Begin Again - Lost Stars

11 The risk will make you lose or gain more than others


Notas iniciais
Hello, it's me! mas não taquem pedras por favor gente (risos). Eu sei que demorei mas aconteceram muitas coisas que me atrapalharam a desenvolver esse cap, o que mais influenciou nisso é que eu estava na semana de prova e não estava conseguindo nem dormir direito. Depois veio a porcaria do meu computador que pifou quando o meu pen drive ainda estava conectado e apagou todo o cap que eu tinha escrito até então. Eu senti que ia ter um piripaque e chorei como uma condenada porque eu não tinha outra copia. e depois de muito esforço só consegui postar agora, bem no feriado do Tiradentes! Bom vamos aos agradecimentos da vez: obrigado a Izzy Ramos Cullen, Alexandra Marques, Bea Cullen Salvatore, Bruna Soares, CapitãoGancho e Jennifer BlackWolf por comentarem no cap passado, muito obrigada amores! E um agradecimento mega especial a Yah Salvatore por favoritar a fic! e sejam bem vindos novos leitores! Já vou avisar que nesse não temos momentos Stella (Coro triste), é pessoal; eu achei que seria mais interessante retratar esses momentos pela perspectiva do Stefan e esse capitulo quem narra é a Bella. Aqui ela estará refletindo muito sobre a decisão que ela tomou, se fez o certo em confiar em alguém que mal conhece logo de cara. Tambem veremos mais sobre esse misterioso passado da qual ela não se lembra, veremos também que que ela não esqueceu momentos ruins mas lembranças preciosas. Boa leitura! nos vemos nas notas finais!

Bella Swan

Se há algo de bom em ser excluída socialmente e não ter amigos é que o silencio e a solidão te faz pensar melhor sobre algumas questões profundas da vida, te fazem refletir de uma maneira mais filosófica da vida. Gosto de fazer isso tanto quanto aprecio observar estranhos na rua, talvez seja algo esquisito e um pouco perturbador, mas aprecio observar pequenas coisas que freqüentemente passariam despercebidas pelos outros, como o céu no final de um crepúsculo.

‘’É a hora do crepúsculo. É a hora do dia mais segura para nós. A hora mais fácil. Mas também a mais triste, de certa forma... O fim de outro dia, a volta da noite. A escuridão é tão previsível não acha?’’ Dissera ele em uma lembrança distante.‘’Gosto da noite. Sem o escuro, nunca veríamos as estrelas.’’ Eu argumentara contra sua observação referente a si próprio, eu queria provar que apesar de ser uma criatura da noite ainda existia coisas boas dentro dele. Doce engano, doce ilusão.

Aquelas palavras ficaram marcadas na minha mente, e por mais que eu evitasse pensar em qualquer coisa referente a ele, era inevitável que algumas coisas viessem a minha cabeça. Eu sempre tive essa admiração inexplicável pelo céu, e talvez seja por conta desta lembrança que aderi esse costume de sempre olhar para cima. É impossível não se sentir pequeno mas ao mesmo tempo ter á sensação de liberdade e esperança ao ver aquela imensidão de cores que varia entre púrpura e vermelho pintado acima de nossas cabeças. As pessoas raramente param para observar o céu de verdade, para apreciá-lo talvez eu tivesse essa visão sentimentalista por conta da minha alma artística.

Dizem que essas pessoas são mais sensíveis e por isso buscam nas diversas vertentes da arte expressar suas dores e decepções. Na minha concepção eles eram na maioria uns ferrados vivendo suas vidinhas de merda. Pensando bem, até que eu me encaixava perfeitamente bem nessa categoria agora. Mas é claro que havia uma diferença gritante entre eu e eles, e não era só o fato de suas obras serem famosas. Mas sim o fato de seus trabalhos e esforço serem inspiradores para mim. Gostaria de ter essa determinação de conseguir transformar as coisas ruins e que me faziam mal em algo bom para os outros. No entanto tudo, o que eu retratava continuavam sendo uma tentativa patética de me apegar ao passado, quando minhas lembranças se tornavam turvas com o passar do tempo.

‘’Quando não souber distinguir o que é real, olhe para o céu. Assim como a gravidade nos puxa para a terra, o céu também ira te puxar para o presente’’ Foi o que minha mãe me disse depois daquele episódio no beco, e eu tinha que admitir que apesar de ser um pouco avoada, Renée também conseguia ser sabia em alguns momentos. Talvez fosse esse o verdadeiro motivo para que eu constantemente encarar o céu, talvez eu só esteja esperando que ele me tire o estupor, que me puxe para o presente. Porque por mais que o céu esteja constantemente sobre a minha cabeça tudo ainda parece tão surreal como se eu estivesse presa em um sonho que gira de forma vertiginosa.

Todos a minha volta achavam que eu tinha inventado sobre aquilo ou que, em um mecanismo de defesa, eu tivesse atribuído minha imaginação para tornar a visão de dois cadáveres estripados e mutilados menos chocante, como se ver uma demoníaca se alimentando de um cara morto fosse menos traumatizante. Isso pareceu se tornar mais verídico para eles quando, depois do meu testemunho fantasioso, encontraram material genético de outra pessoa na cena do crime, a quem acabaram por colocar a culpa. Independente do quanto Doug Higgins insistisse que era inocente, e só havia roubado a carteira do até então, recente defunto, isso não o impediu de ser julgado por homicídio culposo e ganhar quinze anos em uma cadeia.

Mas eu acreditava na inocência de Doug, porque eu sabia que o que tinha visto não era só coisas da minha imaginação. Quem dera fosse isso, desta forma aquela imagem não ficaria tão vivida na minha mente, aponto de me causar pesadelos à noite. Sem contar os machucados superficiais que Malcon, meu até então cachorrinho, havia feito nas minhas costelas quando a monstrenga se aproximou de nós. Eu tinha quase certeza que minha mãe deixou que eu ficasse com ele para esquecer, essa historia toda de mulher demoníaca canibal. Funcionou em parte mas veja bem, eu não sou do tipo de pessoa que esquece das coisas tão facilmente assim.

Em algumas das minhas reflexos filosóficas eu adquiria a certeza de que, ao presenciar um acontecimento chocante, você terá duas reações ligadas com o tipo de pessoa que você é. Uma pessoa que costuma ouvir seu instinto de sobrevivência e tende a ouvir seu lado mais racional, ao presenciar uma cena como essa, provavelmente vai desenvolver alguma espécie de trauma por que sua psique não estava preparada para absorver algo tão irreal assim. Ela também ira fingir que aquilo não aconteceu e evitara pensar sobre o assunto com medo de estar enlouquecendo completamente.

