhã seguinte, não houve nenhum problema, e logo Laura já se encontrava na charrete em companhia do pai rumo a escola. Em sua maletinha ela carregava o livro para devolver ao Edgar e os desenhos que fizera para ele. Estava ansiosa para saber como ele os receberia. Também, guardara ali um lindo vestido que Du fizera para que presenteasse sua amiga Tais, e Laura esquecera de entregar-lhe quando ela lhe visitou.

Quando chegou à sala de aula, Laura foi recebida com muito carinho pela professora d. Mari, e sentou-se próxima a sua amiga Tais. Assim que a aula começou e d. Mari reuniu os alunos para fazerem uma leitura, Tais aproveitando a oportunidade de matar a curiosidade logo perguntou para a amiga:

__ Porque você não veio ontem? Você disse que viria.

__ Meu pai não pode me trazer, ele precisou atender um empregado que havia se acidentado.

__ Entendi ... Laura, você já entregou para ele?

__ Não! Acabei de chegar. Nem o vi ainda.

__ Que pena!

__ No intervalo, se eu o encontrar...

E as meninas se envolveram na atividade proposta pela professora e o assunto foi temporariamente esquecido.

No meio da manhã, no momento do intervalo, Laura encontrava-se, juntamente com Tais, em seu lugar costumeiro saboreando a merenda que Du lhe preparara.

Enquanto as meninas ao seu redor, se divertiam com suas brincadeiras típicas, os meninos aproveitavam o intervalo, para correrem atrás de uma bola, fazendo uma bela algazarra.

Laura lembrou-se que estava com o vestido que Du fizera para a boneca de Tais e que ela trouxe para a escola.

O pé ainda lhe doía um pouco, mas era possível andar bem devagar. Laura viu que Edgar estava com os amigos brincando de bola, no outro lado do pátio. Se ele não veio falar com ela ainda, não seria ela quem iria atrás dele.

Então ela foi até a sala buscar o pequeno mimo que estava em sua maletinha. Quando saía da sala, levou um susto, porque viu o Edgar parado no corredor.

__ Oi Laura! Achei que aquelas meninas não iam te deixar sozinha nunca! Como você está?

__ Eu estou bem... oras, você também esta com seus amigos.

__ Não, eu estou aqui agora.

__ Eu também.

__ Você não veio ontem ...

__ É, meu pai não pode me trazer ... meu pé ainda não está completamente bom.

__ Entendo. Vi que você esta mancando ainda.

__ Espere um pouco ... eu trouxe o seu livro.

Edgar entrou na sala logo atrás de Laura.

A professora D. Mari, estava na sala, arrumando uns livros na prateleira.

__ Oi Laura! Assim você vai perder o intervalo ...

__ D. Mari, agora eu vim buscar um livro que o Edgar me emprestou.

A professora olhou para as duas crianças e se perguntou por que o Edgar parecia tão preocupado. Ele era sempre tão cortês, e naquele momento mostrava-se quase que contrariado ... Mas guardou seus pensamentos para si e respondeu apenas com um sorriso de assentimento para os dois.

Rapidamente, Laura pegou o livro e saiu da sala e para longe dos ouvidos da professora, com Edgar em seu encalço. Conversavam, enquanto caminhavam de volta para o pátio...

__ Edgar, eu gostei muito de sua estória! É muito linda! Adoro aventuras, como esta que você escreveu!

Edgar, pego de surpresa pelo comentário, pois não imaginava que ela havia gostado ...

__ Você gostou?! — Perguntou ainda sem crer que sua escrita poderia ter agradado à Laura .

__ Sim, gostei muito!

Laura então entregou a pasta para ele e disse:

__ Eu esperava que você me emprestasse um livro qualquer. Fiquei muito surpresa quando percebi que era uma estória escrita por você. Obrigada por confiar em mim para ler algo tão precioso!

