Begin Again - Lost Stars
21 Wrong decisions that may be the right ones
Notas iniciais
Stefan Salvatore
Meu coração acelerado retumbava nos meus ouvidos guiando o ritmo apressado dos meus passos, enquanto eu vasculhava em cada canto possível daquela escola com o máximo de afinco. Eu sabia que Isabella estava transtornada devido às circunstancias, querendo ficar sozinha em um lugar onde pudesse colocar a cabeça em ordem e se recompor. Ou talvez simplesmente se embrenhar na floresta que dava atrás da escola em busca de isolamento. Eu preferia acreditar que ela ainda permanecia nas dependências da escola, mas na medida em que o tempo passava e eu me tornava cada vez mais exasperado, essa alternativa pareceu a mais plausível.
Foi então que como um momento de clareza, minha mente deu um estalo, e eu soube exatamente onde ela estava. Era de uma incrível estupidez que eu não tenha pensado nessa opção em primeira instancia, considerando que era um lugar especial para Isabella e que também era isolado do fluxo central da escola, tendo escassas e ocasionais visitas dos alunos. Mas completamente justificável, se levarmos em conta que eu estava sendo guiado pelo meu nervosismo e agitação do momento, e que eu focaria mais em procurá-la do que me lembrar de detalhes que pudessem me ajudar.
Algo em que eu deveria mudar já que, aparentemente, eram nos detalhes sutis que ela demonstrava como agia.
Tentando não pensar muito no que eu encontraria ao chegar em meu destino, simplesmente deixei-me guiar até os fundos da escola, onde eu sabia haver a construção inacabada de uma sala. O desenho que cobria duas paredes ainda estava lá, lindo e esplendoroso como eu me lembrava, apesar da alta exposição ao clima úmido que deveria garantir um desgaste maior do que ele apresentava.
O que parecia destoar tudo em si, era a pequena figura encolhida contra o canto da parede, a cabeça loira sobre os joelhos que eram circundados por seus braços, como se ela quisesse se encolher em uma bola ao ponto de sumir. Até daquela distancia era possível identificar os pequenos soluços que sacudiam seu corpo. Observar aquela cena fez com que um enorme peso fosse depositado em minhas costas, me impedindo de executar uma ação imediata.
Era difícil para mim aceitar que eu havia feito uma idiotice tamanha que acarretou no seu choro. Isso nunca tinha acontecido antes, a não ser naquele episódio em sua casa, onde ela chorou devido ao choque de realidade, por eu ter jogado a verdade de forma tão cruel na sua cara. Mas nunca exatamente por minha causa, por irritação, magoa ou ódio. Constatar isso foi como levar um soco no estomago.
— Isabella... — comecei ao me aproximar, hesitante, pousando uma das mãos em seu ombro e engolindo em seco.
Ela se levantou num rompante repelindo meu toque com um tapa, para então me empurrar para trás estabelecendo uma distancia entre nós dois. Sua ação me feriu mais por dentro do que por fora.
— Não toque em mim! — rosnou ela embora sua voz falhasse, dando passos para trás. — Porque você fez isso? — questionou em um sussurro ressentido, o rosto torturado.
Apesar da situação, não pude deixar de reparar o detalhe peculiar nos seus olhos marejados. Eles refletiam uma cor tão escura de verde, quanto o dos pinheiros que melancolicamente preenchiam essa cidade, e não o costumeiro verde claro grama-queimada-pelo-sol. Era como se seus olhos tivessem escurecido para refletir para fora o que ela sentia por dentro, algo que tinha dificuldade em fazer na maioria das vezes.
— Sinto muito. Eu não quis... — mordi a língua não terminado a afirmação, porque seria uma grande hipocrisia dizer isso quando, na verdade, o que mais desejei fazer nesses últimos dias foi beijá-la novamente.
A magoa nos olhos dela pareceu se acender em uma raiva fervorosa.
— Não quis o que? me humilhar?Me expor? Me ridicularizar na frente da classe inteira?— listou dando passos ameaçadores em minha direção, que automaticamente, me fizeram recuar.— Pois então, surpresa!— exclamou ela abrindo os braços e sorrindo de forma debochada e amarga.— Foi exatamente isso que você fez. — acrescentou ela friamente após limpar o rosto com a parte de trás da mão.