Agora uma pessoa que ignora seu instinto de sobrevivência e dá um chute sempre que pode no seu lado raciona, que se baseia em ‘’ só é real se foi provado pela ciência’’, não deixara que um acontecimento como esse passe em branco. Não. Ela vai investigar sobre o assunto, tentar encontrar respostas para aquele acontecimento sobrenatural por que ela sabe que nem tudo o que existe é provado pela ciência. Essa é uma pessoa corajosa e muito burra, por que todo mundo sabe que não é bom se deixar levar pela curiosidade. Isso sempre acaba em morte e ferimentos fatais, segundo os filmes de terror que abordam o assunto. Mas eu era uma garotinha muito estúpida e burra, que se enquadrava perfeitamente na segunda categoria de pessoas dessa tese.

Depois daquele dia eu dei um basta no balé, o que já devia ter feito faz tempo, eu era péssima nisso. Minha mãe entendeu isso numa boa, acho que ela sabia que aquele acontecimento havia me marcado profundamente e não queria que eu ficasse ligada a ele. Provavelmente queria que eu fosse como as pessoas racionais. Doce ilusão.

No inicio eu fiquei um pouco atormentada, sem conseguir parar de pensar sobre aquele dia, e algumas vezes tendo a impressão de sentir o hálito fétido e quente contra minha pele sempre que ficava sozinha ou fechava os olhos, isso sempre me fazia estremecer em repulsa. Tudo aquilo era chocante demais para que eu conseguisse esquecer tão facilmente, mesmo que no começo eu desejasse isso. Eu era uma criança então podia muito bem sentir medo.

Eu e meus pais nunca fomos muito religiosos, mais naquele momento eu precisava de algo que me desse conforto e me passasse à imagem de segurança. Foi a parti daí que passei a rezar toda noite antes de dormir, aquilo era meu escudo contra a loucura que buscava me assolar. Se aquela mulher realmente fosse um demônio talvez fosse bom eu ter alguma espécie de proteção espiritual. Eu não sabia se essa pratica tinha um efeito verdadeiro, no entanto servia para me deixar mais calma e confiante de que nada de ruim iria me acontecer.

Malcon também ajudava com isso, ele dormia nos pés da minha cama mesmo minha mãe tendo implicado no inicio. Dizem que cachorros são companheiros fieis, sempre atentos a qualquer ruído desconhecido, com ele ali eu me sentia muito mais segura por que sabia que ele iria me proteger. Com essa questão resolvida, eu pude ouvir minha curiosidade ao me focar em descobrir o que era de fato aquela coisa, com o que se machucava e o essencial: como se matava. E eu achei. Ela era um pontianak, um suposto fantasma da cultura da indonésia que morreu durante o parto e se tornou uma morta viva. Essa criatura se alimentava de pessoas, principalmente homens, e quando descobriam que a pessoa em questão era um estuprador ou infiel, ela arrancava a genitália por vingança.

Isso fez com que eu me perguntasse se o morto havia feito algo como isso enquanto ainda possuía vida. Acho que é afirmativo já que, segundo o exame da pericia, o homem teve a genitália mutilada. Sem contar que todas as características batiam, o cheiro floral depois pútrido, o uivo do cachorro ao longe... eram o aviso de que a criatura estava por perto. As imagens registradas não eram muito claras, mais havia certa semelhança com a das minhas lembranças. Aquelas informações provavam mais do que nunca que eu não havia inventado sobre o que havia visto, mas do que adiantava? Era muito mais surreal do que a explicação anterior, ninguém acreditou em mim antes imagine agora se eu disser o homem foi morto por um fantasma canibal. Por isso achei mais sensato guardar essa informação para mim.

Esse acontecimento ampliou minha visão sobre o mundo e eu me perguntei quais tipos de criaturas também podiam existir. Foi então que eu me tornei um tanto obcecada pelo assunto, gastando todas as minhas horas livres em pesquisas no computador, indo a bibliotecas publicas e comprando todo livro que remetesse a esse tipo de tema. Eu me concentrava essencialmente em conteúdos que remetiam a alguma religião ou a lentas pouco conhecidas de alguma cultura, esses geralmente tendiam a ter um fundo verídico, então eu sincronizava com os outros textos e se encontrava pontos em comum entre eles, anotava. Mas é claro que havia coisas tão fantasiosas que a chance de ser verdade era mínima, então eu excluía da lista.

Ao todo devo ter montado umas quatro cadernetas pequenas com todas as informações, Eu gostava do formato meio que de livro, parecia algo bonito e feito por um profissional e não rabiscos de uma criança de onze anos, eu caprichara bastante a respeito disso. Para mim, na época, aquilo era bem irado. Eu comecei a gastar um pouco da minha mesada para meio que me sentia uma versão feminina e anã do Van Helsing, algo mais próximo daqueles carinhas da serie supernatural, que é muito boa, a propósito. No entanto a diferença gritante entre eu e esses dois exemplos é que eles caçavam monstros, já eu só queria aprender a me defender caso esbarrasse novamente em um.

Não queria mais sentir medo nem ter a sensação de impotência, como da ultima vez. Todo esse fanatismo aos poucos sugou parte da minha infância, eu já não conseguia me identificar com as meninas da minha idade antes, imagine depois. Odiava usar aquelas maquiagens grudentas, assim como vestir roupas mais justinhas que marcavam meu corpo em desenvolvimento, ficar falando ou pensando em garotos me parecia tão idiota e bobo. Minha mãe dizia que cada garota amadurecia em tempo diferente, mas todas essas minhas atitudes avessas pareciam ser motivo o bastante para eu me tornar excluída socialmente, me tornando a esquisita da turma.

Não que eu não falasse com ninguém, mais eram conversas tão superficiais que se quer contava, elas geralmente tinham haver com algum trabalho escolar. Eu buscava sempre ignorar o julgamentos dos outros, mas isso não quer dizer que não tinha vontade de socar a cara daqueles que caçoavam de mim.

Respirei fundo, um pouco entediada. Eram minhas férias de verão e como sempre eu havia deixado Phoenix para passar duas semanas com meu pai na chatolandia, que era tão monótona que se uma mosca caísse morta seria motivo de noticia. Vim para cá acarretaria em deixar meu não tão pequeno cachorrinho, Malcon, na cidade ensolarada, assim como minhas pequenas cadernetas pela qual eu andava para cima e para baixo. Mesmo que minha mãe tenha prometido nunca esquecer de dar comida e água ao meu pastor alemão, assim como sempre levá-lo para passear eu ainda sim, não conseguia relaxar. Cuidar de Malcon sempre ocupava boa parte do meu tempo e me entretia, com ele as horas pareciam passar rápido demais.

