Begin Again - Lost Stars
13 Don't let me down
Notas iniciais
Stefan Salvatore
Como se não bastasse ter que dividi-la com o sarnento do Black, eu também passei a dividir sua presença com os meus amigos, se é que posso chamá-los assim. Primeiro foi Tyler que se achegou sobre o pretexto de ’’conversar sobre o trabalho’’ esse argumento teria sido valido se ele não tivesse puxado assunto com ela. E então a mesa passou a ser invadida por Mike, seguido por Eric, Bem e Angela. Jessica e Lauren vieram também, embora parecesse ser a contra gosto. Eu sabia que Jessica nutria uma certa magoa e inveja por Isabella , algo relacionado ao fato de que ela era uma garota comum, sem nenhum atrativo que a destacasse das outras a não ser por seu jeito moleca, e mesmo assim havia conquistado quem ela julgava inalcançável.
Se Jesse soubesse o quanto a Swan ficaria feliz agora em entregar de boa vontade o Cullen embrulhado em papel de presente, tenho certeza que sua afinidade por ela cresceria alguns por cento. Se bem que eu não poderia garantir se essa atitude seria um presente ou uma forma de vingança. Já o motivo de Lauren eu só fui descobrir um pouco mais tarde. O que de fato aconteceu foi que no ano passado, Tyler havia grudado feito chiclete na Swan, buscando uma forma de se redimir por quase tê-la transformado em geléia humana. Se é que existe uma forma de se redimir nesse caso, mas quem sou eu para falar quando quase já fiz a mesma coisa? Considerando meu histórico eu poderia até abrir uma loja de ’’Geléias’’ com direito a dar inveja a senhora Lovett e suas tortas de carne humana.
Tyler até tentou levá-la ao baile de primavera, mas foi vergonhosamente dispensado pelo boneco Ken da vida auto-intitulado Cullen. Aparentemente alem de ser um babaca quebrador de corações ele também era bom em dispensar futuros pretendentes. Certa vez eu lhe perguntei porque simplesmente não dizia para Lauren que não possuía interesse no Tyler. Ela respondeu-me rindo de maneira sarcástica e dizendo que’’desse jeito não seria tão divertido’’ Ela de fato parecia achar muita graça nesse ódio disfarçado e contido, eu podia ver pela forma em que seus olhos brilhavam sempre quando sorria de forma tão falsa quanto as outras.
Uma parte de mim ficava feliz por essa reaproximação, eu via como isso a agradava mesmo que ela tentasse esconder. Era como aquele medo bobo que ela tinha em relação a sua amiga Rachel. O medo de que tivesse mudado tanto que seus gostos e atitudes causassem divergência ou estranhamento. A solidão havia feito com que ela se esquecesse como era agir de forma correta com os outros, eu percebia isso pela forma em que ela sempre parecia hesitante em responder um comentário ou até mesmo agir. Quando éramos só nos dois ela não precisava se conter tanto porque eu entendia seus motivos e ignorava suas repostas ríspidas porque sabia que no fundo ela não queria machucar ninguém, aquela era só a forma com a qual ela aprendeu agir, aprendeu se expressar.
Mas havia uma parte de mim, a parte egoísta e possessiva que estava detestando tudo isso. Detestando ter que dividi-la com os outros, detestando que o nosso tempo juntos, embora ainda fosse grande, tivesse diminuído, e principalmente detestando a atenção demasiada que o Newton dava a ela. Isabella era minha amiga e somente eu conseguia ver o que havia por debaixo daquela mascara de sorrisos e gentilezas. Fora eu quem persistiu em uma amizade mesmo quando ela tentava me repelir, eu não desistira nem lhe abandonara como aquelas estúpidas e hipócritas crianças que diziam ser seus amigos. Meu intimo queria expulsar todas essas palavras para fora dos meus pulmões, em revolta. Mas eu sempre me continha, respirando fundo, me esforçava o maximo para ignorar esse lado cruel, o lado selvagem que sempre guiava o estripador.
A está altura minha luta diária já deveria ter se tornado mais fácil de se lidar, mas isso não acontecia. Ao menos eu já estava acostumado com o peso deste fardo. Eu sempre acabava me auto-recriminando com relação a isso, porque não tinha qualquer tipo de direito de me sentir irritado ou incomodado com essa aproximação, até porque não era esse o objetivo desde o principio? Ajuda-la a se socializar e arranjar um cara legal? Porque me sentia tão frustrado pelos resultados chegarem tão rapidamente? Eu tinha que botar na minha cabeça que ela era uma garota independente e com escolhas, eu tinha que ignorar meu instinto protetor de irmão mais velho que me implorava para trancá-la em uma redoma de vidro para que nada mais lhe machucasse. Eu não podia protegê-la das conseqüências de suas próprias escolhas, só apoiá-la e consolá-la quando algo não desse certo
Era isso que amigos faziam, e era isso que eu deveria fazer. Supus que fosse essa a sensação de aperto no estomago que os pais sentiam ao assistirem os filhos saírem debaixo das suas asas, era tão aterrorizador. Foi exatamente para esse ponto que Caroline chamou minha atenção em uma de nossas conversas por celular. Eu estava me rápido e de forma intensa demais a essa humana, sempre projetando para ela sentimentos que eu nutria por outras pessoas que agora estavam distantes de mim. Como o zelo e carinho que antes era direcionado a Elena, assim como a atenção e preocupação constante que eu tinha pelo meu irmão irresponsável. Você pode se mudar de um lugar para o outro, mas ainda sim não consegue se livrar das lembranças que ali formaram, mesmo longe de toda aquela rotina movida por confusão eu ainda sim não conseguia largar o velho Stefan.
E não era exatamente esse o motivo de eu estar agindo dessa forma aversa? Eu já fora tantas outras pessoas ao longo das décadas, sempre me camuflando sobre a mascara de outras pessoas, então porque diabos estava tão difícil vestir as mascaras novamente? Porque eu me sentia como se houvesse um grande rasco no meu peito onde Isabella conseguia enxergar e me atingir tão fundo? Talvez eu só... estivesse focado demais em ajudá-la e acabava me esquecendo que eu também deveria arrancar resultados positivos sobre isso. Quando foi fora a ultima vez em que eu me concentrei verdadeiramente nesse plano para ver se ele me auxiliaria, a resposta é; nunca Eu precisava mudar esse progresso rapidamente. Quanto mais rápido eu conseguisse arranjar um cara legal para Isabella, menos apegado a ela eu me tornarei e menos doloroso será para nós dois quando chegar a hora em que eu partir.
Para isso eu decidira tirar uma prova real para ver o quão longe estava o seu progresso com relação ao assunto da paquera, e que melhor lugar para se testar isso do que em uma balada? Onde paquerar é como um acessório indispensável. Sem contar que eu precisava de um descanso também, precisava relaxar e ver se meu convívio com a Swan estava fazendo efeito em me fazer esquecer da Elena. Em resumo, eu precisava encontrar uma garota para me tirar da seca.
