Begin Again - Lost Stars
10 We will survive because we are strong
Notas iniciais
Bella Swan
Anteriormente...
— Fazer loucuras e viver intensamente. Aceito ser inconsequente e fazer muitas coisas estúpidas, desde que eu volte a viver minha vida. Não quero mais ficar parada no tempo eu quero continuar viver, tentar pelo menos. Mesmo que seja da forma errada como você, eu aceito ser sua companheira nas idiotices, como sua amiga Lexi foi. Eu quero tentar superar e acho que não consigo sem você. Definitivamente eu aceito o seu desafio de fazer desse ano memorável, aceito ser sua amiga. — falei sem me deixar abater pelo medo do fracasso, tomando uma decisão que eu precisava, que eu queria.
Senti-me um pouco leve e mais calma ao terminar, e esperei sua reação para continuar de bom humor, embora tenha sentido um friozinho na barriga com medo de ele me mandar embora e nunca mais chegar perto de mim, bem agora que eu estava empenhada em fazer dar certo. Tudo o que pude fazer naquele momento foi esperar sua reação diante das minhas palavras.
Agora...
— Tudo bem, então. Fico feliz que tenha tomado essa decisão, mas você não podia ter esperado até amanha, quer dizer, mais algumas horas para me contar isso quando eu fosse te buscar para a escola? São quatro da manhã! Você podia ter simplesmente mandado uma mensagem de texto, agora que tem meu telefone. – reclamou ele meio irônico.
É, com certeza ele estava irritado. Senti meu rosto arder novamente de vergonha, por que eu realmente não tinha pensado nisso, mandar um SMS teria sido muito mais normal. Dava para entender o seu mal humor, se fosse comigo eu já teria batido a porta na cara do infeliz faz tempo, a diferença é que ele tinha bom senso.
— Desculpe, eu não consegui esperar. – respondi meio sem jeito observando as minhas mãos, com medo dele estar me fuzilando com os olhos. Ouvi ele suspirar antes de um rangido de algo se arrastando ecoar ali próxima.
Curiosa, eu olhei em sua direção novamente e pude ver que ele havia aberto mais a porta deixando um espaço para que eu entrasse. Já sua expressão era meio indefinida, ele não parecia mais irritado ou chateado mais achei que seus lábios pareciam um pouco mais curvados do que de costume. Atravessei o batente e andei pelo curto corredor até a sala luxuosa, sentindo a sua presença atrás de mim me acompanhando.
— Sabe o que é engraçado? – começou ele, com o seu velho humor habitual que parecia ser uma mistura esquisita entre zombaria e divertimento.
— O que? – questionei desconfiada, virando-me em sua direção e o vendo atrás de um dos sofás elegantes, apoiando os braços musculosos cruzados em cima do encosto enquanto me olhava de um jeito sacana. Eu tinha certeza absoluta de que ele iria soltar uma de suas perolas.
— O fato de você não conseguir passar muito tempo longe de mim. Mesmo que você nunca vá admitir, eu sei que a verdade para você ter vindo aqui é que sentiu saudade da minha ilustre pessoa. Tenho certeza que a justificativa para isso é que se eu roubei seu coraçãozinho remendado. – como se para dar mais veracidade a isso ele desenhou um coração no ar, me dando uma piscadela.
Revirei os olhos com esse gestou que foi meio infantil e um tanto de sexualidade suspeita, embora tenha me feito reprimir um sorriso.
— Cale a boca! Como você consegue ser tão arrogante? – questionei de forma retórica, tentando esconder minha diversão nisso. Ele deu de ombros considerando minha pergunta antes de responder.
— Existe uma diferença entre ser arrogante e realista, Swan. Eu só fiz uma constatação de fatos verídicos. Se eu fosse tão arrogante assim existiria um outdoor com a seguinte frase: ‘’Stefan Salvatore, lindo, sedutor e charmoso. Em menos de uma semana ele fará você enlouquecer a ponto de não conseguir tira-lo da cabeça’’– ele explanou as mãos no ar como se conseguisse verdadeiramente enxergar essa frase em um cartaz.
Será que ele não percebe que simplesmente imaginar isso, já era meio arrogante?
— Parece propaganda de prostituto, e eu duvido que algo como isso estaria em um outdoor. – entrei na brincadeira com um meio sorriso. Eu suspeitava que ele estivesse brincando um pouco com essa situação, tentando me deixar mais descontraída já que eu aparentava estar nervosa. Silenciosamente eu o agradeci por isso.
— Não seria nada mal ter esse tipo de trabalho, seria o paraíso de qualquer homem: ter uma mulher diferente na cama a cada dia. – refletiu ele dando um sorriso safado com essa possibilidade. Cruzei os braços, incomodada. Por que todo garoto tinha que ser tão tarado assim? Eu sei que deveria culpar os hormônios da adolescência, mas Stefan tinha controle sobre pensar e verbalizar em voz alta. Meu temperamento não permitiu que eu ficasse calada diante ao seu comentário.
— Duvido que continuasse a pensar assim, caso suas clientes fossem na maioria velhotas de oitenta anos, que usam dentadura. – rebati arqueando uma das sobrancelhas em zombaria.
— Não precisa ficar com ciúmes, Amor. Você ainda vai continuar sendo a minha cliente predileta. – ele deu um sorriso malicioso, me olhando de uma forma meio predatória, o que me fez arregalar os olhos em choque e incredulidade. Ele realmente disse o que eu acabei de ouvir? Ele realmente me cantou?
— O... O que? – balbuciei sem saber o que falar diante da sua fala tão direta e meio cara de pau. — Por que disse isso? Você esta tentando flertar comigo? – minha voz saiu meio esganiçada, enquanto discretamente dava um passo para trás para facilitar minha fuga caso ele tentasse pular em mim. Foi a vez dele arregalar os olhos em espanto.
— Claro que não! – ele protestou rapidamente vindo em minha direção, provavelmente tentando me acalmar do meu ataque histérico. Mas eu não prestei atenção nisso, minha mente rodava de uma forma meio vertiginosa enquanto todas as suas atitudes ganhavam uma nova interpretação com essa declaração revelada.
Ai meu Deus, então todo aquele papo ‘’estarei aqui com você’’era na verdade uma forma te aproximação sorrateira para tentar me conquistar! Eu não queria qualquer tipo de relacionamento amoroso, considerando minha atual situação. Sem contar que Stefan não parecia ser o tipo de cara que se apega, ele usa e descarta com certeza, e eu definitivamente não queria passar por isso novamente. Não acredito que ele fingiu ser meu amigo. Que filho da mãe! Aposto que ele me vê como um desafio Talvez tenha feito uma aposta com alguns idiotas para me levar para cama, afinal ele anda com as vacas da Lauren e da Jessica. Mas que merda eu não acredito que isso está...
