Believer
4 Capítulo 3 - Coadjuvante e Antagonista.
Notas iniciais
— Por favor, sente-se.
O delegado apontou a cadeira em frente a sua mesa, estava calmo, ao contrário de Jiraiya que, às seis da manhã e levemente embriagado invadiu sua sala. Por certo o detetive já estava ciente sobre a decisão da agência nacional de polícia, a seu respeito.
— Não quero me sentar. Diga, é verdade? – Somente o olhar do superior lhe disse tudo que precisava saber, por isso continuou: – Dediquei preciosos anos da minha vida à polícia, por deus, Fugaku. Dei meu melhor à esta corporação. Isto é tudo que tenho.
Fugaku nunca soube como iniciar aquela conversa. Há horas tentava reunir forças para falar com o melhor amigo, mas ele foi mais rápido indo até si. O uchiha compreendia-o, melhor que qualquer policial daquela instituição, Jiraiya era um dos melhores e mais dedicados homens que passou por aquele departamento.
— Se ao menos tivesse controlado seu temperamento, não estaríamos nessa situação – Fugaku soube que começou da maneira errada aquele embate. Todo o cuidado e preparação de antes desceu pelo o ralo no instante que deu início aquela bendita frase.
— Meu temperamento? Você devia dizer, meu senso de justiça – Jiraiya passou andar de um lado para o outro no interior da sala. – Você é inacreditável.
— Droga! Você quase matou o garoto, na frente de inúmeras testemunhas. Não tínhamos sequer um mandado contra ele, apenas uma denúncia anônima, caralho!
— Garoto?! Como tem coragem de chama-lo assim? Se visse o estado daquela pobre menina, quando chegamos naquele endereço.
— A vítima não prestou queixa, nem mesmo deu as caras na delegacia, Jiraiya! Não temos nada contra o rapaz, só temos contra você!
O detetive, que não havia parado até o momento, o fez de súbito e socou a mesa do superior logo em seguida, causando um estrondo que chamou a atenção dos outros agentes que acompanhavam a discussão através da divisória de vidro que separava os ambientes.
— Aquele garoto rejeitou tal alcunha no momento em que deixou de agir como um ser humano. Momochi Zabuza mereceu cada chute e soco que dei na cara dele. Sabe disso, não sabe, Uchiha?
— O que sei ou deixo de saber, não faz diferença agora…
— Não? Ah, é verdade, me esqueci que seus valores mudaram desde que sentou-se nessa cadeira. Não é, senhor delegado?
— Não tem o direito de me julgar, estou apenas…
— Cumprindo ordens? É o que irá dizer?
— Sim, estou cumprindo ordens! E você as infringiu, não é muito diferente…
– Não me compare àquele lixo! – Cheio de fúria, Jiraiya avançou em Fugaku e o impediu de continuar falando, suas mãos foram direto para seu colarinho e ele o ergueu da cadeira. O Uchiha não esboçou nenhuma reação contra seu gesto hostil até que ele mesmo caiu em si e o empurrou de volta ao assento.
Um cansaço repentino atingiu ambos. Jiraiya finalmente se sentou e o delegado passou a destra pelo próprio rosto. Os dois amigos ficaram em silêncio por um longo tempo, até que Fugaku se levantou, foi até a porta, encostou-a e depois parou atrás da divisória de vidro, encarou alguns policiais mais enxeridos que entendendo o recado desviaram o olhar.
— Me perdoe... – Fugaku implorou, aproximando-se das costas do outro e o tocando no ombro – Sei o quanto é difícil...
– Não, você não sabe. Não faz ideia do que é se sentir descartável após tantos anos sendo leal a este uniforme – Jiraiya retirou a mão de Fugaku de seu ombro. – Jamais compreenderá o que acontece aqui – Espalmou a mão direita na altura do coração.
