Behel - Cronicas de outro mundo.
5 Scott - Acho que posso chama-lo de amigo.
— Frio... – Meus dentes pareciam castanholas batendo, eu estava com muito frio, mesmo embaixo das cobertas, eu tremia de frio era como estar congelando. As pontas dos meus dedos estavam vermelhas assim como meu nariz, a dor no corpo estava me matando assim como o frio.
A porta do quarto se abre e Dra. Rachel entra. Ela estava com um estetoscópio pendurado em seu pescoço e sua famosa prancheta. Ela não falou nada veio até minha mesa puxou a cadeira até perto da cama.
— Abra a boca e diga “Ah”. – Fiz o que ela disse e ela enfiou um palito de sorvete dentro da minha boca. – Pode fechar. Agora se levante e tire a camisa. – Fiz o que ela mandou e sentir aquele estetoscópio gelado tocando meu peito. – Agora, inspire... Expire. Ok... Agora tussa. – Fiz tudo o que ela mandou e a olhei, sua expressão não era de alegrar ninguém, ela parecia surpresa ou assustada.
— O que foi? – Minha voz quase não saiu, e estava rouca. – Você não esta com uma cara muito boa. Algo errado?
— Eu. Eu não estou escutando nada. – Ela olhou em meu olhos e se ajeitou.
— Isso é bom não é? Tipo significa que não tem nada errado, certo? – Eu já sabia que a resposta não seria o que eu queria ouvir.
— Na verdade não, digo, eu não estou escutando absolutamente nada, não estou escutando seu coração, nenhum batimento cardíaco, nada! – Ela olhava assustada para mim, e aquilo me assustava também.
Tive de sentar pois estava cansado e o frio só parecia piorava.
— O que isso quer dizer? O que eu tenho? – Perguntei colando a camisa de volta e me cobrindo.
— Não tenho certeza... Na verdade eu não sei... Teremos que fazer alguns exames.
Depois daquela pequena sessão com Dra. Rachel, fui levado rapidamente para uma sala onde tinha uma cama e um monitor cardíaco. Fui colocado naquela cama e começaram e me espetar com agulhas por todo o corpo, me deram um sedativo, mas não funcionou, apenas me deixou tonto. Tudo em volta estava rodando os médicos estava andando as pressas. Quando ligaram o monitor cardíaco todos tiveram um surpresa, eu não tinha batimentos a marquinha estava mostrando como se eu estivesse morto.
— Ele não tem batimentos.
— A maquina deve estar com problemas
— Doutora o que fazemos agora?
— Levem de volta ao quarto dele, Kam deve estar o protegendo. Precisamos de mais informações e ficarmos forçando isso, só nos trará problemas. Não podemos deixar que ele perca o controle, caso contrario estaremos todos mortos.
— E a garota?
— Ela não pode saber de jeito nenhum que Scott está aqui na clinica, mantenham ela na ala infantil e não deixem que ela desconfie o que ou quem somos.
— Os agentes deram informações de que o menino e a menina estão próximos das clinica, conseguiram despista-los, mas não por muito tempo.
— Diga aos D’s que façam o que for possível, mas não deixem aqueles dois acharem esse lugar e que se acontecer algo, que os matem.
O sedativo estava fazendo efeito e em toda essa conversa eu não sabia quem estava falando, e não conseguia abrir meu olhos, então apaguei e quando acordei já estava no meu quarto com uma dor de cabeça muito forte. O frio havia passado coloquei a mão em meu peito e senti meu coração batendo.
— Será que foi um sonho? – Olhei em meus braços e em meu peito, não havia sido um sonho pois estava com marcas de agulha por todo o corpo.
Me levante com dificuldade fui no banheiro lavei o rosto e olhei no espelho. Meus olhos não estavam tão azuis quanto costumavam ser, talvez tivesse algo haver com as olheiras que cobriam meu rosto. Dei alguns tapinhas no rosto e voltei para o quarto, peguei meu caderno e comecei a escrever.