No entanto agora o relógio parecia parado no tempo, sem nunca se mover. Inicialmente eu e meu pai tínhamos ido a reserva La Push para almoçar na casa do amigo dele, Billy, mas como todo adulto tagarela eles começaram a conversar depois disso. E eu soube no exato momento em que ele disse ’’Bella, porque não vai brincar lá fora com as gêmeas?’’, que ia demorar até que fossemos embora. Adultos não gostavam que crianças ouvissem suas conversas, por isso atribui aquela frase como se ele estivesse me despachando.

Eu havia saído da pequena casa e caminhado na margem da praia sozinha, sem tomar uma iniciativa de chamar as garotas como meu pai disse. Eu sempre ficava meio temerosa com relação a socializar, vai que elas não gostem das mesmas coisas que eu? então ia surgir aquele momento estranho que eu me refiro a algo que elas não fazem idéia. Fiquei há uma distancia bastante considerável da água, afinal uma experiência traumática com relação a isso parecia ser o bastante para mim.

Eu havia achado um pedaço de galho seco e agora, e agora no meu momento de monotonia, estava desenhando formas irregulares na areia molhada. ‘’ S.O.S Ovne caído em terras desconhecidas’’ escrevi em grandes letras garrafais sobre a terra mais escurecida, não conseguindo evitar meu divertimento ao imaginar um piloto de avião sobrevoar sobre essa mensagem. Pude ouvir o barulho de cascalhos sendo triturados por passos nada ritmados, no entanto não me virei. Não havia mais ninguém na praia, devido ao clima meio frio, sem contar o pouco tempo em que a garoa havia parado.

— Ficou bem legal!– uma voz exclamou as minhas costas. O que me fez virar em direção a origem um pouco assustada, automaticamente fechando meus dedos sobre o galho com mais firmeza, eu havia aprendido a nunca ser pega de surpresa novamente.

Eram as filhas do Billy, Rachel e Rebecca. Eu não as conhecia muito bem mais havia uma certa diferença que as distinguia, apesar de serem gêmeas idênticas. Rachel tinha o rosto atento e um sorriso sapeca nos lábios, usava um casaco de lã branco com linhas horizontais coloridas e irregulares, assim como duas tranças que prendiam seu cabelo escuro dos dois lados da cabeça. Rebecca tinha feições mais serias e o rosto mais largo, usava um moletom rosa e o cabelo preto estava preso em um rabo de cavalo alto. Ela parecia estar contra a vontade junto a irmã, os braços cruzados como se para dar ênfase a isso. As duas tinham a pele avermelhada do pai, mais um pouco mais claro devido a mistura de cores, já que a mãe delas, a falecida tia Sarah, era branca. Da mãe elas também puxaram os olhos grandes e bem marcados por cílios longos e sobrancelhas negras.

Apesar de serem dois anos mais velhas do que eu elas na eram muito altas, tinham uma estatura próxima a minha.como se estivesse vendo a pergunta muda no meu rosto, a garota da esquerda, Rachel, sorriu e disse:

— Você acredita em Et’s? ficou muito irado essa mensagem! Eu sempre me perguntei o que um ET falaria ao ter sua nave caída na terra. – disse a garota com humor enquanto esboçava um pequeno sorriso.

— Obrigada. – agradecia acanhada, enquanto as avaliava para ver se elas estavam sendo debochadas, mas aparentemente não estavam. O que me fez abaixar um pouca a guarda e exibir um sorriso tímido. — Mas os cientistas não encontraram provas o suficiente sobre isso para que eu tenha cem por cento de confiança. Prefiro acreditar em coisas que eu já tenha visto com meus próprios olhos. – afirmei dando um meio sorriso, sem querer ser mal educada.

— Tipo criaturas sobrenaturais? – perguntou ela de maneira esperta, como se já soubesse a resposta, enquanto arregalava os olhos. Senti meu rosto corar um pouco a sua menção. Geralmente era nessa parte que as pessoas zombavam de mim. – Meu pai disse que você acredita nessas coisas, mas relaxa eu também acredito. Eu penso que assim como existe o bem e o mal, existem criaturas para representar esses lados. – explicou ela em um tom conspiratório e animado como se finalmente houvesse encontrado alguém com quem pudesse conversar sobre esse tipo de coisa.

Rebecca bufou parecendo impaciente, para depois cruzar os braços, contrariada enquanto dividia olhares entre eu e a irmã.

— Que Ótimo! Era só o que me faltava você encontrar alguém para falar das suas esquisitices de nerd. Acho que a supersticiosidade do papai esta se tornando contagiosa. Quer saber de uma coisa? Até ficar brincando de carrinho com o Jake é melhor do que ficar aqui ouvindo essas babaquices dessa garota estranha. – disse ela e se virou bisando duro enquanto seguia para longe dali.

Minha cara incomoda com as suas palavras deveria estar muito evidente porque Rachel me olhou de uma forma consolativa, colocando uma das mãos em meu ombro.

— Não liga para a Becca, ela é meio mimada e estourada mesmo. Aposto que esta com ciúmes porque o papai não esta dando atenção para ela.

— Esta tudo bem, eu já estou acostumada com esse tipo de coisa. Mas eu fiquei curiosa a respeito do que ela disse sobre o seu pai. – admiti soltando o galho enquanto estralava os dedos de forma repetitiva. Ainda bem que eu perdi esse ato com o tempo, era meio irritante. Um dos tópicos da minha pesquisa envolvia lendas das culturas locais, e como Rachel descendia de uma família com forte raiz indígena-americano isso já estava me animando ao ponto de eu esquecer, a grosseria da sua irmã.

— Sobre ele ser supersticioso? É verdade, mas não do jeito exagerado que ela disse. È que existem umas lendas muito legais sobre nossas origens e batalhas, e isso meio que envolve o lado sobrenatural. Vem comigo que eu vou te contar um pouco mais. Quem sabe assim no futuro não viramos uma dupla feito os Winchester? – ela piscou de forma divertida, para depois entrelaçar meus braços no seu e me puxar para caminhar pela margem da praia.

Daquele dia em diante, minhas ferias de verão em Forks não se tornaram mais tão entediantes, por que pela primeira vez na vida eu encontrei alguém que me entendia, que não me julgava por opiniões alheias. Eu encontrei alguém que pude verdadeiramente chamar de amiga.

[...]

