Notas iniciais
So-ory, I'm sory, so-ory, I'm...gurgh! Cof cof cof- autora engasgando com a pedra que leitores zangados com a demora jogaram. Okay eu demorei muito mais desta vez do que da outra, e sei que alguns de voces devem estar pensando "Putz, essa garota não vai terminar nunca essa historia ein? Daqui a pouco ela ultrapassa a facha de demora do Tio George R.R. Martin. Isso porque ela diz que esta na PRIMEIRA temporada." Desculpe de verdade pessoal, como eu disse no capitulo anterior, de tarde e algumas vezes até de manhã, eu fico cuidando do meu irmãozinho e a noite eu estudo estou tentando reconciliar tudo isso para poder arranjar um tempinho para escrever. Mas eu não vou largar a fic afinal não chegamos nem na metade do que ainda vai acontecer com o nosso casal. Bom explicações dadas, agora vamos partir para o abraço auer dizer abraço imaginario nesses lindos que comentaram no cap passado: Bea Cullen Salvatore, Izzy Ramos Cullen, Lya Bass e a fofa da Jennifer Black wolf que me mandou uma MP maravilinda, obrigada florzinhas. Bom já aviso já que esse capitulo não termina do jeito que imaginei e por isso tive que dividi-lo em duas partes na qual a segunda já esta quase finalizado e postarei daqui a duas semanas no máximo. É serio desta vez (risos) bom vamos ao que interessa. Ah não se esqueçam de ler as notas finais, tenho uns avisos importantes para dar. Boa leitura! E Ah! não se esqueçam de ler as notas finais, tenho uns avisos importantes para dar.

Stefan Salvatore

22:03 P.M.

A noite estava estrelada quando Isabella atravessou a porta da casa dos Swan’s, se posicionando na varanda onde tornava possível ver sua fantasia devido às luzes das lâmpadas. Um assobio em admiração me escapou pelos lábios enquanto eu tentava desviar meu olhar do seu corpo. A verdade era que algumas vezes eu esquecia que Isabella era uma garota, sempre escondida sob roupas largas conversando sobre coisas mais interessantes que maquiagens ou garotos. Mas havia momentos em que ela fazia questão de mostrar a mulher fatal que existia sob as camisetas de banda; era nesses momentos que eu me auto-recriminava por notar isso.

— Sandy! – Eu exclamei quase entrando no personagem.

Ela se reencostou no batente, uma das mãos na cintura enquanto a outra puxava a jaqueta de couro preta pelas costas.

— Hey, Danny-boy. – saudou ela, os lábios cheios delineado de batom vermelho se curvando em um sorriso. Nunca até agora eu havia visto Isabella Swan usando maquiagem, nem mesmo quando fomos naquela balada em Port Angeles, e eu tinha que admitir que fazia uma grande diferença.

Meus olhos capturavam todos os detalhes diferentes como o cabelo, antes liso e levemente ondulado nas pontas, que estavam cacheados e volumosos o que diminuía o comprimento até o ombro. Havia três tranças finas de raiz do lado esquerdo da cabeça que dava um detalhe moderno ao penteado. A camiseta que usava era feito de um tecido fino que delineava o contorno dos seus seios e a barriga plana, sendo sustentada por uma pequena tira de babados que passava pelos ombros contornando também o decote dando um aspecto tomara que caia. Já a calça da mesma cor era de um tecido brilhoso que marcava suas curvas como uma segunda pele. Nos pés havia um par de sandálias de salto alto vermelho e chamativo.

Enquanto eu vestia uma camiseta preta sem estampa estando por cima uma jaqueta esportiva escolar branca com detalhes vermelhos, a calça jeans rasgada nos joelhos e tênis All Star. Nós dois juntos ilustrávamos o casal principal do filme Grease, com os figurinos das cenas finais. Filme este que eu sabia ser seu favorito, e que de certa forma auxiliou na minha escolha certeira.

— E então? Como eu estou? – questionou Isabella tombando a cabeça para lado me olhando com aqueles olhos de enormes cílios.

Segundos depois ela deu uma giradinha, se desequilibrando de leve nos saltos, para que eu pudesse ver o figurino por inteiro. E porque diabos ela fez uma coisa provocativa daquelas? Tive que prender um gemido na garganta porque durante essa semi-volta, pude notar o quanto a comissão de trás estava em evidencia. E que comissão...

— E então? – repetiu ela parecendo envergonhada e desconfortável com o meu olhar intenso e penetrante demais para ser normal. Ela é sua amiga, não fique notando esse tipo de coisa, a razão me auto recriminou. Tente usar a cabeça de cima em vez da debaixo para responder a pergunta dela.

— Hãm... você esta muito... – engoli em seco ao observar seu corpo novamente antes de focar meus olhos nos seus outra vez. — Bonita. – conclui por fim, embora tenha soado mais como uma pergunta. Bonita era um eufemismo para como ela parecia no momento.

Seu sorriso murchou um pouco enquanto seus olhos cristalizavam como um lago no inverno.

— Stefan, você não é meu pai, não precisa se conter com reação a um misero elogio. Eu te perguntei justamente porque queria a opinião sincera que só um garoto poderia dar. – explicou ela parecendo imensuravelmente chateada e até mesmo ofendida embora eu não soubesse exatamente o por quê.

O que ela queria que eu dissesse? Eu não podia simplesmente falar que ela estava tão gostosa que eu poderia fode-la ali mesmo, contra o capo do meu carro, porque ia contra a linha imaginaria que delimitava a amizade entre um homem e uma mulher. Ia contra a minha moral. Por isso fiquei confuso com o que exatamente ela queria de mim. Meus ouvidos aguçados captam o som de passos pesados se aproximando, vindos de dentro da casa. Pela freqüência cardíaca e o cheiro de sangue pude concluir que era o chefe Swan, mas não me viro em direção porque sei que esse ruído não deveria ser auditivo aos humanos.

Segundos depois, eis que finalmente surge o chefe Swan no batente da porta, confirmando algo que meus outros sentidos já haviam concluído. Sua boca se franziu por debaixo do bigode lustroso enquanto seus olhos de águia varriam a nos dois, se focando especificamente na minha proximidade com Isabella. Ela era um policial, desta forma costumado a analisar as pessoas, principalmente criminosos na hora do interrogatório, algo que ele fazia sem nem mesmo disfarçar. O que ele esperava encontrar? Eu e Isabella fazendo algo comprometedor como dar uns amassos com direito a mãos bobas? Como se isso se que fosse uma possibilidade, pensei ironicamente. Mas mesmo assim dei um passo para trás para dispersar suas possíveis suspeitas. Ele tinha um revolver e mesmo que balas de forro não me matassem, ainda faziam um grande e doloroso estrago.

