Notas iniciais
Oi, oi! Eu sei o que eu tinha dito no capitulo passado mas eu não consegui terminar antes porque peguei uma virose, é eu sei, provavelmente sou uma das pessoas mais azaradas do mundo para ficar doente justo nas ferias mas fazer o que? esse cap ficou grande e eu estou muito alegre porque em breve teremos uma das minhas partes favoritas nessa historia. E vamos logo para os agradecimentos da vez. Obrigada a Bea Cullen Salvatore e a Jennifer Blackwolf por comentar no cap anterior, vocês são uns amores. Espero que quando o resto de vocês voltarem de suas viagens de ferias comentem bastante, okay? bom chega de enrolação! O nome do capitulo foi inspirado na musica de mesmo nome da melanie martinez que eu achei ter muito a ver com o espirito do cap. Aviso: esse capitulo possui cenas fortes, pessoas de estomago fraco se preparem! Nos vemos nas notas finais e boa leitura!

Bella Swan

Eu ainda encarava, atônita, Stefan se distanciar como se eu fosse portadora de alguma doença contagiosa. Qual era o problema dele, afinal? Eu não tinha feito nada de errado, eu acho. Tomei o Maximo de cuidado para não pisar no seu pé ou acabar acertando-o com o cotovelo. Será que eu estava fedendo? Imperceptivelmente eu cheirei o colarinho da minha blusa cinza e até uma mecha de cabelo, mas não. Minha pele só parecia exalar o cheiro fraco do meu perfume. Nem sei porque essa idéia me passou pela cabeça, sempre fui sortuda por meu cheiro não ficar mais forte depois que eu suava. Era melhor esquecer esse assunto porque tudo o que eu estava conseguindo com isso era ficar confusa. O Salvatore era uma pessoa muito difícil de entender.

Movi-me calmamente para frente e para trás, buscando estabilizar minha respiração ofegante. Eu sentia muito calor embora não soubesse dizer se era por conta da bebida ou por estar em um ambiente lotado e escuro como esse. Mas eu me sentia bem, muito bem para falar a verdade. Meu sangue pulsava rápido pelas minhas veias, parecendo fazer a sensação de euforia aumentar a cada segundo. O cenário a minha volta parecia estar mais brilhante e bonito, a batida da musica alta parecia me hipnotizar, e tudo o que eu queria fazer era pular e dançar para extravasar a energia que eu estava sentindo. Não consegui evitar em rir com a sensação. Porque eu estava achando esse lugar chato no começo? Este lugar era incrível!

Joguei o cabelo para lado, tirando o da frente do meu rosto e deixando que uma lufada de ar quente batesse contra minha pele febril trazendo uma sensação de frescor. Mexi o quadril como Stefan tinha me mostrado, girando e pulando algumas vezes com o ritmo agitado da musica. Eu realmente esperava não estar me comportando como uma vadia acessível. Stefan tinha me dito para escolher uma roupa que destacasse meus atributos mas ao mesmo tempo não me fizesse parecer oferecida. A blusa cinza era fina, de manga três quartos e sem decote, mas delineava perfeitamente o contorno dos meus seios exaltados pelo sutiã de bojo, assim como minha cintura fina. A calça Jens escura marcava minhas curvas embora não de uma forma vulgar.

Para falar a verdade eu estava era muito simplesinha se comparado aos looks de femele fatale das outras mulheres no recinto. Bom meu objetivo não era exatamente o mesmo que o delas, tudo o que eu buscava era números de telefones e nada mais, quem sabe na próxima vez eu não me sinta aberta a outras opções? E com opções eu não estava me referindo a chegar à quarta base, isso exigiria um pouco mais de entrosamento e intimidade. Algo que uma pessoal desconfiada e difícil como eu, jamais daria de mão beijada.

Tudo bem, eu posso fazer isso. Falei para mim mesma tentando criar um pouco mais de coragem. ’’Esse tipo de coisa é instintivo’’ dissera Stefan quando se propôs a me ensinar os três truques da paquera. ’’Você acha que os guepardos ficam pensando em cada passo para seduzir as fêmeas?’’ Eles são animais, retrucara contra seu argumento infundido. ’’Nesse jogo não a tanta diferença com relação a nossas espécies.’’ Respirei fundo olhando em volta como quem esta apreciando o ambiente. Alguns caras me observavam de forma fixa, o que me fez corar um pouco de vergonha. Boa parte deles estava acompanhado, e uma pequena parte de mim ficou indignada pela falta de respeito com a parceira a sua frente.

No entanto minha mente estava anuviada demais para que eu ligasse muito para isso. ’’Nunca olhe para um cara comprometido, isso sempre acaba em pancadaria ou dor de cabeça’’ Okay, nada de caras acompanhados, então. Isso de certa forma reduzia minhas chances, mas ainda havia três caras fora esses que me olham. Dois deles estavam na pista de dança, o da minha direita era alto e mais magro com o cabelo em um topete charmoso; já o da minha esquerda era um pouco mais largo e mais baixo que o primeiro com os cabelos desalinhados. O ultimo era troncudo não muito alto nem muito baixo, com o cabelo curto e o físico bonito. Uni duni tê e eu já escolhi você, pensei com um sorrisinho de lado, enquanto olhava de solaio minha opção numero três. Ele ao contrario dos outros dois não dançava e sim se reencostava em uma das pilastras que serviam como micro-motel-gratuito.

’’ Um cara pode mostrar interesse por uma garota, mas ele nunca se aproxima se ela não mostrar a mesma coisa, por isso o primeiro passo para a paquera é o olhar de cinco segundos’’as palavras de Stefan se repetiam na minha cabeça me auxiliando no que fazer. ’’ Esse é o tempo perfeito para que ele perceba que você deu o sinal verde para a aproximação, nem muito curto para que ele ache que seus olhos estão analisando o local e nem muito demorado para que ele ache você fácil demais’’ quando finalmente encontrei seus olhos escuros, ele retribuiu o meu de forma penetrante.

1...

2...

3...

’’Não o encare seria como uma Stalker, de um sorriso’’ a voz dele me lembrou, e eu obedeci seu pedido tentando dar um sorriso de leve que só saiu de forma natural quando pensei neste garoto problema.

4...

5...

E então eu me virei de costas fingindo que nada havia acontecido enquanto me movia no ritmo de dança. ’’Você foi muito bem, Swan’’ eu quase podia visualizá-lo falando enquanto dava um daqueles malditos sorrisos de parar o coração, que diminuíam seus olhos mas o deixava charmoso. Porque eu estou pensando enquanto o Salvatore fica bonito sorrindo agora? Concentração Isabella, é disso que você precisa. Que se dane é um conselho estúpido mesmo, eu duvidava que ele de fato desse certo. ’’Quer apostar?’’ Que ótimo, fiquei tão louca que agora estou conversando com uma ilusão que por acaso tem a voz do meu amigo. ’’ Tres... dois... um...’’

— Me concede essa dança? – perguntou uma voz rouca e levemente grossa totalmente desconhecida para mim. Virei-me por reflexo vendo o mesmo cara com quem eu estava flertando há poucos segundos atrás. Ele tinha um corpo largo, e embora não fosse tão alto nossa diferença de tamanho era gritante.

’’Eu te disse’’ Cale a boca, grunhi para mim mesma em pensamentos. Enquanto para ele forçava um sorriso e dizia:

— Porque não? – com direito a uma piscadela marota e tudo, eu realmente estava bêbada.

Ele deu sorriso estonteante de volta que me deixou momentaneamente abalada. Ele era bonito, com a jaqueta de couro sintética preta por cima de uma regata branca mostrando o seu bom físico, e os olhos cinzentos e brilhantes a pouca luz. O que era meio estranho era ele estar usando uma luva de couro em uma das mãos o que era meio diferente, mas devia ter haver com seu estilo. Ele me puxou pela mão esquerda enquanto eu enlaçava seu pescoço com meu outro braço. Ele tinha um cheiro diferente, uma mistura de perfume masculino, cigarros e álcool. Uma parte de mim ficou incomodada com a sua aproximação, mas eu ignorei.