— Hey, relaxa! – disse ele me segurando pelos ombros e me sacudindo um pouco, me olhando um tanto divertido com a minha piração exagerada. — Você esta surtando demais.
Ele provavelmente achava que era brincadeira, mas não era para mim. Minhas mãos tremiam, meu coração batia como se eu estivesse correndo uma maratona e o ar parecia meio rarefeito, eu me sentia a ponto de desmaiar de tão sufocante que era a situação, no entanto eu sabia que era só nervosismo se manifestando em mim. Só de pensar na possibilidade de estar sendo enganada e manipulada, me fazia ficar pior, principalmente por ele estar se aproveitando do meu estado fragilizado para tentar algo. Eu não queria nem imaginar voltar à estaca zero novamente, aquilo era a morte em vida.
— Isabella! Se acalme, Okay? – ele pediu novamente, desta vez olhando dentro dos meus olhos, com a voz gentil. Respirei fundo piscando algumas vezes, ao tentar me concentrar em suas palavras. — Eu só estava brincando, Eu não gosto de você desse jeito. Eu só quero sua amizade, até por que ainda estou apaixonado pela minha antiga namorada. Desculpe-me por fazer essa piadinha insinuante. Quando estou com você às vezes eu me esqueço de tudo pelo que você passou. Não achei que você fosse levar para o lado literal – observou ele preocupado, analisando minha reação diante á suas palavras.
Olhei em seus olhos procurando algum tipo de emoção que me ajudasse a entender essa situação. Ele parecia dizer a verdade, seus olhos se mentiam fixos aos meus e ele quase não piscava como se isso desse mais veracidade ao que falava. Desviei os olhos, envergonhada da minha atitude. Agora eu tinha certeza de que ele já havia notado que comigo havia algo mais de errado, de que eu não era só uma garota que não conseguia superar o fim do seu relacionamento. Que eu tinha problemas maiores que isso.
Eu não queria que ele ficasse com pena de mim, ou medisse suas palavras comigo, como todos os outros, só por que eu verdadeiramente tinha problemas psicológicos. Eu gostava da forma em que ele me tratava, da forma em que ele falava o que pensava sem ter medo de isso me fizesse surtar, de como ele era espontâneo e verdadeiro, isso me fazia sentir normal. Fiquei com raiva de mim mesma por essa atitude ridícula, e amaldiçoei o transtorno de alexitimia. Deveria ter notado o brilho zombeteiro em seus olhos quando ele pronunciou a frase que quase me fez perder o controle, mas ele parecia tão serio ao falar, achei que estivesse sendo verdadeiro.
— Me desculpe, eu exagerei. Isso não ira acontecer novamente. – prometi para mais para mim mesma do que para ele, enquanto me afastava de seu aperto dando um sorriso sem graça, tentando amenizar o clima para que ele não ficasse curioso a respeito.
Ele me lançou um olhar avaliador antes de lançar um sorriso torto que não chegou a seus olhos.
— Tudo bem. Todo mundo tem seus mementos de exagero mesmo, Miss Simpatia. – respondeu ele, encerrando assim esse assunto. O que eu secretamente agradeci.
— Por que não nos sentamos, para que você possa explicar mais detalhadamente o que a fez tomar sua decisão de seguir em frente? – sugeriu ele continuando, enquanto fazia um gesto para o sofá a sua frente onde eu me sentei. Ele se sentou no outro ficando de frente para mim, com a mesinha de centro nos separando. Ficamos em silencio por alguns minutos, presos em nossos próprios pensamentos, até que se tornou um tanto desconfortável.
— Então... – começou ele.
— Então... – repeti sua fala sem saber exatamente onde ele queria chegar.
— Não tem mais nada para me dizer. – indagou novamente com aquele brilho de diversão no olhar.
— Não sei. Foi você que abriu a porta. – argumentei um pouco confusa, eu acho.
— É. Por que parecia que você não ia embora. – rebateu ele simplesmente, me olhando com a cabeça meio inclinada.
Mordi o lábio inferior, parando por um segundo para refletir, se havia algo a mais que eu quisesse dizer antes de entrar de cabeça nessa decisão. Eu definitivamente não queria que uma situação como a que ocorreu anteriormente se repetisse mais uma vez. E para evitar que isso acontecesse, eu teria que lhe informar da minha atual situação psicológica, e isso não me parecia uma opção atrativa, tudo o que não queria era que ele me achasse complicada, ou louca. E que isso de alguma forma o afastasse de mim.
Se eu optasse por essa alternativa teria que abrir o com relação ao meu passado junto a... Ele. Não que eu não confiasse, ou me sentisse confortável o bastante para contar minha historia para Stefan, mas se não o fizesse ele continuaria curioso quanto a isso, fazendo piadinhas e comentários em busca de pequenas reações minhas que lhe descem uma pista sobre meu passado. Mas só de pensar na possibilidade de ter que reviver tudo aquilo que mais me machuca, já me embrulhava o estomago.
Eu não conseguia falar sobre isso nem com meu psicanalista imagine com um cara que acabei de conhecer. Olhei para Stefan que também parecia perdido em pensamentos, enquanto observava o anel no dedo anelar com uma expressão um tanto melancólica. O anel possuía a inicial de seu sobrenome entalhado em prata sobre uma pedra fosca da cor de safira. Provavelmente um anel de família. Assim como ele tinha curiosidade sobre o meu passado, isso também me fez questionar sobre como fora o seu.
Eu queria saber sobre sua historia, sua vida antes de se mudar para Forks, sobre o que o fez se tornar esse garoto problema. Por que eu tinha certeza que nem sempre ele fora essa pessoa, eu via em suas raras atitudes quando estava distraído de que ele já fora alguém melhor, mais descente e menos baladeiro. Mas ele passou por coisas difíceis que o fez mudar, que o fez se transformar na pessoa que é hoje. Eu queria conhecer esse velho Stefan. Mas assim como eu não confiava nele o suficiente para me abrir, ele também mantinha essa recíproca.
Tudo o que eu sabia sobre Stefan era o que as fofoqueiras feito Jessica Stanley espalharam pela escola. E é claro, o que ele deixava escapar em nossas conversas. Eu sabia que ele tinha uma condição financeira boa, embora não soubesse o que gerava sua renda. Seus pais haviam morrido há poucos anos atrás, e ele aparentemente era mais apegado a mão, devido à tatuagem que ele fez em sua homenagem. O único parente que ele tinha era, Damon, seu irmão mais velho. Ele teve uma melhor amiga, Lexi, que morreu de forma trágica.
