Begin Again - Lost Stars
8 Dog Days
Notas iniciais
Stefan Salvatore
Eu fiquei imensamente satisfeito por não precisar rodar muito a cidade para encontrar uma loja de jardinagem. O sol começava a se por atrás dos grandes edifícios de Seattle, deixando o céu em uma mescla de degrades entre as cores azul cerúleo e vermelho alizarina. O sino tocou, anunciando a minha entrada assim que passei pela porta do pequeno estabelecimento.
O cheiro de ervas e plantas era forte e concentrado disfarçando um pouco do cheiro de incenso. A decoração do lugar misturava quadros de Bob Marley e Che Guevara, sem contar, é claro, as bugigangas feitas a mão. Isso definitivamente me fez perguntar mentalmente se o proprietário da loja não seria um Hippie. Eu realmente não me surpreenderia se ouves se venda de maconha no estabelecimento, até porque isso parecia ser liberado para usos ’’medicinais’’ em nosso país.
Antes que eu ficasse entediado o bastante para analisar algumas das bugigangas ou as plantas exóticas que ali se dispunham, uma mulher apareceu após atravessar uma cortina de miçangas, que dividia a loja em si de outro cômodo. Ela parecia estar nas casas dos trinta anos, embora não tivesse rugas visíveis. Os cabelos castanhos longos estavam um pouco bagunçados presos por dois fios de cabelos que deixavam seu rosto amostra, um único brinco de penas na orelha.
Usava um vestido longo e de tecido leve e estampa simples predominando a cor bege puxado para o rosa. Sem falar nos vários colares e pulseiras feito de couro e lã. Ela era muito Hippie. Eu não tinha nada contra eles na verdade, eu até curtia um estilo assim nos anos 70, onde praticamente tudo era liberado, mais foi um período bem curto e passageiro. Meu estranhamento talvez seja por que eles eram avessos a guerra e violência, algo que era muito instintivo para um vampiro, por isso essa minha ‘’onda’’ não durou muito.
Ela se aproximou de mim com um sorriso cordial nos lábios, os olhos cor de âmbar brilhando de um jeito estranho. Que fez com que eu ficasse atento, meu instinto gritando perigo.
— Olá. Meu nome é Aiyra. Como posso lhe ajudar? – perguntou-me ela, a voz delicada porem firme.
— Oi. Estou procurando por mudas de orquídeas, tulipas, acônitos, samambaias e avenca. O cachorro do meu vizinho fez uma bagunça no meu jardim, e agora eu estou tentando arrumá-lo. Algumas das plantas foram completamente estraçalhadas por isso vou plantar outras. – disse com convicção.
Mentir era tão fácil para mim quanto respirar, afinal de contas eu não poderia revelar certos fatos para os humanos sem que eles pensassem que eu fugi do hospício ou ficassem aterrorizados. Eu fazia isso constantemente e de uma forma tão verídica, que as pessoas acreditavam facilmente.
Provavelmente deveria me sentir um pouco mal mas eu não sentia.
O que algumas pessoas provavelmente não sabem é que verbena assim como acônito são plantas utilizadas ornamentais geralmente usadas para embelezar o quintal. É incrível como plantas tão perigosa para a nossa espécie era fácil de encontrar.
A mulher me deu um sorriso educado que me pareceu duro demais, antes de responder.
— Sim é claro. No entanto só obterá minha ajuda se me contar a verdade, caso contrario posso julgá-lo como uma ameaça, o que não seria bom para – alertou-me em um tom que se assemelhava muito a uma ameaça.
E antes que eu pudesse ter qualquer tipo de reação premeditada pude sentir uma pontada aguda na cabeça como se estivesse destruindo-me de dentro para fora. E de certa forma estava, ela me causava um aneurisma. Eu literalmente podia sentir os vasos sanguíneos da minha cabeça se partirem ao mesmo tempo em que ela parecia retardar meu processo de cura acelerada.
Ofeguei colocando as mãos na cabeça como se de alguma forma pudesse comprimir a dor até ela desaparecer. Mas a cada segundo que se passava ela parecia aumentar de intensidade, incapacitando-me de ter qualquer tipo de reação. Eu me sentia fraco como se todos os músculos do meu corpo pesassem toneladas e tive que fazer um esforço para me manter de pé, assim como eu sentia náusea e dor nos olhos.
Uma bruxa, eu conclui com o resquício de racionalidade que me sobrava. Como se o meu dia não pudesse piorar. Minhas pernas cederam fazendo com que eu caísse de joelho a sua frente enquanto ela se aproximava. Minha visão era turva e dobrada mas pude ver que naquele momento ela estava com a mão levantada em minha direção. Eu tinha mesmo uma má sorte dos infernos. Qual era a remota possibilidade de isso acontecer com alguém como eu?
Puxei meus cabelos sentindo a dor praticamente segar todos os meus sentidos, minha voz parecia presa e eu sentia como se cada vez mais estivesse perto da inconsciência, no entanto busquei fazer um esforço para pronunciara à verdadeira versão já que me parecia à única forma de sair ileso ou com vida.
— Preciso... Acônito... Lobos... Chance... Sair vivo. – consegui exprimir com o resto do meu fôlego, sentindo meus pulmões arderem enquanto o ar parecia se tornar rarefeito. A frase na verdade era para sair como algo do tipo ‘’ Preciso de Acônito para obter vantagem em um embate contra os lobos e ter uma chance de sair vivo’’.
Ouvi passos baixos se aproximarem, antes de sentir um toque quente no meu rosto, para instantes depois a mão deixar meu rosto. Respirei fundo sentindo minha regeneração acelerado fazer o seu trabalho, agora sem nenhuma interferência, meus sentidos voltando ao normal a cada segundo. Respirei fundo algumas vezes mais antes de me apoiar sobre as pernas, tentando recuperar o fôlego. Olhei para ela que me encarava seria com os braços cruzados.
— Por que me libertou? – questionei curioso do por que ela ter confiado de que eu falei a verdade, quando na primeira vez eu menti. Ela abriu um sorriso sincero e aparentemente verdadeiro que me fez ficar desconfiado de suas intenções.
— Por que você disse a verdade. Eu sempre sei quando mentem para mim. Sem contar que você me parece uma boa pessoa, eu pude sentir em sua aura. – disse ela com simplicidade enquanto eu levantava quase totalmente recuperado. Então essa bruxa sente ou vê auras?
Bom para falar a verdade não me surpreendeu muito. Algumas bruxas têm uma característica marcante antes de terem seus poderes despertos, que se desenvolvem em uma determinada habilidade quando sua aptidão sobre a magia se aflora. Como Bonnie que antes era muito sensitiva e depois de descobrir sua capacidade para a magia, desenvolveu o poder da precognição, sendo capaz de ter lapsos do futuro.
— Pode ter sentido em minha áurea que meus sentimentos são verdadeiros, mas esta errada quanto a eu ser uma boa pessoa. – afirmei lembrando-me melancólico de todas as coisas que fiz de ruim ao longo da minha eternidade monótona.
Ela deu um sorriso misterioso antes de começar a andar pelas diversas prateleiras repletas de lagos vasos com plantas de todos os tipos. Curioso, eu a segui.