— Eu só... — franzi o cenho tentando encontrar palavras para me justificar. — Não consegui lidar com isso sozinho. Você não sabe o quanto o peso dessa lembrança tem me corroído e atordoado.— admiti olhando as linhas traçadas nas minhas palmas, antes de desviá-los para os seus olhos levemente vermelhados.— Porque deixou que eu lidasse com tudo isso sozinho?
Ela suspirou passando a mão pelo rosto antes de infiltrá-la por entre os fios, puxando-os levemente pela raiz.
— Porque ’’Isso’’— ela gesticulou entre nós dois. — Não deveria ter existido. Não entende? nós dois, esse beijo... Nada disso deveria ter acontecido. Por isso escolhi enterrar esse erro, mas aparentemente sou a única que deseja isso. — alfinetou ela com rispidez me encarando.
— Me desculpe se prefiro encarar as conseqüências dos meu atos de frente, com a seriedade de um adulto. Mas acho que pedir isso de você seria demais, não?— sorri em deboche ao pronunciar as palavras, lembrando do seu pedido feito hoje mais cedo dentro do carro, querendo fazer de tudo para desestabilizá-la.
— Ora não vire o jogo contra mim! — exclamou dando um passo ameaçador em minha direção, mas desta vez não recuei, levantando o queixo em desafio. — Reconheço que tive culpa no que aconteceu tanto quanto você, mas não me condene por escolher a opção que preservaria nossa amizade. Porque fui eu... — Ela apontou o indicador para o próprio peito, erguendo a cabeça para me encarar nos olhos. — quem foi traída nessa historia. Eu confiei em você. — Sua voz se tornou embargada na ultima frase, enquanto seus olhos brilhavam com as lagrimas que ela não permitia cair.
Meu rosto se retorceu, um bolo se formando na minha garganta tornando difícil falar.
— Nunca foi a minha intenção trair sua confiança, me desculpe se agi de forma impensada e isso ofendeu e magoou você. A coisa que eu mais prezo é a nossa amizade. — afirmei fracamente evitando encarar seus olhos que me condenavam.
— Serio? Porque você não pareceu pensar nisso quando fez aquele papel ridículo na frente da classe inteira. Qual era o seu objetivo por trás disso? Rir pelas minhas costas? Zombar da pobre garota Swan que caiu na sua lábia fajuta? — questionou ela de forma cruel embora seus lábios estivessem trêmulos e a expressão arrasada.
Eu recuei balançando a cabeça, incrédulo, como se houvesse levado um golpe físico. Era doloroso para mim saber que apesar de passar quase todo meu tempo livre com ela, a mesma ainda não confiava em mim. Esfreguei as mãos no meu rosto, em uma tentativa falha de me acalmar antes de encará-la novamente.
— Porque você acha que tem um objetivo oculto por trás de cada ato meu? — indaguei com magoa, sentindo minha cabeça doer e minha visão embaçar. — Minha palavra tem tão pouca importância para você? Desde o inicio de tudo eu tenho sido o mais indulgente na nossa relação. É você quem me acusa e põem a culpa de cada coisa em mim, é você quem é paranoica e acha que todos estão conspirando contra você. Quando vai entender que eu não sou aquele maldito? — gritei a ultima frase vendo-a estremecer de leve com o meu tom, olhando para todo lugar menos nos meus olhos.
— Eu pensei que fossemos amigos, mas amigos não machucam como você fez comigo. — disse ela me encarando com os olhos decepcionados e levemente avermelhados.
Um breve silencio perpetuou entre nós dois, enquanto ouvíamos o som das nossas respirações ofegantes.
— Meu erro talvez tenha sido pensar a mesma coisa. — concordei em um sussurro gélido, com os olhos perdidos embora ainda focados nela.