— Achei que ficaria um clima estranho quando nos encontrássemos novamente, afinal fazem um pouco mais de quatro anos que não nos vemos. – comentei um pouco tímida enquanto colocava algumas mechas de cabelo que escaparam do meu coque frouxo atrás da orelha.

Era sábado de manhã e eu estava passando o dia em La Push. Rachel tinha chegado do colégio interno há pouco tempo, como Jake havia me informado a poucos dias então eu me voluntariei ir com ele buscá-la no aeroporto de Seattle. Eu estava ansiosa e um pouco nervosa por conta disso. Eu lembrava que meus verões em Forks foram um pouco menos piores com ela ou meu lado, nós duas acampávamos, fazíamos noite das garotas onde jogávamos muito vídeo game. Talvez seja por isso que nos dávamos tão bem antes, éramos bem molecas.

No entanto se passara muito tempo desde a ultima vez que nos vimos, e eu fiquei um pouco temerosa ao tentar uma reaproximação, quando nós duas poderíamos ter mudado tanto nesse meio período, mas eu já estava arriscando aceitar a ajuda do Stefan, então pensei: Foda-se! Já estou fazendo isso, vou arriscar com uma antiga amizade também, afinal o que mais de ruim pode acontecer? Ela dar uma resposta mal educada, me observar como se eu fosse esquizofrênica? Muita merda já tinha acontecido na minha vida, então dificilmente a reação dela poderia fazer ficar pior. Mas toda a minha neura acabou quando ela me abraçou no aeroporto como se eu também fizesse parte da sua família, e ela só houvesse ficado longe durante um fim de semana.

Uma sensação de reconforto e felicidade passou por mim no meio daquele gesto. Era bom saber que não estava tão sozinha quanto eu imaginava antes.

— Que besteira! Nós podemos ter mudado bastante durante esse período, mas o que molda nossa personalidade de agora é que fomos no passado. e eu te agradeço pela grande influencia que teve nisso, por me ajudar a construir aquela garota que se tornou o elemento base de quem eu sou hoje. – ela comentou de forma gentil e honesta, enquanto caminhávamos pela margem da traia não tão movimentada hoje. Ela parecia ser a mesma garota arteira que conheci a sete anos atrás.

E para falar a verdade Ray não havia mudado muito. Sua pele continuava daquele mesmo tom que se assemelhavam a um bronzeado desbotado, os cabelos longos caiam até o meio das costas em cascatas, que eu sabia serem falsas. O cabelo dela era de um tipo liso escorrido, aquele popularmente dito ‘’cabelo lambido pela vaca’’. Ela continuava baixinha, para falar a verdade ela era alguns quase imperceptíveis centímetros mais baixa que eu, a considerada pintora de roda pé.

Quase imperceptíveis por que ela aparentemente tinha gosto por saltos, especificamente hoje ela havia trocado por uma rasteirinha, afinal não dava para andar com eles na areia. O rosto fino e o sorriso pequeno ainda eram os mesmos, embora agora apresentassem uma fisionomia mais adulta. Para ser sincera sempre achei que ela parecia uma versão feminina do Bruno Mars, embora nunca tenha falado isso diretamente para ela.

— Eu não me lembrava de você ser tão sabia assim. – brinquei divertida, e naquele momento meu celular fez um barulho chato que indicava mensagem recebida, mas eu ignorei, se quer olhando para ver quem mandara. Provavelmente era da operadora, já que meu pai sabia que eu estava em La Push.

Rachel riu um pouco com isso, como se já esperasse algo do tipo mas ainda sim estivesse surpresa.

— Pois é. Acho que todo mundo ficou surpreso quando eu fui aceita para cursar sociologia no outro lado do país. Julgavam-me porra loka demais para isso. Acho que todos imaginavam que fosse eu a fazer algo imaturo e estúpido como casar com um desconhecido aos dezessete anos, e não a Becca que era ‘’certinha’’ demais. – ela revirou os olhos enquanto fazia aspas com os dedos.

— Mas eu aposto que você esta feliz com isso, em relação a superar as expectativas dos outros sobre você. De provar que você é mais do que eles achavam sobre você. – supus observando seu rosto para ver sua reação.

— É claro. Meio que da uma sensação de contentação vingativa sobre isso, sua própria vitoria e grandeza meio que derrotou os pré-julgamentos dos outros, é como num debate; onde você apresenta um argumento incontestável que as pessoas não tem nenhum para rebater a altura. – explicou ela enquanto fazia gestos com as mãos. — Mas é claro que eu não condeno a Rebecca por se casar tão jovem. As pessoas são movidas por impulsos, então era de se esperar que ela, que não fazia nada de irresponsável, fosse fazer algo do tipo mais para frente. E para falar a verdade poderia ser bem mais chocante, ela poderia ter engravidado. No final nada disso vai importar, porque se ela esta feliz eu também estou. Becca já é grande o suficiente para decidir o que quer para si mesma. Sem contar que Ethan é um gato! – afirmou ela rindo.

Tinha me esquecido como Ray era tagarela, quando éramos pequenas era ela que sustentava a maior parte das conversas. Não que isso de alguma forma me incomodasse, era até mais eficiente já que eu não gostava de puxar conversa.

— Serio? – arqueei uma das sobrancelhas. Eu era uma garota, e como tal, sempre curiosa com relação a garotos.

— É sim, eu tenho até uma foto que a Becca me enviou a poucos dias dos dois. – disse ela enquanto pegava o celular e teclava alguma coisa antes de estender o celular na frente dos meus olhos.

Na tela aparecia uma Rebecca com os cabelos loiros quase platinados, lisos e bem mais curtos que o da irmã. Ao seu lado havia um homem parecendo um pouco mais velho que ela, com o maxilar forte, a pele bem bronzeada, cabelo curto de um tom claro e olhos meio esverdeados. Ele era bem gato e eu tinha que admitir que apesar de ser uma mala, Rebecca tinha bom gosto para homens. Ao fundo da imagem pude ver uma paisagem paradisíaca meio surreal, então me lembre das palavras de Jacob a um tempo atrás. ‘’... Se casou com um surfista samoando e agora mora no havaí’’

— Nossa! – exclamei piscando algumas vezes para assimilar a imagem. Rebecca na foto parecia uma pessoa muito diferente da qual eu havia conhecido, seu sorriso amplo e verdadeiro em nada se parecia com a feição seria e até carrancuda que antes ela levava no rosto. Rachel parecia estar se divertindo um a minha reação, pois ela riu enquanto ainda observava a imagem junto comigo.

