Begin Again - Lost Stars

12 Making memories for ourselves, and then store them in photos


Notas iniciais
Hello, everyone! Eu demorei mas voltei (risos). Eu sei que provavelmente vocês devem estar cansados das minhas desculpas de demora, embora todas seja verdadeiras, por isso vou pular essa ladainha, o que importa é que eu trouxesse o cap recheado de momentos Stella para derreter o coraçãozinho de vocês porque o meu virou geleia totalmente. Vamos aos agradecimentos da vez! obrigado a Izzy Ramos Cullen, Bea Salvatore Cullen, Bruna Soares e Clary a gentil, muito obrigada flores! E AHHHHHHHHHHHH! eu super surtei com a sua recomendação Clary, quase chorei de emoção olha que é difícil acontecer isso por que não choro por nada nesse mundo, nem quando o jack morreu no Titanic(risos). leitores fantasmas apareçam por favor, eu não mordo não! prefiro deixar esse trabalho para os Salvatores! (risos). Bom vamos ao que interessa e boa leitura!

Stefan Salvatore

— Então essa é sua brilhante ideia? – Perguntou ela visivelmente cética enquanto cruzava os braços em frente ao peito.

Era sábado, e como havíamos combinado no dia anterior, ela tinha vindo até aqui para fazermos uma maratona de videogame. Tinha que admitir que no começo me surpreendi por ela gostar de jogar esse tipo de coisa, considerando o quanto era sangrento e violento; garotas geralmente se sentiam enojadas com isso. Ela não. Nem sei por que ainda me surpreendo com suas reações, talvez seja porque ela é a garota mais diferente e imprevisível que já conheci até agora.

Ainda sim eu tinha que admitir que meu orgulho masculino foi totalmente triturado quando ela realmente cumpriu sua palavra e me matou em diversos estilos de fatality no mortal kombat x. Eu mal conseguia acertar o seu avatar, já que ela me golpeava repetidas vezes com agilidade. Pode imaginar minha cara de tapado quando nos primeiros quarenta segundo de jogo eu já tinha sido derrotado sem praticamente fazer nada. E não adiantou mudar de avatar que da mesma forma ela ganhava. É claro que eu poderia ter vencido facilmente usando minha velocidade natural de vampiro, mas como explicar isso para esta espectadora?

E para falar a verdade eu até que fiquei contente em deixá-la ganhar. Eu gostava da forma em que ela ficava feliz e solta mesmo que ela jogasse na minha cara que eu estava apanhando como um mariquinha, eu gostava de a fazer sorrir, de arrancar reações dela. Isabella tinha o costume de guardar todos os sentimentos para si mesmo, para poupar tanto os outros quanto a si mesmo de ser digna de pena. Ela queria mostrar que era durona e que apesar das coisas que aconteceram ela estava bem, mesmo que na verdade isso fosse o contrario. E era exatamente por isso que eu gostava desses raros momentos que ela deixava essa faceta a vista.

Algumas vezes, claro, ela até me deixava ganhar o que acabava se tornando contraditório por conta do que eu já estava fazendo. Nossa partida no jogo se encerrou quando a Mileena, seu personagem da vez, arrancou minha cabeça e a comeu no melhor estilo canibal, foi nojento e esquisito principalmente por conta da risada macabra que Isabella deu a essa cena. Mas eu não podia falar nada quando em parte da minha vida eu já deixei pessoa estripadas e decapitadas. Logo depois começamos a jogar Battlefield e Word of warcrafth, durante todos esses jogos as piadinhas e zoações nunca ficavam de fora entre nós, o que acabava com nós dois tacando pipoca um no outro.

Quando, então, eu não completava uma missão em grupo corretamente ela ficava fula da vida o que a fazia me chutar e eu rir descontroladamente da sua reação. O problema pareceu surgir de fato quando eu sugeri que mudássemos para um jogo mais interativo que exigisse uma boa coordenação motora que o próprio jogo iria desenvolver. Um jogo que a ajudaria na sua missão de seguir em frente, missão da qual eu me incumbi de ser sua fada madrinha. Pensando bem essa frase ficou meio gay, mas se eu fosse uma fada seria másculo e viril, tipo o Dwayne Johnson no o fada do dente. O jogo revolucionário no caso seria Just dance.

— Você fala como se fosse a coisa mais absurda que já tivesse ouvido. – observei com a voz monocórdia enquanto observava a televisão de tela plana fixa na parede, passando pela lista de reprodução do jogo.

— Tenha certeza de que sua resposta esta entre as três mais da minha lista. O que eu não consigo entender é como diabos isso pode me ajudar! – exclamou ela irritada e ao ver que eu ’’aparentemente’’ não prestava atenção no que falava, ela grunhiu irritada acabando com os poucos passos que nos distanciava para puxar com rispidez o controle wii das minhas mãos, e cruzando os braços, irritada.

Isso me fez encarar seu pequeno rosto tingido de um delicado tom rosado. Tive que fazer certo esforço para reprimir um sorriso já que ela ficava particularmente adorável daquela forma. Soltando um suspiro forte eu segurei seus dois ombros forçando-a me olhar. ela me encarou um poço desconfortável mais não se afastou. Eu já tinha percebido que Isabella era cheia de ’’não me toques’’ e eu gostava muito de quebrar esse seu paradigma.

— É muito simples, pense comigo. Para que consiga seguir em frente é necessário que você saia mais e freqüente lugares diferentes, desta forma você conhecerá pessoas novas, ira se divertir, socializar em geral. – minha voz era a mais persuasiva de todas, enquanto passa somente um dos braços sobre seus ombros em um gesto de camaradagem. — Conhecer um cara legal, mesmo que seja só para a diversão de uma noite. Então imagine que ele te convide para dançar, você vai junto com ele e ai começa a dança desta forma contida, desleixada e desordenada. Ele com certeza vai te olhar de forma esquisita e te deixar sozinha na pista de dança.

Isabella arqueou uma das sobrancelhas para depois forçar um sorriso.

— Obrigada por jogar na cara que minha dança pode fazer um homem correr mais que o papa-léguas. Garanto que agora minha Sex Appeal subiu como o as torres gêmeas do Word Trade Center. – ela ergueu os dois polegares para cima como se estivesse aprovando minha observação, no entanto sua metáfora sarcástica destoava isso.