Então seria assim. Seria desta forma que minha historia com Isabella terminaria, e para falar a verdade seria até mais fácil, já que não tinha lhe inserido na merda sobrenatural que me envolvia, e agora ela poderia voltar a seguir com a sua vida normalmente, não? Eu sabia que eram as conseqüências dos meus atos, sabia que escolha dela em ignorar tinha sido mais sabia que a minha. Mas eu não conseguia fingir como ela, não sem me sentir igual a um crápula. Eu queria que nós dois tivéssemos conversado, mesmo que para estabelecer que aquilo não poderia mais acontecer, ou talvez ao contrario, levando nossa amizade para um outro nível. Nada daquilo importava mais porque estava acabado, só não pensei que a conclusão disso doeria tanto.
Isabella suspirou colocando uma das mãos no meu ombro antes de erguer o rosto para me olhar nos olhos, a exaustão tão visível quanto eu sentia em mim.
— Por favor entenda, Stefan. — pediu ela quase suplicante, me olhando com tamanho cuidado e carinho que eu me perguntei se ela me via quebrado por fora, tanto quanto eu me sentia por dentro. — O que nós dois fizemos foi um grande erro, por que não esquecemos isso, hein? Amigos não se beijam. — afirmou ela gentilmente.
— Alguns amigos sim. — sussurrei mais para mim mesmo.
Mas Isabella que estava perto de mim ouviu em alto e bom tom, o que a fez franzir o cenho e recuar soltando o meu ombro.
— O-o que?— indagou ela, a certeza vacilando enquanto tentava encontrar algum sentido em minhas palavras.
Aquela foi à brecha perfeita para que as idéias insanas, que permeavam a minha cabeça, explodissem para fora da minha boca em palavras urgentes, antes que eu tivesse noção de pará-las.
— Sim. Escute, sei que parece loucura, mas eu me sinto atraído por você assim como eu sei que você se sente atraída por mim, então porque não juntar o útil ao agradável? — sugeri inclinando-me em sua direção, enquanto ela me observava estática e pálida.
Eu sabia que aquilo era a maior idiotice de todas, já que eu estava cagando com a oportunidade de passar uma borracha por cima desse assunto como ela sugeria, mas eu simplesmente não conseguia calar a boca com aquele torrencial de emoções me guiando.
— Você tem razão. — concordou ela colocando uma das mãos em meu tórax, a outra jogando os fios que caiam em sua testa para trás em um gesto usual. — Essa é a coisa mais estupidamente louca que eu já ouvi em toda a minha vida, de verdade dessa vez você se superou. Que merda você tem na cabeça?— perguntou ela se afastando de mim parecendo incrédula e ultrajada que eu tivesse propondo uma ideia como aquela.
— Eu não sei. — admiti confuso, porque era verdade. Porque eu não calava a minha maldita boca? estava estragando tudo, e estraguei ainda mais quando a prensei na parede a suas costas, fazendo-a soltar um ruído agudo de surpresa. — Mas sei que você fica ofegante sempre que chego perto demais de você. Sei que você estremece sempre que eu toco na sua pele quente, mesmo que por cima do tecido da roupa. — eu disse exemplificando ao firmar minhas mãos na sua cintura fina, sentindo os músculos daquela região se contraindo levemente ao mínimo contato, assim como a sua respiração quente e arfante atingindo minha pele, arrepiando-a. — Sei que você não é imune as sensações que eu causo em seu corpo, que não é imune a atração magnética que nos puxa. — sussurrei de forma sedutora e até prepotente ao ouvir sua respiração se tornar mais errática.
— Não! Isso é loucura. —murmurou ela, desta vez tentando se convencer, ao se desvencilhar das prisões de meus braços. — Quando essa discussão passou de "o quão puta eu estou por ter ganhado um beijo do meu melhor amigo" para ’’uma proposta indecente de amizade colorida’’?— ela estava exaltada gesticulando com nervosismo a cada frase.— Você tinha dito que não sentia nada amoroso por mim, lembra? foi naquele dia que aceitei essa proposta estúpida que tem se mostrado cada vez mais desastrosa.— rosnou ela um tanto histérica, ao jogar as mãos para o alto. Dava para ver o desespero nas suas palavras, pela forma em que ela se apegava esse ultimo argumento como um bote salva vidas, provavelmente prevendo sua derrota nessa discussão. Eu já podia vê-la cedendo a minha proposta.
