Bellatori
1 Prólogo
Notas iniciais
O nascimento de Benova foi comemorado com grande alegria no casarão da Família Bauneclair.
A primeira e única filha do casal, a menina chegou num momento de grande mudança na família. Eles haviam acabado de se mudar para a Península de Nuvaria, logo depois dos velhos Bauneclair terem batido as botas e da nova geração ter herdado o dinheiro e a mansão.
Os Bauneclair viviam em um certo isolamento na sua residência, sendo humildes e não ostentando seu dinheiro. E a família era exemplar. Nova — como a menina era chamada — e seus pais, se dava bem na maioria das vezes.
Mas um causo de grande discordância na família feliz era a ambição profissional da filha, que desde pré-adolescente havia cristalizado em sua mente que se tornaria uma Bellatori.
Ser uma Bellatori, é claro, era uma profissão nobre e seria motivo de grande orgulho na maior parte das famílias, mas seu pai discordava.
“É um trabalho de selvagens,” — dizia o Sr. Bauneclair. — “Mal chamaria de profissão.” — continuou. “Eu trabalhei tão duro para te dar tudo do bom e do melhor, Nova. Não faça isso consigo mesma. Não gaste sua vida sendo uma selvagem.” — falava rispidamente.
E Nova engolia em seco. Ela sorria para o pai, dizendo que ia pensar em suas palavras.
“Você tem razão, pai. O senhor trabalha demais”. — respondeu com a voz artificialmente mansa.
E era verdade. O velho perambulava dia e noite comandando aulas de História e tinha como hobby apostar seu dinheiro em corridas. Nova se sentia grata ao seu pai e se dava bem com ele, mas ele não via o que ela via.
Ser uma Bellatori era uma profissão digna de orgulho também. E ela iria provar ao seu velho pai.
Sua mãe foi mais fácil de convencer. A Srª Bauneclair saia com a menina e mostrava ilustrações dos Bellatori que haviam crescido para se tornar celebridades. Ou então dava livros sobre a história da profissão, sempre com uma desculpa na ponta da língua para despistar o marido.
“É um livro de História, vai fazer bem para ela ter o conhecimento.” — argumentava. — “Além disso, é apenas uma fase. Quando ela crescer, ela nem vai se lembrar que um dia quis ser uma Bellatori.”
E o Sr. Bauneclair fazia um muxoxo, desgostoso.
“Quem quer ser uma Bellatori hoje em dia? Eles nem servem de nada. Eu não vejo um grande caso de crime desde que nós ainda éramos noivos. Aqui na península então? Desde que eu era garoto. Aqui é um lugar tranquilo” — comentou. “Eles só servem para o governo desperdiçar nossos impostos.” — declarou.
“Bem, eu suponho que toda profissão tenha sua utilidade.” — respondeu sua esposa.
De qualquer forma, os anos se passaram e a fase não parecia passar.
“Eu vi seus resultados em História, minha filha. Parece que teremos mais uma professora na família.” — dizia o Senhor Bauneclair, sorrindo. Nova ria também, desconfortável.
E então, todo o trabalho de seu pai finalmente veio cobrar seu preço. Um dia, enquanto a menina mal tinha seus quinze anos, o velho faleceu, causando um baque enorme na família.
Mas com o baque, também veio a oportunidade. Agora que seu pai estava morto, também morreu o maior obstáculo para a menina seguir seu único e maior sonho.
Nova se sentia horrível ao ter pensamentos assim. Ela amava seu pai e seu pai amou-a durante cada dia que viveu. Mas era o que ela sentia se fosse honesta com seus sentimentos.
E então, quando foram anunciados que o Instituto Adagnio para Bellatori estaria realizando testes de admissão por uma semana, aberto para todos, a menina agarrou sua chance. O Instituto era respeitado internacionalmente e estaria servindo bolsas estudantis de até 100%. O campus não era tão longe de casa. Era a oportunidade que Nova sempre quis.
Ela convenceu sua mãe com pouca dificuldade e imaginou que este era o momento cujo ela estava esperando.
