Behind the Sea
1 When the prince ran away
Notas iniciais
Como é YunJae, obviamente seria dedicada à linda da Giih ♥
Boa leitura~
Visto de cima, o mar estava calmo, com ondas muito baixas e águas muito claras. Mas lá no fundo, bem lá no fundo, onde a areia branca cintilava em pequenas conchas e era colorida por diversos moluscos, as coisas estava agitadas.
Os peixes nadavam apressadamente de um lado para o outro, nervosos para o grande evento do dia. Esbarravam-se, murmuravam para si mesmos, alguns conversavam, alguns andavam em bando. Mas todos tinham o mesmo objetivo: a grande festa de aniversário do príncipe.
O castelo, construído com as mais brilhantes, coloridas e belas rochas marinhas, começava a ter seu jardim lotado. Todos os animais do reino não queriam perder a grande festa do ano. Vieram de todos os tipos: peixes, tubarões, baleias, golfinhos, estrelas do mar, caranguejos e, até mesmo, pequenos plânctons.
Príncipe JaeJoong, filho único do rei Tritão, completava dezesseis anos. E em comemoração, o rei daria um baile, onde todos fossem convidados e, quem sabe, seu filho se apaixonasse por alguma das belas sereias habitantes das redondezas.
Mas muito longe dali, mais para trás das barreias de corais, próximo o suficiente do violento mar aberto, quase fora das fronteiras do reino, encontrava-se o príncipe.
Sua pele pálida parecia gritar que vivia dentro de uma caverna, sem a limpa luz do sol que atravessava as águas salgadas. Seus cabelos negros brincavam rebeldemente com o movimento débil das pequenas ondas provocadas pela brisa matinal. Seus olhos castanhos eram curiosos e brilhavam, olhando para o horizonte, mais acima da superfície, esperando.
Não sabia exatamente o que esperava, mas esperava. Dia e noite, incansavelmente.
“Vocês ainda acreditam que isso vai acontecer?” ChangMin indagou, aproximando-se do príncipe e dos dois golfinhos reais, SuHoon e HyunChul.
ChangMin era a lagosta mordomo do rei, mas, na maior parte do tempo, servia de babá do travesso príncipe, que achava a vida real tediosa demais.
“HyunChul disse que o pressentimento está mais forte.” Respondeu Jae, com um sorriso sonhador nos lábios, ainda fitando o horizonte.
ChangMin revirou os olhos, impaciente, usando uma de suas pinças para beliscar com uma leve força o braço do menino, que gemeu, levando os dedos pálidos ao local, agora avermelhado.
“Por que isso, ChangMin?” Choramingou, fazendo beicinho.
“Hoje é seu baile, e você está aqui, esperando pelo amor de sua vida, que nunca vai aparecer!” Ralhou, em todo o seu –pouco- tom autoritário.
O cenho do moreno franziu-se e uma expressão de choro tomou conta de sua face.
“Jae, não fique assim! Ele vai aparecer, não dê bola ao que ChangMin diz!” Sussurrou HyunChul, cutucando o amigo com seu nariz, a fim de fazer-lhe um carinho desajeitado.
ChangMin revirou os olhos, impaciente. Bateu suas pinças de maneira irritada e, até mesmo, ameaçadora e seguiu caminho de volta ao castelo, pronto para dedurar tudo ao rei. Deixou o grupo para trás, que nem se deu ao luxo de tentar impedi-lo. Cada segundo era terrivelmente importante, à espera daquela pessoa.
Ouviram, pouco depois, as trombetas reais soarem às suas costas e souberam, naquele instante, de que estavam terrivelmente encrencados.
“A gente pode fugir, ainda dá tempo.” Apressou-se SuHoon, olhando para trás a fim de tentar identificar se algum guarda real estava por perto.
E, como em um passe de mágica, a luz do sol foi lentamente bloqueada, por uma grande embarcação, feita em madeira muito escura e bem lixada. Tão imenso, que os três amigos congelaram no mesmo lugar, quase que completamente sem ação.
Observavam a construção seguir lentamente sobre o mar calmo, ouvindo as vozes de homens cantando algo, gritando ordens. As coisas estavam agitadas dentro daquele navio.
