Believing
3 Nightmare.
Notas iniciais
Não havia mais nada lá além das arvores e suas folhas caindo, Claire saiu correndo, quando parou e olhou ao seu redor, pensou ter visto coisas percebeu que aquele lugar não estava mais lá, como se só ela tinha visto tudo aquilo, reparou que no mesmo lugar que havia a trilha, estava um campo, enorme, em que ninguém estava sentado, era do mesmo tamanho do parque que viu o lago, mas não havia nada construído lá.
Claire saiu correndo para o posto e esbarrou na mãe:
– O que aconteceu com você? Fiquei preocupada! — Elizabeth disse, Claire poderia ver no rosto da mãe que ela estava mesmo preocupada.
– Desculpe saí para tomar um ar.
– Vamos logo, temos que sair daqui e ir para casa! — Ela reparou na tensão no olhar de sua mãe, nunca tinha visto a mãe daquela forma.
Elizabeth entrou no carro apressada e Claire foi logo em seguida, sua mãe estava séria, como se algo estivesse acontecendo.
– Mãe, por que naquele lugar perto do posto não tem nada construído? — Claire perguntou, lembrando de ter visto o parque com o rio, onde viu o vulto do garoto.
– Pois, há uma lenda, que um homem Richard Green, um grande político daqui enlouqueceu e se suicidou naquele mesmo lugar com um tiro no crânio. Dizem que se construírem alguma casa, ou algum ponto de comercio, o espírito de Richard volta e leva à loucura todas as pessoas que estiverem frequentemente ali. — Elizabeth fez uma pausa. — Acho uma grande besteira, mas depois disso, ninguém construiu nada naquele lugar. Muita gente diz ter visto o espírito dele naquele lugar, mas não acredito nisso.
– Por um instante é como se eu tivesse visto algo lá, mas… — Claire não sabia se deveria dizer ou não. – Era como se houvesse alguma coisa naquele lugar, mas depois sumiu. Acho que estou ficando louca.
– Não se importe querida, nada disso existe você sabe disso.
– Mãe, e anjos? Eles existem?
– Claire Underwood, pare com essa bobeira, esses seres não existem. Não seja tão ingênua.
Claire reparou que Elizabeth estava incomodada ao falar sobre o assunto, então não levou adiante e ficou calada.
– Claire, você só está cansada, depois da viagem isso tudo vai passar.
Passaram-se alguns minutos até chegarem à nova casa, ela era diferente, a antiga casa de Claire era tão simples, a casa nova tinha dois andares, pintada delicadamente e por dentro com a mobília pronta. Missy ficou admirada ao ver na sala a nova a TV e as poltronas que pareciam de veludo. Era tudo muito diferente, a casa deveria ter o dobro do tamanho da antiga. A sala era enorme com diferentes quadros pendurados, Claire se lembrou que a mãe sempre teve um bom gosto para a arte. Ela subiu as escadas até chegar ao corredor do segundo piso, percebeu que o quarto da mãe era bem ao lado do seu, diferente da sua antiga casa.
– Claire! Vou ali fazer compras, já volto – Ela ouviu a voz de Elizabeth no começo da escada.
– Tudo bem, estou indo arrumar minhas coisas!
Então ela voltou e abriu a porta do seu quarto, o quarto novo é bem maior do que o antigo, sua cama agora era de casal, o armário bem maior e parecia que sua mãe tinha acertado em tudo, a mobília e a decoração exatamente de como Claire gostava, o armário estava com roupas novas ela nunca imaginou que sua mãe poderia organizar algo que iria agradar tanto ela.
Por um instante ela reparou que em uma parte da parede de sue quarto, havia algo estranho, como se houvesse algo atrás da parede, pois não havia revestimento de tijolos nem cimento, então com um empurrão Claire conseguiu abrir a parede e deixar a parte falsa de lado, era como se fosse uma porta que o que bastava era arrastar para o novo caminho ser mostrado. Era escuro, mas Claire conseguiu enxergar que no começo havia uma escada em espiral. Sua mão nunca teria dado aquele quarto para ele se soubesse de alguma coisa. E com bastante cuidado deu um passo adiante, delicadamente subiu os degraus até chegar a uma sala que era iluminada com a luz da lua. Havia um piano de calda. Ela passou seus dedos pelas teclas, deslizando delicadamente até encontrar um pequeno pedaço de papel. Tinha um aspecto velho, parecia mais um envelope, que parecia ter sido escrito a ano atrás, leu as primeiras letras para quem estava endereçado “Charles”.
Quando Claire olhou pela janela, viu o carro da sua mãe estacionando na garagem a única coisa que pensou foi em sair correndo e tentar fazer com que aquela parte falsa da parede fosse escondida, ajeitou bem para que a mãe não pudesse reparar em nada e colocou a carta entre alguns livros e cadernos.
Só deu tempo para fazer isso, quando Claire deitou na cama a porta se abriu e Elizabeth entrou.
– Então, o que achou do quarto? – A mãe estava feliz.
– Amei a surpresa, achei lindo.
