Begin Again - Lost Stars
7 Sometimes we have to move on
Notas iniciais
Stefan Salvatore
Apertei o volante com força pisando fundo no acelerador, sem me importar com as leis de transito. Quem diabos ele pensava que era para vir me ameaçar? Havia perdido a noção do perigo? Parece que aquela pequena demonstração na cozinha não foi o suficiente para ele perceber com quem estava mexendo. Queria poder voltar aquele momento e quebrar o seu pescoço em vez de esganá-lo, mas acima de tudo eu estava temeroso.
Como diabos ele havia descoberto tão rápido assim? O cheiro de Isabella teria mascarado o meu tal como os outros fizeram com o deles, sem contar que eu tomara tanto cuidado para não chamar atenção da guarda florestal. Talvez ele não tivesse certeza, talvez aquela provocação tenha sido um teste e eu, idiota, confirmei sua suspeita. Merda.
Em um impulso freei o carro na estrada deserta, ouvindo os grilos cantarem em ruído continuo. Caminhei, em minha velocidade natural, floresta adentro até que estivesse longe o suficiente da margem da estrada para que humano algum ouvisse. Eu mal havia parado e uma arvore já era estraçalhada pela minha fúria latente.
Sem me importar com os machucados dos punhos que se cicatrizavam em segundos, eu chutei e esmurrei outra arvore arrancando lascas grandes e formando fissuras até que ela desabou em um estrondo. Não sei por quanto tempo continuei fazendo isso, mas até eu me cansar vendo que era inútil, eu me encontrava no centro de uma pequena clareira.
Aquilo talvez fosse um problema mas não me importei naquele momento. Maldita má sorte que não me abandona. Qual era a possibilidade remota de eu acabar me envolvendo com criaturas sobrenaturais, novamente? O que iriam fazer agora? Expor-me a Isabella? Matar-me? Mas não mesmo! Já havia vivido merda demais para abaixar a cabeça agora. Eles queriam lutar? Que venham! Eu não sinto medo.
Eu só precisava de um plano, uma forma de pender os critérios ao meu favor. Só precisei olhar para cima para ter um pequeno incentivo e saber por onde começar. Um semi circulo brilhava translúcido ao céu escuro quase sem estrelas, formando uma perfeita lua crescente que me fez dar um meio sorriso. Ótimo, pensei comigo mesmo. Isso significava que eu teria um pouco mais de uma semana, talvez, até que eles pudessem de fato colocar as garrinhas de fora.
Eu primeiramente precisava caçar e depois buscar por acônito, só como medida de precaução. Com um plano não totalmente concluído eu segui para a primeira alternativa que parecia mais plausível. Eu não queria arriscar um confronto precoce com os pseudo-lobos, então corri até a floresta nacional de Olímpia, que mesmo em minha velocidade sobrenatural levou cerca de duas horas de ida.
Ainda não era temporada de caça mais os animais já estavam em abundancia. O que era bom para mim já que toda a minha raiva parecia ter se transformado em uma sede feroz o que fez minhas gengivas latejarem, assim como causou uma sensação desconfortável nas veias como se introduzissem arame farpado em mim. Meu nervosismo não havia passado totalmente o que fez com que eu fosse mais brutal na caçada.
Dois cervos e dois leões da montanha foram abatidos impiedosamente, de forma rápida e precisa. Suas carótidas ficaram desfiguradas, tamanho meu apetite voraz, alguns deles até mesmo tiveram seus membros esquartejados. Bom, pensei comigo mesmo. Melhor animais do que humanos. Aquilo poderia facilmente se passar pela caça de um animal selvagem qualquer, tudo o que eu tive que fazer para parecer mais verídico foi espalhá-los em locais divergentes, e esconder alguns membros soltos, esporadicamente.
Durante todo o caminho eu busquei considerar todas as alternativas possíveis de escapar com vida, menos machucado ou até mesmo uma forma deles pagarem caso eu não sobrevivesse, não que essa opção fosse de fato acontecer. Foi então que cheguei ao do sangue humano, no começo eu fiquei muito relutante em pensar sobre isso, devido todas as reações que ele causava em mim.
Eu não queria ser o estripador novamente, e estender a mão para essa alternativa me poria em risco quanto a isso e tudo o que eu não precisava era dar mais motivos para aqueles vira-latas quererem me matar. Mas se eu fosse mesmo ter esse confronto era melhor eu estar mais forte possível. E mais do que tudo não deixar que me mordessem. Independente do que fossem, eu não sabia que reação meu corpo teria em contato com suas mordidas.
De qualquer forma eu não queria ter que procurar por Klaus novamente, para falar a verdade, eu queria ficar longe e de qualquer coisa que me lembrasse daquele inferno que passei em Mistic Falls. Mesmo com a minha preocupação com relação ao sangue, decidi que seria melhor utilizá-lo mas só o suficiente para eu ter alguma vantagem caso eles me atacassem.
É claro que eu tentaria uma abordagem mais pacifica, no entanto lobisomens sempre são muito violentos e instáveis. Qualquer coisa que eu dissesse poderia desencadear um ataque de fúria neles. Então era sempre melhor estar preparado para qualquer coisa. A vida até agora, tinha me ensinado que era bom ter mais de um truque por de baixo das mangas.
Quando atravessei a margem da floresta novamente, o céu estava em um tom azul cinzento anunciando que já amanhecera. Pelas minhas contas deveria ser por volta das cinco e meia da matina. Logo eu teria que me aprontar para buscar Isabella. Confesso que uma pequena parte de mim ficou surpreso por ainda encontrar a Mercedes no meio fio da estrada.
Ao que parece Forks tinha mesmo um índice de criminalidade excessivamente baixo, acho que isso significa menos trabalho para o chefe Swan, afinal de contas. Liguei o motor dirigindo ainda perdido em pensamentos. A maioria das lojas estavam fechadas por abrirem somente das oito em diante. Na pequena cidade existiam duas únicas floriculturas que também não estavam abertas, de qualquer forma acho que era melhor comprar acônito em outra cidade.
Do jeito que a noticia corria rápido em cidades pequenas, era provável que chegasse até os ouvidos dos lobos. Estacionei em frente a uma loja de artigos para Pet’s, a três quadras do hospital publico, para não levantar suspeitas e fiquei imensamente satisfeito por não ouvir ninguém reclamando por eu estar ”estar estacionando em um local destinado a um cliente da loja’’.
O ar gelado e o cheiro de produtos químicos não me incomodaram quando passei pela porta de entrada. Enquanto dava passos vagarosos até a recepção, busquei me concentrar em ouvir os corações que batiam em um ritmo mais vigoroso e sadio. Eram sete no total, e não seria nada trabalhoso passar por eles. A moça da recepção possuía o cabelo ondulado e curto na altura dos ombros.
Ela pareceu ficar um pouco aturdia ao me ver, o que me fez ficar um pouco desconfortável com o efeito que minha espécie causava nos humanos. Mas eu tinha que admitir que isso era útil de vez em quando. Como agora. Só foi preciso um pouco de charme e um simples comando através da compulsão e ela, então, me indicou onde ficava a sala com o estoque de bolsas para transfusão. Depois fiz com que ela acreditasse que eu era só um familiar em busca de informação sobre o quarto de familiar debilitado.
Foi excessivamente fácil sair do alcance das câmeras de segurança e não ser pego por ninguém. Logo eu saia do hospital com dez bolsas de sangue em uma sacola plástica nada suspeita, sem deixar provas ou algum tipo de evidencia. Dirigi novamente, desta vez para casa. Eu precisava de um tempo para tentar me recompor, mascarando minha ansiedade e nervosismo. Isabella era perceptível demais.
Ao chegar decidi ir direto para o banho, pois meu estado era realmente lastimável. Minha camisa parecia retalhos respingada de sangue, minha calça com um pouco de barro e folhas espalhadas por meus cabelos. Parecia literalmente que eu havia entrado em um tornado. Fui para o banheiro arrancando a minha roupa no meio do caminho, pensando em varias coisas ao mesmo tempo.