— O elogio dele me pareceu educado o suficiente considerando as circunstancias. — Seus olhos passaram rapidamente as pernas quase desnudas da filha, antes de voltar novamente para o rosto dela com uma seriedade que a fez se encolher de leve atrás de mim. — Onde devo ressaltar que talvez pela pressa de se arrumar, você tenha esquecido de vestir algo por cima desta meia calça. — terminou o chefe Swan, embora seu tom deixasse claro a bronca velada.

— Pai! Não acredito que você estava ouvindo atrás da porta feito uma velhinha bisbilhoteira. — exclamou a Swan parecendo tão indignada quanto envergonhada.

Ele arqueou as sobrancelhas, os lábios se curvando em diversão sob o bigode.

— E não era para ouvir? Ora, mas de que outra maneira um pai pode desvendar os mistérios que se passam na cabeça do filho adolescente?— perguntou ele de maneira retórica, cruzando os braços enquanto se apoiava no batente como sua filha tinha feito apenas alguns minutos atrás.

Sorri de leve achando a dinâmica entre os dois, divertida de se observar. Isabella claramente queria que seu pai voltasse para dentro de casa, enquanto Charlie parecia muito confortável com o clima constrangedor que havia se formado. Aparentemente eu não era o único a se divertir com as reações dela. O que fez uma pontinha de empatia se acender em mim, mas era tão pequena que foi muito fácil de ignorar. Irritar Isabella era como assistir aqueles Talk Shows de TV, a diferença era que observar isso era hilário.

Isabella grunhiu embora eu soubesse que ela não estava verdadeiramente brava.

— Vamos embora Stefan, antes que ele ache outro defeito em minha fantasia. — Disse ela emburrada, fazendo menção de descer os únicos três degraus que separavam a varanda do quintal, no entanto foi impedida pelo aperto firme de seu pai no ombro.

— Não coloquei defeito, foi só uma observação para que você fique esperta. Da mesma forma em que eu notei a sua roupa, um monte de marmanjo pervertido também vai, então tome cuidado, okay? — pediu ele focalizando bem nos olhos da filha, que desmoronou um pouquinho diante a preocupação calorosa dele, assentindo de forma afirmativa a seu pedido.

— E você, rapaz — continuou ele dessa vez se virando para mim. — Cuide para que nenhum engraçadinho tente alguma coisa. Estou confiando a você a minha maior preciosidade. — alertou-me ele com seriedade embora estivesse descontraído.

— Pode deixar comigo. — afirmei com uma piscadela divertida.

— Eu posso cuidar de mim mesma, não preciso de nenhum guarda-costas. — observou ela descendo as escadas e passando por mim enquanto seguia até meu carro, com o nariz em pé.

— Ham-hã, vou fingir que acredito em você, garota. — disse Charlie com cinismo que fez a nós dois gargalhar, enquanto Isabella bufava balançando um dos pés com impaciência.

— Estou realmente tentada em desistir dessa palhaçada, por conta dessa enrolação. — avisou ela cruzando os braços enquanto revirava os olhos.

E exatamente por conhecê-la o bastante, eu sabia que era bem capaz dela cumprir com seu alerta, já que dias antes não tinha mostrado interesse em ir a festa.

— Calma ai, apressadinha.— resmunguei descendo os degraus e capturando minhas chaves nos bolsos para abrir as portas.

— Divirtam-se crianças! — foi a ultima coisa que o chefe Swan disse em forma de Adeus, enquanto eu manobrava o carro pela estrada encoberta pela escuridão da noite. Mesmo assim eu podia enxergar cada ponto que compunha a passagem a nossa frete, como se ainda fosse dia.

Batuquei os dedos no volante por um momento antes de ajeitar o espelho retrovisor de forma distraída. Este que refletiu uma Isabella que mordia o lábio inferior tentando conter um sorriso ao observar a paisagem lá fora.

— O que é tão engraçado?— perguntei curioso para saber o que se passava na sua mente.

— Nada. Só achei ironicamente contraditório que meu pai mandasse você tomar conta para que nenhum engraçadinho passe a mão na minha bunda, quando você esta me ensinando a seduzir para que eles justamente sintam vontade de fazer isso. — disse ela com um sorriso mais amplo desta vez, os olhos verde acinzentados brilhando em diversão.

— Shhh!— faço colocando um dedo sobre a boca pedindo silencio e olhando para os lados como se o Chefe Swan fosse pular na janela do carro a qualquer momento. Ela parece achar graça do meu gesto. — Vamos deixar isso como um segredo nosso okay? Eu amo demais meu amiguinho de baixo para ocorrer o risco de levar um tiro ao desvirtuar o caminho da filhinha do chefe de policia.

— Ha-ha-ha — disse ela ao fingir uma risada. — Sinto abaixar sua bola mas, não seria um rostinho bonito como o seu a me influenciar a seguir para o mal caminho, querido. Minha moral se sobressai ao seu poder de persuasão fajuto, acredite. — disse ela dando um sorriso consolador que de nada combinava com a sua frase.

— Tem certeza?— questionei me aproximando o bastante do seu rosto, o suficiente para que nossas respirações se encontrassem, e eu pudesse sentir o cheiro fraco do seu gloss de tuti-fruti que, no momento, era praticamente extinto em sua boca por conta da sua mania de constantemente morder o lábio inferior. — Pois eu acho que consigo ser bem persuasivo.

Ela arregalou o olhos, parecendo parar de respirar por um segundo enquanto engolia em seco.

— E eu acho que você deveria voltar os olhos para a estrada antes que transforme nós e Grease lightning em uma sanfona contra uma arvore. — disse ela sem piscar antes de se virar para frente com medo do que isso realmente acontecesse.

Eu ri da estúpida possibilidade remota de isso acontecer.

— Grease Lightning, é?— perguntei de forma curiosa e até provocativa.

Seu rosto ruborizou de leve mas ela não abaixou o olhar diante o meu.

— Estamos a caráter por isso hoje somos somente Sandy e Danny, e devemos agir de acordo com tais. — explicou-me revirando os olhos como se fosse uma coisa obvia de se saber.

— Okay. — prolonguei a palavra para que ela soubesse que aceitei mas achei engraçado seu modo de pensar.

Isabella encarou o espelho retrovisor ajeitando o cabelo que a mim parecia impecável.