— Sua aura tem muitas nuances violetas, o que é bem raro de se encontrar em pessoas. Essa cor representa um equilíbrio espiritual, altruísmo. São pessoas que conseguem transformar sua dor em algo bom, então você com certeza não é ruim, querido. Deveria se dar um pouco mais de credito. – disse sem me olhar, enquanto parava em uma prateleira repleta de plantas de caules altos e flores de uma cor vibrante de amarelo. Acônitos.
— Não acho que mereço tanto. – respondi um pouco sem jeito, enfiando as mãos no bolso. Eu sabia que havia feito merda o suficiente na vida para chegar a ser considerado uma pessoa boa, mas eu tentava ser isso a cada dia que se passava.
— Certa vez li em um livro que algumas pessoas aceitam o que acham que merecem, tanto no amor como em outra situação. Suponho eu que isso se aplica as vampiros também. – disse ela me lançando um olhar inquisitivo por cima dos ombros. Sua resposta me deixou sem fala e me fez pensar se eu não estava fazendo isso, aceitando situações por que achava que merecia depois de tudo que havia feito, como uma autopunição.
Ela voltou sua atenção novamente para o vaso de plantas, enfiando suas mãos por debaixo da terra e puxou algumas mudas da planta com raízes bulbosas para depositar em um vaso de argila médio, que ela provavelmente havia conjurado. Aiyra pareceu ter todo um cuidado especial com planta, às vezes eu me esquecia o quanto as bruxas eram ligadas a natureza.
Desviei os olhos observando as plantas nas demais prateleiras, todas de espécies exóticas algumas das quais eu se quer sabia o nome. Uma delas em especial me chamou a atenção, embora não lhe houvesse detalhes muito atrativos. Não possuía muitas folhas e seus caules eram longos, sendo suas flores minúsculas de uma cor rosa, chamativa, e amontoadas em cachos como se fosse um dente de leão.
Pude sentir meu corpo tendo uma aversão automática a mesma enquanto eu forçava minha mão a tocar em um pequeno punhado das flores Senti minha pele queimar nas pontas dos dedos como se milhares de agulhas em brasa a atravessassem, me fazendo recuar imediatamente.Verbena. Era tão irônico que aquela planta tão bonita e lustrosa pudesse nos machucar com a potencia dos raios solares.
Ponderei por um momento, e de repente a ideia de adquirir aquilo não me parecia tão insana. Eu já tinha tido experiência com ela por conta do método de mitridatismo, para me tornar imune a compulsão causada pelos originais, sem contar que era um ótimo método para torturas, afinal eu não sabia se no futuro teria alguma complicação com outro vampiro. Quando se tem uma vida como a minha é bom estar preparado para tudo.
Toquei no ombro de uma Aiyra distraída gesticulando para prateleira ao lado assim que se virou. Ela pareceu entender meu recado mudo por que em seguida colocou uma muda da planta indicada em outro vaso de argila. Permaneci em silencio um pouco desconfortável pelo que havia acontecido na pequena loja. Felizmente ela pareceu perceber que as demais flores citadas anteriormente fazia parte da minha mentira então não precisei iniciar uma conversa desnecessária.
Ela levou a mercadoria até o caixa onde me passou o preço e eu paguei sem me importar, para falar a verdade eu queria sair o mais rápido possível, não gostava de ficar no mesmo cômodo que um inimigo após uma experiência de quase morte. Se bem que ela havia deixado claro que não me via como tal, mesmo assim estava com um pé atrás com relação a ela. Aiyra não parecia ser exatamente uma pessoa muito sensata, mas era irônico dizer isso considerando quem eu sou.
— Esse dia tem se tornado cada vez mais estranho, mas tenho o pressentimento de que ira piorar. De qualquer forma obrigado por tudo. A propósito meu nome é Stefan. – falei meio que em despedida, eu sentia que ao menos deveria me apresentar corretamente. Ela me entregou uma sacola de plástico sorrindo de forma gentil.
— Não se preocupe tenho certeza de que tudo ocorrera bem. – tentou me tranquilizar, vendo-me um pouco tenso.
— Assim espero. – forcei um meio sorriso antes de me virar para ir embora apertando com porca a alça da sacola com o emblema da loja.
— Sinto que iremos nos encontrar novamente. – a ouvi dizer enquanto passava pela porta do estabelecimento, mas não respondi.
O ar era gelado lá fora a ponto de a minha respiração ser visível em vapor branco. No céu negro e sem lua quase não havia estrelas. Se eu tivesse sorte Aiyra poderia estar certa, afinal eu já tinha um critério a meu favor. Com esse pensamento rumei até meu carro vendo alguns estabelecimentos fecharem. O caminho até em casa foi longo e silencioso, eu estava tenso demais para ouvir qualquer musica que pudesse me distrair.
Eu precisava pensar com clareza e racionalmente para não cometer uma besteira. Eu estava muito nervoso, um lobisomem já se era difícil de lidar, imagine uma alcatéia. Eu precisava ser muito cuidadoso com o que faria se quisesse sair ileso. Cheguei a casa faltando duas horas para meu ‘’compromisso’’. Não me preocupei em tomar outro banho, não é como se meu cheiro fosse ficar melhor para eles, mas eu faria isso se chegasse em casa.
Tirei os dois vasos deixando e de verbena sobre a mesa enquanto arrancava um pouco das raízes tuberosas e os frutos que já estavam maduros do acônito. Desta forma a substancia iria ficar mais concentrada. Eu Tinha certeza absoluta que a quantidade que eu peguei era mais do que dez gramas, sendo esta considerada uma dose fatal para qualquer pessoa, sendo ela lobo ou não.
Coloquei o resto que sobrou no vaso junto ao outro na mesa, para depois lavar e cortar em pequenos pedaços para que pudesse ser absorvido melhor e então levei ao fogão junto a água para ferver. Eu havia refletido sobre minha abordagem durante todo o caminho até Seattle e, definitivamente, eu não podia ter alguma arma ao meu alcance ou eles veriam esse ato como uma ameaça.
Por isso o meio mais viável que o veneno estivesse na minha corrente sanguínea, só desta forma eu poderiam garantir que eles não me machucassem sem sofrer uma reação, como na terceira lei de Newton. Era obvio que aquilo não ia me matar, mas não quer dizer que eu não sofresse alguma espécie de efeito colateral. De qualquer forma eu diluiria com sangue humano, isso me deixaria mais forte e potencialmente iria amenizar qualquer tipo de efeito colateral.
Deixei uma hora no fogo até que formasse um liquido verde amarelado, com um cheiro forte e enjoativo. Joguei os pedaços ressecados e úmidos que sobrou no fundo da panela fora, para depois colocar o liquido em um copo transparente. Fui até minha geladeira pegando duas bolsas de sangue que eu acho que seria o suficiente.
Despejei o liquido escarlate e vistoso dentro de um grande copo. Não tinha um cheiro tão bom quanto o de manha que ainda estava morno da recente retirada, sangue coagulado não era muito bom. Mas ainda era mais atrativo que sangue animal, de certa forma esquentá-lo deixaria um pouco mais apetitoso. Depois foi só misturar os dois líquidos juntos e estava pronto.
Observei o copo por um instante não tendo a mínima vontade de bebê-lo, Tinha um cheiro repugnante mesmo estando misturado a sangue, eu sentia como se fosse vomitar. Vamos lá Stefan! Você já passou por coisas piores do que isso. Tentei me auto-encorajar, embora não tenha dado muito certo. Tranquei a respiração e bebi em um átimo, buscando não pensar muito sobre o que estava fazendo. Boa parte do nosso paladar vinha também da capacidade do olfato.
