Begin Again - Lost Stars

9 It's Terrible Love


Notas iniciais
Hey, meus amores cá estou eu novamente postando antes de ir me arrumar para ir para a escola. atrasei um pouquinho mais do que de costume por que estava vendo as series Arrow, Shadowhunters e Flash, Me julguem se eu gosto de series sobre heróis (risos). Não vou ficar tagarelando desta vez para não me atrasar. Vamos aos agradecimentos da vez, um mega beijo do Ian e do Paul para: Bea Cullen, CarolGarciaS2, Jennifer Blackwolf, Clary a gentil e Bruh Winchester que comentou nos dois cap passados. Nós quase Chegamos aos cinquenta comentários e isso me deixou triste por não conseguirmos bater a meta, por isso trate de comentarem, hein? que ai eu faço uma surpresa para vocês. Em compensação chegamos a mais de dois mil visualizações e eu agradece a vocês por isso. Bom vamos ao que interessa.

Bella Swan

Era tão incrivelmente ridículo o fato de que quando eu ficava emocionalmente exausta minha mente dava um jeito de conjurar inconscientemente lembranças do passado. A maior parte das vezes eram momentos fortes mais simples e até insignificantes, outras vezes vinham á tona memórias que eu buscava evitar lembrar. Coisas que eu gostaria muito de esquecer.

Eu tinha dez anos desta vez. Já havia passado quatro anos desde o episodio do quase afogamento e esse evento foi uma das situações que me trouxe uma lição e de certa forma ajudou a formar um aspecto da minha personalidade. Ajudou-me a ser uma pessoa não tão ingênua e bobinha de achar que as coisas aconteciam como nos filmes. Era realmente uma pena que essa lição tenha se dissolvido com o passar dos anos. Se não muitas ilusões teriam sido evitadas inclusive o meu não tão recente pé na bunda.

De qualquer forma nessa idade eu já tinha traços de responsabilidade excessiva, algo que seria uma das minhas características marcantes no futuro. Mamãe trabalhava das dez da manhã às sete da noite em uma escolinha do primário no centro da cidade. Antigamente eu fazia o caminho para o balé rapidamente mas desde que mamãe começou a trabalhar em outra escola tivemos que nos mudar para mais perto do seu trabalho e conseqüentemente mais longe da companhia de dança.

Eu não havia olhado no relógio que ficava perto da parede antes de sair do estúdio mais tinha certeza absoluta que era mais de seis e meia ao julgar pelo céu escurecido. Eu havia saído mais tarde do estúdio por que algumas colegas estúpidas tinham escondido meus óculos, tudo por que me julgavam estranha e anti-social. Tudo bem que naquela época eu poderia ser classificada desta forma, não que esse meu jeito de agir tenha mudado.

Eu tentava ignorar aquelas provocações por que em minha visão era infantis e mimados. A verdade era que aquilo me incomodava um pouco. Eu não falava isso para minha mãe por que era algo bobo e sem fundamento, conseguia lidar com perfeitamente com essas situações. Pelo menos era isso que eu tentava me convencer. Para ser franca eu não gostava de praticar balé; essa modalidade exigia equilíbrio da minha parte e essa era característica especial era algo que eu não tinha na época.

Mas mesmo assim eu continuava no curso que não gosta, com pessoas que não gostavam de mim. Tudo para agradar minha mãe que vivia seu sonho de criança, o de ser bailarina, através de mim. Essa mesma mãe que com certeza iria ter uma sincope se chegasse mais cedo e não me visse em casa, ela tinha fortes tendências ao exagero. Então eu precisava arranjar uma desculpa muito convincente que não envolvesse contar a verdade, eu tinha certeza que se ela ficasse sabendo da realidade iria se auto-culpar.

E era exatamente isso que eu estava fazendo enquanto serpenteava pelas ruas asfaltadas da cidade. Eu amava Phoenix mas se existia algo que mais me incomodava nela era o calor excessivo. Mesmo naquele horário eu sentia como se estivesse dentro de uma panela fechada com água fervendo, mesmo assim eu me recusava a tirar a jaqueta jeans. A roupa de balé era muito rosa e espalhafatosa para que eu saísse na rua sem ficar com vergonha de parecer uma miss Barbie.

Alguns estabelecimentos já fechavam naquele horário, as luzes de postes eram praticamente a única coisa que iluminava as ruas quase totalmente vazias. Meus passos ecoavam através do asfalto de forma rápida e auditiva, nosso bairro não era exatamente o mais seguro de todos por isso eu tinha o cuidado de não parar de andar e se quer olhar para os lados. Um cheiro floral pairou no ar de forma fraca e quase fantasmagórica, pareciam plumerias mortas.

Um ganido de cachorro ecoou não muito longe dali e por um momento pensei que estivessem machucado o pobrezinho do animal, o que não seria nada incomum algumas pessoas se surpreenderiam com a crueldade de seus semelhantes. No entanto o som se repetiu outras vezes, sempre parecendo estar cada vez mais alto e agonizante. E de alguma forma ele parecia estar sofrendo, como se estivesse se lamentando por algo que iria acontecer. Provavelmente sua própria morte.

Senti-me compadecida, talvez eu pudesse ajudá-lo. Com sorte seus ferimentos poderiam não ser muito graves, talvez algumas costelas e uma pata quebrada; tinha certeza que mamãe não iria negar a cuidar do pobrezinho. Sem contar que mais brava do que ela iria ficar seria impossível. No seu agressor ainda poderia estar lá e foi isso que me deixou temerosa mas preferi correr o risco. Caso algo acontecesse eu gritaria o mais auto que pudesse e sairia correndo.

Quanto mais eu me aproximava do som mais calafrios desciam pela minha coluna, em um reação involuntária de medo.o ar sempre úmido e pesado grudava meu cabelo na testa e nuca dando uma sensação de abafamento sufocante, como se eu estivesse presa em uma panela fechada com água fervendo. Um odor pútrido chegou as minhas narinas e diferente do outro cheiro esse era forte e nauseante. em um gesto inútil eu tampei a região do meu nariz e boca como se pudesse bloquear o fedor.

Provavelmente era alguma comida estragada que estaria em uma caçamba de lixo ali perto ou algum cano de esgoto danificado. Talvez os dois. Depois de alguns segundos me acostumei com o cheiro e busquei procurar pelo animal ferido entre os becos dos comércios. Os uivos do cachorro haviam parado, mas eu sabia que estava perto do local de origem então me concentrei na minha audição para ver se conseguia ouvir algum ruído suspeito.

Não demorou para eu identificar alguns gemidos caninos perto de um beco entre uma loja de bebidas e um restaurante. Entrei no mesmo forçando meus olhos a se adaptarem na escuridão quase total do lugar, não demorou para que eu visse uma movimentação suspeita atrás se alguns papelões. Eu hesitei um pouco, por não saber se poderia ser um rato de esgoto. Mas logo tomei coragem e retirei os papeis da frente vendo um lindo filhotinho vira-lata, uma mistura entre pastor alemão e outra raça.

Ele estava um pouco encardido mais pude ver que ele tinha uma pelagem de mistura entre preta e caramelo, suas orelhas eram caídas. O pequenino tremeu ao meu toque se encolhendo contra a parede. Peguei-o em meu colo, o mesmo se aconchegou automaticamente contra mim, e o analisei vendo que não havia machucado algum em seu corpinho. Isso me fez duvidar de que fora ele a latir daquela forma.

No entanto um som de vidro se quebrando e gorgolejos me deixou em alerta. Talvez fosse ser a mãe dele machucada, com sorte eu poderia ajudá-la. Não queria que o bebezinho em meus braços ficasse sem mãe. Adentrei mais no beco, apertando mais o cachorrinho contra mim e sentindo seu coração acelerado tanto quanto o meu. O que quer que fosse estava atrás de uma caçamba de lixo que se encostava contra a parede do fundo do beco.