— É isso que os amigos fazem, são verdadeiros uns com os outros por mais que doa. – falei com inocência dando-lhe tapinhas amigáveis nas costas, como se não tivesse captado seu sarcasmo.

— Com amigos assim, quem precisa de inimigos, não? – ela sorriu de uma maneira falsa parecendo extremamente satisfeita com a minha careta de desaprovação, para então mudar de assunto. — Mesmo que eu aceite jogar esse jogo bocó com você, do mesmo jeito vou pagar mico dançando dessa forma ritmada e bizarra.

Revirei os olhos com isso, Isabella era turrona demais.

— Esse jogo não é para fazer você dançar desta forma na balada e sim, para de deixar você um pouco mais maleável com relação a isso. Sem ficar o tempo inteiro olhando para os próprios pés, sem ficar travadona na hora de executar um movimento. Isso vai ajudar no trabalho estúpido do treinador Clapp, e também mantém a boa forma do corpo. Como você acha que eu mantenho esse meu corpo sarado? – fiz um gesto amplo apontando da cabeça aos pés para meu corpo. Ela pareceu acompanhar bem esse gesto, o que a fez corar mordendo o lábio inferior.

— Confesso que pensei que fosse através de algo mais másculo, como boxe, muay thai ou até mesmo musculação. – ela admitiu.

No entanto eu podia ver que o canto de sua boca estava curvado demais. Ela claramente estava zombando de mim.

— Para sua informação dançar é algo muito masculina, Okay? Se não Justin Timberlake não seria um dos maiores molhadores de calcinha apesar da voz afeminada. – respondi um pouquinho ofendido.

Ela pareceu ficar irritada com o meu xingamento (eu ainda me lembrava dos rabiscos que me chamavam de copia barata individuo), mas não fez nada. Em vez disso, ela cruzou os braços novamente e arqueou uma das sobrancelhas em desafio.

— Tudo bem, então, mestre Jedi. Mostre para o seu Padawan como se faz. – ela disse entregando-me o controle wii e abrindo espaço para que eu executasse os movimentos.

Visivelmente satisfeito eu me centralizei em frente a TV e escolhi uma musica com a coreografia fácil na playlist. Uma que poderia remeter a infância, dela no caso, e se tornar até mesmo mais fácil de se acompanhar os passos, quando fosse a vez dela. A musica se iniciou com os bonequinhos se cumprimentando, um gesto que eu também repeti para que minha pontuação também começasse a se mover. Talvez fosse um pouco estranho eu fazer isso quando não tinha ninguém ao meu lado, mas de coisas estranhas minha vida já estava recheada.

Isabella soltou uma alta e estrondosa gargalhada. Uma não, mais um ataque de riso daqueles em que você na consegue parar por mais que tente, que faz lagrimas brotarem de seus olhos e você ficar vermelho. Ela parecia ter um pouco de dificuldade para respirar por conta disso, mas não parecia ser nada preocupante. Eu continuei executando a coreografia embora uma carranca tenha se formado em meu rosto. Ela estava zombando da forma em que eu estava dançando? Ou de mim por dançar uma musica como aquela? Quando esses risos pareceram ter um espaço maior de tempo entre si ela disse:

— Ai meu Deus, isso tem que ir pro Youtube! – ela disse pegando o celular do bolso clicando algumas vezes e focando a câmera em mim. Foi instantâneo, eu parei na hora a coreografia, não me importando se iria perder ou não.

Avancei em sua direção tentando pegar o celular de suas mãos, mas ela era escorregadia e desviava com muita facilidade por conta do seu tamanho. Isso a fazia rir mesmo quando mandava que eu parasse, o que de certa forma fez com que eu reprimisse um sorriso. Por fim eu consegui capturar o celular ao rodar meus braços por sua cintura fina, o que conseqüentemente nos deixou mais perto do que era considerado normal, nossas respirações roçando na pele de cada um. Ela pareceu ficar desconcertada com isso e confesso que senti um arrepio na base da coluna, mas logo me recuperei desse efeito e puxei o aparelho de suas mãos levantando acima da minha cabeça, para que ela conseguisse pegar mesmo que pulasse. E no caso era exatamente isso que ela passou a fazer.

— O que foi? Esta com medo que o mundo veja toda a sua masculinidade? – ela me olhava por baixo dos cílios claros, em uma diversão sacana.

Eu ainda segura o celular fora de seu alcance quando respondi.

— Não, eu sou bem seguro da minha sexualidade com isso você pode ter certeza. – dei um sorriso malicioso, que a fez esboça uma careta. — no entanto percebi que seu celular esta se tornando uma distração para o seu aprendizado.

— Acho que esta levando a serio demais essa coisa professor. – ela resmungou por fim, dando um passo para trás, acanhada.

— Nossa relação é baseada na troca de experiências mutuas, então devemos nos esforçar ao Maximo para tentar extrair algo de bom nisso. – isso claramente era uma alfinetada a sua recente critica espalhafatosa.

Ela pareceu perceber isso pelo meu tom de voz, encolhendo levemente os ombros.

— Eu não estava rindo propriamente de você dançando, e sim da situação em si. Será que não percebe o quão inusitado e até mesmo cômico é você estar dançando algo como macarena? – Questionou-me, um pouco de diversão ainda estampada em sua face.

— Não. Todo mundo já dançou macarena uma vez na vida. Alem do mais, eu não sou sexista, por isso não vejo problemas que meu avatar seja feminino. – eu disse um pouco ignorante.

Ela me olhou de forma estranha, como se eu tivesse acabado de afirmar que era um vampiro. O que no caso, não seria mentira.

— Voce é mais estranho do que eu pensava, mas ganhou um ponto comigo pela atitude, meu lado feminista super aprova sua atitude. –Dessa vez ela sorria de forma verdadeira, como se tivesse gostado de ser surpreendida.

— Tudo bem. Não é como se você fosse conseguir dançar mesmo. Nem sei por que tive essa idéia boba. – dei de ombros soltando uma risadinha curta, enquanto depositava o celular dela no haque e pegava novamente o controle Wii para retirar o disquete do jogo.