Engoli o liquido encorpado sentindo-o descer de forma lenta pela minha garganta. Bebi boa parte da mistura antes de precisar parar para recuperar o fôlego. O gosto amargo na minha boa me deixou enjoado, fazendo me tossir compulsivamente com a sensação de que havia algo preso a minha garganta. Respirei fundo novamente antes de beber o resto do copo, para acabar de uma vez com aquela sensação desagradável.
Poucos segundos depois, uma tontura me atingiu como uma espécie de pressão atrás da cabeça, fazendo com que eu precisasse me apoiar em uma das cadeiras que cercavam a mesa. Meu corpo todo parecia sofrer espasmos enquanto minha visão pareceu ficar embaçada, meu coração batia em um ritmo extremamente rápido, como se eu estivesse tendo um ataque cardíaco. Respirei fundo mais algumas vezes, mas o ar que eu puxava não parecia ser o suficiente.
Esse parecia ser alguns dos sintomas da intoxicação, e eu realmente não esperava que tivesse esse efeito em mim, mas de certa forma essas reações não eram consideradas tão alarmantes como as outras. De qualquer jeito o Maximo que aquela substância poderia fazer comigo era me deixar ‘’ morto’’ temporariamente por algumas horas.
O que seria meio ruim devido ao meu compromisso inadiável dali a mais ou menos uma hora, e possivelmente aqueles vira-latas veriam minha falta de presença do como eu os tivesse desafiando de forma arrogante. Ai sim, eles teriam um motivo mais do que bom para esquecer qualquer tipo de abordagem diplomática.
Foi exatamente por esse motivo que me forcei a ficar consciente enquanto, sentia o veneno tentando me matar aos poucos enquanto minha cura acelerada restaurava os danos. Não demorou muito para que eu me sentisse melhor assim que o efeito do mata-lobos passou.Em grande parte graças ao pequeno ‘’transplante’’ de sangue AB negativo, que tinha um gosto muito bom diga-se de passagem.
Pisquei algumas vezes até que minha visão se ajustasse melhor para então olhar as horas no meu celular, vendo os ponteiros marcar quinze para a meia noite. Ótimo se fosse correndo poderia fazer o veneno circular com mais rapidez pela minha corrente sanguínea junto a adrenalina, ela sempre me fazia raciocinar com mais agilidade. Sai de casa sentindo o ar frio da noite tocar meu rosto, como se fosse uma caricia.
Olhei para os dois lados da rua como se para garantir que ninguém estava me seguindo e parti para a floresta que dava para trás da minha casa. Velhos hábitos nunca mudam. A mata estava silenciosa, como se os animais estivessem sentindo a tensão que se formava e não quisessem ficar no meio do fogo cruzado. Bom eles estavam certos em se esconder, o que ocorreria não seria nada bonito.
Após alguns minutos adentrando cada vez mais a vegetação selvagem, eu parei. O projeto de chihuahua havia dito que eu só precisaria seguir seu cheiro para encontrá-los, então era só encontrar o rastro de seu fedor e voilá. Fechei os olhos por um instante, deixando que meus instintos se aflorassem, focando-me especificamente no olfato aguçado.
Logo pude sentir diversos cheiros misturados, alguns com a mesma característica forte que definia seu parentesco com os licantropos. Esses cheiros em especifico me fez franzir o nariz em repulsa pelo cheiro desagradável. Pelo menos eu estou no caminho certo, pensei comigo mesmo. Eles haviam seguido para o oeste então era por ali que eu deveria ir.
Corri com a minha velocidade natural atravessando a floresta como um borrão embora continuasse a enxergar nitidamente cada detalhe. Não cheguei a alcançar exatamente a reserva Quileute pois o rastro parou em um determinado ponto. Foi então que eu percebi que me encontrava em uma espécie de clareira com um formato torto circular. A grama que crescia era irregular e rasteira.
Eu podia identificar seus corações batendo em um ritmo muito mais acelerado do que de qualquer outro humano, embora não pudesse identificar suas formas exatas, encobertas vegetação e o breu que cercava aquele campo. Ajeitei minha postura, ficando mais rígido e cruzando os braços atrás das costas como um soldado militar.
Aos poucos passos se tornaram auditivos para mim, o som de cascalhos sendo esmagados alguns mais altos do que outros o que me fez ficar em alerta, mas somente cinco figuras se tornaram visíveis para mim a luz da lua. Somente três tinham aparência humana. Oh merda! Foi à única coisa que pareceu me vir à mente naquele momento.
Reconheci Sam no meio da formação assim como Jacob Black do seu lado direito e outro cara da qual eu não conhecia no lado esquerdo. Os três no centro vestiam bermudas puídas, os pés descalços e os músculos do abdômen visíveis sem a camisa para cobrir. Isso me deixou um tanto desconfortável, por que eles eram praticamente desconhecidos e não tínhamos qualquer tipo de intimidade tal como teriam amigos ou irmãos para se portar desta forma em frente à outra pessoa.
Mas não foi isso que me chocou mas sim os dois enormes lobos que serviam de lanças para aquela formação em vê tal como o de pássaros ou levantar voo. Eles eram maiores do que qualquer tipo de lobisomem que eu já tivesse lidado antes, seus tamanhos se assemelhavam a de um cavalo. O que servia de ponta direita possuía o pelo castanho médio que escurecia na região dos olhos e focinho. A cor clareava na região do pescoço em um tom caramelo.
O outro tinha uma pelagem que misturava cinza claro e branco, tendo alguns detalhes em preto como ao redor do rosto, lembrando vagamente um husky siberiano. Os dois tinham uma postura cautelosa, andando um pouco mais atas como se fossem guarda costas. Suas posturas não eram ofensivas mas isso não fez com que meu temor diminuísse, embora eu tenha tomado o cuidado para não revelar isso.
Uma das principais regras de combate era nunca deixar o inimigo saber que você o teme, por que ai sim ele dará um motivo mais que o suficiente para você temer-lo. Eles definitivamente não eram lobisomens.
O grupo parou de andar ficando alguns metros de distancia de mim, como por precaução. Sam decidiu ser o primeiro a tomar a palavra, sendo ele provável alfa do bando.
— Então, pelo que eu soube você se mudou para cá recentemente. Nossa matilha é protetora da reserva e não permitimos que ninguém da sua espécie se alimente nas proximidades, por isso devemos estabelecer normas de convivência para que não ajam desentendimentos com relação a sua área de caça. – informou-me ele monocórdio, mas eu tinha que admitir que estava com dificuldades de levar um cara semi-nu a serio.
— De fato. Eu realmente não quero confusões, não sabia que havia uma alcateia dona dessas terras até o momento em que aquele ali me confrontou na casa dos Swan’s. – admiti escondendo um sorriso de deboche, enquanto apontava para Jacob. Sam olhou para seu lado direito, mandando um olhar meio que repreensivo para o moreno que me fuzilou com os olhos. Eu somente esbocei um sorriso sarcástico para o mesmo.
— Jacob agiu de uma forma errada e eu peço desculpas por seu ato grosseiro e impensado. – disse Sam de forma controlada.
— Desculpas aceitas. Mas espero que entenda que eu fiquei um tanto irritado com o fato dele vir me ameaçar, como se tivesse algum direito sobre a minha vida pessoal. Eu estava no direito de me defender adequadamente, mas não o fiz pelo risco de exposição. Quero deixar claro que se algo desse tipo voltar acontecer não serei tão tolerante só por que um garoto não sabe controlar seus ciúmes infantil. – falei com uma com simplicidade e um olhar desafiante para o Black.
