Behel - Cronicas de outro mundo.

8 Rose - Lagrimas na chuva.


Fui arrastada de volta para clinica por um bando de brutamontes. Eles haviam me achado logo de manhã, acordei com eles me pegando pelos braços e me levantando a força.

Presa com os dois braços algemados, ligaram um jato de água em uma mangueira de bombeiro e me deram um banho, muito doloroso. Após o banho me deram roupas limpas e me levaram de voltar para meu quanto onde Dra. Rachel me esperava sentada em uma cadeira. Fui algemada na cama de frente de Rachel.

— Eu confiei em você, mas você me desapontou Roselly. – Ela olhava para mim, esperando algum tipo de reação diferente.

— Não esperava que eu ficaria aqui e não tentaria nada não? Não seja ingênua Dra. Rachel, odeio hospitais, e odeio médicos, nunca que eu ficaria neste lugar numa boa. – Respondi à olhando nos olhos.

— Eu deveria ter desconfiado, mas quem perde é você. Terá segurança 24 horas por dia. – Ela falou como se eu me importasse. – E mesmo assim você não iria muito longe, tudo que você come aqui tem um medicamento que quanto mais você anda mais cansada e com sono você fica.

Dei de ombros, pelo menos eu tinha tentado.

— porque odeia tanto hospitais, médicos e não confia em mim? – perguntou-me ela.

— quer mesmo saber? Irei contar, já que estou aqui mesmo... tenho nada mais a perder.

— Ótimo, quer o gravador? ou vai falar só para mim?

— O gravador. Gostei dele

Dra. Rachel me entregou o gravador e saiu do quarto, olhei em volta e reparei que havia mais câmeras no quarto, e a porta agora não tinha mais janela.

—------------------ GRAVAÇÃO DE ROSE Nº 2 -------------------

— Onde está indo? – Perguntou Dra. Ângela, me segurando pelo ombro. – Não pode sair sozinha, e precisamos que algum parente venha ao hospital.

— não acha que eu não sei disso? Não acha que eu preciso pelo menos respirar, sem que algum medico coloque suas mão em meus ombros? – Estava tentando segurar as lagrimas que não paravam de escorrer. Um vez que comecei a chorar, parar era coisa mais difícil do mundo, não importava o quanto tentasse, isso era realmente difícil. Tirei meu ombro da mão dela puxando com força. – Vou ligar para meu pai, em casa, falarei para ele vir.

— Vai ficar tudo bem, Rose, você já sabia sobre a situação em que sua mãe se encontrava.

— Eu sabia! É claro que eu sabia, como era possível não saber, a leucemia faz isso com as pessoas... Eu sei que terei que superar, mas eu perdi a minha mãe, sua medica retardada, não vai ficar bem! Nunca vai ficar! Só terei que aprender a conviver com isso, porque é isso que fazemos não é? A gente convive com as coisas. – Comecei a gritar, e não contive as lagrimas, desabei.

Dra. Ângela me abraçou enquanto eu chorava, então ela me deu um beijo na testa e se abaixou para olhar no meus olhos e limpar minhas lagrimas.

— Então vamos sobreviver a isso, porque é isso que fazemos não é? – Os olhos tinham algo, que eu não sabia explicar, mas aquilo me acalmou um pouco, fez eu me sentir bem.

— Obrigado...

— Vamos, eu te levo para casa, e então ligamos para seu pai.

Enquanto esperava Dra. Ângela, fui até a entrada do hospital e olhei para as nuvens escuras que cobriam todo o Rio de Janeiro. Trovejava muito, as pessoas corriam nas ruas todas com medo da chuva que se aproximava rápido. Olhando aquelas pessoas percebi algo que nunca havias percebido antes. Todos ali já tiveram algum problema na vida, assim como eu estava tendo agora, e mesmo assim continuam suas jornadas, sobrevivendo à aquilo, isto é, na maioria das vezes, mas sempre tem um que não consegue passar por aquele dia de tragédia em especial, e acabam sendo a tragédia de outra pessoa. Ao passar por uma grande perda um adolescente aleatório cai no mundo das drogas e acaba se perdendo, achando que aquele é um modo de sobreviver à sua perda, e por está razão acaba dependendo daquilo. Até chegar o momento no qual este se encontra em um dilema, o mesmo pelo qual perdera alguém tão importante para ele, este adolescente que aqui se encontra em um assalto a mão armada, apenas para conseguir dinheiro para sustentar seu vício, acaba se tornando a causa de outra morte.

A chuva começou a cai na cidade, e vários gualda-chuvas se abriram praticamente ao mesmo tempo, para aquele que seguiriam suas respectivas vidas neste dia que se passava eu deveria superar aquilo, em algum momento.

— Vamos então? – perguntou Dra. Ângela ao meu lado.