A água quente me fez relaxar um pouco e pensar com mais clareza. Se toda essa merda acabasse bem eu precisaria de uma transa urgente. Depois de tanta tensão acumulada eu sentia como se pudesse explodir. Coloquei uma roupa confortável, secando meu cabelo úmido com uma toalha enquanto voltava para sala. Meus olhos quase que automaticamente se voltaram para as bolsas de sangue.
Eu provavelmente não deveria fazer isso. Eu sabia das reações que o sangue implicava sobre mim, mas ainda sim não consegui deixar de ânsia-lo. Poderia não ser tão apetitoso quanto direto da veia, mas para quem vivia de sangue animal como humanos que viviam de tofu, aquilo se assemelhava a um grande sanday triplo de morango. Aquele cheiro agridoce e característico parecia me seduzir, me deixando com a garganta seca e dolorida como se não me alimentasse a uma década.
Sem conseguir me conter eu peguei uma delas, rasgando o plástico com a boca e permitindo que o liquido encorpado descesse pela minha garganta. O gosto pareceu explodir na minha língua em um milhão de centelhas de sabores diferentes. Eu não tinha certeza se havia gemido de prazer ou não, tudo o que eu consegui sentir naquele momento era êxtase puro que se assemelhava a orgasmos múltiplos.
Eu havia me esquecido de quando sangue humano era bom, e naquele momento, tudo o que eu consegui fazer foi sentar no sofá e aproveitar. Tão rápido quanto a sensação veio, ela passou. Um pouco arfante e com a mão tremula, eu a estendi para a outra bolsa de sangue, para então voltar ao meu momento de letargia momentânea. Eu estava tão compenetrado e distraído em minha ânsia que quando o celular tocou, eu atendi em um movimento brusco e raivoso por terem me interrompido.
— Alo. – falei de ma vontade e um pouco grosseiro.
— Eita, parece que alguém esta de mal humor hoje. – comentou a voz feminina do outro lado da linha um tanto divertida e sarcástica. Isso me fez apertar a ponte do nariz, um pouco impaciente. Ela tinha que ligar agora? Pensei que só lidaria com isso mais tarde, pensei comigo mesmo.
— Caroline, por que diabos me ligou? – indaguei irritado. Ótimo! Eu tinha voltado a estaca zero com relação ao meu humor, justo quando eu estava um pouquinho melhor.
— Então é assim que trata sua melhor amiga? Faz mais de duas semanas que não me manda noticias, você tem idéia do quanto eu fiquei preocupada, Stefan? –ela perguntou um pouco nervosa. Quase havia me esquecido que Caroline tem tendência a dramatizar a maioria das coisas. Soltei um suspiro cansado antes de responder:
— Eu sinto muito, okay? Você me interrompeu em um momento muito... delicado. – essa pareceu ser uma palavra adequada.
— Oh! Eu sinto muito. Mas espera! Eu realmente espero que não tenha sido grosseiro comigo por causa de uma transa. – disse ela em um tom que provavelmente era para ser de uma ameaça.
— Não. – eu respondi encarando as bolsas de sangue. De qualquer forma eu não estava mais no clima para bebê-las. Andando até a cozinha com a sacola na mão eu continuei. – Então me diga o porquê estou tendo a honra desta ligação, pois eu tenho certeza que não é só por causa do meu sumiço repentino. – a pressionei enquanto me livrava das bolsas vazias e colocava as outras no congelador para mais tarde. Eu teria que comprar um freezer em breve se continuasse com essa de estocar sangue humano.
— A maior parte foi por causa disso, mas também foi por que me senti um pouquinho solitária. – ela admitiu parecendo um pouco consternada. — Poxa primeiro o Tyler foge do Klaus e não me manda sinal de vida, depois Bonnie viaja para visitar o pai e nunca atende minhas ligações. Matt foi viajar com a loira vagaba da Rebecka. E então você se manda para algum fim de mundo. Parece que todos aderiram à campanha de abandonar a Caroline. Ou não tenho mais com quem conversar ou sair, tudo esta em um marasmo entediante. Sem contar com a Elena que só fica se pegando com Damon, sinto falta de... – ela continuou a falar desabafando sobre suas ‘’terríveis’’ férias.
No entanto a ultima frase estava se digerindo no meu intimo. Era um pouco obvio que isso ia acontecer, principalmente agora que qualquer ameaça era inexistente. Já havia algum tempo que eles estavam juntos, eu já devia ter me acostumado, não é mesmo? Então por que eu sentia um desconforto no estomago quando pensava sobre isso? Uma dor aguda no coração como se estivesse uma estaca de madeira arranhando o meu principal órgão vital?
Ah! Sim, por que apesar de tudo eu ainda não havia superado Elena. Damon fora apaixonado por Katherine durante mais de 150 anos, era um pouco obvio que eu não a esqueceria tão rapidamente. Eu só fingia. Fingia não me importar com o fato dela ter me trocado pelo meu irmão, e que nada daquilo me afetava. Eu deveria ser mesmo muito bom no que fazia já que ninguém notava que eu mentia. E eu preferia que continuasse assim.
Devo ter soltado algum ruído de desgosto, por que Caroline se interrompeu no meio de uma frase parecendo se sentir culpada e ressentida.
— Eu sinto muito Stefan, não deveria ter tocado nesse assunto. Sei que ainda é delicado para você falar da Elena. – desculpou-se ela me fazendo imaginá-la cabisbaixa e com as feições tristes.
— Eu só... Vamos deixar isso para lá. – verdade seja dita, eu só não queria prolongar esse assunto, muito menos aprofundar sobre isso.
— Então... Acho que já disse o suficiente sobre o que aconteceu aqui. Por que não me conta o que aprontou até agora? – questionou ela em um tom descontraído que me fez dar um meio sorriso. Você não imagina o quanto, pensei comigo mesmo.
De alguma forma senti necessidade de compartilhar tudo o que me ocorreu com alguém que entendia ao menos um pouco do que eu sentia, do que eu havia vivido. Mesmo que ela fosse me criticar ou julgar, eu queria uma segunda opinião por que me sentia um pouco perdido. Então de repente me vi despejando nela tudo o que eu havia feito nessas duas semanas. Desde a briga na boate ao pequeno assassinato que eu induzi, inclusive sobre minha aproximação precoce com Isabella.
Ela ouviu tudo em silencio sem esboçar reação alguma até que em fim eu terminei meu relato.
— Olha só Stefan eu vou ser sincera com você. E eu acho que existem dois pontos importantes a serem discutidos. – ela citou antes de continuar. – Primeiramente eu acho que você deveria arrumar um emprego Stefan.– sugeriu com simplicidade.
— Por quê? – questionei um pouco confuso.
— Por que um garoto do ensino médio morando em um casarão sozinho chama muita a atenção de alguns curiosos fofoqueiros. E você e eu não queremos que isso aconteça, certo? – perguntou em um tom de ameaça ao mesmo tempo em que parecia me dar uma bronca.
— Sim, mamãe. – concordei em brincadeira embora a afirmativa fosse verdadeira. Aquilo me parecia mesmo uma boa ideia, ajudaria com o que me ocupar durante o dia e a não focar tanto na Isabella. Eu me lembrava de ter visto um panfleto de vaga para mecânico no Dowling’s que me parecia uma boa ideia já que mexia com coisas que eu gostava e sabia.
— Ótimo, então vamos para o segundo tópico. – disse ela parecendo satisfeita com sigo mesma, então sua voz pareceu ficar mais seria. – Stefan eu realmente não acho que seja bom esse envolvimento com essa garota, Isabella. Por que, sejamos sinceros, você mal consegue ajudar a si mesmo quanto mais outra pessoa com um trauma verdadeiramente real, ela não tem facilidade que nos temos de desligar a humanidade. Para ela será um processo lento e desgastante mesmo que ela não demonstre isso. Sem contar que você esta usando isso como válvula de escape para não enfrentar sua própria situação. E se isso evoluir pode acabar em algum ruim para você.