Ele então posicionou a outra mão na base da minha cintura, enquanto eu movia meus pés balançando o quadril de um lado para, tipo aquela dancinha meio Egito da gwen stefani no Just dance. Não é que o Salvatore estava certo em dizer que esse jogo era útil, é claro que eu não imitava os movimentos ao pé da letra tanto porque minha coordenação motora estava pior quanto porque eram espalhafatosos demais. Mas alguns deles eram tão simples que não vi problema em usar como movimentos base. Sem contar que ninguém ficou me olhando estranho então acho que não estava pagando mico mais que o comum.

O que vinha a ser uma dança virou outras. Depois da segunda, uma mais lenta começou a tocar o que me obrigou a enlaçar os meus braços ao redor do pescoço do cara e, enquanto girávamos na pista de dança pude ver Stefan sentado em um dos bancos do bar. Sorri relaxada enquanto fazia um joinha com a minha mãe. Viu só? Eu não me esqueci das coisas que você me ensinou, o que me torna uma ótima aluna. Ele até parecia ter confirmado minha resposta quando sorriu e fez quase que uma referencia. O rei da pegação fazendo uma quase referencia para mim, isso quer dizer que eu tava indo muito bem, não? Quem sabe em breve eu não me tornava uma quebradora de corações também.

Assim que essa musica terminou, eu me afastei um pouco do cara para olhá-lo melhor, não tínhamos trocado nenhuma palavra até agora o que era meio estranho.

— Qual é o seu nome? – gritei por cima da musica ensurdecedoramente alta.

— Trevor. E o seu? – devolveu a pergunta no mesmo tom sorrindo de um modo simpático.

— Oi Trevor. Eu sou a Marie. – me apresentei sorrindo de uma forma de forma automática ao seu carisma. Não era totalmente mentira com relação ao meu nome, mas eu não era idiota o suficiente para dar meu nome verdadeiro a um desconhecido qualquer.

— E então Marie? O que acha de uma bebida? – perguntou ele olhando no mundo dos meus olhos. ’’Contato visual, isso é muito bom quer dizer que ele já ta na sua’’

— Eu realmente adoraria. – afirmei encarando o por debaixo dos cílios no que seria o meu olhar sedutor.

Era verdade o que tinha dito. Eu sempre pensei que bebidas alcoólicas tivessem um gosto ruim como era no caso dar cerveja, mas não elas uma explosão de sabores desde a azedo como limão a doce como morango. Sem contar que o Stefan politicamente correto não tinha deixado eu beber outra, bom agora ele não ai ver mesmo. Sem contar que seria de graça porque tinha sido Trevor a me convidar, o que me deixava no lucro. Nos fomos então para o outro lado do bar, perto do corredor dos banheiros e da saída de emergência.

Ao sentar cruzei as pernas de maneira de maneira delicada mas que evidenciou minhas pernas delineadas pelo jeans justo. Ele percebeu isso tendo um pouco de dificuldade em desviar os olhos. Sentindo-me a própria Sharon Stone em instinto selvagem eu reprimi um sorriso. Garotos são tão bobos é só fazer uma pose mais insinuadora ou mostrar um pouco de pele que eles ficam doidinhos, pensei um pouco surpresa e com humor. Se os conselhos do garoto problema estiverem certos em breve conseguirei seu numero sem muito esforço.

’’ Confiança é algo essencial no segundo passo, os sinais, acho que já podemos partir para o ultimo’’ a voz dele informou na minha cabeça. Claro, vamos nessa. ’’Tudo bem, a terceira etapa consiste na conversa de 30 segundos. Faça uma pergunta e deixe que ele responda por trinta segundos, caras adoram fazer isso porque é uma espécie de desafio e faz parte do jogo da caça. É claro que apreciamos ouvir o que a mulher tem a dizer, mas é muito irritante quando nos interrompem para fazer um comentário idiota’’ pude me lembrar da sua explicação. Não era nem um pouco difícil para falar a verdade.

— O que você quer beber? – perguntou ele amigavelmente enquanto me olhava de forma intensa.

Dei um sorriso pequeno inclinando a cabeça para o lado um pouco, enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha.’’ Misturando as etapas dois e três, isso pode funcionar’’

— Não sei. O que você me sugere? – perguntei inocentemente no mesmo momento em que meu sorriso se tornava maroto.

Ele parou por um momento observando o meu rosto atentamente, em um gesto casual ele capturou outra mexa de cabelo solto e o colocou atrás da minha orelha.

— Hmmm...você tem cara de que gosta de uma bebida doce. – disse ele em uma quase pergunta.

— Tem razão, vamos ver se você consegue me surpreender. – me afastei um poço dele como uma espécie de provocação, eu não sou tão fácil.

Enquanto ele chamava o garçom para fazer os nossos pedidos meus olhos passavam pelo recinto, observando as pessoas conversando e dançando, balançando uma das pernas no ritmo da musica. Foi então meus olhos pararam em uma determinada cena especifica. Eu podia não enxergá-lo totalmente da onde estava mais ainda sim podia identificar seu cabelo meio desalinhado cor de mel, assim como sua jaqueta caramelo. Stefan. Mas ele não estava sozinho. Havia uma garota magra e bonita com o cabelo ruivo ao seu lado e eles conversavam. Fiquei feliz que ele tivesse encontrado alguém com quem conversar, mas se eu bem o conhecia aquilo era a diversão de uma noite.

Mas o que me surpreendeu foi à pontinha de desconforto que me assolou a observar aquilo. Franzi a testa com isso, tentando bloquear a sensação. Eu tinha que permanecer contente por ele estar se entrosando com alguém, quem sabe desta vez não fosse diferente? Ele poderia até arrumar uma namorada e eu não podia me tornar uma daquelas amigas grudentas. Mesmo assim eu não conseguia desviar os olhos, eu queria ver suas expressões para tentar entender o que estavam falando. Eu ficara até que boa em ler os lábios das pessoas de longe, já que o Salvatore e eu nos comunicávamos assim quando tinha alguém por perto e não gostaríamos de compartilhar certo detalhe.

Trevor continuava tagarelando coisas em que eu tentava me esforçar para prestar atenção embora, tudo no que eu pensava era no quanto ele estava dificultando minha tarefa em observá-los, já que estava na minha frente. Tentava me entortar um pouco para conseguir uma boa visão, mas o cara sempre se colocava no meu campo de visão. Que merda, minha cabeça estava anuviada demais para que eu prestasse atenção em todos aqueles detalhes, minha cabeça iria explodir de tão tonta que eu estava ficando.

Não demorou muito para que eles deixassem a área do bar, Stefan a conduzindo para algum lugar mais reservado na qual eu não sabia onde era. Mesmo que eu tenha ficado um pouco decepcionada por só ter captado detalhes dispersos, era melhor. Eu não podia ficar bisbilhotando nas coisas dele. Éramos amigos mas cada um tinha sua vida individual e separada, havia detalhes que não eram da minha conta. Com um sorriso educado, pedi licença ao Trevor para ir ao toalete; eu precisava de um momento a sós para me situar e ele assistiu prometendo me esperar.

Adentrei o banheiro tomando o cuidado para não me deparar com alguma cena comprometedora, o que felizmente não aconteceu. Minha pele estava grudenta de suor e minha boca seca, meus músculos estavam um pouco cansados mas sentia como se ainda pudesse correr uma maratona. Era uma sensação meio estranha. Usei o banheiro que nem tinha percebido estar com vontade ate chegar, joguei um pouco de água no rosto para me manter mais desperta e então voltei.

