Believing
4 Nephilim.
Notas iniciais
– Claire acorda agora! — Claire pôde ouvir a mãe gritando da escada.
Mas já estava pronta, com os cabelos negros presos, com uma roupa pronta para ir para escola e encontrar sua amiga, descendo sua mãe a esperava sentada na mesa.
– Fiz panquecas!
Claire pegou um pequeno pedaço e o colocou na boca.
– Não estou com tanta fome assim.
– Seja como for querida. Preparada para encontrar Anne hoje na escola?
– Não vejo a hora de encontrar ela!
– Anne é uma boa garota, era muito amiga da mãe dela, antes dela falecer. Ela é como você. Sempre esteja ao lado dela.
– Como assim igual a mim?
O olhar de Elizabeth mudou como se tivesse falado algo que não deveria.
– Quero dizer... Vocês são muito parecidas.
Claire reparou que não era só por causa disso. Sua mãe tinha mudado o olhar ao tocar nesse assunto, mas mesmo assim, ela fingiu que não ouviu e levantou.
– Então estou indo.
Claire pegou sua mochila e abriu a porta. Começou a andar pelas ruas de Nova York para chegar até sua escola, que era bem perto de sua casa.
Mas de longe algo a observava
Chegando à escola, Claire viu uma garota de cabelos ruivos e longos de longe, pelo jeito a garota a viu e correu em sua direção. Anne estava tão diferente, por um instante Claire fitou a amiga e se lembrou de que agora elas não sãos mais aquelas garotinhas que acreditavam em fadas e em princesas, que sonhavam com o mundo perfeito, que era ingênuas e inocentes. Sentia falta de tudo aquilo.
– Claire, que saudade! — Ela dizia.
– Eu também Anne!
Elas se abraçaram, mas não se abraçaram como se fosse normal, o abraço era caloroso, Claire estava se lembrando como era abraçar a amiga, e como tinha sentido falta daquela sensação.
– Tenho certeza que irá amar a escola, irei te apresentar todos os meus amigos, e irei te ajudar nas matérias caso precise, afinal você está entrando no meio do ano.
Claire olhou para o lado, ao longe havia milhares de garotos e garotas, era muita gente, mas um chamou a atenção dela. Um garoto de cabelos negros e roupas escuras que estava sozinho encostado na parede que dava de frente para o pátio. O olhar dele chamava a atenção dela, como o olhar de Will que tinha visto quando ele tinha ido a sua casa. Olhos penetrantes, não conseguia descrever a sensação de olhar para eles.
Quando virou viu um garoto de cabelos claros andando em sua direção.
– Esse é Trevor, meu melhor amigo. — Disse Anne, apontando para o garoto.
– Oi, prazer. — Claire dizia com um sorriso alegre.
– Bom te conhecer Claire, Anne me falou muito sobre você.
– Vocês vão se dar bem, tenho certeza disso. – Anne falou.
– Bom, acho que sim, é o que eu espero. – Trevor disse, e um sorriso se formou no rosto dele.
Claire não se importou pelo fato dele ter dito isso, ou por ele dizer algo desse tipo com aquele sorriso no rosto. Mesmo a situação ser meio estranha. Ela olhou o relógio por um instante e reparou que estava atrasada.
– Tenho que ir, minha aula de francês vai começar, e não posso chegar atrasada!
– Te vejo na aula de biologia. — Anne disse.
E logo depois, Claire saiu correndo pelos corredores, fazia questão de reparar em tudo aquilo, a escola era muito maior do que a sua antiga, e essa parecia ter o dobro de alunos também. Os corredores eram enormes, a escola parecia ser antiga, mas de alguma forma era bem cuidada. Milhares de alunos andavam conversando pelo corredor sem se importar com o tempo, ou o que estava acontecendo. Claire ficou totalmente distraída, quando sente alguém batendo em seu ombro com força, seu material cai, e Claire tenta se equilibrar para não cair também. Todos os seus livros estavam no chão, então ela abaixa para pegá-los.
– Na próxima vez olhe para frente. — Claire pôde ouvir uma voz.
Quando olhou para cima, viu o mesmo garoto que tinha visto no começo da manhã, ele estava abaixado pegando alguns livros que também tinham caído.
– A não ser que esteja acostumada a esbarrar nas pessoas. — Ele dizia sarcasticamente.
– Desculpa, estava distraída.
– Percebi isso. Espero que não aconteça de novo, veja se na próxima vez presta atenção.
O garoto virou as costas, e foi embora.