— Algo ruim como o que? – questionei meio que a desafiando em, sua suposição sem cabimento.
— Algo ruim como você se apaixonar por ela. – afirmou ela seria.
— E isso realmente seria ruim? – perguntei confuso. Eu não via problema nenhum com isso, para falar a verdade, não que eu quisesse me apaixonar por Isabella, mais sem duvida alguma era melhor do que pela namorada de meu irmão.
— Sim Stefan. Se você se apaixonasse por ela sairia machucado, por que pelo que você me disse, ela parece ter uma espécie de paixão obsessiva por esse ex-namorado levando um chute na bunda, o que acarretaria na volta do Stefan o estripador, e matança. – ela continuou com a suposição terminando um pouco histérica. Revirei os olhos com isso.
— Você esta exagerando, Caroline. Dessa vez você viajou legal. – exclamei com humor da sua histeria.
— Estou mesmo? – questionou ela com ironia. – Pensa bem no que você esta fazendo, Stefan, você mal a conhece e já comprou briga com um bando de lobisomens por causa dela! – lembrou-me Caroline meio que me acusando como se fosse à dona da verdade.
— Isso é ridículo! Você sabe que eu ainda estou, bom... Apaixonado pela Elena. –eu disse, relutante, as palavras saindo com dificuldade pela minha boca. — Eu realmente só me defendi daquele pulguento que ameaça me expor. Eu fiz o que faria se fosse em outra situação. – expliquei fazendo pouco caso ao mesmo tempo em que me defendia.
— Na verdade a coisa mais sensata a se fazer nesse momento é juntar suas coisas e dar no pé. Por favor, Stefan! Será que não percebe o quão perigoso isso é? Você esta em uma cidade desconhecida, já parou para pensar que você pode sair machucado ou morto? Ela vale tanto assim esse sacrifício? Se eu ao menos pudesse ir para ai... Pelo menos você não enfrentaria aquelas feras sozinho. – ela se lamentou não deixando de me dar uma bronca como se eu fosse uma criança e não um vampiro centenário com muito mais que o dobro da sua idade.
— Forks fica do outro lado do pais, são cerca de quarenta horas até aqui, você não chegaria a tempo nem se desejasse. E tem mais, você me conhece, Caroline, sabe que eu não fujo da luta feito um covarde. Isso não tem haver só com Isabella, e sim com a minha estadia nessa cidade. Eu não quero me mudar, gosto de morar e viver aqui. Mas se for para eu ficar, preciso impor minha presença a eles, sendo do jeito pacifico ou não. Eu realmente acho que mereço recomeçar, como todos vocês estão fazendo. – expliquei minha visão tentando ser delicado ao pronunciar as palavras, afinal ela só estava preocupada comigo.
— Tudo bem. – ela pareceu concordar resignada. – Eu só não entendo o porquê você precisa tanto se ‘’enturmar’’ por ai. Pensei só tivesse viajado para esfriar a cabeça depois de todo esse maremoto de acontecimentos. Não é como se você nunca mais fosse voltar para Mistic Falls. – ela riu aparentemente da possibilidade nula, no entanto eu fiquei calado sem saber o que dizer por ela só ter descoberto agora o que eu ai fazer.
— Stefan? – ela me chamou incrédula e parecendo nervosa ao perceber que não a acompanhei na risada. – O que...?
— Não pretendo voltar novamente a Mistic Falls, Caroline. – resolvi ser sincero, eu realmente não queria ser ainda mais cruel em lhe dar esperanças.
— Stefan, O que? Você não pode simplesmente ir embora! Você nasceu nessa cidade, tem uma vida aqui! Não pode simplesmente decidir largar tudo! Isso é loucura! E seus amigos? Damon? E eu? Você é meu melhor não pode me abandonar. – guinchou ela, histérica, falando rápido e alto demais embora eu pudesse entender perfeitamente. Sua respiração estava pesada e um pouco rápida como se tivesse correndo uma maratona. Eu me senti um pouco mal por acabar com o seu bom humor deixando-a estressada.
— Olha, eu sinto muito. Pensei que houvesse entendido a mensagem implícita. Nada mais me prende a essa cidade e eu não vejo motivos mais para ficar. Para falar a verdade essa cidade tirou e destruiu muitas coisas minhas. E para construir um futuro novo eu preciso deixar o passado para trás. – continuei a ser gentil, entendendo sua reação exaltante.
— Então quer dizer que vamos nunca mais nos ver? – ela perguntou temerosa e com a voz um pouco chorosa.
— Mas é claro que não! Somos melhores amigos, não é mesmo? Você pode vir me visitar quantas vezes quiser. – eu disse tentando confortá-la em um clima leve.
— Que droga! Eu queria ficar com raiva de você agora. Mas não tem como?como pode ser tão fofo e manipulador ao mesmo tempo? – questionou ela rindo e fungando. – É melhor você me arranjar um quarto por pretendo te visitar tantas vezes que ficara enjoado.
Eu ri da sua petulância e indignação. Continuamos conversando por mais um tempo sobre amenidades, No entanto eu pude ver que seu tom meio para baixo que ela ainda estava um pouco triste. O tempo pareceu passar rápido, os raios solares agora tentavam atravessar a grossa camada de nuvens da cidade trazendo uma claridade um pouco mais ampla, que a de costume, seria a primeira vez a fazer sol desde que eu cheguei a cidade. Longo eu me vi fazendo o caminho para a casa dos Swan’s, seguindo pela rodovia 101.
O caminho até lá era rápido, cerca de no Maximo vinte minutos. E então depois deste tempo estimado eu estava estacionando suavemente em frente à casa dela. Eu permaneci parado dentro da cabine, como da ultima vez, esperando que ela saísse pela porta. No entanto o tempo foi passando e nada. Esperei o quanto pude até ficar a poucos minutos do sinal bater. O que me fez ficar preocupado e sair do carro para bater na porta de entrada.
Uma Isabella com a aparência um pouco abatida me atendeu. Ela estava muito pálida, as pálpebras um pouco arroxeadas e o pequeno nariz arrebitado, vermelho. Usava um casaco grosso de lã branca e roxa, calça de moletom preta e uma touca rosa claro. Ela parecia incrivelmente pequena com aquela roupa como uma criança, e isso de certa forma a deixou adorável. Ela pareceu um pouco encabulada em minha frente, mexendo nas mãos antes de me encarar.
— Me desculpe não ter te avisado, mas eu não tinha seu telefone. Eu não vou para a escola hoje, como você pode ver eu acabei ficando mesmo doente, graças a praga que jogou em mim. – ela tentou brincar dando uma risada sem graça.
— Eu bem que te disse, não? Mas você veio com aquele papinho de ‘’ eu moro aqui a mais de um ano, não vai ser uma chuvinha que me derruba.” Parece que você estava errada afinal de contas. – não pude deixar de esfregar na sua cara, por que era sempre bom estar certo assim como era deixar Isabella envergonhada.
Ela soltou um bufo, irritada, revirando os olhos e isso a tornou estranhamente adorável aos meus olhos.
— Você é tão idiota! Mas acho que já devia ter esperado uma graçinha assim de você. Bem, de qualquer forma, me desculpe por ter feito você vir aqui à toa. – ela pareceu um pouco envergonhada por isso, suas bochechas se ruborizando de leve o que me fez esboçar um sorriso.
— Tudo bem. Então o que nós vamos fazer agora? – perguntei colocando as mão nos bolsos da calça jeans.
— Hmm? Nós? – perguntou confusa, me analisando como se fosse eu o doente. – Que eu saiba, você vai para escola fazer algo mais útil e depois me passar a matéria que passaram, enquanto eu vou ficar vegetando no meu sofá no pequeno período de quarentena. – ela me explicou como se eu não entendesse suas palavras, de forma lenta e irônica.