Como prometido Trevor ainda estava lá, nossas bebidas já tinha chegado e vi naquela informação uma chance de puxar conversa enquanto bebericava meu drink azul, chamado Dopocena. Descobri que ele também era barman e que trabalhava em uma boate em Seattle, tinha vinte dois anos e dividia o apartamento com o irmão mais velho. Ele era muito divertido e mesmo que continuássemos flertando um com o outro, ele não ultrapassou limite algum.

Só percebi que havia algo errado quando minha visão passou a ficar meio desfocada. Meu corpo parecia muito mais pesado, eu mal conseguia manter meus olhos abertos. Minha cabeça pendia para frente e para trás enquanto eu lutava com a sonolência e o peso. Sem conseguir me conter, abaixei minha cabeça sobre o balcão sentindo o mármore gelado contra a minha pele, achei que isso fosse ajudar o que não aconteceu de fato. Minha respiração saia ofegante enquanto eu tentava me concentrar em alguma coisa, enxergando vultos somente.

Senti mãos me agarrarem pelos ombros, e uma voz soando próxima embora eu não conseguisse discernir as palavras. Eu não me sentia bem. Precisava ligar para Stefan me levar para casa, talvez para o hospital. Tentei falar alguma coisa para Trevor mas minha língua parecia dormente, se enrolando nas palavras e se transformando em grunhidos e sons ilegíveis. Ele finalmente conseguir me botar de pé encostando minha cabeça no seu ombro e o braço na minha cintura, enquanto puxava meu outro braço para enroscar no seu pescoço e dar suporte para me locomover. Meus pés se enroscavam um no outro em minha tentativa falha de firmá-los no chão. O que estava acontecendo? Para onde ele estava me levando?

As luzes da boate machucavam meus olhos o que tornava ainda mais difícil a tarefa de manter os olhos abertos. De repente meu corpo foi prensado contra uma parede e uma boca rígida se chocou contra mim. Seus lábios esmagavam os meus, a língua tentando abrir espaço na minha boca. Suas mãos fortes machucavam meus braços, seu corpo me sufocava me deixando com dificuldade de respirar, o que finalmente lhe deu uma brecha para infiltrar na minha boca de forma brusca e forçada.

O asco e o terror me assolaram completamente, em ondas que me fizeram acordar um pouco do entorpecimento. Debati-me contra seu corpo, rodando os pulsos enquanto tentava me afastar. Meu desespero aumentou completamente quando não obtive resultado nenhum e comecei a sentir outras mãos roçarem o meu corpo. Eu estava com muito medo do que estava acontecendo, lagrimas ardendo nos meus olhos pela minha vulnerabilidade. O que diabos estava acontecendo? Em um ultimo esforço, mordi a língua dele com toda força que tinha, aproveitando da posição para empurrar meu joelho contra a sua virilha. Meus golpes o desarmaram por um segundo, que eu usei para empurrá-lo para longe de mim.

Bella, você precisa sair daí. Agora. A voz que tanto assombrava minha mente, desta vez me trouxe uma pontada de alivio. Naquele momento minhas alucinações pareciam mil vezes melhores que a realidade. Não importa o quanto elas me atormentassem e ferissem, eu sabia que daquela vez estaríamos lutando juntos. Só agora que você aparece, filho da mãe? Não temos tempo para discussões, sai daí agora! Sua voz praticamente rugiu na minha mente, o que me fez estremecer. Eu não queria me opor a sua ordem, mas eu me sentia tão fraca e cansada que não sabia se teria forças o suficiente para me mover sem dar de cara no chão.

No entanto a cena a minha frente finalmente se tornou clara, o que de certa forma contribuiu para que eu ficasse parada como uma estatua me apoiando na parede, enquanto um arrepio de pânico atravessava minha espinha. Aqueles outros dois caras que antes me encaravam na pista de dança, agora ladeavam Trevor em uma formação em vê. Seus olhos ansiosos e excitados praticamente me despiam sem nenhum pudor. Percebi em choque eu nunca fora à caçadora e sim a presa. Não pude conter a náusea que me atingiu com a sensação de dejá vu que me atingiu. Da outra vez eu escapei porque tinha um herói sobrenatural, agora eu me encontrava a minha própria sorte.

Trevor me encarou furioso passando a mão sobre a boca como se não acreditasse no que eu havia feito, se inclinando um pouco para o lado ele cuspiu um pouco de sangue que preenchia a sua boca.

— Então a vadia, é a arisca? Vamos ver se gosta disso também. – ao disser isso com um sorriso doentio, ele então fechou a mão em punho puxando o braço para traz a fim de impulsioná-lo.

Seu punho acertou o lado direito da minha cabeça, me fazendo perder o equilíbrio e desabar no chão. A dor na minha bochecha era agonizante fazendo flashs brancos piscarem por de trás das minhas pálpebras. O gosto metálico e salgado preencheu minha boca enquanto eu rolava para cima lutando para respirar. A vontade de chorar se tornou quase insuportável ao me sentir tão impotente diante deles, sem conseguir reagir direito a seus ataques. Por cima do zumbido que se instalou na minha cabeça, eu conseguia ouvi-los gritando uns com os outros, mesmo que não estivesse me concentrando exatamente nisso.

’’Ficou louco, cara? Não pode fazer esse tipo de coisa aqui onde tem câmera de segurança!’’ alertou uma voz nervosa e desconhecida para mim provavelmente um dos outros dois comparsas.

’’Merda, você tem razão. Ajude-me a levar essa vadia para um lugar mais reservado, você também Declan’’. Disse desta vez Trevor um pouco exasperado.

Mãos firmes me içaram para cima, me puxando de qualquer jeito enquanto me arrastavam para algum lugar que eu não conseguia ver. A musica alta da balada ficou mais abafada, ouvi um rangido de metal antes de sentir uma golfada de ar gelado atingir meu rosto. Abri os olhos em choque, nem tinha percebido que os fechara. A noite estrelada refletia de volta, estávamos numa espécie de beco bem iluminado onde era possível ver algumas latas de lixo assim como papeis e folhas nos cantos. A adrenalina finalmente me atingiu me dando um pouco mais de energia para que eu forçasse meus olhos a continuarem abertos.

Girei o corpo tentando me soltar e olhar em volta para identificar onde estava. O ar frio da madrugada entrava pelos meus pulmões me resfriando por dentro, e fazendo com que um vapor branco escapasse da minha boca. Em uma destas minhas tentativas, consegui virar um pouco do corpo para trás, tempo o suficiente para ver uma placa escrita ’’exit’’ em letras vermelhas neon, eu não estava desligada tempo o suficiente para que tivéssemos percorrido uma distancia grande o bastante então, aquela era à saída dos fundos ou a de emergência da boate.

Não consegui ficar naquela posição por muito tempo porque logo minha cabeça foi empurrada com violência para frente.

— Quietinha antes que eu faça mais estragos nessa sua carinha bonita. – disse uma outra voz desconhecida, provavelmente aquele tal de Declan, sussurando perto do meu ouvido para depois me dar um beijo na testa. Aquilo fez meu bile subir na garganta enquanto eu estremecia de nojo.

Esse ato fez o desespero voltar com força total, e eu me debati mais havidamente contra os braços que me prendiam como algemas, era inútil e eu sabia. Três caras fortes contra uma garota magrela e dopada, que chances eu tinha? Eu podia sentir a sensação de derrota rastejando sobre meu corpo, tentando me convencer a deixar que a inconsciência me dominasse, ao menos não haveria dor. Talvez eles me deixassem na rua, só levando meus pertences, embora eu duvidasse que isso fosse acontecer. Mas eu era turrona demais para ouvir algo do tipo, enquanto eu tivesse forças eu lutaria. Precisava saber para onde eles estavam indo, ou melhor, precisava dar um jeito de me livrar deles.

