Behind the Sea

2 And the prince met his sailor


Notas iniciais
Giih é ótima em controlar minha velocidade de escrita das fics. OLHA COMO EU APARECI RÁPIDO!
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Boa leitura!

Nunca fizera um trajeto tão longo quanto aquele em apenas oito minutos. E era terrivelmente cansativo, quem iria imaginar que seu desespero lhe levaria a isso?

Por um momento, deu graças à Poseidon do ar da superfície ser mais leve e mais fácil de preencher seus pulmões, assim recuperando o fôlego facilmente.

“Jae, da próxima, eu não fujo contigo!”

Um cansado YooChun alcançou o grupo muito depois, quase morrendo dentro de seu corpinho minúsculo. O amigo riu, relaxando o corpo aos poucos e tentando recobrar completamente os sentidos, antes de tomar coragem de ir procurar o amor de sua vida.

Tentava se convencer de que tudo iria dar certo. Afinal, planejara esse dia com muito carinho e dedicação, conquistaria YunHo e tudo daria certo. Apenas estava levemente atrasado devido a um imprevisto de última hora.

Nadou próximo à beira por um tempo, rondando próximo a pequenas cavernas e o porto lotado de pessoas, à procura de seu marinheiro favorito, mas não dera sorte. Consultou o sol, após a quinta volta que dava no navio e nas redondezas — e após quase ser visto oito vezes, o que fez YooChun surtar muito- tentando pensar onde ele poderia estar àquela hora.

“Jae, vamos nos afastar da praia e das pessoas, talvez ele esteja na cidade ou no riozinho.” Sugeriu SuHoon, fitando HyunChul com o canto do olho, uma vez que este estava próximo demais de um pescador, curioso com o que o mesmo carregava.

“Não podemos ir até o rio, é água doce!” Reclamou YooChun, levando pelo lado de que a falta de sal e a troca de temperaturas lhe davam um terrível medo, já que a natureza de seu pequeno corpo impedia-o de suportar mudanças como aquelas.

Uma faixa perigosíssima de água era onde quase nenhum peixe atrevia-se a ir. Um pequeno rio desembocava no mar, e a mistura de águas ali era um veneno absurdo para muitas espécies de animais.

JaeJoong pôs-se pensativo, agarrando-se à um coral próximo e levando o dedo indicador à ponta do próprio nariz. Silencioso, o peixinho lhe observava, esperançoso do amigo cogitar a possibilidade de voltar depois, mais tarde, quando YunHo fosse assistir o pôr-do-sol.

“HyunChul!”

SuHoon desviou a atenção de JaeJoong, que perdeu a concentração por alguns segundos. HyunChul estava próximo demais da superfície e, cedo ou tarde, o pescador lhe veria, e não sabiam o quão ruim isso poderia ser para o golfinho.

“Chul, vem pra cá!” JaeJoong chamou, desviando sua atenção desde o amigo, até o humano, e de volta ao amigo.

“HyunChul, sai daí, pescadores são perigosos!” SuHoon chamou, mais uma vez.

“Algo brilha na mão dele.”

O tom de HyunChul fora baixo, mas fascinado, o que alertou SuHoon e JaeJoong, que nadaram velozes a seu encontro. O jovem golfinho teve seu corpo envolto pelos braços do amigo, que obrigou-o a ir para longe, praticamente montado em seu dorso, e com o seu parceiro escoltando-o a fim de não deixá-lo tentar escapar. Foram para bem longe do pescador, o máximo que conseguiram.

“Pra que isso tudo?” Choramingou, tonto com a viagem forçada, quando já estavam longe o suficiente.

“Pescadores são sinal de encrenca, Rei JunSu nos ensinou isso, lembra?” Disse SuHoon em um tom doce, tentando acalmar o parceiro. “Não quero te perder, vamos.”

JaeJoong reprimiu uma vontade de afofar os amigos românticos, enquanto tentava se localizar naquela parte da ilha.

Tinham ido para longe da praia, fato.

Ali era a encosta da ilha, basicamente. Muitos rochedos e árvores com flores coloridas cobriam aquela região, onde as ondas brincavam de transformar-se em espuma do mar. Algumas aves voavam perto, talvez em busca de algum peixe perdido, que deixou-se carregar pela maré – e isso fez com que YooChun ficasse terrivelmente nervoso e agitado, tentando se esconder embaixo dos golfinhos a fim de não ser avistado.