__ Não é um livro Laura ...

__ É claro que é! E muito bem escrito ... a estória é fascinante! Você me surpreendeu ...

Como Edgar já estava mais do eu encabulado, achou melhor não continuar o assunto e apenas sorriu e segurou com cuidado a pasta.

Quando Laura percebeu que Edgar não iria abrir a pasta e que portanto não veria os desenhos que ela fez para ele, sentiu-se desapontada, mas não conseguiu falar o que mais havia na pasta.

Apesar de andarem bem devagar, aproximaram-se do lugar no pátio onde as outras crianças brincavam.

__ Que bom que você gostou Laura ... e seu pé parece bem melhor, você esta até conseguindo andar!

Em seu olhar via-se um grande alívio porque aquela menina aprovou o que ele escrevera. Ele não entendia por que era tão importante para ele que ela não caçoasse ou fosse indiferente ... Apenas sentiu um contentamento e gostaria de poder continuar a conversar com ela.

__ Sim, melhorou bastante ... Edgar, obrigada por me ajudar naquele dia.

__ Não foi nada ...

Olharam-se como quem não quer ir embora, mas o assunto esgotou-se e o silêncio tornou-se constrangedor. O que queriam dizer não poderia ser dito e assim os dois preferiram calar-se ...

No pátio, os outros garotos assim que avistaram o Edgar, aumentaram a algazarra chamando-o para continuarem a brincadeira. Edgar então se despediu de Laura e cada um seguiu para o seu grupo de amigos.

Assim que Laura retornou, Tais logo perguntou:

__ Onde você foi amiga?

__ Fui á sala buscar isso para você. Foi Du quem fez. Espero que goste ...

Assim que viu do que se tratava Tais se mostrou muito feliz com o presente e as amigas trocaram um afetuoso abraço.

As meninas já estavam cansadas de tantas brincadeiras, que foram sem grande movimentação, porque Laura ainda não poderia correr.

Mesmo com toda a alegria de suas colegas, Laura sentia-se triste, e um pouco decepcionada. Edgar não viu os desenhos, se viu não voltou para falar com ela e isso a afligia.

Tais percebeu que a amiga estava triste, assim que ficaram apenas as duas, quando as outras meninas saíram para brincar de pique esconde, ela perguntou:

__ O que foi Laura? Você me deu um presente tão lindo, porque esta triste assim?

Laura então contou que encontrou com o Edgar quando fora buscar o presente e lhe entregou o livro com os desenhos dentro.

__ Oras, não entendi porque isso a deixaria triste! Você não queria devolver o livro e entregar os desenhos para ele?

__ Pois é Tais, acontece que eu coloquei os desenhos dentro da pasta em meio as folhas, e quando lhe entreguei a pasta ele não abriu, então eu não sei se ele já viu os desenhos!

__ Ah, ... entendi! Mas ele vai olhar, espere um pouco.

__ É, pode ser .

Em seguida todos se dirigiram de volta a sala de aula, pois o intervalo havia terminado.

Pelo resto da manhã, Laura envolveu-se com as atividades da aula e com uma lição que D. Mari lhe passara e que havia sido dada no dia anterior. Ao término da aula e sabendo que naquele dia Tais não voltaria com ela, despediu-se da amiga e fora esperar por Du na biblioteca, como tinha o costume de fazer.

Por Edgar.

Apesar da alegria de seus amigos, Edgar não conseguia se concentrar em suas brincadeiras e acabou por parar antes e deu a desculpa de que iria ver como seu cavalo estava.

Estava realmente com o propósito de verificar sua montaria, porém antes rumou para a sua sala de aula a fim de guardar a pasta que Laura havia lhe devolvido. Quando estava arrumando-a em sua bolsa, algo escorregou de dentro dela e qual não foi sua surpresa quando vira que havia quatro folhas com lindas ilustrações, .... E o mais surpreendente elas retratavam passagens de sua estória!

Atrás de uma das folhas havia uma dedicatória:

“Em retribuição á sua confiança.

Saiba que fiz uma linda viagem com ao ler sua estória.