Eu ainda podia sentir o meu celular no bolso de trás da calça encoberta pela bainha da blusa fina, foi um descuido estúpido deles não terem capturado o aparelho. Mas era algo completamente bom para mim no momento, meu bote salva vidas, por assim dizer. Tudo o que eu precisava fazer era deslizar uma das minhas mãos até lá e pega-lo, mas como? Trevor ia atrás de mim, já dois rapazes me ladeavam me arrastando pelos antebraços, mesmo que agora a tarefa fosse mais fácil por eu estar tentando firmar meus pés no chão.

Fechei meus olhos deixando que meu corpo caísse para trás de forma proposital simulando um desmaio. Enquanto eles estavam ocupados demais praguejando uns com os outros eu aproveitei, esta brecha em que eles tentavam sustentar meu corpo em pé para achar uma melhor forma de me carregar, para pegar meu celular que estava no meu bolso. Senti um pouco de alivio quando senti o aparelho gelado sobre os meus dedos, mas não pude aproveitar muito porque naquele momento eu precisava ser ágil. Usando toda força que eu ainda tinha nos meus braços eu bati com o celular diversas vezes no pescoço do individuo da esquerda enquanto chutava o da direita que tentava me colocar nos braços do outro.

Pegos de surpresa pelo ato eles me largaram, se afastando o bastante para que eu pudesse me firmar sozinha sobre os pés, e sem perder tempo ignorando o fato de estar cambaleado, eu corri. Eu sempre fazia isso pela manha então já estava habituada com esse exercício, mais ainda sim tive que contar com uma serie de fatores que dificultavam isso: como o fato das minhas pernas estarem pesando toneladas ou de eu não conseguir respirar direito ao fazer isso, mesmo assim corri o Maximo que uma pessoa no meu estado poderia correr.

Eu mal conseguia acreditar que consegui fazer isso, tinha quase certeza absoluta que ia dar de cara no chão assim que tentasse dar um passo, mas não aconteceu e isso já me deixava contente o bastante. Mas ainda sim não parecia ser rápido o bastante, eu precisava contar com meus segundo de vantagem antes que eles caíssem em si e viessem até mim. Eu podia ouvi-los gritando palavrões uns para os outros, mas mesmo assim não parei.

’’Aquela vadia esta fugindo’’ disse um deles em voz alta enquanto tentava alcançar meus passos.

’’Deixe’’ disse Trevor desta vez quando finalmente alcançava a saída do beco. ’’No estado em que esta, ela não vai muito longe. Sem contar que isso deixa as coisas mais divertidas.’’ Eu conseguia imaginar o sorriso sádico que se formara em seu rosto.

As ruas para qual o beco dava, eram diagonais e paralelas, longe o baste do centro para estar movimentada aquela hora da noite. As letras de identificação nas placas pareciam turvas demais para que eu pudesse me situar, as luzes dos postes eram fortes e me atordoavam. ’’Não pare, Bella’’ a voz dele ordenou na minha cabeça. Como se eu já não soubesse disso, pensei ironicamente. Mesmo que eu mantivesse os olhos nos meus pés, isso não me impediu de tropeçar diversas vezes no meio do caminho. Ao menos não cai;contestei comigo mesmo em uma forma de distração. Tinha medo de olhar para traz e ver o quão perto de mim eles estavam.

O celular! Lembrei repentinamente surpresa, por ainda estar segurando o pequeno objeto contra os dedos. O problema era que meus olhos não conseguiam se focar nas letras da tela, tudo o que eu conseguia ver eram linhas borradas. ’’Marie...’’ cantarolou uma voz masculina de forma macabra, o que me fez dar um salto de susto. Não, não, não! Eles ainda estavam atrás de mim, percebi aterrorizada. Lutei contra meus dedos trêmulos e escorregadios enquanto tentava acertar as teclas certas do aparelho. ’’Não importa para quem ligar, no momento qualquer um é uma boa opção’’ Me lembrou ele de forma agitada, começando a me irritar. Eu estou tentando, okay?

’’Marie...’’ cantarolaram mais uma vez, desta vez muito mais perto do que eu imaginava. Eu podia ouvir seus risos atrás de mim, e isso fez com que eu aumentasse meus passos. O que não era nada bom, considerando que para ser mais rápida eu gastava mais da energia escassa. Deixem-me em paz! Eu queria gritar, mas não sabia se conseguiria fazer isso sem desmaiar. ’’Então vamos brincar de pega-pega? Tudo bem, nos vamos te alcançar’’ garantiu Trevor como se tivesse certeza absoluta deste fato. ’’Não olhe para traz’’ ordenou ele furioso. Eu não ia fazer uma babaquice dessa, mesmo.

’’Marie... você pode correr mais não se esconder, eu vou te achar’’ disse uma das vozes atrás de mim. Eles estavam gostando, se divertindo com meu desespero como se verdadeiramente fosse um jogo estúpido. O quão doentio isso era?Vamos, vamos, vamos! Repeti para mim mesma enquanto esperava qualquer pessoa da minha lista, para qual eu tinha ligado, atendesse. Só me restava aguardar enquanto o numero chamava. Vai, merda, vai por favor!

Braços fortes circularam minha cintura me retirando do chão com facilidade, eu soltei um ruído agudo de surpresa, antes da minha boca ser tampada por uma mão quente.

— Peguei, agora esta com você. – sussurrou uma voz inocente enquanto ria no meu ouvido. Não era Trevor, mas com certeza era um dos seus comparsas, eu reconhecia o timbre.

Gritei com mais força me debatendo contra seus braços havidamente, enquanto era carregada em meio a risos.

— Relaxa. – pediu outro deles, respirando contra a minha têmpora. – Nos só queremos brincar um pouquinho mais com você. – falou como se aquilo fosse me acalmar.

A mão que antes tampava minha boca, finalmente foi retirada de mim. E eu gritei. Gritei o mais alto e agudo que conseguia. Irritado, o cara que me segurava me soltou me empurrando contra a parede de beco. Minhas costas bateram com força contra a parede de concreto irregular arranhando e machucando o local. Sem equilíbrio, eu escorreguei um pouco até achar apoio da estrutura irregular.

— Quietinha. Não queremos que ninguém interrompa nossa brincadeirinha certo? – perguntou o cara com o topete, que antes me carregava, aparentemente.

A raiva queimou dentro de mim como acido, e eu não consegui me segurar.

— Vai se foder, filho da puta! – gritei com intensidade sentindo minha garganta arder em protesto, enquanto minha respiração sai ofegante. E para demonstrar o meu asco e nojo por eles eu cuspi no seu rosto.

Ele se afastou um passo limpando o rosto incrédulo demais para saber como agir diante a minha afronta.

— Sai da frente, Kyle. Eu adoro garotas selvagens mais algumas vezes é necessário mostrar quem é que manda. – disse o de cabelo desgrenhado abrindo espaço para se aproximar.

Segurando-me pelos cabelos, Declan deferiu uma serie de socos no meu rosto e estomago, sem se importar com os estragos que ia causar. A dor latejante me deixou perdida por um momento, percebi como os músculos do meu corpo estavam exauridos, parecendo pesar toneladas; e tudo o que eu conseguia pensar no momento era o quanto eu queria desmaiar. Tinha tentado ao Maximo mais tudo o que eu conseguira fora alguns hematomas e adiar um pouco mais esse momento. Era tão opressora a sensação de derrota porque eu sabia que não tinha mais escapatória, nada os impediria de fazer o que quisessem comigo, eu estava impotente e incapaz de me defender.

