Notas iniciais
É um cap pequeno, mas com um momento muito importante para nosso casal do coração. Ray, promessa é divida, esse cap vai para você.

Naquela noite, Laura permaneceu acordada até bem depois de todos na casa terem-se aquietado. Ela não conseguia esquecer o beijo que trocara com Edgar. As vezes pensava até que fora uma ilusão, não acontecera de verdade. Mas então lembrava-se de como ele também ficou abalado e parecia tão surpreso quanto ela.

A casinha era muito linda e cheia de detalhes que depois com calma ela conseguia perceber. Ele fora minucioso em cada cantinho e quanto mais ela explorava a casa mais surpresa ficava com sua perfeição.

Du ficou encantada, parecia uma menina brincando com a casinha. E Laura tinha certeza de que ela tinha algo a lhe dizer, mas parecia esta esperando um momento certo... Ela já até podia imaginar o que fosse. Por mais que quisesse manter seus sentimentos só para si, até para que pudesse entendê-los melhor, sabia que não conseguiria escondê-los de sua querida Du.

Em meados daquela semana, seu pai saiu em viagem para a capital, com o propósito de voltar ainda no fim de semana. Mas passou-se os dias e a nova semana começou e Dr Assunção não voltou. Um telegrama chegou no fim da nova semana e rapidamente Laura o abriu apreensiva. Estava com um estado de humor estranho, como se tudo ao seu redor estivesse de repente perdido a cor. E o telegrama pareceu-lhe mais um corvo agourento...

– Anda Laura, o que diz ai? Porque o seu pai ainda não voltou? Eles estão bem?! Fala menina!! Que coisa. Me dá isso aqui. – Tomando o telegrama das mãos de Laura, que olhava para as letras como se não estivesse entendendo, leu.

Querida filha,

Encontrei sua mãe muito doente. Ela esta no hospital.

Esta melhorando. Volto assim que possível.

Abraços,

Te amo.

Papai

– Mas o que significa isso?!

– E agora Du? Ele diz que mamãe esta melhorando. Mas será verdade? Talvez seja só para nos acalmar.

– O seu pai não mentiria com uma coisa séria assim criança. Vai ficar tudo bem. Se você quiser nós iremos para a capital. Eu levo você.

– Mas e a escola? E o Edgar Du?! Ai meu Deus, o que é que eu faço?!

– Agora, nesse momento, nada. Vamos descansar, e amanhã mandarei um telegrama ao seu pai, perguntando-lhe se poderei te levar para a capital. Dependendo da resposta dele pensaremos no que fazer. Quanto a escola, as férias já estão quase ai. E o Edgar, não há porque você modificar sua vida por causa dele, isso não tem cabimento, por mais que você goste desse menino.

Du olhava atentamente para a sua menina a espera que ela fosse espernear como sempre fazia, quando o nome de Edgar era associado ao seu, mas ao contrário, Laura apenas anuiu.

–Eu sabia que isso ia acontecer um dia, só não esperava que fosse tão cedo...

– Do que você esta falando Du?! Eu estou preocupada com minha mãe, em saber se meu pai esta escondendo algo de mim e vc ai falando por códigos, francamente!

– Mocinha, não gaste energia comigo. Eu sei muito bem o que anda se passando em seu coraçãozinho... Mas tudo bem. Eu sou paciente, e sei esperar. Vamos, me ajude a arrumar nosso jantar e vamos descansar.

Os dias que se passaram não trouxeram grande alivio para Laura. A viagem de Edgar estava cada vez mais próxima, e com isso ele se via sempre muito atarefado em casa. Du mandara um telegrama para o seu pai, porém a resposta não chegara ainda. Enquanto isso rezavam para a melhora de sua mãe e ajudavam sempre que possível na associação das bordadeiras no vilarejo, que já haviam enviado duas encomendas para a loja da capital e tinham outras tantas para entregar. Com isso, mesmo que sem querer Laura acabou por se habituar e chegou até mesmo a agradecer as horas em que passava bordando na associação. Essa atividade lhe entretinha e diminuía a angustia da espera.

Para finalizar o ano, a Diretora da Escola, d. Ana, preparou uma pequena apresentação, com os alunos dos primeiros anos que cantariam algumas canções para toda a escola. Estavam todos no pátio, onde fora armado, por voluntários, um palco especialmente para a ocasião. E os alunos ajudavam a carregar as cadeiras das salas para que a plateia se assentasse.

Quando já estava tudo arrumado, Laura sentou-se junto com Thais e outras colegas e procurava ansiosa pelo Edgar, mas não via sinal dele. Eles se viram poucas vezes, desde que ele lhe dera a casinha de boneca, e nessas raras ocasiões, ambos se mostravam incomodados...

A apresentação já estava para começar, quando ele sentou-se na mesma fila, porém algumas cadeiras depois. Olharam-se de longe, mas não havia como conversar.

As crianças estavam uma graça no palco improvisado. Tudo tão simples, mas de uma pureza que enchia as vistas. Laura achava tudo lindo! E então surpreendeu-se quando sua amiga lhe passou um pequeno pedaço de papel e lhe mostrou que fora o Edgar que mandara entregar, ele a olhava do outro extremo da fila.

___ amiga

___ Namorada

Quando abriu, sorriu e rapidamente buscou por um lápis na sua maletinha para marcar a resposta.

Dobrou-o e enviou pelo mesmo caminho.

Não viu se Edgar chegou a receber a resposta, porque o espetáculo acabou e então foi uma algazarra, todos se abraçando, cantando, e aproveitando para se despedirem.

Du chegara logo depois, toda alvoroçada que o telegrama de seu pai finalmente chegara e que elas iriam para a capital no dia seguinte.

– Du eu preciso resolver só uma coisinha e já venho.

– Mas o que vc tem para resolver ainda Laura, temos muita coisa o que arrumar, veja, trouxe o telegrama para vc ver... – Mas a menina já saía em desabalada corrida.

Ela procurou por toda a parte, mas não encontrava Edgar. Não é possível que ele foi embora, depois de lhe enviar aquele bilhete. Quando deu meia volta já desistindo de procurá-lo, colidiu exatamente com o próprio.

– Mas, ... oras, achei vc!

– Eu não estava perdido...

– Que bilhete foi aquele?

– Vc é direta einh?

– Vou para a capital amanhã, ver como minha mãe esta. Du esta me esperando com uma cara de onça logo ali, veja. – E apontou para onde havia deixado uma Du a procura-la em meio a tantas crianças.

– Eu recebi sua resposta. Esta aqui. – e mostrou o bolso da camisa.

– E eu vi sua pergunta.

Ambos estavam tão encabulados que não conseguiam pensar direito.

– Dá-me um abraço e vá. Eu darei um jeito de lhe ver amanha antes que viaje.

E aquele abraço carregou muito mais promessas do que seria justo lhe pedir. Aqueles dois não podiam ainda decidir quando ir, ou para onde. Mas poderiam decidir onde deixar o coração. E naquele momento isso estava determinado.

Notas finais
Xeruuu!!