“Você... Você tem que ir lá, anda!” Apressou-se HyunChul, batendo com sua nadadeira nas costa do amigo, a fim de empurrá-lo em direção à embarcação. “O amor da sua vida tá lá, o meu tá aqui, vai logo!”
JaeJoong, desajeitado e sendo empurrado por um golfinho nariz-de-garrafa quase do seu tamanho, seguiu até à caravela e permitiu-se aspirar o ar mais leve e não tão oxigenado da superfície.
Havia muito tempo desde a última vez que usara aquele enfeite de seu rosto, que chamava de nariz. Estava tão terrivelmente acostumado com sua respiração branquial, que sentiu-se sufocado por alguns segundos. Mas logo, aquele oxigênio diferente preencheu seus pulmões.
Tateou a proa de madeira bruta, procurando alguma janela ou algo no que pudesse se apoiar e subir até conseguir enxergar algum marujo. Por sorte, o convés mais baixo realmente tinha janelas incrivelmente alinhadas em paralelo ao mar, porém bem fechadas com um grosso e embaçado vidro.
Fitou, de uma em uma, em busca de algo, qualquer coisa, qualquer brecha ou informação. Qualquer marujo.
Em uma delas, a terceira da esquerda para a direita, estava mais bem limpa, e um marinheiro encontrava-se diante dela. Lia um livro, completamente absorto no mesmo, enrolado em seus lençóis encardidos.
Ajeitou-se de forma a conseguir sentar no parapeito da mesma, mas sem ser notado pelo outro, conseguindo uma posição confortável.
JaeJoong permaneceu ali, fitando-o em toda a sua concentração. Os cabelos negros eram rebeldes, e os traços bronzeados de sol eram fortes e bem desenhados. Era bonito, bonito até demais.
Então, o menino sentiu uma pontada no peito.
Aqueles malditos golfinhos tinham lhe jogado alguma praga poderosa de JunSu, o Rei dos Golfinhos, porque aquela sensação estranha que incomodava sua boca do estômago e comprimia seu peito era algo completamente novo.
E estava tão absorto em observar aquele lindo rosto, possivelmente esculpido pelos deuses do mar e, ao mesmo tempo, tentando controlar seu corpo que fervilhava e era engolido por calafrios, que nem ao menos notou o fato das escamas azuladas de sua calda estarem escorregando do parapeito da janela e, logo, fora de encontro ao mar. É claro que tentou se segurar, mas falhou e apenas bateu com o peito, queixo e braços no desespero. O que chamou a atenção de muitos marinheiros, que correram a ver o que acontecia.
JaeJoong não teve muita opção, além de nadar para longe do navio, a fim de que não fosse visto.
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“Então ele realmente existe! Eu sabia!” HyunChul comemorava, dando cambalhotas por todo o aposento de paredes que cintilavam pequenos corais alaranjados.
JaeJoong ficara de castigo por ter fugido do próprio baile, cujo qual fora um evento de grandes proporções, onde todo o reino estava presente. Fora obrigado a ficar em seu quarto, até que a lua cheia brilhasse no céu, e isso demoraria mais alguns dias.
HyunChul e SuHoon conseguiram invadir seus aposentos reais sem ninguém notar. Afinal, eles eram os golfinhos mais importantes do castelo todo, ninguém seria idiota o suficiente de pará-los no corredor e perguntar onde estavam indo. Em exceção, talvez, do Rei e de ChangMin.
“O reino todo está dizendo que o príncipe fugiu.” A voz de YooChun ecoou abafada. “O que realmente aconteceu?”
O pequeno peixe-palhaço nadou desajeitado em direção ao grupo, flutuando perto da janela que dava visão ao grande campo de águas-vivas e caravelas.
“JaeJoong encontrou o amor da vida dele!”
Bolhas saíram da boca do pequeno peixe, com o susto que tomou. Logo, ria descontroladamente, enquanto nadava em círculos. HyunChul juntou-se à comemoração do amigo, fazendo um redemoinho que engoliu o peixe tão menor, girando-o descontroladamente. Mas, logo, ele saía, levemente tonto e desconcertado, mas ainda rindo.
SuHoon apenas revirou os olhos e JaeJoong riu, segurando o menor entre suas mãos até que ele se estabilizasse.