— Eu sei! Até eu cometeria loucura de me casar com uma beldade dessas sem pensar duas vezes, Becca foi esperta em garantir que ele fosse dela de uma vez, por que se não ia chover mulher na horta dele. Se você ta assim com uma imagem do rosto dele, não quero nem imaginar o que ia pensar ao ver a barriga dele, meu deus ele tem um tanquinho super gostoso!

A sua citação imediatamente me lembrou a alguns dias atrás quando vi Stefan sem camisa. Isso quase que instantaneamente me fez ruborizar de forma vergonhosa. Qual era meu problema, afinal? Eu sei que a barriga definida dele era sexy mas não era como se eu nunca tivesse visto uma na vida. Na TV! Ao vivo em cores é uma situação completamente diferente, minha mente zombou.

— Tinha me esquecido de como você ficava vermelha com essas coisas, olha só para você! Parece que vai explodir! – ela obviamente estava se divertindo as minhas custas.

— Não tem graça! Eu devo estar parecendo um semáfaro; vermelho e chamativo como uma placa em neon. – ralhei tampando o meu rosto com as duas mãos como se isso de alguma forma fosse diminuir minha humilhação vergonhosa. Pude ouvi-la soltar um riso pelo nariz, de forma confortadora enquanto colocava um dos braços sobre minhas costas.

— Nem sei por que você ainda se constrange com isso. Somos adolescentes, é normal falar sobre esse tipo de coisa. Nós duas já tivemos namorados então não é necessário tratarmos esse tipo de tema como um tabu. – afirmou. Quase que instantaneamente eu enrijeci parando repentinamente da andar ao ouvir sua observação. Minhas mãos ainda repousavam sobre os olhos e eu as deixei ali com medo de encarar a garota ao meu lado.

Pode parecer ingenuidade mas quando decidi visitar Ray, nutri a esperança de poder sustentar a imagem de menina tímida e divertida da qual eu fora um dia. Sem ter os olhares críticos me avaliando a todo momento, como se a qualquer instante eu fosse dar um passo em falso que confirmasse suas opiniões sobre mim. Eu só queria ter aqueles curtos momentos onde eu pudesse ser a Bella da qual ela se lembrava e eu sentia falta de ser.

— Não deveria me surpreender por você estar informada dos últimos anos da minha vida. Principalmente sobre o que aconteceu nos últimos meses. Fico me perguntando quem te deixou por dentro de todo esse drama que se tornou minha vida, embora eu já tenha um vago palpite sobre isso. – admiti por fim, quebrando o curto silencio que havia se instalado, e deixado que minhas mãos escorregassem pelo meu rosto.

— Seu pai falou com o meu que falou comigo, assim como o Jake. – ela explicou com visível descaso usando os dedos para esquematizar os processos de ida e vinda.

Joguei a minha cabeça para trás e soltei um gemido de desgoste, batendo o pé feito uma criança birrenta em irritação, eu acho. Identificar os sentimentos estava se tornado cada vez mais fácil, apesar de eu ainda ter algumas dificuldades nisso. Acho que eu só estava um pouco constrangida que minha vida pessoal fosse motivo de discução alheia. Os males de cidades pequenas. Naquele momento meu celular apitou outra vez, mas eu ignorei de novo. Quem quer que fosse poderia esperar.

— Acho que subestimei a agilidade dos efeitos da velhice, porque somente isso explica o fato dos nossos pais fofocarem como duas velhas fuxiqueiras. – reclamei em brincadeira, embora meu desconforto com a situação fosse real. Ray gargalhou com a minha observação que me fez acompanhá-la inconscientemente, mesmo que de uma forma mais fraca. Essas reações quebraram um pouco da tensão que a alguns minutos se instalara.

— Eu tinha me esquecido desse seu humor rabugento. – comentou ela após se recuperar. — Essa situação é tão engraçada, porque sua personalidade em nada condiz com a sua aparência, você é tão pequena e fofinha, é como se uma criancinha estivesse xingando. Lembra? Eu sempre ria quando você mostrava o seu dedo do meio minúsculo. – ela se apoiou em mim enquanto os risos continuavam.

Estreitei os olhos, cruzando os braços, contrariada. Tinha me esquecido que Rachel também amava tirar sarro de tudo.

— Você não pode mais zombar de mim! Eu sou mais alta que você agora, aquilo que você fazia comigo antes era Bullying. – ressaltei apontando o dedo em sua direção.

Ela revirou os olhos com isso

— Como eu disse: rabugenta. E só para deixar claro, os caras gostam de mulheres baixinhas, okay? Pelo menos nenhum dos que estiveram comigo reclamaram quando eu estava abaixada chupando o...

— Tudo bem eu não preciso saber dos detalhes sórdidos da sua vida sexual! – interrompi tampando os ouvidos como se isso fosse me impedir de ouvir a ultima parte da frase.

— Não é porque a sua vida sexual ficou estagnada, que a minha também ficou. – ela disse, claramente se divertindo das minhas reações. De novo.

— Vamos parar de falar sobre minha vida sexual, okay? Até porque eu nem cheguei a ter uma. – e pronto! A frase que supostamente deveria ter acabado com essa linha de raciocínio foi o ápice que lhe despertou a curiosidade.

Ela arregalou os olhos olhando para mim como se tivesse nascido uma segunda cabeça no meu pescoço, antes de respirar fundo e me olhar mais seria.

— Você tem a certeza absoluta de que seu ex-namorado não era gay? – ela pronunciou de forma lenta observando minha reação.

Foi a minha vez de arregalar os olhos, chocada.

— Não! Quer dizer, sim, ele não é gay! – eu acho, completei em pensamento. Edward nunca demonstrou outra espécie de orientação sexual, mas também nunca deixou claro que era só mulheres, para falar a verdade eu nunca tinha parado para pensar sobre o assunto. Mas eu tinha quase certeza absoluta de que ele não era gay. Uma parte de mim estava incrivelmente grata por tratarmos deste assunto de forma superficial e leve, eu não sabia se agüentaria mais uma outra onda de carga emocional pelo mesmo motivo.

— Tudo bem, já que você afirma com tanta convicção... – ela deu de ombros. — mas sabe o que isso quer dizer não? Que você é uma verdadeira bonequinha de porcelana perfeita! é tão bonitinho você ainda ser virgem, e também uma raridade.

— Ta bom! Vamos parar por aqui porque isso já esta indo longe demais! – esse era um daqueles momentos que eu verdadeiramente queria que aparecesse um buraco no chão para enfiar minha cabeça feito um avestruz.