— Eu não acredito que deixei você me arrastar para esse tipo de lugar. – Ela resmungou cruzando os braços, incomodada, enquanto esperávamos na fila para entrar em uma boate qualquer.
Deu muito trabalho convencê-la a me acompanhar em uma boate, mas depois de muita insistência e até mesmo chantagem eu consegui fazer isso em um sábado a noite. No entanto ela ainda parecia inconformada com a idéia.
— É melhor você melhorar esse astral agora. Se chegarmos La dentro com você desse jeito, tudo o que vai conseguir é repelir todos os caras em um raio de dez metros feito um inseticida. – alertei em brincadeira enquanto a observava de soslaio. Ela revirou os olhos cruzando os braços abaixo dos seios.
— Obrigada pelo conselho ’’oh grande guru da paquera’’. Mas o que muito me admira é o fato de você ter conseguido passar pela segurança com essas identidades vagabundas. – zombou enquanto olhava pela segunda vez a sua. Com o cabelo trançado e o rosto serio, Isabella aparecia na foto três por quatro.Sua explicação no dia foi a de que ’’era uma completa idiotice sorrir quando não se tinha vontade’’, havíamos feito isso em um dia que havíamos ido ao cinema, mas isso era historia para outra hora. O documento ainda fornecia informações como à idade — vinte e três mesmo tendo a fisionomia de alguém de dezesseis— e o nome informava: Gwenda Waldorf. Quando vira essa identidade dentro do carro a caminho de Port Angeles ela teve uma crise de risos.
— Gwenda? — ela dissera quando se recuperou um pouco – Quem diabos tem um nome como esse? E Waldorf? Eu sou o que? Prima daquela garota de Gossip Girl?
Tudo bem aquelas identidades fornecidas a um baixo custo por Eric —Quem imaginaria que ele fizesse esse tipo de coisa ilegal? —, eram uma bosta. Mas era um bom disfarce para que ela não desconfiasse da facilidade com a qual o segurança nos deixou passar. Já me basta aquela vez em que dei uma mancada por estar estressado demais para ligar para alguma coisa. Aquele dia eu cheguei perto do limite, tanto é que me deixei ser influenciado por isso e acabei matando um cara. Foi uma droga lidar com o remorço no dia seguinte, por isso eu maneiraria na bebida desta vez.
— Tudo tem haver com a confiança que você passa aos outros. Se você agir como alguém de vinte e três anos, parecera com alguém de vinte e três anos. Sem contar que o charme ajuda um pouquinho a mais. – dei uma piscadela sorrindo de forma maliciosa.
— Ótimo o senhor egocêntrico esta de volta. – ela bufou.
— Qual é Swan! Não seja tão rabugenta. – brinquei cutucando-a de leve nas costelas até que seus lábios se curvaram de forma involuntária o que me fez rir abertamente e ela me dar um tapa de repressão.
— Me desculpe se não me sinto confortável em estar cercada de pessoas se esfregando uma nas outras de forma promíscua em um lugar abafado e sufocante, com a maior parte das pessoas chapadas. –Sua expressão era a mais cínica possível enquanto ela fingia estar verdadeiramente sentida.
— Para a sua sorte, a essa hora, as pessoas ainda não chegaram a esse ponto. – Rebati com humor enquanto dava outro passo para frente já que havia chegado a nossa vez.
Ela me entregou sua identidade e entrada meio que dizendo sem palavras que caso o segurança ligasse para a policia ou não nos deixasse entrar eu seria o único a passar vergonha, voto de confiança zero pelo visto. Para minha praticidade eu se quer precisei compeli-lo para que pudéssemos entrar. De duas uma ou ele nem olhou nossas identidades ou já estava acostumado com esse tipo de coisa e por isso ignorou. Só sei que meu sorrisos vitorioso fez ela bufar, claramente desgostosa por eu não ter quebrado a cara. Entrelacei nossas mãos para que ele não se perdesse na multidão de pessoas que dançavam sobre a musica eletrônica alta, e arrastei-a até o bar.
— E então? O que achou do ambiente? – Perguntei quando nos sentamos em frente ao balcão cheio de bartender’s fazendo malabarismos com bebidas.
— Claustrofóbico. – ela arfou enquanto respirava fundo.
— Eu sei. – admiti em um sorriso, de quem já deduzira sua resposta. — Com o tempo você se acostuma.
— Mas ainda sim é bem chique o que me faz perguntar o quanto você pagou pelas entradas. – seu tom indagativo tinha uma pontinha de ameaça velada. O que me fez levantar as mãos em rendição, como se ela apontasse uma arma.
— Sem neura agora. Eu te convidei e eu pago. – respondi deixando claro que não havia margens para discussão, Mas ela não seria Isabella se não argumentasse.
Ela fez uma careta que sumiu rapidamente quando ela cruzou os braços sobre a bancada de mármore.
— Se é assim porque quando fomos ao cinema você não quis deixar que eu pagasse por nada? Não gosto desse tipo de coisa. Eu tenho meu próprio dinheiro e posso muito bem pagar pelos lugares que vou freqüentar ou pelas coisas que vou consumir. – retrucou se mexendo na cadeira, incomodada.
— Eu sei disso. Mas me foi ensinado desde pequeno que é o dever de um homem pagar pelos caprichos de uma mulher. – o que de fato era pura verdade. Meu pai gostava de presentear minha mãe com jóias, como se isso fizesse com que ela relevasse suas traições.
Os lábios de Isabella se fecharam em uma linha rígida por um momento antes dela desviar os olhos e dizer:
— Foda-se esse seu cavalheirismo exacerbado.
A conversa ao que parece se encerrava por ai, mas eu sabia que ela não estava verdadeiramente chateada em perder a discução. Com um sorriso mínimo, eu fiz um gesto para o barman e me inclinei um pouco em sua direção.
— Você esta precisando relaxar. Que tal uma bebida para iniciar a noite? – dei uma piscadela mexendo as sobrancelhas de forma sugestiva, o que fez com que seus lábios se curvassem de leve nos cantos. — Abre a conta e me vê duas doses de mojitos. – eu disse entregando ao atendente meu cartão de credito. Isabella me encarou raivosa por eu estar praticamente ignorando os fatores da nossa recente discução.
— Tudo bem. Vamos analisar a pista de dança. – sugeri e mesmo incomodada ela deixou passar outra discução.
— E então? – questionei depois de alguns segundos.
— Aquela garota, a de vestido vermelho – ela não quer ir para a casa sozinha hoje a noite. — Ela não pretende ir para a casa sozinha hoje a noite. – afirmou com o olhar convicto.
— Porque acha isso?
— Pela forma em que ela se move. Sempre da um jeito de olhar ao redor e ver se tem alguém lhe encarando. E ao julgar pelo homem de camisa azul junto com os amigos, ela de fato vai conseguir a diversão que quer. – Informou ela ao voltar seu olhar para mim.
Dei um sorriso satisfeito ao constatar a verdade.
— Muito bem.