Eu revirei os olhos com todo esse seu drama desnecessário, mas ela não seria a Isabella que eu conheço, se não desse uma exagerada em tudo.
— Por isso mesmo! — rebati aproximando-me novamente dela, vendo-a se inclinar levemente para trás. Mas essa atitude não me desmotivou quando eu continuei. — Eu não te amo. Bom... Pelo menos não desta forma. O que eu quero dizer, é que eu ainda estou apaixonado pela Elena, e você pelo Edward. Mas isso não me impede de estar atraído por você. Então, caso desenvolvêssemos uma relação com benefícios não correríamos o risco de nos apaixonar, porque já estamos apaixonados por outras pessoas!— expliquei meio afobado, com um meio sorriso orgulhoso da minha explicação plausível.
Ela balançou a cabeça em negação e incredulidade, com a mão em punho sobre a boca como se estivesse refletindo sobre minhas palavras.
— Stefan! Essas coisas não funcionam na vida real. — disse ela com uma paciência visivelmente forçada, embora sua voz não tivesse mais a mesma convicção de antes. — Alguém sempre acaba apaixonado e com o coração partido, existe um milhão de filmes que demonstram isso.
— Serio que você está usando filmes, que são meramente ficções, como argumento para algo que ocorre na vida real? — perguntei, descrente, ao colocar uma das minhas mãos na cintura. — Isso por si só já demonstra a sua falta de argumento para rebater a minha sugestão, que você sabe ter mais nexo do que o que acabou de dizer.
— Ficções muitas vezes são baseadas em fatos reais. — resmungou ela de cara fechada, cruzando os braços visivelmente contrariada por eu ter razão.
— Quer saber de uma coisa? Eu estou cansado de toda essa discussão sem sentido. — exclamei ao jogar minhas mãos para o alto de forma exasperada, fazendo-a se encolher de leve contra a parede. — Se você não quer isso, ótimo! Simplesmente diga isso na minha cara, mas não fique inventando desculpas esfarrapadas para se esquivar, como vem fazendo. Muito menos diga que não sente nada por mim quando nós dois obviamente sabemos que isso é mentira. — mandei encarando-a no fundo dos olhos verdes levemente arregalados.
Uma decisão definitiva sairia daquela discussão, fosse algo proveitoso ou não talvez seja por isso que ela se viu numa encruzilhada do que fazer. Com uma palavra nosso relacionamento mudaria para algo totalmente novo, Ou seria entregue para um fim definitivo.
Outro segundo silencioso perpetuou entre nós dois, enquanto nos encarávamos esperando o outro ceder diante a intensidade magnética. Ela obviamente perdeu a disputa, cortando nosso contato ao abaixar os olhos e soltar um suspiro cansado. Bagunçando ainda mais o cabelo do que já estava, ela mordeu o lábio inferior antes de me olhar por debaixo daqueles cílios de bonecas.
— Isso é muita loucura! — ela riu um pouco ao colocar a mão na minha nuca puxando de leve os cabelos curtos da região, mas não havia nenhum tipo de resistência em sua voz. — Se formos fazer isso mesmo, você tem que prometer que se começar a sentir algo mais que físico por mim, vamos encerrar essa historia e nunca mais tocar no assunto, okay?
Fingi pensar, coçando uma barba invisível, por um momento extremamente longo só para torturá-la com a duvida. O que arrancou mais alguns risos de Isabella que puxou o meu cabelo, aproveitando a localização da sua mão, para que eu a olhasse.
— É serio, Stefan. — reprendeu ela tentando ficar seria, apesar do leve rubor da sua face e os olhos brilhantes do choro de momentos atrás. — Preciso que me prometa que vamos terminar com tudo isso, caso dê alguma merda.
— Tipo a gente se apaixonar? — questionei com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Sim. — concordou ela com o rosto inexpressivo como se apresentasse um trabalho diante da classe inteira. — Não quero que nenhum de nós dois saia machucado dessa historia, estou pedindo isso mais como uma medida preventiva.