E também tinha sofrido decepções com varias pessoas que passaram pela sua vida, mas as que mais pareciam marcar eram as que vinham de suas ex namoradas.
Pude compreender um pouco o fato dele se identificar comigo; ele também já havia sofrido com relacionamentos fracassados antes, a diferença é que ele não ficou chorando sobre os cacos do coração sem saber o que fazer feito eu, e sim o remendou da melhor forma possível tentando conviver com sua nova realidade. Eu gostaria de ter essa força de vontade e convicção, mas eu era covarde e medrosa demais para isso, constantemente com medo de arriscar temendo que o pior acontecesse. Em minha concepção era sempre preferível estar preparada para o pior do que sofrer uma decepção quando o melhor não acontecesse. Talvez esteja na hora de mudar essa visão.
— Okay, acho que seria prudente eu abrir o jogo com você em questão ao meu passado de uma vez por todas. – decidi quebrando o silencio e o vi dar uma atenção especial ao que eu dizia. — Falar sobre isso ainda é difícil para mim, mas não acho que vá conseguir de fato seguir em frente se continuar a evitar tocar nesse assunto como se ainda fosse um tabu. – admiti com um pouco de dificuldade. Minhas mãos fechadas em punhos soavam e meu coração batia de forma acelerada, enquanto eu lutava para conter o mal estar parecer imparcial.
Ele ponderou sobre sua resposta por um momento antes de me olhar, girando o anel em seu dedo de forma distraída.
— Isso é uma decisão muito importante, e eu digo por experiência própria que enfrentar o passado não é fácil mas quando se o faz é libertador. Fico feliz que essa iniciativa tenha vindo de você. – ele sorriu em um gesto de incentivo.
Eu sabia que ele tinha escolhido as palavras com um cuidado especial, para não demonstrar o quão animado ele estava por finalmente poder saber mais sobre meu passado deprimente, mas a linguagem formal me lembrou do meu psicanalista, como se eu já não estivesse desconfortável o bastante com essa situação.
— Antes de fazer isso, aceitando de vez sua ajuda, eu gostaria de pedir duas coisas para você. – expliquei olhando diretamente para ele, observando sua reação.
Ele deu de ombros ajeitando a postura, enquanto apoiava as mãos nos joelhos.
— Tudo bem. Manda. – ele disse simplesmente, gesticulando para mim.
— Se eu vou realmente fazer isso, preciso de uma garantia de que você não vai me abandonar, mentir ou enganar, Okay? – indaguei apontando o indicador para ele, estreitando os olhos. Ele abriu a boca como se fosse protestar mas eu o impedi com um gesto de mão. — Não estou dizendo que você vai fazer isso, mas pode acontecer, e eu preciso de uma base algo em que possa me dar mais segurança.
— Prefere que eu jure com sangue? – questionou sarcástico enquanto mostrava o lado de dentro de seu antebraço, às veias arroxeadas mapeando por sua pele pálida. Eu podia ver em seus olhos que ele havia ficado chateado com a minha desconfiança, era por isso sua abordagem demonstrava, embora ele também parecesse ter o objetivo de me deixar confortável. o que funcionou em parte, eu ainda podia sentir os músculos do meu pescoço e costas rígidos e tensos.
— Até que não seria má idéia. – ponderei por um momento, inclinando um pouco a cabeça, embora não tenha levado isso a serio. — Mas não acho que o item ‘’bruxa semi- iniciante’’ esteja no meu currículo, por isso vamos deixar essas esquisitices para lá. Somente jurar parece o suficiente para mim. Embora eu não confie sem por cento em você. – confessei um tom tão acido quanto o dele.
— Se não confia em mim, como pode ter certeza de que irei cumprir o que prometer? – questionou-me ele serio.
— Outro voto de confiança, assim como esta sendo deixar você me ajudar. – respondi gentilmente, enquanto tentava dar um sorriso mínimo. Isso pareceu diminuir o seu mau humor, já que sua expressão visivelmente se suavizou.
— Okay, eu juro nunca te abandonar, mentir ou enganar você. – ele tentou parecer serio mais não conseguiu, soltando uma risada pela nariz. — Parece até que eu to fazendo votos matrimoniais.
E parecia mesmo. O que me fez esboçar um sorrisinho verdadeiro enquanto via nisso uma oportunidade de tirar sarro dele. Era impressionante como ele conseguia dissolver um pouco da tensão com seus comentários inapropriados, principalmente considerando o que estava por vim.
— Não acho que funcione desta forma Salvatore, primeiro você teria que pedir a minha mão em casamento ao pai feito um bom cavalheiro. – brinquei me fingindo de exigente. Fazer piadinhas sobre um relacionamento entre nós dois não parecia mais tão assustador como antes, principalmente agora que eu tinha certeza de que as possibilidades para isso eram nulas, também era uma ótima forma de concertar a cena ridícula que eu havia protagonizado poucos minutos.
— Não, acho que vá ter problemas com isso, seu pai me ama! – ele se gabou, de forma convencida. Arqueei uma das sobrancelhas com isso.
— Pode até ser, mas duvido que ele vá pensar nisso se me magoar. Lembre-se de que ele tem licença para atirar, e tenho certeza que ele não vai pensar duas vezes antes de meter uma bala no seu amiguinho de baixo. – zombei divertida, dando um olhar sugestivo para seu quadril. O que o fez arregalar os olhos e cruzar os braços em cima de suas ‘’partes’’intimas. Eu ri com isso, eu adorava acabar com a sua moral quando ele bancava o ‘’Sr. Sou muito foda’’.
Ele limpou a garganta parecendo um pouco constrangido com o que eu disse, o que o deixou muito fofo. Perguntei-me se não havia ido longe demais, fazendo piadinhas sobre sexo e genitálias, mas conclui que não. Nós dois somos adolescentes cheios de hormônios a flor da pele, não falar sobre isso em algum momento era impossível. Sem contar que, segundo um estudo que eu vi em algum lugar, ‘’homens pensam em sexo a cada vinte oito minutos’’ e do jeito sacana em que ele era, eu não duvidava nada.
— Tudo bem. Mas você tinha dito que eram dois pedidos. – ele me lembrou e um clima mais serio voltou, embora não tivesse a mesma carga emocional pesada que antes.
— É só algo de que eu tenho curiosidade, mas se não quiser me dizer eu vou entender. – assegurei enquanto olhava para as minhas mãos novamente.
— Fale de uma vez. – ele mandou ao ver que eu estava adiando.