O carro dela era um sedã preto, o banco de trás era cheio de sacos de fast-food, e o carro cheirava a eucalipto. O primeiro cinco minutos dentro do carro permanecemos em silencio, observava a chuva pela janela do carro, e as gotas que escorriam no vidro deixavam rastros de sua trajetória, comecei a observar isto, aquelas gotas escorrendo pelo lado de fora do carro e as pessoas andando na chuva do lado de fora. Em algum momento dentro do carro senti algo estranho, diferente do aperto no peito que estava sentindo no momento, era mais como um frio que percorria toda a espinha. Olhando para o lado de fora vi algo estranho, era um menino parado no meio da chuva, ele estava todo molhado e olhava para o mim, era exatamente para mim, mesmo as janelas do carro estando fechadas e com insulfilm, eu sentia que ele estava olhando para mim.

— O que está olhando? – Perguntou Ângela, olhando para mim e tirando a minha atenção do garoto.

— hã? Oi?

— O que está olhando? – perguntou ela outra vez.

— A chuva, apenas isso.

— Como se sente?

— Do mesmo jeito.

Então o silencio continuo, até que chegamos em minha casa, o carro parou então eu olhei a casa, Ângela saiu do carro, mas eu continue lá, lembrando da vez em que minha mãe eu nos mudamos, no começo odiei a casa, mas com o tempo aprendi a gostar, naquele primeiro dia eu não estava com a menor vontade de entrar, e agora me encontrava na mesma situação, não sentia a menor vontade de entrar, mas era necessário.

Peguei minha bolsa, e sai do carro, a chuva havia amenizado, meus pensamentos estavam longe, no momento a chuva era a menor de minhas preocupações, pois agora eu teria que falar o que havia acontecido para meu pai.

Dentro de casa me sentei no sofá um pouco antes de pegar no telefone, Ângela ficou em pé na porta me olhando. Falei que ela poderia entrar e que podia se sentir em casa. Eu só precisava de um momento antes de pegar no telefone, sabia que não seria fácil, mas era preciso.

“– Alô, oi pai...
— Oi Rose querida, não recebi notícias, está tudo bem?
— Não... não está...
— Está chorando? Não me diga que...
— Sim. A mamãe... Ela... – Comecei a chorar muito mais. – Eu estava no hospital na hora, foi horrível... Eu, eu não sei o que fazer... eles precisam que o senhor venha...
— Querida, ai meu deus, é claro que vou, vou pegar um voo agora mesmo, e em algumas horas estarei ai. – Enquanto ele falava escutei vozes junto com ele, era Arya e a voz de uma garoto.
— Quem está ai? Na sua casa?
— Sua irmã e um amigo, bom Rose vou desligar, daqui algumas horas estou ai, fica tranquila que já estou chegando. Está sozinha em casa?
— Não, estou com a Dra. Ângela, ela trabalha no hospital e me trouxe para casa. Ela ficará comigo aqui até o senhor chegar.
— Você a deixou entrar?! – Meu pai parecia nervoso. – Rose quantas vezes já lhe disse para não deixar ninguém entrar em casa... – Ouvi ele suspirar – Tudo bem... você não está bem, desculpe, estou indo, beijo tchau, te amo.
— Também te amo... até daqui a pouco
.”

Desliguei o telefone e limpei as lagrimas que escorriam.

— Ele está vindo? – Perguntou Ângela.

— Sim, ele está vindo, vai pegar o avião em São Paulo e chega aqui em algumas horas.

— Quer que eu fique aqui? E espere ele com você?

— Sim, por favor, não quero ficar sozinha nesta casa.

— Ficarei aqui então.

— Se importa se eu tomar banho? – Perguntei. – Quero tirar o cheiro de hospital de mim, e pensar um pouco.

— Tudo bem, pode ir.

Me levantei do sofá, peguei minha bolsa e subi as escadas, entrei no quarto jogando a bolsa na cama. Abri o guarda roupa e peguei roupa e toalha. Tomei um banho e pensei um pouco embaixo do chuveiro, terminei o banho. Ao sai do chuveiro escutei a voz de Ângela, ela estava falando com alguém no telefone. Sempre fui uma menina muito curiosa, então desci as escadas devagar tentando escutar o que ela estava falando.

“- Ela está no banho... sim ela não suspeita de nada... sim a mãe está morta como o planejado... estou seguindo com o plano... sim, sim senhora o pai está vindo, e quando ele chegar me livrarei dele... desculpe não sei se a outra garota virá”

Meu coração estava desesperado, eu não sabia o que fazer, minhas pernas tremiam. Coloquei a mão na boca para não fazer nenhum barulho nem falar nada, subi as escadas correndo, acabei tropeçando e fazendo barulho.

“Escutei alguma coisa, ligo depois e te passo as informações”

— Rose!? – Chamou Ângela. – Rose já saiu do banho?

Corri para o quarto bati a porta e a tranquei. Olhei para bolsa com o coração acelerado, e a adrenalina tomando conta do meu corpo, meus pensamentos estavam a milhão, muitas coisas passavam pela minha cabeça, mas a coisa que não saia era que Ângela era a culpada pela morte de minha mãe, ou pelo menos era isso que eu havia entendido.

Batidas na porta.

— Rose!? Querida... Está tudo bem? – Perguntou ela, girando a maçaneta para tentar abrir a porta, por sorte havia trancado. – Abra a porta.

