Behel - Cronicas de outro mundo.
7 Scott e Rose - Portas Abertas.
Notas iniciais
—-------------------- ROSELLY—--------------------
A porta do quarto estava aberta como Dra. Rachel havia prometido, parte do acordo era eu falar sobre a minha vida e ela iria deixar a porta aberta e eu ganharia cama e outras coisas que tem no meu quarto agora.
Abri a porta e os corredores estavam escuros, apenas com luzes fracas vindas de alguns quartos com as portas entreabertas, ou as que vinham do fim do corredor onde ficava o refeitório. Comigo eu carregava alguns lápis de escrever, uma blusa e o gravador.
Escutei vozes enquanto andava nos corredores procurando a saída, e me escondi imediatamente atrás de um parede que levava para outro corredor que tinha escadas para descer para outro andar.
— Rachel está planejando tudo com muito cuidado, não podemos deixar brechas para que o príncipe desconfie sabemos que Kam pode estar com ele.
— A pior parte é termos que nos esconder nesses corpos, isso me dá agonia. Sinto nojo dessas pessoas, loucas e desprezíveis...
— Sinto o mesmo, mas temos que aguentar... – Os dois guardas passaram por mim sem me perceber, mas eu sou muito curiosa e estava perdida, talvez aquele dois poderiam me levar a algum lugar. Se tem algo que aprendi com Neil, é não ser notada. – Tem notícias de São Paulo? – Perguntou o guarda da direita.
— Ainda não, a única coisa que sei é que os “D&Ds” estão perseguindo o garoto e a garota. – Eu queria muito saber de quem aqueles dois estavam falando, quem seria o garoto e a garota que D&D estavam perseguindo?
“Se esses guardas sabem quem são D&D esse lugar aqui, este clínica psiquiátrica não deve ser um lugar bom, preciso dar o fora daqui o quanto antes.”
Virei no próximo corredor a direita, enquanto os dois guardas seguiram em frente. Desce algumas escadas e dei de cara com uma porta aberta, e um homem com roupas cinzas e verde segurando uma sacola de lixo e fone de ouvidos. Ele olhou um tanto quanto assustado para mim e tirou os fones.
— O que está fazendo aqui embaixo? – Perguntou ele apreçado olhando para porta e para mim.
— ahn – Foi a minha primeira resposta. Aquele homem poderia chamar alguém ou gritar.
— Vamos garota! O que está fazendo aqui embaixo?
Foi quando comecei a me dar tapas na cara e puxar meu cabelo, me sentei no chão e tirei as meias e comecei a tira a blusa. Gritei e falei coisas sem sentido com – Eles estão falando na minha cabeça. Vozes! Vozes que gritam tão alto que não escuto meus pensamentos... FAÇAM PARAR! – A princípio me preocupei com os gritos, alguém além do homem na minha frente poderia escutar, mas então notei que estava funcionando quando o homem suspirou e se pôs a aproximas de mim. Ele vinha de vagar falando coisas para tentar me acalmar. – Acalme-se querida, à levarei de volta ao seu quarto, e faremos essas vozes parar, juntos! – No momento em que ele tocou meus ombros, deu um soco em sua boca do estomago e logo em seguida um soco na garganta e um joelhada entre suas pernas.
Corri em direção da porta, e à bati quando passei, corri em direção a floresta o chão estava coberto de neve e dificultava correr, o frio e o vento estavam forte, mas nada me impedia, neve era algo que eu havia me acostumado.
Continuei correndo entre as arvores, até que escutei um alarme vindo da clínica atrás de mim, olhei para trás e vi lanternas, então latido de cachorros, continue correndo até que tropecei em um galho, que rasgou a minha roupa e pernas. O corte na perna e o cansaço estava dificultando correr, onde eu estava eu já não estava escutando mais os cachorro, nem vendo as lanternas. Pelas minhas contas já faziam quase uma hora que eu havia escapado e precisava descansar, logo o sol iria aparecer e eu teria um longo dia pela frente. Encostei embaixo de uma pedra grande, onde tinha pouca leve e estava ao lado contrário da onde o vento estava vindo, naquele canto consegui adormecer.
