Believer

3 Capítulo 2 - Déjà-vu.


Notas iniciais
Boa noite, povo lindo, que tem dado uma chance a história. Um breve aviso: Tentarei manter as postagens sempre nos dias de quintas feiras, mas espero postar mais cedo. Rsrsrsrs Lembrando que a história não esta sendo betada, mas tem sido escrita com carinho. Bjs e boa leitura.

–Sensei, tome mais um masu de saquê e ouça seus senpais…

— Cale a boca, Jiraiya! Você já está bêbado! Deixe o Aburame beber em paz.

– Fugaku! Shibi, é nosso kouhai. Precisamos ensinar a ele como funcionam as coisas na polícia. Sensei, venha cá. Aprenda com a sabedoria dos mais velhos: delinquente bom é delinquente morto!

— Jiraiya, já lhe disse. Não me chame de sensei. E, pare com essas pregações, sabe minha opinião sobre elas.

—Pregações?! Ouviu o que o garoto disse, Fugaku? Puta merda, gostei disso. Quem sabe um dia eu não te converta, senhor certinho.

– Calem a boca, os dois, afinal, estamos aqui para comemorar minha promoção, não para filosofar.

—Falou Uchiha Fugaku, o cara que acabou de ser promovido a delegado do departamento de polícia Kanagawa... Mas agora fale a verdade, chefe.

— Verdade sobre o quê, sábio de merda?

— Olhe para nosso jovem policial aqui... Você se surpreenderia se um dia nosso garoto prodígio não conseguisse mais lidar com esse caralho de violência da cidade grande e fugisse para dar aulas em uma aldeiazinha nos confins de Fukuoka?

— Não, eu não me surpreenderia.

— Viu só, Shibi? Eu e Fugaku pensamos igual. Você nasceu para ser professor, não policial.

—Não coloque palavras em minha boca, Jiraiya. Eu não disse nada disso.

— Vão para o inferno, vocês dois. Me deixem tomar meu saquê em paz...

Demorou alguns anos para Shibi compreender o porquê das constantes pregações dos seus amigos, em especial as de Jiraiya. Um dos homens mais íntegros e corretos que ele já conheceu. O policial encarava de modo peculiar o sistema de justiça criminal do qual os três faziam parte. Uchiha como delegado, Jiraiya como detetive de homicídios, e Shibi como investigador forense especializado em perícia criminal. Segundo o detetive, e Fugaku concordava com ele em alguns pontos, o sistema pendia para o lado de quem tinha mais grana ou uma boa carta de recomendação, muitas vezes facilitando a soltura de criminosos irrecuperáveis em detrimento de outros que realmente estavam aptos a retornar a vida em sociedade.

Shibi pensava diferente, a seu ver nenhum criminoso era um caso irrecuperável para o sistema.

Em certa ocasião, quando todo o departamento encontrava-se imerso em um caso de assassinato em série que estava mobilizando a polícia de Kanagawa, foram surpreendidos por uma denúncia anônima enquanto discutiam o caso na delegacia. Uma mulher ligou para o celular de Jiraiya e contou que em um bairro nobre da cidade, um homem de aproximadamente vinte anos, vinha mantendo em cárcere privado a namorada, uma adolescente de dezesseis. Julgando se tratar de trote, mas por descargo de consciência, o detetive decidiu checar a queixa e arrastou Shibi junto. Ao chegarem ao local encontraram a menina num estado deplorável, apresentando sinais óbvios de violência física e psicológica, no entanto, ao ser questionada se estava ali contra vontade, negou veemente. Coberto de sarcasmo, o namorado afirmou, após abraçá-la na frente de ambos, que a presença dela ali era consensual.

Jiraiya perdeu o controle e deu uns socos no sujeito.

Antes de deter o rapaz e levá-lo para a delegacia a fins de averiguação, Shibi chamou uma ambulância e contatou os pais da menor, contou-lhes o ocorrido e orientou-os sobre como registrar a ocorrência e pedir o exame de corpo de delito para comprovar as agressões contra sua filha. Chegando ao departamento descobriram a identidade do agressor: Momochi Zabuza, filho único de um importante político japonês. O jovem não esquentou lugar na instituição e saiu sob pagamento de fiança, realizada pelo melhor criminalista da cidade, que chegou à delegacia poucas horas após sua detenção. A adolescente, principal interessada em vê-lo atrás das grades, desistiu de prestar queixa e deixou a cidade com toda a família na manhã seguinte. O caso foi abafado, Fugaku transferido para Tokyo e Jiraiya afastado da polícia por um período indeterminado, de brinde ainda responderia a um processo por agressão que mancharia seu currículo de mais de vinte e cinco anos de serviços prestados à segurança pública de seu país.