— Okay, estressadinha. – ela concordou levantando as mãos para o alto como se eu tivesse apontando uma arma para ela, para depois sorrir de uma forma marota como se tivesse acabado de arranjar outra forma de me deixar constrangida. – O que me surpreendeu bastante foi o entusiasmo com que meu maninho tem citado você ultimamente.

Franzi o cenho, um pouco confusa com a sua frase.

— O que você esta querendo insinuar com isso?

Foi a vez dela arquear as sobrancelhas, um pouco cética.

— Vai dizer que não percebeu o tombo, ou melhor, o iceberg do Titanic que meu irmão tem por você? Puxa como você é lenta para essas coisas. – ela meio que zombou, colocando as mãos na cintura.

— O Jake? – perguntei fazendo uma careta. — Que isso! A gente é só amigo, não inventa Rachel! – Chacoalhei a cabeça se quer considerando essa alternativa.

Eu via Jake como um melhor amigo e irmão, seria muito esquisito imaginar nos dois desse jeito. Se bem que eu acho que Charlie apoiaria cem por cento essa idéia. Mas ainda sim não acho que daria certo de qualquer forma, eu nunca poderia ficar com ele sabendo que jamais poderia retribuir o que ele sente. Por sorte ele não sente nada se não o sentimento de companheirismo e amizade, o que tira boa parte do peso na minha consciência. Eu definitivamente não estava preparada para agüentar mais uma dose de drama na minha vida.

Mas eu tinha que admitir que Jacob havia tido um incrível surto de crescimento desde a ultima vez que eu o havia visto, estava mais alto, musculoso e com fisionomia de adulto. Qualquer um que olhasse de fora jamais ia acreditar que ele tinha dezesseis, quase dezessete anos. Mesmo assim, eu o conhecia da época em que ele era magricelo e desajeitado, era esquisito pensar nele como um cara com a qual eu poderia me relacionar. Para mim ele sempre continuaria sendo aquele garoto fofinho, como um irmão menor que eu nunca tive. Se bem que agora eu sou menor que ele.

— Eu não estou inventando! Sete de cada dez frases que ele fala é referente a você! – ela argumentou inclinando um pouco a cabeça para frente.

— Cale a boca! – como se não bastasse todo o constrangimento que ela estava me fazendo passar, o dito cujo de nossa conversa estava vindo em nossa direção junto dos amigos.

Os garotos juntos a ele eram igualmente grandes e fortes, embora suas feições denunciavam que suas idades eram próximas a do Jake. Mesmo assim isso me fez questionar se aquele grupo freqüentava alguma academia local, ou usava algo ilícito para aumentar a massa muscular. Todos eles usavam shorts meio esfarrapados e o peno bronzeado estava nu. E eu juro que tente não olhar para a barriga super definida e malhada daqueles garotos. Eles ainda eram menores de idade e com certeza eu poderia ir presa por ficar olhando eles desse jeito.

Mas você tem que admitir que dava para lavar muita roupa naqueles tanquinhos definidos por Deus, Minha consciência depravada argumentou. Como se minha situação já não fosse tão humilhante, Minha mente pervertida começou a conjurar imagens deles pegando uma esponja e deixando que uma trilha de água com espuma serpenteasse seus corpos bronzeados, como naqueles videoclipes. Corei em mais de um milhão de tons de vermelho com isso. Ganhei uma passagem de ida só para o inferno, o que houve com a parte de Jake é como um irmão? Foi parar no mesmo lugar que o dela provavelmente, minha consciência outra vez respondeu, me dando a certeza de que provavelmente eu ia ganhar mesmo é uma passagem para o manicômio.

Foi então que percebi que Rachel não estava tendo uma reação muito melhor que a minha; sua boca aberta demonstrava claramente isso. Eu também podia ver seu tórax se mexer de forma rápida como se para demonstrar que ela estava hiperventilando. Isso fez com que eu me sentisse um pouco melhor, ao saber que não era a única a babar feito um cachorro por um osso. Sem contar que eu poderia usar esse fato para chantagens futuras. Mas eu tinha que admitir que não era nada fácil ignorar aquelas beldades que corriam pela margem da praia feito os salva-vidas de SOS Malibu.

Lista de tanquinhos visto ao vivo pela Bella, até então:06

— E ai, mana?...Bella. – cumprimentou Jake ao passar por nós. Eu cumprimentei com a cabeça com medo de que se falasse algo se tornasse ilegível, por via das duvidas busquei me focar no seu rosto e não no resto.

— Garotas. – falou outro grandalhão ao lado dele mais, seus olhos pareciam despir Rachel com os olhos. Momento de vergonha alheia total.

Eles continuaram a caminhar agora rindo de algo que Jacob fez, mas eu não consegui identificar.

— Acho que você esta dando muita bandeira que esta secando os amigos do seu irmão. – Falei divertida tentando reprimir cair na gargalhada. O pior que ela estava dando muita bandeira mesmo, algumas pessoas até encaravam a esquisita que havia quase quebrado o pescoço para acompanhar o andar deles. Ao ouvir minhas Palavras foi ela quem corou, o que me fez não agüentar e soltar uma sonora gargalhada.

— Isso não tem graça nenhuma! – ela resmungou cruzando os braços, contrariada como uma criancinha emburrada.

— Só por que é com você. – rebati ao limpar as lagrimas no canto dos meus olhos.

— Você viu que Jake te mediu de cima abaixo, e pronunciou seu nome de forma mais lenta como se tivesse saboreando a palavra? Ele com certeza estava flertando com você, só faltava fazer um strip tease, se bem que eu acho que você não ia reclamar nem um pouco. – zombou ela tentando reverter à situação onde ela era o alvo de zoação.

— Quem tava fazendo isso era você e aquele grandalhão. Eu e Jake somos amigos, e só seremos isso, sem margem para discução.

Ela pareceu repentinamente pensativa com minha ultima frase.

— Eu só fiquei surpresa por meu maninho andar gente tão... pegavel. Por falar nisso você sabe o nome daquele Deus grego que não tirava os olhos de mim?– questionou ela agora prestando muita atenção no que eu iria dizer.

— Eu acho que é Paul. – respondi franzindo o cenho. Por que diabos ela queria saber disso?

— Eu achava que minhas férias seriam um pouco entediante mas acho que acabei de encontrar uma nova diversão. – afirmou ela em um tom malicioso enquanto mordia o lábio inferior. Aposto que estava passando muita pornografia naquela mente poluída.

— Toma cuidado! Você tem quase vinte e um isso já pode ser considerado pedofilia. – alertei de brincadeira, o que a fez rir. Então nós duas começamos a andar pela praia novamente, o dia começava a ficar um pouco ensolarado o que me surpreendeu já que estávamos em forks.

