Eu já estava chegando ao meu limite, tinha um psicológico pouco resistente.

Me sentei à beira da cama, com uma sensação horrível na garganta, minha voz mal saia. Peguei o espelho de bolso que estava no bidê e olhei meu pescoço. Estava cheio de marcas vermelhas, me pergunto como não acordei no meio do sonho por causa do aperto que deixara marcas fortes. -Eu deveria ter acordado por falta de ar, eu acho.-Pensei. Fiquei um tempo sentada na beira da cama ouvindo o som que vinha da rua, observando os móveis remotos da casa, pensando no nada. Eu estava precisando visitar alguém e passar uns dias fora, parecia que meu apartamento velho e solitário estava me enlouquecendo. Arrumei algumas malas de roupa com o básico para alguns dias, e fui na casa da minha irmã que morava sozinha também.

–Beatrice quanto tempo!-Minha irmã já veio me abraçando. Eu não era muito chegada à contato físico, então apenas soltei um sorriso para confortá-la. Sem perder muito do meu tempo, fui pedindo pelo quarto de hóspedes. Clara -minha irmã- havia percebido que eu não estava muito bem, e me poupou de perguntas sem sentido. Chegando ao meio dia, ela convidou para almoçarmos fora, pois queria que eu me divertisse. -Ah vamos, pare de ser antissocial.- Ela falou debochando, e de graça ganhei um tapinha no ombro. No caminho fiquei lembrando que da última vez que sai para almoçar fora, vi aquela moça de beleza inconfundível. -Será que algum dia volto à vê-la?- Pensei comigo mesma.

Chegando ao restaurante, eu não parava de olhar para os lados, e Clara já estava se sentindo incomodada. -Que foi Bea, sente-se mal?- Ela parecia preocupada. -Nada não.- Sorri para mostrar que estava tudo bem. De fato a moça do vestido branco não estava por perto, e eu já me sentia uma idiota fissurada em pessoas bonitas.

Depois de umas horas dando voltas e comendo bobagens pelos parques do bairro com minha irmã, fomos para casa assistir filmes. Já estava tarde e eu estava ficando com sono, pois há algum tempo não conseguia dormir direito. -Clara eu já indo pra cama...- Falei já bocejando e me dirigindo ao quarto, ela só fez uma cara de ''tudo bem'' e voltou a prestar atenção no filme que não me recordo o nome.

Cai no sono, e uns 40min se não me engano ela também foi dormir, desligando todas as luzes da casa. O silêncio era perturbador.

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Clara:

Eu estava dormindo ''de boas'', até que ouvi uns barulhos estranhos vindos do corredor. Me levantei no escuro para ir ver, até que avisto uma ''coisa'' brilhante que parecia uma pessoa. Eu achei que estava vendo coisas pois tomava remédio para dormir, mas a ''coisa'' apontava para o quarto onde estava Beatrice, e fui lá vê-la. Quando abri a porta, ficou meio difícil de acreditar no que eu estava vendo. A claridade da janela deixava o quarto iluminado -havia um poste de luz logo ali na rua- e eu podia ver Bea se batendo contra a parede, com sangue escorrendo da testa. Por uns dois segundos fiquei em choque vendo a cena, corri acender a luz e fui em direção à Bea para pará-la antes que se ferisse mais. Foi ai que me surpreendi. Ela segurou meu braço e cravou suas unhas fundo na minha pele, mas eu não queria deixá-la mais atordoada,e falei -quase gritando- para que me soltasse. -MORRA!- Ela gritou com uma voz super rouca, o que me deixou com mais medo ainda da situação. Por um momento ela aliviou seus dedos do meu braço, ainda segurando-o, deu dois passos para trás e pegou uma tesoura que estava na cabeceira da cama, a qual eu usava para consertar algumas costuras, e mirou em meu peito. Eu consegui desviar, mas acertou minha mão. O corte era enorme, minha mão sangrava horrores mas eu não saia de perto dela, não sabia o que fazer, estava muito tonta pelo remédio. Quando consegui segurar as mãos dela, depois dela me cortar várias vezes e gritar para que eu morresse, a juntei ao meu corpo em um abraço apertado, pedindo para que se acalmasse, e claro, a segurei com as forças que eu tinha, já não aguentava mais as retalhações. Agradeço por estar dormente por conta do remédio, amenizou algumas dores.

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Beatrice:

Acordei em um hospital com uma tremenda dor de cabeça, e na cama ao lado podia ver minha irmã dormindo, com muitas faixas pelo corpo. -O que diabos aconteceu?- Sussurrei. Me veio um flash na mente, e lembrei de quase tudo que aconteceu no sonho, foi horrível. Aquela mesma mulher, no mesmo lugar de sempre, mas desta vez ela me machucava pra valer. Queria lembrar o porque dela me maltratar tanto, mas quanto mais eu tentava lembrar, mais doía minha cabeça.

Chamei pela Clara para ver se estava tudo bem, mas ela dormia profundamente, então acabei pegando no sono também, queria saber porque doía tanto minha cabeça, e porque ela estava tão machucada, mas não havia médicos na volta. -Tudo bem,pergunto depois o que houve...- Sussurrei novamente.