Beifong

2 10 Meses - Falando


Notas iniciais
Capítulo meio (totalmente) entediante. Não tenho muito contato com bebês, então talvez tenha ficado meio sem noção. Até pensei em pular esse capítulo, mas a cena não saía da minha cabeça. Então... Aí está.

-Por favor, mande Kori vir aqui. AGORA.

O guarda fez uma reverência e deu as costas a Poppy, que, concentrada, prendia uma mecha de cabelo no alto da cabeça com uma fita verde.

Estava se arrumando para uma reunião das famílias mais ricas de todo o Reino da Terra. Os Pangs de Omashu, os Yi Lins e os Yum Soon Hans de Ba Sing Se, e, é claro, os Beifongs, de Gaoling, provavelmente os mais ricos entre os quatro. Viajaram por três dias e estavam em Ba Sing Se.

Todos diziam ser uma reunião entre amigos, mas para Poppy e as mulheres das outras três famílias, era quase uma competição para ver quem tinha o vestido mais caro. E para Lao e os homens, era também um tipo de disputa de quem andava melhor comercialmente.

Porém, todos os presentes na reunião eram adultos. Poppy nem sonharia em levar Toph, principalmente por causa dessa “fase barulhenta” que ela passava.

-Mandou me chamar, Poppy? – Kori chegou poucos minutos depois.

-Sim. Lao e eu sairemos em breve para a nossa reunião com as outras famílias. Preciso que fique com a Toph.

“Não foi pra isso que eu vim?” pensou Kori.

-Claro, senhora Beifong.

-Ela está no quarto ao lado – Kori fez uma reverência e saiu. Poppy nem sequer desgrudou os olhos do espelho para falar com ela. Que consideração.

Assim que entrou no quarto onde Toph estava, Kori deu de cara com dois guardas com o símbolo da família Beifong na roupa segurando Toph sem jeito e tentando trocar a fralda dela.

-Vocês estão deixando a menina de cabeça pra baixo! – Kori correu até onde estavam e a pegou dos braços deles. Em seguida pegou a fralda e a colocou sobre a mesinha. Sabia que não era o lugar adequado para isso, mas era o que tinha na hora. Ela trocou a fralda da pequena Toph enquanto os homens se perguntavam como ela fazia aquilo tão rápido.

-Vocês dois, levem isso para fora – disse, entregado a um deles o lenço sujo.

-Ah, er, sim – os guardas acordaram de um transe. Tampando o nariz, saíram do quarto e seguiram pelo corredor de pedra. Logo em seguida, Lao apareceu na porta.

-Kori, já vamos partir.

-Quanto tempo pretendem ficar fora, senhor?

-Algumas horas. Voltaremos antes da meia noite. Tome conta de Toph enquanto isso.

Lao entrou e pegou a filha no colo, bagunçando o cabelo dela. Toph, em resposta, puxou uma mecha do cabelo do pai, desfazendo o coque. E riu.

-Ah, que ótimo. Vou ter que fazer tudo de novo — disse, desamarrando a fita — o que você faz com a Toph pra ela não puxar o seu cabelo?

Antes que Kori pudesse responder, Lao não estava mais lá.

-Ah, Toph, você me faz rir – disse Kori, enquanto botava o vestido em uma bebê sorridente – AI! Quem disse que você não puxa meu cabelo? Ai, ai, para!

Toph riu, parando de puxar o cabelo de Kori.

-Mas que menina atacada!

-Kori – um guarda a chamou da porta – Poppy mandou te lembrar de fazer a mamadeira da Toph.

-Eu não esqueci.

O guarda se retirou. Segundos depois, outro apareceu.

-Kori, Poppy disse para não deixar a Toph sair de vista.

-Não se preocupe, eu não tiro os olhos dela.

-E mandou pentear o cabelo dela.

-Já tinha feito isso antes.

-E mandou dar comida para ela.

-Poderia pedir para algum cozinheiro fazer isso e a mamadeira?

-Claro – ele fez uma reverência e saiu.

Kori prendia o cabelo de Toph quando outro homem entrou, dessa vez um mordomo ao invés de um guarda.

-Já trocou a fralda da Toph, Kori?

-Já ¬¬

-Já deu comida pra ela?

-Alguém deve trazer logo a comida.

-Já penteou o cabelo dela?

-Já.

-Já arrumou a—

-JÁ, EU JÁ FIZ TUDO QUE TINHA QUE FAZER.

-Acalme os nervos, Kori – disse, espantado – que tal um chá ou—

-Eu estou bem, caramba!