— Acho melhor ficar aqui cuidado de você, já que seu pai foi trabalhar. Você não sabia que é perigoso ficar sozinha enquanto esta doente? – fingi dar uma bronca. Ela soltou um espirro fino, colocando a mão com um lenço de papel sobre o nariz, para depois me olhar um pouco cansada com os olhos estreitos.
— Era só que me faltava! Se eu não estivesse tão mal te expulsaria daqui, mas como estou... – ela deu espaço para que eu passasse. – Entre ai.
Eu tecnicamente não precisava mais de um convite, quando um já me havia sido feito,mas aceitei sua hospitalidade. Ao entrar na sala pude ver que a teve estava ligada assim como havia um cobertor cinza no sofá central. Isabella se jogou no mesmo, se aconchegando e deixando suas meias listradas e coloridas aparecendo para fora do sofá. Como ela não se virou para mim, me acomodei no outro sofá que parecia bem mais espaço quando não se tinha lobisomens no mesmo.
— E ai? Quem ganhou o jogo, ontem, depois do segundo tempo? – perguntei como modo de sondá-la. Isabella não estava agindo de modo estranho comigo, o que certamente descartava a possibilidade daquele cachorro ter aberto o bico. Isso deveria me deixar mais aliviado, mas não significava que ele não faria isso em outra ocasião. Ela se virou para mim abrindo um sorriso satisfeito.
— O melhor time de todos e atual campeão do Super Bowl, os Seahawks, é claro. Meu pai acha que a sua torcida nos trouxe a sorte para vencer os Redskins. Acho que ele esta virando um velho tolo e supersticioso. – ela comentou, embora a ofensa a seu pai não parecesse ser verdadeira.
— Talvez ele esteja certo. Mas me conte o motivo de estar tão feliz, por que não me parece que é só por que fomos vencedores. – pressionei ainda curioso com o que o vira-lata pode ter dito para ela a meu respeito. Ou algo relacionado ao mesmo que a deixou de tamanho bom humor, eu definitivamente estava disposto acabar com os seus planos de aproximação de Isabella.
— Em parte foi por causa do Jake. Fazia realmente muito tempo que eu não o via, o que quase me fez esquecer o quanto eu gostava dele. A outra parte foi por que, ontem depois que você foi embora. Ele me disse que Rachel, sua irmã mais velha voltaria para Forks por conta das férias. Quando muito pequena eu, ela e sua irmã gêmea já fomos muito unidas. E pode parecer estranho mas eu estou ansiosa para vê-la novamente. Acho que arrumei motivos o suficiente para passar boa parte do tempo em La Push. – ela soltou uma risadinha sem graça, talvez um pouco constrangida com o meu olhar não tão evidente de fuzilamento. Tenho quase certeza que fiz uma careta ao ouvir sobre o jake, quase vomitei todo o sangue recém ingerido.
Ela realmente não estava ajudando ao se aproximar deste pulguento. Tudo bem eu teria mais trabalho, para afastá-los mais não era impossível.
— Esta me trocando por um índio cheio de esteroides? Assim você me magoa. – me fingi de magoado, embora por dentro eu tenha ficado com um pouco de raiva.
— Acho que o senhor perfeição pode superar isso. – ela debochou com um sorriso sarcástico que de certa forma me incomodou.
— Então... – comecei, tentando mudar de assunto antes que voltasse a ficar irritado. – O que vamos ver agora?
— Daqui a pouco vai começar um filme legal, mas geralmente não passa muita coisa boa nesse horário. – respondeu monocórdia, sua atenção voltada para um cubo colorido da qual eu não sabia da onde tinha surgido. Ela girava as peças com facilidade e de forma simples. Cubo de Rubik era um tipo de brinquedo complexo para todas as idades, mas considerando como Isabella era não me surpreendi por vê-la com aquilo.
Notando minha atenção para com o objeto em suas mãos ela o embaralhou habilmente jogando o para que eu o pegasse. Eu o peguei no ar um pouco confuso com o seu ato.
— Por que não tenta montar? – ela deu um sorriso mínimo, mas seus olhos se estreitaram em desafio.
— Okay, então. – falei arqueando uma das sobrancelhas e me aconchegando melhor. Girei as peças até descobrir como cada uma se movia, mas eu estava curioso quanto à questão de Isabella saber montá-lo então fingi de primeira não ter conseguido. Soltei um bufar como se estivesse estressado por não conseguir montar. Ela riu do meu ato aparentemente infantil.
— Aparentemente montar um quebra cabeça não esta na sua lista de qualidades, mas não posso culpá-lo por isso, poucas pessoas sabem montá-lo. Eu mesma aprendi isso aos sete anos então não se sinta culpado. – disse ela tentando me provocar.
Então para demonstrar sua veracidade ela girou as peças com incrível velocidade e habilidade, menos de dez segundos depois estava ali o cubo completo, com cada cor em seu devido lugar. Interessante, pensei comigo mesmo antes de estender minha mão em sua direção.
— Deixe-me tentar novamente. – pedi a encarando. Ela deu de ombros me estendendo o objeto sem interesse, embora me olhasse pelos cantos dos olhos. Fingi analisar as peças antes de começar a mexer nas mesmas em uma velocidade um pouco maior que a sua, mas nada que me denunciasse. Menos de seis segundos depois ele estava pronto.
Desta vez quem a encarou desafiante fui eu, enquanto ela me olhava incrédula e um pouco boquiaberta, o que me fez esboçar um sorrisinho presunçoso. Ela recompôs a expressão fingindo descaso.
— Então o garoto problema aprende rápido? – comentou como se falasse do clima.
— Você não tem ideia. – concordei dando um sorriso sacana que a fez corar e desviar os olhos.
O filme em fim pareceu prender sua atenção assim como parcialmente a minha. A medida em que o filme foi se desenrolando que era o musical da década de setenta estrelando John Travolta e Olivia Newton-john. Isabella parecia bastante entretida acompanhando a cantoria com a sua voz agradável de forma animada. Não pude deixar de achar isso engraçado.
— Então você gosta de filmes musicais. – perguntei com quem não quer nada, quando o filme já havia acabado. Ela desviou o olhar do filme parecendo um pouco mais simpática do que de costume.
— Gosto de alguns filmes dos anos 70 e 80 em geral. Mas, sim, eu gosto de musicais. Acho que é por que tem uma mensagem por trás de tudo isso como é em Grease e Hairspray. – ela me explicou mordendo o lábio inferior de leve.
— Mensagem? – questionei só para que ela continuasse falando. Ela se mexeu no sofá para me olhar melhor.
— Bom, sim. Em Hairspray transmite a mensagem de igualdade racial o que eu acho bem legal, devido o filme retratar os anos 50 e 60 onde havia racismo infundido. Já em Grease retrata como as pessoas daquela época se importavam demais com a reputação mesmo que isso passe por cima dos seus próprios sentimentos. Sem contar na quantidade garotos, problemas que existia naquele período. Agora a sua espécie esta quase entrando em extinção. – ela tentou me provocar embora não tenha funcionado nem um pouco. Eu apenas sorri desta tentativa fracassada.
— Realmente é difícil achar pessoas como eu. Mas eu realmente não esperava que você tivesse uns pensamentos tão profundos a cerca de filmes antigos. – conclui sem deixar de ser um pouco debochado. Ela revirou os olhos antes de desligar a teve e responder.
— É realmente impressionante o que se pode fazer quando se tem tempo para fazer uma auto-análise de si mesmo. Ajuda muito a se conhecer. – ela disse com simplicidade embora seu sorriso fosse um pouco afetado. – Então tem alguma ideia do que fazemos agora para não ficarmos parados olhando um para a cara do outro?