— Eu não acredito que você fez isso de novo — disse ela bufando em irritação.

— Fiz o que?

— Invadiu o meu espaço pessoal! Você sabia que existe uma linha imaginaria que delimita isso? E não é porque somos amigos que a minha automaticamente desapareça. — continuou ela a reclamar. Foi então que entendi o porque ela encarar fixamente o espelho retrovisor: ela estava constrangida em me encarar de volta.

— Eu sei que existe uma linha imaginaria do ‘’espaço pessoal’’, só prefiro ignorá-la. — Dei de ombro com simplicidade que aquilo me parecia ser.

Éramos amigos e por isso eram comuns os gestos de intimidade que tínhamos. Enquanto não levássemos para o outro lado estava tudo bem. E enquanto ela não soubesse o quanto minha mente maliciava alguns dos seus gestos, eu poderia fingir que nada estava acontecendo.

— Você é tão... Você me deixa tão... Argh! — Grunhiu ela cruzando os braços após tentar gesticular falhamente com as suas mãos.

— Deve concluir então que lhe deixo sem palavras?— perguntei somente para provocá-la.

Ela tombou a cabeça de lado, me olhando por entre aqueles longos cílios delineados por rímel preto.

— Menos pretensiosidade, queridinho. Não é porque não consigo definir os sentimentos que você provoca em mim, que isto seja exatamente uma coisa boa. — lembrou-me ela um pouco menos irritadiça.

Por algum motivo suas palavras ascenderam uma pontada de desconforto no meu peito, e novamente me vi confuso, tentando entender a profundidade oculta no contexto de sua frase que me soava terrivelmente subjetiva. Mesmo que minha face não tenha se alterado quando eu disse:

— Também não quer dizer que é exatamente algo ruim.

Um silencio um tanto incomodo se instalou entre nos dois durante o curto percurso, mas não fiz nenhuma questão de tentar quebrar esse clima com algum assunto ameno. Vendo isso Isabella resolveu tomar a iniciativa por mim.

— A casa de Jessica fica mais perto da sua que da minha. Talvez tivesse sido melhor se eu tivesse ido pronta para sua para irmos direto de lá, ao em vez de você fazer esse retorno trabalhoso. — comentou ela em um tom abrando, tentando estudar meu humor com cautela.

— E como você chegaria lá? A pé? Para na pior das hipóteses ser atropelada ou estuprada tendo o corpo escondido na floresta que rodeia o meio fio da estrada?— questionei arqueando uma das sobrancelhas em um sarcasmo acido.

Percebi assim que minhas palavras saíram que havia sido grosseiro demais, talvez sem uma razão especifica para isso. Isabella desviou os olhos, parecendo sem graça por ter a verdade jogada em sua cara de forma tão dura, para depois voltar encarar a paisagem lá fora com afinco. Encarei a estrada a minha frente com uma pontada de culpa, considerando que já havia aturado uma Isabella bem pior no inicio da nossa amizade, tendo poucas sido tão grosseiro desta forma.

A casa de Jessica Stanley não ficava muito longe, mas os longos minutos que se sucederam pareceram terrivelmente agonizantes. O som de musica alta se tornou auditivo para mim três ruas antes, mas somente quando eu tentava caçar uma vaga na rua em questão, lotada de outros carros que percebi o quão absurdamente alta estava o som. Ai, meus ouvidos.

Assim que estacionei o carro, Isabella desafivelou o cinto com agilidade antes de bater a porta com brusquidão, evidenciando seu desagrado. Respirei fundo passando as mãos entre os cabelos olhando em volta, para me aproveitar do momento oportuno sem telespectadores curiosos, para usar minha velocidade natural, alcançando-a em um segundo. Puxei com gentileza um de seus braços mas fazendo pressão o bastante para que ela se virasse, batendo de leve contra meu tórax antes de erguer a cabeça surpresa por meu gesto ágil. Mentalmente me recriminei por isso, pois sabia que deveria ter sido um pouco mais cauteloso no entanto no momento isso não havia me vindo a cabeça.

— Me desculpe pelo tratamento tão ríspido. Você tem estado tão distante durante esses últimos dias que acho que me desacostumei um pouco com seu jeito de ser. — sorri de leve em um pedido mudo de desculpas, que ela aparentemente aceitou já que relaxou visivelmente ao meu toque.

Soltando se pulso do meu agarre ela retribuiu meu sorriso, o semblante se suavizando e dando-lhe uma aparência serena e delicada; para depois dar um pequeno passo para trás impondo um pouco de espaço entre nós.

— Tudo bem. Mas acho bom voltar a se acostumar rapidinho, porque não será seu incrível poder de persuasão que me tornara mais dócil. — alertou ela, seu sorrisos se tornando matreiro enquanto ela fingia tirar alguns fiapos da minha roupa.

— Você tem que admitir que já fiz isso, comparando como você era no inicio e esta agora c...

— Shhh!— falou ela ao apertar minhas bochechas com a sua mão, me impedindo de terminar minha fala e me forçando a fazer um biquinho de peixe contra a vontade.— Viu só? Você fica muito mais bonito assim. Calado. — comentou soltando o meu rosto para depois me dar um leve tapa de forma camarada e continuar o percurso.

Passei a mão pelo lugar do tapa, sentindo a pele um pouco áspera pela barba que já começava a despontar, mesmo que ele não tenha sido forte o bastante para me provocar essa reação. Para quem estava falando sobre limite de espaço pessoal, ela mesma não parecia muito adepta a seguir sua própria filosofia, pensei sorrindo em diversão mordiscando minha boca por dentro antes de segui-la.

Algumas pessoas se encontravam espalhadas na calçada e no jardim da casa de dois andares dos Stanley’s, a maioria com um copo vermelho de plástico cheio de bebida em mãos, alguns já pareciam alterados o bastante naquela altura da noite para perderem a noção do pudor ao se atracarem como selvagens nas laterais da casa, aproveitando a parca sombra causada pelas cercas vivas e poucas arvores que enunciavam o começo do bosque. Isabella imediatamente pareceu ficar tensa se encolhendo de leve ao passar perto das pessoas fantasiadas a caminho da entrada aberta do local.

Um rapaz fantasiado de Michael Jackson do clipe Thriller, com direito a uma peruca para imitar o cabelo cacheado e aquele conjunto cafona de calça e jaqueta vermelhas vibrante, se destacavam-se alguns detalhes em linhas pretas e diagonais assim como o sapato escuro; passou por nós dois quase trombando em Isabella que deu um passo para traz, em reflexo, encostando suas costas no meu peito. Eu me coloquei em sua frente seguindo o cara fantasiado do rei do pop que agora vomitava com um som nauseante, em uma das cercas vivas que ladeavam a propriedade.