Passados três semanas de todo o ocorrido, o detetive Jiraiya foi assassinado a tiros na porta de casa enquanto lavava a calçada. O crime causou revolta e comoção na opinião pública, a polícia de Kanagawa agiu com rapidez e em menos de quinze dias chegou ao autor dos disparos, que prontamente delatou o mandante do crime: Momochi Zabuza. Zabuza foi levado a julgamento e posteriormente recebeu sentença de prisão perpétua, a qual jamais cumpriu, pois quando deixava o tribunal escoltado e era levado até ao carro que transportá-lo-ia até à prisão onde passaria o resto de seus dias, foi alvejado. Um tiro de fuzil de precisão na nuca findou sua pífia existência.

Infelizmente a polícia de Kanagawa, jamais conseguiu encontrar o atirador profissional que efetuou o disparo.

******

— Vai ficar tudo bem, Shibi-sensei.

O professor esboçou um sorriso ao ouvir Tsume chamando-o de sensei. Aos quarenta e oito anos, em nada lembrava o policial presunçoso de vinte e cinco, que detestava ser chamado assim pelos dois melhores amigos.

— Tentarei retornar de Tokyo o mais rápido possível. Perdoe-me por ter que deixá-lo com vocês. – Precisava focar no presente, embora, com a morte de Fugaku, fosse obrigado a enfrentar seu passado

— Tomar conta do seu filho sempre será um prazer, além disto, na companhia dele... – Tsume sorriu ao apontar para o filho caçula, que brincava com Shino no tatame de sua sala – Esse moleque fica mais tranquilo. – Shino e Kiba montavam um enorme quebra-cabeça, sob a animada orientação de Hana, a filha mais velha da Inuzuka, uma linda adolescente no alto de quinze anos. – Leve o tempo que for preciso e resolva tudo que tem para resolver.

Tsume concluiu e o professor não conseguiu disfarçar a emoção na voz.

— Obrigado, Tsume. – O agradecimento transcendeu o momento atual, e Tsume, entendendo a situação, colocou a mão direita sobre seu ombro. Shibi sentiu-se abraçado pelo gesto afetuoso. – Por tudo.

Não havia palavras suficientes para agradecê-la por tudo que ela havia feito por ele e seu filho desde que chegaram a Fukuoka. Na época, Shibi encontrava-se perdido em meio às próprias dores e com um bebê nos braços que nenhuma culpa tinha dos pecados de seu pai. Tsume, que estava no sétimo mês de gestação de Kiba, acolheu-os como família ao invés de somente vizinhos, a mulher praticamente adotou Shino, a quem se referia como sendo seu filho de coração. Um sentimento muito bem-vindo, em um momento crucial no qual ambos os Aburames necessitavam de acolhimento.

— Por nada, meu querido amigo.

Shibi pegou sua mala de bordo, despediu-se dos Inuzukas e deixou um beijo na testa do filho. Ao entrar no táxi que o levaria ao aeroporto fez uma breve oração, pediu aos céus que realmente voltasse rápido para casa.

*********

A viagem foi rápida, voo direto e sem escalas. Shibi chegou ao Haneda Airport, às 19h45min da noite. Três horas e dezoito minutos após atender a ligação do detetive Hatake, que além de comunicá-lo sobre o assassinato dos Uchihas, Também lhe informou que havia comprado sua passagem aérea para Tokyo e reservado-a para o final daquela tarde. Revelando com tais providências o quanto era imprescindível sua presença naquela cidade.

– Aburame-san? – Seu nome foi chamado logo que pôs os pés na parte externa do Haneda.

Shibi ajeitou os óculos escuros sobre a ponte do nariz e gesticulou com a cabeça de modo afirmativo, como resposta o recém-chegado sorriu e realizou um breve ojigi o qual ele retribuiu.