Isso era uma espécie de teste. Nos dias que se antecederam eu tinha lhe explicado como se dava sinais sutis de interesse quando se estava na balada. Assim como o que não se fazia dentro dela, como passar uma cantada barata e sem noção ou no caso das mulheres ficar encarando por muito tempo um cara. Ali dentro tudo era um jogo de sedução, se você agisse de forma correta poderia tirar algo proveitoso, se não acabava voltando sozinho e bêbado para casa. Eu deduzira que talvez ela não ficasse muito confortável em ficar com um cara na sua primeira noite em uma balada por isso o nosso objetivo, quer dizer o da Isabella, era conseguir o Maximo de telefones possíveis para ver se ela era boa nesse negocio de sedução. Mas é claro que se ela desejasse poderia muito bem sair com caras que conhecesse ficando com eles ou não. Ela era livre para fazer o que quisesse essa noite.
O barman finalmente chegou com as nossas bebidas colocando-as em nossa frente. Isabella encarou as fatias de limão dentro dos copos com desconfiança antes de voltar os olhos para mim.
— Experimenta, isso vai te dar mais coragem para se misturar na multidão. Quem sabe assim você não deixa esse lado metódico e perfeitinho por um momento e se divirta. – dei uma piscadela com humor, enquanto passava o dedo sobre a borda do meu copo de forma distraída.
— Tudo bem, mas se você me deixar na mão de algum velho pervertido eu juro que te capo quando, estiver em minha plena consciência novamente. – ela me ameaçou, me olhando de forma ferina enquanto pegava o copo.
— É isso que você acha que acontece quando se fica bêbado? Que você faz coisas sem ter plena ciência? Isso não acontece de verdade. O Maximo que pode rolar é você se tornar um pouco mais corajosa e desinibida. Mas não é como se fosse fazer coisas que não quer. – expliquei observando-a com estranheza. Então era essa a imagem que as pessoas puritanas tinham da bebida?
Isabella me olhou por um segundo, tentando decidir se acreditava em mim ou não. Depois ela suspirou e deu de ombros antes de dar um gole da bebida fazendo uma leve careta antes de engolir o liquido da boca. Arqueei uma sobrancelha em uma pergunta muda do que ela tinha achado do gosto.
— Jesus! Parece que eu engoli acido sulfúrico. – praguejou ela com a voz rouca, dando algumas tossidas antes de respirar fundo. O que me fez rir acenando em concordância porque era verdade. — Mais ainda sim gostei do gosto é uma mistura curiosa entre o azedo doce e ardido. – Acrescentou de forma rápido antes de dar outro longo gole.
— Vai com calma! Você ainda é fraca para esse tipo de bebida. – alertei mais pareceu ser em vão porque ela tomava gole atrás do outro sem parecer ligar.
— Cale a boca! –ofegou de forma mandona, antes de passar a língua sobre os lábios mais avermelhados que o de costume.
Dei de ombros conformado, levando o meu copo até a boca antes dele ser puxado da minha mão por uma Isabella afoita.
— Hey! – exclamei indignado. Mas ela nem ligou para isso, engolindo o liquido em grandes goles.
— Eu preciso mais que você– essa foi sua justificativa sem nem um pingo de culpa. — Se vamos fazer isso mesmo, então que seja logo.
Ela então me puxou pela mão até o aglomerado de pessoas que se concentrava na ampla pista de dança. O piso ali era um pouco mais baixo e a iluminação que irradiava era precária, sendo esta por maio de flash’s de luzes coloridas. A atitude imediata dela me surpreendeu, achei que ela fosse enrolar mais e talvez beber outros drinks antes de finalmente se decidir. Talvez vendo a surpresa estampada na minha face tenha feito com que ela se explicasse
— Estou nervosa, por isso costumo pensar demais sobre minhas decisões. Sempre em duvida ou buscando adiar algo que futuramente venha a se tornar um problema. Geralmente, nesses casos, se torna mais fácil agir por impulso. Desta forma não a hesitação ou temor. – deu de ombros, gritando por cima da musica alta enquanto esboçava um sorriso mínimo.
Mesmo que tivesse tomado essa iniciativa, ela ainda parecia bastante desconfortável. Tentava ao Maximo se esquivar e não encostar nos outros o que como , como conseqüência, a fazia invadir meu espaço pessoal, mesmo sabendo que se ela tivesse alguma opção isso não estaria acontecendo. Com o rosto corado ela colocou a mão sobre o meu tórax, tentando aumentar o mínimo espaço que nos separava. Não soube dizer se ela estava assim porque estava constrangida ou se era o álcool fazendo efeito.
— Qual é o problema destas pessoas? parecem que querem me esmagar contra a parede feito um inseto. – reclamou ela jogando algumas mexas que atrapalhavam sua visão para o lado.
Isso me fez arquear uma das sobrancelhas com humor.
— Prensarem umas as outras na parede é exatamente isso que essas pessoas querem. – comentei de forma despreocupada enquanto me mexia de leve de acordo com o ritmo da musica.
Seu cenho se franziu por um instante, enquanto ela tentava entender a informação que estava deixando passar. Segundos depois sua expressão se iluminou.
— Ahhh! – Exclamou ela arregalando os olhos.
— ’’Ahhh!’’ mesmo. – concordei com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso no rosto. Apesar de ter nascido nesta era, Isabella era um pouco ingênua e desligada para algumas questões. E isso era completamente adorável.
— Que nojo! As pessoas não tem vergonha? Esses atos em lugares públicos podem ser considerado atentado ao pudor. – ela parecia de fato indignada que as pessoas fizessem sexo em lugares como estes, onde qualquer um poderia ver.
Inclinei um pouco a cabeça concordando com a sua argumentação embora, não desse para fazer nada a respeito.
— Tecnicamente não é um lugar publico, considerando que pagamos para entrar aqui. Sem contar que as pessoas estão ocupadas fazendo a mesma coisa para prestar atenção nos outros. – ressaltei vendo a fazer uma careta enquanto observava as pilastras nos cantos como se pudesse enxergar por trás da penumbra.
— Okay, aquela coragem repentina que você disse que eu ia ter ainda não fez efeito o suficiente para ignorar esse detalhe. Então acho que preciso de mais algumas bebidas. – afirmou Isabella apontando o polegar para trás de forma embaraçada, para depois traçar o caminho novamente para o bar.
Eu já devia ter desconfiado do seu ato ousado demais para alguém que não queria estar nesse lugar, mas tudo bem, ainda tínhamos a noite inteira para isso. Segui seus passos rindo da sua reação, enquanto a ouvia reclamar o quanto os jovens não tinham mais preocupação em pegar uma DST.
Lá em cima conversamos mais um pouco sobre diversos assuntos, como trabalhos escolares, séries legais ou só ficamos ouvindo as musicas que tocavam mesmo. Uma mania que havíamos adquirido foi fazer espécie de batalhas de lip sings quando estávamos entediados. Era só tocar uma musica para eu ou ela começar a dublar fazendo caras e bocas que sempre nos faziam rir. Isso também havia se tornado uma forma de comunicação nossa quando estávamos acompanhados de outras pessoas do nosso grupo. Era só ler os lábios um do outro, para entender certo comentário, ou compartilhar uma piada particular.