— Pelo jeito essa festa esta mesmo boa, para você estar vomitando as tripas, Tyler.— brinquei dando um tapa forte em suas costas, o que o fez engasgar um pouco e tossir compulsivamente antes de se virar para nós limpando a boca com o braço para depois exibir um sorriso.

— Olha só quem esta aqui, Salvatore! Decidiu baixar na festa agora Bad Boy. — falou ele com um sorriso meio sonolento me dando um meio abraço, e se aproveitando desse momento para esfregar a manga da jaqueta nas minhas costas, limpando qualquer resquício que sua boca tenha deixado na mesma. Franzi o cenho em uma careta pelo seu gesto porcalhão mas não consegui reclamar sobre isso, pois logo ele estava cumprimentado Isabella com um abraço e um beijinho no rosto, com mais intimidade do que a ocasião pedia.

Ela pareceu tão surpresa e desconfortável com o gesto que praticamente pulou para trás depois de poucos segundos. Mas Tyler parecia inabalável apesar disso, ou talvez nem tenha se importado.

— Me sigam casal, vou levá-los para onde esta a galera. — disse ele em uma voz meio arrastada, andando-cambaleando pela pequena trilha que levava a casa.

Isabella enganchou seu braço no meu enquanto seguíamos o cover do Michael Jackson, puxando minha manga da blusa para que eu a olhasse.

— Ele tentou passar a mão na minha bunda. — me confidenciou ela mexendo a boca para formar somente palavras sem som, talvez com medo da pessoa a nossa frente ouvir, enquanto arregalava os olhos em indignação.

Eu gargalhei alto, sem me importar de parecer louco e estar chamando atenção dos outros a nossa volta ou não. No entanto ela parecia se importar porque fincou as unhas que apesar de curtas eram afiadas, no meu braço com força me lançando um olhar de censura.

— Se te serve de consolo, ele limpou a manga da blusa cheia de vomito nas minhas costas. Acho que minha situação é pior que a sua. — contei do mesmo jeito alternando olhares entre ela e a passagem a nossa frente.

— Você ganhou nesse requisito.— ela admitiu de forma muda prendendo o riso.

— Duvido que ele se lembre disso amanhã. — observei quando finalmente alcançamos o batente da porta.

A sala para qual entramos era incrivelmente larga e com uma iluminação forte. a maior parte dos moveis tinha sido retirado ou afastado, ficando rentes a parede para que nenhuma pessoa bêbada e desastrada acabasse tropeçando ou esbarrando neles, afinal para todos os efeitos essa festa nunca tinha acontecido mas seria difícil para Jessica justificar isso caso alguma coisa aparecesse quebrada. No centro da sala tinha o que parecia uma mini pista de dança onde boa parte dos adolescentes dançavam de forma desajeitada algumas musicas dos Beatles; mostrando que a anfitriã da festa tinha levado verdadeiramente a serio o titulo de ‘’um regresso no tempo’’.

Caminhamos para longe daquela muvuca desviando de algumas pessoas que estavam simplesmente paradas conversando, e de um pessoal que torcia para duas pessoas que disputavam acirradamente uma batalha de dança no Just Dance. Foi impossível não cutucar Isabella lançando-lhe um olhar de cumplicidade que ela retribuiu com um arquear de sobrancelhas. Finalmente chegamos a cozinha larga e ocupada por bastante comida onde se encontrava o resto da turma reunida.

— Ei, pessoal, olha só o que eu encontrei.— anunciou Tyler fazendo-os virar em nossa direção.

Há três dias atrás, Jessica havia aparecido com luzes o que havia levantado especulações se isso envolvia sua fantasia para o dia de hoje. E de fato fazia, conclui vendo-a agora com o cabelo alizado artificialmente, usando uma tiara, com uma maquiagem prateada e um macacão vermelho berrante de látex que se moldava totalmente em sua pele como tinta. O mesmo macacão que Britney Spears havia usado no clipe de Oops... I did again. Cara, ai os meus olhos.

Ela parecia conversar com a Baby Space e a Sporty Space que eram respectivamente Lauren, com um vestido branco, curto e uma peruca loira platinada presa em dois rabos de cavalo acima das orelhas; já Angela usava um cropped laranja e uma calça leve de moletom azul escuro seu cabelo longo estando preso em um alto rabo de cavalo; as duas com figurinos praticamente idênticos do clipe Wannabe das Space girls.

Os garotos conversavam em um canto mais afastado, Mike tinha os cabelos encaracolados e as roupas largas e estilosas que caracterizavam Justin Timberlake nos anos (0 quanto ele ainda fazia parte do N’Sync. Ben também estava com roupas características da época, de outro integrante da mesma banda mas de quem ninguém hoje em dia se lembra ou se importa.

— Stefan, querido, você veio. — exclamou Jessica vindo para cima de mim, me cumprimentando com dois beijinhos na bochecha.

— Eu disse que viria. — foi a única coisa que achei apropriado para dizer.

— E trouxe uma convidada. — notou ela ao franzir a cara em uma careta por um segundo ao encarar uma Isabella, que encarava todos os lugares da cozinha menos em sua direção, para depois cumprimentá-la da mesma forma como uma dissimulada. — Bella, você esta divina com essa fantasia.

Isabella sorriu, um sorriso que só quem a conhecesse saberia que era tão falso quanto o da pessoa a sua frente.

— Obrigada, Jess. Você também esta vibrante... — elogiou ela querendo alimentar o ego da outra para um melhor convívio durante a noite.

Mas quando Jessica se virou ela continuou a frase naquela nossa linguagem secreta:’’... Como um semáforo’’ me fazendo prender o riso.

— Obrigada. Como pode ver Mike e eu também viemos combinando. — disse ela sorrindo ao entrelaçar os dedos na mão do Newton que parecia estar desconfortável por praticamente ser exibido como um troféu.

— Legal. — disse Isabella erguendo os polegares em um joinha, embora eu soubesse que ela estava se segurando para não soltar uma piadinha sobre o fim do relacionamento de Britney e Justin, que supostamente envolvia uma traição por parte dela.

Mas naquele mesmo instante uma Katie marshal vestida de Ginger Space atravessou o beiral para dentro do cômodo, rebocando um Eric corado e de sorriso bobo no rosto. Ela fez uma careta ao ver Isabella, sem fazer questão alguma de disfarçar, e atravessou o lugar para ir falar com Lauren que conversava com Tyler em outro canto.