—--------------------SCOTT—--------------------
Ao acordar no meio da noite minha vontade de ir ao banheiro era enorme, sentia como se minha bexiga fosse explodir a qualquer momento. O banheiro principal não ficava muito longe de meu quarto, era apenas sair pela porta e seguir o corredor em frente.
Particularmente eu não gostava de sair de meu quarto de noite, muito menos para andar pelos corredor, sempre que isso acontecia eu ficava com muito medo pois se escutava gritos por todos os lados, vindo de quartos e corredores aleatório. Os gritos me assustavam eram como lembrar de algo ruim, como aquele filme de terror “A hora do pesadelo”. Sentia como se a qualquer momento uma daquelas pessoas daqueles quartos fossem sair e me atacar loucamente. Por sorte, a maioria não tinha os mesmo privilégios que eu, exceto alguns como eu, mas esses não me preocupavam, do meu ponto de vista esses pareciam praticamente normais.
Ao chegar no banheiro corri para um mictório, o alivio que senti foi sem comparações. O banheiro masculino era bem grande, cheio de mictórios e chuveiros, naquele horário ele não tinha ninguém e nem mesmo as luzes estavam acessar, a única luz que clareava um pouco, pelo menos a parte do mictório é da lua que vinha de umas janelas com grades que ficavam bem altas. O lugar era realmente sombrio, imagino aquele banheiro depois de uns 50 anos com aquela clinica abandona.
— Ei Scott... – Falou uma voz feminina que vinha da entrada do banheiro. Vesti as minhas calças imediatamente... claro, depois de balançar.
Olhei para garota, levei um susto e dei numa pulo pra trás, a garota para estava nua, sem roupa alguma. A garota veio andando em minha direção lentamente, e eu estava tentando me afasta andando de costas sem tirar os olhos dela, até que bati na pare e não tinha para onde escapar. A garota chegou até mim e passou a mão em meu rosto.
— Scott, você é lindo, sempre ouvi falar que você era lindo, mas agora posso comprovar. – A garota era bonita, para dizer a verdade não me lembro de ver alguém tão linda quanto ela, se bem que não me lembrava de muita coisa. Mas mesmo sendo linda me assustava.
— Que? Quem é você? – Tentei falar, mas gaguejava e não sabia para onde olhava, para o rosto ou para o corpo, a garotava estava nua. – Como sabe meu nome.
A garota olhou em meus olhos e sorriu, seu sorriso branco como a neve e aquele olhos azuis que pareciam clarear mais o ambiente fizeram com que eu parasse de sentir me medo e sim ficar admirado por sua beleza.
— Scott. – Ela sorriu ainda mais, se isso fosse possível. – Todos sabem quem é você querido, porque eu não saberia também? Meu deus... Ela tem razão você é realmente o mais bonito dos três, mas disseram que o mais alto tem algo que você não tem... o que é Scott? Me conte, quero saber como você! Quero saber o que você não. – A garota louca me beijou, mas não foi um selinho, foi um beijo de verdade aquele de filme.
Retribui o beijo e então parei e a olhei nos olhos. – O que está fazendo? – Perguntei retomando o folego.
— Te beijando, o que parece? – Ela não estava mais sorrindo, me olhava seriamente e seus olhos pareciam brilhar com o brilho da lua que entrava pela janela. – Agora Scott, me conte sobre os outros e onde está o tigre?
— Outros? Tigre? – Eu não fazia a menor ideia sobre o que ela estava falando, mas é claro que não, pois aquela garota provavelmente havia saído de seu quarto e era tão louca quanto eu.
— Desculpe. – Afastei ela. – Você está maluca, assim como todos os paciente deste lugar. Deveria voltar para seu quarto, assim como eu vou fazer agora.
Ela sorriu, um sorriso assustador que ia de orelha a orelha e seus olhos estavam arregalados. Então ela começou a gargalhar.
— Eles tem razão, você é diferente dos outros... você é imune! Como isso é possível? Como? Como? – A garota começou a se arranhar, e caiu de joelhos no chão. Ainda rindo e se arranhando. – Eu achei o pequeno príncipe e o beijei, achei ele, tenho que falar para todos, eu achei ele, ACHEI! – A garotava estava me assustando muito falando aquelas coisas sem sentido, ela deveria ser umas das pessoas que não poderia ter o privilégio de sair do quarto.