— Isso por acaso é uma ameaça? – perguntou-me ele dando um passo a frente, em afronto.
— Isso é um aviso. Eu não aceito que se metam na minha vida pessoal e muito menos que tente me ameaçar, cachorro. Então é melhor cuidar da sua vida antes que fique sem ela, e acredite se me provocar de novo nem seu líder vai me parar até que eu tenha seu coração nas minhas mãos. – retruquei entre dentes, inclinado um pouco minha cabeça para o lado e também dando um passo a frente.
— Jacob... – o tom do alfa foi de aviso.
— Por que diabos estamos conversando com ele, afinal? Esta claro que ele é o sanguessuga que matou os mochileiros. Ele matou em nossas terras e deve pagar. – disse ele agora se voltando para o líder em indignação.
Essa nova informação me deixou surpreso e um pouco irritado, por eles automaticamente colocarem a culpa em mim, mas não disse nada, eu não devia satisfação a ninguém. A verdade era que eu estava um pouco a fim de dar umas porradas naquele vira-lata.
— Ele tem razão, Sam, não acha muita coincidência que três mochileiros tenham sidos mortos perto da trilha e encontrados sem nem um pingo de sangue, quando um maldito vampiro se muda a menos de um mês para cá? – ressaltou o outro moreno ao seu lado.
— Não se meta Paul. – disse Sam ao outro.
— Escute o seu líder, lobinho, antes que acabe se dando mal. – avisei serio,com raiva por um cara qualquer achar que tem o direito de me acusar como eu tivesse feito algo de errado.
— Cuidado com o que fala, parasita. Eu não sou tão idiota como Jacob para deixar que me ofenda. – avisou o tal de Paul. Arqueei a sobrancelha, o olhando de cima abaixo com desprezo, ele não era mais alto que eu, embora tivesse mais massa muscular.
— Eu supostamente deveria sentir medo de você? Por que acredite, eu já enfrentei coisas mais ameaçadoras do que um pirralho que mal saiu das fraudas. – provoquei em escárnio dando outro passo para frente em uma postura ofensiva. O garoto começou a tremer fechando as mãos em punhos, enquanto parecia tentar se controlar.
— Paul se acalma. – Sam ordenou se voltando para ele. O mesmo balançou a cabeça como se tentasse se concentrar no comando. – E você tente não nos provocar, estamos tentando ter uma conversa civilizada aqui mas não dá com você fazendo isso.
— Estou tentando ser diplomático, mas não tenho culpa que seus colegas não sabem quando calar a boca. Não vou ficar vendo eles me ofender gratuitamente. Eu sinceramente nem deveria ter vindo aqui, não devo satisfação há ninguém muito menos a vocês. – retruquei sem olhado-lo, os meus olhos focados em Paul que também me encarava com o maxilar trincado ainda tremendo levemente.
Relaxe, Stefan. É o sangue humano falando por você, ele potencializando seus sentimentos. Você não quer arrumar briga com essa matilha. Disse a parte racional da minha consciência, mas eu ignorei me deixando guiar pelo calor da raiva momentânea. Os dois lobos que ali presentes soltaram um ganido e rosnaram para mim, o focinho recuando e deixando os dentes afiados como adagas a mostra.
Estreitei os olhos deixando que um rosnado animalesco escapasse por meu peito, em um claro sinal de alerta. Sam direcionou sues olhos aos lobos, parecendo dar um comando silencioso por que os dois recuaram. Logo depois ele me olhou soltando um suspiro cansado e balançando a cabeça, dando a entender que apesar da minha ultima frase eu estava certo em me defender. Respirei fundo dando um passo para traz também antes de me voltar ao líder.
— Escute, eu realmente não quero confusão. Mudei-me para essa cidade para esquecer coisas do passado e recomeçar novamente. Mas isso não quer dizer que deixarei passar em branco esse tipo de situação, eu não tenho estomago forte o bastante para isso. Eu não fiz nada de errado desde que cheguei à cidade, então não acho que tenham o direito de me acusar de algo que não fiz. – expliquei com rispidez alternando olhares entre ele e o resto do grupo.
— Mentiras e mais mentiras! Sua espécie faz isso com uma naturalidade que me enoja! – cuspiu Paul sem se conter, com um meio sorrisos sarcástico.
— Cale a boca Paul. – Sam mandou olhando para o mesmo com um olhar repreensivo.
— Quem você pensa que é para falar desta forma comigo? – questionei raivoso entre dentes. Aquele garoto estava me irritando profundamente.
— Vai me dizer que não matou ninguém desde que chegou aqui? – perguntou meio que me desafiando a dizer o contrario. Eu fiquei em silencio por que estaria mentindo ao dizer que não havia feito isso, então ai sim ele estaria certo em me chamar de mentirosos.
— Viu? De que mais provas você precisa para saber que foi ele que matou aquelas pessoas inocentes? – questionou agora Jacob, tentando apoiar o amigo. Ele deu um sorrisinho vitorioso de lado que me fez trincar os dentes. Eu odiava aquele moleque, aposto que estava torcendo para o seu amigo me dar umas porradas, por isso colocava mais lenha na fogueira.
— Calem vocês dois a boca isso não prova nada. – Sam mandou exaltando a voz. Os lobos ao lado pareceram ficar um pouco inquietos com essa discussão embora não tenham feito nada.
— A minha vida pessoal não é da conta de nenhum de vocês! Se eu matei ou não pessoas, isso não é da sua conta já que não fiz nas proximidades da reserva. Então parem de achar que tem o direito de saber sobre tudo da minha vida, por que eu não dou justificativas a ninguém inclusive para cachorros que acham que são lobisomens. O que eu faço ou deixo de fazer só diz respeito a mim! – Grunhi sem me importar com as conseqüências do meu ato em si. Puxei o ar com força como se pudesse me acalmar ao fazer isso.
— Vai deixar que esse sanguessuga fale conosco desta forma? Que espécie de alfa você é? Ele esta manchando a nossa honra! Somos os protetores da tribo, deveríamos estar punindo esse desgraçado por ter matado em nossas terras e não aqui discutindo com esse assassino. – insistiu o Black, parecendo incrédulo e raivoso, como um verdadeiro cão espumando de raiva.aquilo de certa forma me pareceu uma afronta ao seu líder como se duvidasse de sua capacidade de conduzir o bando. Pelo olhar que Sam lançou ao Black, minhas suspeitas não eram tão sem fundamento.
— Chega, Jacob! Cale a boca e fique quieto. – aquilo foi uma ordem direta do alfa e como se sentisse a pressão da ordem, Jacob curvou a cabeça como se estivesse sendo obrigado e recuou um passo fazendo uma careta e bufando. Sam se voltou agora para mim como se eu fosse um alvo em potencial, estreitando os olhos e dando um passo a frente. – O que quer dizer com’’ cachorros que acham que são lobisomens’’?
Ele parecia curioso embora não tivesse certeza se eu havia sido sarcástico ou revelado um detalhe sem prestar atenção. E era exatamente a ultima alternativa que eu havia feito no momento de pressão. Resolvi que deveria falar a verdade por que aparentemente eles não sabiam do outro tipo de lobisomem, sem contar que com esse fator eu poderia ganhar a confiança deles, pelo menos o do líder já era um bom começo.