— Você acha que Katie ainda sente ressentimento pelo que eu fiz?— questionou Isabella ao puxar minha manga da blusa para cochichar no meu ouvido, o que já dizia por si só que não estava se importando se a pessoa em questão iria ouvir.

Arqueei as sobrancelhas enquanto nos dois nos olhávamos divertidos por um momento antes de começarmos a rir de sua pergunta besta de resposta obvia. Sim, ela havia guardado um pouco de ressentimento.

— Bom...— recomeçou Jessica olhando nossa interação de forma curiosa. Por um instante havia me esquecido de que ela ainda estava a nossa frente. —Peguem o que quiserem beber e comer, okay? Tem Heineken na geladeira.

Acenamos em concordância, seguindo em direção a geladeira metálica que se localizava do outro lado da cozinha. E ao abrir a porta da mesma, ela inclinou o corpo para dentro daquela caixa iluminada, deixando o seu traseiro terrivelmente redondo e empinado mais evidente, eu tive que desviar os olhos. Ou ao menos seria o mais sensato a se fazer, se não tivesse obtido tanta dificuldade em desgrudar meus olhos daquele lugar. Mas aparentemente não era o único a perceber isso, já que até mesmo o Newton a alguns metros de nós dentro de uma roda de conversa mal piscava ao encará-la. Isso me causou um rebuliço no estomago que tratei de ignorar. Isabella era bonita e hoje ela estava mais ainda, então era normal chamar atenção e eu não podia ficar incomodado por isso. Éramos só amigos e ela era solteira e desimpedida.

— Por que não estou surpresa de encontrar isso?— disse Isabella ao voltar a se endireitar novamente, com uma lata de Red Bull nas mãos.

Pisquei algumas vezes para sair dos meus devaneios momentâneos.

— Bom, eles precisam ficar acordados até depois para arrumar a bagunça da festa, certo?— dei de ombros pegando uma latinha de Haineken, puxando o lacre para depois dar um gole na bebida gelada.

Ela parou por um segundo, analisando minha resposta.

— Bom argumento. — elogiou ela apontando-me o indicador com a mão ocupada, antes de jogar a latinha junto as outras e fechar a geladeira.

— Se bem que os energéticos podem ser usados para deixar as pessoas acesas até altas horas da matina.— completei como se só houvesse pensado nisso agora, seguindo Isabella que ia em direção a enorme mesa abarrotada de comida no centro da cozinha.

— Não estrague minha imagem mental de Jessica e Lauren tendo que limpar a bagunça toda dessa ‘’festinha’’. — me repreendeu ela encarando duas travessas do que parecia suco de uva e maracujá. Após pegar um daqueles copinhos descartáveis vermelhos. — Hmm... será que suco batizado tem um gosto bom?— se perguntou ela mudando de assunto.

— Não tanto quanto seus queridos mojitos, mas para quem não gosta de cerveja até que dá para o gasto. — opinei apara depois dar mais alguns goles na bebida em minhas mãos.

Ela deu de ombros para depois pegar a concha da travessa e despejar o liquido artificialmente amarelo no seu copo. Isabella bebeu um gole antes de fazer uma leve careta ao engolir. Ergui as sobrancelhas em uma pergunta muda pelo seu veredicto.

— Não é ruim mais no final fica aquele gosto amargo de cerveja na língua, urgh! — explicou estremecendo um pouco em asco.

Ela pegou então um daqueles quitutes de enganar a fome, de carne e queijo espetado em palito de churrasco.

— Com isso aqui.— ela levantou a mão que segurava o quitute. — Acho que consigo equilibrar as coisas. Viu só? Eu não me esqueci de todas as suas lições. — ressaltou ela com um meio sorriso, se referindo daquela em que não se pode beber algo alcoólico de barriga vazia.

— Eu sei disso. — falei ao colocar um de meus braços sobre seus ombros, guiando-a até a rodinha que trocava assuntos no canto. — É por isso que é minha melhor aluna. — sussurrei em seu ouvido sentido o cheiro artificial de morangos que emanava do seu cabelo assim como o de erva doce que era impregnado na sua pele. Ela me acotovelou nas costelas, sorrindo de canto por saber que era minha única aluna.

00: 27 A.M.

— Isso aqui tá um saco. — reclamou Isabella arrastando a ultima para enfatizar bastante seu estado de espírito, ao tirar o pirulito de morango que havia pego na cozinha da boca. Encostada contra a parede no canto da sala de estar menos movimentada, seus olhos entediados observavam alguns de nossos amigos dançarem de forma cômica e desajeitada na pista de dança improvisada, a maior parte deles alterados demais para se importar se estavam dando vexame.

Eu me apoiei melhor sobre a superfície dura as minhas costas, enfiando as mãos naqueles jeans apertados, em uma versão mais moderna da utilizada por John Travolta.

— Alguém já te disse que você se entedia muito rápido?— indaguei observando-a de esguelha. — Você não parecia estar achando isso um saco há minutos atrás quando estávamos conversando com os garotos sobre futebol americano e Beisebol. Porque não vamos dançar também?— questionei me postando a sua frente e puxando-a pela mão para que desgrudasse da parede.

Eu estava sendo verdadeiro com relação aos esportes, esses pareciam ter sido um dos assuntos onde ela parecia mais abertamente à vontade para falar como uma tagarela, discutindo jogadas e desempenho de jogadores que me deixou um pouco perdido. Mas achei legal de ver o seu entusiasmo.

— Já te respondi há meia hora atrás, lembra? Aparentemente os quatro copos de suco batizados não me deixaram alta o suficiente para entrar no mesmo estado de ignorância deles. — disse ela com um pouco de dificuldade por conta do doce em sua boca, forçando o corpo para trás para continuar no lugar.

Mas depois de alguns segundos minha insistência venceu e eu consegui guiá-la em direção aquela muvuca, mesmo que ela tenha revirado os olhos por isso.

— A porcentagem de álcool deveria ser um terço da garrafa de vodca ou wiskey que eles despejaram ali o que quer dizer...

Suas palavras foram cortadas quanto eu puxei seu braço com força o suficiente para fazê-la rodopiar em minha direção, o que acarretou em seu corpo batendo no meu tórax enquanto ela quase se desequilibrava em cima daqueles grandes saltos. Deslizei minha mão até a sua cintura, firmando sua postura novamente enquanto ela olha em direção do meu rosto parecendo desconcertada.