Eu andei a passos incertos até lá, ouvindo ruídos estranhos, vindos por de trás do objeto grande. Quando cheguei ao final do beco o filhotinho parecia chorar e se debater em meu colo, arranhando minhas costelas. Ele parecia estar desesperado chorando de um jeito canino. E isso me deixou temerosa do por que ele ficar assim de repente, quase como se estivesse com... medo. Mesmo com a sua reação estranha eu decidi olhar o que tinha no espaço entre a caçamba e o fundo do beco.

Meu coração perdeu a batida por um momento enquanto eu absorvia o que estava vendo. Ali atrás se encontrava uma mulher muito pálida de cabelo longo e escuro, abaixada sobre o corpo de um homem aparentemente morto. Sangue se formava em uma poça ao redor do cadáver manchando o vestido branco da mulher. Por um instante pensei que ela estava tentando salvar o homem mais ruídos animalescos pareciam vir dela e isso foi o que me assustou me fazendo inconscientemente dar alguns passos para trás.

E talvez esse tenha sido o meu erro por que ela pareceu ouvir, paralisado completamente antes de se virar para mim. .

Prendi um grito que quase irrompeu pela minha garganta enquanto meu coração voltava a bater em um ritmo extremamente acelerado, enviando uma dose cavalar de adrenalina pela minha corrente sanguínea me fazendo entender a frase ‘’medo de gelar a espinha’’. Seus olhos eram inteiramente brancos com manchas vermelhas irregulares ao redor dos olhos como se fossem hematomas.

Sangue pingava do seu queixo manchando até o pescoço, suas mãos estavam em escarlate e possuía longas garras afiadas e pontudas de um tom amarelo nojento. O peito do cadáver estava aberto, deixando à vista vários de seus órgãos internos a mostra como fígado e pulmões, suas costelas se destacando naquele emaranhado. Aquilo me deu náusea. Ela havia feito aquilo com o homem e por mais nojento que fosse eu tinha certeza que ela era uma espécie de canibal. Isso se ela fosse humana.

A mulher avançou para cima de mim deixando-me sem alternativa se não me encolher na parede a minhas costas para tentar impor o maximo de espaço entre nos duas. Seus lábios sujos se esticaram sobre os dentes em um sorriso macabro que exibia seus dentes avermelhados, pontudos e afiados como o de um animal selvagem. Ela esticou a mão para trás e depois para frente como se fosse me dar um bote.

No entanto parou o movimento antes que chegasse ao meu rosto, e inclinou a cabeça parecendo me analisar com visível curiosidade. Eu me encolhi mais contra a parede como se pudesse desaparecer com esse ato. O pobre filhotinho provavelmente na mesma situação que eu, tremia e gania de forma baixa fazendo com que eu o apertasse mais contra mim.

Seu rosto se aproximou de mim o suficiente para que eu sentisse o seu cheiro de podridão, ferrugem e sal que emanava da mesma; seu hálito bateu contra o meu rosto e eu fechei os olhos com medo do que estava por vim. Se eu fosse morrer, que fosse logo e não uma tortura como foi o do pobre coitado agora morto no chão sujo de um beco qualquer. Sua respiração bateu em meu ouvido e eu tremi em repulsa abrindo meus olhos tentando olhar para o céu e ignorar essa sensação.

Meus olhos astutos identificaram no chão, próximo ao cadáver um outro corpo desta vez canino. O corpo do pobre animal estava virado em um ângulo estranho e ele não possuía olhos, os mesmos pareciam ter sido arrancados a sangue frio e sem piedade. Tudo o que restava agora no lugar eram dois buracos escuros e fundos no crânio. Diferente do outro ele não tinha a caixa torácica aberta então àquela mulher havia feito esse ato por crueldade pura. Possivelmente era a mãe do filhotinho que eu agora segurava, ela talvez tenha tentado defender o homem mais falhou causando sua própria morte e a dele. Agora o cachorrinho era órfão definitivamente.

Senti raiva mas também pânico. Minhas pernas tremiam muito e eu não duvidei que eu caísse a qualquer momento. Não queria desistir tão facilmente, o filhotinho não tinha mais ninguém então eu queria protegê-lo. Fechei as mãos em punhos tentando controlar a minha pulsação eu sentia como se meu coração fosse sair pela garganta, em uma dor incomoda que me fez chorar em pânico.

— Tanpa ragu-ragu adalah makhluk yang menarik. Aku tidak akan berani sentuh dia, Saya tidak mahu api dari yang terkutuk mengenai saya. Kewujudannya adalah yang ditandai dengan neraka. – Disse em uma língua desconhecida, a voz que mais se assemelhava a grunhidos animalescos e selvagens.

E embora eu não houvesse entendido nada uma sensação ruim me abateu junto as suas palavras. Imaginei que elas se resumiam a algo do tipo ‘’você interrompeu meu lanchinho agora substituirá ele no meu prato principal.’’ Senti suas garras afiadas roçarem na minha clavícula e pescoço assim como sua respiração quente bater na minha pele. Ouvi sua risada grotesca enquanto ela afastava o meu cabelo do rosto e depois mais nada.

Somente um vento frio que acariciou minha pele de forma terna. Olhei para os lados não encontrando nada se não latas de lixo, papelões e garrafas. Respirei fundo por um instante, limpando as lagrimas e sentindo-me um pouco melhor agora que o futuro perigo eminente desaparecera. Se não fosse pelos dois corpos desfigurados a minha frente eu juraria que nada havia acontecido.

Foi a partir daquele momento que passei a acreditar que criaturas sobrenaturais existiam, e prometi a mim mesma evitar qualquer tipo de coisa parecida por que aquelas coisas eram monstros inescrupulosos e cruéis. Era realmente uma pena que eu tenha bloqueado tudo sobre essa época escura da minha mente um pouco antes de me apaixonar por um vampiro. Lembrar deste juramento teria sido muito útil ao poupado noites de choradeiras e desilusões.

Acordei antes mesmo que o despertador tivesse tempo de tocar. Meus olhos arderam com a claridade e minha respiração estava descompassada. Eu havia tido um pesadelo embora não me lembrasse exatamente do que se tratava, eram só vislumbres de um cachorro morto, olhos completamente brancos, e uma noite escura. A prova disso tudo era o cansaço muscular e o suor excessivo que molhava minha cama.

Que merda, pensei comigo mesma antes de me levantar. Minha cabeça tinha doído ontem o dia inteiro, mesmo depois de eu já ter parado de chorar. E eu fiquei com raiva de mim mesma por que talvez nem fosse uma dor de verdade e sim um sentimento que eu não soube identificar, se não por dor física. Mesmo com essa possibilidade eu tomei um remédio para parar e isso me ajudou a dormir ao menos.

Espreguicei-me sentindo todas as minhas juntas estalarem e de certa forma isso removeu um certo peso das minhas costas. Em seguida fui direto para o banho. Eu havia acordado um pouco mais tarde hoje então não poderia sair para correr ou praticar minhas aulas de Yoga. A água quente me trouxe uma nova sensação de frescor na pele assim como me relaxou completamente.

Deixaria para lavar o cabelo mais tarde. Estava ensolarado, mas eu não podia esperar menos já que estávamos no verão e até mesmo em Forks ficava calor mesmo que não fosse tão notável como em Phoenix. Foi por isso que vesti uma regata azul escura, bermuda jeans clara um pouco larga e suspensório preto caído. Meus velhos tênis cano médio cinza também fizeram parte do look. Para completar prendi meu cabelo no alto em um rabo de cavalo e amarrei uma bandana em forma de faixa na cabeça. Aquele era o típico visual moleca que eu gostava e usava quando não estava com meus moletons e camisetas de banda.

Arranquei a roupa de cama úmida e as fronhas dos travesseiros, para deixar no cesto de roupa suja junto ao meu pijama para lavar no fim de semana. Desci a escada junto com a minha mochila de escola, eu havia enfiado uma blusa na mesma antes de sair do quarto afinal nunca se sabia quando faria frio ou choveria. Comi algumas torradas e bebi um suco de goiaba natural que eu havia preparado ontem. Como eu não teria minha carona naquele dia, eu resgatei do antigo sótão não-tão-mais-antigo-assim, a minha velha bicicleta que havia ganhado de Charlie quando tinha catorze anos.