Atingido pelo peso da acusação, o Uchiha afastou-se dois passos, se sentia desleal àquela amizade, construída e solidificada ao longo de quase duas décadas de suas vidas, mas precisava fazer aquilo, do contrário, outro faria:
— Jiraiya, entregue-me sua arma e seu distintivo – Estendeu as duas mãos para receber os objetos. – Se te serve de consolo, este é meu último dia à frente desta delegacia. Fui transferido, minha família e eu, estamos nos mudando para Tokyo… É, eles não foderam apenas a sua vida.
Após demonstrar surpresa e uma leve hesitação, Jiraiya retirou a arma do coldre e o distintivo do bolso do terno, mas ao invés de entrega-los ao delegado, colocou-os sobre a mesa. Antes de sair do local, dirigiu-se a Shibi, que acompanhou toda aquela triste discussão sentado em silêncio numa cadeira ao fundo da sala. Para o Aburame, Fugaku e Jiraiya eram dois policiais excepcionais, seus ideais e valores eram semelhantes em grande proporção e inúmeros pontos, no entanto, eram totalmente opostos na hora de coloca-los em prática.
– Foi um imenso prazer conhecer e trabalhar com você, sensei. A gente se esbarra por ai – O detetive bateu continência, como costumava fazer sempre que se encontravam, e lhe deixou uma piscadela antes de sair porta afora.
Aquela foi a última vez que viu Jiraiya com vida e a primeira vez que viu os olhos do Uchiha marejados.
Odiava toda aquela movimentação, aqueles sons, luzes e cheiros… Talvez este tenha sido o estopim para o déjà-vu de antes, o real motivo para o bug em sua mente. Aburame Shibi detestava ter que estar ali. Ver aquela interação defronte, entre os detetives Hatake e Bee, era como assistir a um filme de terror antigo e o fazia recordar do porquê deixou tudo aquilo no passado. Decisão considerada radical por muitos dos seus colegas da polícia, mas da qual jamais se arrependeu. De fato, Jiraiya era um sábio. Em suas pregações e previsões, sempre esteve certo sobre ele e o caminho que tomaria no futuro.
Shibi só desejava voltar logo para sua casa...
*****
— Com certeza os assassinos encontraram o que procuravam.
— Assassinos?! Como pode ter tanta certeza que foram mais de um, Sakumo?
— Killer Bee, a casa não foi invadida, o sistema de alarme residencial, incluindo as câmeras de segurança, foram desligados, decerto pelo próprio Fugaku, através da sua digital. Não há sinais de luta ou resistência. Um agente treinado, ainda que aposentado, jamais se deixaria amordaçar e amarrar tão facilmente, a não ser que sua esposa e filho estivessem correndo perigo.
— Acha que o delegado os conhecia?
— Ouso dizer que não somente os conhecia, como foi ele quem os trouxe até aqui, provavelmente foi coagido a fazer isso. Estou certo que pelo menos um deles era conhecido da família, do contrário, Mikoto-san e Itachi não seriam eliminados... Bee, sonde com os vizinhos, descubra se viram alguém ou algo suspeito nos arredores, pesquise também se existem postes de segurança com câmeras de vigilância ao longo da rua, e se possível, também nas ruas vizinhas.
— Ok, tudo anotado.
— A detetive Nii já teve algum progresso com a vizinha que nos chamou?
— O que você consideraria progresso com aquela senhorinha? Sakumo, não sei se podemos confiar na mente daquela mulher.
— Killer Bee, confie. A detetive Nii Yugito consegue tirar leite da pedra… Sabe se já examinaram as mensagens da secretária eletrônica na casa?
—Sim, checamos. Não há mensagens comprometedoras e como você supôs antes não levaram documentos ou cartões da bolsa e nem da carteira que estavam na cena crime, embora elas estivessem reviradas. Também não encontramos nenhum celular ou notebook na residência. Devem ter levado todos, inclusive os do moleque.