Comecei a me afastar, passar rápidos para trás sem tirar os olhos dela, até o momento que comecei a correr no corredor em direção ao meu quarto. Um barulho muito alto e quase ensurdecedor começou a soar por todos os corredores, com luzes vermelhas de emergência rodando, todas as luzes de todos os corredores e quartos se acenderam imediatamente e as portas abertas começaram a se trancar sozinhas. As pessoas que estavam em seus quartos começaram a gritas, algumas choravam por causa dos barulhos, e outras estavam nas grades das portas aos berros. Eu parei onde estava sem saber o que fazer, a porta de meu quarto estava trancada e a do banheiro de onde eu havia vindo também, o lado bom é que a menina louca estava trancada do lado de dentro, o lado ruim é que eu não sabia o que fazer.
“Todos os que estiverem fora de seus quartos, por favor caminhem para o refeitório sem pânico, tudo será explicado quando chegarem ao refeitório.” – Foi o que a voz de Dra. Rachel falou pelos alto-falantes, pelo tom da voz dela, não parecia que ela estava calma.
Ao chegar no refeitório tinha cerca de umas 15 pessoas, com alguns seguranças bloqueando todas as saídas. As pessoas falavam entre si e até mesmo os seguranças comentavam alguma coisa, e eu queria muito saber o que estava acontecendo.
— Boa noite! – Falou Dra. Rachel em cima de uma cadeira. — Desculpe-nos por todo este alvoroço. – Dra. Rachel olhou diretamente para, como se eu fosse saber de alguma coisa ali, ou como se a culpa fosse minha, o olhar dela era de raiva ou algo parecido. – Uma de nossa pacientes conseguiu fugir de nossa clínica, e esta é altamente perigosa, essa garota estava na ala infantil, e não tem nossa das coisas que acontecem a sua volta, para ela, qualquer um ou qualquer coisa pode ser uma ameaça até ela mesma. Quero pedir para que todos voltem para seus quartos agora e mantenham a calma, e todas estarão proibidos de saírem de seus quartos até a segunda ordem. Caso algum de você saiba de algo, por favor me avisem, apenas queremos protege-la de si mesma. Podem voltar.
Eu não sabia quem era a garota, e muito menos como ela havia conseguido fugir desta clínica, eu não sei a ala infantil, mas esta que fico é bem segura e os seguranças não deixam brechas nas saídas.
— Scott! Espere – Dra. Rachel me parou colocando a mão em meus ombros e olhando para mim. – Não precisa se preocupar, acharemos ela e ela estará segura.
— Desculpe Doutora, mas eu não faço ideia de quem seja a garota da qual a senhora se refere.
— Roselly Rain. Pelo que sabemos foi umas das últimas pessoas que esteve com você antes que você fosse trazido para clínica. – Aquilo me deixou, curioso a garota havia estado comigo antes de eu vir para cá, então significava que poderia saber quem eu era.
— Sério? Você sabe o que ela é minhas? Sabe se ela sabe algo sobre mim?
— Scott... Roselly Rain é irmã de Arya Rain, a garota pela qual você é culpado pelo assassinato. Agora volte para seu quarto, e sugiro que escreva algo sobre Arya Rain, se lembrar de algo.
Me lembrei do beijo da louca no banheiro, e então passei a mão nos lábios, algo como uma flash e um sentimento de culpa invadiram minha cabeça. Talvez fossem lembranças, uma garota tão linda quanto qualquer outra, cabelos castanhos claros e olhos cor de mel, pele branca, mas em nenhum momento me lembro de ver um sorriso, mas eu sabia quem era ela e o que sentia por tal...
— Doutora eu me lembro dela, Arya Rain.... – Eu sabia quem era ela, sabia o que ela significava para mim, só não conseguia entender como eu poderia ter a matado, Dra. Rachel só podia estar errada. – Eu não posso ter a matado Doutora... – Lagrimas começaram escorrer de meus olhos. – Você só pode estar errada, Arya não está morta! Ela está viva! Eu não posso ter a matado, por que eu amo ela. Arya Rain é a garota que eu mais amei a minha vida toda.
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