***
O dia tão esperado por Nova finalmente chegou. O casarão estava silencioso, senão por uma Srª Bauneclair desesperada, subindo e descendo escadas, procurando por sua filha.
“Benova? Onde está, minha querida?” — ela berrava pelos corredores, puxando e soltando o ar.
Então, depois de vários minutos, ela praticamente arrombou a porta do quarto pessoal da menina. E a encontrou lá, imóvel e em completo silêncio, com o olhar fixado em nada em específico.
“Ah, aí está você! Eu quase desloquei meu joelho subindo todas as escadas à sua procura.” — exagerou. “Por quê você não me respondeu?” — e se apoiou na parede, para respirar.
Mas a menina não respondeu. Seguiu imóvel como estava. Srª Bauneclair então franziu as sobrancelhas, preocupada.
“FIlha? O que houve com você? Está tudo bem?” — e se aproximou da cama da menina. Antes que sua filha pudesse responder, ela já estava se desesperando. — “Ah, não! Você está doente? É febre?”
Então, num estalo, Nova saiu do transe e apenas sorriu para a mãe. A menina pegou na mão da senhora de forma gentil.
“Eu estou ótima, mãe.” — com a voz artificialmente mansa. — “Apenas estou pensando no teste mais tarde. Você sabe, ansiedade básica.” — e riu frouxa.
A mãe então sentou ao lado da garota, com um olhar empático estampado no rosto.
“A senhora sabe como eu sou, como minha mente funciona.” — recomeçou. — “E se meus poderes não funcionarem direito? E se a gente não conseguir pegar o trem? Vamos ter que pegar o barco? Mas e se o barco atrasar? E se eu for mal no teste?” — vomitou suas preocupações uma após a outra.
“Mas que tolice, Nova. Você sempre foi bem com seu teletransporte. Eu tinha que correr mais que uma atleta profissional atrás de você e do que adiantava? Num piscar de olhos você havia se movido cinco metros.” — relembrou.
“Mas eu tenho que teletransportar nós duas. A senhora sabe que eu nem sempre sou boa em transportar mais que uma pessoa.”
“Eu não te entendo, filha. Foi você quem implorou para que eu te acompanhasse ao teste. Agora não quer mais?” — questionou.
“De jeito nenhum, mãe! Quando eu disse não querer a senhora lá? Eu quero a senhora lá! Eu preciso da senhora lá.” — e então suspirou.
“Você tem sorte que o Instituto fica do lado oeste de Hunide, ou seja, é uma distância menor de teletransporte. Isso é bom, não é?” — e colocou uma mão no ombro da filha.
A menina deu um sorriso rápido, então pôs-se a olhar para o chão.
“Mãe, eu já te disse que vamos ter que pegar o trem, não disse?” — com um tom de vergonha. — “Eu não consigo teletransportar nós duas até o Instituto, é muito longe.”
“Ah, claro. Eu esqueci.” — sorriu frouxa, viu que sua filha estava desapontada. — “É que eu vejo você treinando tanto, eu pensei que talvez você tivesse descoberto uma maneira de nos teleportar diretamente até o Instituto.”
“É, eu treino todo dia e ainda assim não consigo me teleportar mais que alguns metros.” — depreciou os próprios poderes.
“Não fique assim, meu anjo.” — tentou animar a filha. — “Eu vejo seu empenho, Nova. Você está treinando desde o início do ano. Se tem alguém que se esforça para ser uma Bellatori, é você.”
“Agradeço, mãe.” — falou na voz miúda.
A Srª. Bauneclair então passou o olhar pelo cômodo, procurando por algo.
“Onde está seu bastão? É bom você não ter perdido ele!” — com um tom firme em sua voz.
“Eu jamais o perderia, mãe. Já está guardado na minha mochila com minhas coisas.”
“Ótimo. Eu gastei bastante dinheiro para confeccionarem aquela arma do jeitinho que você queria.”
Não era a primeira vez que a menina ouvia essa frase.
“Não é arma, mãe. É Instrumento de Combate.” — corrigiu.
“Instrumento de combate” — repetiu, sarcasticamente. — “Você sabe que eu sou leiga para essas coisas.”