— Killer Bee, certifique-se se o filho caçula deles tem celular ou tablet e se os aparelhos estão com ele agora, talvez tenhamos um pouco de sorte.
— Ok… Quando irá falar com o sensei? Ele está nos encarando há séculos.
— Por que cochichou o final da frase?
—Tenho medo que ele me ouça. Aquele professor me dá arrepios.
— Deixe de bobagens, Bee. Ele não está nos encarando, está somente processando e assimilando todas as informações com as quais se deparou até o momento. Sobre o fato dele te dar arrepios, comigo é diferente: eu o acho interessante.
— Hã?!
— Shh... não se preocupe, logo irei falar com ele...
*******
Passaram horas desde a chegada do professor a Tokyo e do seu choque inicial ao ver o corpo de Fugaku, além dos cadáveres de Mikoto e do filho mais velho do casal, Itachi. Nesse período Sakumo, que estava responsável pelo caso, lhe informou sobre o paradeiro de Sasuke, o caçula da família, de oito anos. O menino estava estudando na hora dos crimes, uma assistente social o conduziu para a casa de um familiar de sua mãe.
− Muito obrigado por atender meu chamado com tamanha urgência… − Sakumo interrompeu-se ao dar passagem aos peritos, que depois de realizarem todas as etapas dos exames perinecroscópicos e liberar a cena do crime, iniciavam a remoção dos cadáveres. Nesse meio tempo, permitiu-se observar o Aburame parado ao seu lado
Talvez sua curiosidade acerca do professor, se devesse ao fato de ter ouvido muito a seu respeito, principalmente em conversas informais com o falecido Uchiha Fugaku, que considerava-o como um filho. O delegado costumava salientar (com certo saudosismo) que o ex-policial explorava ao máximo o conhecimento que possuía nas diversas áreas em que se baseava a investigação forense para elucidar os casos criminais sob sua responsabilidade. Sua saída da polícia, segundo Fugaku, foi uma grande perda para a sociedade japonesa.
− Você não me deu muitas opções − Shibi respondeu enquanto observava o trabalho dos policiais que carregavam para fora os sacos pretos. Não demonstrou qualquer emoção que revelasse seu real estado de espírito, mas a verdade é que estava muito abalado com os assassinatos. Sentia enorme apreço pelos Uchihas e nada no mundo mudaria isso.
− Perdoe-me − Sakumo foi sincero ao pedir − Sei o quanto eram amigos, Imagino que deva ser difícil estar aqui...
Shibi ficou frente a frente com o Hatake.
− Eu tenho um filho de nove anos me esperando em Fukuoka, o qual mal me despedi direito quando deixei minha casa essa tarde... O que exatamente quer de mim, detetive? Não me chamou aqui apenas para reconhecer os corpos dos meus amigos, não é mesmo?
— Não. Você me pegou – Sakumo tentou ser engraçado, contudo Shibi não baixou a guarda.
— Então, diga logo o que tem para me dizer e eu poderei cuidar do sepultamento dessas pessoas – Dessa vez foi o Aburame, sob a proteção das habituais lentes escuras, que decidiu analisa-lo.
Sakumo tinha abaixo dos olhos escuros, profundas linhas de expressão. Era bem mais novo que Shibi, deveria ter aproximadamente uns trinta e cinco anos, mas certamente não era nenhum novato na polícia. Seus longos e prateados cabelos, os quais o professor poderia afirmar estarem tingidos, estavam amarrados em um rabo de cavalo baixo que não aparentava ser suficiente para conte-los, em especial a franja, onde os pelos espetados chamavam a atenção, embora também lhe concedesse ares joviais e mais rebeldes.
Sem jeito, o detetive olhou ao redor. Os policiais continuavam entretidos e imersos em seus trabalhos na sala do delegado, inclusive Killer Bee, seu parceiro, que entre um bate papo e outro com os legistas no ambiente, executava algumas rimas de rap e se gabava de ter sido convidado para realizar uma performance na boate mais badalada da atualidade em Tokyo. A boate, SUSANOO!