JaeJoong não sabia que a vista dali era tão bonita.

“Aquele não é o YunHo?”

E como era bonita!

“Ele mesmo!”

JaeJoong pareceu iluminar-se. Um largo sorriso moldou-se em seu rosto, que corou levemente. YooChun conseguia sentir as pequenas e quase imperceptíveis vibrações que o corpo trêmulo do amigo deixava na água.

Estava terrivelmente nervoso e feliz.

Não pensou duas vezes.

Nadou em direção ao marinheiro, com um pouco menos de confiança do que planejara, mas ainda convicto do que fazer.

YunHo estava sentado em uma rocha baixa, onde os respingos das ondas podiam encharcá-lo facilmente, mas parecia não se importar. Estava concentrado naquele mesmo livro que JaeJoong o vira ler da primeira vez que o avistara, e tinha a mesma expressão concentrada no rosto, que lhe deixava com um ar sério e maduro.

JaeJoong emergiu lentamente. Deixou que o topo de sua cabeça sentisse o ar gelado, deixando apenas esta sobre a superfície e aproximando-se com calma. Seus dedos apoiaram-se na borda da rocha, podendo elevar seu corpo levemente, o suficiente para conseguir ver YunHo e deixar que notasse em seus olhos amendoados, e apenas neles.

Aqueles orbes sensuais desviaram-se lentamente do livro e fixaram-se nos seus. Não pareceu assustado,apenas levemente surpreso e curioso. Um sorriso de canto adornou seus lábios, enquanto observava o outro mostrar seu rosto levemente corado aos poucos, para então apoiar os braços sobre a rocha, e deitar a cabeça sobre os mesmos.

“Não sabia que meninos da aldeia nadavam em mar aberto.” Comentou, depositando o livro a seu lado e observando melhor o outro.

JaeJoong sorriu, levantando a cabeça e apoiando os cotovelos sobre a rocha, o rosto sobre as mãos. Notou o outro esquadrinhando cada pedaço de seu rosto, ombros e a parte visível de seu peito. Sentiu-se violado, de uma maneira incrivelmente satisfatória.

“Não sabia que nadavam nus, também.” Comentou, soltando uma leve risada nasal. “Não fala? Apenas observa?”

JaeJoong negou com a cabeça, passando a língua nos lábios salgados e podendo tomar um pouco de ar. Nunca se atrevera a falar na superfície, como seria?

“Eu falo. E você gosta de ler e de ficar sozinho a maior parte do dia, gosta de quando o sol e o mar se encontram, também.” Sua voz soou-lhe estranha aos próprios ouvidos. Mais grossa, talvez. Estranha, de fato.

“Fala, mas observa muito mais.”

Uma deliciosa risada escapou-lhe dos lábios, o que arrancou um silencioso e incontrolável suspiro do menino à sua frente. Levou seus dedos à franja, retirando-a de perto da face, voltando a observar aquele rosto angelical com mais calma.

“Se sabe disso, então me observa há muito.”

JaeJoong deu de ombros, escondendo um sorriso envergonhado.

“Apenas um golpe de sorte.”

YunHo ponderou, balançando a cabeça levemente. Seu sorriso mantinha-se firme, o que deixava JaeJoong hipnotizado, simplesmente não conseguia parar de fitá-lo. Os golfinhos nadavam logo abaixo, podia senti-los tão nervosos quanto poderiam estar, talvez até curiosos pra saber o que estava acontecendo.

O silêncio pairou por um tempo, apenas o mar falava naquele momento, deixando que os dois se observassem com atenção. JaeJoong corava gradativamente, de acordo com os sorrisos alheios, mas sustentava seu olhar, como se não tivesse medo.

Era apenas nervosismo.

“Sereias.” Disse em um tom baixo, afundando levemente o corpo, permitindo que YunHo fitasse apenas seus olhos e parte de suas bochechas avermelhadas.

O mais alto mordeu o lábio inferior, franzindo as sobrancelhas. Parecia levemente confuso com a palavra proferida por aqueles lábios carnudos e avermelhados. Mas o seu sorriso voltou a iluminar seu rosto, um pouco mais confiante.

“Lendas de marinheiros que enlouquecem por viver tanto tempo no mar. Não existem.”

Palavras erradas.

O sorriso sumiu de seus lábios ao ver o rosto de JaeJoong quase desaparecendo atrás da rocha.

“Hey, garoto da aldeia!”

Tarde demais.