Obrigada,

Laura”

Edgar não estava acreditando no que os seus olhos viam! Ela não lhe falara nada quando lhe devolvera a pasta ... E ele nem tivera tempo de lhe agradecer.

Ele olhava com carinho para a letra redonda e bem desenhada com a qual ela havia lhe escrito. Ele agora se sentia um bobo, por acreditar que ela poderia desvalorizar o seu texto e sua iniciativa de mostrar-lhe. Muito pelo contrário, ela não só o elogiou como lhe fizera aquelas ilustrações tão bonitas!

Sua vontade era ir procura-la no pátio novamente, mas assim que terminou de guardar a pasta a sua professora entrou na sala e em seguida seus colegas. Agora era necessário concentrar-se nas atividades e quem sabe num outro momento ele poderia agradecer a Laura.

O resto da manhã passou rapidamente. Assim que os alunos foram dispensados, ao som de uma linda melodia, Edgar dirigiu-se para a biblioteca para avisar a D. Ana que a tarde voltaria para ajudá-la.

Ficou surpreso quando avistou Laura de costas para a porta a olhar pela janela da sala, segurando algo num abraço ...

Quando deu por si já estava próximo dela o suficiente para ver que chorava ...

__ Laura, você esta chorando?!

Enxugando rapidamente uma pequena lágrima que escorria, ela respondeu:

__ Não. Oras, por que motivo eu estaria chorando?

Edgar apenas a olhou, tentando entender o que se passava com ela. Eles se conheciam a tão pouco tempo, mas as vezes ele tinha a impressão de que já a conhecia desde sempre e essa sensação o incomodava ...

Laura guardou o livro que segurava na prateleira a sua frente e viu-se presa naqueles olhos verdes que lhe chamaram atenção a primeira vez que os vira. Eram realmente lindos e pareciam sinceros, pena que apenas pareciam. Ele recebera seus desenhos e não se dignara a lhe dizer sequer uma palavra. Provavelmente os jogara fora, e ela muito boba querendo retribui-lhe o prazer da leitura da estória escrita por ele pelos seus preciosos desenhos!

Esses pensamentos nublavam seu semblante e Edgar percebeu que algo não estava bem.

__ Laura você não esta bem. Seu pe esta doendo muito, quer que eu te ajude?!

__ Não preciso de nada que venha de você. Muito obrigada.

__ Só quero ajudar. Não precisa ser mal educada.

__ Me deixe quieta. E vá cuidar as sua vida.

Com essas palavras, virou-se e saiu numa tentativa vã de ir-se rapidamente, mas o pé ressentindo ainda do machucado não lhe permitiu.

Edgar não entendeu tamanha descortesia, nem parecia a mesma garota conversara com ele hoje cedo e lhe tecera tantos elogios.

__ Essa menina não é certa da cabeça ... parece até que são duas meninas diferentes!

Falou baixinho, para si mesmo.

Por Laura.

Logo após o almoço Laura recolheu-se ao seu quarto, pois não queria falar do que sentia para ninguém e tanto Du, quanto o seu pai logo perceberia que algo não estava bem com ela.

Laura não entendia porque Edgar fizera isso com ela! Por que tratara com tanto desprezo seus desenhos ...

Estava magoada e envolta com esse sentimento tão novo, não se deu conta do absurdo da situação. Logo o choro sessou e ela adormeceu.

O entardecer já se aproximava. Laura percebeu pelo sons dos pássaros e pelo cheiro do vento que entrava arteiro pela sua janela. Como estava se sentindo muito bem, resolveu descer sozinha e depois fazer um lanche rápido na cozinha avisou a Du que iria sentar-se no caramanchão do jardim para fazer suas tarefas da escola.

__ Precisa de ajuda Laurinha?

__ Não Du. Esta tudo bem.

E assim dirigiu-se ao local escolhido para fazer suas atividades.