– Claire, quero que conheça uma pessoa. — Sua mãe chegou para o lado deixando um homem passar pela porta e entrar no quarto. Ele era alto, magro e tinha os cabelos loiros cacheados — Esse é Will, um grande amigo meu, pode confiar nele, caso qualquer coisa acontecer.
Claire fitou o homem, os olhos dele eram um tom de cinza que ela não conseguia descrever, nunca tinha visto olhos tão penetrantes antes.
– Oi, prazer. — Claire o olhava com um sorriso.
– Sua mãe me disse muito sobre você. — Ele sorriu e continuou olhando para ela. — É como se eu já a conhecesse.
– Então... — Elizabeth disse cortando o assunto. — Claire, tem que dormir, amanhã é seu primeiro dia de escola, e precisa estar descansada.
Sua mãe a deixou sozinha no quarto, Claire pegou suas roupas de dormir e deitou.
Mas ela não conseguia dormir, seus pensamentos estavam cada vez mais confusos, ela não conseguia se lembrar do vulto que tinha visto no lago, e em seu sorriso sombrio? Como que nada daquilo poderia existir? Ela não estava ficando louca. Os olhos penetrantes de Will estavam sempre em sua mente, era impossível não se lembrar deles.
Ela estava perdida em seus pensamentos quando começou a ouvir uma conversa entre sua mãe e Will, parecia mais uma brigada do que uma conversa normal. Ela não conseguiu ficar deitada na cama, se levantou e foi até a beirada da escada.
– O que foi aquilo de "é como se eu já conhecesse você"? Não fale assim, já está sendo difícil para mim! — Elizabeth parecia estar furiosa, coisa que só acontecia às vezes, Claire sempre achava sua mãe calma demais.
– Lize! — Ele disse com um tom íntimo demais, Claire percebeu que ele foi a primeira pessoa que ouviu chamando a mãe daquele jeito, talvez sua mãe conhecesse ele a muito mais tempo do que poderia imaginar. — Você acha que vai conseguir deixar as coisas assim por quanto tempo? Claire tem 16 anos, já está na idade.
Aquelas palavras entravam pelo ouvido de Claire, mas era impossível para seu cérebro decifrá-las, nunca poderia imaginar que sua mãe poderia esconder algo. Mas agora o assunto era sobre sua vida. E o que exatamente seria “já estar na idade”?
– Eu só estou tentando proteger minha filha! — Claire ouviu a voz da mãe, com certeza Elizabeth estava chorando. — Mas sei que ela vai descobrir, tem 16 anos, e já passou a enxergar, pensava que onde morávamos seria seguro, mas... — Elizabeth hesitou por um momento. — Só quero que minha filha não faça parte desse mundo. Não seja comoele.
– Ela nasceu assim, são suas origens, não pode negar isso a ela. Você sabe do que estou falando, não podemos negar... Pode ser uma coisa que não temos conhecimento, mas é impossível que ele não nos ache.
– Não diga isso Will, faria qualquer coisa para proteger minha filha, ela não vai ter esse destino! – Foi a ultima coisa que Claire ouviu até ouvir um barulho de passos, e uma porta batendo.
Sua mãe e Will saíram da casa, talvez Elizabeth estivesse preocupada em falar alto demais e acordar a filha. Mas era impossível dormir em paz agora, as últimas palavras da mãe latejavam em sua cabeça era duro demais para Claire ouvir tudo aquilo, eram muitas duvidas, qual seria o destino que Elizabeth estava tentando evitar? Claire voltou para a cama, foi difícil, mas caio no sono.
Clarie’s POV.
“Eu estava em algum lugar, longe demais para ser decifrado, as árvores estavam em chamas, e do alto da montanha, se avistava uma mansão. Corri, corri o mais rápido que pude para salvar minha vida. Alguém estava atrás de mim, alguém queria o meu sangue. Mas era impossível ver o rosto dele, era impossível entender o que queria comigo. Cheguei no alto da montanha. E entrei na mansão, talvez fosse o único lugar que eu poderia estar a salvo. Mas continuo ouvindo sua voz, continuo sentindo seu cheiro de sangue ‘você não pode fugir’ ele ria, não era um riso comum, era demoníaco, ela dizia algo em alguma língua que eu simplesmente não conseguia entender. Mas dava para sentir que seu significado não era usado para o bem. Não conseguia fugir, entrando pelos quartos não conseguia enxergar nada além de criaturas sibilando, gritando, o desespero estava presente naquele local. Os gritos eram altos demais, era horrível para meus ouvidos aguentarem. ‘A culpa é sua, a culpa sempre será sua’.
E eu acordei, aflita e assustada demais, sempre tive pesadelos, sempre sonhei com coisas ruins, com anjos, demônios, espíritos, mas o que se poderia fazer? Só eu sabia disso. Deixaria minha mãe preocupada demais apesar de muitas vezes ela acordar a noite, preocupada com meus gritos. Mas, esse pesadelo era diferente de todos os outros. Nunca tive um pesadelo como esse, nunca tão realista.
Notas finais
Beijo Beijo *-*
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