JaeJoong afundou e, com a mesma velocidade que fugiu do castelo, nadou até o fundo.

Seus orbes dirigiram-se de volta à rocha, agora mais de seis metros acima de si. Fitou aquela silhueta grande e bem desenhada, agora distorcida pelas águas agitadas, debruçar-se à sua procura, e desejou poder fitar seus olhos, possivelmente aflitos. Desejou saber que ele lhe procurava, que tinha se apaixonado, que seu encontro não fora em vão.

“O que houve?” HyunChul sussurrou próximo.

Então, JaeJoong voltou à realidade.

Sentiu seu coração comprimir e seu estômago revirar. Mas não fora como da primeira vez que fitara YunHo, era diferente. Não era uma sensação boa, era horrível, pior do que jamais poderia imaginar.

Seu corpo todo esquentava, seu coração estava disparado e doía, sua cabeça girava e sentia como se existir já não fosse mais necessário. Queria chorar – e podia?-, queria nadar para bem longe e sumir de vez. Mas ao mesmo tempo queria estar nos braços de YunHo, queria poder tocar sua pele – nem teve tempo disso!-, queria ouvir sua voz mais uma vez e sentir-se exposto àqueles olhos que lhe devoravam com tanto interesse.

Seu corpo tremia e, inconscientemente, encolheu-se, fechando os olhos com força e levando as mãos ao rosto. Passou as unhas sobre sua pele. Não sabia se era de raiva, era apenas um reflexo de seu corpo, como se fosse para acabar com aquele sofrimento tão absurdo, ou ao menos disfarçá-lo.

“Por Poseidon, JaeJoong! O que houve?” A voz de SuHoon soou preocupada ao seu lado.

Abriu os olhos, esperando a visão desembaçar levemente e notando seus três amigos fitando-lhe preocupados. Desviou a atenção, momentaneamente, de volta à rocha e não viu mais aquela silhueta desfocada à sua procura.

E foi como se alguém estivesse socando-lhe muito forte no estômago e no peito.

Demorou um pouco até tomar coragem de, choroso, dirigir-se aos amigos.

“Ele... Ele nunca vai me amar.”

HyunChul pareceu confuso, balançando sua cauda impaciente e desconcertado.

“Mas Jae, eu tenho certeza de que... É ele.”

JaeJoong negou com a cabeça, esfregando os olhos com as pontas dos dedos e tentando controlar-se para não piorar.

“Eu só tive esse tipo de certeza uma vez na vida, e foi quando conheci o SuHoon!” Falou rápido, logo calando-se e mostrando-se levemente desconcertado e constrangido.

JaeJoong sentiu-se pior, sabe-se Poseidon o por quê. Talvez pelo romance completo entre os amigos, e nunca poder viver o mesmo com o homem mais perfeito do mundo. Ou apenas estava piorando gradativamente e inconscientemente.

“Ele não acredita em sereias, acha que sou uma lenda. Eu não existo pra ele!”

O silêncio engoliu aquela parte do mar, apenas o som das gaivotas invadia as águas e ecoava surdamente ali embaixo. Os três amigos mantinham-se chocados, enquanto JaeJoong travava uma batalha interna, onde parecia que cada célula de seu corpo comprimia-se e choramingava por YunHo.

“Bem... Então você tem que se tornar real pra ele, não é mesmo?” Disse, por fim, SuHoon.

Os orbes de JaeJoong dirigiram-se curiosos e esperançosos na direção do amigo. Uma pontada de esperança abriu espaço próximo a seu coração, ardendo loucamente.

“Como?” Sussurrou, ainda com a voz aguada de choro.

SuHoon riu de leve, o que fez com que HyunChul se animasse de súbito, dando uma cambalhota para trás.

“JunSu! JaeJoong, você tem que falar com o Grande Rei dos Golfinhos, o JunSu!”

Notas finais
Curtinho, mas eu tava LOUCA pra escrever e postar esse cap. Fui à praia esse fim de semana e, como toda boa filha do mar, me inspirei lindamente pra esse cap por lá. ♥
Novamente, revisado por mim. E o pior, foi escrito em uma noite, então deve estar uma tristeza! Me perdoem ;-;'
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Gente, obrigada pelos reviews! Eu morro de medo de aparecer em categorias que não apareço nunca, mas fiquei super aliviada e feliz de ver que alguém, além da Giih, leu minha fic de pobre ♥♥♥
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Próximo cap vem rapidiiinho :3
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Reviiiews? *O*