Uma pequena ruga apareceu entre suas sobrancelhas quando ela franziu a testa, inclinado levemente a cabeça para o lado feito um passarinho.

— O que quer dizer com isso? – eu podia ouvir seu cérebro trabalhando para achar o significado por de traz das minhas palavras.

— Nada, só que você tinha razão. A idéia do jogo foi bobeira, eu pensei que isso fosse te deixar mais descontraída, mas já saquei que isso não é sua praia. Você é bem descoordenada, tropeça com muita facilidade e não tem muito ritmo; nunca iria conseguir uma boa pontuação no jogo nem tem coragem de fazer isso na frente das pessoas. Não tem problema ser covarde. – Dei um sorriso compreensivo, mesmo minha fala tendo sido um pouco cruel, enquanto apertava o botão para, liberar o disquete.

Ela piscou algumas vezes antes de estreitar os olhos.

— Isso por acaso é um desafio? – ela cruzou os braços esperando minha resposta.

— Não, até porque você não conseguiria fazer. – eu disse balançando a cabeça simplesmente, tendo certeza da minha afirmação.

— E se eu conseguir uma boa pontuação nesse jogo? E se eu vencer, o que ganho com isso? – continuou ela ignorando minha recente constatação.

Seu olhar não desviava do meu e era puro desafio. Cocei a linha do maxilar, sentindo a aspereza da braba por fazer, enquanto pensava em uma resposta para isso.

— O que você quiser. – conclui com a expressão imparcial. O que mais ela poderia pedir? Assim como eu havia respeitado seu espaço ela também faria o mesmo, então não seria nada realmente significativo. Eu não perderia nada mesmo, então porque não.

— Tudo bem. – respondeu ela parecendo visivelmente satisfeita com a minha resposta, enquanto dava alguns passos parando na minha frente e arrancando o controle das minhas e centralizando em frente a TV.—Vamos acabar com isso de uma vez.

Ergui as mãos para cima, em rendição enquanto dava passos para traz e abria espaços para que ela executasse sua performance. Observei ela escolher a musica enquanto tentava reprimir um sorriso. Quem disse que psicologia reversa não funcionava. Eu sabia desde o inicio que apresentei essa idéia que ela ia protestar e não dançar de fato, então desde o começo bolei esse plano que acabou que deu certo. Só algo como isso para enganar aquela cabeça dura.

A musica que ela escolheu não me surpreendeu, eu já tinha percebido que ela tinha um gosto pelos anos oitenta em geral. Isso também se refletia em algumas das suas roupas meio rockers com camisas de banda. Inclusive hoje ela usava uma larga do Red Hot Chile Peppers e uma calça de moletom azul escuro. Ela tinha vindo correndo para a minha casa literalmente, já que ela ainda estava sem carro e apreciava esse tipo de exercício. Por isso eu não via motivos para que ela não jogasse esse game interativo sendo que estava com uma roupa apropriada e com certeza já havia se alongado.

Talvez a raiva pela minha aparente falta de credibilidade para com ela, a tenha motivado o Maximo possível, o que a vez acompanhar o bonequinho dançante na tela com vigor repetindo os passos com perfeição. E isso me surpreendeu um pouco.

— Como essa foi sua primeira lição a próxima será a minha, e eu já tenho uma idéia do que vai ser. Um detalhe: vista uma roupa leve e confortável – exigiu ela após o seu ’’perfect’’ no jogo, enquanto dava tapinhas de forma camarada no meu ombro com um sorriso estranho no rosto.

Isso me deixou preocupado com o que estava por vim, e pelo que eu teria que fazer.

[...]

— Essa musica é um saco. – arrastei a palavra para expressar isso.

— Cale a boca, Você esta me desconcentrando. Tente respirar lentamente e executar os movimentos com fluidez. Eu fiz a sua lição e como você perdeu o desafio deve fazer o que eu mandar. – Ela ressaltou sem abrir os olhos enquanto ela fazia uma das posições que disse ser a do triangulo ’’utthita trikonasana’’ foi o que ela disse primeiro, antes da minha cara confusa de idiota.

Essa posição consistia basicamente em uma espécie de alongamento, onde ela esticava o pé um pouco para o lado e tocava na panturrilha com um dos braços, enquanto o outro ficava erguido a cima da cabeça, o rosto virado em direção ao mesmo. Eu tentei imitar essa posição, e acredite, é mais difícil do que se espera, eu era muito corpulento e pouco flexível. O problema mesmo era aquela musiquinha de água corrente caindo.

Eram 5:30 A.M e ela tinha vindo até a minha casa novamente, para a nossa primeira ’’lição’’, nessa madrugada dessa segunda feira. Parece até que ela se preparou para isso porque trousse uma outra muda de roupa e a mochila para que não fosse necessário voltar para casa, e sim ir direto da minha para a escola. Eu era um vampiro e não precisava dormir muito, mas isso não quer disser que eu não gostava de dormir muito, por isso estava um pouco mau humorado por estar acordado justo hoje que eu começaria meu primeiro dia no trabalho. Pensa que ela teve dó de mim por isso? Não, não teve.

— Você é muito natureba, não acredito que alem das suas comidinhas saudáveis também faz esses troços de buda. Só falta virar Hippie para completar a lista de qualidades. – comentei enquanto tentava continuar tocando minha panturrilha. Como eu disse: pouco flexível.

— A yoga é uma pratica que tem como base os princípios das disciplinas físicas e mentais, e tem o objetivo de despertar a sensação de bem estar, por meio da integração do ser. Essa pratica tem o objetivo de silenciar a mente, mas não da para fazer isso com você reclamando como um velho. – respondeu ela ao abrir os olhos e mudar de posição.

Graças ao bom Deus. Pensei enquanto sentia as minhas juntas estalarem, para logo depois imitá-la em uma posição não tão mais confortável que a outra. Desta vez podíamos sentar no Met, uma espécie de almofada de ginástica só que mais fina. Ela havia trazido uma para si e outra nova para mim. Eu repeti a posição, onde uma das pernas ficava dobrada na posição de índio e a outra esticada, com os braços puxando a planta do pé. Ela disse que se chamava ’’Janu Sirsasana’’ ou a direita e á esquerda na língua de relez mortais, no caso a nossa.