— Por que você sempre faz isso?— perguntou de forma abrupta colocando a mão sobre o meu coração para impor um pouco de espaço entre nós dois.

— Por que você sempre pensa demais?— rebati a sua pergunta com outra, sabendo que esse impasse a faria desistir. E eu estava certo, por que ela estreitou os olhos, tombando a cabeça de leve ao dizer:

— Touché.

Ela então entrelaçou os braços atrás do meu pescoço e deitou a cabeça no meu ombro. Escorreguei minha outra mão para sua cintura fina, sentindo sua respiração quente causar arrepios na minha pele, enquanto girávamos de forma contida tentando não esbarrar em mais ninguém.

— Vamos lá, você tem que admitir que está se divertindo ao menos um pouco. — insisti me afastando o suficiente para poder olhar em seus grandes olhos esverdeados. — Diga-me em que mais outro lugar você poderia ver a cena inédita de Michael Jackson dançando com a Baby Space?— apontei com a cabeça onde Tyler e Lauren dançavam de forma espalhafatosa e animada a musica Y.M.C.A do Village People, com uma coreografia até que parecida com o do vídeo clipe.

Ela finalmente riu ao ver aquela cena praticamente inacreditável se concretizar bem na sua frente, retirando o pirulito da boca quando se tornou difícil não engasgar.

— E que tal Britney e Justin dançando como velhos amigos relembrando o tempo passado, depois daquele rumor de traição?— indaguei bem humorado mostrando o outro casal que dançava de forma mais contida e normal que o outro, provando mais uma vez que até o Newton havia aprendido algumas lições com o treinador Clapp.

Isabella mordeu o lábio inferior olhando para os próprios pés, não querendo admitir que eu estava certo afinal.

— E que tal Ginger Space e Joey Fatone do N’Sync?— questionei inclinando a cabeça de leve enquanto a rodava para mostrar Eric dançando e forma vergonhosa e Katie tentando imitar seus movimentos um pouco, perdida.

Isabella olhou sobre meu ombro antes de voltar seu olhar sobre mim, com a sobrancelha arqueada e um olhar de superioridade.

— Aquele definitivamente não é o Joey do N’ Sync e sim o Kevin de Backstreet boys. Os dois são meio parecidos por conta da barba, mas acredite quando digo que não é. — afirmou ela com convicção ao girarmos novamente pela pista de dança tentando seguir o ritmo da musica.

Foi a minha vez de arquear a sobrancelha, olhando-a de maneira triunfante ao captar um detalhe que ela havia deixado escapar sem querer.

— Isso é bem a cara de Eric mesmo, só ele para cometer a gafe de confundir as boybands.— balancei a cabeça embora um leve sorriso de diversão tenha brincado em meus lábios, antes de encurralá-la contra a parede. — Devo tentar supor o porque a Srta. tem tanta certeza de sua afirmação?

Ela arregalou os olhos finalmente percebendo o erro que havia cometido, um rubor adorável se espalhando por suas maças do rosto, fazendo-a abaixar a cabeça novamente para não me olhar nos olhos.

— Quando pequena, eu era muito fã de N’Sync, okay? E nem tente dizer alguma gracinha com relação a isso se não você estará muito ferrado. — avisou-me ela estreitando os olhos dessa fez de maneira ameaçadora.

Tudo o que fiz foi morder a parte interna da boca para me manter impassível e não esboçar um sorriso de diversão, sabendo que isso provavelmente iria lhe irritar. Não importa quantas vezes Isabella me ameaçasse, sempre seria terrivelmente engraçado por conta da sua baixa estatura. Era como um gatinho tentando parecer tigre.

— Isso não é uma surpresa considerando sua grande admiração por Justin Timberlake, mas relaxa que seu segredo esta seguro comigo. — prometi de forma seria mas dando uma piscadela marota. — Então me diga uma coisa, você era uma daquelas fãs histéricas e fanáticas que compravam até mesmo um copo de café no e-bay só porque a boca de um deles havia relado?— não pude deixar passar essa informação sem uma chacota, mas o que eu poderia dizer? Foi mais forte do que eu.

Ela parou no lugar me encarando como se eu houvesse lhe dito uma blasfêmia, a boca semi aberta e a testa franzida, balançando a cabeça desacreditada.

— Você é um idiota.— foi tudo o que disse ao se desvencilhar dos meus braços e abrir caminho por meio das pessoas.

— Fala serio, o que eu fiz de errado desta vez?— indaguei passando a mão pelo meu cabelo impaciente, gritando em meio a musica alta para que ela ouvisse.

Ela não se deu ao trabalho de se virar em minha direção simplesmente ergueu sua mão no alto mostrando-me o dedo do meio, o que me remeteu a lembrança do dia em que nós conhecemos, quando ela repetiu esse mesmo gesto em resposta ao meu cumprimento na educação física. Suspirei fundo apoiando minhas mãos atrás da nuca, encarando sua silhueta que se afastava cada vez mais de onde eu estava. Algumas vezes ela me confundia e irritava ao ponto de eu considerar simplesmente abandonar toda essa loucura. Ela era só mais uma garota humana, não é? Eu não deveria ficar tão afetado e apegado a ela desta forma. Principalmente considerando como ela era uma pessoa difícil de se lidar, sendo muito volátil.

Mas eu simplesmente não conseguia ir adiante com esse pensamento. Eu sempre me lembrava daquele dia na sua casa quando joguei todas as minhas indagações sobre ela, sendo até mesmo rude e intrometido para alguém praticamente desconhecido. Também me lembrava da sensação de tê-la chorando em meus braços, parecendo tão frágil e quebrada. E o sentimento de proteção que se aflorou no meu intimo, queimando como uma promessa muda de que eu lhe ajudaria a passar por tudo aquilo, de que eu estaria por perto e ajudaria a botar um sorriso de volta naquele rosto. Era por isso que eu não desistia, por isso que a cada briga eu só respirava fundo e buscava uma forma de fazermos as pazes. Porque sabia que isso era mais importante e valia á pena.

Eu quase ri quando a próxima musica começou a tocar em um timming tão perfeito, que me fez acreditar que se Lexi ainda estivesse ’’viva’’ do outro lado, mesmo depois do que aconteceu com o véu, aquilo definitivamente era obra sua. Porque só ela para me dar uma idéia como aquela, de usar trilha sonora para me redimir com Isabella. Então eu simplesmente deixei que a musica tomasse conta de mim enquanto a coreografia surgia em minha cabeça.