-Se você diz...

O mordomo saiu, assustado. Kori se preparou para ouvir mais alguém dizendo seu nome e ficou esperando uma voz. Mas a voz não veio.

-Até que enfim me deixaram em paz – disse para Toph – ser sua babá dá muito trabalho. Achei que não iam parar de me chamar nunca.

-Koli.

Kori:

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A babá virou com raiva para a porta, pronta para dizer que sabia cuidar da Toph e que não precisava de ninguém para dizer o que fazer. Mas percebeu que a voz não vinha de lá. Na verdade, era uma voz fina e baixa. Voz de bebê.

Ela se virou a tempo de ver Toph repetindo “Koli” e rindo em seguida.

-Toph! O que você disse??

-Koliiiiiiiii! – respondeu, puxando o cabelo dela.

-A Toph está falando. A Toph está falando! Seus pais têm que ver isso!

Kori a pegou no colo e saiu rapidamente do quarto, com esperança de ainda encontrar Lao e Poppy. Toph puxava seu cabelo e ria sem parar, repetindo “Koli Koli Koli”.

Depois de esbarrar em alguns guardas, quase dar de cara com uma parede e derrubar a bandeja de um cozinheiro, Kori finalmente chegou do lado de fora da “casa” dos Beifongs. E saiu bem a tempo. Poppy ainda não tinha entrado na carruagem.

-POPPY! Poppy, espera aí!

A mulher olhou para Kori, que surgiu do nada, toda esbaforida.

-O que houve? Algo errado?

-Não, muito pelo contrário – ela tentava falar, mas estava ofegante demais, Poppy quase não entendia – algo certo. A Toph falou!

-O que? – Lao botou a cabeça para fora da carruagem quando ouviu isso.

-Um monte de guardas entrava e dizia o meu nome... E aí a Toph repetiu. Ela disse “Koli”.

-Como assim? Foi do nada?

-Foi, eu até achei que era outro guarda.

-Ooooowwn, minha filhinha falou! – Poppy pegou Toph no colo – fala com a mamãe, fala?

Toph não abriu a boca.

-Vamos, Toph, fala.

Ela não fez um único som. Kori se perguntou porque Toph não queria falar, um segundo atrás ela não parava de repetir “Koli”.

-Tem certeza que ela falou?

-Absoluta!

-Então porque ela não fala agora?

-Toph, diz Kori. KOOOO-RIIIII.

Ela não dizia nada.

*****

27 minutos depois.

-Não acredito que ela ainda não falou...

-Perdemos meia hora! Já estamos atrasados para a reunião!

-Mas é por uma boa razão... É por causa da sua filha...

-Kori, essa reunião só acontece uma vez por ano – “que consideração com a menina” pensou ela – imagina o que vão pensar de nós quando chegarmos meia hora depois do horário?? Lao é praticamente o “rei” de Gaoling, não podemos cometer esse tipo de deslize!

-Estou te dizendo, a Toph falou! Falou “Koli”! Até o mordomo ouviu!

-Não acho – Lao passou Toph para ela – parece que você anda ouvindo coisas.

-Mas eu juro, ela falou!

-Não precisa dizer isso. Já estamos atrasados, não vamos brigar com você agora.

-O que quis dizer com isso?

-Que não precisa mentir.

-Mas eu... Eu não...

“Ora essa! Preferem não acreditar que a própria filha falou do que faltarem uma simples reunião!”.

-A Toph só tem 10 meses, Kori. Provavelmente não vai aprender a falar tão cedo.

-Minhas desculpas – decidiu não discutir. Sabia que Poppy nunca aceitava que estava errada. E nessa situação, não teria a mínima chance de isso acontecer.

-Não esqueça de dar comida para ela – disse Poppy antes de entrar na carruagem. Lá de dentro, ainda se ouviu a voz dela, abafada, dando ordens ao condutor: -Vamos, vamos, estamos muito atrasados. Ande rápido!

Kori suspirou.

Assim que Poppy e Lao sumiram de vista, Toph puxou o cabelo da babá e riu.

-Koli!

-Não era agora que você tinha que dizer isso, Toph...

Notas finais
~Toph troll~
Eu avisei que estava entediante -_- na verdade, esse e o próximo capítulo são só enrolando. A história começa de verdade no cap. 4. Desculpem por isso, mas não tinha como simplesmente pular do nascimento da Toph pros 4 anos.
Sobre essa "fase barulhenta", bem... Digamos que ela não para quieta um segundo.
Deixem um review! :} Um soco a la Toph troll