— Papai também comentou sobre o novo amuleto da sorte de Charlie, um pupilo que leva os Seahawks no peito... – Sua fala foi interrompida por mais outro bipe de mensagem recebida. — E eu acho que talvez ele tenha haver com essas insistentes mensagens que você parece gostar de ignorar. – deduziu ela arqueando uma das sobrancelhas, de maneira esperta.

Mordi o lábio inferior enquanto finalmente pegava meu celular, desbloqueando a tela Para achar até então três mensagens do Stefan, como se Ray tivesse previsto o futuro. Enviar sms um para o outro se tornou um tanto regular desde a sua mensagem na quinta-feira na madrugada depois do meu pesadelo. Aquilo alem de me fazer ter uma noite sem sonhos turbulentos novamente, serviu para voltar com a nossa interação desenfreada sem que precisássemos ficar grudados um no outro. Acho que ele só estava tentando me dar um pouco de espaço depois do meu desabafo.

Afinal, tinha ficado um clima meio estranho depois daquilo, ele havia me visto chorar duas vezes eu me sentia um pouco desconfortável com isso. Não gostava de parecer fraca na frente das pessoas, principalmente daqueles quase-estranhos. Era muito mais fácil uma reaproximação onde eu não precisasse ficar cara a cara com a pessoa em questão. Não que tenhamos deixado de conversar frente a frente, mas eram conversas meio superficiais. Nossa interação por meio do celular variava entre bom dia e boa noite até mesmo algumas piadas sobre loiras que ele usava para me irritar. Essas ele lançou no meio do refeitório só pra poder ficar rindo quando eu virei um tomate humano.

Stefan sabia que eu ia até La Push e tinha aceitado isso a muito contragosto. Para falar a verdade eu nem sei porque dei satisfação do que eu ia fazer para ele, não éramos tivéssemos nascido grudados ou fossemos irmãos ou namorados, só quase amigos. E não acho que tínhamos tanta intimidade para eu fazer isso. Mas eu já tinha percebido que Jake e ele não haviam se dado bem, os dois fuzilaram o tempo todo com os olhos durante aquele dia de jogo e só faltavam pular um no outro e começarem a se socar. E por um momento eu realmente temi por isso. Mas eu era como a suíça e permaneceria sem escolher lado algum nessa disputa de testosterona ridícula.

Eu não entendia o porque ele estava bombardeando minha caixa de mensagem, se sabia que eu havia saído, mas mesmo assim resolvi abrir suas mensagens.

04 April, Saturday. 01:32 P.M.

De: Garoto problema

Sem mensagem de bom dia, hoje? Como meu dia pode ficar bom se você não retribui a pequena saudação? Desta forma vc parte meu coraçãozinho.

Revirei os olhos com isso, o sarcasmo dele era sutil e isso era o que me irritava. Passei para a mensagem seguinte.

04 April, Saturday, 01:47 P.M.

De: Garoto problema.

O que esta fazendo agora? Aposto que a essa hora já deve ter percebido como era estúpido toda essa sua preocupação infundada. Espero que esteja se divertindo com sua Amiga.

Ele pareceu dar mais ênfase a ultima palavra como se para assegurar de que eu possuía companhia feminina, mas eu conseguia enxergar sua verdadeira duvida se eu estava na presença de Jacob. Essa implicância dos dois era idiota, e até engraçada. Fico me perguntando se ele tinha esse ciúmes de amigo com Lexi também.

04 April, Saturday, 02:03 P.M.

De: Garoto problema.

Estou um pouco entediado agora, sem ter você aqui para eu perturbar. Que tal uma outra rodada de piadas? Eu começo.

A loira trancou o carro com a chave dentro e está desesperada, tentando abrir a porta com um grampo de cabelo:
Droga, tenho que abrir logo este carro, pois está começando a chover, e deixei o teto solar aberto!

Soltei um risinho ao ler a piada, não que ela fosse engraçada, pelo contrario ela era ridiculamente boba mas imaginar o sorriso no rosto de Stefan ao pronunciá-la, ver o brilho malicioso nos olhos verde cinzentos como uma pequena criança sapeca me divertia muito. Mas ainda sim meu cenho se franziu enquanto eu tentava procurar alguma conexão entre as mensagens, elas não tinham sentido algum entre si, parecia que ele estava preocupado e buscava nas respostas desses temas desconexos saber se eu estava bem.

— E então? – Ray me trouxe de volta a realidade. Só então percebi que ela me encarava, curiosa, durante os poucos minutos em que levei para ler as mensagens em silencio. Com um suspiro, eu levei novamente o celular ao bolso, sem responder seus SMS, e coloquei as mexas que prejudicavam minha visão atrás da orelha.

— Acho que você já pode trabalhar como cartomante, prevendo o futuro dos outros, porque estava certa. O nome dele é Stefan e ele é só meu amigo. – tratei de dar ênfase a ultima palavra já que ela tinha a tendência de supor coisas absurdas. — Um amigo irritante e grudento mas ainda sim amigo.

Ela arqueou as sobrancelhas com isso, claramente não acreditando nas minhas palavras.

— Amigo é? Sei... Jake também é seu amigo e isso não a impediu de secá-lo como um cão faminto enfrente a um açougue. – ela deu um sorrisinho malicioso.

Revirei os olhos com isso mas depois parei sentindo a imensa vontade de compartilhar sobre a grande loucura em que minha vida miserável se tornou em um pouco mais de uma semana. Ao meu ver tinha acontecido tanta coisa em tão pouco tempo que senti que nunca parei para refletir sobre minhas decisões até então. Eu precisava de uma segunda opinião sobre tudo o que aconteceu até então, a opinião de um espectador. E quem melhor que a Rachel? Ela estudava sociologia então tinha aquele olhar sociológico, sem os pré-julgamentos que se fundavam por meio do senso comum.

Ela me escutaria sem julgar minhas decisões impensadas e um pouco precipitadas. Ela era minha amiga e estaria ali para me ajudar e apoiar.eu sabia que ela queria fazer isso, pude perceber seu olhar cauteloso quando começamos a conversar mas tinha medo de tocar num assunto que pudesse me prejudicar por isso não o fez, pensando em mim ela tornou essa conversa algo leve e superficial, querendo não me forçar a falar algo que eu não quisesse. E eu a agradeci silenciosamente por isso. Mas agora eu estava com medo, com medo de tentar novamente. Com medo das conseqüências que aconteceriam ao ter aceitado a proposta daquele garoto.