Inspirei fundo sentindo o desconforto na pele da virilha e atrás do joelho. E eu que reclamei da respiração alternada quando começamos. Tampar uma das narinas de tempos em tempos era muito mais fácil que isso.

— Eu nem sei como você consegue se concentrar com esse barulho de água, é meio agonizante. – reclamei enquanto acompanhava seu ritmo de respiração.

Entediado eu peguei seu celular na mesinha de centro da minha sala para paralisar aqueles sons que mais me davam sono. Isabella parecia ser meio desleixada com relação a aparelhos tecnológicos, ela não tinha senha; como se não guardasse nada que não pudesse ser visto por alguém, E nem tinha uma foto sequer de si própria. Só algumas aleatórias de momentos precisos e belíssimo que passariam despercebido por outras pessoas. Mexendo na playlist de seu celular eu achei uma musica mais legal e animada, que me surpreendeu por não ser algo que fazia seu estilo. Logo Get low do Lil Jon começou a tocar.

O que me fez encará-la com as sobrancelhas arqueadas, em busca de uma explicação.

— Quem te vê quem te viu, Swan. Quem diria que você teria uma musica com tanto palavrão e besteira no seu celular, Hein?

— Cale a boca. – mandou ela. O rosto ruborizando de leve. — Eu só baixei essa musica por causa daquele filme com a Sandra Bullock, A proposta. A cena em que ela canta essa musica é muito engraçada. – Justificou-se me olhando na sua pose de contorcionista.

— Não era você a feminista? Não deveria dar o exemplo, e repudiar conteúdos que objetificassem as mulheres? – Questionei com um sorriso presunçoso nos lábios, só esperando para ver que resposta ela daria para rebater.

— Falou o garoto que de dez coisas que pensa sete tem algum conteúdo erótico envolvido. Minhas opiniões são muito divergentes do meus gostos, eu posso muito bem achar o tanquinho e a bunda do Ryan Reynolds muito gostosos e ainda sim defender a igualdade de salário entre os sexos. – rebateu ela de uma forma quase imperial, que não me deu margens para discussões.

Uma outra coisa que me agrada em Isabella eram suas opiniões fortes e moralistas, eu sempre me surpreendia com sua visão sobre determinados assuntos, me surpreendia pelo quão madura ela era para sua idade. Eu mesmo só fui conquistar esse tipo de pensamentos décadas depois, se não teria percebido o quão estúpido era ficar contra meu irmão por uma garota.

— Com esse discurso você poderia ganhar um Nobel da paz. – brinquei com um pequeno sorriso torto.

Ela bufou se levantando em um movimento gracioso e saiu porta afora, que eu acompanhei também um pouco curiosa para saber o que ela ia fazer. Ela podia ter tido essa reação com as minhas palavras mas eu sabia que ela se sentiu um pouco constrangida por conta do meu quase elogio, pela forma em que ela evitava meus olhos, mas isso pareceu não impedir ela de se virar para mim e dizer.

— Tudo bem então, garoto problema. Que tal uma aposta? Quem chegar por ultimo na rodovia 101 é a mulher do padre! – e com um sorriso travesso nos lábios ela avançou rapidamente pela estrada, ganhando alguns segundos de vantagem de forma injusta. com o céu de um cinza chumbo servindo de fundo para sua imagem,

Eu assisti sua imagem distinta alcançar distancia sob um céu cinzento feito chumbo, um pouco sem reação pelo sua repentina iniciativa. Aos poucos um sorriso sincero foi se formando no meu rosto.

— Isso não vale, sua pequena trapaceira!–gritei ouvindo sua risada animada ao longe enquanto iniciava uma corrida em sua direção.

Os dias pareciam se passar rápido ao lado dela. Eu podia ver o esforço que a mesma estava fazendo para entrar de cabeça nessa loucura que podia se tornar a solução certa para nos dois. Mas ao mesmo tempo eu podia ver que ela estava abaixando um pouco suas barreiras perto de mim, é claro que algumas vezes eu recebia respostas ríspidas e mordazes sem motivo algum, mas eu sabia que ela estava tentando ser um pouco mais gentil. Mas esse era o jeito dela, e eu entendia isso. Então sempre que isso acontecia eu dava um jeito de fazer as pazes, ela nunca ficava brava por muito tempo.

Meus dias era uma rotina mais ao mesmo tempo não eram. Todo dia eu acordava com Isabella batendo na minha porta para seus exercícios matinais, depois íamos para a escola juntos, então eu a levava para o trabalho e ia para o meu. Na hora da minha saída eu passava nos Newton’s e a levava para casa para depois ir para minha. Essa rotina não me incomodava, eu gostava de desvendar Isabella, de conhecê-la a fundo e não a mascara que ela sustentava para os outros. Muito me agradava saber que eu era uma das poucas pessoas que verdadeiramente viam esse seu lado extrovertido e animado, mesmo que ele fosse só um vislumbre do que ela já foi.

Isabella até poderia dizer que foi forçada a jogar Just Dance, mas eu sabia que ela tinha gostado. Tanto é que nós continuamos jogando até que aquele dia escurecesse e depois algumas vezes mais quando eu a convencia a trocar nossa corrida matinal por isso. Os resultados estavam sendo positivos, o treinador sempre nos elogiava nas aulas de dança, então com certeza tiraríamos uma nota boa. Eu até me surpreendi por ela saber fazer aquele negocio da shakira com a barriga.

Mesmo passando tanto tempo junto ela ainda ia em La Push, mesmo contra gosto da minha parte. Eu entendia que ela tinha sua amiga Rachel, mas também tinha o cachorro sarnento do Black. A verdade é que eu tinha medo de que ele me tirasse mais cedo ou mais tarde, a única coisa que ainda me restara. Mas eu não podia fazer nada contra isso, só mostrar o quanto os momentos ao meu lado eram melhores. Eu até voltara a escrever no meu diário mesmo que em pouca freqüência, para poder captar melhor as mudanças que poderiam vim a ocorrer em mim durante este meio tempo.