Elas se referiam ao bastão preto e prateado que Nova ganhou como presente ao completar dezesseis anos. Todo Bellatori tinha um instrumento de combate que era de uso pessoal para realizar a profissão. Pertencia ao Bellatori e auxiliava na luta contra a injustiça do mundo. Os mais ricos e esforçados tinham instrumentos únicos e especialmente feitos para si. Enquanto os Bellatoris de origem mais humilde se contentavam com instrumentos produzidos em massa por alguma empresa. Estes ainda eram caros, porém mais acessíveis.
De qualquer forma, a Srª Bauneclair se retirou do quarto para que a filha se vestisse para o dia.
Quando elas se encontraram mais tarde, no jardim da residência, a menina estava com a aparência de uma Bellatori em potencial, ainda que estivesse tremendo com os nervos.
Os cabelos negros com uma franja, cortado nos ombros. Trajava uma blusa branca com um colete negro por cima, usava meia-calças negras com botas de cano alto, também pretas. O look era completado por uma saia de combate negra e azul. Sua imagem era adornada por um cinto prateado e também uma mochila cinza nas costas.
“Linda! Você está linda, minha filha.” — bradou a Srª Bauneclair. — “Um mulherão e uma verdadeira Bellatori. Eles seriam insanos se não te aceitassem.” — afirmou.
Nova sorriu timidamente, com as bochechas ruborizadas. Ela tinha confiança nas suas habilidades. Ou pelo menos a parte racional do seu cérebro sabia que ela era boa o suficiente para não ser a pior de uma classe.
Mas e se os padrões do Instituto Adagnio tivessem subido? E se ela fosse a menos experiente de sua turma?
“Pronta para me teletransportar, filha? Prometo que fiz dieta só para facilitar o transporte.” — brincou.
Nova assentiu com a cabeça, mas os pensamentos absortos nas preocupações e ansiedades.
E se o Diretor fosse um ogro e visse Nova pela fraude que ela é? Ela poderia até saber fazer algumas coisas, mas não o suficiente para ser uma Bellatori profissional, é claro. Nenhuma instituição de ensino que se preze, aceitaria uma garotinha que nem ela. Só porque ela tinha o sonho de ser uma Bellatori, o Instituto devia uma vaga a ela?
Nova fechou os olhos, respirou fundo e apertou bem a mão de sua mãe e então seus corpos foram puxados e revirados. Foi um acontecimento de milissegundos e o teletransporte foi feito, mas os anseios estavam correndo pela mente da menina como uma avalanche.
Muitas pessoas tinham muitos sonhos e nem todo mundo realiza seu sonho. Ela deveria fazer o teste com a plena consciência de que o dia poderia terminar de maneira diferente do esperado.
Ela poderia falhar. Ela poderia não ser uma Bellatori profissional.
E foi com essas ideias em mente que a menina abriu os olhos, e o sol brilhou forte sobre eles.
Nova e Srª. Bauneclair se encontravam na entrada da estação ferroviária da península de Nuvaria. Elas pagaram a passagem e após uma breve viagem de trem, logo se viram à frente do Instituto Adagnio para Bellatori.
E ao redor delas, vários alunos em potencial com os nervos à flor da pele e parentes ansiosos.
A menina olhou para a mãe. Engoliu em seco e adentrou o campus.
***
O pátio frontal do Instituto estava abarrotado de Bellatori em potencial, com uma nuvem de ansiedade pairando sobre todos eles.
Embora o período de testes de admissão perdurasse por uma semana, Nova tinha a impressão que metade do planeta estava lá.
“Uau, está bem mais cheio do que eu imaginava.” — admitiu, num tom ligeiramente triste. — “Não sei por quê, mas na minha imaginação nunca tinha mais que eu e meia dúzia de pessoas realizando o teste”. — riu frouxa.
“Não fique nervosa, filha. Você já passou. Eu tenho certeza.” — Disse a Srª Bauneclair.
Essa frase. “Não fique nervosa”. É quase como uma resposta automática. Mas todo mundo sabe que não funciona. Ninguém fica menos nervoso ao ouvir estas palavras. Geralmente elas possuem o efeito contrário. Mas Nova sorriu, para não decepcionar sua mãe.