Eu imaginei que nunca mais iria precisar andar na mesma por que tive experiências bastante dolorosas até que aprendesse essa antiga arte. Sem contar que eu raramente havia pedalado na mesma. Mas como não havia chovido no dia anterior e eu não estava a fim de andar cerca de seis quilômetros a pé, aquilo parecia uma boa alternativa.

A musica do celular estourava no meu fone de ouvido enquanto tudo o que o Salvatore havia falado no dia anterior para mim ficava martelando na minha cabeça. Por mais que eu odiasse admitir, ele estava certo. No fundo mesmo que eu negasse até o fim eu havia continuado esperando que ele voltasse atrás em sua decisão, que retornasse a mim para que pudéssemos ficar juntos novamente.

Eu me sentia incrivelmente estúpida por nutrir essas falsas esperanças. Até mesmo enojada, como se o meu surto em dezesseis de janeiro não tivesse sido o bastante para meter isso em minha cabeça de uma vez por todos. A que ponto cheguei? Estou no fundo do poço tentando me enterrar para ver se morro de uma forma mais rápida? Estou tentando-me auto-iludir para ver se o definhamento se torna mais confortável? Talvez eu seja uma maldita covarde, somente isso.

Escondendo-me por trás das lembras em que eu tanto insisto em me apegar, por que a verdade é que eu tenho medo de não conseguir viver sem ele, de fracassar. Como se a minha situação pudesse de alguma forma ficar pior. Mas o medo do fracasso era tão constate que me atormentava, eu já não sabia se iria suportar fracassar no que parecia ser meu ultimo bote salva vidas, minha única chance de sair desse inferno.

Eu já havia lutado com a Bella que pertencia ao Edward e falhado, não sabia se teria coragem novamente para lutar desta vez. E era isso que eu temia. Encher-me de falsas esperanças para no final não passar da estaca zero de progresso. Mas eu não queria desistir tão facilmente, não queria que minha vida continuasse desta forma. Por que era tão difícil aceitar que ele é um crápula, me sinto dividida como se fosse duas, uma Bella que ainda ama incondicionalmente Ele e essa nova eu que quer deixar o passado para trás, que o culpa por toda dor que havia me causado.

Era tão difícil recomeçar, eu me sentia tão esgotada e sem animo nesse sentido. Eu me sentia como se estivesse lutando contra a correnteza, por mais que você tente emergir tudo o que você faz parece ser inútil para mudar toda a situação. Talvez fosse tão mais simples sucumbir e deixar que a água inunde seus pulmões de uma vez, do que continuar sofrendo por uma luta que já esta perdida. Eu me sentia em conflito comigo mesma, eu queria ser forte o suficiente para conseguir supera, queria não me importar tanto com isso.

Eu tentava inutilmente me convencer de que não era por que eu havia falhado uma vez que aconteceria a mesma coisa novamente. Eu precisava acreditar nisso... Precisava ter nem que fosse uma misera faísca de esperança de que tudo iria acabar bem no final.

Eu não queria ser a mesma garota inocente que havia sido enganada há sete meses, até por que eu me sentia diferente mas ainda continuo sendo afetada por tudo referente a ele. Como eu sentia raiva disso, gostaria de me bater por continuar sofrendo por quem não merece mas de nada ia adiantar. Tudo o que eu podia fazer era buscar forças em mim para superar isso, Stefan disse que estaria ali por mim, que iria me ajudar mas a batalha era minha. Somente eu poderia lutá-la. Eu sabia que isso ia ser desgastante e horrível, as lembranças do momento pós surto ainda estavam claros em minha mente. Naquele período eu cheguei a cogitar acabar com tudo de uma vez, tirar a minha vida era uma alternativa tão atraente e mais simples.

Eu passei um verdadeiro inferno até me recompor da melhor maneira que pude. E descobri com tudo isso que era mais forte do que pensava, todas as torturas psicológicas infligidas pela minha mente me mostraram isso. Eu precisava pegar toda determinação que eu tinha e me focar nisso, me focar em esquecer e superar. O Salvatore talvez tivesse razão em dizer que não estou vivendo mas isso era tudo o que eu era, essa casca é tudo o que sobrou de mim. Eu não estava tentando o bastante, eu precisava me esforçar mais e não ficar trancada em um casulo de angustia como uma lagarta.

Tudo que eu mais desejava naquele momento era voltar ao inicio novamente. Era recomeçar, sem sentir que há algo que me prende ao passado. Sentia-me um pouco mais confiante para tentar mais uma vez seguir em frente, no entanto ainda me sentia perdida por não saber como começar. Eu já havia feito tudo o que achava ser possível para esquecer, mais não funcionou. Talvez a minha formula certa fosse a do Stefan afinal. Talvez a nossa troca de experiências sobre corações partidos pudesse nos auxiliar nessa longa caminhada para a superação.

A escola já estava praticamente quase lotada quando eu cheguei. A maioria dos carros ocupavam quase totalmente o estacionamento, e mesmo com o fone gritando uma musica em meu ouvido eu podia ouvir as vozes altas dos estudantes tagarelando. Desci da bicicleta desgastada prendendo-a com acorrente de cadeado a um poste no estacionamento, já que diferente de Phoenix não vaga ou lugar preciso para ciclistas. Também, em uma cidade chuvosa como aquela, poucos se arriscam a pedalar pelas estradas molhadas.

O sinal não demorou a tocar, no entanto durante o curto momento que se antecedeu, eu fiquei desconfortável estando tão exposta aos olhares a minha volta, mesmo que minha roupa não fosse indecente. Eu sentia falta do pequeno muro de privacidade que a cabine da minha Chevy oferecia. Desejei que Estefan usasse seu tempo livre de hoje para tentar concertar minha caminhonete mais rápido, já que ele se dispôs a fazê-lo.

A primeira aula era de trigonometria e durante o pequeno percurso eu recebia olhares nada discretos tanto de pervertidos quanto de vadias invejosas e isso me incomodou bastante; a ponto de me fazer resgatar minha blusa de moletom dentro da bolsa apesar do raro calor que fazia. A minha sorte era que o professor deixou o ventilador ligado durante a aula então não fritei feito torresmo.

Eu sabia que falavam de mim, até por que elas não faziam questão de disfarçar abaixando o volume da voz, embora eu tentasse a todo custo ignorá-las. Falavam sobre minha recente aproximação do Stefan e como eu parecia ser burra o suficiente para cometer o mesmo erro novamente em ceder fácil demais, comentavam sobre minha roupa e como eu era cafona na visão pequena e rosa choque delas, eu não conseguia entender o por que elas não cuidavam da porcarias das próprias vidas.

Se fosse qualquer outro dia eu fingiria que elas eram moscas zumbindo em meu ouvido, mas hoje eu me sentia particularmente vulnerável depois do Salvatore ter me proporcionado aquele choque de realidade. E tudo o que eu queria era me concentrar em outra coisa que não fosse a minha pobre vidinha deprimente e ferrada, eu realmente não precisava da atenção indesejada para ficar ouvindo piadinhas ou comentários estúpidos que me tiravam do serio. Então era melhor tentar camuflar aquilo que lhe chamavam a atenção.

Todas as outras aulas me pareceram incrivelmente entediantes, o ponteiro do relógio redondo que ficava em todas as salas pareciam igualmente paralisados no tempo e todas as musicas na playlist do meu celular me soavam repetitivas. Eu sentia falta de sentir alguma emoção, qualquer uma que fosse até mesmo agitação. Eu sentia falta da companhia de Stefan por mais que eu relutasse em admitir a mim mesma, nada era monótono com ele ao meu lado.