— Acredite, eu já lidei com lobisomens e nenhum deles tinham esse tamanho e pareciam tão cientes de suas ações na forma lupina. Sem contar é claro que eles precisavam da lua cheia para a maldição ser ativada. – expliquei não demonstrando qualquer tipo de emoção.
Achei melhor não falar sobre os híbridos e Originais, por que como eu já lhes havia dito antes eles não precisavam saber sobre todos os detalhes da minha vida, quanto menos soubessem melhor. Ele olhou para o céu como se fosse para confirmar da minha palavra. Por um momento ele pareceu um tanto desconcertado com a minha revelação, parecendo até mesmo sem palavras.
Eu o entendia, por um lado não parecia ser nada fácil descobrir de um dia para o outro que você não é exatamente o que achava que era. E o pior ainda era descobrir isso por um individuo que supostamente deveria ser seu inimigo natural.
— Por favor, Sam! Será que você não vê que tudo isso é mentira? Ele acabou de nos ofender, aposto que falou essa ladainha para ganhar tempo e acabar conosco. – argumentou Paul parecendo inconformado que seu líder tenha me escutado.
— Eu não preciso de um momento de distração para acabar com sua alcateia inteira, vira-lata. – ressaltei friamente. Uma parte de mim estava gostando de rebaixá-los e mostrar que eles não eram nada, mas eu precisava me controlar para não fazer burrada.
— O que você acha que somos? Idiotas? – questionando sem controle, seu corpo todo parecia sofrer violentos espasmos muito mais fortes do que anteriormente.
Estreitei os olhos sem conseguir conter minha eminente irritação, que a maioria das vezes se manifestava nas minhas palavras e ações.
— Não. Mas pelas suas atitudes estúpidas acredito que você esteja mais para um pulguento mal adestrado. – xinguei dando um sorriso cruel. Eu não me importava nem um pouco de dar uma surra nesse moleque atrevido de merda. Ele grunhiu, uma serie de tremores atravessando até a sua coluna como se ele estivesse tendo convulsões.
— Paul se controla! – a ordem do alfa foi firme mas o mais baixo não parecia conseguir obedecer, parecendo completamente fora de controle.
— Mas que merda. – exclamou Jacob também parecendo nervoso.
Foi nesse momento que o garoto tombou para frente, sua bermuda explodindo em farrapos no momento em massa muscular parecia crescer em uma forma seis vezes maior que a original, pelo cinza brotando de sua pele de forma constante e rápida. Eu pude ouvir o barulho de seus ossos se deslocando e se ajustando para se adequar a nova forma, no entanto ele não soltou ruído algum de dor no processo.
A transformação não demorou mais que um segundo embora eu tenha capturado diversos detalhes, muito mais pratico e ágil do que o dos lobisomens que eu estava acostumado. Tudo isso acabou por revelar um enorme lobo cinzento que recuava o focinho sobre os dentes, enquanto rosnava em minha direção. Essa cena deveria ter me deixado temerosos, mas isso não aconteceu.
Ao invés disso um jato potente de adrenalina invadiu o meu sangue, me fazendo ficar animado para dar umas boas porradas naquele idiota. Deixei que minha visão se avermelhasse com a raiva que eu sentia no mesmo momento em meu rosto mostrava o porquê algumas pessoas associavam minha espécie a demônios. Eu sentia que naquele momento eu e meu monstro iríamos lutar juntos como poucas vezes acontecia.
Um rosnado feroz retumbou pelo meu peito enquanto eu colocava minhas mãos e um dos meus pés à frente do meu corpo me preparando para receber seu ataque no exato momento em que ele saltou em mim.
Voamos por alguns metros até que minhas costas bateram no chão com o impacto, um barulho estrondoso ecoando por todo campo. Pude ouvir gritos e ganidos ao nosso redor mais estava ocupado demais desviando de todas as dentadas que ele investia contra mim enquanto girávamos pelo chão, tentando um acertar o outro. Ele pesava quase uma tonelada, que para mim quase não significava nada. O problema era o seu tamanho, eu não conseguia inverter nossas posições com ele me pressionado contra o chão e tentando me esmagar com um rato.
Em um momento de distração ao desviar de uma de suas patas ele conseguiu morder o meu pescoço. Eu grunhi de dor e fúria sentindo seus dentes penetrarem minha carne de forma doentia. Foi nesse momento que o monstro dentro de mim agiu, tomando o controle por alguns instantes. Eu rosnei mais uma vez segurando seu focinho e mandíbula, retirando-as da minha pele a força, no mesmo momento em que deslocava a parte inferior de sua arcada dentaria.
O lobo emitiu um ganido de dor que me fez sentir sadicamente satisfeito. Retomei rapidamente o controle antes que fizesse algo impensado. Embora eu desejasse matá-lo dolorosamente, ouvindo suas lamurias enquanto quebrava cada osso do seu corpo, não era uma boa idéia comprar briga com essa matilha. Por isso dei um chute em suas costelas quebrando algumas delas para lhe dar uma lição e fazer com que o mesmo parasse de me arranhar.
Depois me levantei segurando o pescoço do lobo cinzento que se remexia tentando se soltar de meu aperto, e o lancei em direção a Sam e os outros lobos que estavam a alguns metros longe de nós. O lobo caiu em um estrondo, mas logo se recompôs rapidamente entanto em posição de ataque. A ira mais do que visível em seus olhos.
Foi só naquele momento que eu vi o estrago que havia feito no mesmo. Ele parecia não conseguir fechar a boca, sangue escarlate pingava por entre seus dentes manchando o pelo do pescoço e eu tinha serias duvidas de que aquele sangue era dele. E ele caminhava de uma forma estranha, como se dar cada paço machucasse embora ele não estivesse mancando. O lobo cinzento emitiu um ruído, como se estivesse tentando rosnar.
Mas antes que ele pudesse vir para cima de mim novamente os outros dois lobos se bloquearam sua passagem, um deles na frente e outro atrás do mesmo, rosnando em sua direção. O lobo Paul se viu acuado diante ao gesto de seus colegas e retribuiu os rosnados como se estivessem discutindo.
— Já chega Paul! – a voz do líder ecoou por cima dos rosnados, fazendo com que automaticamente eles se calassem O lobo obedeceu seu líder sentando-se sobre as patas traseiras e soltando uma espécie dede resmungo e latido.
— Da próxima vez vê se põe uma coleira quando for trazer um cão de guarda. Eu poderia ter quebrado o pescoço em vez de uma costela, mas não o fiz por consideração a você. – avisei meio que mostrando os dentes em desafio ao Paul que me olhava de forma mortal. Deixei que meu rosto voltasse à forma humana novamente tentando me acalmar. Se aquele lobo tivesse tido algum tipo de treinamento eu poderia não ter sobrevivido ganhando somente uma mordida no pescoço como lembrete.
— Vamos tentar deixar as desavenças de lado e focar no assunto principal, no que viemos fazer aqui hoje. – disse Sam novamente parecendo ser para as duas partes.
— Só para deixar claro não fui eu que matei esses mochileiros, okay? Eu nem sabia sobre isso, mas se eu sentir algum cheiro diferente pode ter certeza que eu irei notificá-los. Não que isso seja da conta de vocês mas eu só bebo sangue animal e mesmo assim pessoas da minha espécie conseguem beber sangue sem matar humanos. – esclareci de forma petulante e eu pude ver que alguns deles ficaram incomodados por eu citara a minha dieta embora Sam tenha parecido satisfeito com a minha resposta.
