Behel - Cronicas de outro mundo.
10 Rose - A verdade.
Notas iniciais
— Eu não vou! – Parei de correr e cruzei os braços.
— O que? – Neil parou e olhou para trás, tentando entender o sentido do que eu havia acabado de falar.
— Eu não vou com você. – Falei olhando para ele, finalmente havia tempo de ver como ele era, depois de termos fugido da minha casa e ser atacada por uma medica maluca. O garoto conseguia ser menor que eu, o quê significava que ele era um anão ou até mesmo um hobbit, tinhas os olhos escuros e cabelos castanhos, e uma expressão de idiota. Neil usava óculos e se vestia bem, apesar de garotos baixos e de óculos não serem meu tipo, Neil era muito bonito. Mas ainda não era meu tipo.
— E por que não? Garota! – Ele tentava manter a calma, mas sua expressão por de trás dos óculos era de quem não acreditava no que acabará de ouvir.
— Pelo simples motivo de minha mãe ter acabado de morrer, uma medica que era minha suposta “amiga” ter quase me matado, e meu pai estar em perigo vindo para mim casa. E eu não faço ideia de quem você é, mas devo agradece-lo por ter me ajudado em casa.
— Ajudado? – ele soltou um riso sarcástico. – Eu salvei sua vida! Se não fosse eu estaria morta, ou estaria com eles. Sabe... Cillys matam pessoas apenas por não gostar delas, principalmente pessoas que são bonitas. E quando não estão matando estão sendo controladas por alguém, alguém que quer matar. Entao da no mesmo. Resumo da historia? VOCE ESTARIA MORTA. – Neil falava extremamente rápido.
— Não me culpe, repito “OBRIGADA”.
— Ta tanto faz, já salvei sua vida. Agora se quiser voltar, e morrer... A escolha é totalmente sua. – Neil pegou um papel amaçado de dentro de sua bolsa, o abriu e fez um X onde estava escrito meu nome. Achei muito estranho, porque eu garoto eu acabei de conhecer tinha um papel com uma lista de nomes e um deles era o meu.
— O que é isso? – perguntei, tentando olhar melhor.
— Uma lista, de pessoas que tenho que achar. – A lista tinha cerca de uns 20 nomes ou mais, alguns deles tinham X vermelhos e outros azuis, todos feitos a caneta.
— Que tipo de pessoas são essas, porque meu nome está ai? E porque você riscou meu nome? Quem é você?
— Muitas perguntas garota, não seja assim, pode acabar morrendo por sua curiosidade. – Neil me entregou a lista para que desse uma olhada. – São nomes de pessoas que podem me ajudar, ou não, o nomes com o X em vermelho significa que a pessoas está morta, os nomes com o X em azul significa que a pessoas é inútil e sabe menos que eu. – Na lista tinham apenas três nomes riscados com azul, o meu e um tal Dylan, o Dylan estava com os dois X vermelho e azul. O ultimo nome com um X em azul era o de minha mãe Amilly Rain, o nome dela também estava com um X vermelho.
—Como sabe sobre mim e minha mãe? Porque nossos nomes estão aqui? – não olhei para Neil, falei baixo para que ele não notasse minha voz de choro.
— Meu pai me deixou essa lista. Me deu algumas explicações sobre o que era aquela coisa, e outras criaturas. Mas nada disso vem ao caso...
— Não vem ao caso? Minha mãe está morta! Como assim não vem ao caso.
— não quero te envolver nisso.
— Tarde demais para isso, não acha?
— Você vai vir comigo? Vai me ajudar?
— ajudar em que? Ir para onde?
— Procurar as pessoas desta lista, ter respostas e impedir que mais pessoas morram... Mais pessoas, digo seu pai e sua irmã.
Não pensei para responder a pergunta, eu não poderia perder mais ninguém, não poderia perder minha irmã nem meu pai.
— Estou com você... Por onde começamos?