— Tudo bem, então, Srta. mega prevenida. — brinquei ao firmar minhas mãos na sua cintura, nos aproximando ainda mais, abaixando minha cabeça para olhar dentro dos seus olhos e sentindo sua respiração bater no meu rosto.
— Alguém tem que ser, não é mesmo?— rebateu ela inclinando a cabeça para o lado, convencida.
Apesar da nossa grande proximidade, ela não recuou dessa vez ficando confortavelmente na prisão formada pelos meus braços, como se fosse algo costureiro. Esse simples fato fez com que a vitoria vibrasse em mim em forma de felicidade, que automaticamente abriu um largo sorriso no meu rosto.
— Espera!— disse ela quebrando todo o clima de filme água com açúcar quando eu estava prestes a beijá-la, desta vez sem a mesma estar bêbada ou dar um tapa na minha cara depois. — Você não quer, sei lá, estabelecer normas para que essa coisa funcione direito?
Franzi o cenho balançando a cabeça em negativa.
— Não. Acho que essas coisas podem esperar.
— Tem razão. — concordou ela se erguendo nas pontas dos pés. — Essas coisas podem mesmo esperar. — terminado desta forma, ela me puxou para o nosso primeiro beijo depois do quase-acordo selado, tomando a iniciativa desta vez.
Eu sabia que essa decisão era possivelmente muito errada, mas sentir Isabella entre meus braços, seus lábios pequenos e quentes contra os meus e seu cheiro suave e exótico de erva doce com frísias, nunca me pareceu tão certo.
{...}
— ... E foi isso. — eu disse após relatar o grande acontecimento do dia para Caroline, que surpreendentemente escutou tudo sem fazer nenhum comentário, que se não fosse a sua respiração compassada do outro lado da linha, eu duvidaria que ela ainda estivesse escutando todo o meu falatório. Mas devido seu silencio terrivelmente longo, me perguntei se ela não havia caído no sono, embora não parecesse algo do feitio dela.
— Foi uma péssima ideia. — sua voz saiu inalterada como se ela tivesse falando sobre o tempo, o que foi como levar um tapa na cara. Um bem forte como o que Isabella havia me dado mais cedo na escola, e que fazia minha face latejar só de relembrar. Ela tinha bastante força na mão para uma humana.
— Sabia que você ia falar algo assim. —eu disse sem nenhum pingo de surpresa por sua resposta.
Caroline não aprovava em nada minha relação conturbada com Isabella, em todas as nossas conversas por telefone ou, algumas raríssimas pelo Skype, ela sempre dava um jeito de ressaltar essa sua opinião.
— Isso, meu caro, é porque você me conhece. Assim como eu também te conheço, e sei que essa sua ideia só aumentou as chances de você acabar apaixonado por ela. — Afirmou Caroline com convicção como se fosse à dona da verdade.
Odiava quando ela fazia isso. Como se eu já não houvesse pensado nessa possibilidade, que Ângela teve a gentileza de ressaltar ainda mais. Parece que mais outra pessoa aderiu a campanha ’’vamos ferrar com a mente do Stefan’’, se bem que acho que Caroline seria a fundadora desse fã-club.
— De novo com essa historia? Você parece mais apaixonada por Isabella do que eu, citando-a em todas as nossas conversas. — brinquei jogando-me em um dos sofás confortáveis da minha sala, enquanto tentava tirar os tênis com os pés por pura preguiça. Eu me sentia moído depois de toda aquela carga emocional somado as horas de trabalho no "Dowlling", tudo o que eu mais desejava era um banho quente e algumas horas de sono.
— Só estou tentando abrir seus olhos antes que seja tarde demais, porque o pior cego é aquele que não quer ver o que esta na sua frente. E é exatamente isso que você esta fazendo. — exclamou ela naquele tom meio histérico que usava para dramatizar as coisas. — Então se liga, Stefan! Você esta entrando numa tremenda roubada, depois não diga que não avisei.
— Por que mesmo estou me sujeitando a escutar toda essa baboseira?— me questionei, encarando o teto como se a resposta viesse de algum ser cósmico superior.