— Ótimo. Então podemos oferecer a você um tratado como o dos Cullen’s. – disse ele em um tom mais leve.
— Cullen’s? – questionei automaticamente. Então o meu palpite estava certo, afinal. Existia mesmo um clã de vampiros morando anteriormente na cidade, que tiveram contato com Isabella e lhe fizeram muito mal.
Alguns vampiros não sentiam remorso nem pena por matar ou ferir humanos, tendo em mente a noção de que são como bolsas de sangue humano ambulante ou animais burros e descartáveis. Algumas vezes eu sentia vergonha da minha própria espécie. De qualquer forma era até bom que eles estivessem ido embora, assim não teríamos uma disputa por território nem super lotação. Isso chamaria atenção indesejável demais.
— Sim. Nossos antepassados fizeram um trato com eles e desde então temos mantido nossa parte do acordo, até sua ultima mudança a mais de oito meses atrás. – respondeu-me desta vez Jacob parecendo inconformado que precisassem fazer um novo tratado.
— E no que ele consiste? – questionei curioso. Eu não era burro como algumas pessoas que assinavam contratos sem nem ao menos ler. Eu precisava saber de todas as condições para não cometer algum delito que pudesse acarretar em mais desavenças.
— É muito simples. Nós juramos pela honra do bando não revelar sobre a sua espécie aos humanos, independente da situação em que se encontrar sobre a condição de você não pisar nas nossas terras. – informou-me Sam com calmamente sem deixar transparecer qualquer tipo de sentimento.
Parecia-me muito fácil de se cumprir para falar a verdade, não é como se eu fosse invadir o a reserva Quileute estando ela infestada com seu grotesco fedor. Mas a primeira parte de sua frase se tornou imensamente gratificante para mim, provando que a ameaça de Jacob se tornava invalida perante a esse acordo. Dei um sorriso provocativo em direção ao Black que trincou o maxilar contrariado.
— Interessante. E o que acontecera caso uma das partes quebre seu lado do acordo? – indaguei em momento algum desviando meus olhos do vira-lata que agora parecia me fuzilar com os olhos.
— Punição severa, até mesmo a morte. – disse o líder friamente, revezado olhares entre eu e Jacob. Como se de certa forma estivesse dizendo que não passaria a mão na cabeça dele caso fizesse alguma besteira. Aquela resposta me pareceu satisfatória por isso desviei meus olhos para o alfa novamente, equilibrando meu peso sobre a perna de trás enquanto colocava minhas mãos no bolsa da calça e dava um meio sorriso.
— Ótimo, estou disposto a cumprir essa promessa. Então qual é o limite de terra que querem estabelecer? – perguntei tentando parecer interessado nesse outro assunto. Sam cruzou os braços musculosos enquanto me encarava e voltava a falar.
— O limite é o inicio do rio Quillayute, não ultrapasse porque a partir dali é o nosso território. Prometemos também não chegar num raio de quatro quilômetros da sua casa se você quiser. – sugeriu ele de forma prestativa. Concordei com a cabeça.
— Seria bom. Pode me contar exatamente como aconteceu esse acidente com os montanhistas? Quando mais rápido pegarmos esse nômade será melhor. – pedi verdadeiramente curioso. Seja lá que tenha feito isso era bom que tivesse ido embora pois eu não permitiria que um inconseqüente da minha espécie tentasse chamar a atenção para minha cidade. Não precisava que mais curiosos fosse atraídos para cá.
— Foram mortos há quatro dias atrás, a cerca de cinqüenta metros da trilha. A perícia não conseguiu achar qualquer tipo de pistas ou provas. Nós fomos até o local do crime ma o rastro desapareceu com a chuva, então pudemos...
Sua frase não foi terminada pois o lobo cinzento, Paul, começou a soltar ganidos e ruídos estranhos de dor pela boca que não parecia ter se curado ainda. Ele parecia tonto e cambaleou algumas vezes, como se não suportasse o peso do próprio corpo, antes de deitar sobre a barriga no chão continuando a emitir gemidos de dor cada vez mais altos.
Os dois lobos a sua volta soltaram uivos inquietos, parecendo nervosos. Pude ouvir outros uivos soarem da floresta embora eu não tenha ligado muito para isso no momento.
— Mas o que diabos esta acontecendo com ele? – perguntou Sam mais para si mesmo, enquanto se aproximava do lobo caído com Jacob e eu em seu encalço.
— Não sei, mas ele não parece nem um pouco bem. – respondeu o Black preocupado.
Sam se abaixo perto do lobo cinzento sem parecer nem um pouco amedrontado com os gigantes lobos que nos rodeavam em um semi-circulo, com os seus olhos atentos. Sam verificou as patas e as costelas, posicionando algumas que estavam deslocadas no lugar mas nenhuma dessas medidas parecia parar de causar dor no jovem lobo.
Abaixei-me ao lado co mesmo, sentindo quase que instantaneamente os pelos da minha nuca se arrepiarem em um alerta de perigo natural que meu corpo parecia dar. Segurei seu maxilar e mandíbula colocando-a no lugar em um rangendo nauseante de ossos batendo. Enquanto analisava, ele parecia indiferente ao meu toque, como se o que sentisse estivesse bloqueando sua capacidade de se concentrar em alguma coisa.
Pude sentir a tensão se formando entre os presentes, a medida em que seu esforço em ajudar o amigo não fazia efeito algum. O nervosismo e desespero chegando. O lobo parecia não conseguir mexer nenhum músculo do corpo ficando estranhamente parado, nem mesmo mexer seu focinho. Ele estava tendo uma produção excessiva de saliva que pingava livremente pelo chão, sua língua dependurada de lado sem que ele conseguisse se mexer.
Ele tremia levemente como se estivesse com frio e parecia estar tendo dificuldades para respirar ao julgar a forma em que seus pulmões faziam ruídos ao puxar o ar. Eu podia ouvir seu coração bater em um ritmo mais acelerado que o normal, e todos esses sintomas confirmarão minhas suspeitas.
—Paul é muito idiota. Eu sabia que em algum momento algo do tipo ia acontecer, ele se irrita com muita facilidade. – observou Jacob olhando-o com pena por não conseguir ajudar.
— Eu não entendo o que esta acontecendo, ele estava bom até agora. Já verifiquei os machucados, nenhum osso perfurou algum órgão então por que ele continua nesse estado? – falou Sam em tom de lamento e nervosismo desesperado.
— Ele sofreu uma intoxicação. – respondi olhando para ele agora.
— Intoxicação? Com o que? – perguntou ele agora prestando atenção no que eu estava fazendo e parecendo intensamente preocupado.
— Com o meu sangue, eu acho. – respondi um pouco contra gosto, tinha certeza que ele não iria gostar nem um pouco disso, mas ainda sim era melhor que eu ajudasse o lobo que agonizava no chão assim eles veriam que eu só fiz aquilo como medida de auto proteção.
— Como? – perguntou ele incrédulo, como se estivesse ouvido errado o que eu disse.