−Detetive Killer Bee. – O policial se apresentou. Ele era alguns anos mais velho que o professor, sua pele era bronzeada e os cabelos bem claros. – É um prazer conhecê-lo.

− O prazer é meu.

Killer Bee pegou sua mala, mesmo sob seus protestos e o convidou a segui-lo até o seu carro estacionado a poucos metros. O trajeto até o bairro residencial onde ficava a localizada a residência de Fugaku, foi curto e sem maiores contratempos devido ao horário. O policial falou praticamente sozinho durante todo o percurso, obtendo vez ou outra alguns movimentos de cabeça por parte de Shibi, quando dirigia algum questionamento diretamente a ele.

— Esses desgraçados… – Killer Bee reclamou assim parou o carro em frente a moradia de Fugaku e Mikoto. Estava revoltado, devido à dificuldade para estacionar o veículo ali. Nos arredores da casa, além do isolamento no perímetro com as fitas zebradas no intuito de afastar curiosos, os policiais precisavam lidar com a impertinência de alguns repórteres. — Esses abutres, estão fodendo com o nosso trabalho, bagunçando toda a cena do crime a pelo menos um quarteirão − Vamos, o detetive Hatake está nos aguardando.

A cada passo dado no jardim rumo ao interior da casa, a rua movimentada ia sendo deixada para trás. Killer Bee cumprimentou alguns de seus colegas espalhados pelo quintal enquanto acompanhava-o para o interior da moradia. Lá dentro os sons das sirenes e dos rádios comunicadores das viaturas iam sendo substituídos pelas conversas entre alguns peritos e os ruídos proporcionados pelos disparos de uma máquina fotográfica. Shibi não estava ali para examinar vestígios que contribuíssem para o esclarecimento da tragédia ocorrida naquele lar, ou como o próprio Uchiha falaria. “Ouvir o que os mortos tinham a lhe contar através de seus cadáveres”. Contudo, seu olhar era treinado. Seria impossível ignorar algumas minúcias que saltavam aos olhos, tais como: a porta intacta com a chave para o lado de dentro, nenhum sinal de arrombamento...

− A vizinha da frente ouviu o cachorro latir insistentemente por um bom tempo e depois calou-se de súbito. Ela estranhou o silêncio na residência e veio ver se estava muito bem. − Killer Bee passou a narrar os fatos assim que colocaram os pés no genkan. Enquanto o detetive continuava a falar, a mente de Shibi agia no automático analisando o cenário ao redor.

Sobre a mesinha de centro havia algumas formigas melívoras fartando-se com as sobras de brigadeiro e pipoca doce que estavam em vasilhames sobre o móvel.

De repente Shibi começou a estranhar a cena do crime, era como um déjà-vu, tudo ao redor aparentava ser familiar demais para o professor, como se já tivesse visto tudo aquilo. killer Bee continuou reproduzindo o testemunho da vizinha e ignorando a expressão transtornada que começava a formar-se em seu rosto.

— Ao olhar pela janela ela viu o delegado caído ali... – O detetive apontou o corpo de Fugaku estirado aos pés da escada.

Shibi parou de ouvi-lo no momento que viu o corpo do Uchiha. Uma sensação de sufocamento passou a dominá-lo, a gravata em seu pescoço começou a apertar e a respiração ficou irregular. Sentiu-se tonto, enfiou o dedo indicador da canhota no colarinho no intuito de afrouxá-lo. Não era ilusão.

Ele já havia visto aquela cena de crime.

Colocou a mão no peito, estava a ponto de perder os sentidos quando a ouviu. Àquela voz firme, a mesma que escutou horas antes pelo celular.

—Aburame-sensei? – Shibi ergueu o olhar e encarou os intensos olhos escuros que os analisavam com ares preocupados – Falamos mais cedo ao telefone… – O homem estendeu a destra, mas Shibi demorou alguns segundos para segurá-la – Me chamo Hatake, Sakumo Hatake. É uma honra conhecê-lo.

Sakumo abriu um sorriso tranquilo, e quando ele apertou com firmeza sua mão, Shibi finalmente conseguiu respirar direito.




Notas finais
É isso. Capitulo repleto de informações, só espero que não tenha ficado cansativo para vcs. não queria dividi-lo por isso o deixei assim. Espero que estejam gostando dessa história focada no nosso querido Shibi. Bjs, até quinta.