Isso era uma situação tão ridícula, eu o conhecia há pouco tempo e já estava tão acostumada com a sua presença que sentia sua falta a passar um misero dia longe do mesmo. Eu sentia um pouco de falta das nossas brigas infantis e bobas, o quão ridiculamente sem sentido isso era? Estava tão acostumada com a presença constante de alguém ao meu lado com a presença constante de alguém ao meu lado: que quando um garoto até então desconhecido me dá um pouquinho mais de atenção eu me vejo totalmente apegada a ele. Eu me sentia incrivelmente patética nesse momento.

Depois de fazer minhas anotações sobre as demais matérias para mais tarde para as provas finais que cada vez mais se aproximavam, enfim chegou o intervalo. Peguei somente uma fruta, eu não estava exatamente com fome, e me sentei na minha mesa habitual, que há quase oito meses atrás também abrigava a família da qual eu pensava que faria parte algum dia. Não consegui evitar desviar os olhos para a mesa do garoto problema, enquanto dava uma dentada na maça verde, sentindo seu suco cítrico.

A mesa dos meus antigos amigos estava lotada como de costume, todos brincavam e conversavam entre si em perfeita harmonia. Não pude deixar de pensar como tudo seria diferente caso eu não o tivesse conhecido, imaginando se eu não estaria sentada junto a eles rindo de alguma piada machista de Tyler enquanto trocava informações com Mike, Ângela e Ben de como fora o meu fim de semana. Saindo nos fins de semana e aproveitando o meu ultimo ano até a faculdade. Essa perspectiva me parecia mil anos luz distancia, como se fosse em uma realidade alternativa. Por um curto momento senti inveja do Salvatore.

Enquanto ainda observava a mesa os meus olhos bateram nos da Ang, ela sorriu amigavelmente, o que me fez desviar os meus envergonhada por ter sido pega no flagra. Diferente dos demais seu olhar transmitia amabilidade e parecia até mesmo saudoso, como se ela me cumprimentasse com os olhos em silencio. Eu sentia falta dela e dos outros, mas tinha vergonha de simplesmente voltar lá e começar a conversar como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse agido feito uma vadia traidora, que trocou os amigos por um cara gostosão.

Era essa visão que rodam na mente da maioria, embora houvesse exceções, e tecnicamente eles não estavam errados por essa parte. Ainda por cima havia Jessica e Lauren membros fundadores do fã club Anti-Bella, então mesmo que eu considerasse a idéia de uma reaproximação teria que levar em conta que não seria recebida de braços abertos por todos e, sinceramente, elas já me atormentavam o bastante sem que eu precisasse chegar perto, imagine se eu fizesse então. Era melhor somente observar e imaginar coisas que nunca iriam acontecer.

Stefan tinha tanta sorte de na fazer parte do meu mundo sobrenatural fantasioso e preto e branco.

Continuei a ler alguns capítulos de orgulho e preconceito, embora eu já o tenha lido um milhão de vezes era melhor do que ficar moscando. Para a minha sorte o sinal logo bateu, não tínhamos muito tempo de intervalo, cerca de vinte minutos eu acho. Durante a aula do Sr. Banner, eu não prestei muita atenção na matéria que ele dava. Fiquei desenhando traços aleatórios no caderno de desenho que sempre carregava comigo e que no começo servia apenas de distração.

Mas à medida que o professor explicava algo sobre a matéria que era incrivelmente entediante, já que eu havia estudado isso com os livros em casa, o desenho em grafite pareceu tomar forma embora eu não estivesse pensando em nada exatamente. À medida que os minutos se passavam se tornava cada vez mais claro que era uma mulher, tinha cabelos longos e escuros e um rosto delicado. Logo olhos puxados e grandes surgiram assim como uma boca pequena e sobrancelhas delineadas e arqueadas.

Passei a esfumaçar o desenho com as pontas dos dedos, para que desse um efeito melhor de sombra e luz, assim como um efeito de profundidade que tornava o desenho mais realista e não como um cartoon ridículo. Eu gostava de desenhar e até que era boa nisso embora eu não me importasse tanto, desenhar tomava tempo e preenchia minha mente de uma forma boa. Eu sempre ficava muito concentrada que muitas vezes nem via o tempo passar como estava acontecendo agora.

Quando a senhora Coop bateu na porta da minha sala, eu praticamente dei um pulo ao estar tão dispersa. Ela informou que meu pai estava me esperando no estacionamento e que eu seria dispensada da aula. Nunca fiquei tão aliviada embora já esperasse que ele viesse me buscar, afinal meu carro estava quebrado. Juntei meu material as pressas e então notei reparei melhor no desenho sentindo um espasmo de medo.

A garota tinha os olhos totalmente brancos sem irís ou pupila. Manchas escuras se encontravam em volta dos seus olhos feito maquiagem manchada. Por entre seus lábios delineado e cheios havia dentes pontiagudos, assim como as pontas de seus dedos se transformavam em garras longas, negras e afiadas. Ela parecia selvagem e extremamente familiar a ponto de eu conseguir vê-la ao vivo em cores com sangue manchando seus lábios, enquanto dava um sorriso malicioso e macabro em minha direção.

Pisquei os olhos repetidas vezes vendo que o desenho ainda estava congelado dentro do papel e respirei fundo. Taquei todo o material dentro da bolsa, enfiando a alça da mochila no ombro enquanto andava até a porta segurando o papel nas mãos. Antes de atravessar o batente amassei o papel jogando-o no lixo e tentando me convencer que estava pensando demais em coisas sobrenaturais para fazer uma caricatura daquelas.

Charlie estava mesmo me esperando no lado de fora, no estacionamento, a radio patrulha se destacando feito luzes de natal por entre os outros carros. Ele me cumprimentou com um beijo na testa e abriu a porta para mim, mais eu não entrei por que tinha que pegar minha bicicleta. Andei até o poste onde havia a prendido e destranquei o cadeado, segurando em um guidão enquanto guiava até a viatura. Ou pelo menos tentava já que a roda não girava, os pneus estavam murchos.

Eu não precisei nem pensar muito antes de declarar o obvio de que Algumas perus vadias havia feito aquilo para me sacanear. Eu podia imaginá-las rindo ao pensar na minha reação e o fato de que eu teria que ir para casa a pé. Apertei o guidão com força enquanto tentava controlar minha raiva. Charlie me ajudou a colocar a bicicleta no porta malas ao ver minha imensa dificuldade.

— Esta pronta? – Charlie questionou enquanto dava partida na ignição. Eu fechei o cinto de segurança para depois responder.

— Não. Mas não acho que tenha alguma escolha contra isso.

Tinha um motivo extremamente plausível para eu ter ficado tão aliviada quando o Stefan disse que não poderia me dar uma carona, assim como um motivo para Charlie ter mudado o seu turno para me buscar na escola, o fato é que não iríamos para Casa. Tinham se passado duas semanas e isso só podia significar que eu teria uma ‘’maravilhosa’’ consulta com o meu psicanalista, o Sr. Cavendish.

Eu não gostava muito dessas consultas por que basicamente eu ficava falando sobre mim, e minha vida se resumia em uma rotina chata e natureba onde quase nada de diferente acontecia. Para mim não havia sentido freqüentar um lugar onde tenho que falar do que acontece comigo e do que eu sinto, mas eu não podia ser verdadeira com alguém sem que ela pensasse que sou louca por acreditar que vampiros existem. No entanto eu sabia que apesar de tudo aquilo era uma das melhores de vencer o meu trauma com relação a tudo referente a ele.

No começo eu pensei que não teria efeito por que eu não estava sendo cem por cento honesta, critério essencial para que as consultas surtissem algum efeito em mim. Mas eu tinha que admitir que apesar de meio lento eu fiz um progresso com relação ao inícios das consultas, e isso já era algo significativo se eu fosse considerar o estado quase catatônico em que eu me encontrava antes. Se eu fosse mesmo pensar em fazer o que Stefan me disse eu teria que me abrir mais para uma melhor recuperação.