As duas passaram por uma placa metálica, que dizia “Instituto Adagnio para Bellatori em Treino”, os dizeres adornados por flores douradas. Por algum motivo, as flores fascinaram Nova.
O campus era enorme, maior que Nova jamais poderia imaginar, com dois edifícios principais. O “Prédio de Ensino” tinha seis andares e era onde elas estavam adentrando.
Nova, ansiosa para estudar em Adagnio, sabia que era ali que ela teria suas aulas e aprenderia formas de combate para derrotar os vilões do mundo. Ela sabia que ali era aprenderia formas de tunar seu bastão e como confeccionar armas para melhor lutar contra as injustiças do mundo. Ali ela aprenderia a ajudar multidões. Ali, em alguns anos, ela se tornaria uma Bellatori.
De canto de olho, ela viu o prédio vizinho, ligeiramente menor, que ela acreditava ser o dormitório do corpo discente. Ali ela descansaria entre as aulas e quem sabe que tipo de pessoa ela conheceria? Ela provavelmente teria colegas de quarto. Como eles serão? Será que misturariam meninos e meninas? Será que ela encontraria o amor da vida dela nesses corredores?
Seus pensamentos foram repentinamente interrompidos quando sua mãe e ela se viram entrando num corredor, com estudantes enfileirados.
Logo, uma moça — provavelmente funcionária do Instituto — se aproximou delas e as indicou para entrar na fila.
“O Diretor Tabby vai analisar cada aluno em potencial pessoalmente. Quando for sua vez, passe pelas portas para a sala ao lado e você vai lutar contra outra pessoa da fila. Não é uma medida de forças e não tem vencedores. O diretor apenas quer saber das suas capacidades.” — explicou, resumidamente.
Nova engoliu em seco. Ela sabia que iria lutar e demonstrar suas habilidades para o Instituto, mas ela não sabia que lutaria na frente do Diretor! E ela não sabia que deveria combater outra pessoa que igual a ela, estava sedenta por um lugar no Instituto.
A Srª Bauneclair passava sua mão sobre a mão da filha, tentando acalmá-la. Obviamente não funcionava, mas ela não sabia disso.
Extremamente ansiosa e não aguentando a demora do tempo, Nova observava cada detalhe do edifício. Ela passava minutos encarando a quina entre o chão e a parede. Olhando pela janela. Vendo as armas dos outros na fila.
Chegou a vez de Benova ser chamada. Uma funcionária chamou seu nome assim como o nome de “Adrian Davis”. Ela não sabia quem era esse cara, mas viu o rapaz atrás dela na fila, a seguindo.
Então seria ele que ela batalharia no teste. Srª Bauneclair acompanhou a filha e então a funcionária fechou a porta atrás dos três.
Adrian, Nova e a mãe dela então se depararam num enorme salão, com uma área de combate no meio. Tinha um banco na lateral da sala, onde um senhor estava sentado, com uns papéis em mãos.
Era Roderick Tabby, o diretor do Instituto Adagnio. Com seu cabelo fino e grisalho até os ombros, seu corpo magro e aparência relaxada. Ele levantou ligeiramente o olhar e então perguntou:
“Benova Bauneclair e Adrian Davis?” e recebeu a confirmação. “E a senhora, quem é?”
“Ah, eu sou… eu sou a mãe da Benova.” — respondeu.
“Certo, acompanhantes se sentam ao meu lado. Senhor Davis, tem alguém te acompanhando?”
“Nah.” — e o tom rouco da voz de Adrian ecoou pelo salão, a primeira vez que ele falava em um bom tempo. — “Ninguém se importa comigo o suficiente comigo para me acompanhar num teste.”
“Pelo contrário, senhor Davis.” — começou o Dir. Tabby. “Aqui, no Instituto Adagnio, a gente preza pelos nossos alunos dentro e fora da sala de aula”
“Não foi isso que eu quis dizer.” — ele respondeu, ruborizando.