I got chills they’re multiplyin and I´m losin control (Estou com calafrios e eles estão aumentando e estou perdendo o controle)

Mexi a boca para formar as palavras que a voz de John Travolta cantava na musica, enquanto arrancava minha jaqueta rodando-a da mesma forma que me lembrava de ter assistido no filme. Meus gestos acabaram por chamar atenção das pessoas a nossa volta que começaram a assobiar e gritar em incentivo, abrindo espaço para que eu continuasse com a minha apresentação. Isabella se virou para ver o que estava acontecendo a suas costas, e paralisou ao me ver.

´Cause the Power you´re suplyin It´s electrifyin!(Porque a energia que você está liberando é eletrizante!)

Joguei a jaqueta longe mexendo os quadris antes de fingir cair no chão aos seus pés como se tivesse levado um choque.

A musica continuou em seu ritmo contagiante, fazendo as pessoas a nossa volta incentivar Isabella a me corresponder naquela loucura. Mas ela não entrou na onda, ficando paralisada no lugar em choque e descrença enquanto me observava no chão, assim como a mocinha na qual estava fantasiada ficou sem jeito com a reação de Danny. Aproveitei-me desse momento de ’’pausa’’ na musica para mexer a boca naquela nossa linguagem tão particular e secreta, sabendo que ela seria a única a compreender.

— Seja a Sandy! — pedi com um meio sorriso esticando minha mão em sua direção em uma forma de convite. Aquele sem duvida era o pedido de desculpas mais humilhante que eu estava fazendo, então tudo que eu esperava em troca era que ela não me deixasse no vácuo, porque ai sim se tornaria ridícula e em vão.

Felizmente isso não aconteceu, porque depois da minha frase seus olhos brilharam em compreensão, e depois em determinação quando ela tirou seu pirulito da boca tacando-o e pisando em cima, em uma versão muito mais moderna da que acontecia no filme. Então ela desfilou em minha direção de um jeito sedutor e determinado, encarnado na pele de Sandy.

You better shape up, cause I need a man (É melhor se cuidar porque eu preciso de um homem)

Ela me encarou de forma recriminadora mas ao mesmo tempo sexy quando me puxou para cima, me fazendo firmar sobre os pés, antes de me empurrar para trás e voltar a desfilar na direção contraria.

And my heart is set on you.( E meu coração está com você).

Eu segui seus passos com o mesmo gingado até que ela se virasse para mim botando a mão no meu ombro para me guiar para trás.

You better shape up; you better understand to my heart I must be true (É melhor se cuidar É melhor entender devo ser honesta comigo mesma)

A coreografia anterior se repetiu neste ultimo refrão mais uma vez, antes dela parar em frente a mim para cantarmos o ultimo verso antes do refrão.

Nothin left, nothin left for me to do.(Não me resta nada a fazer)

You´re the one that I want, (you are the one i want), o,o, oo, honey. (É você quem eu quero

(é você quem eu quero) o, o, oo, amor)

The one that I want, you are the one i want, o,o,oo, honey.( É você quem eu quero(é você quem eu quero) o, o, oo, amor)


The one that I want You (you are the one i want) o,o, oo(É você quem eu quero (é você quem eu quero) o, o, oo, amor)

The one I need Oh, yes indeed(É quem eu preciso sem dúvida alguma)

Durante toda essa parte do refrão ela se inclinava em minha direção balançando os ombros, enquanto eu inclinava para trás balançando também antes de invertemos a posição repetidamente durante o mesmo; em uma versão diferente mais ainda muito fiel a da musica. Durante esses momentos em que ela se inclinava para mim eu podia ver que apesar de estar corada por constrangimento, ela estampava um sorriso enorme e lindo, seus olhos brilhando como duas pedras preciosas em felicidade e diversão. Foi bem ali que eu soube que não estaria em serias encrencas quando nossa performance terminasse.

If you´re filled with affection you´re too shy to convey, meditate in my direction. (Se você está repleto de afeto Você é muito tímido para dizer Medite pensando em mim)

Durante esses versos ela ficou dando umas voltinhas em volta de mim como se estivesse me analisando feito um manequim, enquanto eu a seguia com os olhos durante seu percurso feito o perfeito Danny Zuko apaixonado.

Feel your way (Ache o caminho)

Sua voz saiu tremendamente sedutora enquanto ela passava a mão pelo meu peitoral de forma provocativa, deslizando-a até quase chegar em um local muito intimo, para depois se voltar para a direção contraria fingindo que nada tinha acontecido ao desfilar. Nessa parte um monte de marmanjo começou a assobiar de forma entusiasmada gritando um monte de obscenidades que me fez querer parar a performance para tirar explicações. Mas eu ainda estava paralisado de forma abobalhado ao sentir o rastro que ela trilhou se incendiar em minha pele. Tive que piscar algumas vezes para voltar a realidade e seguir com aquilo a diante.

I better shape up, cause you need a man (Tenho de me cuidar porque você quer um homem)

Fiz a minha melhor cara de suplica ao mexer a boca em um papel de perfeito cachorrinho ao segui-la, no papel de um perfeito cara seduzido. O que não foi exatamente uma dificuldade.

I need a man who can keep me satisfied(Eu quero um homem que me satisfaça)

Essa frase nunca pareceu tão tentadora na sua boca cheia e vermelha pelo batom forte, nem mesmo pronunciada por Olivia Newton-John. Tive que controlar minha mente para não ficar pensando besteira, quando chegou minha hora naquele Lip Sync.

I better shape up if I´m gonna prove(Tenho de me cuidar se eu vou provar)

You better prove that my faith is justified (É melhor você provar que eu não estou enganada)

Isabella fez uma cara de repressão seguido por de imperiosidade como se ela não estivesse certeza das promessas que Danny fazia.

Are you sure? (Tem certeza?)

Questionei erguendo as sobrancelhas na minha melhor cara de cafajeste pidão. Mas ela fez um ótimo papel ao se manter firme e parecer determinada ao responder:

Yes, I´m sure down deep inside.(sim eu tenho certeza absoluta)

Durante a repetição do refrão por mais três vezes, ela usou parte da coreografia do Just dance, onde teve que apoiar as mãos nos meus ombros para conseguir impulso o suficiente para entrelaçar as pernas na minha cintura. Ela não pesava quase nada por isso foi fácil seguir com a coreografia onde rodopiávamos no próprio eixo, dando paradas esporiodicas para repetir uma variação daquele movimento dos ombros.