Talvez fosse isso que estava me fazendo mal esse, reprimir cada gota de angustia e sofrimento para dentro de mim para que as pessoas de fora não se preocupem comigo, por que eu não gosto que sintam pena ou se preocupem. Eu posso lidar com isso sozinha, talvez eu simplesmente não conseguisse. Talvez o fardo fosse grande demais para eu carregar sozinha embora eu continuasse insistindo que não. A metáfora da Ancora que citei para Stefan fazia mais do que sentido para mim.

Segredos são como carregar uma ancora. Pesa ao ponto de machucar, mas se largamos... O impacto da queda é muito maior sobre os outros, do que para nos que já estamos acostumados. Algumas pessoas não agüentam.

Talvez eu devesse dividir esse peso com alguém, uma pessoa que não fosse me julgar e estivesse ao meu lado para facilitar essa caminhada. De qualquer forma não é como se eu fosse sair expondo meus temores e dores para qualquer um, eu não fazia isso nem com meus pais imagine com um desconhecido. A verdade é que para isso acontecer eu precisava ter confiança plena em alguém, e confiança era algo que eu já perdi faz tempo. As pessoas traem, mente, ferem o próximo sem remorço e cometem atrocidades. Eu tinha mais que um bom motivo para não confiar cem por cento em uma pessoa, a ultima vez que isso aconteceu eu fui largada sozinha no meio de uma floresta.

Acho seria uma boa idéia eu me abrir com o Stefan, mesmo que fosse só um pouco. Eu não confiava nem dez por cento nele mas de alguma forma ele parecia me compreender mesmo que parcialmente. Ele parecia ter passado por coisas piores que eu, embora não tenhamos entrado em detalhes, e mesmo assim estava em pé parecendo inabalável como se nada algum dia houvesse o atingido. Era realmente inacreditável que ele já houvesse sofrido tanto, por que ele era uma pessoa meio alegre e até divertido, eu tinha que admitir, embora suas piadas fossem tão ruins que isso em si me fazia rir.

Eu me sentia tão incrivelmente fútil e estúpida, como uma garotinha mimada por ainda não ter superado o meu fim de relacionamento. Quando ele já havia passado por coisas muito piores e conseguia rir sem soar forçado e falso. Todas as vezes que fui grossa e mal educada ele ria ou brincava com esse fato e isso me desarmava e fazia com que eu absorvesse seu bom humor. E isso me fazia bem, o fato de que eu não conseguia repeli-lo como fazia com os outros. E aos poucos sua insistência estava me fazendo deixá-lo entrar através do muro que eu havia construído para me afastar de todos.

Ele era tão forte emocionalmente, que quase nunca demonstrava estar incomodado com algo. Eu gostaria de ter a sua força. Sentia-me tão envergonhada por ter estado tão focada na minha própria dor com drama adolescente que não percebi que ele também usava uma fachada, um escudo para afastar. Eu estava acostumada a repelir qualquer pessoa com medo de criar um vinculo sentimental que poderia me acarretar em coração partido, sem necessariamente se tratar de um relacionamento amoroso.

Já ele tinha amizades superficiais com pessoas da qual não precisava exatamente se apegar, e saia sempre que podia para uma transa casual sem precisar se preocupar com um envolvimento amoroso. Eram formas diferentes de se lidar com problemas semelhantes. E ainda sim ele parecia se sair melhor do que eu nisso. Não sabia exatamente qual era sua impressão sobre mim, embora ao julgar pela minha maneira sempre ríspida e rude não era algo exatamente bom, mesmo ele persistindo em ficar ao meu lado.

Acho que ele gosta mesmo de um desafio. Eu realmente não queria que ele pensasse que eu era louca por freqüentar um psicólogo, ele parecia lidar até que bem com seus próprios problemas e eu não. Tinha vergonha de admitir isso, mas era verdade. Não queria parecer frágil na sua frente, por que eu não gostava disso. Queria ser tão forte psicologicamente como ele. Stefan tão tinha dificuldades para lidar com os seus problemas, e ele estava sendo tão legal em me ajudar... Que talvez, só talvez eu pudesse retribuir a ajuda.

No entanto ele parecia ser muito teimoso para aceitar qualquer tipo de ajuda, provavelmente achava que estava lidando muito bem com isso sozinho, mas um quebrado sempre reconhece outro. Tudo bem que eu não reconheci no começo mais agora eu pude ver seus sentimentos por de trás de cada mínima ação, e compreender que não era somente eu que precisava de ajuda. E eu queria estar ao seu lado enquanto ele estiver do meu, conclui por fim.

Eu não entendia o por que meu pai não tinha um carro mais normal como reserva para sair, era meio constrangedor andar em uma viatura da policia isso meio que me fazia sentir como se houvesse acabado de ser apreendida. Como se isso já não tivesse acontecido antes, mesmo que eu não gostasse de lembrar muito sobre isso. Sem contar que dava um pouco de vergonha, algo que meu pai não parecia ter ao andar em uma viatura. Talvez ele gostasse de amedrontar alguns irresponsáveis.

Ao menos já estávamos quase chegando graças ao tempo perdido em que fiquei refletindo sobre minha vidinha miserável, era sempre assim, toda vez que eu tinha uma consulta ficava mesmo que de forma inconsciente, refletindo sobre minhas escolhas e sobre tudo o que passei, como uma forma falha de tentar me auto-ajudar. Até agora isso não funcionou muito bem, mais eu estava um pouco positiva com relação a entrar de cabeça nas consultas, eu queria fazer dar certo. Eu tinha quase três meses até o inicio das faculdades e definitivamente queria estar um pouco melhor até lá. Caso não estivesse... Bom, não acho que haverá motivos para tentar continuando.

Observei os prédios bem estruturados e cinzentos enquanto passavam rapidamente pela janela do carro. Stefan tinha dito que também viria para Seattle mesmo que a possibilidade de nos encontrarmos fosse quase nula pelo tamanho da cidade não pude deixar de evitar em ficar procurando-o pelas calçadas, com suas jaquetas de couro sintético e o cabelo loiro escuro bagunçado de um jeito charmoso, como se ele houvesse acabado de sair da cama de alguém, o que era bem provável.

No entanto não cheguei nem perto quando chegamos na clinica. Charlie deixou a viatura junto com os outros carros no estacionamento do local para depois entrar no prédio grande com uma aparência elegante e fria. Eu entrei atrás dele meio encolhida e dando passos curtos olhando para o chão. Independente de que tipo de hospital fosse eu sempre iria ódia-lo pelo seu cheiro de anticéptico que lembrava a doenças e morte assim como o ar condicionado sempre gelado que me fazia ter calafrios como agora.

Desprendi meu cabelo para que ele pudesse esquentar um pouco o meu pescoço, mas deixei a facha para que não caísse no meu rosto, mesmo com a blusa de moletom eu ainda podia sentir a temperatura meio baixa. Charlie foi até a recepção informar sobre o horário marcado e entregar os documentos que comprovam que eu de fato tenho uma consulta enquanto eu sentava em um dos bancos para depois ser chamada. Meu pai sempre fazia questão de vim comigo toda vez, como se estivesse com medo de que eu mentisse para ele e faltasse.

Como se eu fizesse coisas parecidas com isso, eu tinha um senso de responsabilidade e comprometimento alarmante que me impedia de fazer esse tipo de coisa, como cabular aula. Em resumo eu era certinha demais para fazer algo do tipo, não que a vontade fosse pouca. Umas duas crianças com algum responsável e três adultos, tentei ignorar essa informação por que estava desconfortável em fazer parte da categoria dos loucos.

Charlie entrou no consultório primeiro, ele gostava de fofocar sobre mim detalhes que eu achava insignificantes demais para contar, mas ele achava importante como se de alguma forma isso pudesse ajudar no meu tratamento. Eu não gostava de entrar junto com ele para não me irritar com suas criticas, eu tentava evitar ao Maximo ficar com raiva dos meus pais por que eles só queriam me ajudar, mesmo eu sendo praticamente uma vadia zumbi. Pelo menos ele não demorou a voltar e me disse que o Dr. Cavendish estava me esperando para minha seção.