—----------CADERNO DE SCOTT -----------
Pelo que parece minhas lembranças estão começando a voltar, é como Dra. Rachel disse, escrever estar me ajudando. Mas em meio a todas essas lembranças tem um sentimento que não sei exatamente como descreve-lo. Muitas pessoas em diversos cantos do mundo já devem ter se sentido sozinhas, abandonadas e solitárias, mas mesmo assim tinha sua família por perro, ou as pessoas que se diziam família e não consideravam como tal.
Um pequeno período da minha vida fiquei sozinho, abandonado fugindo de tudo e todos, estava com medo das pessoas. Medo de ter que ir morar em um orfanato, ou coisa parecida.
— Mãe! Mãe! Acorda mãe, por favor não me deixa. – pessoas começaram a se juntar ao redor. Os médicos estavam me colocando em uma maca e imobilizaram meu pescoço. Fui levado para o hospital mais próximo que tinha e lá recebi cuidados. Recebi a noticia de que minha mãe não havia sobrevivido mas eu teria que permanecer naquele hospital até receber alta. Os médicos falavam que eu iria para um lugar legal, um lugar com outras crianças como eu, “sem família”.
O dia em que eu iria receber alta estava chegando, eu não queria ir para um orfanato.
— Lá é um lugar legal Scott, você vai gostar... Eu cresci la. Nunca conheci meus pais, você tem sorte sabia? – O motorista do carro se chamava Marco, ele era um cara legal, todos os dias que passei no hospital ele ia me visitar. Nesse pedido, desde a morte da minha mãe eu não havia falado com ninguém, nem mesmo com Marco. – Sabe... Você deveria falar um pouco, desabafar. Eu sei que deve ser muito difícil para você. – Ele tentava ser legal, sempre olhando para mim enquanto dirigia. Eu nem olhava para ele, apenas olhava pela janela em silêncio.
A estrada era longa até o tal orfanato, passamos por muitas arvores, prédios casas no meio de campos e lagos.
— O que tem dentro da bolsa? você vive abraçado com ela. Deve ser muito importante para você. – Marco olhou para mim e volta a olhar para frente.
— Recordações da minha mãe... – Falei sem olha-lo. Apertei a bolsa em meus braços.
— Olha só ele fala... – Marco sorriu, e viu que o comentário não surtiu efeito em mim, acho que ele tentou ser engraçado.
— Aqui dentro estou com o último livro que ela estava escrevendo, vou aprender ler bem e escrever então vou terminar. – Eu estava falando apenas porque Marco era um cara legal, e não queria que ele ficasse chateado, apesar de tudo ele estava se esforçando de verdade, e dava para notar isso.
— É sobre o que o livro? – Ele perguntou.
— Sobre um lugar onde tinha muita magia e tudo era possível.
— Chegamos... – Ele parou o carro. Olhei para fora e estávamos em frente a um prédio grande, com as paredes do lado de fora todas espelhadas.
— Aqui não parece um orfanato, eu sempre imaginei algo como uma prisão ou uma escola. – Marco estava saindo do carro assim como eu. Bati a porta com um pouco de força, olhei para ele um pouco preocupado, com medo de que ele reclamasse.
— Bom Scott aqui não é o orfanato, é a minha casa... E sua também. – Marco sorriu. – Aproposito, qual o nome desse lugar que você falou do livro?
— Minha casa? – eu estava surpreso, a principio não havia entendido o que Marco estava querendo dizer com aquilo, mas um momento depois ele me explicou. Marco havia me adotado. Depois de um mês comigo no hospital cuidando de mim, parecia que ele havia adquirido alguma afeição por mim. Agradeço todos os dias por ter sido Marco a me ajudar no acidente de carro. – O Nome do lugar era Behel... Sempre gostei desse lugar, todas as noites antes de dormi, mamãe me contava a historia desse livro, as historia de uma Reino chamado Behel.
Marco havia parado de andar quando disse o nome do lugar. Olhou para mim e sorriu. – Bem vindo ao seu novo lar, Scott Collins.
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