Being A Millionaire
2 Capítulo 2
Ponto de vista: Perseu Jackson
Acordo com o soar do despertador em meu quarto. Abro os olhos e sinto minha cabeça latejar, provavelmente pela noitada de ontem. Olho o despertador e vejo as horas: Sete e quinze da manhã.
— Mas que droga! — reclamo ao bater no despertador, o fazendo parar de soar. — Quem foi o filho da puta que colocou despertador às SETE HORAS NO SÁBADO?! — grito, mas obviamente não havia mais ninguém no quarto, tirando a mim.
Bufo, e levanto da cama deixando ela desarrumada. Uma hora ou outra, apareceria alguma empregada para arrumar e deixá-la impecável. Sigo até a cozinha, e chamo pela empregada.
— Marie! Eu quero café! — exclamo.
Logo aparece a garota. Tem os cabelos castanhos e desgrenhados, apesar de estarem presos em um coque bastante firme. Seus olhos são castanhos escuros, que normalmente exalam medo. Ela olha para mim bastante assustada, por estar acordado a essas horas.
— Senhor Perseu? Já está acordado... O que deseja de comer e beber? Quer algum comprimido para ressaca senhor? — ela me pergunta, eficiente como sempre.
— Sim, pegue o comprimido por favor. — resmungo. — Quero um café e mais nada. Não tenho muita fome.
— Entendido senhor. — e sai para preparar o café.
Logo a menina volta com uma xícara de café impecavelmente branca em cima de um pires em uma mão, e na outra um comprimido e um pequeno copo d’água.
— Deseja leite senhor?
— Pelos Deuses, não.
Tomo o comprimido com a água em primeiro lugar, e depois levo a xícara de café para a boca. Bebo rapidamente, e logo saio da cozinha.
Ainda estava mal humorado por algum imbecil ter colocado o meu despertador às sete de madrugada. Perseu Jackson, acordando às sete? Inaceitável. Logo após sair da cozinha, me deparo com Rachel, uma das outras empregadas. Ela era ruiva e tinha muitas sardas no rosto. Seu corpo era cheio de curvas e seus movimentos enquanto limpava eram atrevidos.
— Rachel, você sabe onde está a governanta? — pergunto para a empregada.
Seu rosto cora ao me ver falando com ela.
— Senhor, a governanta tirou o dia de folga hoje. E, uhm... Seu pai o mandou ir até ao escritório dele quando acordasse.
— Obrigado. — digo, embora não esteja agradecido.
Então era culpa daquele velho que eu estava acordado agora? Pois eu iria vê-lo imediatamente, e depois voltaria a dormir. Ou quem sabe, sair para um bar mesmo sendo cedo demais.
Bato a porta do escritório e ouço a voz rouca de meu pai me mandando entrar.
Entro e bato a porta rudemente, o fuzilando com os olhos.
— Por que diabos estou acordado a essa hora?! — exclamo indignado a ele.
— Tenho um assunto a lhe tratar.
Franzo o cenho e sinto a raiva me dominar.
— E tinha de ser a essa hora?! Poderia ser mais tarde!
Ele me olha com uma expressão fria, que me dá calafrios.
— Não, não poderia! E cuidado com os modos, eu sou o seu pai!
— Embora não aja como um. — murmuro baixo para que ele não escute, mas ele escuta.
— Não ajo? Sério Perseu?! Eu te dou TUDO que você quer, nunca te neguei NADA! — ele grita para mim. — E é realmente sobre isso que eu vim lhe falar! Você ganha tudo o que quer, e não faz nada em troca. Estou cansado de mentir para a sua mãe o motivo de você desaparecer por algumas noites. Chega de ser irresponsável!
Ele diz e eu o encaro sem dizer nada, totalmente perplexo.
— Hoje, vamos ganhar uma nova moradora nessa casa, se tudo ocorrer bem. — começa o meu pai. — E ela fará parte de sua vida... Será sua esposa. É o fim das suas noites de putaria. — diz seriamente.
Começo a rir, incrédulo.
— Esposa?! Você está de brincadeira comigo, certo?! Eu não sou sua criancinha, “papai”. Eu sou de maior. Eu faço o que quiser, e com certeza caso com quem eu desejar! Pare de me tratar como uma criança. — urro para ele.
Seus olhos esbravejam fúria, e o vejo cerrando os punhos.
— Quer que eu pare de te tratar como criança, Perseu?! Então pare de agir como uma! — grita o meu pai, após bater o punho na mesa. — Você vai sim casar com a moça! Ou você não vai herdar NADA da minha empresa e te ponho para morar em um apartamento de quinta, sem nenhum dinheiro!
— Você não ousaria... — começo e ele apenas ri.
— Não ousaria?! Diga uma coisa que você fez nesses últimos dois anos que eu possa me orgulhar! Nada. NADA! Você era um bom garoto. Vou fazer com que você volte a ser daquele jeito!
— Eu nunca vou voltar a ser como era. — digo ressentido.
— Não faça com que um término com uma vadia vire sua personalidade, Perseu. — diz meu pai em um tom calmo. — Agora volte ao seu quarto e se arrume, porque quando eu voltar trarei sua futura esposa.
***
Ponto de vista: Annabeth Chase
Finalmente o motorista do tal Poseidon, meu futuro sogro — estremeço ao pensar nisso — , para em frente a uma enorme mansão. Ele abre o vidro do carro e passa um cartão em algo que eu não vejo, e um enorme portão se abre. Após o carro se estacionar, o motorista abre a porta para mim e para Poseidon e saímos do carro.