— Antes de vim para cá eu tomei acônito, como medida de proteção para caso vocês tivessem armado uma emboscada para tentar me matar. Não pode me culpar por ter feito isso quando você veio com sua matilha inteira e não só três ‘’seguranças’’. – fui sarcástico nesta parte e vi que ele ficou surpreso por eu ter notado os outros seis lobos que se escondiam na floresta. Eu podia ouvir os seus corações batendo mesmo que ainda tivesse a alguns kilometros longe, inclusive entre eles se encontrava o cheiro dos filhos de Sue Clearwater, que possivelmente pertenciam à matilha. – Eu juro que não tinha essa intenção, só fiz isso caso a abordagem diplomática não funcionasse. Eu sequer achei que o veneno fosse fazer efeito a ele, nunca tinha ouvido falar sobre a sua espécie até o dia de hoje. – insisti sendo verdadeiro e olhando dentro de seus olhos e me levantando do chão para o caso dele querer partir para a agressão.
Ele me olhou parecendo reprimir sua intensa fúria, pois sabia que eu tinha razão. Só havia me defendido de um ataque que Paul provocou mais isso não quer dizer que eu não fosse o responsável pelo estado que o mesmo se encontrava fechando as mãos em punhos para depois olhar para os lobos que ali ouviam atentos.
— Levem ele para a casa de Emily, nos encontramos lá. – ele ordenou aos lobos que assentiram como se estivessem em forma humana para depois irem até o lobo caído. Depois ele se virou para Jacob que o encarava serio. – Jacob vá com eles.
O garoto assentiu uma vez antes de se virar para os colegas, tremendo tanto quanto Paul havia feito estando preste a se transformar. Minha visão foi bloqueada por um Sam completamente furioso que deu um passo a frente me olhando de forma extremamente mortal. Eu não me movi embora tenha me sentido um pouco acuado.
— Eu protejo os integrantes da minha matilha, e não estou fazendo nada a você neste exato momento por que estou honrando o nosso recente tratado. Mas credite, nada vai me impedir de dilacerar o seu pescoço casa de um passo fora da linha. – ele praticamente rugiu, as veias do pescoço saltadas à medida que sua pele se avermelha de ira. Ele se virou, andando para o começo da floresta.
— Sugiro que o faça vomitar o quanto antes. Por conta do metabolismo acelerado, quanto mais tempo o veneno ficar em seu organismo mais riscos de morte ele pode correr. – aconselhei apesar de tudo. Ele pareceu não dar indícios de que tinha me ouvido, continuando a andar.
E quando menos esperei seu corpo entrou em espasmos e explodiu em um grande lobo negro que atravessou a margem da floresta, desaparecendo. Definitivamente qualquer tipo de aliança que pudéssemos formar no futuro foi por água abaixo, naquele exato momento. Suspirei em frustração sentindo a mordida no meu ombro latejar enquanto me virava para fazer o caminho até em casa.
A primeira coisa que fiz ao chegar foi descontar toda a minha frustração e tensão no saco de pancadas e em abdominais e flexões. Fiz isso por horas sem para uma única vez para beber água ou comer alguma coisa. Eu não sabia que efeito teria a mordida no meu ombro, mas ela parecia se cicatrizar com muita lentidão até mesmo para um humano, mas eu me recusei a consumir sangue humano para ajudar. Era ele que me deixava incrivelmente volátil e me fazia agir de forma inconseqüente. Com o sangue humano eu conseguia ter um certo controle sobre o que eu sentia e fazia.
Não vi o sol nascer novamente nem prestei atenção no passar das horas, de qualquer forma eu não iria na escola mesmo. Eu só parei de me exercitar quando fiquei cansado a ponto de só conseguir tomar um banho e cair inconsciente na cama de exaustão. De qualquer forma era melhor que eu ficasse desmaiado por tempo o suficiente para não sentir o processo de definhação que geralmente acarretava depois de uma mordida de lobisomem, mas como eles eram diferentes do que eu conhecia, eu tinha esperança de a reação também seguisse esse caminho.
Eu acordei por volta das três da tarde me sentindo como se estivesse de ressaca. Todo o meu corpo doía parecendo que um caminhão havia passado por cima do mesmo e minha cabeça latejava. Olhei-me no espelho vendo que o machucado havia cicatrizado um pouco, o suficiente para que ao continuasse a vazar sangue continuadamente. Refiz o curativo que eu tinha feito para evitar manchar a cama, fazendo uma careta. Era um saco se curar lentamente. De qualquer forma a recuperação estava acontecendo e não petrificando então já era um começo.
Tomei um café rápido depois de outro banho e fazer minha higiene pessoal. Eu iria até o Dowling’s ver se a vaga ainda não havia sido preenchida e se poderia tentar o emprego. Caroline realmente estava certa em dizer que eu precisava de algo para ocupar meu tempo e usar para o disfarce e não me parecia uma má ideia trabalhar com algo que eu entendia.
John Dowling era um senhor baixo mas parrudo, tinha um pouco de calvície e um bigode estilo Hitler. Era um homem mau-humorado e muito ganancioso. No entanto, apesar de todas essas qualidades sua oficina mecânica era muito visitada, apesar do preço. De qualquer forma, todos os funcionários faziam um bom trabalho nos carros que concertavam ou revisavam. Vinha gente de Port Angeles e Seattle até ele por que eles sempre conseguiam arrumar um carro independente da situação.
Foi uma surpresa para mim encontrar Tyler trabalhando ali. Ele me explicou que a vaga ainda não havia sido ocupada, e me pediu para esperar até que ele fosse chamar o dono. John era muito irritante, ficou me fazendo um milhão de perguntas que na maioria das vezes não tinha nada a ver com o ambiente de trabalho. E quando eu estava quase desistindo de conseguir o trabalho ele me disse que eu podia começar segunda. O salário não era muito bom, mas para um garoto que supostamente iria para a faculdade dali a quase quatro messes, era o suficiente.
Eu teria dois únicos dias de folga e trabalharia por meio expediente de segunda a sexta depois da escola. Algumas vezes, segundo ele, eu teria que fazer hora extra. Verdade seja dita eu nunca senti tanta vontade de mandar alguém se ferrar antes, mas consegui me conter dando um sorriso mais falso que o seu.
Depois de sair do estabelecimento eu resolvi dar uma passada em Port Angeles, eu ia encomendar algumas peças para o carro de Isabella. Seu modelo de picape truck chevy vermelha de 1953, era um carro um pouco antigo e por isso algumas peças eram difíceis de encontrar ma para quem que até pouco tempo atrás dirigia um Porche vermelho karmann coupe 356b não era impossível. Era até engraçado nós dois termos um gosto para carros antigos, mas fazer o que se eles tinham um charme especial e diferente dos carros de hoje em dia?
Encomendei por uma concessionária eficiente e as peças chegariam dália a no mínimo três semanas. Também dei uma passada em uma loja de discos de vinil no centro. Isabella estava certa em dizer que eu gostava de coisas antigas, talvez fosse por conta da minha não tão aparente idade ou fosse o fato de que naquela época eu me sentia livre e feliz... Não havia o perigo de eu quase morrer toda semana, era tudo tão simples e fácil.
Eu não conhecia Elena e já estava totalmente curado do meu aparente amor momentâneo por Katherine, por isso eu só vivia a vida sem preocupações, nada me prendia. Era cansativo e degradativo continuar com a vida sem um amor correspondido. Saber que a pessoa da qual você está apaixonada não sente o mesmo por você é uma sensação quase humilhante, machucava muito.