Ela parecia querer mudar de assunto embora eu não soubesse exatamente o porquê, mas mesmo assim revirei minha cabeça em busca de algo para nos prender a atenção. Eu não costumava a pensar em algo como isso por que não passava tanto tempo na presença de humanos, talvez em uma lembrança longínqua quando Elena ainda fazia parte dessa espécie. E bom, passávamos boa parte do tempo em um quarto. Sem roupas.
De qualquer forma eu sugeri o que me parecia mais obvio ou estúpido.
— Podemos terminar o trabalho de biologia.
Ela me olhou incrédula antes de começar a rir para depois gargalhar, como se eu houvesse lhe falado algo muito engraçado. Ela pareceu ficar com falta de ar, respirando com dificuldade ao tentar se recompor e falhando miseravelmente nessa questão. Eu não esbocei nenhuma expressão, somente levantei uma das sobrancelhas, questionando-a pelo seu histerismo de forma muda.
— Me desculpe. Mas você percebe o quão ridiculamente cômico é essa situação? – disse ela entre risadas que pareciam diminuir progressivamente, porem de forma lenta. – Quer dizer, você decide matar aula na minha casa. E para que? Para fazer o trabalho de biologia! Você soa como um nerd viciado em trabalho escolar! – ela voltou a rir de forma desenfreada, como se eu houvesse contado a piada do século.
Okay, esse aparente bom humor dela estava me assustando um pouco, considerando como ela é quando esta comigo. Mas eu tinha admitir que era um pouco engraçado. Eu não havia reparado no quanto Isabella ficava bonita sorrindo, o rosto muito mais suavizado e leve ressaltando suas seus traços marcantes; como as sobrancelhas bem marcadas, os lábios cheios que ela insiste em ter a mania de morder, os olhos um pouco puxados nos cantos.
— Você deveria sorrir desta forma mais vezes, não têm ideia de quão radiante fica desse jeito. – falei sem nem mesmo pensar, ainda analisando seu rosto.
Seu riso morreu rapidamente. Ela corou desviando os olhos dos meus, parecendo constrangida com o meu olhar intenso. Foi ai que eu percebi o que estava fazendo e me recriminei por isso. Era Isabella ali e não uma mulher qualquer, aquilo era loucura da minha parte. Caroline talvez tivesse um pouco de razão em dizer que não ia prestar eu ficar grudado na Bella.
— Esse é o tipo de cantada que você usa para conseguir uma transa? Sinto em lhe dizer mas acho que sou um pouco imune ao seu charme. – ela foi irônica, provavelmente tentando dissolver a nuvem de constrangimento que pairava entre nós.
— Acredite, eu realmente não preciso usar uma cantada barata para atrair garotas. Elas vem espontaneamente até mim, sem que eu precise fazer muita coisa. – dei um sorriso malicioso, mais do que tudo tentando esquecer o instante de idiotice momentânea. Ela corou mais uma vez, parecendo achar repentinamente a televisão desligada mais interessante. Não consegui reprimir o sorriso que se desenhou pelos meus lábios.
— E então? Tem uma ideia melhor? – pressionei-a desta vez sobre o primeiro assunto. Ela bufou parecendo inconformada. Pelo jeito ela não tinha uma ideia melhor.
Enquanto Isabella subia as escadas ate seu quarto, visando pegar os materiais necessários para realizarmos o trabalho de biologia; eu fiz a mesma coisa, indo até o meu carro e conseguindo a fácil proeza de chegar à sala de estar antes dela. Ela claramente pareceu um pouco irritada com isso, ao chegar à sala de estar, no entanto não disse nada.
O trabalho levou menos tempo que no dia anterior, mas não foi menos entediante ou exaustivo. O silencio perpetuou naquele período. Acho que nenhum de nós sabia o que dizer ao outro depois daquele momento estranho, embora tenhamos quebrado um pouco da tenção. Eu precisava urgentemente, ter outra coisa com que me ocupasse a mente, ou talvez uma transa rápida para remover toda a tenção que parecia ter se instalado em mim.
Eu mal pude me reconhecer naquele instante, como pode eu ter me sentido atraído por Isabella mesmo que por poucos segundo? Quer dizer, mesmo que eu não admitisse, havia um motivo para que eu me aproximasse dela. Eu julgava ser por sermos extremamente diferentes, mas termos passado por situações semelhantes. Mas então por que aquilo aconteceu? Tenha quase certeza absoluta, que não me sentiria atraído por Isabella em circunstancias normais. Eu devia mesmo estar enlouquecendo.
Finalmente parecíamos ter finalizado com o rascunho, a revisão seria por minha conta por isso deixei para pensar a respeito depois. Isabella pareceu ficar com fome naquele momento, eu quase me esquecera de que ela precisava se alimentar regularmente. Ela me ofereceu algo mas eu recusei, embora tenha ficado tentado em aceitar o café. Após ela terminar de se alimentar ficamos nos encarando em um silencio que ninguém parecia querer quebrar, mas isso durou pouco até ela se cansar daquela palhaçada.
— Tem alguma outra ideia brilhante, gênio? – questionou-me irônica, sentada a minha frente com as pernas cruzadas em posição de flor de lótus. Para a felicidade dela — e do nosso tédio mutuo — eu tinha outra ideia, que parecia muito melhor e mais promissora que a primeira.
— Posso dar uma olhada no seu carro agora, se quiser. Mas para isso eu precisaria de algumas ferramentas. – sugeri meio que dando de ombros, ela poderia ter se esquecido da ajudar para qual eu me voluntariei. Ou simplesmente poderia decidir levar para uma oficina especializada. Estava ao critério dela decidir.
— Acho que sei onde esta a maleta de ferramentas do meu pai. – afirmou antes de se retirar, aparentemente para pegar a maleta. Ela havia feito a escolha de confiar em mim nesse critério, afinal.
Tenho que admitir que fiquei surpreso pelo carro estar em tão bom estado considerando a sua ‘’idade’’. Carros antigos tinham a tendência de falhar com mais facilidade e ser difícil na troca de peças, devido à maioria ter saído do mercado de consumo. Primeiramente lhe perguntei o que havia acontecido, exatamente para o carro falhar. Ela me explicou que simplesmente estava dirigindo e o carro parou sem dar sinal algum de problemas como um barulho estranho ou a dissipação de fumaça.
Isso fez com que eu descartasse a alternativa de superaquecimento, injeção eletrônica e combustível adulterado. Embora com esse ultimo ela tenha parecido extremamente ofendida com a minha pergunta indiscreta. Com isso me sobraram quatro alternativas possíveis para a falha do carro, mas decidi verificar o motor primeiro antes de fazer qualquer prognóstico.
Abri o capo, com o carro desligado, e verifiquei se todos os cabos estavam ligados e se não havia nenhum tipo de vazamento, o que não parecia ser o caso devido à falta de cheiro de gasolina. A bomba de gasolina parecia estar funcionado perfeitamente assim como a bobina, então pude descartar essas duas alternativas.
A luz da bateria no painel não estava acesa então não tinha a ver com o alternador ou bateria em si. O que só sobrava à alternativa de ser algo relacionado com a correia dentada. Mas para ter certeza eu teria que desmontar parte do motor e era isso eu estava fazendo agora. O sol das dez horas me fez suar um pouco, o que me fez tirar a jaqueta e camiseta para que elas não ficassem sujas de graxa enquanto eu trabalhava no motor.
Isabella pareceu estranhamente envergonhada em me olhar, ela tentava a todo custo desviar os olhos mas não conseguia por muito tempo. Isso me fez ficar estranhamente satisfeito, até mesmo lisonjeado. O silencio era estranhamente desconcertante por isso decidi ligar o radio do carro que não, pegou. Ele parecia muito danificado como se alguém houvesse tentado tira-lo se cuidado algum. Os fios estavam de energia cortados de forma aleatória.
— O que houve com o som do carro? – mesmo sabendo que ele não estava pegando, em busca de uma justificativa para o mesmo.
