Beije-me Sebastian

2 Em um único olhar


Notas iniciais
esse livro é um pequeno conto, ou eu acho que é pequeno...

Capítulo 02

Três anos depois

—Sebastian você pode ir com Drummond na feira? Preciso de batatas e feijão preto. Ah! E tragam farinha. Minha sobrinha, pobrezinha, perdeu o pai em um duelo e a mãe fugiu com um comerciante, e agora ela vai morar comigo aqui na pensão.

Sebastian deu de ombros saindo à procura do amigo, ele iria mesmo sair essa manhã, precisava ver com seus próprios olhos se a obra já estava sendo finalizada, depois de três anos esperando a finalização, finalmente começava a ver a esperança de voltar para casa, e trazer de volta a madre e as demais mulheres. Durante esse tempo ele se acomodou na pensão da madame Jojo, uma mulher excêntrica, mas amável como uma mãe, ela o abrigou sem ele precisar pagar, é claro que ele retribui a bondade da dama com trabalho, depois que ele se mudou para lá as coisas melhoraram para ela, o chuveiro não dá mais problemas, as escadas não rangem mais, o quintal vive bem aparado e ela não precisa mais se preocupar com ir às compras. Ah! E ela nunca, nem sequer uma vez o chamou de padre, as pessoas aos poucos foram esquecendo que ele é padre, bem, na verdade ninguém fora do convento sabia que ele era, pois o padre Constantino, que deus o tenha, estava o ensinando para que o jovem tomasse o seu lugar quando o velho se fosse, o problema é que ele se foi no dia do incêndio, deixando a todos o desconhecido Sebastian e sua dor.

—Você ficará mesmo responsável pela igreja, Sebastian? Por que não aproveita e vive como uma pessoa normal. —Comentou Drummond sacudindo o saco de moedas que Jojo lhe entregara.

—Sou um padre, tenho meu compromisso com o divino, e jamais voltarei atrás com minha decisão.

—Nenhuma dessas pessoas o veem como padre. —rebateu o amigo, parando em frente a um vendedor de legumes.

—Bom dia, padre, passei pela praça hoje cedo, a reforma está quase concluída. —Sebastian agradeceu e sorriu para o senhor moreno de cabelos brancos lhe entregando moedas em troca de quinze batatas. Depois se virou para Drummond e disse com ironia:

—O que você falava?

—OK, apenas o pessoal da pensão, mas Sebastian, você nunca desejou se apaixonar? — com uma gargalhada ele se virou

—Me apaixonar? Está escrito que devemos nos afastar das paixões.

—Não seja inconveniente, quero dizer amar alguém

—Eu amo meu criador. Isso não é suficiente? —O outro fez uma careta de insatisfação negando. Sebastian suspirou, pegando um saco de farinha e o entregando para Drummond. —Para mim é mais que suficiente. Agora leve isso para Jojo.

—E você? Não vai voltar comigo?

—Não, vou à igreja.

Os dois deram um breve até logo e cada um seguiu por um caminho diferente.

Sebastian entrou na igreja, alguns homens acenaram para ele quando passou, e seguiu para o altar, depois passou pela pequena porta que ligava ao convento. Parou, e a imagem das pessoas correndo de um lado a outro com baldes de água lhe veio a mente, e depois tiraram padre Constantino todo queimado o fez sentir sua bile subir, fechou os olhos, e deu as costas.

Quando estiver pronto e todas as pessoas de antes estiverem novamente lá, ele entraria de cabeça erguida e comandaria a casa de deus com dedicação, mas agora não, agora ele não estava pronto.

Ele praticamente saiu correndo da igreja, os trabalhadores não se assustaram, ele fazia isso todas as vezes, mas todos fingiam que não viram, e disfarçavam a pena. Sebastian atravessou a porta como um furação, com os olhos fechados para espantar as lagrimas, mas bateu com força contra uma mulher que ia cair, mas ele foi agiu e a segurou apertado, ele só viu o decote, muito perto, quase colado ao seu rosto, bem, estava colado ao seu rosto, ele a afastou como se tivesse lhe queimando a pele.

—Desculpe-me, senhorita. —disse sem encará-la, contudo, uma mão enluvada tocou-lhe o queixo erguendo-lhe sua cabeça para fita-la, maldita hora em que Sebastian foi olhá-la nos olhos. A mulher mais perfeita que o pobre homem já vira em toda vida, olhos pequenos de cor amendoada, lábios bem desenhados, um nariz mais perfeito que das muitas estatuas que ele já vira, e os cabelos claros como os raios de sol em uma tarde de verão no lago, e sua pele pálida, ele desviou o olhar quando seus olhos teimosos desejavam descer até as montanhas demoníacas da perdição e se jogar nas profundezas escuras ainda não percorridas pelo homem.

Estava em completo torpor, e ela? Ela não se encontrava nem um segundo atrás, estava tão absurda em sua analise de seu corpo rígido e montanhoso perfeitamente pintado pelo sol, os cabelos longos até o ombros mostravam selvageria, como se ele fosse um homem selvagem a espreita de desnudar a pureza de uma jovem. Ela fitou seus olhos, olhos penetrantes e absurdamente claros, pareciam verdes, mas eram castanhos, a pele dele fazia seus olhos mudarem de cor.

Ele se afastou puxando a gola da camisa, ela gemeu acompanhando o ato, e ele a fitou, parecia que toda a água de seu corpo tivesse evaporado. O desconcertado Sebastian engoliu em seco antes de dizer:

—Tenha mais cuidado, moça. —e assim correu para longe, o mais longe que pode da tentação.