Eu me sentia péssimo por não conseguir ficar feliz por meu irmão estar feliz. Eu gostaria de colocar seus sentimentos acima dos meus mais eu era egoísta demais para conseguir fazer isso. E por isso a única atitude plausível e talvez altruísta que eu consegui fazer foi deixar a cidade, e deixar que Damon fosse feliz. Mas isso não quer dizer que eu ainda não sentisse uma angustia e desgosto no estomago por ser traído daquela maneira. Era o melhor para os dois lados da historia.
E aqui estava eu fazendo coisas que no passado me proporcionariam lazer mas agora é só um meio de ocupar minha vida e tentar fazer com que o tempo passe de forma mais rápida. Era por isso que eu gostava de ficar na presença de Isabella; ela sabia de como era sensação de ser rejeitado desta forma por ágüem que amava acima de tudo. Talvez fosse por isso que eu me sentia tão entediado hoje. Era por que de certa forma ela me distrai, me sentir qualquer coisa diferente deste marasmo que eu estava, mesmo que fosse em nossas brigas.
Ela fazia algo que Lexi costumava a fazer, me fazia enxergar o mundo de uma forma diferente, me fazia viver alem da dor. Ela estava se tornando tão importante na minha vida que eu não conseguia mais passar um dia longe dela sem que começasse a sentir falta da sua presença. Talvez fosse o seu modo um tanto excêntrico de agir, ela me mantinha entretido e me fazia esquecer coisas da qual geralmente eu demorava um grande tempo para fazer.
Acho que era por isso que eu não havia resistido em lhe fazer uma visita depois que voltei para casa. Eu sentia que no fundo havia sido um pouco cruel em jogar aquelas coisas na sua cara, ela não merecia isso. Isabella embora não gostasse de mostrar era frágil e havia sido muito machucada emocionalmente. Eu não podia culpá-la por agir do modo em que fazia; apesar de nós vampiros termos as nossas emoções potencializadas após a transformação, conseguíamos nos controlara melhor embora fossemos um pouco imprevisíveis e mesmo assim podíamos desligar quando não conseguíssemos superar.
Os humanos não. Talvez isso os fizessem mais fortes que nós por continuar tentando superar, em vez de desistir e pegar o caminho mais fácil. Eu a admirava muito por isso. Provavelmente era quase oito horas da noite agora, ao julgar pela cor do céu. Isabella estava sentado em sua cama lendo um livro. Orgulho e preconceito. Não me surpreendi nem um pouco da sua escolha, ela parecia gostar bastantes destes livros melosos.
Seu pijama de flanela consistia em uma camiseta verde claro de alças finas e uma calça de moletom cinza, eu não tinha certeza se só aquilo era o bastante para aquecê-la ao clima da cidade. Principalmente enquanto ela mantinha a janela aberta, eu conseguia enxergar os pelinhos dos seus braços arrepiados e sabia que ela era teimosa o suficiente para ignorar isso. Seu cabelo molhado, provavelmente pelo recente banho, batia nas suas costas quase alcançando a cintura. Ele era muito bonito e me lembrava deveras o conto da Rapunzel.
Observei-a desta vez com mais precisão. Ela não parecia triste ou irritada, pelo contrario, ela estava serena de uma forma encantadora. Seu cheiro estava mais forte por conta do banho e isso de certa forma me deu água na boca. Eu estava curioso para saber se ela agiria de forma normal comigo no dia seguinte, ou iria me ignorar como se eu não existisse. Suas atitudes sempre eram imprevisíveis e isso me deixava um pouco frustrado.
Eu teria que esperar até o dia seguinte se quisesse saber. E confesso que estava um pouco ansioso para isso, sem contar com o cansaço. A mordida em meu ombro parecia ter se recuperado bastante agora, aparentemente esses lobos não tinham veneno como os outros mais seus dentes deixavam um estrago maior. Com certeza ficaria cicatrizo que para um vampiro é era algo meio improvável de acontecer. Decidi ir para casa me recuperar melhor, se eu fosse lidar com Isabella amanhã era melhor que tivesse disposição para isso.
Com esse pensamento eu pulei da arvore de onde a observava. Ao chegar em casa coloquei um dos discos que eu havia comprado para tocar, enquanto bebia algumas doses de uísque escocês. Eu estava com um pouco de sede, e isso de certa forma aliviava a sensação seca na garganta. Eu havia jogado todo o sangue humano anteriormente e não estava com a mínima disposição para sair para caçar novamente. Isso que dava eu ter me exercitado demais, fez com que meu corpo queimasse as calorias do sangue mais rápido do que já faz.
Foi quase um alivio deitar na cama e sentir automaticamente meus músculos relaxarem enquanto eu entrava novamente no estado de inconsciência do sono.eu havia dormido cerca de quatro horas, nossa espécie não precisava dormir muito, mas mesmo assim aquilo não fora o suficiente para me recuperar e era por isso que eu pretendia aproveitar minha noite daquela forma.
Pretendia porque cerca das quatro da madrugada tinha alguém batendo na minha porta. Resmunguei algo incoerente levantando de qualquer jeito pronto para mandar que estivesse lá ir se ferrar. Eu odiava ter audição aguçada por conta disso, queria continuar deitado para fingir que não havia ninguém em casa, mas o individuo não desistia o que me fez chutar os edredons de cima de mim e levantar contra gosto.
Primeiramente imaginei que fosse alguns daqueles lobos que viera dizer que a trégua havia acabado com a morte de Paul. Mas o coração que batia lá fora era humano. Eu definitivamente ia ficar puto se fosse algum vendedor ambulante ou algum adolescente estúpido. Deci a escada mal humorado. Abri a porta com rispidez pronto pra xingar quem quer que fosse até que vi que era Isabella. Ela me olhava com uma expressão de determinada que falhou um pouco ao me ver. Por um instante pensei que ela pudesse ter notado minha presença no dia anterior e tivesse vindo para me xingar e chamar de pervertido maluco.
— O que? Mas como você chegou aqui? – perguntei em uma verdadeira curiosidade. Confesso que por um instante pensei que ela pudesse ter notado minha presença no dia anterior e tivesse vindo para me xingar e chamar de maluco pervertido.
— Eu vim correndo, não aguentava mais esperar. Eu só queria dizer que aceito. – disse ela, com a respiração falha. Foi só então que notei sua roupa de ginástica.
Ela vestia uma legging preta, tênis e um blusão de moletom com o emblema de Chicago Bulls, o time de basquete. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e o rosto estava vermelho e suado. Ela estava ofegante e isso me fez acreditar que ela dizia a verdade com relação a ter vindo correndo até aqui. As vezes eu esquecia que ela era observadora, e aparentemente tinha uma boa memória. Mais foi sua resposta que me confundiu eu não avia pedido nada para ela, para que a mesma viesse e disse-se aceito.
— Aceita? Aceita o que? – demonstrei toda a minha confusão com a sua resposta direta. Ela me olhou seria, a determinação e coragem cada vez mais presente em seus olhos esverdeados.
— Fazer loucuras e viver intensamente. Aceito ser inconseqüente e fazer muitas coisas estúpidas, desde que eu volte a viver minha vida. Não quero mais ficar parada no tempo eu quero continuar viver, tentar pelo menos. Mesmo que seja da forma errada como você, eu aceito ser sua companheira nas idiotices, como sua amiga Lexi foi. Eu quero tentar superar e acho que não consigo sem você. Definitivamente eu aceito o seu desafio de fazer desse ano memorável, aceito ser sua amiga.
Fale com o autor