“Garoto grosso” Claire pensou, nem tinha tempo em falar algo para se defender.
Ela pegou o ultimo dos livros que estavam caídos no chão. "Filosofia e religião", aquele livro não era dela, ao abrir a primeira página estava escrito "James", era esse o nome do garoto.
O sinal bateu, e Claire voltou a andar pelos corredores até chegar a tempo na sua sala.
Na aula de biologia as cadeiras eram em duplas, Claire estava sentada com Anne, a sala era enorme e tinha um grande armário para guardar material no final da sala, as paredes tinham trabalhos infantis, já que no turno da tarde a sala era usada pelo jardim de infância. O professor era um baixo, gordo. Ela olhou para o final da sala e reparou que o garoto que tinha esbarrado com ela na manhã estava sentado nas ultimas cadeiras da sala, estava sentado sozinho, rindo e conversando com outros garotos na frente dele como se o professor não estivesse fazendo nada.
– É eu acho que vai ser legal estudarmos juntas agora. Parece ser interessante tudo isso não? – Anne falava.
James, por que ele chamava tanta atenção? Por que Claire insistia em olhar para ele mesmo achando ele um grosso e pensando que ele não merecia isso?
– Parece que você não está prestando atenção né? Acho que Trevor gostou de você, mas acho melhor tomar cuidado. Você sabe como esses garotos são, daqui a pouco ele deve querer transar contigo. – Ela insistia em continuar a falar, mesmo Claire não prestando atenção.
Os pesadelos ainda estavam em sua mente. Era estranho pensar em tudo aquilo, era real demais. Era aterrorizante o modo em que via aquelas criaturas gritando no sonho, mesmo não distinguindo o que elas eram. Por que será que sentia que era por sua culpa? Claire não tinha feito nada para criar uma tragédia.
– Olha, mas se quiser dar umas pegas no Trevor é melhor ser rápida, há muitas garotas atrás dele. Talvez vocês consigam até algo mais. – Ela parou por um instante. – Claire, está ouvindo o que eu estou dizendo? — Anne dizia irritada.
– Claro... – Claire voltou a olhar para Anne.
– Mas eu estava brincando tá? Não que você precise dar uns pegas no Trevor, vocês acabaram de se conhecer. Mas o fato dele querer transar contigo pode até ser verdade, sabe como esses garotos são.
– Tudo bem Anne, mas... Quem é aquele garoto? – Claire apontou para James que continuava rindo e conversando com um dos garotos.
– O nome dele é James. — Respondeu Anne. — Ele senta nas ultimas cadeiras da sala, e conversa o dia inteiro, mas na hora do prova tira a maior nota da sala, as vezes eu vejo ele sozinho nos corredores, e na sala de aula ele nunca sente em dupla. Algumas garotas o acham um gato e essas coisas. — Anne fez uma pausa. — Algum interesse nele?
– Nenhum... Esbarrei com ele no corredor, não foi muito amigável.
– Acredito que ele deve ser bem assim.
Chegando a casa, Claire ficou sozinha por um tempo, sua mãe tinha saído para resolver os dias em que trabalharia e seus turnos, enquanto isso Claire pegou o livro que James deixou cair e o abriu. Havia várias gravuras sobre antigos gênios e filósofos, na divisão do livro começava a matéria de religião que tinha como principal assunto anjos, demônios e símbolos ocultos.
Claire ouve sua mãe chegando em casa correndo e a ouve trancando a porta.
– Claire! Precisamos sair daqui. — Gritou Elizabeth.
– O que está havendo? — Claire não sabia o que dizer.
Ouviu-se um grande estrondo, a porta foi arrancada das dobradiças. Uma forma escura estava parada lá. Claire gritou por um momento. Quando de repente sua mãe sai de um dos cômodos segurando algo indo em direção ao que estava na sua porta. Ela atacou o bicho com o que estava na mãe, e um líquido escuro voou por todo o lugar. Claire olhou para a mão da mãe, Elizabeth usava luvas e havia algo enrolado em seus pulsos. O objeto que estava segurando era similar a uma adaga, mas não era tão parecido assim, ele tinha um cabo fino e uma ponta afiada, mas não lembrava uma faca nem nada. Ele estava enrolado a panos parecidos como os que enrolavam os pulsos da mãe.
– Vamos, saia! — Elizabeth gritava.
Saindo, Claire foi para o gramado e sua mãe a acompanhou.