— No aeroporto, o próximo vôo vindo de São Paulo, vai aterrissar em uma hora e meia, ele ainda não saiu de lá. Enquanto isso continue tentando ligar no celular dele.
— como sabe sobre o vôo?
— Entrei no sistema do aeroporto pelo meu celular e vi os horários. – Foi quando descobri que Neil era um genio e um hacker.
— Ok, mas como iremos chegar lá? O Aeroporto Internacional Tom Jobim fica a 20km daqui, e não temos carro.
— Um taxi...
— Você tem dinheiro? Porque eu não tenho.
— Como você já deve ter percebido... Eu sou um menino muito inteligente.
30 minutos depois estávamos a metade do caminho até o aeroporto. Nunca fui o tipo de garota que fica quieta, mas como disse antes, não estava bem e estava tentando ser forte. Forte o bastante para não chorar e nem falar sobre o que havia acontecido.
— Acho que você me contar o que você sabe né? – falei para Neil.
— Existem muitas historias sobre coisas que aconteceram em diversos países, guerras, mortes, coisas horríveis. E coisas boas também... Vamos começar por pela escravidão.
— O que isso tem haver?
— Deixe-me contar... Bom antigamente os negros era retirados de seus lares e tratados como objetos, eram usados, maltratados, mortos e abusados por aqueles que se diziam superiores, os chamados brancos. Nesta época os negros eram caçados por outros negros para serem vendidos, esses negros eram transportados em navios através dos mares, sem higiene, comida água, ou qualquer outra coisa. No tempo que negros permaneciam em navios esses adquiriam doenças, e eram jogados aos mares amarrados em pedras para que morressem e não acabasse contaminando os demais com suas doenças. Assim que os navios chegavam em seus destinos famílias ricas escolhiam aqueles negros que mais lhe agradavam para que fossem seus servos.
— eu tive aula de historia na escola. E nunca gostei.
— agora vamos inverter os papeis, imagine um mundo fantasioso, onde existe magia onde algumas pessoas são fortes e podem usar magias, e aqueles que não podem. Como você e qualquer pessoas deve saber o poder sobe a cabeça. As pessoas que possuíam magia se acham mais “especiais”, e então acabam tratando aqueles que não possuem como escravos. Os mais fracos sem poder não poderiam fazer absolutamente nada, por este motivo não tinham escolha. Ou faziam o que era mandado ou eram mortos. – Neil de repente ficou quieto olhando para o celular.
— E o que tudo isso tem haver? Não entendi metade das coisas que você disse.
— Espera... – Neil mexia rápido no celular, como se procurasse algo.
— o que foi?
— O vôo de São Paulo que deveríamos esperar, bom já decolou de lá... Mas não costa ninguém abordo com o nome de Adam Rain, nem Arya... Estou fazendo uma busca pelo celular de sua irmã... E ela ainda está em São Paulo, está em movimento, devagar.
— Andando? Ela faz muito isso.
— Sim andando, ou em um carro muito lento... Mas a localização dela é longe do aeroporto e também não é perto da sua casa, pelo contrario esta indo em direção oposta... O que é estranho pois o celular de seu pai continua na casa.
— Ta bom, agora me explica tudo isso... Como você sabe onde ela está, e onde é a minha casa.
— GPS... No celular da sua irmã ela deixou um localização marcada, como “casa” e o celular do seu pai está nessa localização “casa” ... Rose não faça perguntas idiotas. Acho que seu pai mentiu... Pois ele não está vindo.
— Será que aconteceu alguma coisa?
— A menos que seu pai não goste de andar com o celular, e sua irmã esteja indo para casa do namorado... Eu não faço a menor ideia.
—nem um nem o outro largam os celulares. – Comecei a ficar preocupada... Olhei para o retrovisor do taxi que percebi que o motorista estava olhando para mim, depois de tudo que estava acontecendo naquele dia, qualquer coisa me assustava. – Neil vamos descer... Já que meu pai não pegou o voo não temos motivos para ir até o aeroporto.