– O brigadeiro e a pipoca sobre a mesinha de centro… Creio que as mortes de Itachi e Mikoto-san…
— Não estavam nos planos dos assassinos – Shibi afirmou terminando a frase iniciada pelo outro.
— Mas sem as suas presenças aqui, jamais conseguiriam arrancar de Fugaku o que quer que fosse. Tenho certeza que quem assassinou os Uchihas procurava algo nesta casa, e pelo visto, teve êxito ao encontrar.
— A um alto custo.
— Infelizmente... Sasuke disse à assistente social que Itachi, excepcionalmente não teria aula hoje por esse motivo estava em casa. Deve ter sido ele quem preparou os doces. Creio que Mikoto-san nem teve a chance de sair para o trabalho, além dela estar arrumada, sua bolsa e as chaves do carro estavam sobre o sofá.
Sakumo sondou a expressão alheia, sabendo que a mente do professor estava trabalhando desde que pôs os pés no genkan e que com certeza ele já havia chegado a todas aquelas conclusões. Mesmo não exercendo a profissão há anos, seu nome não era uma referência no campo investigativo à toa. Decidiu que não faria rodeios, não com alguém tão inteligente quanto o sensei, então foi direto:
— Senhor Aburame, tudo que eu lhe disser a partir de agora não é oficial...
— Shibi, somente Shibi, por favor – O professor pediu ao interrompe-lo mais uma vez. Estava impaciente.
Que Itachi e Mikoto haviam sido mortos por queima de arquivo estava claro para Shibi. Mãe e filho estavam amordaçados no chão da cozinha, mãos e pés amarrados porcamente com retalhos de lençol, seus corpos haviam sido atingidos à queima-roupa, um tiro na testa de cada um, disparados por uma pistola com silenciador. Fugaku, embora também estivesse amordaçado, tinha os pés e mãos envoltos cuidadosamente numa espécie de fita isolante, o que o diferenciava dos outros cadáveres. Seu corpo estava estirado próximo a escada que dava acesso ao segundo andar e a entrada da cozinha, com certeza arrastou-se até ali na tentativa de chegar até sua esposa e filho, por todo seu corpo havia hematomas e ferimentos compatíveis com tortura, além de dois tiros em suas costas e um terceiro em sua testa.
— Okay, Shibi – Sakumo ajeitou a postura. – Há pouco tempo, creio que por ele não ter mais tanto acesso ao departamento, devido sua aposentadoria. Fugaku pediu-me que investigasse, extraoficialmente é claro, dois registros de arma de fogo.
— Por que ele pediria isso a você?
— Me fiz a mesma pergunta na ocasião, não era difícil para alguém como ele descobrir algo tão simples. Talvez quisesse se resguardar ou estivesse sendo monitorado, sei lá. Você o conhecia melhor que eu, Fugaku não era muito bom da cabeça, enfim, descobri que as armas estão registradas em nome de Kuwahara Junko.
—Kuwahara Junko, a esposa do atual delegado de Kanagawa?
— Sim, ela mesmo, além desse pedido, há duas semanas, Fugaku me procurou novamente e solicitou que descobrisse outra coisa. O atual endereço de uma pessoa chamada Yuki Haku.
– Yuki Haku?
— É. Talvez não se recorde dele, ou pensou tratar-se de uma garota quando você e Jiraiya o tiraram das mãos de Momochi Zabuza.
– Ele não era uma garota?
— Não. Qualquer um se confundiria devido sua aparência andrógina.
— Por que esta me contando tudo isso detetive? O que está tentando me dizer detetive?
Desde que iniciaram aquela conversa, foi a primeira vez que Shibi deixou transparecer tensão na sua voz e Sakumo percebeu.