— Porque sou sua amiga e porque você se importa com o que eu penso dessa situação.— respondeu ela com certa prepotência e diversão, apesar de ser uma pergunta retórica.— Caso contrario não estaria me telefonando a essa hora da noite.
Revirei os olhos, sabendo que ela estava sorrindo vitoriosamente do outro lado da linha.
— Okay, mas você realmente precisa desacelerar um pouco com essas suas teorias. Não tente ficar prevendo o futuro porque lhe causara dor de cabeça á toa.— pedi com gentileza e um toque de humor, por concluir que ela provavelmente estava com ciúmes da atenção que Isabella recebia de mim.— Eu só arranjei alguém legal e divertida com quem pretendo dar uns amassos e transar. Não é como se eu nunca tivesse feito isso antes.— lembrei-lhe descontraído, me ajeitando melhor no sofá, mesmo que boa parte das minhas pernas tenham ficado de fora
— Esse argumento até seria valido, se você não tivesse contato quase vinte e quatro horas por dia com ela, e se não tivessem essa relação esquisita que você insiste chamar de amizade.— alegou ela parecendo satisfeita em me contrariar, embora eu tivesse certeza que ela estava emburrada, com direito a beicinho no outro lado da linha. Caroline estava mesmo morrendo de ciúmes, e isso era hilariante.
— E qual, exatamente, é o problema nisso?
Ela fez um ruído impaciente como se eu fosse muito burro por não entender a gravidade da situação.
— Francamente, Stefan! Como um verdadeiro gentleman do século 21...20... 18, sei lá, você deveria ser perito em comedias românticas. — seu tom de falsa repreensão aliada a confusão que ela fez com os séculos por conta da minha idade, me fizeram rir enquanto ela continuava a tagarelar. — Você nunca assistiu sexo sem compromisso? Amizade colorida? Ou amor e outras drogas?Todos são exemplos de amizade colorida que começaram do mesmo jeito e acabaram em merda.
— Por incrível que pareça, Isabella disse a mesma coisa que você, enquanto também tentava me convencer de que essa ideia era idiotice. — citei com humor ao colocar o braço sob minha cabeça, e observar a lâmpada presa ao teto. Não consegui deixar de pensar que Caroline e Isabella tinham algumas semelhanças no modo de agir e pensar, embora cada uma fosse muito distinta da outra.
— Serio?— ela parecia ter sido pega de surpresa com essa afirmação, perdendo o foco da verdadeira questão.
— Sim. Não com as mesmas palavras, mas era o mesmo argumento.— confirmei tentando abafar uma risada, por ela se distrair tão facilmente.
— Isso é... Ótimo.— concluiu ela animadamente.— Quer dizer que ela é a mais sensata entre vocês dois. Talvez você devesse escutar mais o que essa garota tem a dizer.
Repremi a vontade de revirar os olhos outra vez, com a sua sugestão ridícula. Se eu tivesse dado ouvidos ao que Isabella falava, hoje seriamos meros colegas de sala desconhecidos, então, uma das melhores coisas que eu já tinha feito, fora não dar credito para a maior parte das coisas que ela falava. Até porque boa parte dela era feita sem pensar.
— Sim, claro. — concordei com um sarcasmo sutil, que por conta do grande convívio ela captou.
— Você podia ao menos levar um pouquinho a serio o que eu to dizendo?— reclamou com impaciência, o que me fez imaginá-la batendo o pé.— Sabe, não estou tendo o trabalho de fazendo esse discurso moralista para você ignorar completamente.
— Então, talvez, você devesse simplesmente parar de repetir isso na minha cabeça. — sugeri em um tom calmo, mas cortante, sem margens para discussão. — Até porquê, toda essa sua insistência já esta começando a me irritar profundamente.
O clima de conversa descontraída estava se dissipando feito fumaça, sem deixar rastros; enquanto algo mais frio e denso se instalava.
— Eu farei isso quando voce começar a pesar todos os pontos de suas decisões, ao invés de agir movido pelo impulso.— concordou em um humor acido, completamente convicta de que essa impossibilidade fosse realmente acontecer.