Isso era tão injusto, porque se eu não estivesse debilitada desse jeito talvez eu tivesse mais chances. ’’Não desista, Bella’’ Não tem como lutar, você não vê?Se eu continuar resistindo só irei me machucar mais ainda. ’’Por favor, não faça isso!’’ me desculpe mas desta vez não é minha culpa. As mãos fortes se dirigiram para a frente da minha blusa, o tecido fino se rasgando como papel á uma pressão mais firme. Fechei os olhos o mais forte possível, como se não bastasse ouvir e sentir eu não precisava ver o que ia acontecer também. Ele gemeu em deleite, mesmo sobre o sutiã de bojo eu conseguia sentir seu toque asqueroso que dava náusea e me fazia tremer.

Não pude evitar que as lagrimas agora escorressem livremente pelo meu rosto e os soluços irrompessem pelo meu peito de forma desesperada.

— Nossa você é mais gostosa do que eu imaginava, só essa visão esta me dando água na boca. – disse Declan e eu pude ouvi-lo avançando um passo em minha direção, quase podia imaginá-lo lambendo os lábios para enfatizar suas palavras. Estremeci segurando a ânsia de vomito, vomitar nele só iria os deixar mais irritados.

— Não. Eu vou primeiro. Segurem essa vadia, não quero ela cometendo nenhuma gracinha. – avisou Trevor. Abri os olhos, a visão mais borrada ainda pelas lagrimas, e me encolhi contra a parede enquanto os outros dois imobilizavam meus braços. Não consegui evitar em girar meus pulsos tentando me soltar do aperto, meu choro se tornado mais ruidoso quando tentei me afastar. Os rapazes praticamente sustentavam meu peso porque eu forçava o meu corpo para trás, tentando cair e me libertar

— Por favor, por favor! Eu não quero, por favor, não façam isso. – implorei em um ultimo esforço, vinha voz saindo embolada mais discernível.

Ele caminhou de forma lenta e despreocupada e quando chegou perto o suficiente de mim, colocou uma das mãos no meu rosto, limpando minhas lagrimas.

— Ora, mas porque você esta chorando? Nós só estamos brincando, você não esta se divertindo? – perguntou ele como se não entendesse meu estado.

Balancei a cabeça em negativa engolindo em seco, sem forças para encontrar mais palavras.

— Que pena. Por que nos estamos, ou melhor, nós vamos nos divertir bastante, boneca. – disse ele inclinado a cabeça para o lado dando um sorriso malicioso, os olhos negros brilhando de maneira perigosa.

O que aconteceu depois foi rápido demais para minha mente alterada processar, em um momento eu estava sendo segurada pelos dois comparsas enquanto Trevor tentava lidar o zíper de sua calça. No outro eu desabava no chão, livre, Kyle gorgolejava no chão com a garganta rasgada, Declan tropeçava como braço em um ângulo estranho e Trevor era arremessado contra uma caçamba de lixo em um barulho de doer os ouvidos. Tudo feito pelo vulto de uma pessoa desconhecida, que agora se posicionava na minha frente me impedindo de ver seu rosto, um arrepio de medo correu pela minha espinha sem que eu conseguisse evitar.

A única reação que consegui ter diante daquilo foi tampar meu nariz e boca para impedir que o vomito escapasse de vez enquanto eu me encolhia no chão torcendo para ser poupada pela figura misteriosa. O berro de Declan quebrou o silencio da noite mas eu não conseguia prestar atenção em mais nada que não fosse o cadáver estirado sobre uma poça escarlate. O cheiro de sangue era impregnado no ar, sem contar que a visão por si só já embrulhava o estomago. Coloquei a cabeça entre os joelhos tentando normalizar o coração enquanto respirava pela boca.

Eu me sentia no meio de um ataque de pânico, podia sentir que estava entrando em colapso. Tudo o que estava acontecendo era coisa demais para que eu pudesse assimilar, a vertigem me dominava completamente e meu corpo inteiro tremia em espasmos. Tentei manter o controle respirando fundo e lentamente, mas era uma tarefa difícil considerando o drama escandaloso que o cara fazia ali perto de mim. Balancei-me para frente e para trás desejando intensamente que ele calasse a maldita boca. Talvez eu não devesse ter desejado isso, considerando que momentos depois um barulho alto quebrou o lamurio noturno.

Quando abri os olhos outro cadáver fazia companhia ao primeiro. Me espremi contra a parede reprimindo o grito que queria sair da minha boca enquanto meu choro tomava mais intensidade. Eu vou morrer, pensei inutilmente. Houve uma época em que eu ansiei por isso mais agora tudo o que eu conseguia era ter medo disso de fato acontecer. Então seria assim? Eu iria partir sem ter feito nada que tivesse um propósito para a minha vida? Eu iria partir dessa forma inusitada sem ainda não ter feito... nada?

Eu não queria isso. Eu nem tive tempo de criar lembranças da qual pudesse me lembrar com carinho, eu nem construirá algo da qual me orgulhasse! Eu não tinha um legado que poderia deixar para as pessoas que eu amo, porque eu as afastei. Com o ultimo resquício que havia sobrado da minha consciência, eu me levantei com esforço do chão sujo. Precisava aproveitar a chance de que aquele vulto não tinha me notado para fugir, só precisava me concentrar para mover um pé atrás do outro. Eu não poderia ficar ali observando aqueles cadáveres, eles havia recebido o que mereciam. E agora eu precisava salvar a minha vida.

Mas era incrível a minha capacidade de não fazer o que é o certo para garantir minha integridade moral; talvez eu realmente tivesse um instinto suicida porque isso explicava o fato de eu ter corrido para os braços de um vampiro psicótico quando a coisa mais sensata a fazer seria correr. Assim como também explicava o fato de eu não estar me retirando do beco e sim adentrando cada vez mais a fundo nele em busca da figura mortal que fora meu salvador. Eu sou muito idiota mesmo. Mas eu precisava saber o que acontecera com Trevor, eu não conseguiria seguir em frente sem saber o que lhe aconteceu.

A cena com a qual me deparei era estranha e sem sentido. Trevor estava suspenso no ar preso na parede pelas mãos assombrosamente fortes da figura a sua frente que parecia beijar o seu pescoço? Mas...o que?! Enquanto eu observava a cena estática tentando entender o que estava acontecendo Trevor me olhou, um brilho estranho passou pelo seu olhar que eu não pude entender. Um outro estampido quebrou o silencio do ar noturno. Desta vez meu cérebro vez o trabalho dele porque no primeiro momento eu não senti nada. Meu corpo caiu no chão com o impacto e minha cabeça bateu com força contra o concreto do chão, mas ainda sim não parecia existir nada.

Então depois veio a dor.

Quando eu puxei o ar gelado para meus pulmões eu finalmente senti a sensação agonizante que parecia um buraco negro arrancando toda a minha carne na região um pouco acima do estomago. Eu disse diversas vezes que a dor que eu senti pela perda dele foi como se abrissem um buraco no meu peito, mas nada me preparou para sentir isso fisicamente. Eu queria gritar com toda a força que ainda me restava mais não conseguia, porque o sangue subia pela minha garganta bloqueando minhas vias respiratórias e me fazendo engasgar. Na posição em que eu estava tudo o que eu conseguia fazer era engolir o sangue que cada vez enchia mais minha boca, enquanto tentava de forma inútil respirar.

Meu nariz ardia assim como meus olhos da onde vertia lagrimas quentes que deslizavam pela minha pele. Tudo o que eu conseguia fazer era tossir e arfar em esforço, o sangue na minha boca se enchendo cada vez mais. Minha visão estava borrada e escurecida mais ainda sim vi quando um borrão se posicionou em cima de mim, a respiração morna contra o meu rosto em contraste com o vento frio. Senti mão mexerem no meu ferimento e isso só fez com que eu grunhido agudo escapasse pela minha garganta, porque ele fez isso? Eu iria morrer será que nem isso eu poderia fazer em paz?