Mesmo tendo dito que precisava de alguns drinks, Isabella ingeriu só mais um. Isso depois de comer algum lanche, afinal eu não era tão irresponsável a ponto de deixá-la beber mais sem nada no estomago. Mesmo assim, cerca de duas horas depois, ela já estava falando de forma arrastada e rindo com mais facilidade. Essa Isabella semi-alterada não tinha travas na língua, fazia comentários inapropriados e até mesmo bobos que se tornavam engraçados. A Swan ’’alegrinha’’ era tão divertida quanto a Swan em seu estado normal era sarcástica. Eu também consumi vários drinks, embora nem tenha sentido direito os efeitos que deveriam ter elevado meu alto astral. Infelizmente, quando se era um vampiro você nunca parecia ficar bêbado o bastante.
— Por acaso você é parente distante do Capitão America? Porque isso explicaria algumas coisas como sua Imunidade aos efeitos da bebida e seu porte físico que o deixa ainda mais gostoso. – Comentou ela, me olhando por debaixo dos olhos semi cerrados, parecendo verdadeiramente intrigada.
Um ruído estrangulado me escapou enquanto eu lutava para prender uma gargalhada que faria o rum que eu bebia sair pelo meu nariz. Aquilo definitivamente não era algo que ela diria se estivesse cem por cento sóbria.
— Hãn? Não. Meu organismo já se acostumou com os efeitos, então são necessários um pouco mais que alguns drinks para me derrubar. – expliquei um pouco encabulado. Aquela situação era bizarramente estranha, porque pareceu por um segundo que a Swan estava dando em cima de mim.
— Alcoólico inveterado sem recuperação. – repetiu ela, rindo de forma histérica do meu apelido, como se só agora tivesse visto o quanto ele fazia sentido. Seu riso espontâneo me fez acompanhá-la, sem conseguir me conter.
— Então quer dizer que a Srta. me acha atraente? – questionei como quem não quer nada, balançando o copo de rum pela metade entre os dedos. Conseguir uma confissão, era achar outra forma de implicar com a Swan.
Ela franziu a testa por um segundo antes de se inclinarem minha direção, me olhando de cima.
— Acho. – admitiu ela em um sorriso sonolento. Mas de repente ela me encarou seria, a expressão rígida. — Se você tentar usar essa informação como forma de me irritar, eu nunca mais olho na sua cara. – falou de forma mordaz.
Por um segundo fiquei sem reação diante a sua ameaça, sem saber ao certo o que dizer.mas a confusão me assolou quando ela voltou a rir de maneira incontrolável.
— Você tinha que ter visto a sua cara! Parecia até que tinha visto um fantasma. – caçoou ela entre golfadas de fôlego.
Percebi então que ela havia me enganado. Estreitei os olhos em sua direção, tentando conter meu divertimento.
— A Srta. se acha muito espertinha, não?
— Eu sei que sou. Mas relaxa, o Maximo que iria acontecer caso você fizesse aquilo, seria eu fingir que não me lembro. – confessou ela sem remorço enquanto encarava de forma suspeita o copo em minhas mãos, provavelmente se preparando pêra surrupiá-lo novamente.
Mas desta vez eu fui mais rápido, tirando o mesmo do seu caminho enquanto estralava a língua em desaprovação.
— Nada de álcool para você. Já consumiu mais que o bastante para quem nunca fez isso. Lembra-se do que eu te disse, antes?
Ela bufou revirando os olhos.
— Nenhum cara que preste se aproxima de uma garota que bebeu demais e blá, blá, blá, como você é chato!– Resmungou ela fechando a cara.
— Que tal irmos para a pista de dança novamente? – Sugeri mudando de assunto, estendendo a mão.
— Acho que tudo bem. – concordou ela enquanto aceitava minha mão entrelaçando nossos dedos.
Guiei-a novamente para a pista de dança, e desta vez pude ver que ela estava mais relaxada, no entanto não menos relutante. A musica remixada era alta em nossos ouvidos o que fazia o chão vibrar. Movi meu corpo conforme o ritmo da musica, deixando que a ela ditasse meus movimentos. Isabella tentou fazer o mesmo ao se posicionar na minha frente, mas ainda parecia estar desconfortável no meio de tanta gente. Seus movimentos eram meio rígidos mais ainda sim desleixados e amplos demais. Tanto é que ela acabou por esbarrar em uma garota de cabelo curto atrás de si, ela até pediu desculpa um pouco envergonhada, mas a garota a ignorou se mudando para o outro lado da pista.
Ao que parece a Isabella alterada era mais desastrada que a completamente lúcida. Rindo um pouco da sua falta coordenação motora, eu a puxei em minha direção e em um giro perfeito de valsa ela bateu contra mim.
— Parece que eu também vou ter que te ensinar esse tipo de dança. – sussurrei em seu ouvido sentindo ela estremecer de leve.
Escorreguei minhas mãos pelo seus braços sentindo sua pele arrepiada, antes de posicioná-las na curva de seu quadril, sentindo a pele febril sob a ponta dos meu dedos. Gentilmente guiei seu quadril em movimentos lentos e sinuosos, o que contrastava com a musica agitada que tocava ao nosso redor, já que a maioria das pessoas pulavam ou se mexiam de maneira frenética. Isabella aos poucos foi ficando mais relaxada, um suspiro alto lhe escapou enquanto descansava a cabeça no meu ombro esquerdo, deixando seu pescoço alvo amostra. Ela tinha um cheiro doce e suave de erva doce, que fez meu nariz pinicar de leve. Eu podia sentir sua pulsação rápida e isso me fez engolir em seco, tentando ignorar a sensação áspera na garganta quando fiz isso.
Minha respiração saia de forma pesada enquanto me forçava a permanecer calmo. Isabella já conseguia executar os movimentos sem a minha ajuda, mexendo o quadril com a suavidade e sensualidade de uma cigana. Encaixei uma de minhas pernas entre as suas para tornar nossos movimentos sincronizados. Ela apóia um dos braços atrás do meu pescoço enquanto o outro repousa sobre um dos meus braços que ainda seguram sua cintura, como uma forma de manter o equilíbrio em meio ao movimento inesperado.
Isso faz com que um grunhido rouco me escape por entre a garganta. Uma vozinha no fundo da minha cabeça questionou que merda eu estava fazendo, e o quanto era errado eu estar me deixando levar pelo momento. Estar desse jeito com Isabella era como se eu estivesse me aproveitando de um momento de fraqueza da mesma, porque em condições normais ela teria dado um tapa na minha cara. Mas a maior parte do meu ser ignorava essa parte, porque era extremamente bom tê-la desta forma tão perto de mim. Minha boca parecia extremamente seca naquele momento.