— Voce poderia começar agora; fingindo ao menos um pouquinho de felicidade por mim.— rebati perdendo a pouca paciência que me restava, levantando-me do sofá por não conseguir me sentir relaxado. — Sei que Elena é sua amiga, mas me recuso a ficar remoendo por uma dor de cotovelo, quando ela e Damon estão curtindo ferias feito recém casados. — o rancor na minha voz era tão palpável que senti raiva de mim mesmo por não ter disfarçado nem um pouco.
— Pensei que soubesse que também sou sua amiga, Stefan, por isso não escolhi lados nessa historia. — informou ela com a voz controlada após um suspiro. — Elena esteve errada em transar com Damon logo após o rompimento de vocês, mas você também esteve errado em transar com a Rebekah que é uma verdadeira vadia. — pontuou ela deixando claro seu desgosto pela loira original. Nunca entenderia essa rixa entre as duas.
— Voce mais do que ninguem sabe que fiz aquilo, porque desejava machucá-la tanto quanto ela havia me machucado. — Acusei-a com rispidez em minha defesa, o sentimento de traição pulsando em mim por saber que ela já havia escolhido um lado, mesmo que agora tentasse me convencer do contrario. — Hoje em dia me envergonho desse ato infantil, porque sei que ela não quis me magoar intencionalmente. Não que eu tivesse pensado nisso com a minha cabeça nublada pela revolta.
Ela suspirou longamente do outro lado da linha, como se estivesse obrigando a si mesma a manter a calma.
— Eu não estou te culpando por nada, Stefan, então por favor não me transforme em sua inimiga porque eu não sou. — pediu ela com um toque de impaciência, e mesmo sem vê-la eu podia imaginá-la do outro lado da linha balançando os cachos loiros, com a expressão resignada. — Nem deveríamos estar tendo esse tipo de conversa ridícula, essa questão não é sobre você e Elena.
Sua ultima frase estranhamente me machucou mais do que deveria, naquela altura do campeonato. Eu já deveria ter me acostumado com isso, até porque não existe mais eu e elena, apesar da ferida em meu peito ainda latejar com essa verdade.
— Tem razão. Pela primeira vez em quatro anos isso não se trata de Elena, porque minha vida não gira mais em torno dela.—disse com a voz rouca e de tom cortante, embora não tivesse tanta convicção no que acabara de afirmar.— Isso se trata de mim e o quanto me sinto atraido fisicamente por Isabella. Voce diz que minha ideia é desastrosa, mas o que mais eu poderia fazer? Ficar batendo punheta no banheiro feito um pervetido nojento?—Okay, talvez eu tenha exagerado em dizer aquilo, não era como se eu fosse fazer isso realmente. Se bem que eu já fazia, só que pensando em Elena, então talvez eu não estivesse tão longe da realidade de um maluco pervertido.
Ela emitiu um ruído de asco muito parecido com o de alguém vomitando.
— Você fazia isso?— questionou ela descrete e chocada, parecendo se esquecer que estavamos em meio a uma discussão, o que de certa forma aliviou um pouco a tensão.
— Não. — neguei prontamente, me arrependendo de não ter pensado melhor antes de deixar aquela frase me escapar da boca.— Mas considerando minha reação devido a um único beijo, achei melhor não arriscar. E foi pensando nisso que propus essa ideia de amizade com benefícios.
Tudo bem, eu até entendia o ponto de vista de Caroline, porque dizendo agora essa ideia em voz alta realmente soava muito idiota, talvez seja por isso que não consegui controlar o riso frouxo que me escapou dos lábios. Talvez fosse um mal que vinha com o cromossomo Y, mas como todo homem, eu tinha a forte tendência de achar graça em momentos desapropriados como, por exemplo, aquele. Caroline interpretando minha ação como descaso e até zombaria, bufou com impaciência.
— Eu não entendo, voce nunca foi de agir tão impulsivamente. — disse ela parecendo verdadeiramente intrigada com a situação. — Acha que o que esta fazendo é o certo? Você está usando essa garota, está repetindo o mesmo erro de Damon com aquela jornalista, Andie, e da mesma forma que não acabou bem para ela, pode não acabar bem para Isabella tambem.