“JaeJoong nem conhece o garoto, de verdade.” Iniciou SuHoon em um tom calmo. “E ele é um humano, quais são as chances?”
“Todas!” Responderam HyunChul e YooChun em uníssono.
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Em uma ilha próxima era onde o navio estava atracado. JaeJoong necessitava nadar cerca de vinte minutos diários para poder observar os marinheiros uniformizados limpando o convés, transportando mercadorias para dentro do navio, bebendo, entre outras coisas.
Gostava de nadar bem próximo, o suficiente para confundir alguns marinheiros distraídos à beira da praia, que pensavam estarem sendo atacados por tubarões ou coisas do tipo. Divertia-se com isso.
Gostava, também, de coletar certos objetos que eles deixavam cair. Coisas que não sabia para que serviam, mas que testava noite adentro junto dos três amigos, encantando-se em como os humanos podiam ser criativos e engenhosos.
Às vezes, até observavam os marujos utilizando tais objetos, e riam de quão ingênuos eram, com todas aquelas ferramentas primitivas.
JaeJoong achava YunHo – que descobriu ser o nome de seu marinheiro dos sonhos- o mais sexy e imponente de todos, mesmo usando todas aquelas ferramentas patéticas. Tudo nele ficava perfeito e não tão inútil.
A cada dia que passava o observava melhor, suas manias, sua maneira de falar, como o sol incomodava seus olhos- que estreitavam-se até virarem pequenas fendas enquanto carregava caixas pesadas- e, até mesmo, seus horários teimosos, como sempre comer uma fruta ao sol do meio-dia e sentar-se à beira da praia para assistir o nascer e o pôr do sol.
Decorou cada mínimo detalhe do humano com carinho e dedicação, e cada dia mais aquela sensação, na boca de seu estômago e em seu peito, ficava mais forte.
Sendo assim, pensava em maneiras de falar com ele, planejava o momento certo de aproximar-se dele quando estivesse sozinho e, claro, seus amigos lhe ajudavam com isso.
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E um mês passou-se com as visitas freqüentes de JaeJoong ao navio mercador. O menino parecia mais feliz desde então, todos do reino notaram a diferença. Estava mais confiante, sorridente, educado e empolgado ao realizar seus afazeres reais pela manhã.
O Rei Tritão não suspeitava da paixão que ardia dentro do coração puro de seu filho — que não sabia o quão errado era seu envolvimento com humanos — assim sendo, fez o que todo bom rei faz: une-se a um reino poderoso, para aumentar as forças.
No reino vizinho vivia uma linda princesa, tão pura quanto JaeJoong, que nunca nem ao menos pudera sair dos limites dos jardins reais e não vira muitas outras criaturas marinhas além das que lhe servia.
Mas JaeJoong, com certeza, não a queria. Nem ao menos sabia de sua existência.
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Em uma tarde ensolarada, uma grande festa reuniu os povos dos dois reinos, e JaeJoong fora intimado a comparecer ao lado de seu pai e saudar todos os visitantes.
Contrariado, uma vez que planejara que aquele fosse seu grande dia com YunHo, o príncipe levou a coroa aos cabelos negros e nadou até o salão principal, com um grande bico nos lábios e os golfinhos em seus calcanhares.
Por que o pai tinha que ser tão baladeiro? Já não passara da idade de gostar de festas? Após os duzentos anos, pegava muito, muito mal querer tentar ser o rei novinho que se dá bem com todos do reino.
JaeJoong achava que não precisavam de tantas festas assim. Talvez uma limpeza nos mares, e uma nova expedição em busca de algo valioso no navio afundado, mas festas para que?
Enquanto nadava apressado, pensando que, talvez, pudesse terminar a tortura mais cedo caso fosse pontual, notou uma brisa estranha no mar.
Todos lhe cumprimentavam sorridentes, curvavam-se ao que passava por perto, perguntavam-lhe se precisava de algo e, o mais estranho para o menino, desejavam-lhe parabéns.
“Mas hoje nem é meu aniversário!” Dizia indignado, cruzando os braços na altura do peito e tentando entender qual era a graça que todos achavam em sua expressão emburrada.