Andei em passos curtos e lentos até a porta deixando mais do que obvio a minha relutância com relação a isso, em seguida girei a maçaneta tentando não fazer ruídos ao entrar. A sala era de um tom bege e possuía grandes janelas de vidro que quase alcançavam o chão, deixando a vista o céu cinzento e a montanha irregular de prédios que constituíam a paisagem de Seattle. Algumas prateleiras abarrotadas de livros, provavelmente sobre psicologia ou que tivesse um meio terapêutico, preenchiam as paredes de forma harmônica.

Tudo era tão claro e aberto que eu sentia-me asfixiando lentamente.

— Boa tarde, Isabella. – cumprimentou o doutor sentado em uma poltrona de couro marrom.

Valentine Cavendish era um homem na faixa de trinta e oito anos sem qualquer traço de expressão, cabelo curto e escuro assim como uma barba rala mas visível. O rosto era sempre amigável com olhos azuis claros clínicos e indecifráveis. Vestia-se com uma roupa casual que poderia facilmente alcançar o patamar da formal. Ele era muito bonito e teria a mulher que quisesse aos seus pés se não fosse gay e casado.

A prova disso era o porta retrato em cima da escrivaninha de mogno, em que ele abraçava deforma muito intima outro homem afrodecendente tão belo quanto ele, e uma garotinha ruiva com não mais que oito anos. Me perguntei se isso não era contra a ética profissional, afinal alguns de seus pacientes poderiam se sentir incomodados, principalmente aqueles que tinham problemas relacionados a família.

— Oi. – cumprimentei em um meio circulo feito com o braço, em uma espécie de aceno mais aberto, um pouco sem graça.

Ele esboçou um sorriso mínimo e estendeu a mão, indicando o divã as minhas costas. Eu subi nele sem muitas dificuldades.

— Como esta hoje? – perguntou-me ele sem muito interesse.

— Bem. – essa parecia a palavra certa embora eu não tivesse certeza absoluta ao julgar por toda a situação. Encarei o teto, agora deitada, tentando esvaziar minha mente e relaxar.

— Ótimo. Por que não começa me contando como foi essas duas ultimas semanas? – sugeriu ele com a voz cordial, mas mesmo assim eu podia sentir seus olhos em mim avaliando cada gesto e expressão.

— Praticamente nada fora do comum. Eu corri quase todos os dias, e isso me faz bem. Tira toda a tensão irritabilidade e a sensação de exaustão emocional. Pratiquei Yoga que também ajuda, estudei, fui à escola e só. – respondi monocórdia. Eu não me sentia confortável em compartilhar a minha vida com ele então fiz um resumo de tudo o que aconteceu, deixando alguns detalhes que achei irrelevante de fora.

O Doutor deu um suspiro parecendo cansado.

— Sabe por que decidi me formar em psicanálise? Porque eu entendia facilmente as pessoas, eu dava bons conselhos e conseguia ajudá-las. É exatamente isso que estou tentando fazer por você, te ajudar. Você sabe que para isso funcionar tem que ser o mais franca possível. Eu posso te ajudar se você não colaborar comigo. Sei que pensa que alguns detalhes são irrelevantes, mas não são. Cada detalhe me faz ver se estamos tendo um progresso ou não.

Suas palavras me lembraram ao que Stefan disse, do fato dele não conseguir me ajudar comigo mesma atrapalhando. Se eu quisesse mesmo me empenhar na sua idéia de seguir em frente, eu precisava me abrir a diversas alternativas que pudessem me proporcionar isso. Por idiotas que elas parecessem aos meus olhos. Parecia-me correto já que pelas pesquisas que eu li na internet eu só conseguiria superar se tivesse alguma espécie de auxilio.

— Que tal começarmos novamente? – sugeriu ele de forma amigável. Eu balancei a cabeça em concordância. – Como você se sente hoje?

— Estável, eu acho. Talvez um pouco nostálgica, estive pensando na minha vida quando estava vindo para cá. No entanto eu tive uma recaída essa semana... – comecei um pouco hesitante mas ele gesticulou para que eu continuasse e eu o fiz. — Sonhei com o dia da floresta, eu corria e tudo parecia tão confuso e horrível. Quando acordei estava chorando, meu estomago doía e eu senti vontade de vomitar. Foi o que eu fiz e depois eu passei a me lembrar de tudo que me aconteceu e tive uma das alucinações. – finalizei com simplicidade, minhas mãos tremiam um pouco e eu me forcei a respirar fundo.

— Você teve outro episodio, isso é normal. Mas quanto às alucinações já deveriam ter pardo se você toma o remédio direito. Tente se lembrar que tudo não passa de uma manifestação do seu subconsciente, como se você estivesse sonhando acordada. – aconselhou, de forma clinica e profissional

— Normal? – questionei incrédula. — Você tinha dito que eu estava curada disso, que os lapsos iam parar. Mentiu para mim.

— Não menti para você, eu disse que estava quase curada, o que é verdade. Transtorno de estresse pós-traumático não se cura tão facilmente, mas você já evoluiu bastante considerando o período em que você ficou sem essas crises. Os remédios ajudam a retardá-las, mas se você evitar pensar sobre o assunto vai ser inevitável que tenha essas crises. – falou ele de forma calma e lenta que pareceu meio petulante como se ele estivesse falando para uma criança burra. Isso fez meu nariz arder e as palmas da minha mão coçarem. Trinquei os dentes e bufei, esfregando as mãos efusivamente na bermuda como se isso fosse fazer parara sensação, e franzi o rosto tentando fazer com que a sensação em meu nariz deixasse de ser incomodo.

— Estou com raiva de você. – fui verdadeira, já que um dos ‘’tratos‘’ era sempre dizer o que eu parecia sentir em relação a cada coisa, embora algumas vezes meus sentimentos eram confundidos com incômodos ou dores físicas, como estava agora.

— Está com raiva? Tente descrever que sente para mim. – ele pediu aparentando estar um pouco mais interessado. Eu bufei novamente antes de fazer essa coisa estúpida.

— Não gostei da sua resposta, pareceu que você estava me achando burra por ter entendido errada. Não gostei de ser contrariada e ter minha convicção quebrada. Quis socar sua cara por isso. – admiti sem muito animo, respirando fundo e sentindo que isso ajudava, afinal meu nariz e minhas mãos não incomodavam tanto quanto antes.

— Está errada. O que você descreveu foi irritação, se sentiu frustrada. Sentiu-se incapaz de controlar essa situação por que suas expectativas com relação a isso estavam erradas, e isso a desapontou. Você quis socar minha cara por que me acha responsável por isso, quando na verdade foi obra de má interpretação. Raiva quase sempre acarreta em agressão e irritabilidade é uma raiva contida por não saber lidar com a situação presente. Por isso você confundiu com as sensações de ardência nasal e comichão nas palmas das mãos. – explicou-me formalmente e pensando bem até que fez bastante sentido para mim. Eu não lhe bati por que não pareceu correto mas senti muita vontade, esse não fosse pela minha ética teria feito.

— Não sei por que me fala para descrever o que sinto quando quase sempre você diz que esta errado. – resmunguei cruzando os braços meio irritada, já que segundo sua definição era isso que eu estava sentindo.— Preciso saber se você consegue discernir sensações físicas das emocionais, se sabe identificá-las em alguém e em si própria. – explicou ele a mim de forma gentil. Suspirei consternada, sentindo-me calma com o seu ton.

— Eu sei, só que parece que cada vez mais estou ficando pior. Primeiro o TEPT que eu pensei que estava controlado, mas não estava totalmente. Depois a quase depressão e agora a alexitimia. O que mais falta? A esquizofrenia? Por que só isso para explicar as alucinações. Sinto que nunca vou estar curada realmente, talvez não haja esperança para mim. – refleti meio desanimada, enquanto sentia meus olhos arderem eu estava triste com essa perspectiva, isso eu podia identificar.