Respirei fundo, revirando minha mão entre os meus cabelos em um claro sinal de nervosismo. Caroline estava jogando sujo ao tentar me dissuadir, ela sabia muito bem que eu me sentia culpado pelas mortes que causava.
— Isabella sabe que eu estou usando-a, assim como ela está fazendo o mesmo, porque é esse o objetivo de uma amizade colorida: nós nos usarmos mutuamente.— expliquei rispidamente após engolir em seco. — Eu só estou cansado de ter que agir sempre conforme o que é certo, entende? Sempre buscando pensar no bem dos que estão a minha volta. — confessei em um sussurro desolado ao parar minha caminhada de um lado para o outro. — Mas e eu? Eu nunca penso no que é bom para mim mesmo, e estou cansado de não fazer isso. O que estou fazendo pode não ser considerado algo bom ou certo para Isabella, mas eu não me importo. Eu sou um vampiro, não preciso fazer sempre o que é certo.
— Isabella é humana. Nada de bom acontece a humanos que se envolvem com criaturas sobrenaturais, você e eu sabemos bem disso. — destacou ela deixando claro que não me culpava pelo que tinha acontecido a ela e suas amigas, mesmo que isso de fato tenha sido conseqüência da minha volta aquela cidade. — Ela já teve contato com o sobrenatural antes e não acabou bem, como acha que ela ficara quando descobrir a verdade? Ou se você for embora, porque isso irá acontecer em alguma hora, como acha que ela vai se recuperar depois disso? — ela tinha um cuidado ao indagar, parecendo escolher palavras para não me fazer explodir, mas ainda sim eu conseguia ler o que ela queria dizer:
’’ Isabella, é doente, Ela não lida da mesma forma que nós com as decepções e abandonos. Ela pode ter uma crise nervosa se descobrir a verdade sobre você, ou tentar suicídio caso você vá embora porque está apegada demais a você. Isabella é frágil e humana, vá embora enquanto ela ainda não está tão dependente de você.’’
— Pare de falar dela desse jeito! Você não a conhece, então não fale de coisas que não entende. — grunhi irritadiço, pela primeira vez desde nossa discução aumentando meu tom de voz.— Nada vai acontecer a Isabella, porque eu vou protegê-la. Como venho fazendo desde que cheguei a essa cidade.
— Eu só estou preocupada com você, sei que é meio bobo mais não posso evitar.— confessou ela em uma risada nervosa e a voz embargada — Me desculpe se estou fazendo julgamentos errados, sobre essa aproximação abrupta que esta tendo com essa garota. Eu não aprovo o que esta fazendo, mas você já é velho o suficiente para tomar suas próprias decisões a cerca da sua vida, e eu só quero te ajudar como você me ajudou a passar para transição vampiresca.
— Eu não preciso que aprove minha decisão, Caroline, só aceite. —continuei em um tom mais brando, ao esfregar minha mão livre no rosto, sentindo-me cansado de toda a discução. — Até porque eu não preciso da aprovação de ninguém para tomar minhas decisões. Mas eu preciso de um ombro amigo, porque todas as pessoas mais importantes da minha vida, ou estão mortas ou estão longe demais para se importar com o que acontece comigo. — ressaltei de forma amarga em referencia as duas pessoas anteriormente citadas.
— Pode contar comigo, Stefan, eu estarei aqui para quando você precisar. Porque é isso que os amigo fazem. — prometeu ela com a voz transbordando sinceridade.
— Obrigado. — agradeci em um meio sorriso mesmo sabendo que ela não podia vê-lo.
— Tudo bem. — disse ela com descaso, evidenciando que já tinha esquecido nossa discução; antes da sua voz adquirir seriedade novamente. — Só lembre-se de que, mesmo se colocá-la sob uma redoma para defendê-la da crueldade do mundo, você ainda não poderá protegê-la de si mesma, nem de você. — com essa verdade convicta que fez um calafrio me percorrer a espinha ela desligou o telefone.
E a única coisa que pude fazer foi continuar paralisado no lugar, ouvindo minha respiração soar pela linha muda, enquanto aceitava a razão em suas palavras.
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