Aquele ser estranho e escuro tentava ir atrás da mãe, mas Claire observava que ele já estava fraco demais. Ele levantou e atacou Elizabeth agarrando uma de suas pernas, Elizabeth com um único golpe, cortou o membro que a segurava, o bicho sibilou baixo, mas não desistiu de tentar soltar um liquido escuro tentando atingir o rosto de Elizabeth. Ela saltou, e deu um giro no ar , o que fez o líquido passar por ela e cair no gramado. Claire não sabia aquilo, mas era perigoso o suficiente, pois o liquido começou a corroer o gramado e um pouco do chão. Quando voltou os olhos para a mãe, ela deu outro golpe com a adaga cortando a cabeça dele.
Elizabeth voltou para dentro de casa e voltou trazendo uma bolsa.
– Segure essa bolsa querida, aqui estão algumas de suas roupas. Eu sei que é difícil. Mas você precisar ir para esse endereço. – Elizabeth disse entregando um papel. – Eu vou estar bem, Will irá te visitar e te explicar as coisas. Claire, sei que é difícil, mas enquanto estiver lá lembre-se que estou bem, nada vai acontecer comigo. E lá você estará mais segura do que aqui.
Elizabeth deu um beijo de despedida na filha e saiu correndo. Claire permaneceu parada no mesmo local por um tempo, tentando entender tudo aquilo, mas percebeu que não iria adiantar de nada ficar sozinha na rua, levantou do gramado e começou a andar pelas ruas de Nova York procurando o endereço. Ela chegou até uma rua que não era totalmente iluminada, ela era meio escura e foi procurando por entre os números. Mas não era possível. O endereço dava até um terreno vazio. Claire olhou para os lados torcendo para encontrar outro lugar, mas olhando com o canto do olho conseguiu enxergar uma grande escola construída naquele local. A escola tinha um grande portão, mas não era como se fosse de uma escola, era como se fosse o portão de uma casa, mas o resto tinha uma arquitetura de uma escola. Ela bateu na porta esperando que alguém chegasse. As luzes da entrada se acenderam e de longe ouviu um murmúrio. Mas era muito familiar. Ouviu passos se aproximando, a maçaneta começou a girar até que a porta se abriu. As luzes da rua não iluminava direito, mas em um momento viu um faixo de luz batendo nos fios escuros do cabelo, Claire finalmente conseguiu ver perfeitamente quem estava na porta. James.
Claire o encarou por um momento.
– O que você está fazendo aqui? — Ele disse olhando em seus olhos
– Eu... Você mora aqui? – Claire não conseguia dizer nada.
– Você não é uma simples humana não é? Como enxerga esse lugar? Sophie não vai gostar nem um pouco se uma alguém do mundo humano souber de tudo isso.
Quando alguma coisa atinge Claire com força.
– Um demônio, você com certeza não e uma humana comum.
James sacou uma lamina do bolso, e golpeou o demônio com força, ele sibilou, e tentou atacar James na nuca, ele pulou e se esquivou, foi rápido demais para qualquer pessoa que fosse fazer aquilo, com o ultimo lance, atacou o demônio, e ele desapareceu segundos depois.
–Entra, vou chamar Sophie!
Ele deixou Claire sozinha por um momento. Quando voltou estava acompanhado de uma mulher alta com cabelos prateados, ele reluziam na luz, ela tinha uma aparência jovem, daria a mesma faixa etária que Elizabeth.
– Como se chama? — Ela dizia em um tom carinhoso, como se já soubesse quem Claire era.
– Sou Claire, tenho 16 anos.
– O que aconteceu? — Ela olhava fundo nos olhos de Claire.
– Fui ataca por... Aquilo, minha mãe me deu o endereço daqui, disse que eu estaria segura.
– Como se chama sua mãe?
– Elizabeth.
– Elizabeth? Você é filha de Elizabeth? Ela fazia parte de nosso grupo, uma das nephilins mais habilidosas que conheci.
Claire congelou, não poderia acreditar naquilo que estava ouvindo.
– Eu... Não sei, só não estou entendendo nada, não to... Aguentando.
A única coisa que Claire sentiu foi seu corpo sendo tomado pela fraqueza e a escuridão estando mais próxima. Quando, desmaia.
– O que está acontecendo com ela? — Talvez poderiam ouvir o grito de Sophie desde o começo do corredor.
James se aproximou, Claire tinha um corte na altura do pescoço.
– Sangue de demônio, temos que levar ela para a enfermaria. — Foram as últimas palavras de James, antes de pegar Claire e correr pelo corredor com ela em seus braços.
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