Aos poucos eu conseguia perceber ela se soltando mais, rindo mais sem preocupações. Ela estava se resgatando e eu sentia orgulho por estar ajudando-a fazer isso. Parte da minha consciência me recriminava; eu era um vampiro e tinha o dom da compulsão, Porque simplesmente não a hipnotizava para fazê-la esquecer do babaca que quebrou seu coração? Seria tão mais simples e ela conseguiria seguir em frente com muito mais facilidade. Mas eu era egoísta, demais. Eu abandonara toda a minha vida para trás sem nada em que pudesse me apegar, somente eu e a dor que me corroia por dentro. Nem Lexi eu tinha mais para me fazer companhia e me ajudar com seus conselhos, eu me sentia tão perdido.

Talvez realmente fosse crueldade eu querer que Isabella passasse pelo processo difícil da superação quando eu poderia lhe oferecer uma alternativa mais fácil, mas era tão ruim assim querer companhia, querer alguém que verdadeiramente tivesse passando por algo parecido que eu, e que pudesse me entender? Eu já passara por tanta coisa sozinho, sem demonstrar o quanto cada situação me afetou, me machucou e me marcou, tentando sempre ser a pessoa forte entre os outros, a pessoa que mantinha a esperança nos outros intacta quando a minha já tinha morrido a tempos, desta vez eu queria não passar essa fase sozinho.

Algumas vezes eu realmente me pegava cogitando desligar a humanidade, não sentir dor, magoa ou a dor da traição. Mas eu sabia que, onde quer que estivesse, Lexi ficaria muito decepcionada que eu optasse por essa decisão. Desligar a humanidade era como apertar um botão de ’’foda-se’’, deixava tudo mais simples e fácil quando não havia com o que se importar, só existiam os desejos e sentimentos momentâneos. Mas isso era como uma ilusão, que de nada adiantava. As coisas se tornavam ainda piores quando a culpa e o remorço voltavam, se juntando ao problema anterior para me afogar aos poucos. Talvez fora por isso que eu tomara a decisão de esconder meu lado sobrenatural de Isabella. Eu realmente não fazia ideia se ela desconfiava de que seu ex-namorado era um vampiro ou não. De qualquer forma eu não queria trazer mais essa sina para ela.

— Eu não acredito que você só tem isso na geladeira. Você é tão hipócrita falando dos meus hábitos alimentares quando é você que está se transformando em um joão bobo!– Ela diz observando minha geladeira e dispensa parcialmente vazias como se fosse um estado critico, em um desses dias.

Não fazia muito tempo que nós dois havíamos chegado dos nossos exercícios matinais, e agora supostamente deveríamos comer algo para abastecer nossa energia depois de um banho bem demorado. A nossa sorte foi que antes mesmo de analisar a quantidade de comida na minha casa, havíamos parado no supermercado da cidade enquanto fazíamos a volta para minha casa. Era como se ela tivesse previsto que isso ia acontecer.

E que explicação eu poderia dar sobre isso?’’Eu tomo sangue de qualquer animal que aparece na floresta, por isso não costumo me preocupar muito com o que tem na minha dispensa até porque não é como se me alimentar fosse fazer alguma diferença.’’ Não, essa resposta não era uma alternativa coletável. Em vez disso tentei me concentrar na preparação do chá, tomando o Maximo de cuidado possível para não tocar no coador ao jogar os resquícios da planta nele fora.

— Se for para ser verdadeiro, acho que João álcool me define melhor. – Comentei de forma despreocupada enquanto despejava metade do liquido quente dentro de um copo e depois de adicionar metade de água fria até que ficasse morno.

— Você tem razão. – ela concordou se virando para preparar alguns sanduíches na mesa da cozinha. — Aparentemente a única coisa que você não parece esquecer de comprar é vinhos, whisky, e sei lá mais que bebidas de teor alcoólico podem ser engarrafadas. Até porque não é necessário checar a data de validade, não?

Isabella era atenta o suficiente para perceber em poucos dias que a garrafa que eu levava para as nossas corridas não era de água, o que levou ela a ver minha adega particular e me chamar de alcoólatra inveterado sem recuperação. Ela não gostava desse tipo de coisa que fazia mal a saúde, mas como qualquer pessoa legal, ela não reclamava até porque não era ela que ’’supostamente’’ corria o risco de pegar uma cirrose.

— Não sei se você sabe, mas quando tivermos nossa primeira noitada vai ser quase que obrigatório você beber. Sem contar que ajuda muito a tomar coragem para fazer alguma coisa. – Resultei com humor enquanto adicionava duas colheres de chá de açúcar no copo de vidro transparente. Mesmo que não estivesse vendo sua expressão no momento eu sabia que ela estava fazendo uma careta.

— Acho que ainda tenho um tempinho para me acostumar com essa informação, até de fato precisar dela. – argumentou ela no exato momento em que eu me virava em sua direção e colocava o copo em cima da mesa próximo o bastante para que ela percebesse que eu tinha preparado isso para ela. Isabella encostou os cotovelos na mesa, seus sanduíches já estavam prontos porque era algo bem mais rápido de se fazer, e alternou olhares entre mim e o copo com o chá esverdeado.

— Relaxa. Eu não coloquei veneno nisso ai. Eu não quero acabar com a minha fonte de divertimento gratuito, principalmente quando muitos vexames a respeito de você estão por vim. – Brinquei, me reencostando da mesma forma na mesa encarando-a para ver sua reação.

Com um olhar um tanto desconfiado ela tomou um gole, antes de fazer outra careta.

— Que diabos é isso? Tem o gosto mais amargo e estranho de todos!

— É verbena, uma planta que possui alguns usos medicinais. Uma de suas funções é acabar com a insônia por isso acho que vai ajudar você. – Expliquei simplesmente. Aquilo era verdade, alem de ser uma ótima arma contra vampiros e seus efeitos, também tinha propriedades curativas para os humanos. o que de certa forma era muito irônico.