E foi desta forma que me vi relatando os últimos acontecimentos; desde o dia que eu conheci aquele garoto insistente e com um sorriso sapeca e olhos brilhantes, as tantas avalanches emocionais que ele me proporcionou nesse meio período, o grande progresso que eu não consegui nesses quase três meses e ele conseguiu com algumas verdades ríspidas. Stefan me levava ao limite das emoções me irritava e gritava que eu estava sendo estúpida mas mesmo assim eu não conseguia repeli-lo ou ódia-lo. Porque ele estava certo, ele estava fazendo o que eu tanto implorei silenciosamente aos outros com os olhos, estava me ajudando. Apontando-me uma direção para onde seguir. Eu só não tinha a plena certeza se era a certa. Mas ainda sim como podia eu me apegar a ele em tão pouco tempo? Parecia que eu já conhecia a sua alma desde sempre.

Ray me ouvir despejar tudo em silencio, mostrando em suas feições uma reação ou outra mas não me interrompeu.

— Eu sinto como se as coisas estivessem indo rápido demais, eu mal o conheço e já depositei toda essa esperança nele. Isso é perigoso não quero acabar pior que antes. Sem contar que ele praticamente pediu para me ajudar, para ser meu amigo, quem diabos faz isso? – confidenciei com uma expressão conflituosa que resumia exatamente o que eu sentia. Minha quase indignação a fez sorrir de forma amável.

— Você fez isso. Quando éramos crianças, Você veio e me perguntou se podia ser minha amiga. Eu me lembro bem desse dia, estávamos conversando sobre as lendas de La Push, você gostava bastante destas coisas fantasiosas de monstros. – relembrou ela com simplicidade.

Isso me fez franzir o cenho confusa com sua nova informação. Eu não me de gostar de monstros e essas coisas, pelo menos não quando eu era criança. Sempre fui calma e um pouco medrosa as vezes tinha certeza que não era algo que eu faria naquela época. Eu também não me lembrava desse dia, eu tinha memórias de mim e Rachel mas nada exatamente de como nossa amizade começou. Por algum motivo aquilo me incomodou tremendamente.

— Não me lembro disso. – admiti um pouco envergonhada.

Ela me deu tapinhas compreensivos nos ombros.

— Tudo bem, éramos pirralhas e esquecíamos as coisas com facilidade mesmo. – Ela apertou meu ombro em um gesto amigável. Não que isso tenha cessado aquela sensação.

Depois disso ela me olhou um pouco mais seria, um ar de sabia emanado pelo seu olhar.

— Sei que se tornou difícil confiar nas pessoas depois do que ele fez, e que esta com medo de se machucar ao depositar parte da sua esperança nas mãos de Stefan. Mas você tem que entender que ele não é o seu ex-namorado. Essa aproximação repentina pode te assustar um pouco porque você não esta acostumada com isso mas precisa se deixar levar. Não pode ficar sempre com medo de que algo de errado e sim aproveitar os momentos bons que isso te proporciona. Essa é a graça de se correr o risco; você sempre ira perder ou ganhar mais que os outros.

Depois do seu conselho nós voltamos a caminhar pela praia conversando amenidades e nos divertindo como se houvéssemos voltado no tempo em que éramos crianças e não precisávamos nos preocupar com problemas do mundo adulto.

A minha visita a Rachel me deu mais confiança sobre a minha decisão, e me deixou até mais confiante pelo que estava por vim, eu precisava aproveitar mais os meus momentos de descontração e sorrisos, e não ficar me remoendo sobre o que aconteceu ou ia acontecer. Eu precisava criar lembranças para que em um futuro não tão longe eu pudesse me lembrar dessa época com um sorriso no rosto, dos amigos que eu fiz, das sensações que tive e das lembranças que se eternizariam em meu coração. A vida era tão curta para que eu ficasse observando o tempo se esvaindo como em uma ampulheta.

Ele não me traria mais a felicidade então estava na hora de eu tomar a atitude e buscar por mim mesma. Eu não sabia se um dia estaria pronta para me apaixonar novamente, mas eu não preocupava com isso agora. Eu agiria como uma adolescente comum e me divertiria com o que o futuro pudesse me proporcionar até lá. De agora em diante eu arriscaria por mim mesma, eu faria as coisas que achar certo, acertando ou ganhando não importa. Desde que eu continue forte, e não me perca. Eu tentaria pelo lado positivo das coisa, a cada acontecimento que lição ela traria para mim.

Depois de tomar um banho ao chegar em casa, eu mandei a seguinte mensagem enquanto ainbda secava meus cabelos umidos para aquele ser carente de atenção.

04 April, Saturday, 07:16 P.M.

De: Bella

Para: Garoto problema

Amanhã eu tenho o dia livre, que tal uma maratona de vídeo game? Já te aviso que vou chutar muito a sua bunda no Mortal Kombat.

Sua resposta para isso não demorou para chegar e fez morder o lábio inferior para conter o sorriso de diversão.

04 April, Saturday, 07:18 P.M.

De: garoto problema

Essa eu quero ver, ninguém me vence nesse jogo, mas mesmo assim vamos ver do que você é capaz.

Rachel tinha razão em dizer que ele não era igual a Edward. E talvez fosse isso que fazia com que eu me apegasse cada vez mais a ele. Stefan era proporcionalmente oposto a mim, mas ainda sim ele é o milagre que eu tanto pedi dentro do inferno. E eu não o deixaria escapar por entre meus dedos tão facilmente.

Notas finais
Caraca! Eu não pretendia que esse capitulo saísse tão grande assim, o que provavelmente se deve a minha habilidade de sair vomitando palavras a esmo, mas até que ficou legal. eu precisava que a Bella tivesse um momento de descontração sem o Stefan por que isso vai influenciar na personagem mais para frente. Mas já da para perceber que os dois estão ficando bem dependentes um do outro. eu imagino a Rachel como a cantora Bebe Rexha, então que quiser pesquisar para saber como a diva é fique a vontade. eu já deixei meio que sub-entendido qual ser a dica do próximo cap mas mesmo assim... A DICA DO PROXIMO CAP È: Voltaremos com o Pov do Stefan, finalmente depois de tanto tempo (risos). Teremos uma passagem longa de tempo no próximo que dará para vermos a evolução do relacionamento dos dois! ou seja litros e litros de momentos Stella que todos vocês esperam! (viu? até que eu não sou totalmente Evil Queen) Comente, favoritem e Recomendem meus amores, Amanhã dia 22/04 é meu aniver e eu acho que mereço esses presentinhos apesar de ser uma escritora levada. Nos vemos no próximo pessoal! Blown kisses, Mia.