Travei meus dedos no seu quadril tentando manter certa distancia entre nossos corpos quando senti um familiar formigamento na região da virilha. Merda, nada bom. Ela se virou para mim, confusa, o rosto ruborizado e os olhos brilhantes. Sua respiração descompassada era visível sobre a sua blusa de tecido fino cinza.
— Acho que você já pegou o jeito da coisa. Lembre-se das três regras da conquista quando for se divertir. – Com uma piscadela marota eu me afastei, deixando ela sozinha e um pouco atordoada.
Meus parabéns você acaba de ganhar o premio de pior melhor amigo de todos os tempos, minha consciência praguejou. Não acredito que deixei as coisas chegarem a esse ponto. O constrangimento inundou meu corpo quando analisei os últimos acontecimentos, passando a mão de forma nervosa pelo meu cabelo. De novo! Não acredito que isso aconteceu de novo. Não acredito que fiquei excitado por ela outra vez. Se Lexi estivesse aqui tenho certeza que ela socaria minha cara me chamando de pervertido aproveitador. Eu precisava de mais bebidas, isso sim. E talvez uma outra foda.
Alguns drinques depois eu já me sentia um pouco melhor, e pude admitir que cometi alguns erros estúpidos e impensados, como dançar com ela tão próximo daquele jeito. Eu sou um homem e meu corpo responde a esse tipo de estimulo de forma quase automática, principalmente quando eu estava tão na seca daquele jeito. Tudo o que de que eu precisava era relaxar e curtir o resto da noite. Observando a pista de dança eu identifiquei a cabeleira loira de Isabella, ela dançava junto a um cara alto que estava de costas para mim. Quando me viu ela sorriu de forma animada fazendo um joinha com uma das mãos que entrelaçava o pescoço do outro. Forcei um sorriso cumprimentando-a com um aceno de cabeça enquanto levava outro copo de bebida até a boca.
O liquido desceu de forma amarga arranhando a minha garganta, de forma desconfortável. O que eu esperava? Tinha sido eu quem propusera o lance de dez números de telefone, ela só estava fazendo a sua parte do acordo então não havia motivos para que eu ficasse desconfortável com isso. Não era porque eu não conseguia me divertir totalmente que ela também deveria ficar da mesma forma. Se formos levar em conta que ela pretendia vivenciar tudo o que não fez em dezoito anos, ainda tinha muita experiência a ser adquirida.
— Oi. – Uma voz rouca soou ao meu lado. Olhei na direção vendo uma garota com não mais que vinte anos, cabelo vermelho demais para ser natural, na altura do maxilar em um Chanel de bico. Ela era bonita, usava um vestido de uma única manga longa em degrade de roxo, que marcava seu corpo sem ser de forma vulgar e grandes saltos brancos.
— Oi, sou Stefan. – cumprimentei com sorriso sedutor, enquanto me inclinava um pouco em sua direção. Parece que minha diversão acabou de começar.
— Mary Jane. – Disse ela de forma relutante enquanto mexia nos cabelos.
Isso me fez arquear uma das sobrancelhas.
— Como a namorada do homem aranha? – questionei interessado. Era impressão minha ou esse dia estava recheado de referencias a esse universo? Primeiro Isabella e depois esta garota. Se bem que suas características batiam com a da personagem, olhos azuis, sardas e cabelo ruivo.
Ela bufou em mensura a minha pergunta, o rosto corando de leve.
— Você não é o primeiro a me perguntar isso, e acredite é só mera coincidência. Os caras acham eu faço 69 só por conta daquele maldito beijo de cabeça para baixo, você não imagina o quanto isso é irritante. Foi por isso que cortei meu cabelo, eu queria ter uma identidade própria. – desabafou ela apoiando os braços sobre o balcão. Ninguém fala da vida sexual tão abertamente assim com um estranho sem estar no mínimo alterado.
— Bom eu não acho que vocês sejam tão parecidas assim, você é bonita demais para alguém conseguir retratar com perfeição seus traços em um desenho. – elogiei em um meio sorriso observando-a de soslaio.
Ela tentou conter um sorriso enquanto ruborizava de leve. Parecendo um pouco mais confiante ela se virou para mim cruzando as pernas torneadas em um gesto casual.
— Aparentemente somos uns dos únicos aqui dentro que estão desacompanhados. Por isso minhas amigas me desafiaram a vim falar com você. Talvez tentando fazer com que eu não fosse a única do grupo a ficar encalhada essa noite. – disse ela ao se inclinar em minha direção enquanto mexia no cabelo novamente.
— Se depender de mim isso não vai acontecer. – garanti com um sorriso malicioso.
Não foi preciso mais algumas trocas de palavras para que minutos depois estivéssemos nos atracando dentro do quartinho de serviço na área para restrita somente aos funcionários. O gloss da boca dela tinha gosto de maçã e embora o perfume que emanasse dela fosse forte não era totalmente incomodo. Agradeci silenciosamente que ela estivesse usando um vestido, afinal isso poupava muito tempo. Tudo o que eu precisei fazer foi puxar a barra do seu vestido até a cintura, e afastar sua calcinha para o lado para ter acesso a sua intimidade.
Ela já estava bastante úmida, e aquilo elevava bastante meu ego considerando que até o momento presente só tínhamos nos beijado. Seu gemido retumbou dentro da minha boca quando iniciei uma serie de movimentos circulares em seu clitóris. Se contorcendo um pouco ela enlaçou melhor as pernas na minha cintura dando mais espaço para que eu pudesse explorá-la. Imprensei-a melhor na parede, sustentando-a com somente uma das mãos enquanto penetrava um dos meus dedos no seu sexo. Ela afastou nossos lábios afundando o rosto na curva do meu pescoço enquanto arfava em busca de ar. Suas mãos puxaram meus cabelos em busca de apoio quando adicionei um segundo dedo, executando movimentos fortes e rápidos.
Ela espalhou uma serie de beijos pelo meu pescoço, enquanto puxava minhas costas para mais perto do seu parecendo querer sentir todo o meu corpo. Não demorou muito tempo para ela soltar um gemido alto e rouco chegando finalmente ao seu ápice. Ela me encarou por um momento, os olhos semi serrados brilhando a fraca iluminação. Uma visão erótica sublime. De forma quase inconsciente levei meus três dedos ainda molhados de sua excitação até seus lábios avermelhados e entreabertos. Ela não hesitou em sugá-los com volúpia capturando todos os resquícios de seu prazer enquanto me olhava fixamente.
Minha respiração se tornou irregular enquanto eu observava esta cena, sentindo minha calça jeans ficar cada vez mais apertada de forma desconfortável. Mary sorriu de forma marota ao largar minha mão e me empurrar de leve para poder firmar os pés no chão. E foi com esse mesmo olhar que ela trocou nossas posições, me encostando de forma imperativa na parede que a poucos segundos estava. E de forma fluida ela se agachou na minha frente. Não pude deixar de ficar ansioso com o que ela estava prestes a fazer, mas mesmo assim me forcei a fechar os olhos para aproveitar melhor a sensação.