O salão principal estava enfeitado em conchas cintilantes, que lembravam um céu estrelado. Em tons de azul e coral, tecidos talhados por pequenos mariscos caíam do teto e davam um ar festivo ao local. Diferentes tipos de comidas, para desde herbívoros até carnívoros, encontravam-se em uma enorme mesa bem decorada.
E harmonia.
Harmonia era a ferramenta principal, onde todos os habitantes do reino trabalhavam e comemoravam em conjunto, independente de serem inimigos naturais ou não.
E o sol brilhou lá cima.
Quando, por fim, as carruagens peroladas do reino vizinho bateram aos portões de bronze, todos pararam e colocaram-se a postos para saudar os convidados de maneira calorosa e gentil.
Os negros cavalos marinhos que puxavam a grande e pálida concha, onde se encontravam a rainha e a princesa, eram elegantes, nadavam como se não houvesse nada a seu redor. Os criados e alguns habitantes do outro reino seguiam logo atrás, nadando normalmente, felizes com a recepção amigável.
Não demorou até a recepção exagerada terminar e todos estarem reunidos nos grandes jardins reais, repleto de corais e anêmonas bem aparados e cuidados. Conversavam, riam, brincavam, faziam amizades, tudo parecia estar indo muito bem.
Enfim, o rei pediu pela atenção de todos e chamou os convidados reais à frente. Assim sendo, com as devidas honras e apresentações, diversas reverências e muitos aplausos, Tritão sorriu, inflando o peito.
“Obrigado pela presença de todos. Hoje, é uma data especial, um momento único em nosso oceano.” Sorriu, confiante, fitando a rainha, que parecia ser o centro do universo, pomposa e rosa. “Hoje, nossos dois reinos se unem em um só. Uma aliança será feita, e nossos filhos a selarão em um duradouro matrimônio.”
Os jardins encheram-se de vivas e exclamações de alegria. JaeJoong procurou os olhos da princesa, até então não notada por ele, em busca de uma resposta, mas a sereia apenas corou e abaixou o olhar.
Casar?
Desde quando estava noivo e não sabia? Como, então, poderia ficar com seu amado marinheiro se uma magrela loira grudaria em sua cauda pelo resto da vida?
Fitou o pai, que parecia bastante confiante e contente com o fato e sentiu vontade de roubar-lhe o tridente e usar seu cabo para bater-lhe até que este pedisse desculpas e dissesse que foi tudo uma brincadeira.
Sentiu seu corpo tremer, seu sangue fervilhar e seu rosto esquentar. Era possível uma sereia chorar?
O focinho de HyunChul bateu de leve em sua mão e, quando desviou os olhos do pai, notou os três amigos em seu encalço, com uma confiança diferente no olhar. Tentavam lhe dizer alguma coisa.
E, como em um clique, sua mente clareou e sentiu uma leveza diferente em seu corpo, como se tomar impulso para um nado de competição fosse algo muito tentador e simples naquele momento.
Fitou, novamente, a princesa magrela e envergonhada, a rainha pomposa e rosa, que tinha um olhar severo – como se esperasse que o príncipe segurasse a mão de sua filha- e, por fim, seu pai, que lhe sorria com confiança.
Logo, sorriu, curvando o corpo para frente e tomando impulso, nadando velozmente contra a multidão, que gritou indignada, e atravessou os portões de bronze.
Não sabia o que estava fazendo, apenas agia instintivamente, então continuou nadando o mais rápido que conseguia, sabendo que seus amigos estavam logo atrás – talvez YooChun um pouco mais atrasado- e seguindo por um caminho costumeiro e automático.
Ouviu um som de explosão logo atrás de si e soube, naquele momento, que deixara o Rei Tritão furioso.
Notas finais
Nyah engoliu todas as minhas divisões da história, perdoem se estiver confuso ;-;
Well, well...
Giih, eu sei que sou uma idiota neurótica que apaga e reescreve a fic umas quinhentas vezes e atraso a entrega dela pra ti. Mas eu já te disse que quero que fique perfeito pra ti, não é mesmo? Você é muito especial pra mim, de verdade, ter voltado a falar com você foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida.
Desculpe se eu sou chorona e, às vezes, um pé no saco. E obrigada por estar sempre ali quando eu tô prestes a cair, por me dar uns tapas quando eu preciso e por ser quem você é.
De verdade, eu te amo.
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