“De qualquer forma, espero que estejam prontos para o teste de admissão.” — começou. — “Eu quero lembrá-los que este não é um teste de força. Não estou procurando por um vencedor ou pelo melhor atirador. Eu estou avaliando suas habilidades. Todas as suas habilidades. Quero saber se vocês se encaixam no meu instituto. Não contenham suas capacidades, mas lembrem-se, isso é um teste. Não queremos nenhum acidente.”
Nova ouvia as palavras do diretor apenas superficialmente. Ela procurou o olhar da mãe e a Srª Bauneclair sorriu para a filha, com orgulho.
O olhar dela então passeou até Adrian. Ela não tinha reparado no seu adversário quando ele estava atrás dela na fila, mas agora ela estava absorvendo cada detalhe.
O rapaz era alto, provavelmente beirando os dois metros. Tinha os cabelos negros curtos no lado e arrepiados com gel no topo. Trajava uma camisa preta sem mangas e um colete marrom por cima. Usava luvas até os cotovelos com detalhes dourados nas extremidades. Vestia uma calça preta bufante e botas marrons. Era adornado por um cinto de couro que prendia uma arma atrás do corpo.
Nova não sabia com certeza, mas parecia um tipo de espada.
Diretor Tabby se sentou ao lado da Srª Bauneclair e então anunciou o início do teste.
Nova retirou seu bastão da mochila, de forma delicada. Ela apertou um botão na extensão do bastão e então um arpéu se estendeu da base da arma. Adrian sorriu, segurando firme no cabo de sua katana.
Num instante, a menina apareceu atrás do rapaz, usando seus poderes de teleporte, girando o arpéu no ar. Com precisão, ela mirou no flanco dele, mas os reflexos de Adrian foram rápidos. Ele se esquivou do ataque dela e respondeu com um ataque rápido, errando por pouco, quando Nova se transportou mais alguns metros.
A ansiedade de Nova era palpável enquanto eles continuavam a trocar golpes. Ela não podia deixar de duvidar de si mesma, cada movimento seu era oprimido pela incerteza. Ela via claramente o quão determinado seu adversário era.
Adrian ziguezagueava pela arena, Nova mal conseguia acompanhá-lo com o olhar. Quando ele finalmente parou, foi para zombar dela.
“Você tem que ser mais rápida que isso.” — caçoou.
“Eu estou tentando!” — a voz dela tremia enquanto respondia.
Ela respirou fundo e se teleportou para outro ataque surpresa, que foi ineficaz quando ele desviou novamente. Adrian era muito mais rápido do que Nova esperava, claramente ele tinha alguma habilidade que o permitia ter uma velocidade super humana.
E embora o Dir. Tabby havia dito que não haviam vencedores ou perdedores, a menina estava se sentindo uma perdedora naquele momento.
A luta prosseguiu, de forma cada vez mais exaustiva. Nova se teletransportava para ganhar vantagem, mas a supervelocidade de Adrian permitia que ele se esquivasse e atacasse com precisão cada vez maior.
Entre socos e golpes, Nova não conseguia reunir confiança para provocar seu oponente. Ela se concentrou em seus movimentos, tentando superar Adrian, que estava se tornando cada vez mais capaz de antecipar seus teletransportes.
Dir. Tabby observava atentamente, com o olhar impenetrável, enquanto a Srª Bauneclair observava com uma mistura de orgulho e preocupação. Ela sabia o quanto sua filha estava ansiosa e o duelo pesava muito em seu coração.
“Eles estão lutando há muito tempo.” — Srª Bauneclair começou. — “Eu pensei que não tinham vencedores ou perdedores. Já não está na hora de interromper?” — questionou.
“Não. Eu quero ver do que eles são capazes.” — Tabby respondeu de forma pragmática.
A luta se arrastou, nenhum dos dois estava disposto a recuar. O olhar da Srª. Bauneclair seguindo sua filha por cada centímetro da arena.
A ansiedade de Nova era forte e sua dúvida era uma companheira constante. Ela se teletransportou desesperadamente, tentando acompanhar Adrian, mas ele foi implacável em sua perseguição.