Não tinha ainda nem se acomodado direito, quando ouviu alguém chamar-lhe. Qual não foi sua surpresa quando deparou-se com Edgar atrás de uma grande arvore no jardim.

__ O que você esta fazendo aqui?

Edgar já havia se aproximado de onde ela estava e meio sem jeito disse:

__ Eu queria saber como você estava. Não me pareceu muito bem hoje na saída ...

Laura, ainda surpresa com a visita dele e com receio de que alguém aparecesse e não entendesse a presença dele ali, ficou sem resposta apenas olhando-o.

__ Me desculpe aparecer assim. O Sr Benjamin, me autorizou a visitar a gruta sempre que eu quisesse e aproveitei que lhe vi aqui e vim saber como você estava.

Ele parecia nervoso. Laura lembrou-se que em nenhum momento ele lhe disse que jogara os desenhos fora, ela sequer tinha certeza de que ele os vira! Agora a vergonha coloria suas faces e ela sentou-se pesadamente no banco.

__ Ai Edgar! Me desculpe por hoje cedo, fui grossa com você sem nenhuma razão. Me desculpe ...

__ Eu não entendi nada que você me disse na biblioteca. Na verdade eu fui ao seu encontro para lhe agradecer pelos desenhos que você fez da minha estória. E quando vi você estava querendo me bater! Achei que você fosse louca ou coisa assim.

Ele disse em tom de brincadeira.

__ Você tem toda razão ... O que você disse ?

__ Que você agiu como uma louca?!!

__ Não, não! Antes disso ...

__ Eu fui ao seu encontro para agradecer os desenhos que você fez para mim. São para mim, não são? Pelo menos a dedicatória dizia que eram endereçados a mim!

Laura não sabia o que pensar, sofrera nessas últimas horas achando que ele não tinha gostado dos desenhos e até que os tinha descartado! E agora ele lhe dizia que vira e gostara muito.

Era visível a confusão estampada no rosto de Laura e Edgar após pensar um pouco entendeu porque ela se mostrara tão agressiva pela manhã...

__ Ah, eu não acredito que você ... Laura mais eu não disse nada! Como você imaginou uma coisa dessas?!

Para Edgar era impossível não rir da situação. Ele preocupado, pensando que algo sério poderia estar acontecendo com Laura e ela criando fantasias na cabeça.

__ Não vejo motivo para gargalhadas Edgar.

Laura falou, séria e constrangida com a confusão que fizera.

__ Como não rir Laurinha? Você imagina algo e logo já ataca. Porque raios você não me perguntou se eu havia gostado dos desenhos, teria nos poupado essa confusão toda!

__ Eu não sei .. eu pensei que ... você não disse nada...

Laura tentava explicar-se mais não estava sendo bem sucedida nesse intento.

Com o olhar divertido Edgar, sentou-se ao lado de Laura e segurou sua mão.

__ Não tem importância. Vi que você estava chateada ...

Olhando em seus olhos ele completou:

__ Eu fiquei feliz que você gostou da estória e os desenhos que você me fez estão bem guardados porque são muito importantes para mim.

Ele não queria soltar-lhe as mãos, mas precisava ir embora. Estava ficando tarde e alguém poderia aparecer e então eles teriam muito o que explicar.

Laura apenas assentiu com o olhar. Sentia-se bem mais tranquila com as palavras do Edgar.

__ Eu preciso ir agora. Vejo você amanha na escola?

__ Sim.

__ Até mais então ...

Com essas palavras Edgar afastou-se, logo desaparecendo por entre as folhagens do jardim. Sempre que ele se afastava Laura sentia que algo mudava ao seu redor e ela não estava gostando dessa importância de Edgar em sua vida. A opinião dele, o que ele dizia como ele dizia, se ele estava por perto, se não estava ... essa angustia de não saber o que fazer nem o que esperar era um sentimento novo para Laura e estava se tornando desconfortável.

Notas finais
Minha rotina esta bem atribulada, mas assim que possível o proximo cap aparece. Abraços e muito obrigado pelo carinho.