— Sabe... não é porque eu tomo chá que eu gosto deles, faço isso excessivamente pela função nutritiva e...Ei, espera! Isso por acaso foi uma forma indireta de dizer que eu estou pior que os zumbis de The Walking Dead? – Questionou-me como se somente agora tivesse percebido que aquilo poderia se enquadrar em uma ofensa, embora eu não tivesse pensado por esse lado.

Com o tempo em que passávamos juntos pude perceber que as olheiras embaixo dos seus olhos pareciam ser permanente como se fizessem parte do seu rosto desde sempre, e isso me deixou preocupado com o tanto de horas que ela dormia por noite. Isabella sempre chegava a minha casa lá pelas 03:30h quase 4h. e ela tinha que acordar no mínimo uma hora antes para se arrumar e vim correndo literalmente para cá, eu também duvidava muito que ela dormisse antes das 22h. E o total disso tudo era em media quatro horas de sono por dia. Metade do que se é recomendado por especialistas, principalmente para ela que tem uma rotina tão movimentada que exige bastante energia, isso tudo deveria lhe causar fadiga extrema. Mais ainda sim Isabella permanecia de pé como se nada disso a afetasse.

— Eu fiz algo legal por você, certo? Um obrigado seria bem educado. – Comentei de forma descontraída com um pequeno sorriso enquanto cruzava os braços sobre a mesa.

Os olhos dela pareceram brilhar por um segundo enquanto ela me encarava por cima do copo, e eu tinha a absoluta certeza que ela estava sorrindo de forma verdadeira.

— Obrigada.

A verdade é que eu era muito babaca por ter feito ela me agradecer quando eu não tinha feito isso totalmente por ela. Pouco tempo depois de conhecer Elena eu lhe dera um colar cheio de verbena, O colar que depois fomos descobrir pertencer a Rebecca e antes disso a sua mãe bruxa original. Era como se fosse uma promessa de que eu estava disposto a ser verdadeiro sem mentir e enganar ela. Promessa de que eu estava disposto a fazer as coisas darem certo para nos dois. Bom, isso não durou muito, não é?

Mas eu sentia que deveria ser o mais verdadeiro possível com Isabella também, Eu gostava da forma como ela me tratava como se eu fosse uma pessoa normal, e não um vampiro centenar que com um simples movimento poderia quebrar o pescoço como se fosse a folha de uma arvore. Eu só desejava agir como um humano, uma pessoa normal que não tivesse toda essa merda envolvida. Queria que ela me conhecesse como pessoa e não criatura. Eu poderia fingir que nada me afetava, preencher os silêncios com piadinhas infames, mas esse era o meu jeito de lidar com meus sentimentos, era isso ou esconde-los no lugar mais profundo da minha alma. E ela parecia entender isso e não me recriminar.

Então eu e Isabella fizemos uma promessa silenciosa, nenhum de nós forçava o outro a dizer algo que não queria do passado. Já tínhamos informado o bastante sobre isso um para o outro para suprir a curiosidade que viéssemos a sentir, mas sabíamos que o assunto passado ainda era recente e delicado demais. Então buscávamos viver no presente, no agora. E era isso que ajudava os momentos a se tornarem leves e divertidos. Sem preocupações. Éramos só Stefan e Isabella compartilhando sorrisos e momentos, se conhecendo como se nada de ruim tivesse acontecido para mudar quem éramos, para quem somos no presente momento.

— Hoje vamos jogar queimada novamente. Salvatore, Newton! Vocês serão os lideres de cada equipe agora escolham os componentes dos seus times. – Gritou o treinador Clapp assoprando aquele maldito apito estridente, que fez meus ouvidos latejarem.

— Espero que não leve para o lado pessoal, quando eu acabar com você. – disse Mike de uma forma amistosa mas o sorriso de provocação que estampava seu rosto depois de um aperto amigável no meu ombro, mostrava que ele não estava para brincadeiras.

Estreitei os olhos nas suas costas, desejando internamente poder chutar pra fora dele aquela prepotência. Após cada um se posicionar do lado oposto da quadra começou a seleção. Minha primeira escolha foi um tanto obvia devido os últimos dias, eu só apontei com o queixo para a Swan e ela veio para o meu lado em passadas largas parando somente para me cumprimentar com um aperto de mãos meio masculina, seguida pelo encontrão brusco dos nossos ombros. Foi no momento seguinte em que ela se virou no próprio eixo estreitando os olhos como um guepardo prestes a atacar suas presas, que no caso seria o time adversário, que eu percebi que havia feito uma ótima escolha. Ela era extremamente competitiva e voraz, qualidades que eu gostava e ajudaria muito no nosso objetivo de hoje.

Mike parecia debochar de mim do outro lado da quadra, por minha primeira escolha ter uma péssima mira, e então ele escolheu Bem. E eu escolhi Tyler para equilibrar as coisas, ele era bem legal comigo no meu novo trabalho. E esse método se seguiu até que toda a quadra tivesse dividida em duas, quando o apito soou desta vez não pude reprimir um sorriso torto. Como eu esperava, a bola sempre ia na direção da Swan, a qual julgavam como o elo mais fraco. Ela me lançou vários olhares mortais embora eu não visse razão; Isabella era ágil e desviava das investidas com facilidade, o que meio que me fez admitir internamente que Yoga não era algo inteiramente inútil ao julgar pela forma fluida com o que ela se movia.

Alguns componentes do nosso time que não eram rápidos o suficiente acabavam sendo acertados, o que inicialmente deixou nossos adversários com uma certa vantagem. Mas o outro time era meio burro para perceber o que estava acontecendo. Isabella poderia não ter uma boa mira, mas eu tinha. Toda vez que a bola ia na direção dela, eu a segurava para depois acertar um dos jogadores do outro lado da quadra como se fossem pinos de boliche. Isabella pareceu perceber minha estratégia depois de um tempo, pegando a bola e sempre passando para mim. Aos poucos fomos eliminando um por um, quando Mike percebeu o que estava acontecendo já era tarde demais. E então com uma única bolada certeira, o jogo já tinha terminado restando somente eu e Swan.