— Eu tentei tira-lo com cuidado, mas não funcionou muito bem e ele parou de pegar. – disse ela parecendo convicta, embora sua resposta não me convencesse nem um pouco.
— Com cuidado? Você espancou o pobre radio até a morte. Agora eu entendo o porquê você gosta tanto de ouvir musica no meu radio. – observei humorado, tentando imaginá-la tentando ‘’retirar’’ o radio sem estragos.
Ela bufou com o meu comentário, revirando os olhos.
— Já sabe o que tem de errado com carro? – questionou-me impaciente, jogando o cabelo loiro que cai no rosto para traz. Ela havia tirado a touca e a blusa de lã e ficando com uma camiseta branca, mais fresca de acordo com o clima.
— Calma ai, apressadinha. Eu já tenho um palpite do que possa ser mas quero ter a certeza antes de dar o veredicto. – dei um meio sorriso enquanto ainda mexia no motor. Não precisei olhá-la para saber que estava revirando os olhos novamente.
— Eu não sabia que você tinha uma tatuagem. – ela reparou, olhando para meu braço direito totalmente amostra. Olhei para meu braço também antes de responder.
— Eu fiz em homenagem a minha mãe. Eu e ela éramos muito unidos, bem mais do que com o meu irmão. Seu nome era Lillian Rose Salvatore. Por isso tatuei uma rosa era a flor favorita dela sem contar que era parte do seu nome. – em parte não era mentira. Eu realmente tatuara aquilo pela minha mãe, mas achei necessário deixar de fora o sacrifício que foi conseguir fazer uma tatuagem que a tinta não sumisse em pouco tempo.
— É um lindo gesto, mas não sei se teria coragem de fazer uma tatuagem. Eu meio que tenho hematofobia* e de quebra veio o medo irracional de agulhas. Acho que o máximo em que eu me arriscaria seja em talvez por um piercing. – ela deu um meio sorriso tentando passar uma imagem despreocupada.
— Me parece difícil imaginá-la passar mal por algo tão simplório como isso principalmente considerando sua posse de durona. – comentei despreocupadamente. Ela deu de ombros parecendo desinteressada.
— As aparências enganam playboy. – ressaltou ela com uma expressão um pouco sarcástica.
O silencio perpetuou novamente, mas desta vez foi por pouco tempo. Rapidamente pude identificar a correia de borracha presa por algumas polias e tensores, partida ao meio. Meu palpite estava certo afinal de contas. Por isso o carro não apresentou sinais de falha antes, pelo meu amplo conhecimento nesse meio geralmente era desta forma mesmo. Um problema silencioso. Rapidamente eu montei as peças do motor que eu havia tirado para então dar meu veredicto.
— Era o que eu imaginava. A correia dentada se partiu, por isso seu motor parou tão subitamente sem apresentar falhas. Ela apresenta desgaste naturalmente, mas existe algumas coisas que você poderia ter feito para evitar isso como cantar pneu, reduzir a marcha drasticamente, ou dar tranco no motor para fazê-lo pegar. Fez algo do tipo? – questionei limpando minhas mãos de graxa com a flanela que Isabella havia-me disponibilizado. Ela encolheu os ombros parecendo um pouco culpada.
— Já faz mais de quatro meses que eu fiz algo assim. Por que demorou tanto para apresentar problema? – começou parecendo um pouco chateado.
— Essas coisas acontecem mesmo. É um problema meio imprevisível de saber. No entanto pode ter danificado algumas peças internas como as válvulas, pistões, cabeçote e bielas. E para concerto isso pode ficar meio caro. – avisei de uma vez. Ela soltou um palavrão baixo antes de me encara com um semblante cansado.
— Tanto faz. Quem precisa de faculdade mesmo? – questionou de brincadeira embora ela realmente parecesse chateado em gastar tanto dinheiro que seria destinado para a faculdade. – Acha que dá para concertar em quanto tempo?
— Depende de quando eu achar as peças. Vai realmente confiar em mim sobre isso?
— Sim. como você mesmo disse se eu fosse ao Dowling ele me cobraria uma fortuna. Prefiro que você faça isso desta forma eu pago um preço bom mais não tão exorbitante. – explicou-me parecendo convicta. Concordei com um dar de ombros.
Se eu concertasse o carro dela faria de graça, mas se eu informasse minha proposta ela faria birra e ate escândalo. E eu não estava afim de suportar isso. Então terminaria o carro e entregaria para ela, quando a mesma não pudesse protestar por eu estar lhe entregando o carro sem receber. Fechei o capo do carro para então entrar na casa para que eu pudesse lavar minha mão direito.
Vesti minha regata cinza devido o calor intenso. Quando chegasse em casa eu tomaria um banho novamente. Isabella pegou um saco de balas antes de voltar para o sofá, novamente. Aquilo de certa forma me deu uma ideia um pouco diferente.
— Que tal nós brincarmos de eu nunca. Desta forma nos conhecemos melhor, já que vamos ser amigos afinal. – sugeri como quem não quer nada. A verdade é que eu queria saber mais sobre o relacionamento de Isabella com o antigo namorado, principalmente relacionado a família dele, os Cullen’s.
‘’já não bastão que os malditos Cullens fizeram com ela’’ dissera aquele pulguento. Mas o tom que ele usou com eles, parecia que estava nos classificando como iguais, como se eles também fossem vampiros. O que eu não duvidava nem um pouco. Mas essa teoria me deixou curioso se Isabella sabia sobre o segredo obscuro que seu namorado guardava.
Se fosse desta forma ela poderia já saber o que eu sou, afinal ela viu o meu anel de lapis-lazuli. eu não tinha como saber, a não ser se eu a hipnotizasse mais eu não estava disposto a fazer isso. não com ela. eu não queria lhe arrancar informações a força. Essa hipótese me deixou um pouco tenso embora eu tenha disfarçado. Isabella não pareceu perceber minha mudança de humor.
— Eu nunca brinquei disso. – me confessou ela parecendo curiosa e um pouco desconfiada.
— Caramba aonde você vive? Em uma caverna? – eu brinquei, embora já esperasse algo do tipo vindo dela.
— Idiota. Eu não gosto de sair por ai me embebedando feito louca e realizando basbaquices para ser detido. – ela mandou uma indireta, embora parecesse mais direta do que tudo. Estranhamente aquilo me incomodou. Quem ela pensava que era para me julgar? Ela não estava lidando com o pé na bunda melhor do que eu. De qualquer forma não demonstrei ter ficado incomodado com o seu comentário. Em vez disso decidi ignorá-la.
— O jogo é simples. Uma pessoa fala algo que nunca fez, e se outra pessoa tiver feito ela como uma das balas. Se você não tiver feito isso também serei eu a comer a bala. Esse jogo é feito com mais pessoas mas como só tem nos dois eu vou falar primeiro e depois vai você, e assim por diante. Ele geralmente é feito a base de bebidas, mas com você parcialmente doente eu realmente não aconselho fazer desta forma. Por isso estamos adaptando o jogo. E ai topa?
Ela assentiu antes de se sentar no chão de lado para o sofá e de frente para mim fiz a mesma coisa deixando o saco de balas entre nós.
— Ótimo quem sabe, quando você estiver melhor não fazemos isso à moda antiga. – sugeri com um sorriso sacana. Ela me deu um tapa forte no braço, que eu quase não senti.
— Cale a boca e começa logo. – ela meio que me repreendeu com um sorriso nos lábios.
— Tudo bem, então. – concordei antes de me sentar direito. — Okay, eu nunca bombei no teste de direção. – comecei com algo leve mas Isabella me surpreendeu abrindo uma das balas antes de colocá-la na boca.
— Por essa eu não esperava, Swan. Principalmente você que é uma nerd enrustida. – tirei sarro, somente para vê-la irritada. O que não pareceu acontecer, ela só revirou os olhos.