— Eu queria saber um pouco mais sobre sua vida antes de vim para cá. – admiti, meio sem jeito.
Ele parou por um segundo, sua expressão ficando impassível a medida em que os segundos passavam, o que me deixou meio agitada. Ele reclamou da minha enrolação mas estava fazendo o mesmo.
— É justo. – ele concordou com aceno. — Você já vai fazer o mesmo.
— Obrigada.
Ele assentiu serio novamente, enquanto eu respirava fundo tentando controlar a tremedeira nas mãos.
— No inicio do ano passado eu me mudei para cá, para Forks. – comecei um tanto hesitante, olhando pra minhas mãos e evitando me perder nessas lembranças. — Minha mãe tinha se casado novamente e ficar longe de Phil, seu novo marido, a deixava infeliz. Ela precisava cuidar de mim, e Phil é jogador de beiseball da segunda divisão, e por isso ele viaja muito. Então eu decidi que seria melhor eu ir morar com meu pai, para que ela pudesse passar mais tempo com o meu padrasto.
— Foi um gesto muito altruísta da sua parte. – ele comentou tentando dissolver a tensão que pairava no ar.
— Talvez. – dei de ombros, sem emoção enquanto continuava. — Meu pai ficou feliz, nós não éramos muito próximos, e ele viu nisso uma forma de aproximação. Eu amo meu pai mas odiava Forks, ela era totalmente o oposto de Pheonix a cidade ensolarada que eu amava. No entanto, mesmo a contra gosto, eu tentei me adequar a minha nova realidade e fiz amigos. Agora eu sei que alguns deles eram falsos, mas naquela eu não me importava e isso parecia bastar. Foi então que eu conheci, ele, Edward. – franzi o rosto, a palavra saindo com dificuldade pela minha garganta seca. Fazia tanto tempo que eu não pensava ou falava no nome dele, mas era impressionante como o feito dele sobre mim ainda era o mesmo. Eu podia sentir o buraco em meu peito mal saturado pulsar como em um hematoma, em pequenos açoites de dor. Como se meu próprio corpo estivesse zombando do fato de eu fingir não me importar com esse assunto.
— Você não precisa continuar com isso se não quiser. – assegurou Stefan um pouco cauteloso, enquanto avaliava minha expressão.
— Não, eu preciso. Não posso ficar reprimindo tudo isso para sempre. – minhas palavras deveriam transmitir convicção, se minha voz não tivesse falhado no final. Mas mesmo assim eu continuei, desviando meus olhos dos seus para que ele não visse meus olhos se enxerem de lagrimas. — É engraçado por que no começo ele me irritava, mudava de humor muito rápido e isso me confundia. Dava para ver que ele queria se aproximar de mim, mas sempre dava desculpas se justificando por não fazer isso. Mas apesar de tudo isso eu descobri que estava apaixonada por ele, e o mesmo também parecia me corresponder. Edward me tratava como se eu fosse especial, única. Ele dizia que eu era sua vida. – recitei sua frase, limpando o canto dos olhos para evitar que as lagrimas caíssem.
Meu coração batia forte e eu soava frio como se estivesse doente. Eu me sentia muito cansada emocionalmente, quase como se eu não dormisse há anos. Talvez fosse o efeito do sono que eu cabulei, mas nunca me senti tão despertar era como se eu tivesse anestesiada; eu sentia tudo mas não conseguia reagir contra isso.
— Mas nada daquilo era verdade, aparentemente. Que fui parar em hospital, após cair de uma escada e atravessar uma vidraça, ele se auto-culpou por isso. Tínhamos brigado e esse acidente só aconteceu porque eu havia ido ao hotel em que ele estava hospedado, com a esperança ridícula de fazer as pazes. – eu ri em meio às lagrimas de amargura, encolhendo os ombros. Eu queria dizer a ele sobre James, Laurent e Victoria, mas não podia fazer isso sem que ele achasse que eu era esquizofrênica. Era essa versão que os meus pais conheciam e a mais normal.
Stefan me olhou com gentileza ao se inclinar para perto de mim e limpar com o polegar algumas das lagrimas que marcava minhas bochechas. Por um momento fiquei um tanto desconcertada ao tê-lo tão perto de mim, seus olhos era muito grandes e muito intensos. E por um momento eu me perdi neles. Segundos depois o oxigênio pareceu não ser o suficiente foi então que percebi que estava prendendo a respiração. Afastei-me do seu toque inspirando fundo e tentando situar minha mente, enquanto, em um gesto quase involuntário e um tanto infantil, eu passava as costas de minha mão para limpar os resquícios de tristeza.
— De alguma forma ele conseguiu se convencer de que era alguém perigoso demais para mim. Ele teve a confirmação disso quando seu irmão quase me matou... Enforcada. Jasper usava drogas e naquele dia ele exagerou demais, felizmente sua família chegou antes que algo verdadeiramente ruim pudesse acontecer. Edward não se perdoou por deixar isso acontecer. Pouco tempo depois ele ter minou comigo. Levou-me a uma floresta e disse que iria embora, ele havia convencido a família de mudar para um lugar onde houvesse melhores clinicas de reabilitação para o irmão. – expliquei, respirando fundo algumas vezes cada vez que sentia minha garganta se fechar em nó, e eu sentia a necessidade de me encolher, em toda minha insignificância, em uma bola e me afundar de uma vez em meu mártir.
Vi quando sua expressão mudou e ele abriu a boca para argumentar, mas eu o calei levantando a mão sabendo que ele provavelmente interpretou errado minhas palavras, de forma em que eu parecia uma injusta desalmada por querer que ele escolhesse a mim, do que o irmão. Boa parte daquela mentira era mais plausível do que a verdade. .
— Não me entenda mal, eu sei o quão importante isso é para o irmão dele. Mas não foi isso que mais me magoou, e sim o fato dele praticamente jogar na minha cara de maneira cruel que eu não signifiquei nada para ele, que rapidamente poderia arranjar outra. E que ele não me queria mais por perto. Aquilo me destruiu por completo. Parecia um daqueles sonhos ruins em que se é torturado vivo, mas diferente deles esse pesadelo nunca acabou. Eu achava que ficaríamos juntos para sempre, entende? O clichê do primeiro amor, mas era verdade para mim. Ver tudo isso ruir diante dos meus olhos foi demais para mim. – admiti me sentindo humilhada, enquanto olhava para minhas mãos.
Eu odiava chorar na frente de alguém, odiava parecer fraca. E o fato de isso acontecer com cada vez mais freqüência quando eu estava com Stefan, me deixava desconfortável. Eu não queria me apegar demais a ele, sempre que algo do tipo acontece alguém sai ferido. E eu não queria que fosse minha vez novamente.