Ela se virou, o rosto corado e úmido de esforço, e se jogou de encontro a mim em um daqueles cumprimentos de vitoria masculinos, de bater o tórax. Algo que não foi uma boa idéia por que machucou, eu pude ver no curto instante depois disso em que ela se encolheu levemente para frente, embora seu rosto tenha continuado impassível. É claro que ela machucou, é uma garota e tem seios. Mas ainda sim ela parecia eufórica com a nossa vitoria conjunta, eu podia ver pela forma em que seus olhos brilhavam e sua boca se curvava em um sorriso amplo que eu raramente via. Não tive tempo de absorver mais nada porque logo todo o nosso time estava pulando em cima de mim e me rodeando, felizes pela nossa vitoria.

Ouvi vagamente o treinador falar sobre como o que eu tinha feito, usar uma estratégia, fora inteligente. E como isso era importante para a nossa vida. No entanto tudo no que eu me concentrava era em esquecer a sensação de calor seguida por arrepios no inicio da nuca, que os seios firmes dela pressionado contra o meu tórax provocaram. Aquilo nem fora um ato erótico, qual era o meu maldito problema? Santo Deus eu podia ter qualquer outra mulher mais Isabella estava fora de cogitação. Ela era pura e estava emocionalmente quebrada, eu me sentia o individuo mais sujo só por ter pensado sobre isso. Amigos não transam, mas que droga! Tudo bem, tudo bem. O que eu senti foi só uma reação involuntária causada pela minha recente abstinência sexual.

Eu só precisava resolver essa situação sair para uma noitada talvez. Mas por hora eu teria que resolver isso sozinho mesmo, foi eu que eu decidi no momento, Eu não gostava de pensar sobre esse assunto, com relação a me tocar, fazer isso em um local publico me parecia loucura um tanto pervertido, mesmo que eu pudesse escutar qualquer ruído de alguém se aproximando. Mas eu era um cara, nós sempre fazemos isso ao menos uma vez por dia, e naquele momento a necessidade pedia. Depois do ato alem da calmaria habitual também veio uma sensação de intenso alivio e uma pontada no peito de culpa. Alivio porque durante o ato em nenhum momento veio a imagem de Isabella a minha cabeça; culpa porque, no final das contas eu ainda era o mesmo filho da puta que não conseguia gozar sem imaginar a Ex. Nada ainda tinha mudado, afinal.

[...]

Eu sabia que Isabella ainda precisava de certo espaço: ela sempre se sentia desconfortável com os olhares que nos eram dirigidos quando estávamos juntos. E eu não queria ser muito evasivo e forçar minha presença, ela tinha que se sentir a vontade com a aproximação que estávamos tendo. Então no começo só conversávamos na hora de vim para a escola, nas aulas que tínhamos em comum e na hora da saída. Era um pouco difícil para mim porque sempre que vinha uma piadinha suja na minha cabeça e eu me virava só para perceber que não era ela que me acompanhava até a próxima aula, ou então surgia na ponta da língua uma referencia da qual ninguém mais entenderia.

Eu sabia que não deveria me apegar tanto a ela mas não conseguia evitar. Algumas vezes, ao conhecer uma pessoa, a magia do mistério se apaga ao perceber que não há nada de especial nela, que é só uma pessoa ordinária como qualquer outra, mas com Isabella não. Quanto mais eu conheço, mais eu quero saber. Ela era como uma caixinha de surpresa, mas ao mesmo tempo era tão profunda e complexa, cheias de camadas como uma cebola. Felizmente ao começar a acompanhá-la nesses meio tempo não a deixou desconfortável, ela nem parecia notar que agora no final de todas as suas aulas eu estava pontualmente esperando-a na porta da sua sala para seguirmos para nossas próximas matérias

Ela poderia até dizer que não se importa com a opinião dos outros mas se importava sim, ela ficava tensa como se estivesse fazendo algo de errado. Mas eu ficava feliz ao perceber que cada vez mais ela de fato deixa isso para lá. A primeira vez que sentei junto a ela naquela mesa isolada a deixou nervosa, e por um instante me preocupei que tivesse passado de alguma marcação, mas a medida em que conversávamos ela pareceu relaxar. Já eu, conseguia sentir os olhares perfurantes de indagação e raiva nas minhas costas vindo diretamente da minha antiga mesa com meus amigos, mas eu ignorei totalmente.

No segundo dia foi diferente. Enquanto caminhávamos para o nosso intervalo lado a lado não paramos no refeitório.

— Devo perguntar o motivo de não termos parado no refeitório para almoçar? – questionei de forma leve enquanto a seguia para fora do mesmo.

O dia hoje estava um pouco frio, embora não tivesse neblina. Por isso Isabella usava uma blusa de tricô bege quente e uma boina felpuda mesclado em preto e branco com os cabelos soltos que a deixava adorável. Já eu usava uma pesada jaqueta de couro sintético marrom e uma touca cinza na cabeça, só para disfarçar quando eu não sentia frio algum. Ela se virou para mim, o nariz levemente corado do vento gelado.

— Shhh! Cale a boca e venha comigo. – disse ela com um leve sorriso enquanto me guiava pela mão.

Ao contrario do que se espera em um dia de frio, sua mão não estava gelada e sim quente e macia. Parecia minúscula contra a minha. Atravessamos o estacionamento para depois seguir para trás da escola. O chão estava meio úmido da chuva da madrugada o que me fez ficar de olho nela para que não escorregasse, já que ela era um pouco desastrada. Já tinha perdido a conta das vezes em que evitei que ela desse de cara no chão ao tropeçar no próprio pé. Pisamos na grama que circundava a escola e então me deparei com o que parecia ser um local vazio.

Era do tamanho de uma sala embora não tivesse quatro paredes só duas. Duas paredes completamente preenchidas por um imenso desenho feito de grafite como se fossem um mural. Ainda surpreso eu dei um passo para frente, para observar melhor aquela obra urbana de arte. Sobre um fundo de por do sol havia uma garota loira correndo atrás de um coelho branco, em uma representação familiar. Seu vestido azul se desfazia e borboletas que voavam para uma parte do seu onde ainda estava claro. Seu cabelo dourado voava também se misturando aos últimos raios solares que ainda apareciam. O coelho chegava perto de sua toca localizada abaixo de uma arvore cadavérica na qual um gato sorridente observava. A baixo da superfície, onde deveria ficar a terra, mostrava um lugar meio escuro com moveis flutuando próximo ao buraco a onde o coelho ia passar.

