Behel - Cronicas de outro mundo.

2 Rose - Acha que sou louca?


— Como se sente?

— ME SOLTA! ME TIRA DAQUI! – tentava me soltar de qualquer jeito, mas todo meu esforço era em vão.

— Gritar não ajuda em nada Roselly. – Aquela vaca daquela doutora nem ao menos olhava para mim, ficava escrevendo em sua prancheta.

— ME TIRE DESSA CAMISA DE FORÇA... EU JURO QUE QUANDO EU SAIR IREI QUEBRAR SEU PESCOÇO – eu estava ficando rouca de tanto gritar.

A “doutora” finalmente parou de escrever em sua prancheta e se aproximou de mim. Agachou-se em minha frente, a uma distancia segura eu diria, como aquela merda daquela roupa que eu estava usando estava acorrentada a uma parede atras de mim, não teria como quebrar o pescoço da doutora.

— Roselly como eu lhe disse, gritar não ajuda em absolutamente nada.

Encaro ela, olho bem no fundo daquela olhos azuis e cuspo.

— Vaca – xingo ela.

A doutora limpa meu cuspe com um pano que tirou de seu bolso.

— Eu só quero conversar. – disse ela com um tom calmo, aquilo só me deixava mais nervosa.

— Quer conversar? Vamos conversar! Assim que me soltar.

— Mas se eu te soltar, você quebra meu pescoço.

Aquelas palavras fizeram eu dar um sorriso que qualquer um diria que era de um psicopata, mas a ideia de quebrar o pescoço daquela loira oxigenada era a coisa que me deixava mais feliz no momento.

— Escuta aqui... Estou presa a dias, confusa, e não como direito, na verdade não ando comendo. É apenas a TPM, não vou quebrar o seu pescoço. – sim! Eu iria quebrar o pescoço dela. – só quero saber que lugar é esse e porque estou aqui.

— Meu nome é Rachel Hills, esta é a clinica psiquiátrica Dr. Don Vallet. – A calma dela me matava.

— O que estou fazendo em uma clinica psiquiátrica? Por uma acaso a senhora sabe o que esta se passando do lado de fora? O mundo está acabando, minha irmã... – Um aperto no peito e meu olhos se encheram de lagrimas.

— Sua irmã, Arya Rain?

O nome, as lembranças o jeito como ela morreu veio como um baque, aquele sentimento o medo, a insegurança, eu estava sozinha outra vez, não me restara ninguém. Todos que eu amava estavam mortos.

Lagrimas escorreram em meu rosto e eu não podia impedir, nem mesmo limpar, pois minhas mãos estavam presas.

— Minha irmã está morta – era como se tivesse algo na minha garganta, o ar não entrava e eu nem sentia as palavras saírem – morta...

— Sim, ela faleceu a exatos sete dias, foi assassinada por Scott Collins. – ouve uma pausa – Tem algo a declarar, Roselly?

Fiquei quieta, palavras não se formavam, nem mesmo sabia o que estava sentindo naquele momento.

“Já passou por isso antes Rose, você é forte, você aguenta.” – repetia para mim mesma.

— Scott Collins tem de morrer.

— Você não é uma assassina, Roselly.

— Primeiramente você não me conhece, você não faz ideia do que sou capaz e segundo, ninguém disse que ele tem de morrer pelas minhas mãos. – eu estava olhando nos olhos de Rachel. – sabe onde Scott está?

— Desde o incidente Scott Collins não foi visto.

—------------- DIA SEGUINTE --------------

—Está melhor?

—Defina, "melhor"?

—Gritando menos.

—Pareço estar gritando?

—Não.

—Então acho que estou melhor. Por que estou aqui?

—Está diagnosticada com surto psicótico, atacou dois de nossos seguranças no meio da rua, destruiu propriedades, carros, e agrediu pessoas chamando eles de metamorfos e Krotz.

—Eles eram...

Dra. Rachel escrevia algo em sua prancheta.

— O que está escrevendo? – perguntei.

— Estou fazendo algumas anotações sobre o que você fala, como os policiais dizem ‘tudo o que falar pode e será usado contra você’, mas aqui é diferente, usarei isso para te entender e ajudar na sua recuperação.

— Eu estou bem.

— O que foi que você atacou? E por que atacou?

— Foram Metamorfos, mas de uma raça diferente e Krotz eles são monstros terríveis criados das sombras, estão aliados uns aos outros. – percebi que Dra. Rachel não sabia do que sustava falando.

— Percebe que tudo o que esta dizendo não existe, é apenas fruto de sua imaginação?

Respiro fundo e olho para ela.

— Eu sei que não existe, doutora, estou apenas brincando com você. A senhora não tem senso de humor?

—não tente me enganar Roselly, lido com pessoas como você todos os dias. – ela não parava de escrever – por um acaso tudo isso começou no dia 22 de abril de 2014? Esses metamorfos, Krotz... Tudo isso começou a aparecer nesta data?

Aquela data foi como um soco na boca do estômago, e ela estava certa. Tudo começou naquele dia, mas o que eu deveria fazer? Contar para ela? Aposto que ela só me acharia mais louca e eu nunca iria sair daquela camisa de força.

— Pode confiar em mim Roselly, não precisa ter medo, só estou tentando te ajudar.

— Como sabe desse dia? Foi a dois anos!

— Está tudo na sua fixa. “Roselly Rain, 17 anos, órfã, o pai foi assassinado e a mãe teve câncer, a irmã também foi assassinada”

— Está bem, chega! Eu conheço a minha vida! – odiava ter que lembrar disso. Odiava ter que lembrar eu estava sozinha.