— Motorista, vamos descer... – Neil pagou o taxista com um cartão de credito, e então descemos... Não sei exatamente onde estávamos, mas era longe da minha casa, e perto do aeroporto. – Pronto descemos. Tem alguma ideia?
— Sim... Estou longe de casa com um menino que eu não conheço, acabei de ver algo que pareciam um monstro... Não consigo falar com meu pai, nem com a minha irmã... Minha mãe morreu... – Neil me abraçou, foi um grande surpresa, fez com que eu parasse de falar e apenas sentisse o abraço, confortável e aconchegante. Não sei porque alguém que eu não conhecia, estaria me abraçando, mas eu gostei muito, fez com que eu me sentisse bem.
— Vai ficar tudo bem Rose, não precisa ser forte o tempo todo... – Neil tentou se afastar, mas eu não o deixei, pois estava começando a chorar e não queria que ele visse. – Precisamos ir, não podemos ficar aqui parados.
— É, você está certo... – Limpei as lagrimas e dei um sorriso. – Agora você precisa me explicar direito as coisa, e por favor seja menos um professor de história e um pouco mais normal...
— Vou tentar. – Ele rio – Vamos lá então... Digamos que todas as aulas de história, filmes de guerras, ou tudo que você já ouviu sobre o que aconteceu no passado é mentira. Ou parte disso é mentira, guerras como segunda e primeira guerra mundial, aconteceram, mas não jeito que você aprendeu.
— Confuso.
— Esse mundo que você conhece, não era para ele existir, tudo criado por alguém, como uma ilusão.
— Parece uma história... Um história que minha mãe me contava quando eu era criança.
— Isso! A história, O Reino de Behel... Essa é uma história que nossos pais contavam para gente quando éramos crianças. Mas acontece que nossos pais não contavam tudo, apenas o que achavam que sabia, apenas partes... O necessário. De todos os que sobraram apenas um deles ficou encarregado de saber de tudo, saber casa detalhe, e então passar tudo para um livro, um livro no qual contaria toda a história de Behel.
—--------------------- CLINICA DON VALLET, ROSE ----------------------
Desliguei o gravador assim que escutei aquele grito, um grito que vinha do local onde estava trancada. As algemas em minhas pernas já estava machucando, minha pele estava toda esfolada e doendo muito.
— Tem alguém ai! – Gritei de volta
Um longo período de tempo até que, ouvi outo grito. A voz era rouca e de homem.
— Tem alguém ai! – Gritei outra vez.
— Rose!? – Gritou a voz de volta.
— Neil?! – Gritei desconfiada, mas sabia que não era ele. “Não, não pode ser ele por Neil está...” – Ren? Lui? É algum de vocês?
Então tudo ficou quieto outra vez... E eu não estava ouvindo mais nada. A porta se abriu e Dra. Rachel entrou, como sempre usava um salto agulha de 20cm, e as unhas pintadas de vermelho sangue.
— Está bem Roselly? Vi que você estava gritando pelas câmeras. Me preocupei.
— É.. Que... Eu pensei ter escutado alguém. – Olhei para baixo, aquilo poderia ser um problema para mim.
— Pensou ter escutado alguém? – Ela me encarou e levantou a prancheta dele e anotou algo. – Quem são Ren e Lui?
— Amigos....
— Imaginários?
— Não, eles são meus amigos mesmo... Pensei ter escutado algum deles, mas acho que ficar sozinha não está me fazendo bem.
— Entendo...
— Posso voltar para meu quarto? Este lugar é nojento, escuro e frio... Posso voltar para meu quarto? Por favor.
— Claro que pode... – Dra. Rachel se abaixou, levantou meu rosto com seu dedo indicador e sua unha comprida. – Só espero que não fuja outra vez, se não nunca mais verá seus amigos outra vez.
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