— Você não esta piorando. O processo de tratamento é difícil e demorado principalmente para você que tem dois tipos de transtornos. Não adianta reprimir seus sentimentos e evitar pensar sobre o passado, você precisa fazer isso. Precisa pensar e falar sobre o assunto, só assim você vai encontrar um meio de enfrentar e superar isso. Tudo o que eu posso fazer é te auxiliar e mostrar o caminho. Os remédios só servem para diminuir os sintomas, não curar. – disse ele tentando ser o mais delicado possível, provavelmente era essa a forma de tratar pacientes e impedir que eles tivessem acessos de raiva e frustração, de qualquer forma isso sempre me deixava mais calma.

Puxei os cabelos com força na raiz como se dessa forma eu pudesse reprimir a angustia que sempre me assolava, Eu ficava tão cansada em lidar com as lembranças e sentimentos que não sabia descrever.

— Eu não consigo falar sobre o assunto. Cada vez que isso acontece minhas mãos tremem e parece que estou sendo sufocada a cada instante. Eu sei que de nada vai adiantar se eu não falar nada mas... Eu ainda vou me abrir, só não estou pronta agora. Preciso de mais tempo para lidar com a lembrança desse amor terrível. – confessei melancólica franzindo a testa incomodada ao pensar sobre essa questão.

— Tudo bem, eu não vou mais insistir. Mais saiba que a iniciativa tem que vim de você, em alguma hora vai ter que enfrentar o passado e quanto mais adiar pior vai ser depois. – ele me alertou parecendo analisar minha expressão e anotar algo em uma prancheta.

— Prefiro arriscar. – admiti dando em sorriso fraco.

— Okay. Quanto às alucinações, eu irei aumentar a dosagem de sertralina. Caso na próxima consulta as imagens ilusórias continuem, me avise esta bem? – questionou ele me olhando serio enquanto me entregava uma prescrição. Eu assenti com a cabeça.

— Você trouxe o caderno de desenho? – perguntou-me, mudando de assunto e eu secretamente agradeci isso secretamente. Eu havia adotado uma serie de medidas que evitariam complicações no TEPT, como a corrida, a yoga e arte terapia que tinham o intuito de diminuir o impacto que o trauma teve em minha vida, sem contar que os desenhos estimulavam meus processos imaginativos, que por conta da alexitimia eram limitados.

Balancei a cabeça novamente para sua pergunta, antes de enfiar a mão na minha bolsa e tirar o caderno com boa parte dele preenchido. Olhei pra minhas mãos, acanhada, as pontas dos dedos ainda manchadas de grafite, enquanto ele analisava os desenhos em ordem de tempo. Aquilo era uma espécie de diário para mim, eu sempre desenhava o que pensava, algumas coisas que refletiam momentos da minha vida e o que eu muitas vezes não conseguia dizer com palavras.

O doutor me olhou ainda com o cadernos em mãos, parecendo tentar esconder sua reação de admiração.

— Tenho que dizer que quanto mais tempo se passa eles ficam melhores, você tem um verdadeiro dom. – ele elogiou com um meio sorriso.

— Obrigada. – agradeci meio sem jeito.

— Você esta terminando o ultimo ano, certo? Já pensou em fazer alguma faculdade de artes plásticas? – indagou parecendo curioso e até mesmo verdadeiramente interessado na minha resposta.

Senti o peso das suas expectativas em mim fez com que eu me encolhesse um pouco.

— Eu não penso muito sobre o futuro, embora tenha enviado algumas inscrições para faculdades. Penso mais no agora, em como continuar dando um passo de cada vez por mais difícil que seja. – respondi com sinceridade e percebi que minha resposta saiu mais mordida do que eu desejava. Isso pareceu deixar ele sem graça e ele tentou voltar ao foco da questão.

— Esse aqui é diferente dos outros. Quem é ele? – questionou apontando para um desenho de grafite de um par de olhos.

Duas sobrancelhas grossas e bem marcadas emolduravam um par de olhos brilhantes e expressivos que eram um pouco puxados do lado. Ao julgar pelas finas linhas no canto dos olhos ele estava sorrindo. Eu continuei a traçar em minha mente o resto do seu rosto como o nariz longo e não muito fino, os lábios bem desenhados em um meio sorriso que mostrava seus dentes curtos, brancos e bem alinhados embora tivessem um que de infantilidade que era desproporcional ao resto do rosto que exalava masculinidade, com o cabelo bagunçado de um jeito charmoso.

Ele me era familiar por que fazia parte da presença constante que eu estava tendo nos últimos três dias. Eu me lembrava também de como sua barriga era malhada e definida, de como eu nunca havia visto um tanquinho ao vivo e por isso fiquei meio hipnotizada sem conseguir desviar os olhos. Senti meu rosto arder de uma forma vergonhosa e não precisei olhar em um espelho para saber que estava corada.

— Ele é só um colega de escola. – menti com a cabeça meio baixa e respirando fundo tentando parar de ruborizar. De uma forma meio estúpida e egoísta. Eu não queria falar sobre Stefan com ele, parecia uma coisa meio intima demais. Eu queria guardá-lo só para mim.

— Mesmo? Seu pai me contou que tinha feito um amigo. E ao julgar pelos mais dois retratos dele, eu não diria que ele é só um colega. – estipulou Valentine, quer dizer doutor Cavendish, mostrando os demais desenhos como para dar mais veracidade ao que disse. Havia uma imagem dele até a cintura com as quase inseparáveis jaquetas, e outra dele como no meu sonho: de olhos fechados e cabelo flutuando como se estivesse submerso na água.

Respirei um pouco resignada, cruzando os braços sobre o meu colo.

— Tudo bem, eu me surpreenderia se Charlie não tivesse fuxicado sobre isso com você. O nome dele é Stefan Salvatore. Ele se mudou para cidade há quase duas semanas, mas só nos tornamos próximos mesmo há três dias atrás. Ele é tão irritante! Fica fazendo algumas piadinhas e parece zombar de mim, mas ao mesmo tempo ele me faz sorrir e me deixa leve. Minhas mãos tremem quando estou junto dele, assim como meu coração parece querer sair pela boca, e muitas vezes eu sinto vontade de socar a cara dele como quis fazer com você hoje. Mas ao mesmo tempo eu me sinto leve e solta, ele me trata como se eu fosse normal. Isso me deixa confusa por que não age como os outros, não se afasta independente do que eu faça. – despejei tudo o que me atormentava e que ele parecia querer saber.

Ele ficou em silencio por um momento, absorvendo o que eu disse com rapidez e meio embolado.

— Isso é muito bom, você estar fazendo amizades e se abrindo para sociedade< quer dizer que o tratamento esta fazendo efeito. – ele observou com um meio sorriso, e isso me fez voltar a querer socar sua cara em irritação.

— Isso não é legal. Ele fica me seguindo e se convidado para onde eu vou. Ele é um folgado que não se toca quando tem que dar espaço a alguém. Isso me incomoda, até meu pai gosta dele e agora você também, qual é o problema? Ele é só um cara grudento e chato. – desabafei chateada, mais que droga! Por que todo mundo tinha que gostar dele?

— Você não percebe? Ele esta provocando um sentimento em você, não esta indiferente a ele como acontece com os outros. Você não consegue ignorar ele, você o trata com rispidez para que ele se afaste mas ele é persistente e isso a deixa frustrada. Você ainda não sabe discernir as emoções no rosto dos outros por isso acha que ele fica zombando de você, por que é o que os outros fazem. Ele está te tirando da zona de conforto, e você não gosta disso, mas ele está te ajudando a se soltar mais a conviver mais com os outros. – o doutor explicou visivelmente satisfeito com isso.

— Isso é estranho, não me deixa confortável. Ele age com intensidade demais para o meu gosto. Nós mal nos conhecemos e ele já quer ser meu amigo. – expliquei um pouco mais conformada com a situação.