Repentinamente, Nova perdeu seu equilíbrio e foi de encontro ao chão. Antes que ela pudesse reagir, num piscar de olhos, a katana metálica de Adrian estava em seu pescoço.
O rapaz então puxou uma arma do cabo da katana, e com os dedos no gatilho, sorriu para a oponente.
“Acho que o teste chegou ao fim, não é?” — com confiança na voz.
Nova olhou para um lado e outro, pensando em como fugir da situação, mas um berro desesperado foi ouvido do banco dos espectadores.
“O que é isso? Ele vai atirar na minha filha!” — a Srª Bauneclair, num supetão saltou do seu assento.
“Claro que não, senhora, ele sabe que é só um teste.” — Tabby respondeu.
Mas a mulher não quis saber, ela saiu correndo para o meio da arena, ignorando os protestos do Diretor.
O olhar de Nova ainda estava confuso, perambulando pela arena e Adrian imóvel, ainda mantinha suas armas apontadas para sua oponente.
“Pare! Pare com isso!” — gritou a Srª Bauneclair, se aproximando de onde Adrian estava, assustando o garoto.
Mas repentinamente Nova havia desaparecido. Nova reapareceu atrás de sua mãe, e então, seu bastão havia se transformado numa arma e seus dedos estavam no gatilho.
Adrian se virou para o lado e sem pensar, apertou o gatilho, assim como Nova, mirando em Adrian e com as mãos trêmulas, também apertou o gatilho.
No caos do momento, o tempo parecia ter parado. Dois tiros soaram em rápida sucessão.
Uma bala atingiu um alvo, mas o alvo havia sido a Srª. Bauneclair, acabando com sua vida em um instante.
Em choque e com as mãos trêmulas, Nova derrubou sua arma no chão, com o barulho ecoando. O Diretor Tabby saltou em susto. Ele olhou para a cena e então correu para fora do salão, gritando por uma funcionária.
Enquanto a mãe de Nova jazia sem vida no chão da arena, um silêncio assustador envolveu a arena. Nenhum dos jovens sabia qual das suas armas tinha disparado o tiro fatal, e isso não importava. Nova havia perdido a mãe e a enormidade da tragédia pairava pesadamente no ar.
Adrian abriu a boca mas nenhum som saía. Enquanto uma enxurrada de funcionários e curiosos entrava na arena, Nova pegou seu bastão e se teleportou alguns metros, para longe da multidão crescente. E então correu.
Ela simplesmente correu para longe do Instituto. Ela não se importava com os rostos curiosos, ela só queria sair dali.
Ainda no meio da arena, estava Adrian, atordoado, segurando sua arma e imóvel enquanto a equipe de funcionários do Instituto correu para recolher o corpo da Srª Bauneclair.
Os testes de admissão foram suspendidos pelo resto do dia, mas voltaram no dia seguinte. O show não poderia parar.
Os dias se passaram e um funcionário do Instituto foi até a mansão dos Bauneclair, agora com uma única moradora solitária, para confirmar que Nova tinha um lugar no corpo discente do próximo período letivo.
A menina não sabia como se sentir, mas ela forçou um sorriso.
O Instituto Adagnio, outrora representava para ela um sonho, onde ela poderia demonstrar seu talento e potencial. Agora era palco de uma tragédia inimaginável, alterando para sempre sua vida e daqueles que a testemunharam.
Notas finais
Eu tenho aproximadamente 7 capítulos já escritos, só preciso revisá-los completamente. Mas vou tentar postá-los só após ter mais capítulos escritos para poder mudar ou revisar partes do enredo, se for necessário. Já tenho 2/3 da história bem estruturada e tenho o final em mente.
Idealmente, este seria o início de uma saga, com pelo menos duas partes (duas fics) diferentes e com uns vinte capítulos, aproximadamente. Mas, se ninguém se importar e se flopar e eu perder a motivação a gente finge que nunca escreveu nada.
Mas sendo sincero, eu tenho a ideia de Bellatori há uns 5 anos, espero que alguém se interesse e que traga entretenimento a algum leitor.
Obrigado ♥ O próximo capítulo deve vir mais rápido do que esperam. Até breve.
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