— Fique quieto. Ninguém passa no teste de direção da primeira vez. Só pessoas mutantes como você que com certeza participava de kart antes disso. – falou como se justificasse. Fiz uma cara fingida de que aceitava o seu argumento falho.
— Eu nunca espanquei uma pessoa. – declarou, seus olhos brilhando em divertimento e desafio. Ela sabia que eu havia feito isso e falou justamente para meio que jogar na minha cara. Ela acha que isso era divertido? Ótimo eu pesaria então os critérios ao meu favor. Engoli a bala de morango rapidamente.
— Eu nunca escondi um segredo grave, que não era meu. – agora era a hora de ver se ela escondia algo, como por exemplo o fato do ex-namorado dela ser possivelmente um vampiro. É eu estava roubando, mas ela não precisava saber disso. Bella abriu uma das balas sobre o meu olhar atento e indagador.
— Segredos são como carregar uma ancora. Pesa ao ponto de machucar, mas se largamos... O impacto da queda é muito maior sobre os outros, do que para nos que já estamos acostumados. Algumas pessoas não agüentam. – seus olhos pareciam perdidos, como se de certa forma houvesse uma verdade por entre ela, relacionada a si mesma. Ela piscou algumas vezes antes de parecer voltar ao normal. Suas palavras profundas me instigaram a querer desvendar o mistério que a envolvia.
— Okay, então. Eu nunca fui presa. – ela admitiu dando um sorriso sacana em minha direção. Bufei meio inconformado. Então seria isso? Ela jogaria tudo o que sabia na minha cara? Pensei que ela seria mais esperta para tentar descobrir algo sobre mim.tanto faz. Abri a bala sem expressar qualquer tipo de emoção.
— Mas... – continuou ela. – Já fui parar na delegacia por um crime. Então acho que conta. – Isabella me deu uma piscadela lançando um sorriso conspiratório antes de enfiar uma bala na boca. Isso me surpreendeu e me fez automaticamente retribuir o seu sorriso.
— Eu nunca sofri um acidente grave o bastante para quase me fazer morrer. –desta vez eu queria saber o quão mal os Cullen’s a haviam deixado. Mais na questão física, isso de certa forma poderia me dar a certeza se ela já havia quase morrido por causa deles. Era obvio que eu estava mentindo sobre essa questão, mas ela não precisava saber.
Bella engoliu outra bala sob o meu olhar inquisitivo.
— Foi na primavera passada, há quase um ano atrás de qualquer forma não acho que algo do tipo vá acontecer novamente. – a ultima frase saiu em um tom mais baixo e ela parecia evitar olhar em meus olhos. A sua atitude e renuncia em continuar com o assunto me pareceu prova o suficiente de que sim, os Cullens tinham de certa forma a ver com esse suposto ‘’acidente’’.
— Eu nunca beijei mais de uma pessoa. – confessou tentando voltar com o clima descontraído que parecia estar se dissipando cada vez mais. Desta vez ela parecia querer conhecer mais sobre mim. Abri outra bala o que a fez me encara curiosa.
— Quantas?
— Eu sei lá. Mais de trinta, talvez. – na realidade eu tinha certeza ser muito mais. Afinal, eu anotava os nomes das minhas vitimas em uma porta, não o nome das mulheres que eu beijei ao longo de mais de um século. Se eu tivesse com todos os meus diários aqui poderia chegar a um numero aproximado, mas para agora essa quantidade me pareceu razoável.
— Cara que nojo. Não tem medo de pegar sapinho ou herpes? – questionou-me de brincadeira embora sua repulsa me parecesse real.
— Você fala isso por que só beijou uma pessoa, que provavelmente tinha uma sexualidade duvidosa. – brinquei sem me importar de estar ofendendo esse ex-namorado que me parecia um idiota. Ela pareceu não ligar para isso e riu.
— Okay. Eu nunca fui traída. – revelou seria. Enfiei outra bala na boca sem nem ao menos piscar.
— Isso é serio? Por quem? – perguntou-me parecendo incrédula e chocada.
— A pergunta certa seria quem na me traiu. Meu pai, meu irmão, as duas únicas garotas que eu amei, amigos próximos... Todos me traíram em diferentes ocasiões e maneiras. – minha voz acabou saindo amarga. Ela ainda parecia espantada e até mesmo parecendo com pena. E eu fiquei com raiva disso. Não precisava da pena de ninguém.
— Eu sinto muito. – ela parecia sincera.
— Não sinta. Eu não sinto mais. – falei sem emoção. Era disso que eu tentava me convencer a cada dia que se passava.
— Eu nunca tive o coração partido mais de uma vez. – não me importei que ela estivesse quebrando a regra de um de cada vez. De qualquer forma se eu quisesse que ela me revelasse o seu passado eu teria que contar uma parte do meu. Abri a bala mesmo querendo fingir que isso não aconteceu.
Ela pareceu muito mais espantada com isso também.
— Surpresa? – perguntei um pouco frio.
— Sim. Quer dizer olha só para você! É um garoto perfeito. Bonito, legal embora muitas vezes irritante, gentil. Você é você. É difícil imaginar que o magoaram tanto, aponto de partirem tantas vezes o seu coração. – ela parecia inconformada como se isso fosse um absurdo.
—Todos temos motivos para ser como somos. Você não se transformou em uma pessoa introvertida e anti-social por que gosta, assim como eu não virei esse babaca em busca de loucuras e sexo por que é ótimo. Fomos moldados pelas nossas dores e agora usamos essa capa protetora de garoto problema e miss simpatia para fingir que não nos importamos com o que aconteceu. Tudo isso parecer mais forte. Ninguém gosta de se sentir fraco. – aquelas palavras nunca me pareceram tão verdadeiras. Ela parecia sentia a mesma angustia que eu, pois seus olhos repentinamente estavam mais brilhantes como se ela reprimisse um choro.
— E sabe o que é pior? – continuei com o meu discurso enquanto me levantava do chão, me sentindo um pouco mais leve por finalmente falar com alguém sobre o que eu sentia de verdade. Alguém que me entendia. – Pior do que fingir não sentir nada, é saber que eles estão lá fora vivendo a vida deles enquanto desperdiçamos a nossa tentando esquecê-los. Quer dizer eu tento, você se quer reage para mudar isso. Você não percebe o que esta fazendo com sigo mesma? Quer continuar a vida toda sofrendo por alguém que não se importa? – questionei perplexo, focado demais nos meus sentimentos, pára me importar de estar jogando a verdade em sua cara ou a magoando.
Eu sempre soterrei o que me afetava e me fazia sofrer, que não percebi que isso estava virando uma bomba que parecia ter explodido nesse exato momento. A adrenalina corria pelas minhas veias, e eu estava muito bem com isso como se pela primeira vez em anos eu pudesse respirar normalmente. Foda-se tudo. Eu passara a me importar com Isabella, o bastante para querer que ela reaja a alguma coisa e não continuasse vivendo como uma boneca de trapos.
Por que ela não fazia nada? Eu pelo menos estava fazendo, mesmo que estivesse lidado com isso de uma forma errada, eu não me importava. Vivi tempo demais me comportando como um bom garoto, fingindo que nada me atingia. Eu estava cansado de mentir para mim mesmo. Queria agir de forma inconsequente e estúpida, agir como um idiota mas pelo menos demonstrar como eu estava me sentindo.
Dane-se o que pensassem de mim, eu estava vivendo, mesmo que julgassem da maneira errada.