Senti a sua passear de forma provocativa sobre a minha ereção coberta pelo tecido jeans, antes da mesma descer o zíper de forma lenta como se estivesse apreciando a minha imagem quase chegando ao limite. Senti então seus dedos agora sobre o tecido fino da minha boxe e não pude evitar de respirar fundo com isso. Desta vez ela não me torturou tanto com a espera e logo desceu o tecido também revelando meu membro duro a friagem do local. Ela deixou escapar um som de apreciamento que fez com que os cantos dos meus lábios se curvassem em jubilo. Qualquer pessoa gosta de ser admirado, afinal.
Um ruído do fundo da minha garganta soou pelo local quando senti as suas mãos quentes e macias em mim. Fechei as mãos em punhos dos dois lados do corpo quando os movimentos de vai e vem se iniciaram. Eu podia ouvir o som alto das musica que tocavam na pista de dança ali dentro, assim como alguns corações batendo de forma regular que passavam no corredor ali fora. O som que mais se destacava era do coração de Mary batendo de maneira rápida embora sua respiração fosse calma. Eu também podia sentir o cheiro apelativo do seu sangue que se tornou mais forte devido a sua pulsação acelerada.
Uma parte de mim se perguntou o que Isabella estaria fazendo uma hora desta. Talvez estivesse bebendo outras doses ou beijando aquele cara que ela parecia contente em ter arranjado. Eu conseguia imaginá-la sendo observada como uma carne fresca pelos gaviões enquanto dançava de forma distraída na pista de dança, curtindo a musica. No entanto parecia mais provável que ela já estivesse com outra pessoa se atracando em algum canto como eu estava fazendo no momento. Se divirta! Foi o que eu dissera a ela era exatamente isso que ela deveria estar fazendo.
Meu devaneios tiveram fim quando senti o calor úmido em volta do meu membro, o que fez um som estrangulado que sair rasgando pela minha garganta. Meus olhos se abriram para a escuridão parcial enquanto meus olhos se focavam em Mary que me olhava de uma forma divertida e sacana. Minhas mãos se infiltraram nos seus cabelos forçando meu membro alcançar o fundo da sua garganta. Ela engasgou um pouco mas segurou em minha cintura deixando a garganta relaxada enquanto eu guiava o ritmo desta vez. Meus olhos estavam nublados pelo desejo e eu sequer me importava com a possibilidade de estar machucando-a, tudo o que eu queria era continuar me satisfazendo.
Essa sensação era transcendental, eu só conseguia pensar em continuar sentindo aquele calor me acolher de forma prazerosa e agradável. Eu podia sentir sua língua passear pela minha extensão até a glande assim como seus dentes rasparem de leve na pele sensível enviando uma serie de arrepios pela minha espinha. E lá estava novamente a minha miragem doentia da Elena me encarando de maneira pecaminosa, com seus grandes olhos castanhos. As fisgadas na região da virilha se tornaram mais freqüentes enquanto eu investia contra sua boca de forma bruta e rápida. E então eu investi uma única vez antes do orgasmo me alcançar. Um som gutural me escapou enquanto o tempo parecia parar por um momento que parecia longo, mas não passara mais do que alguns segundos.
Elena sorriu se levantando enquanto lambia os lábios rosados em um, gesto sensual. Ela se aproximou com um meio sorriso antes de tomar minha boca com a sua. Minhas mãos se infiltraram nos seus longos cabelos lisos enquanto eu retribuía o ato sentindo uma mistura entre meu próprio gosto junto a uma bebida alcoólica e bala de hortelã. Quando nos afastamos eu esperava encontrar olhos castanhos sobre uma pele bronzeada, mas não foi isso que aconteceu. Invés disso, olhos esverdeados sobre uma pele pálida me encararam de volta, os lábios vermelhos se dobrando em um sorriso poucas vezes visto. Minha respiração ficou presa na garganta enquanto eu piscava com força, em choque.
Quando voltei a abrir os olhos novamente à ilusão havia sido desfeita e Mary me olhava de forma avaliativa. Afastei-me um pouco dela, me virando de lado enquanto buscava me recompor. Aquilo definitivamente não havia acontecido, eu me recusava a pensar sobre isso mesmo que tivesse acontecido somente alguns minutos atrás. Eu precisava ir embora, precisava descansar na minha casa e tentar esquecer o que minha mente pervertida e doentia havia acabado de fazer. Ajeitei minha roupa da melhor maneira possível, de forma que eu ficasse no mínimo apresentável e depois me virei novamente para ela, que havia feito a mesma coisa.
— Obrigado pela mão. – falei encostando de leve meus lábios nos seus.
— Eu é que agradeço. – disse ela acariciando de leve um dos meus braços depois que me afastei. – Esse é meu numero de telefone. Me ligue um, dia desses para gente se conhecer melhor. – pediu ela em um sorriso insinuativo enquanto escrevia seu numero no meu braço.
— Pode apostar que sim. – afirmei com um meio sorriso galanteador antes de sair porta a fora.
Refis o meio caminho até de volta a área movimentada da pista de dança. Já era 1:43 A.M e se eu bem conheço Isabella, ela com certeza passaria boa parte de domingo na cama devido a ressaca. Fiquei na área do bar que era um pouco mais alta, tentando identificar a cabeleira loira dela no meio da multidão. Minha testa se franziu um pouco depois de um tempo quando não consegui encontrá-la. A onde diabos ela tinha se metido? Um pouco nervoso deci até a pista de dança abrindo caminho entre o mar de pessoas bêbadas e taradas. Durante esse percurso recebi varias encoxadas e passadas de mãos indiscretas, mas ignorei focado em minha busca.
Topei com vários casais se pegando em cantos escuros mas nada dela, e a preocupação começou a ficar forte em mim. Perguntei para o segurança na entrada se ele a tinha visto, assim como pedi para uma moça entra no banheiro feminino para ver se ela estava lá e a resposta era sempre a mesma: ela não estava. Eu não conseguia sentir seu cheiro pela boate não importa o quanto eu me concentrava, a alta concentração de pessoas atrapalhava meu faro. Do mesmo jeito eu não conseguia identificá-la pelas batidas do seu coração. A onde ela tinha de enfiado?Não era possível que ela já tenha aceitado de primeira ir para a casa de um cara desconhecido, certo? Ela era a Swan! Ela não confiava em ninguém, duvido que ela tenha caído na lábia de um cara por meio de uma dúzia de palavras.
Ela também podia ter ido me procurar e por não ter me achado, foi embora achando que eu a tivesse largado aqui. Essa alternativa parecia algo que Isabella de fato fosse fazer, eu até podia imaginá-la andando pelo meio fio da estrada e praguejando o quanto eu era um babaca. Mas ainda sim eu não podia descartar a primeira opção. Os únicos lugares em que eu ainda não havia procurado foram nas saídas do fundo e a de incêndio, então decidi olhar nas duas antes de desistir. Eu já havia tentado o seu celular varias vezes, mas sempre cai na caixa eletrônica. Por isso deixei um monte de mensagem de vez caso ela visse. Decidi começar com a primeira da lista que ficava no mesmo corredor que os banheiros do lugar.