Estiquei minha mão com dificuldade agarrando a sua, era quente e macia embora a sua pele fosse grossa. Queria que com esse gesto ele soubesse que eu o agradecia mesmo que seus esforços tenham sido em vãos, ele me salvara e isso já significava alguma coisa. Mas foi quando seu rosto seu posicionou acima do meu, que eu pude em fim enxergar suas feições. Os olhos que antes foram de um verde cinzento estavam encobertos por uma fina camada vermelha nas escleras, veias sobressaiam pela pele ao redor deles, sua boca fechada estava manchada pela mesma coisa vermelha e viscosa que agora vertia de mim.

Mas o que me fez arregalar os olhos de terror mesmo foi no fato de eu conhecer aquele rosto na minha frente. Não tive tempo de fazer nada porque no momento seguinte ele levava o próprio pulso à boca com caninos afiados e o mordia, para logo em seguida enfiá-lo na minha boca com força. O liquido quente de suas veias escorreu pela minha boca junto ao que me afogava, tentei afastar seu braço mais ele era forte demais e não deixou. Tudo que pude fazer no momento foi engolir o liquido em minha boca, sentindo os efeitos da minha perda de energia. Eu estava cansada demais para tentar chorar ou gritar ao ver o monstro na minha frente; eu já ia morrer mesmo então porque me importar com uma alucinação qualquer?

A inconsciência já me alcançava e ela era tão sedutora e calma que eu não resisti em descansar em seus braços. A morte era agradável afinal de contas, foi a ultima coisa que pensei.

[...]

Abri os olhos respirando de forma ruidosa, sentindo a sensação de frescor do ar frio em meus pulmões. A luz era forte e incomoda o que me fez piscar algumas vezes para me situar. Eu me encontrava em um grande quarto desconhecido. As paredes eram de um padrão de cores opostas de azul claro e escuro. O resto da decoração era um pouco impessoal e organizado, mas dava para ver claramente que pertencia a alguém do gênero masculino. Havia uma cômoda próxima a cabeceira da cama com um porta retrato, onde uma garota de cabelo longo e liso sorria.

Por um instante senti um espasmo de pânico por não saber onde estava mais antes que eu pudesse surtar de vez a porta se abriu revelando Stefan, isso me fez respirar aliviada. Ele trazia uma caixinha de comprimido em uma das mãos e um copo de água em outra.

— Vejo que acordou. – disse ele com uma expressão indecifrável. Ele andou em passos curtos até mim, quase parecendo hesitante, para depois se sentar na beirada da cama depositando as coisas na cômoda ao lado. — Como se sente?

— Me sinto uma bosta. – respondi com um meio sorriso sonolento enquanto me espreguiçava. Realmente era verdade, eu ainda estava um pouco grogue e com dificuldade de manter os olhos abertos; aquela cama era extremamente confortável e quentinha o que dificultava as coisas. Meu corpo também pesava toneladas mas era meu rosto que parecia dormente e estranho.

— Suponho que deva se sentir assim mesmo depois do que aconteceu. – ele sorriu embora seus olhos tenham permanecido sérios.

Eu não entendia o porque Stefan estava agindo de uma forma tão cautelosa, era como se estivesse em alerta com minha reação como se eu fosse uma espécie de bomba que a qualquer instante explodiria. Foram suas palavras que me chamaram a atenção e me deixaram confusa, do que ele estava falando?

— O que você quer dizer com isso? – questionei retirando o cobertor do meu corpo para me sentar com as pernas para fora. Minha cabeça doía absurdamente e não pude evitar em fazer uma careta quando senti uma pontada forte ao me ajeitar com as costas eretas.

— Você não se lembra?– suas sobrancelhas se ergueram com a incredulidade, embora eu tenha identificado uma pontinha de alivio em sua voz.

— Tudo do que eu me lembro é de estar sentada no bar enchendo a cara enquanto você tentava me arrastar para a pista de dança. – respondi com um humor amargo, ainda sim me esforcei um pouquinho mais para entender do que ele falava. No entanto não veio nada a minha cabeça o que me deixou frustrada, porque tinha que ter mais alguma coisa lá, algo que eu não conseguia alcançar. Não gostei da sensação. — O que aconteceu? –indaguei por fim, vendo que não estava tendo sucesso na minha tentativa de recordar.

Passei a mão no cabelo tentando ajeitá-lo com as mãos, eu deveria estar parecendo a irmã feia da medusa, torcendo internamente para não ter feito nada de tão vergonhoso como strep tease em cima do balcão do bar. Eu também precisava muito fazer xixi e lavar a boca, no entanto estava curiosa demais para fazer isso antes de ouvir sua resposta.

— Bom,– começou ele se ajeitando melhor na cama para me olhar. — você exagerou um pouco na bebida para ficar ’’corajosa’’ e começou a flertar com um cara acompanhado. O problema foi que a namorada dele viu como uma afronta e começou a te ofender, então você ficou irritada e partiu para agressão. Deu um pouco de trabalho separar vocês duas e por conta do estardalhaço fomos expulsos. Quando chegamos a calçada você vomitou na própria roupa e desmaiou. Então eu te trouxa para a minha casa. – explicou ele com um leve sorriso como se tivesse observando a cena pela segunda vez na sua frente.

Coloquei a mão no rosto sentindo minhas bochechas arderam e grunhi, envergonhada. Pode ouvi-lo gargalhando da minha reação de uma forma muito mais espontânea que antes. Não era difícil imaginar sobre o que ele havia falado; sempre fui muito esquentada quase podia visualizar a garota me xingando, e eu não deixando isso em branco ao avançar nela. O que me deixou verdadeiramente constrangida foi o fato de eu ter flertado com um cara acompanhado feito uma vadia. Eu não era esse tipo de pessoa então dava para perceber que bebidas mudavam minha personalidade.

Uma pontinha de remorço me atingiu quando eu percebi que ele talvez não tivesse curtido a noite tanto quanto deveria por ter que cuidar de uma bêbada encrenqueira.

— Sinto muito por ter estragado a sua noite também.– fui sincera enquanto olhava minhas mãos entrelaçadas, um pouco encabulada.

— Você não estragou nada. Se quer saber a noite se tornou muito mais divertida depois daquele acontecimento, eu não sabia que uma pessoa baixinha como você pudesse causar tanto estrago quando esta raivosa. – ele estava claramente se divertindo as minhas custas.

— Isso não é engraçado. – contestei emburrada cruzando os braços.

— É sim. – ele insistiu com aquele sorriso charmoso e absolutamente idiota. Sem argumentos para me defender, eu somente mostrei a língua como uma criança malcriada.

— Espera! Você trocou a minha roupa?! – eu podia sentir meus olhos se arregalando.

Isso era obvio, eu queria socar a minha cara por só ter me dado conta disso agora, a camiseta que eu usava era muito gigante o que me fazia parecer mais minúscula ainda. Só de pensar que ele poderia ter me visto seminua eu sentia um calor vergonhoso se instalar pelo meu pescoço e rosto, eu queria enfiar minha cabeça em um buraco feito um avestruz. Eu não sabia se esse tipo de intimidade podia ser permitida entre nós dois.

— Desculpe, acho que esqueci de perguntar para você enquanto babava no banco do meu carro quando fizemos o caminho de volta. – disse ele de forma sarcástica. Resolvi ignorar aquela informação por ser constrangedora demais para se ficar discutindo.

— Charlie. – lembrei de repente. Que horas deveriam ser? Com certeza era madrugada e meu pai arrancaria meu coro para comer no espeto por chegar nesse horário. Mas Stefan parecia tranqüilo, como se não fosse levar uma chuva de bala ao tentar atravessar meu gramado.

— Liguei para ele avisando que você ia dormir aqui. Seria perigoso tentar dirigir pela estrada no meio dessa chuva. – ele disse com descaso.

