Behel - Cronicas de outro mundo.
6 Scott - Cicatrizes de amizade.
Notas iniciais
-Ai, ai, ai. – Repeti várias vezes, não aguentava aquela menina falando. – Meu deus Alisson cale a sua maldita boca, eu já entendi que eles estão em perigo e temos que acha-los, mas acredite em mim ficar repetindo isso só me deixa com uma maldita enxaqueca e não ajuda em merda nenhuma.
As ruinas naquele lugar poderiam demonstrar que em algum momento possa ter sido algo diferente. Uma grande cidade com grandes arranhásseis, imagino que em algum momento da história muitas pessoas devem ter passado por ali, mas agora só haviam destroços. O único som que que ali era ouvido era o da brisa passando entre os prédios e os passos daquelas duas únicas pessoas andando no meio do que era chamado de Avenida Paulista.
A menina parou e caiu de joelhos no chão, seus olhos brilhavam de um modo surpreendente.
— Ele está aqui, Lupper ele está aqui. – Ela repetia para o menino que estava em pé, ele parecia assustado com que estava acontecendo a sua amiga.
— Ali! Meu Deus, do que você está falando?! Quem está aqui? – Ele perguntava enquanto agarrava os ombros da garota.
— Scott! O Scott está aqui, nos vendo.
Acordei assustado com um pouco de falta de ar, foi como sonhar que você está caindo de um lugar muito alto e você acorda antes de chegar ao chão.
Na minha conversa diária as 16hs com Dra. Rachel contei a ela sobre o sonho. Como tudo que eu dizia, ela pareceu bem interessada.
— Você se lembra do nomes dessas duas pessoas do seu sonho? – Ela perguntou. Dra. Rachel estava sentada com as pernas cruzadas me analisando em sua cadeira de costume, e eu em minha cama, até aquele momento eu não havia reparado o quanto a Dra. Rachel era bonita, ela era loira e sempre usava o cabelo preso em coque, usava óculos e seus olhos eram azuis.
— Sim, que dizer acho que sim... – Me ajeitei na cama e olhei para o chão. – Acho que o menino se chamava Lupper, e a menina acho que se chamava Alisson, mas o menino a chamava de Ali.
— Nomes interessantes, assim como o seu sonho. – Ela descruzou suas pernas e olho dentro dos meus olhos, senti como se ela estivesse vendo a minha alma. – Mas era apenas um sonho? Digo, os nomes e as pessoas?
— Sim, que dizer acho que sim. – Eu realmente não sabia o que responder, eu não me lembro dos nomes, muito menos dos rostos daquelas pessoas, mas no fundo eu sentia algo ao falar sobre eles, era como um sentimento de vazio e um frio na barriga, aquele mesmo sentimento que a pessoa sente quando se fala de alguém que gosta mas ela não está com você, o mesmo sentimento se gostar de alguém e não ser recíproco.
— Tem certeza que nunca ouviu esse nomes antes? – Dra. Rachel olhava em uma pasta amarela que ela segurava.
— Sim, certeza eu não tenho, você sabe que não me lembro de muita coisa. – A olhei e ela estava sorrindo, um sorriso meio sarcástico, não entendi o motivo.
— As pessoas do seu sonho, se pareciam com essas? – Dra. Rachel me entregou uma foto, muito amassada e parecia que havia tomado chuva. Fiquei um tanto quanto surpreso ao pegar a foto, pois nesta estava eu sorrindo no canto direito, ao meu lado estava a garota “Ali”, ela fazia uma careta mostrava a língua e usava um faixa na cabeça, amarrando o cabelo, e no outro canto da foto olhando para o céu estava o garoto “Lupper”, usava um toca preta com um desenho de um escudo com uma bala de arma no centro.
— Meus... amigos... – Senti um frio na barriga e um aperto no peito. – Eu me lembro...
Dra. Rachel sorriu, se levantou foi até a minha mesinha e pegou meu caderno.
— Kam? – Ela perguntou olhando a capa do meu caderno, eu havia escrito na capa aquele nome.
— Sim, é o nome do meu caderno, gosto de por nome nas coisas é como dar vida, me sinto mais à vontade. – A olhei e ela não estava sorrindo e sim surpresa.
— Sabe algo sobre esse nome? – Perguntou.