Em passos largos atravessei a porta de metal para o ar frio da madrugada. Esta porta dava para um beco mal iluminado e sujo. Havia alguns jovens se drogando perto de uma caçamba de lixo, o que me fez dirigir até lá em busca de informações. Fiz uma descrição detalhada de Isabella para os garotos que me encaravam, desconfiados. Isso é perda de tempo, eles provavelmente estavam chapados demais para se quer saber como haviam chegado aqui, imagine prestar atenção em quem passa pela rua; minha consciência alertou.
Mas para a minha surpresa o da direita, o alto com cabelo castanho claro longo e desgrenhado respondeu.
— Ela passou a uns vinte minutos por aqui, junto com um grupo de três caras bêbados. Foi para o lado oeste. – disse com a voz rouca enquanto tentava se ajeitar para sentar direito.
Aquilo me deixou ainda mais aflito tentando considerar o que havia acontecido. Isabella era desconfiada e esperta, ela não sairia por livre espontânea vontade com três caras desconhecidos. Principalmente considerando que as pessoas bêbadas fazem coisas estúpidas e impensadas. Joguei uma nota de vinte dólares como forma de agradecimento, antes de afastar em passos longos pelo asfalto íngreme. Eu podia sentir a adrenalina correr rápido pelas minhas veias enquanto eu tentava andar o mais rápido que a velocidade humana permitia. Poucos metros depois senti o rastro fraco do seu cheiro que me deu mais animo para continuar seguindo pela aquela direção.
Por favor, por favor, que eu consiga chegar a tempo antes que o pior aconteça; pedi internamente enquanto sentia o meu coração se retorcer dentro do meu peito. Isabella já era tão quebrada, tão frágil. Eu não queria que mais isso fosse adicionado a sua bagagem de traumas. Ela não merecia mais nenhum tipo de dor, se ela chegar a vivenciar isso pode ser que eu não consiga mais ajudá-la. Sua alma seria tragada para um vazio tão imenso e agonizante que eu não desejava nem a meu pior inimigo. Por isso minha mente continuava torcendo para que minha suposição estivesse errada, ela sempre conseguia me surpreender e eu esperava que desta vez não fosse diferente.
Foi então que eu ouvi. Soluços baixos de um choro desesperado seguida por risadas altas de divertimento, que me fizeram paralisar no lugar.
’’Por favor, por favor! Eu não quero, por favor, não façam isso’’ suplicou a voz chorosa e familiar.
’’ Ora, mas porque você esta chorando? Nós só estamos brincando, você não esta se divertindo?’’ perguntou uma voz masculina com falsa inocência.
A garota soluçou novamente enquanto o cheiro salgada das suas lagrimas se tornavam mais forte. Houve um farfalhar de roupas quando aparentemente esse cara chegou mais perto dela, eu podia sentir o cheiro asqueroso da sua excitação a isso, o que quase fez com que o bile subisse a minha garganta. Ele estava se divertindo assim como os outros dois que também estavam presentes.
’’ Que pena. Por que nos estamos, ou melhor, nós vamos nos divertir bastante, boneca.’’ Disse o cara dando uma risadinha sendo acompanhado pelos outros.
Foi então que eu senti a minha visão ficar vermelha. Minhas mãos latejavam devido aos cortes feitos pela minhas unhas quando me forcei a ficar parado ouvindo toda aquela atrocidade que fazia o meu sangue ferver. Eu podia sentir o ódio correr como lava viva pelas minhas veias me fazendo agir de maneira impensada. Tudo o que eu pensava naquele momento era em estripar esses malditos e poder torturá-los da pior e mais lenta forma possível, enquanto assistia a vida se esvaziar de seus olhos aos poucos.
Invadi o beco na velocidade que me tornava um borrão aos olhos humanos. Isabella estava imobilizada por dois homens troncudos contra a parede enquanto o terceiro se ocupava em abaixar a calça jeans ansioso com a perspectiva de violá-la. Quebrei o braço de um enquanto arrancava a traquéia do segundo homem que a segurava, sem do nem piedade. O sangue sujou minhas mãos e respingou em minha roupa, mas eu não me importei com isso quando segurei o terceiro, que possuía a calça arriada, pelo pescoço e o joguei na caçamba de lixo ali no canto. Homem estúpido com o braço quebrado gritou de dor e horror ao se deparar com o seu colega se contorcendo em uma poça de sangue ao seu lado.
Eu podia sentir minhas gengivas latejarem mas mesmo assim me forcei continuar com a aparecia humana quando me virei para Isabella. Ela olhava tudo chocada, colocando a mão sobre a boca, e se encolhendo mais contra a parede enquanto tentava juntar os pedaços de pano que um dia foram sua blusa, para cobrir o corpo. Havia um corte no canto da sua boca assim como no surpencílio. Ela tremia um pouco embora a temperatura não fosse baixa o bastante para que ela sentisse frio. Da onde eu estava eu também podia ver que seus olhos estavam dilatados, o me levantava a hipótese de que talvez ela tivesse sido drogada. Isso me causou mais raiva ainda.Meu olhar sobre ela não durou muito, para que eu soubesse se ela estava bem porque logo uma risada atraiu meu olhar. Era o terceiro homem que se levantava desta vez apontando uma arma para mim.
Seu olhar era estranho vítreo e frio,embora ele sorrise.
— Eu sabia, eu sabia que era você seu filho da puta. É uma pena que você tenha chegado antes de eu retribuir o seu favor, queria que tivesse tido tempo de receber o meu presentinho. – disse ele de maneira psicótica enquanto andava de forma lenta com a arma mirada em mim.
Um tiro de arma não me mataria mas mesmo assim agi como se matasse. Ele não parecia em seu estado perfeito, o que poderia ser perigoso para as pessoas que estivesse ali perto. Deixei minhas mãos a onde ele pudesse ver tentando ganhar um pouco de tempo para contornar essa situação e tirar Isabella dali. Minha testa se franziu um pouco com sua fala. Ele me conhecia? Analisando melhor, seu rosto me parecia familiar embora eu não me lembrasse da onde o tinha visto.
— Do que diabos você esta falando? Eu nunca te vi na vida, cara. – menti jogando a isca para que ele me explicasse.
E o mesmo não me decepcionou.
— É claro que você não lembra, não é mesmo? – retrucou ele rindo com desgosto. – até porque três semanas a atrás você estava ocupado demais fodendo com a minha namorada, em uma boate qualquer.
Cai fora, Trevor! Você não tem merda de direito algum de questionar sobre a minha vida!, ecoou a voz dentro da minha mente conjurada de uma lembrança que me parecia tão distante.
— Trevor? – testei para ver se estava certo. Suas características agora batiam com o do cara estressado que tinha tentado me socar a um tempo atrás.
Ele sorriu de forma doentia enquanto passava a língua pelos lábios secos.
— Bingo!