— Não sei no que Fugaku estava metido, nem o que ele estava investigando. Depois que lhe devolvi as pistolas ele me mandou esquecer tudo o que descobri sobre elas, mas procurou-me outra vez querendo informações sobre Haku... Essa manhã recebi uma ligação dele, mesmo sabendo que ainda não tive tempo para conseguir o que queria.
— O que ele queria com você? — Por um momento o professor temeu aquela resposta e também o futuro. Sua mente, sem que entendesse o motivo, retornou ao dia que viu os olhos de Fugaku marejados pela segunda vez desde que o conheceu. Foi no quarto de hospital onde acordou vinte e cinco dias após o atentado a sua casa. Quando o amigo, a quem sempre considerou como um pai, lhe contou que era tarde demais para que pudesse enterrar Naoto e Torune, mais ainda, para encontrar quaisquer evidências que o ajudasse a descobrir e punir os culpados por suas mortes.
—Ele me pediu que o encontrasse no Sweets Café com urgência, mas como pede ver isso não aconteceu. — Sakumo deu um longo suspiro e lhe dirigiu um olhar cúmplice. Significativo demais para uma pessoa que havia acabado de conhecê-lo. Um olhar que era um misto de ternura e empatia — O delegado disse ao telefone que tinha algo importante para me revelar e que essa revelação mudaria tudo que sempre soubemos sobre a morte de Jiraiya, além dos assassinatos da sua mulher e de seu filho.
*****
— Se não tivesse cometido aquela burrice há doze anos, nada disso teria acontecido, seu idiota! Zabuza ainda estaria vivo e não teríamos tantas mortes em nossas costas.
— Suas costas, não é o que deveria dizer, querido papai? Perdoe-me, agora eu terei que desligar o celular.
— Onde você está? Não ouse desligar o telefone na minha cara, seu moleque desgraçado!
— Tchau, papai.
*****
— Dia difícil, docinho? Quer companhia?
A pergunta feita pela garota de programa foi ignorada. Ela não era o que ele buscava, não após tantos anos sem agir, não quando havia tanto o que comemorar, principalmente o fato de poder agir livremente outra vez.
Seu pai que fosse para o inferno, com todos os seus conselhos e preocupações desnecessárias.
Sob os protestos da mulher, seguiu adiante. Os passos lentos como sempre, olhos e mente atentos a tudo que acontecia a seu redor. Havia estacionado a moto a dois quarteirões dali e já perambulava pelas ruas de Kabukichō, há pelo menos duas horas. O distrito da luz vermelha, um dos maiores cartões postais de Tokyo, abrigava boates, casas de jogos, clubes de strip-tease e de acompanhantes, sem falar nas inúmeras opções de entretenimento "lícitas" voltadas para o público adulto. O local não era um lugar que lhe agradasse, pelo contrário, o enojova. Estar ali era ir contra todos os princípios aos quais mais prezava, entretanto, em via de encontrar a companhia ideal a seu propósito, valia a pena tamanho sacrifício.
E falando nela...
— O senhor tem reserva? – A voz grave da jovem, combinava perfeitamente com seus lindos lábios tingidos de vermelho. Ela se destacava ao lado das outras hostess na recepção da boate de nome, SUSANOO!
— Preciso de reserva para ter acesso a uma bebida forte? – Sorriu, como já não o fazia há anos. Ele era um homem atraente e tinha consciência disso, tanto que usava desse artifício sempre que lhe era conveniente. A moça, que só naquele instante retirou atenção da lista que tinha em suas mãos, o encarou por alguns segundos antes de retribuir seu sorriso, com outro ainda mais belo.
Sim, era ela. Tinha que ser.
— Resposta certa, mocinho – Seu tom de voz tornou-se menos formal e mais relaxado e então ela lhe cedeu passagem – Divirta-se em nossa casa.
Ele não se preocupou em agradece-la com palavras, no entanto a piscadela que recebeu, deixou claro o que precisava saber, então adentrou a boate com a certeza de que teria a melhor noite dos últimos anos.
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