— Olha você realmente não precisa continuar com isso. Eu estou vendo o que reviver tudo isso esta fazendo com você, parece estar sendo torturada viva. Falar tudo isso já foi o suficiente por hoje. – ele insistiu preocupado, parecendo agitado em me ver desta forma.
— Não, eu agüento. Eu preciso muito fazer isso. Quanto mais cedo enfrentar meus fantasmas do passado mais fácil se tornara ao me acostumar com a dor. – respondi conformada, fechando minhas mãos em punhos por que teria que falar da parte mais difícil da historia. — Eu não fiquei bem, comecei a definhar cada vez mais. Não conseguia comer ou dormir. Respirar para mim era difícil. Eu cheguei a beira de varias vezes considerar tirar minha vida, mais nunca conseguia ir adiante. Eu quase entrei em depressão, tive muita dificuldade em construir essa imagem que você vê agora, mas tive que montar minhas defesas para parecer indiferente a cada comentário ou xingamento que eu sofria.
Stefan fez uma careta com isso. Ele realmente não gostava de ver as pessoas me sacaneando, mas pelo pouco tempo em que me conhecia, já tinha a noção de que não gostava de ser tratada como uma garotinha em defesa, por isso ele deixa que eu lidasse sozinha com essas questões.
— Você me questionou o porque de tomar minha decisão de seguir em frente e a resposta é simples eu cansei de tudo isso, cansei de enganar a mim mesma tentando me convencer de que estava tudo bem, de que eu não me importava mais com isso, de que eu não sofria mais com essa questão. Eu enxerguei que estava me afundando Cada vez mais sem nem perceber. Eu fiquei com tanto medo de correr o risco ao tentar novamente, por que da primeira vez eu falhei, que não notei que estava perdendo a mim mesma. E se isso acontecer eu perco tudo. Não estou mais correndo de mim mesma, eu finalmente me sinto pronta para encarar isso de frente. – terminei com um sorriso verdadeiro e sereno daqueles que eu não dava há muito tempo.
Eu pensei que seria mais difícil de falar sobre, mas eu consegui e estava tão feliz com isso. De alguma forma parecia que agora eu conseguia respirar melhor, que eu podia sentir o ar passar por sobre minha pele como uma caricia, na sensação de leveza. Stefan me olhava de forma diferente, infiltrou uma das mãos no cabelo coçando a nuca sem jeito, enquanto ele tentava esconder um sorriso. Seus olhos brilhavam em algo parecido com admiração e orgulho. Isso me fez sorrir mais ainda apesar da cara vermelha e os olhos inchados.
— Você está feliz por mim?! – essa pergunta soou mais como uma exclamação. Eu estava um tanto lisonjeada, embora já esperasse algo do tipo já que desde que nos conhecemos ele tem tentado me fazer abrir os olhos. Mais ainda era surpreendente, para mim que não estava acostumada com esse tipo de coisa direcionada em minha direção por alguém de fora. Era como se eu pudesse sentir meu coração mais aquecido com isso.
Ele arqueou as sobrancelhas, confuso, mas nem isso pareceu desfazer sua expressão de bom humor.
— Por que não estaria? Você enfrentou tudo com muita destreza. E o fato de ter contado isso para mim, já prova que você no mínimo um pouco de confiança em mim. – observou ele enquanto parecia imitar minha mania de morder o lábio inferior ao tentar esconder um sorriso. Por um motivo que não consegui entender senti meu rosto queimar, e não duvidava estar mais vermelha que um tomate.
— Confiar? Se você acha 18% em uma escala de 100% um bom numero... – dei de ombros enquanto o provocava, Eu ainda não entendia o porque mais adorava fazer isso. Era como aquele jogo de quem bate mais forte na mão do outro, e mesmo que a minha ardesse como o inferno e ficasse vermelha eu me recusava a falar ‘’ai’’. Sua única reação foi esboçar um sorriso divertido, como se eu contasse uma piada, e um tanto pretensioso que parecia ser uma de suas características, enquanto se ensinava sobre a mesinha de centro, apoiando os braços dos joelhos, até ficar perto o suficiente de mim para que eu sentisse a diferença de temperatura da sua respiração.
— Tudo bem, eu tenho bastante tempo para fazer esse numero aumentar, agora que somos amigos. – e com isso ele ajeitou a postura, se reencostando no estofado de forma relaxada, deixando seus braços esticados na altura da cabeça acima do encosto, como se ele não precisasse se preocupar com isso. Como se isso fosse uma tarefa muito fácil. Trinquei os dentes e cruzei os braços, em um ato infantil virei o rosto bufando com sua atitude. Pude ver pelo canto dos olhos que suas bochechas se ergueram em um meio sorriso.
— Sabe é estranho falar com outra pessoa, sobre minha vida e sobre o que eu já senti. Ninguém nunca se incomodou em perguntar, talvez por que eu nunca demonstrei tão abertamente quando algo me magoava ou afetava de forma negativa. Eu sempre era a pessoa que se mantinha de forma imparcial e aparentava ser emocionalmente mais forte, talvez fosse por isso que diversas pessoas me viam como seu bote salva-vidas. Que conseguia os manter lúcidos nas horas mais difíceis – começou ele, a voz saindo meio amarga e os olhos pareciam perdidos nas lembranças que agora pareciam servir de mapa para que ele pudesse se guiar na narração.
‘‘Talvez a razão disto tenha haver com a minha criação. Meu pai, Giuseppe, sempre foi muito rígido comigo e com meu irmão, ele nos criava como soldados por isso não podíamos agir como as demais crianças. Tínhamos uma imagem a zelar, isso parecia ser a única coisa que lhe importava, passar a imagem de família perfeita perante a sociedade. Ele fazia parte do conselho de fundadores da nossa cidade por isso, deveríamos ser um exemplo, respeitados e se possível temidos. Ele sempre dizia que deixar se guiar pelos sentimentos era burrice, uma fraqueza inaceitável que ele não toleraria em sua prole. Ele não queria que nenhum de seus inimigos públicos pudesse ter algo para usar contra ele.’’