Ma eu levantara rápido demais o que me deixou tonta e fez com que eu cambaleasse sentindo como se minha cabeça estivesse sendo lentamente esmagada por um rolo compressor. Ele me apoiou, ajudando-me a ficar de pé. Por conta disso tive dificuldade em me concentrar para finalmente escutar o barulho alto das gotas batendo contra o telhado com intensidade, deveria estar caindo uma tempestade daquelas lá fora e eu sequer me atreveria a abrir a janela para olhar.

No entanto não tive tempo de fazer mais nada pois minha cabeça rodou por um instante enquanto meu estomago embrulhava de forma vertiginosa.

— Onde fica o banheiro? – consegui perguntar.

— No corredor, duas portas a esquerda porq...

Mal consegui ouvir sua resposta e já corri porta a fora mais rápido que eu podia com medo de despejar as coisas do meu estomago no carpete bem cuidado. Por sorte o caminho até o pequeno cômodo era curto, o que me fez conseguir fechar a porta e me apoiar na tampa da privada antes que todos os desjeitos fossem expelidos do corpo. Quando terminei me permiti descansar o rosto na tampa da privada, sentindo-me tremula e fraca e fraca. A situação não melhorou quando olhei para o fundo da privada e encontrei uma mistura rubra. Que merda, foi o que pensei ao me afastar enojada, deitei no chão gelado para ver se a temperatura ajudava com a sensação de fraqueza.

Stefan bateu na porta insistentemente, parecendo preocupado. Mas eu consegui dispersá-lo com uma resposta rápida, e ele se foi embora tenha parecido relutante.

Não era possível que estivesse com uma hemorragia interna, certo? Uma garota não bateria forte o bastante para causar isso, eu nem sentia dor pelo meu corpo. E como para comprovar isso, ergui a blusa social até a armação de ferro do meu sutiã, não encontrando nenhum tipo de hematoma pela minha pele branca e facilmente mercável. Passei a mão pelo rosto o sentindo um pouco inchado por conta do sono,mas fora isso não havia mais nada. Provavelmente tinha sido uma daquelas brigas idiotas de puxões de cabelo, o que certamente explicava o estado do mesmo. Mas não explicava o porque eu tinha vomitado sangue. Eu... estava doente? Havia lido certa vez na internet que pessoas com câncer a vezes tinham essa reação, no entanto não me sentia doente. Talvez fosse melhor que eu marcasse um medico para mim caso esse episódio viesse a se repetir novamente.

Minha mente então se voltou para as palavras que Stefan disse anteriormente, o fracasso e a decepção pesando sobre meus ombros e me afundando cada vez mais. Essa fora a minha primeira tentativa depois da ultima vez e não tinha sido nem um pouco promissora, como me animar diante disso? A derrota parecia me perseguir sempre zombando das minhas tentativas falhas. Algumas vezes eu realmente me questionava se valia apena tentar quando parecia ser um esforço inútil. Mas eu tinha decidido seguir a diante com essa idéia tola, e por tanto iria até o fim sendo teimosa demais para voltar atrás. Eu precisava começar a lutar pelo que era melhor para mim. Só esperava não me arrepender dessas decisões mais tarde.

Após lavar o rosto, usar seu enxaguante bucal já que não possuía escova de dente; e de fato usar a privada como inicialmente eu queria, deixei o banheiro. Stefan me esperava no quarto as feições alertas e preocupadas. O tranqüilizei, brincando que aquela quantidade de bebida teria que sair de algum lugar de mim. Ele revirou os olhos.

— Trouxe chá para você. Vai te ajudar com o estomago vazio sem fazer com que bote mais nada para fora. As aspirinas vão te ajudar com a ressaca que ficara pior de manhã. – disse ele me guiando até a cama. Que afirmação animadora, pensei de forma sarcástica. Ainda bem que amanhã era domingo.

— Obrigada. – dei um sorriso fraco enquanto apertava a cartela para depois engolir o pequeno comprimido com ajuda do chá morno, tinha uma pitada de mel com limão que alguns dias atrás ele descobrira ser meu favorito.

Rodei os olhos pelo quarto novamente, absorvendo pequenos detalhes que dessem uma pista sobre a personalidade dele. Eles bateram novamente na porta retrato da mesinha ao lado, minhas mãos formigaram levemente desta não me contendo para segura-lo, tentando observar a foto melhor.

— É ela? – perguntei em um murmúrio. Eu podia sentir os efeitos do cansaço me dominarem ao relaxarem meus músculos e anuviarem minha mente.

Ele não precisava de mais informações uma vez que seus olhos acompanharam meus gestos. Ele suspirou fechando os olhos brevemente antes de me olhar.

— Sim. – foi só o que respondeu, deixando claro que estava desconfortável em falar sobre isso.

Era tão irônico; sempre que conversávamos eu sentia sua curiosidade por de trás das suas palavras e aos poucos eu me abria com ele, mas Stefan não fazia o mesmo comigo. Boa parte da sua vida ainda era uma verdadeira incógnita para mim.

— Acho que entendo o porque você a ama, ela realmente é linda. – comentei enquanto observava a imagem.

A garota possuía a pele queimada pelo sol típica das pessoas que vivem em estados ensolarados; o rosto pequeno com olhos grandes e escuros, nariz arrebitado, boca pequena e cheia, tudo isso lhe dava uma ar infantil que era quebrado pelo longo cabelo. Seu olhar era intenso e se dirigia para determinado lugar, como se tivesse encarando o autor da foto na qual eu me perguntei ser a pessoa ao meu lado. Eu conhecia aquele olhar porque era o tipo de olhar que em meu rosto se formava quando, em um passado distante, eu estava com ele. Não pude deixar de me perguntar o porque ela havia ferido Stefan tão profundamente daquele jeito, ele era uma ótima pessoa quando se conhece um pouco mais do que ele quer mostrar.

Se eu o tivesse conhecido em outra época, talvez pudesse até ter me apaixonado pela pessoa cativante que ele é. Agora éramos como dois lados de uma mesma moeda, opostas mas que de certa forma se entendem. Se apoiando uma na outra para continuar de pé. Eu a odiava um pouco mesmo sem a conhecer, só pelo que ela havia feito a ele. Nunca teria coragem de fazer isso com alguém, porque eu sabia muito bem as conseqüências que coisas assim traziam.

— Não foi só isso. – Contestou ele rapidamente como se quisesse provar algo para mim. — Elena foi... única. Possui muitas qualidades mas a qual eu mais admiro é a sua capacidade amar apaixonadamente as pessoas a sua volta. Ela já cometeu loucuras para ajudar seus amigos, e até mesmo a mim algumas vezes.

Seu olhar estava um pouco perdido como se houvesse se afundado nas lembranças. Perguntei-me com rancor, se ela realmente fazia tudo para ’’ajudar’’ seus amigos, porque machucara ele naquele ponto.

— Acho que entendo um pouco isso. – eu disse a fim de finalizar a conversas, minhas pálpebras pareciam pesar absurdamente. E realmente entendia, afinal eu não correra para os braços da morte para salvar minha mãe? Algumas vezes é melhor que certas conseqüências recaiam sobre nos mesmos do que com as pessoas que amamos, pois é muito mais fácil suportar a dor do que ver quem amamos sofrer.

Coloquei o quadro de volta na cômoda vendo ele me dar um meio sorriso antes de se levantar e andar em passos longos até a porta, rapidamente virei o porta retrato para a parede. Elena não tinha mais o direito de ficar na vida dele.

— Espera! Você pode ficar comigo só até eu dormir? Por favor? – eu não sabia o porque mais a perspectiva de ficar sozinha fez com que algo estranho se agitasse no meu estomago.