— Talvez deva dar uma chance a ele, isso fará bem a você. Ele está te oferecendo à oportunidade de recomeço mais está em suas mãos a decisão de aceitar ou não. – disse ele gentilmente, voltando a me entregar o caderno, nossa consulta tinha acabado.

— Talvez. – refleti enquanto passava pela porta em direção à saída.

No caminho inteiro eu fiquei pensando sobre o que o Doutror disse e ele tinha razão. Eu deveria dar uma chance, se não desce certo... Bom eu não poderia ficar pior do que já estava. Eu não gostava muito do Stefan então não corria risco de ter um coração partido novamente, eu deveria dar uma chance de me apegar a alguém novamente. Não ficar com esse medo patológico de sofrer. Eu não quero mais só sobreviver um dia após o outro, eu queria viver.

Ter emoções e aventuras, como todos os adolescentes normais por que eu também era uma. Eu queria me apaixonar diversas vezes, rir, chorar, me divertir com tudo que eu tinha direito. Mas eu tinha medo. Não queria que o ‘’E Se’’ controlasse a minha vida, eu queria ser livre, não queria ficar presa a essa alternativa que me assombra. Precisava continuar, precisava superar. Eu não iria perecer, eu iria ultrapassar essas barreiras que eu mesma estava impondo. Por que eu ia conseguir desta vez, eu precisava ter fé nisso. Eu não podia ficar presa nas lembranças desse terrível amor doentio.

Mas a preção dá escolha era grande sobre meus ombros, estava em minhas mãos a chance e eu deveria tomar a iniciativa de mudar tudo, eu deveria querer isso. Nada iria mudar se eu não quisesse, se eu não fizesse. Por que sou eu que comando a minha vida não Ele que só me puxa para baixo. Eu era dona das minha próprias decisões, então somente eu poderia tomá-las. Eu já sabia a resposta para a minha pergunta, se tornou tão claro como cristal por que era algo que eu precisava, porque era o que eu queria. Não pude evitar a infantilidade de gritar sobre o travesseiro em êxtase, sentia orgulho de mim mesma por ter tomado a iniciativa.

Eu tomei um banho quente enquanto dançava no chuveiro bobamente e depois comi um sanduíche leve, Charlie tinha pedido uma pizza então não tive que cozinhar. Mesmo depois de tudo isso não conseguia dormir, me revirei no lençol por horas tentando cair nos braços de Morfeu mais nada fazia efeito, eu parecia ligada nos 220 volts. A única coisa que passava na minha cabeça era falar logo com o Stefan sobre minha decisão, e perguntar se ele estaria ao meu lado para me ajudar a levantar a cada recaída, por que eu estava disposta a tentar.

Estava disposta a deixá-lo entrar de vez na minha vida, a deixá-lo me ajudar por que pela primeira vez eu podia admitir que não conseguia sozinha. Isso era tão emocionante, eu queria saber o que nós dois podíamos fazer, queria me divertir com ele e criar lembranças da qual eu gostasse de relembrar e não ficasse me atormentando. Eu nunca estive tão ansiosa para algo desde 16 de janeiro, e eu me sentia tão bem com isso que não conseguia parar de rir, mesmo que minha bochecha estivesse doendo em ficar nessa posição por tanto tempo.

Quando deu três horas da manhã eu não agüentei mais. Não liguei para o fato de não ter dormido um minuto se quer por que eu não agüentava mais esperar para falar o que estava entalado na minha garganta. Eu estava pronta para dar o primeiro passo para fora da gaiola da minha vida. Vesti minha roupa de corrida e sai porta afora sem ligar que ainda era madrugada, eu só corri como se pudesse voar pela primeira vez. Em minha mente a lembrança ainda era nítida por isso me guiei por ela até chegar à casa de dois andares meio afastada da civilização.

Eu sentia meu corpo doer e meu coração bater como se fosse explodir, mas eu sentia o ar fresco a minha volta que me deixava tranqüila. Eu sorri novamente com isso por que eu me sentia viva, finalmente tomei uma decisão por mim própria sem influencias da qualquer que fosse eu fiz o que eu precisava por que quis. Bati varias vezes na porta de magno não me importando nem um pouco que provavelmente o estava acordando. Eu não conseguia parar quieta por isso dava alguns pulinhos, estava agitada demais.

Então ele abriu a porta de supetão, o que me assustou um pouco por não ter ouvido barulhos de passos. O cabelo estava desalinhado de um jeito sexy, que me fez perder a fala; usava uma calça de moletom cinza escura e uma camiseta marrom que marcava seus ombros largos e tórax de uma forma muito atraente que me deixou um pouco desconcertada e me fez perder a linha de raciocínio, às vezes eu me esquecia o quão ridiculamente bonito ele era. Chegava a ser um pouco esquisito vê-lo ao vivo em cores, quando deveria estar em uma revista teen adolescente.

Ele ficou confuso e me perguntou como havia chegado ali, com verdadeira incredulidade que me fez ter orgulho de ter uma memória tão boa. E se formos considerar ele estava me tratando com muita educação considerando que agora eram cerca de quatro da matina, mas eu pude perceber pela sua carranca inicial ao abrir aporta que ele provavelmente não gostou de ter o sono interrompido. Se eu não tivesse ficado tão agitado teria sido correto esperar até amanhecer. Mas agora eu não poderia voltar atrás.

Isso me fez lembrar do por que estava ali então eu respondi dizendo que aceitava seu desafio lançado a dois dias atrás. Ele ficou confuso com minha resposta, nem todo mundo lembra exatamente do que diz em um momento de descontração. Só eu que sou meio esquisita. Foi então que eu deixei vim à enxurrada de explicação que me fez ficar insone e não saia da minha cabeça. Eu expus minha decisão, falando um pouco apressada talvez, mas senti um tremendo alivio quando coloquei tudo para fora, por que isso ainda era um pouco difícil para mim, mas a terapia estava ajudando como fez ontem me fazendo refletir sobre tudo.

Senti-me um pouco leve e mais calma ao terminar, e esperei sua reação para continuar de bom humor, embora tenha sentido um friozinho na barriga com medo de ele me mandar embora e nunca mais chegar perto de mim, bem agora que eu estava empenhada em fazer dar certo. Tudo o que pude fazer naquele momento foi esperar sua reação diante das minhas palavras.

Notas finais
Não me esganem por ter parado nessa parte de novo mais eu precisava criar um suspense para o proximo cap, que em minha opinião vai ter uma carga emocional muito grande. Se preparem para fortes emoções (Risos). Nossa esse cap eu praticamente vomitei as palavras embora tenha ficado foda, aqui você puderam ver mais sobre os problemas que a Bella desenvolveu por conta deste terrível amor, e já digo já que vai ser complicado para ela perceber o que sente pelo Stefan como puderam ver, mas não se preocupem que eu não sou tão má assim. Foi um pouco complicado de escrever isso por que tratar desses dois transtornos é meio aterrorizante mas eu acho que estou me saindo bem nisso (risos). se tiver algum errinho depois eu corrijo por que postei correndo para não atrasar demais. Bella já havia tido contato com outras coisas sobrenaturais antes mas por um motivo misterioso, ela nunca se lembra. Isso vai ser importante no futuro (risos)Quem ficou curioso com a lingua que a mostrenga fala com a mini Bella, pesquisem no Google tradutor que é um, baita Spoiler do futuro (risos). A DICA DO PROXIMO CAP É: teremos pov Bella novamente e se preparem Belinha e Stef vão por as cartas na mesa com relação ao seu passado. Esse próximo cap sera o primeiro que Bella narrara estando frente a frente com o Salvatore e isso vai ser demais. Comentem e recomendem, digam do que gostaram ou não suas teorias e impressões quem quiser, mas isso ajuda muito a estimular minha criatividade fora que me deixa com um sorrisão no rosto,. Nos vemos na próxima pessoal,! Blown kisses, Mia.