— Giuseppe odiava o fato de eu ser muito apegado a minha mãe, ele não queria que um filho seu fosse um ‘’mariquinha’’, como ele falava. Uma vez meu pai levou, eu e meu irmão junto a uma caçada com os amigos. De certo para exibir a sua ‘’gloria’’ ele gostava disso. Quando eu me recusei a atirar em um texugo, ele me levou para casa e me bateu o cinto de ferro nas costas. Tudo isso por que supostamente eu o havia envergonhado. Lembro de ter pedido desculpa e implorado chorando para que ele parasse. Mas isso pareceu o deixar com mais raiva ainda. – disse ele a voz saindo rouca e sem emoção. Fechei minhas mãos em punhos com isso. Eu podia imaginar um garotinho de cachos loiros chorando e isso só me deu náusea e fez com que meu coração se apertasse cada vez mais, no entanto eu não interrompi. Era melhor deixar que ele continuasse para terminar de uma vez.
‘‘Mais tarde quando ele terminou, minha mãe se ajoelhou na minha frente chorando enquanto me abraçava por não ter conseguido pará-lo. Damon não havia permitido que ela se aproximasse, tinha sido melhor desta forma. Ela já sofria muito com o marido abusivo, sempre que ele bebia muito descontava isso nela, e isso era um dos motivos para que eu não suportasse obedecer a ordens daquele monstro. Naquele dia ela me pediu para nunca hesitar em fazer algo que Giuseppe mandasse, mesmo se não fosse algo que meu coração queria. Ela me entregou um caderno e disse que sempre que algo me incomodasse ou atingisse era para que eu escrevesse ali.’’
— E foi o que eu passei a fazer. Sempre que ele me punia por algo que eu fazia, eu nunca chorava ou fazia algum ruído de dor. Eu permanecia inexpressivo, por que já havia aprendido a lição de nunca deixar que meu inimigo soubesse das minhas fraquezas. – seus olhos pareciam dois pedaços de vidro fosco da qual era se impossível de ler as emoções. Sua mandíbula trincou por um segundo e eu soube que as partes mais difíceis da historia estava preste a iniciar. Engoli em seco, sentindo minha garganta seca mas mesmo assim tentei manter minha expressão neutra, para não demonstrar todo o horror e nojo que eu sentia do seu pai. Pela primeira vez na vida fiquei feliz por uma pessoa como ele já estar morta.
‘‘ Dois anos depois minha mãe morreu. Ela tinha câncer nos pulmões e foi diagnosticada tarde demais, eu a vi definhar dia após dia e vi meu pai sofrer junto com ela. Ele era tão hipócrita. Mas talvez essa tragédia tenha servido para alguma coisa, por que ele se tornou um pouco mais tolerante, atencioso. Mas a verdade era que ele não se importava com mais nada, nem mesmo a imagem, já que suas bebedeiras e saídas já não eram tão clandestinas. No entanto ninguém comentava, ele era uma figura impotente e respeitada na cidade. Ninguém ia querer que sua fúria recaísse sobre si.’’
‘‘ O tempo passou e eu e meu irmão crescemos, logo cedo ele disse a nosso pai que não queria assumir os negócios da família, Damon foi chamado para o exército e aparentemente era isso que ele pretendia tomar para si como profissão. Então sobraria para mim este cargo. Nossa família era dona de alguns vinhedos da Itália sem contar os pensionários que também fazia parte do nosso patrimônio. Eu não tinha coragem na época para bater de frente contra essa decisão, então aos catorze anos eu já estava sendo instruído para essa função.’’
Seus olhos agora pareciam estar focados em mim e não pareciam mais tão mórbidos, e sim um pouco inexpressíveis mas normais.
— Eu deveria ter cerca de quinze anos quando a conheci. Ela havia se hospedado na nossa pensão, seu nome era Katherine Pierce, e ela só era alguns anos mais velha do que eu mais isso nunca pareceu me incomodar. Ela era linda e eu estava encantado com a gloria do primeiro amor. Katherine parecia sentir o mesmo e nós nos envolvemos. Meu romance foi duradouro até meu irmão voltar do exercito, aparentemente eu não fui o único a me encantar por sua beleza. – ele deu um sorriso sarcástico embora seus olhos tenham continuados impassíveis. Não pude esconder o choque ao entender a onde ele queria chegar, e nem mesmo evitar de compadecer por ele já que tinha uma vaga idéia de que isso acabaria mal, segundo sua afirmação de que o irmão e as namoradas tinham o marcado de maneira cruel.
‘‘ Foi então que começou uma disputa entre nós para agradá-la até que Katherine decidisse qual de nós ela queria. Eu não gostava de ter que competir com o meu próprio irmão por ela, fora ele que praticamente me criara depois que nossa mãe morreu, mais ainda sim o fiz. Por mais que aquilo me ferisse internamente, ela parecia mais importante que isso. Nós dois estávamos cegos pela paixão e agíamos como se fossemos inimigos. Tolos, não conseguíamos perceber que o inimigo era ela, que Katherine estava somente brincando com nossos sentimentos. Mas só fomos perceber isso anos mais tarde. Ela não conseguia escolher entre nós dois, dizia que amava-nos igualmente. Mas éramos homens, e como tal possessivos demais para aceitar esse tipo de coisa. E foi essa nossa briga que a fez ir embora.’’
‘‘ Minha relação com meu irmão nunca mais foi à mesma. Ele passou a me culpar pelo fato dela ter ido embora e disse que faria questão de infernizar minha vida por acabar com a sua. Poucos dias depois nosso pai morreu, ataque cardíaco. Não vou dizer que não sofri por isso, mas uma parte de mim se sentiu vingada por todas as coisas ruins que ele já havia feito. Desta forma eu e meu irmão seguimos caminhos diferentes, e por muito tempo eu não tive noticias dele. Mudei de cidade em cidade tentando recomeçar mas era sempre difícil.’’
Ele parecia cabisbaixo, mais então seus olhos adquiriram um brilho diferente que não pude identificar e ele continuou:
‘‘Não vou negar que não passei por momentos difíceis e já atingi varias vezes o fundo do poço. Eu arrumava formas de me auto-punir pelo que eu havia feito e pelo que eu havia me tornado. Eu mal conseguia olhar no espelho e ver na merda que minha vida tinha se tornado, eu havia acabado com a minha família. Mas Lexi estava lá e ela sempre mantinha minha cabeça erguida, mesmo que fosse só para que eu não vomitasse em mim mesmo. Ela sempre me fazia seguir em frente. Foi então que eu me mudei para Mistic Falls e lá eu pude finalmente deixar o passado para trás.
— Fiz amigos e refiz minha vida de forma muito melhor do que eu vivia antes. Finalmente eu tinha um lugar para chamar de lar. E talvez boa parte disso tenha sido graças a Elena. Foi com ela que minha vida pareceu se tornar muito mais colorida. Com ela eu pude perceber que nunca amei verdadeiramente Ketherine, por que o que eu sentia por Elena era muito mais intenso e forte. – explicou-me ele com um sorriso verdadeiramente franco, que o deixava como uma cara de menino. Um sorriso apaixonado, que não durou muito pois uma sombra atingiu seus olhos.