Ele me encarou por um momento antes de acenar com a cabeça e se aproximar. Puxei seu braço para que deitasse junto a mim na cama, encostei minha cabeça no seu peito sentindo que por um momento ele ficou rígido mais depois relaxou. Stefan tinha o cheiro muito bom de pinho, era confortável e quente. A ultima vez que fiquei nessa posição com alguém a estrutura do corpo era fria e dura, o que atrapalhava um pouco no meu sono mais naquela época eu não me importava muito.

Sua respiração era calma e o bater do seu coração ritmado, nunca imaginei que fosse tão reconfortante estar assim com alguém novamente. Ele era real, era vivo e humano. Não precisava mais temer nada porque tudo com a qual eu precisava me preocupar era agir como um adolescente da minha idade, sem dramas sobrenaturais envolvendo monstros de lendas antigas. Aquilo parecia muito bom para mim.

[...]

A figura de olhos vermelhos me encarou, o mais aterrorizante na imagem era a sua boca coberta de sangue que se curvava em um sorriso cruel que mostrava presas afiadas quando se aproximava lentamente de mim. Eu estava congelada com a imagem, sentindo o cheiro de morte que exalava da criatura que era ao mesmo tempo assustadora e sedutora. Aquilo não poderia estar se repetindo novamente, por favor não. Suas mãos em forma de garras me tocaram causando uma serie de calafrios pelo meu corpo me fazendo dar um pulo e tentar socar seu rosto por reflexo.

Stefan segurou meu punho com agilidade e sem aparentar esforço. Suas sobrancelhas estava erguidas como se tivesse nascido uma segunda cabeça no meu pescoço.

— Nossa, eu só ia te avisar que o sinal já bateu. – disse ele ao me analisar de forma preocupante.

Eu pisquei algumas vezes confusa, tentando me situar. Só restava praticamente nos dois na sala de aula vazia, até o Sr. Banner tinha ido embora. Não é real, que merda você estava pensando. Me auto-recriminei. Ele vai pensar que sou louca assim como o resto das pessoas pensam. Fazia três dias desde a nossa ida fracassada a boate assim como fazia três dias desde que esses lapsos alucinógenos começaram. Eu não sabia da onde aquela imagem tinha surgido só sei que ela freqüentemente me atormentava, me tornando um pouco paranóica.

Aquilo era loucura porque eu estava sonhando com um Stefan vampiro? Qual era meu maldito problema, eu ficara tão louca que agora todas as pessoas a minha volta estava se transformando em monstros mitológicos? Aquilo era vergonhosamente ridículo, Stefan era a pessoa mais humana que eu conhecia. Vampiros eram pálidos, Stefan tinha a pele bronzeada pelo sol, vampiros eram gelados e duros; Stefan era quente e macio eu confirmava aquilo pela minha mais recente experiência. E o mais importante: vampiros não tinham o coração batendo, não dormiam e nem comiam e Stefan fazia tudo isso. O que deixava mais verídica ainda o fato de eu possivelmente estar enlouquecendo de vez.

Eu não sabia o porque a minha mente constantemente conjurava aquela imagem, mas tinham um palpite que era por conta do segredo deles que eu carregava. Eu havia conhecidos vampiros de verdade e agora por não conseguir conversar sobre isso com ninguém sem que me achassem louca, minha mente estava me pregando uma peça. Isso tinha sido uma das pautas de conversa na minha consulta com o Dr. Cavendish, já que ele havia falado para eu avisá-lo caso minhas alucinações voltassem a aparecer, o que de fato aconteceu. E mesmo que agora eu tomasse uma dose maior dos meus remédios matinais de disposição, elas não tinham parado de acontecer.

Eu chegava a ficar um pouco desconfortável perto de Stefan por conta disso, ficando mais dispersa. Coisa que ele pareceu perceber ao me perguntar varias vezes se eu estava bem. Que vergonhoso, eu até tentava para de observá-lo em busca de mínimos detalhes que pudessem quebra o seu ’’ disfarce’’ mas não estava tendo muito sucesso.

— Ah! Sim. Me desculpe. Vamos. – eu rapidamente tentando ignorar o fato de estar agindo como uma esquizofrenica.

Andamos pelo corredor apinhado de gente que conversava animado sobre diversas coisas.

— Então... você vai certo? – encarei confusa, tentando buscar detalhes que me ajudassem, a entender sobre o que ele estava falando. Em suas mãos estava o panfleto sobre a festa a fantasia estúpida que Jessica Stanley daria dali a dois dias.

Fiz uma careta tentando encontrar palavras gentis o bastante para me esquivar.

— Hãn... acho que eu não fui convidada. – forcei um sorriso tristonho. Eu não achava, e sim tinha certeza que não fora convidada. Jessica fizera questão de, ao espalhar os panfletos, entregar a cada pessoa que estava convidando. Ela fez isso até na mesa com os nossos amigos, onde ela entregou a todos menos a mim o que deixa as coisas bem explicitas.

— Eu estou te convidando agora. – insistiu ele sem pestanejar. O panfleto dizia que teria um concurso de melhor casal fantasiado, o que era me clichê e cafona, mas justificava o porque das pessoas irem em pares. Com certeza ela havia adicionado isso para poder se jogar no Mike. Coitado.

Eu tinha duvidas se Stefan não associava minha mudança de comportamento à tentativa mal sucedida dos números de telefone. Aquilo não havia me afetado, okay havia me afetado só um pouquinho mas nada tão significativo assim; eu sabia que isso não ia dar certo de primeira esse tipo de coisa leva tempo. Stefan estava freqüentemente sugerindo que fossemos a alguma festa, boate ou sei lá mais o que, para me mostrar como esses locais podiam ser divertidos.

Pensei um pouco sobre sua proposta, é verdade que eu havia estado um pouco desligada ao tentar normalizar minha sanidade mental. E ir a essa deixaria Jessica e Lauren putas da vida o que poderia ser muito divertido de se ver. Quem sabe se eu for a essa festa Stefan não me deixa em paz com relação a isso? A idéia em si não parecia completamente abominável.

— Tudo bem – confirmei dando de ombros. A idéia em si não parecia completamente abominável. Se as coisas dessem errado eu podia filmar tudo e colocar no youtube para Jessica pagar um mico.

— Ótimo. Com qual fantasia você esta pensando em ir? – questionou ele curioso, tai uma característica que parecia fazer parte da sua personalidade.

Ele me encarava com intensidade provavelmente aquele era o seu olhar mais persuasivo, mas observar aquilo só me deu vontade de rir. Foi mal mas eu já me tornei quase imune a esse tipo de coisa depois dele. Lembrei-me disposta, que o tema da festa seria ’’um regresso no tempo’’ eu já tinha uma vaga ideia do que me fantasiar o que me renderia uma noite muito divertida.

— E qual seria a graça nisso? Vamos ver o quão bem você conhece meus gostos. – pisquei de forma marota apressando os passos para a próxima aula.

Stefan riu ao me acompanhar, lançar um desafio era bem a minha cara. Aposto que se sentia confiante quanto a isso, pois bem vamos ver se ele vai acertar, a final previsibilidade não era algo que fazia parte do meu dicionario.

Notas finais
E então o que acharam? Stefan foi muito cara de pau em mentir para a Bella desse jeito, e já digo que mentira tem perna curta, ele que se cuide!(risos). Resolvi não abordar muito as consequências desse acontecimento com ela, pois pretendo abordar isso nos capítulos futuros para ficar um pouco mais realista e coerente com o enredo. Mas já da para ver que certas desconfianças iram brotar!(risos) A DICA DO PROXIMO CAP É: finalmente Stefan vai começar a questionar sobre seus verdadeiros sentimentos pela Bella(finalmente, né?) Estamos cada vez mais próximo do momento que todos esperam, então fiquem espertos que muitas surpresas irão surgir por agora. Nos vemos na próxima amores! Blown kisses,Mia.