— Eu sei o que você fez! – Gritei. – Matou a minha mãe, e irá matar meu pai!

— Rose, do que está falando? Eu nunca mataria sua mãe... E como poderia? nem no quarto eu estava na hora em que ela morreu.

As batidas na porta pararam, e um silencio momentâneo tomou conta do lugar. Então uma batida forte na porta seguida de Ângela falando:

— Estava escutando a minha conversa no telefone, não estava!? – Não respondi. – Abra a merda da porta Roselly Rain! – Gritou Ângela, sua voz parecia mais rouca.

Me assustei com a batida na porta e o grito, peguei uma blusa e coloquei um tênis, joguei a bolsa nas costas. Tinha que impedir meu pai de aparecer, essa mulher iria mata-lo. Ângela começou a bater na porta com muita fora, uma força muito grande, que dava para perceber que se continuasse a porta iria ceder. Não conseguia entender como aquele médica gentil, que sempre conversou comigo, poderia ter feito parte da morte de minha mãe, e estava querendo matar meu pai, e naquele momento estava quase derrubando a porta do meu quarto. Olhei pela janela, pensei um pular, mas era muito alto e no vizinho tinha um cachorro. Escutei um barulho de vidro quebrando, um barulho alto que vinha do andar de baixo da casa. Então Ângela parou de bater na porta, olhei pela fechadura, e vi ela descendo a escada devagar. Abri a porta em silencio, do lado de fora a porta estava toda arranhada e com rachaduras, a maçaneta estava amaçada no formato de uma mão. Peguei a chave e tranquei meu quarto pelo lado de fora, caso Ângela voltasse para achar que eu ainda estava no quanto.

Corri para o quarto que era da minha mãe, escutei ela subindo as escada e me escondi embaixo da cama. Aparentemente não havia funcionado, pois vi os pés dela entrando no quarto de minha mãe. Quase dei um grito quando a pessoa que não era Ângela se abaixou e olhou embaixo da cama.

— A ideia foi boa, mas não foi muito inteligente deixando a chave pendurada do lado de fora da porta. – Falou baixo ele. Um garoto com um tênis branco, estava na minha frente, e entrou embaixo da cama comigo.

Claro que eu estava desesperada, mas o garoto havia tapado a minha boca quando ouviu Ângela subir as escadas, um estrondo forte veio do corredor, e o garotou falou:

— Agora! – Ele saiu de debaixo da cama, me puxando com ele. O garoto corria na frente. Quando passamos em frente ao meu quarto, a porta estava no chão, e o que parecia ser Ângela, só que deformada estava dentro do quarto. Ela nos olhou e aquilo me aterrorizou, sua língua pontuda saia de sua boca, e chegava até seu queixo. Ângela deu um grito quase como um uivo, e correu em nossa direção. O garoto corria e me puxava pelo braço. Descendo as escadas o garoto jogou uma caixa cheia de tachinhas pontudas nos degraus, esperando que Ângela pisasse. Para o nosso azar ela pulou todos os degraus da escada e caiu em nossa frente. Como aquilo era possível? Eu não sei! Mas foi o que aconteceu.

Olhei em direção à sala e descobri de onde viera o barulho, minha televisão estava destruía no chão. Desviei de das mão de Ângela que vieram me agarrar. O menino pegou uma faca que estava em sua cintura e enfiou na lateral do peito de Ângela, que deu um grito de dor. Enquanto aquilo que era Ângela tirava a faca e jogava no chão. Aproveitamos para correr pela porta da cozinha que estava aberta. Corremos até o quintal do vizinho, onde havia um cachorro, era o vira-lata que sempre latia e não me deixava dormir. O cachorro latiu ao nos ver fazendo que parássemos de correr, Ângela estava logo atrás de nós. O cachorro começou a latir e rosnar mais ao ver Ângela, que agora estava ainda mais deformada que antes, metade do seus cabelo havia caído, e suas unhas estavam quebradas e seus dedos tortos.

Ao ver o cachorro Ângela parou e fez um barulho como um uivo de lobo. O garoto sorriu e falou baixo algo como:

“Cilys temem cães.”

O garoto correu para direção do cachorro me puxando junto, tentei impedi-lo e falar que o cachorro mordia, mas fui ignorada e ele era mais forte que eu. Mas para nossa sorte Ângela havia parado e não estava mais seguindo a gente e sim fazendo um barulho estranho, e o cachorro havia nos ignorado. Não tirava os olhos de Ângela. O garoto soltou o cachorro da coleira, então o cachorro correu para cima de Ângela, fazendo com que ela corresse do cachorro.

— Dois coelhos com uma tacada só. – Disse o garoto sorrindo. – Aproposito, me chamo Neil.

— O que era aquilo? – Perguntei tentando retomar o folego.

— Sem explicações agora, precisamos sair daqui logo, antes que ela volte.

— Mas meu pai está vindo para cá. Aquela coisa pode mata-lo.

— Acho que Adan Rain pode se cuidar.

— Como sabe, quem meu pai é?

— Como disse explicações depois, agora vamos!