‘‘ Eu queria que aquilo tivesse durado por mais tempo. Damon entrou em contato comigo. Ele estava se mudando para esta cidade também, para estreitar os laços familiares, talvez. O que eu mais temi foi ver a historia se repetir novamente, por mais que Elena afirmasse que ela me amava e que nunca faria algo tão cruel como isso eu não conseguia acreditar. Meu irmão havia mudado muito desde o que acontecera, estava frio e sarcástico. Bebia tanto quanto nosso pai e não tentava esconder a antipatia que nutria por mim. Mas com Elena ele era diferente. Com ela ele era melhor e por ela ele fazia coisas que me deixavam ver um pequeno vislumbre do que ele já foi um dia.’’
‘‘ E era isso o que eu temia. Apesar das dificuldades que aconteceram, Elena permaneceu fiel a sua palavra, embora algumas vezes eu visse que ela estava balançada. Todas as circunstancias fizeram com que ela mudasse e nosso relacionamento começou a decair. Talvez eu simplesmente não tenha tido sorte no amor. Por que ela acabou traindo minha confiança e se entregou ao meu irmão. E eu só fui saber disso por outra pessoa da forma mais dolorosa possível. Diferente da outra vez, eu a cedi. Deixei que escolhesse com quem ficar, embora já soubesse a resposta. Ela era uma nova pessoa e eu já não me encaixava mais na sua vida.’’
— Talvez eu seja um péssimo irmão mas eu não consegui ficar feliz por ele. Não consegui ficar e assistir sua felicidade com a pessoa que eu amava por isso eu me mudei para cá. Desta vez eu faria diferente, eu estava cansado de ser tão compassivo e as pessoas acharem que por conta disso eu ai superar mais rápido, eu não ia mais sentir. Estava cansado de ser compreensivo e as coisas boas nunca permanecerem comigo. Foi então que eu entendi a regra que move o mundo: Se você é correto demais, estúpido demais, as pessoas vão passar em cima de você sem importar. Desde então eu tenho pouco me lixado para a boa conduta e eu deixando-me ser guiado pelas emoções. Por que quando você não se apega, não se importa, nada pode te ferir. – terminou ele com um sorriso acido, que desbotou em uma careta.
Respirei fundo analisando-o enquanto minha mente ainda rodava por tudo o que ele havia falado. Então era por isso que ele era assim. Eu não sabia exatamente o que dizer depois disso, tudo o que eu conseguia pensar era na vergonha que estava sentindo pelas vezes em que eu o ridicularizei pela forma em que ele agia, quando na verdade ele estava fazendo a mesma coisa que eu, se auto-protegendo da dor que poderia acontecer novamente. As pessoas são moldadas para superar obstáculos que se empoem no seu caminho. Para sobreviver. E para isso você algumas vezes perde virtudes e se esquece do significado da ética.
Eu não tinha o direito de julgá-lo por suas atitudes por que não conhecia sua historia, não sabia o motivo que o havia feito se tornar quem era hoje. As pessoas sempre têm um motivo para ser como são. E ele só estava evitando chegar no limite do inferno novamente. Isso me deixou um tanto surpresa e admirada. Eu tinha certeza que o antigo Stefan seria alguém que eu adoraria conhecer em um passado distante, alguém poderia ter me feito ficar apaixonada. Eu não entendia como aquelas garotas tinham o ferido tanto assim. Eu faria de tudo para ajudá-lo a se recuperar assim como ele estava se dispondo a fazer.
Segurei firme em uma de suas mãos por sobre a mesinha fazendo com que seu olhar se encontrasse ao meu.
— Eu nem sei o que dizer. Estou em duvida entre achar seu irmão um crápula egoísta e suas ex-namoradas vadias desalmadas. Tinha razão em dizer que temos algo em comum, você em um dedo tão podre para relacionamentos quanto eu. – eu dei um sorriso divertido tentando quebrar a tensão desconfortante que havia se instalado. Eu nunca pensei que um dia me veria fazendo isso, mas a expressão dele me deixou um pouco assustada por que ele nunca ficara triste e isso era uma das coisas que eu gostava nele. Minha tentativa funcionou em parte já que arrancou um meio sorriso seu.
Ele entrelaçou nossas mãos, colocando sua outra mão sobre a minha de forma que parecesse um sanduíche com a minha no meio. Pude notar como sua pele era bem mais morena e contrastava com a minha pálida e sardenta.
Ele deu um sorriso fraco e que parecia até mesmo de consolação. Esse papel deveria ser meu e não dele considerando as circunstancias.
— Eles são só humanos. As pessoas fazem de tudo para conseguirem suprir suas necessidades de serem felizes, mesmo que de forma momentânea. Você fala isso deles porque esta vendo pela minha perspectiva mas você não os julgaria se estivesse em suas peles e é por isso que não julgo, mas não quer dizer que isso se torna menos doloroso para mim. – respondeu ele encarando minha mão contra a sua enquanto traçava desenhos invisíveis sobre a palma, me causando arrepios na nuca que eu não consegui encontrar uma resposta do por que. Isso me fez sorrir mais abertamente o olhando orgulhosa, minha admiração crescendo cada vez mais. Eu estava feliz por ter uma pessoa tão virtuosa e incrível ao meu lado, como podia pessoas deste jeito ainda existirem?
— Como você consegue? Como ainda consegue ser tão bom mesmo depois de tudo o que fizeram a você? Como consegue perdoá-los tão facilmente? – questionei perplexa e incrédula enquanto esperava por sua resposta.
— Eu acredito na lei do retorno. Já fiz muita merda na minha vida, coisas da qual eu me arrependo até meu intimo, mas que não tem concerto. E eu acho que tudo isso aconteceu como uma forma de punição do destino. Também acredito que a felicidade vem na hora certa quando se faz por merecer. Por isso eu busco pela minha redenção mas não sei o que fazer para adquiri-la. Eu só... Pensei que se eu ajudasse alguém que passou por algo semelhante, já teria o começo da minha jornada. É sempre mais fácil ajudar o outro do que a si mesmo. – afirmou dando um sorriso duro.
Franzi atesta confusa, enquanto o encarava tentando encontrar sentido nas suas palavras.
— Você esta o que? Se auto-punindo? O que você pode ter feito para achar que merece toda essa desgraça?
Seu olhar escureceu por um segundo, enquanto ele desviava seu olhar do meu, como se eu pudesse descobrir todos os seus segredos através dos mesmos.