— Não senhora, apenas que gosto desse nome e ele não sai da minha cabeça. – Pegou o caderno da mão dela, não era para ser rude, mas foi o que pareceu.
— Ótimo Scott, agora escreve sobre esse seus amigos. – Ela deu um sorriso, pareceu meio forçado.
—---------------- KAM, CADERNO SCOTT -----------------
Nunca fui uma pessoa que socializa, sempre fui quieto na minha, com meu problemas e meus sonhos. Sabe aquele menino na sala de aula que se senta no fundo ao lado da janela e fica toda a aula com fone de ouvido sem falar com ninguém. Prazer Scott Collins.
Não me lembro o dia nem mesmo a idade que eu estava, apenas sei que foi o dia em que ganhei amigos.
O intervalo na escola era sempre a mesma coisa, descer para o pátio ficar lá por 20 minutos até voltara para sala outra vez. Neste dia uma menina veio falar comigo, não me lembro o nome dela, mas sei que era da minha sala.
— Ei! Scott, está sabendo? O.. – Não me lembro o nome do garoto, então irei inventar. – O Grandão está chamando uns amigos dele para te bater.
— Me bater? Ué... Porque? Nunca fiz nada para aquele garoto! – Grandão, era um menino que havia repetido de ano várias vezes, e ele realmente era grande, e burro também sempre se metia em brigas.
— Não sei, mas toma cuidado. – Falou ela. Me virei e sai andando. Comecei a ficar apreensivo, não gostava de brigar nem me meter em confusão, para falar a verdade nunca havia brigado na minha vida, e não queria que essa fosse a primeira vez.
Aqueles pareciam os vinte minutos de intervalo mais longos da minha vida. Me sentei em um canto onde eu podia observar tudo e todos.
— Ei! Scott? Se prepara hoje na saída! – Gritou um menino que eu nunca vi na minha vida. Foi então quando levantei, eu não estava disposto a brigar sem nem mesmo saber o motivo, e isso realmente me irritava. Fui andando até o tal Grandão e seu grupinho, então parei de frente a ele. Todos os garotos a sua volta começaram a rir e falar coisas do tipo “Briga! ... ih olha ele está com medinho e veio implorar pela vida”.
— Veio apanhar mais cedo menininha? – Perguntou Grandão, aquele cara era muito maior que eu, ele deveria ter uns dois metros de altura e era magrelo e usava óculos espelhado, cabeça raspada e bermudão. O tipo de garoto que desprezo, o tipo que não tem respeito algum por ninguém, nem mesmo pela própria família. E o único serviço que faz é roubar as pessoas na rua e fugir de polícia.
— O que está acontecendo Grandão? Fiquei sabendo que está querendo me bater, e está chamando as amigas pra ajudar? Por que isso? – Perguntei olhando sério para ele ignorando os amigos que estavam a sua volta.
— você faz as coisas e depois se faz de trouxa, não vem com essa moleque, vai apanhar porque merece, e nem adianta tentar fugir. – Ele e os amigos riram.
— Se eu estive fugindo, eu não estaria aqui na sua frente, babaca. – Quando falei aquilo ele me segurou pela gola da camisa, e me olhou no olhos.
— Não me desafie! – Ele falou de vagar e confiante.
Um dos inspetores da escola veio gritando “sem brigas! Vamos! Vamos para sala de aula agora! O sinal já tocou!”. Eu realmente não havia escutado o sinal tocar, o medo percorria meu corpo assim como o sangue em minhas veias.
As próximas aulas que se seguiram não foram das melhores, eu não pensava em nada a não ser em Grandão em seus amigos.
Finalmente o sinal tocou avisando que estava na hora de eu apanhar. Peguei as minhas coisas em e coloquei a mochila nas costas, todas as pessoas ao meu redor pareciam saber o que iria acontecer ao lado de fora da escola, eu sentia a minhas pernas querendo parar e voltar para sala e ficar lá até todos irem embora.
Comecei a apressar os passos coloquei uma blusa que estava na minha bolsa e coloquei a toca, tentei me misturar na multidão. “Correr, talvez?”, acelerei ainda mais meus passos, esbarrei em uma menina fazendo com que ela derrubasse os cadernos.
— Desculpa – Falei, então continue andando, olhando para os lado com medo que me vissem, talvez eu não estivesse disfarçando muito bem.