Não tive como não me surpreender com a perfeição dos detalhes e das cores, o efeito de sombra e luz que trazia a pessoa para um lugar surreal que surgiu na mente de um louco chamado Lewis Carroll. Passei a mão sobre a assinatura do autor: M. Swan. Um flash disparou deixando minha visão momentaneamente ofuscada. Eu me virei em direção ao mesmo me deparando com Isabella segurando uma câmera digital mirada em mim. Inclinei a cabeça de lado um pouco confuso do porque ela ter feito isso.

— Se vamos criar memórias para nós mesmos, nada mais justo do que registrá-las não? – respondeu vindo em minha direção com a câmera em punhos.

— Devo ter saído horrível, eu nem estava preparado. – reclamei cutucando-a de leve nas costelas.

— As melhores fotografias são aquelas para qual não estamos preparados, onde não a sorriso falsos e emoções encenadas. A fotografia serve para eternizar momentos inesquecíveis, então não se preocupe com isso. Você é bem fotogênico. – ela comentou com um meio sorriso me observando de esguelha.

— Momentos inesquecíveis, você disse. Existe um motivo para que esse seja um? – comentei enquanto nos dois nos posicionávamos em frente ao grande mural.

Ela coçou a nuca em um gesto de timidez, antes de suspirar.

— Meu pai me deu essa câmera no meu ultimo aniversario, influenciado completamente pela minha mãe. Ela quer que eu registre esse ultimo ano, porque segundo ela ’’só se faz o colegial uma vez’’, acho que ela não levou em conta as pessoas que repetem de ano. – ela deu uma risadinha rodando a câmera entre os dedos. – Eu tinha gastado todo o filme da maquina antes, mas conclui que não estaria sendo verdadeira ao preencher o álbum com aquelas fotos. Eu mudei muito nesse ultimo ano e quero registrar quem eu sou agora, ou coisas que representem essa minha mudança de adolescente para adulta.

— E tinha que ser logo eu? – perguntei um pouco incrédulo

Ela soltou uma pequena risada pelo nariz, pelo meu tem de voz.

— Você esta presente na vida da Bella que eu sou agora. Quero eternizar esse momento porque é um dos poucos em que estou assim, leve e descontraída. Eu fiz esse desenho quando precisava de força. Ele representa para mim, a busca por um horizonte. Eu sinto que agora posso ter perspectivas, eu gostaria que o tempo ficasse parado nesses curtos momentos. – seu sorriso se tornou melancólico.

— E então? Qual é a historia por traz desse lugar? Toda obra de arte tem uma historia. – questionei depois de um tempo em silencio.

— Bom esse lugar antes era usado por usuários de drogas, até que um dia um garoto morreu de overdose e ninguém mais veio até aqui. Eu, então pedi para o diretor Greene se poderia grafitar algo aqui, tanto para tirar aquela sensação ruim quanto para melhorar esse lugar, como um tributo a memória do garoto. – Ela confessou acanhada, em quanto apertava as mãos atrás das costas.

— Nossa... Isto esta perfeito. Deve ter dado trabalho. – pensei comigo mesmo embora tenha verbalizado.

— Nem me fale, quando comecei esse projeto chovia muito. Quase desisti dele. Mas quando vi ele terminado soube que havia feito a coisa certa em persistir. Observei seu rosto passar pela obra com um sorriso orgulhos percorrendo os lábios e não pude deixar de questionar:

— Como você consegue?

— Consegue, o que? – questionou confusa se voltando para mim.

— Enxergar a beleza nas coisas mais simples e monótonas. – expliquei com um olhar intenso enquanto sentia uma sensação quente e desconhecida no meu peito.

— Eu não sei. – ela deu de ombros. — Quando Ed... bom quando meu namorado foi embora eu pensei que nunca mais pudesse ver a beleza nas coisas, tudo parecia sem sentido e cinzento. Com a arte eu pude encontrar uma parte de mim mesma que achei que tivesse perdido. Então sempre que eu pinto ou retrato alguma coisa eu tento ver pelos olhos de uma criança, elas são puras e conseguem enxergar magia onde não existe. Quando crescemos e viramos adultos acabamos perdendo essa habilidade de ver o mundo por outra perspectiva. – seus olhos pareciam estranhamente brilhantes naquele momento, até mesmo um pouco vítreos enquanto ela olhava para sua obra com a cabeça longe.

Essa era outra coisa que eu admirava nela. Isabella parece forte por fora mais é frágil por dentro, mas ainda sim essa sua fraqueza a faz forte. Ela sempre será um enigma para mim, apesar dos anos da minha vida me tornar capaz de desvendar algumas lacunas da mente humana. Ela mais me parece um poema antigo, que a cada leitura se encontra um sentido diferente. Mas isso não era algo ruim para mim, com ela o tempo parecia passar tão mais rápido, que não via motivo para registrar tudo o que acontecia num diário como sempre me era de costume. Só havia o momento a ser vivido naqueles instantes e eu gostava disso. Isabella fazia com que eu me sentisse mais leve. Não existia Elena, Damon... Problemas que precisavam ser resolvidos para alguém não morrer.

Sem conseguir evitar eu segurei sua mão novamente. Ela me olhou apertando de leve nossas mãos unidas como se fosse um gesto de segurança enquanto dava um meio sorriso. Estava tudo bem agora porque enquanto tivéssemos um ao outro nunca mais estaríamos sozinhos.

Notas finais
Esses momentos ocorreram em torno das duas semanas que eles tiveram de convívio depois da conversa da Bella com a Rachel. E ai vocês gostaram? To percebendo um certo clima no ar com relação a nosso casal principal, isso quer dizer que depois da nevoa tem um final feliz(risos). okay e A DICA DO PRÓXIMO CAP É: Teremos uma Cena pesada, pessoas de estomago fraco estejam devidamente avisadas. Nos vemos na próxima pessoal! comentem recomendem e favoritem porque de agora em diante as coisas vão pegar fogo! (risos maléficos) Blown Kisses,Mia.