— Coisas ruins o bastante para fazer com que você se enoje de mim, para fazer com que me olhe com horror e nunca mais se aproxime. Tem coisas que eu ainda não estou preparado para dizer, assim como você também não esta. – disse com a voz rouca e fria. Senti minha garganta seca e um frio na espinha mas ainda sim não recuei diante do seu olhar.
— Eu vou estar aqui, okay? Assim como você esta fazendo comigo eu vou te ajudar da melhor maneira que eu puder. – dei um sorriso compreensivo.
— O Cullen não tem idéia do tesouro que perdeu. – disse ele dando um meio sorriso, enquanto sua expressão se suavizava.
— E suas Ex-namoradas burras não tem idéia que acabaram de dispensar o príncipe encantado que nunca mais vão encontrar. – falei em um tom divertido e meio zombeteiro.
Ele fez uma careta em menção ao apelido.
— Acho que prefiro você me chamando de garoto problema. – retrucou ele só para implicar comigo e me irritar.
— Ah cale a boca! A propósito; você não teria um energético por aqui, teria? – questionei de repente ao soltar suas mãos. — É porque preciso ficar acordada pelo resto do dia se eu não quiser ser demitida ou levar zero em espanhol.
Garotos como ele mantinham isso e bebida alcoólica em casa, eram itens indispensáveis de balaieiros populares. Meu tom verdadeiramente preocupado, fez com que ele risse alto dispersando de vez o resto da tensão que ainda pairava pelo ar. Provavelmente achando que eu estava brincando mais em parte não estava. Vendo isso ele se levantou ainda rindo guiando-me pela cozinha. Aproximar-me dele parecia muito mais fácil agora que éramos francos um com o outro com relação a nossas intenções, agora que não mantínhamos segredos um do outro. Eu sabia que podia confiar ao menos um pouco nele, mas ainda sim mantinha um pé atrás como uma medida de precaução. Eu tentava não me distrair do foco em si, não queria que acabasse como da ultima vez.
Acabou que chegamos atrasados na escola. Assim que tomei o energético, ele tomou um banho e se trocou, aproveitando também para me dar uma carona até em casa para que eu fizesse o mesmo. Ao chegarmos no refeitório juntos foi praticamente uma algazarra. Não pude deixar de ficar desconfortável e corar ao sentir diversos olhares inquisitivos, raivosos e até mesmo maliciosos enquanto andava até minha habitual mesa afastada e vazia. Stefan pareceu perceber meu constrangimento diante de tudo aquilo e se sentou com seus amigos, talvez tentando evitar que mais atenção recaísse em mim. Não que eu pensasse que ele fosse sentar comigo. Éramos ‘’amigos’’ mas ainda existia uma linha invisível que nos distanciava. Ele parecia bem disposto a rompê-lo.
Algumas vezes nossos olhares se cruzavam no refeitório e sorriamos um para o outro. Nós estávamos bem novamente embora não tivéssemos trocado muitas palavras durante o caminho até o meu trabalho, eu sabia disto. O silencio era até confortador, e me permitia colocar minha mente em ordem, tentando imaginar como seria daqui para frente. Era bom poder pensar sobre o futuro, era bom ter expectativas. Eu me sentia mais revigorada como se de fato fosse verdade a frase onde diz que a verdade nos liberta. Eu finalmente havia achado a chave que abriria as algemas que me prendiam ao passado.
Eu sabia que havia sido fácil demais me abrir, fácil demais tomar essa decisão. Por isso se tivesse sido um pouco mais esperta poderia ter me lembrado que nada vem fácil demais, sem vim com conseqüências desastrosas como a caixa de pandora. E eu tive a confirmação disso quando a inconsciência finalmente me alcançou, depois daquele dia que me deixou exausta.
Como na maior parte dos meus pesadelos, neste eu estava perdida novamente naquela imensidão escura e verde que compunha a floresta a noite e costumava ser palco das lembranças que mais me assombravam. Os galhos retorcidos das arvores balançavam com o vento ruidoso que me dava calafrios na espinhas. Eu me sentia tão sufocada e presa quanto um pássaro na gaiola. Eu podia enxergar um vulto negro que contornava as arvores de modo silencioso e impossível de se ver. Eu sabia que estava fazendo isso e era o que mais me assustava.
Senti uma respiração gelada na minha nuca assim como uma presença em minhas costas. Prendi a respiração com medo do que ia acontecer. Fechei minhas mãos em punhos ficando o mais parada possível, olhando fixamente para a arvore em minha frente. Isso não é real, não é real. Tentei me convencer embora sentisse minhas pernas bambas de choque, como se fosse desvanecer a qualquer segundo.
''Eu sei o que esta tentando fazer.’’ Disse a voz sombria e macabra, enquanto eu sentia sua boca perto da minha orelha. Não pude deixar de estremecer em repulsa. ’'Não vai funcionar.’’ Ele riu como se fosse muito engraçado.
Isso é o que você acha. Você esta com medo, por que sabe que desta vez eu estou muito perto de me livrar de vez de você. Eu disse tentando parecer o mais convicta possível.
’' Gosto quando você tem esperanças, quando luta. Porque é ainda melhor vê-la fracassar. não importa o que faça não importa quanto você tenha fé ou lute, você sabe nunca vai vencer. Tudo isso por que você não quer verdadeiramente se livrar de mim. Eu sou tudo o que prova que o seu sonho americano foi real. Sou eu que sustenta seu frágil psicológico.’’ Ele provocou mais eu ignorei, ele só estava tentando me amedrontar para não ter com quem lutar, isso pode ter funcionado antes mais não agora.
Fechei meus olhos o mais forte que pude, respirando fundo. Quando os abri novamente pude enxergar os contornos escurecidos do meu quarto. E pude em fim acalmar meu coração sentindo a adrenalina abaixara a medida em que meus batimentos tomavam uma freqüência normal. Ouvi um bipe auto que chamou minha atenção, ele havia vindo do meu celular. Desbloqueei a tela vendo que havia uma mensagem na caixa de entrada.
02, april 23:57
De: Garoto problema
Tenha bons sonhos, miss simpatia.
Abracei meu celular contara o corpo enquanto tentava evitar de sorrir com sua simples mensagem. Agora seria diferente, eu esta preparada para as conseqüência que a minha escolha poderia acarretar, mas não iria desistir sem lutar. Stefan estaria ao meu lado para me auxiliar assim como eu também estaria do seu. Seriamos o bote salva-vidas um do outro desta vez, e ninguém mais ia se afogar.
Nós iríamos sobreviver a tudo isso, por que seriamos fortes.
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