— Você acha que eu gosto de sentir toda essa dor e magoa? Acha que eu gosto de agir desta forma? – questionou parecendo furiosa. Seu rosto e pescoço ficando vermelho. Enquanto ela se levantava empurrando-me para traz. – Não é fácil lidar com isso! E tudo o que eu menos preciso neste momento é de você agindo como a porra de um psicólogo, Okay? Até por que sua situação não é melhor que a minha. Você bebe e transa para esquecer uma garota que o deixou provavelmente bem pior do que eu. É por isso que quer tanto me ajudar? Para tentar curar alguém já que não consegue ajudar a si mesmo? O que eu verdadeiramente sou para você? Um joguinho para ocupar a mente e não enfrentar a sua própria realidade?– gritou ela, desabafando, Ela parecia muito irritada, suas mãos tremiam levemente e sua respiração saia ruidosa. Ela parecia a ponto de me esganar, mas aquilo não me intimidou.
Suas palavras me fizeram serrar os punhos, nervoso. Mas me forcei a ficar calmo, me lembrando de que ela era humana e provavelmente não sobreviveria caso eu quisesse extravasar minha raiva. Eu não devia ter tomado sangue humano antes de vim, tinha certeza que minhas emoções estavam assim também por conta dele. Nós, vampiros, temos tudo ampliado. Visão, olfato, paladar e até nossas emoções. Mas o sangue humano também ajuda a potencializar isso, assim como ele nos deixa mais ''forte'' que o sangue animal também nos deixa mais sensíveis, por assim dizer. e isso era uma droga.
Puxei meus cabelos tentando me trazer um pouco da razão de volta antes de me voltar para ela com uma falsa expressão de serenidade.
— Talvez seja verdade. Talvez eu esteja usando você como pretexto para não lidar com minha própria situação. – admiti contra gosto, dando um passo para frente evidenciando nossa enorme diferença de altura. – Mas o que você espera vivendo assim? Acha que ele vai voltar para você? Sinto muito te decepcionar mas ELE NÃO VAI! – gritei lentamente vendo-a estremecer quando a realidade batia em seu rosto. – Acha que vale a pena continuar vivendo como se estivesse morta para alguém que não da à mínima? Pois bem, que continue! Eu me comprometi a lutar para te ajudar mas não consigo com você mesma me atrapalhando. Talvez seja de uma forma imprudente e impensado mas eu estou vivendo, não estou deixando que o tempo passe por mim sem fazer nada. – expus sem me importar. Tudo me parecia um pouco sem sentido para mim e estranho.
Eu tentava me aproximar dela, mas a cada passo que eu dava em sua direção, ela dava cinco para trás, era muito exaustivo estar perto dela. Suas mudanças de humor sempre me confundiam e deixava-me hesitante, eu nunca sabia exatamente o que podia falar com ela sem que a mesma tivesse um ataque de raiva.
Ela era diferente de todas as mulheres que eu já conheci, talvez por isso me parecesse tão fascinante. Eu queria desvendá-la, descobrir a verdadeira garota por trás da mascara e não ter somente pequenos vislumbres da mesma. Eu queria conhecer a verdadeira Isabella Swan por de trás miss simpatia. Queria mais do que isso, queria que ela ficasse bem por que eu passara a me importar com ela.
Caroline tinha razão eu estava me apegando demais a ela, eu deveria me afastar. Pelo menos até pensar com clareza sobre o que eu estava fazendo e resolver a situação com os lobos. Seria o melhor, afinal eu nem sabia se sairia vivo desse embate, era melhor que ela não se apegasse a mim. Eu não era exatamente uma boa pessoa, embora tentasse mais do que tudo ser.
— O que diabos você quer que eu faça? – perguntou-me parecendo cansada e um pouco desesperada. Algumas lagrimas vazavam de seus olhos e isso fez meu coração se apertar.
Eu gostava de ver ninguém chorando, principalmente Isabella, que me parecia ser durona o bastante para não chorar na frente de ninguém. Mas era bom que eu fizesse isso agora, ela precisava de um choque de realidade para perceber que nada ia mudar se ela continuasse se fechando para o mundo. Ela precisava seguir em frente assim como eu estava tentando. Não importa se errasse, uma hora nós dois iremos acertar.
— Eu não tenho que querer nada, você tem. Eu sei que dói muito, mas não nos resta escolhas se não continuar com a nossa vida. Você quer continuar aqui se martirizando? Sem que ele de a mínima? Reaja! E eu não estou pedindo isso só para ter algo com o que ocupar meu tempo. Mas sim por que passei a me importar com você e me dá agonia vê-la se afogar cada vez mais em magoa. Quando decidir o que quer me diga, mas saiba que estarei aqui para te apoiar independente do que decidir. Por que eu já me sinto seu amigo. – informei gentilmente, embora mantivesse minha expressão seria.
Ela me olhou por baixo dos cílios enquanto limpava as lagrimas do rosto com as costas da mão, feito uma criança pequena. O que me surpreendeu foi ela se atirar em mim, rodando os braços na minha cintura e afundando o rosto no meu peito. Ela não parecia uma pessoa que demonstrava sentimentos tão abertamente.
Um pouco atordoado com sua atitude eu demorei alguns segundos antes de reagir rodeando meus braços nas suas costas e apoiando me rosto em seu cabelo com um cheiro fraco e doce de xampu de camomila. A sensação era extremamente confortável e agradável, me fez suspirar e me acalmar quase instantaneamente. Ela parecia tão pequena dentro do abraço que quase sumiu.
Eu era um tremendo filho da puta mesmo e não sentia nem um pouco de remorso por isso. Caroline tinha razão em dizer que eu era manipulador, afinal não fora isso que eu acabara de fazer? manipulei Isabella para que não ficasse com raiva de mim, por uma coisa estupida que eu comecei. Eu não era uma boa pessoa, só tentava me convencer que era. Talvez eu nunca tenha sido o mocinho, afinal.
— Obrigada, acho que ninguém foi tão compreensivo assim comigo. Obrigada por me entender. – disse ela ao se afastar, parecendo um pouco mais recomposta.
— Tudo bem. Escuta, tem como você conseguir outra carona para amanhã? É que eu vou para Seattle resolver alguns assuntos e já vejo algumas peças para o concerto do seu carro. – a ultima parte foi adicionada para que ela não pensasse que eu ainda estava com raiva dela,e de fato não era totalmente mentira. De qualquer forma eu precisava de um motivo para justificar a minha falta no dia seguinte e esse me parecia um bom álibi.
— Okay. – concordou ela em um sussurro parecendo até um pouco aliviada, embora não olhasse nos meus olhos. Ela parecia envergonhada pela sua pequena demonstração de afeto comigo, e talvez até mesmo por mostrar fraqueza na minha frente, já que ela sustentava aquela imagem de durona.
— Por que não trocamos os telefones? Você disse que não tinha o meu. – lembrei-me de repente. Ela assentiu passando-me o seu celular enquanto eu passava o meu para que ela pudesse gravar na memória do celular.
Assim que destrocamos ficamos um pouco sem graça e sem saber o que dizer. Enfiei as mãos nos bolsos, enquanto ela coçava a cabeça em um claro sinal de desconforto. Olhei meu relógio de pulso vendo que eram quase 15hs. Se eu realmente fosse para Seattle para conseguir acônito eu precisava sair agora já que era mais de três horas de viagem de carro só de ida.
— Eu preciso ir agora. Arrumar algumas coisas... – dei de ombros, não me importando se a resposta era vaga demais.
— Tudo bem. – disse ela e fez questão de me levar até a porta depois que peguei a jaqueta.
— Bom... Nos vemos depois. – me despedi já na soleira da porta.
— Tchau e obrigada mais uma vez, por me fazer companhia. – disse ela colocando o cabelo que caia no rosto atrás da orelha, parecendo muito tímida.
Esperei ela fechar a porta antes de entrar no carro e tentar me prepara psicologicamente para o que estava por vir. Eu precisava ser calculista nesse momento. Essa garota parecia se tornar dependente de mim, e eu não a abandonaria porque uns projetos de lobos estavam me ameaçando. Acelerei o motor cronometrando um tempo estimado para chegar a Seattle de três horas e meia.
A temporada de caça começou, pensei comigo mesmo. Pois bem, que vença o melhor.
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