Alguém tocou meu ombro, me virei para ver então senti um impacto em meu rosto, forte e rápido que me jogou no chão.
— Eu disse que não iria escapar menininha. – Fora Grandão que me deu o soco no rosto, e estava parado ali me olhando com um grande sorriso em seu rosto. Todo a volta haviam aberto um círculo deixando Grandão, os amigos dele e eu no centro. Alguém me pegou pelas costas e me levantou. – Não achou mesmo que conseguiria fugir não é?
— Achei – Me soltei do garoto que me segurava pelas costas. – Queria pelo menos saber por que está fazendo isso?
— Fazendo que não sabe... Isso me irrita – Ele fez sinal para os amigos com a cabeça. O garoto me agarrou pelas costas outra vez, segurando meus brações, impossibilitando que eu fizesse algo. Um pancada do estômago me tirou o ar e a força, então mais três pancas seguidas. – Você vai aprender a não se meter comigo! Otário, vai correndo para mamãe, aquela vaca!
Eu não tinha força nem ar, mas consegui dar uma cabeçada na cara do garoto que estava me segurando, ele me soltou então me videi e o chutei. Grandão chutou minhas pernas fazendo com que eu caísse, Grandão e outros dois garotos começaram a me chutar, enquanto eu tentava proteger o rosto. Ouvia gritos a minha volta, “BRIGA! BRIGA! BRIGA”. Os chutes eram rápidos e fortes, tentei segurar o pé de um deles entre os chutes, torci a mão na tentativa.
Os chutes haviam parado, quando abri os olhos Grandão estava no chão com a cabeça sangrando, os outros dois garotos que estavam me chutando estavam andando em círculos tentando desviar de um rapaz com um pedaço de madeira na mão. Um dos dois garotos estava com um canivete e o outro com um soco inglês, o garoto com o canivete estava atrás do rapaz com a madeira, enquanto o garoto do soco inglês ia para cima para distrai-lo e o com o canivete poder atacar. O rapaz da madeira partiu para cima do garoto do soco inglês, o outro com o canivete aproveitou a oportunidade para atacar o rapaz da madeira. Um voz feminina gritou – Lupper atrás de você. – O rapaz com a madeira se virou rapidamente, isso acabou acarretando em um corte em sua sobrancelha feita pelo canivete e um soco na nuca feito pelo soco inglês. A garota que havia gritado partiu para cima do garoto com o canivete batendo nele com um pedaço de mateira também, o acertando no meio das costas. No momento que o garoto do canivete foi ao chão o rapaz da madeira o acertou na cabeça assim como havia feito com Grandão. O garoto do soco inglês se pôs a correr. Deixando os amigos para trás.
— Ei! Ali, ajuda aqui! – O rapaz da madeira estava tentando me levantas, a garota foi ajuda-lo, e os dois me carregaram até perto do portão da escola.
Tive um breve desmaio e acordei com um copo de água na cara, e eu estava dentro da escola de frente a sala da diretora.
— Ele acordou! – Falou a garota.
— Ainda bem... – O rapaz se aproximou. – Seu nome é Scott, certo?
— Si... Sim – Respondi com dificuldade, minha boca estava enxada e meu corpo muito dolorido.
— Me chamo Lupper, e essa aqui é a Alisson... – Ele se apresentou. Lupper era alto, bem alto usava uma touca preta, estava com um monte de papel cheio de sangue tampando um pouco acima do seu olho esquerdo. Alisson era baixinha no máximo 1,60 de altura, usava uma camisa cinza escrita “you only live once”, o cabelo dela era um pouco abaixo do com e tinha um corte bem legal, os olhos dela eram cor de mel, diferente de Lupper que tinha os olhos de um azul quase cinza.
— A ambulância já está chegando, pra você e para o Lupper, acho que ele vai levar alguns pontos. – Alisson disse, olhando para mim, depois para Lupper.
Algum tempo depois a ambulância chegou, fiquei com o braço enfaixado e alguns pontos na boca, já Lupper levou sete pontos na sobrancelha o que deixou com aquela cicatriz maneira que sempre gostei.
Depois disso, Grandão e seus amigos nem se atreveram a vir falar comigo outra vez, por três grandes motivos, 1º Grandão e seus amigos foram expulso da escola, 2º e 3º Lupper e Alisson estavam na minha vida agora e eles eram meus melhores amigos.
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