Minha testa se franziu desta vez de incredulidade, enquanto eu mordia a parte interna da minha bochecha para me controlar. Era só o que me faltava, um humano estúpido ficar me perseguindo em busca de vingança por ter se tornado corno.
— Então você fez isso por causa da Eve? Olha ela não tinha me dito que tinha namorado, ok? Eu...
— Eu não fiz isso por causa da puta da Evelyn okay?Pouco me importa o que aquela vadia faz. Eu fiz isso para retribuir esse favor. – e com um puxão de ajuda da boca ele tirou a luva que usava mostrando o monte disforme coberto com gaze que um dia fora a sua mão direita. Uma pontada de remorço me assolou, eu não tinha controlado a minha força e fora isso o que eu causara.
— Todos os ossos da minha mão foram quebrados, os médicos disseram que não tinha concerto, a única coisa que eles podiam fazer era amputar para impedir que o tecido não se deteriorasse. Acho que devo agradecer você pelo presente, não é mesmo?– perguntou ele de forma retórica enquanto observava a mão com um deleite melancólico.
Eu engoli em seco, me sentindo nauseado de encara aquilo. Eu sou um monstro, não importa o que eu faça eu sempre machuco alguém.
— Eu sinto muito, não foi a minha intenção causar isso a você. – eu disse sendo sincero enquanto dava um passo a frente deixando minhas mão para cima para ele ver que eu não estava planejando nada. Eu não queria matá-lo, já havia causado essa desgraça e não queria tornar tudo pior para um cara que estava sofrendo por minha causa.
— Claro que não. As pessoas disseram que eu tinha mentido quanto a um cara ter feito isso com a minha mão, até a vadia da Eve fingiu que não tinha presenciado tudo. Mas eu não, eu sabia o que tinha visto com meus próprios olhos. Durante todo esse tempo eu freqüentei varias boates em sua busca, eu queria muito retribuir esse favor. Não imagina o quão feliz eu fiquei quando te vi hoje, mas você estava acompanhado. Isso tornou as coisas ainda melhores. Você parecia muito ligado a essa garota então eu já tinha o alvo perfeito. O seu ponto fraco. E que melhor forma de vingança que essa? Você transou com a minha namorada, e eu faria o mesmo com a sua amiguinha aqui. – disse ele olhando de uma forma tão suja e nojenta para Isabella que eu senti toda a minha empatia por ele se esvair.
De forma quase automática eu me movi para ficar na frente dela, cobrindo sua visão. Ele sorriu como se eu tivesse acabado de provar seu ponto.
— Mas veja só o jogo mudou. – disse ele movendo a mira da arma para a esquerda e apertando o gatilho. Houve um baque surdo e quando me virei, vi o corpo do outro homem que antes segurava Isabella no chão.
— Espero que entenda, não pode ter testemunhas para o que eu vou fazer com você. – disse ele como forma de justificativa, antes de voltar a mira da arma para mim novamente.
Não pode haver testemunhas... Isabella estava ali e por conseqüência isso a tornava uma testemunha. Antes que eu pudesse me refrear um rosnado animalesco escapou pela minha garganta retumbando pelo curto local, com a minha agilidade natural eu voei até ele prendendo-o contra a parede pelo pescoço enquanto minha outra mão segurava a sua com a arma. Impedindo o de apertar o gatilho. Sua respiração se tornou irregular enquanto sua pulsação aumentava de medo.
— Você tem razão. Eu quebrei sua mão com um simples aperto da minha, e sabe porque? Porque eu não me importo. Eu sou um monstro e gosto de machucar as pessoas, de ver o olhar de medo nos olhos delas cada vez que mato alguém. Você estava certo em dizer que não haverá testemunhas, porque eu nunca deixo ninguém vivo. – afirmei com a maior calma do mundo enquanto dava um sorriso demoníaca deixando que minhas presas aparecerem enquanto as veias ao redor dos meus olhos de tornavam proeminente.
Ele gritou se contorcendo enquanto tentava escapar do meu aperto. Sem dó nem piedade eu cravei minhas presas na sua jugular sem me importar em ser delicado, dilacerando a carne. Ele berrou tentando me chutar e fazer com que eu o soltasse, mas de nada adiantou seu esforço. Seu sangue era doce vindo de alguém tão podre como ele, o que me fez suspirar entre goles. O sangue descia livremente pela minha garganta aplacando a minha sede e liberando endorfina que deixava a situação inda mais prazerosa. Ele não queria um monstro? Pois bem eu seria o monstro que ele estava procurando..
Então um outro som de tiro ecoou pela noite, fazendo com que eu me afastasse com raiva do se pescoço, não acreditando na audácia dele em tentar me matar.
Olhei para mim mesmo tentando identificar se eu fora atingido. Não. Ele também não havia se suicidado, já estava fraco demais por conta da perda de sangue. O ar saiu do meus pulmões com força quando meu cérebro assimilou aquele som a única pessoa que ainda estava no recinto. Não, não, não, não! Larguei o corpo de qualquer jeito enquanto me afastava e ao olhar para o lado pude ver um outro corpo caído perto demais da onde eu estava. Meu sangue parecia ter virado gelo enquanto eu apresava os passos até ele.
Uma enorme manchava escarlate se formava no centro das suas costelas. Isabella me encarava com os olhos arregalados enquanto tentava respirar, embora tudo o que conseguisse fazer fosse engasgar e arfar. A bala provavelmente havia lhe perfurado os pulmões e agora ela engasgava com o próprio sangue. O desespero fazia meu coração apertar enquanto eu via a sua vida se esvaziar mais a cada segundo. Por um momento seus olhos pareceram tomar foco enquanto ele parecia pela primeira vez na noite me ver. Sua mão apertou com força o meu enquanto ela se esforçava para manter os olhos abertos. Havia muito sangue, o que suja a sola das minhas botas. O cheiro era muito forte e apelativo que me deixa um pouco zonzo e dificultava minha capacidade de raciocínio, mas mesmo assim me obriguei focar no momento presente.
Eu sequer pensei direito ao morder com força o meu pulso até que uma longa ferida se abrisse, para logo depois enfiá-lo na sua boca. Seus olhos agora pareciam arregalado de terror enquanto ela tentava arrancar meu pulso da sua boca e se afastar para longe de mim, mas eu não deixei até que uma quantidade considerável de sangue descesse pela sua garganta. Ela não ia morrer aqui, nem agora e muito menos por minha causa. Eu não ia deixar isso acontecer. Por que eu simplesmente não a tirei deste beco e a levei para casa em vez de confrontar seus agressores? Qual é o meu problema, esse teria sido a primeira medida que eu teria tomado então porque eu não fiz?
Fique de olhos abertos, Por favor, por favor! Eu não vou deixar você cair agora, por favor!
Pude sentir minha visão ficar borrada com as lagrimas que eu me esforçava a não deixar cair. Seus olhos penderam, cansados, enquanto seus batimentos reduziam gradativamente. E depois desse tempo todo agonizando finalmente, ela perdeu as forças deixando a cabeça cair para traz. E então só restou o silencio e o ar noturno para me fazer companhia.
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