Olho em minha volta e me sinto deslocada. Eu, toda descabelada, suja e destratada dentro de uma ilustre mansão que parecia aquelas de filme.
— Vamos entrar? — pergunta o meu futuro sogro, me assustando.
— Sim. — tento forçar um sorriso, mas estava amedrontada e ansiosa demais para isso.
Ele abre a porta da mansão, e adentramos.
— Gostou da minha casa, Annabeth? — ele me pergunta.
— Sim. Ela é... Uhn... Gigante. — digo e ele dá uma pequena risada. — Não consigo imaginar você como amigo do meu pai. —digo o nome do meu pai com uma entonação de desprezo, mas ele não parece se importar.
— Na verdade, eu não sou amigo do seu pai. — ele me diz e eu o encaro. — Eu era, hã... Amigo da sua mãe. Fiz o favor por ela. — diz em um tom de compaixão visível e eu me pergunto se algum dia ele já fora apaixonado por ela.
Não digo nada, pois não tenho nada a falar.
— Eu vou pedir que uma de minha empregada providencie um quarto para você, e a outra arrume um banho quente e roupas frescas e novas. — ele diz.
— Obrigada.
Ele apenas sorri em resposta.
— Laura e Rachel! — ele exclama e logo aparecem duas meninas.
A primeira aparentava ter uns sessenta anos. Tinha um cabelo curto e completamente grisalho e um sorriso amável. A segunda aparentava ter mais ou menos a minha idade, uns 18 ou talvez um pouco mais velha. Tinha cabelos cacheados e ruivos, e varias sardas pelo rosto. Usava roupas bastante atrevidas para estar trabalhando e já não me simpatizei com ela de primeira.
— Sim senhor? — diz a ruiva.
— Providencie um banho de banheira quente e roupas para a Annabeth. — ele diz apontando para mim. — E quanto a você Laura, leve-a para o maior quarto vazio que tivermos, pois ela irá morar aqui.
As duas não perguntam nada, embora a mais nova tenha as sobrancelhas erguidas.
— Entendido. — falam as duas.
— Siga-me, senhorita. — diz Laura, a mais velha.
Ela me conduz até uma porta, e a abre. Assusto-me ao ver o tamanho do quarto. Era gigante e incrivelmente luxuoso. Suas paredes tinham um tom pêssego e nele havia algumas mobílias como uma escrivaninha, uma penteadeira, uma enorme cama de dorsel de casal e um guarda roupa cor tabaco em um canto. Tinha uma porta no fundo, o que eu imaginava ser o banheiro.
Logo aparece Rachel adentrando ao quarto com uma enorme mala e entrando na outra porta que tinha nele, provavelmente para arrumar o meu banho.
— Esse será o seu quarto senhorita. — diz Laura gentilmente. — Sinta-se em casa e use qualquer coisa que estiver nele. Se não quiser algo dele ou quiser algo, me chame que eu providenciarei.
— Obrigada senhora. — digo sorrindo.
— Não há necessidades de cortesias ao falar comigo, sou sua empregada. — diz, mas percebo o tom de aprovação em sua voz.
Rachel, a outra empregada sai do banheiro e me entrega a enorme mala.
— Aqui tem algumas roupas. Agora são suas. Se não lhe servir, chame uma empregada. — algo no tom de voz dela sugere que eu não a chame. — E seu banho já estrá preparado. — diz e sai do quarto.
— Tenho de me retirar agora senhorita... Qual seu sobrenome? — me pergunta Laura.
— Chase, mas pode me chamar apenas de Annabeth.
Ela parece ignorar o que eu digo.
— Senhorita Chase, estarei esperando você fora do seu quarto. Se arrume e depois a levarei ao escritório do senhor Jackson. — e logo ela sai do quarto, me deixando sozinha.
Não sei o que há em mim, mas começo a rir de nervoso.
Há um mês minha mãe falecera, algumas semanas meu pai ficara endividado e em algumas horas estava presa por mafiosos. E agora estava indo tomar banho em uma mansão que supostamente seria a minha casa.
A vida era muito inconveniente.
Adentro no banheiro e vejo uma banheira com água quente e bastante espumas a minha espera. Logo dispo-me e entro na banheira. Fecho os olhos e me permito relaxar por alguns minutos. Eu me lavo rapidamente e logo saio de lá, pois me sentia incomodada deixando Laura me esperando.
Seco-me com uma toalha e saio do banheiro, indo em direção a mala para pegar alguma roupa. Ao abrir, me assusto ao constatar que só havia roupas de grife. Visto a primeira calcinha e langerie que encontro. Depois procuro a calça jeans mais “simples” e uma regata listrada. Visto e saio do quarto, encontrando com Laura a minha espera.
— Pronta para ir ao escritório do senhor?
Na verdade, eu não estava. Provavelmente nunca estaria. Mas assinto.
Ela me guia por algum tempo e depois bate na porta.
— Entre. — escuto a voz de Poseidon.
Entro sozinha, e Laura fecha a porta.
— Queria me ver senhor? — pergunto.
— Sim, mas não há necessidades de cortesia comigo. Pode me chamar de Poseidon, ou de tio Popo. — diz o homem com um rosto sério.
Seguro a risada. Tio popo? Sério?
— Foi uma brincadeira! — ele diz após ver minha expressão e começa a rir. — Mas pode realmente me chamar de Poseidon.
— Então Poseidon, queria algo comigo?
—Sim. Vou te apresentar ao meu filho e ao seu futuro esposo. — escuto alguém batendo a porta. — Deve ser ele. — diz Poseidon satisfeito. — Entre!
E vejo a maçaneta girar.
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