You´re the one that I want, (you are the one i want), o,o, oo, honey. (É você quem eu quero (é você quem eu quero) o, o, oo, amor)

The one that I want, you are the one i want, o,o,oo, honey.( É você quem eu quero(é você quem eu quero) o, o, oo, amor)


The one that I want You (you are the one i want) o,o, oo(É você quem eu quero (é você quem eu quero) o, o, oo, amor)

The one I need Oh, yes indeed(É quem eu preciso sem dúvida alguma)

Quando a musica se encerrou, Isabella estava corada e visivelmente ofegante mas seus olhos brilhavam de uma forma que eu nunca tinha visto. Ela rodeou meu pescoço com seus braços, tanto para poder desenganchar suas pernas de mim sem arriscar torcer os tornozelos pelo saltos, quanto para compartilhar o calor da emoção enquanto as pessoas a nossa volta batiam palmas e assobiavam em admiração pela nossa performance de Lip Sync.

— E então? Estou perdoado?— perguntei com a minha melhor cara pidona ao espremê-la em um abraço de urso, que a deixava alguns centímetros fora do chão, me fazendo sentir todas as suas curvas moldadas a mim.

— Você ainda tem duvida? — sua pergunta pareceu retórica quando ela me encarou no fundo dos olhos, de uma forma tão profunda e intima que por um momento fiquei sem fôlego. — Eu não acredito que a gente fez papel de ridículo na frente de todo mundo. — sua voz soou abafada por ela ter afundado o rosto na curvatura do meu pescoço. Sua respiração me causando uma serie de arrepios.

— Podemos até ter feito papel de ridículos. — admite com um inclinar leve de cabeça ao depositá-la no chão novamente, embora suas mãos não tenham deixado a minha nuca, me fazendo curvar o pescoço para baixo para olhá-la, minhas mãos ainda presas a sua cintura. — Mas ao menos somos ridículos que sabem se divertir e isso eles sabem reconhecer.

Ao terminar de dizer isso nossos amigos finalmente nos alcançaram. Nos rodeando com uma serie de tapinhas nas costas e parabenizações cheias de entusiasmos. Isabella pareceu um tanto desconfortável no meio disso mas esboçou um sorriso enquanto escutava os elogios e comentários sobre a nossa performance, aos poucos ela estava se acostumando com a presença das pessoas a sua volta novamente. E mesmo imersos no meio dessa agitação Isabella e eu não deixamos de trocar um sorriso de cumplicidade, em uma ligação que somente nós dois entenderíamos.

— Se espremam todo mundo para a gente tirar uma selfie para deixar esse momento gravado. — pediu Jessica se posicionando ao lado de Isabella com a câmera apontada para o nosso grupo enquanto todo mundo tentava arrumar espaço para ficar no foco da mesma. Eu imediatamente coloquei meu braço sobre os ombros da Swan, na melhor pose de Bad boy, enquanto ela se virava sorrindo em minha direção. — Digam ’’ anos oitenta!’’

— Anos oitenta!— gritamos todos juntos ao mesmo tempo. Exceto Isabella que se aproveitou do ultimo segundo antes do flesh ser disparado para me dar um beijo na bochecha. Tenho certeza que a minha cara de surpresa ficaria registrada na fotografia.

Mas logo a atenção foi desviada para Tyler que havia se aproveitado desse ultimo momento também para tascar um beijo de cinema na Lauren, com direito a inclinação para trás e tudo. O pessoal não deixou passar em branco soltando uma serie de assobios e gritos de incentivo e zoação. Enquanto isso Isabella trocava uma rápida palavra com Jessica, alguma coisa de mandar a foto para ela depois.

Ao se voltar novamente para mim um sorriso involuntário se esboçou no seu rosto, seus olhos brilhando de uma forma marota.

— O que foi?

— Nada. — respondeu ela com um dar de ombros antes de se aproximar de mim com a minha jaqueta escolar que a momentos atrás eu havia jogado longe, nem se quer percebendo o momento em que ela o havia pego. Segurando a manga da mesmo, ela passou o tecido suavemente sobre o meu rosto mais com uma leve pressão. — Seu rosto estava sujo de batom. Vê? — disse ela me mostrando como prova o tecido manchado de vermelho.

— Certo. — foi tudo o que falei tentado bloquear a sensação calorosa que me atingiu com esse gesto intimo. Me perguntei se ela ainda se lembrava da conversa que havíamos tido dentro do carro no começo da noite com relação a limite de espaço pessoal. Provavelmente não. Pegando a jaqueta de suas mãos eu a amarrei em minha cintura, antes de pegar o pente que estava no bolso traseiro e dar uma penteada no meu cabelo bem no estilo Danny Zuko. — E então?— questionei em busca de sua opinião ao fazer um gesto amplo para a minha pessoa.

— Isso foi algo bem no estilo do Danny. — observou ela um uma pontada de diversão. — Você estava com esse pente o tempo todo?

— Claro. Faz parte da fantasia, afinal— foi tudo o que respondi antes de enganchar nossos braços e guiá-la novamente para a pista de dança que começava a tocar ’’Hey Mickey” da Toni Basil, que eu sabia ser uma de suas musicas favoritas. Afinal todo mundo amava os anos oitenta. Principalmente Isabella.

Notas finais
Cá estou eu correndo contra o tempo para terminar de postar antes de ir para a escola(risos) pessoal eu já tinha metade desse capitulo faz um tempo mas tive que adiar a postagem para desenvolver a parte da dança deles, algo que eu achei bem legal. e sempre que eu escrevo um capitulo eu já tenho uma ideia do que vai rolar nele por isso eu acabo enrolando para postar eles acabam saindo enormes(risos). O que eu quero perguntar para vocês é se preferem os capítulos enorme que demoram para sair e de uma dica, ou se vocês preferem capítulos mais curtinhos com um a marcha de mais ou menos 5.000 a 6.000 mil palavras talvez até menos ente 4.000 e 3.000, que saíssem numa facha de a cada duas semanas? eles não teriam nenhuma dica por que eu teria que cortar o capitulo que imaginei em dois. Me falem nos comentários okay? sei que muitos sofrem com a demora e acredite eu também sofro com isso, então é por isso que estou sugerindo essa mudança. O que vocês acharam do cap da vez? Stefan demonstrando que verdadeiramente esta afetado pela Bella, mas ele ainda reluta muito em admitir(risos) Mas não vai durar muito tempo (risos maléficos e misteriosos). Dica do proximo cap; é vai ter dica agora porque ainda estou deixando vocês se manifestarem sobre a proposta a cima: aprofundarei mais na vida de um personagem secundário que futuramente ganhara mais destaque (risos maléficos novamente). pessoal hoje mesmo eu publiquei uma outra fanfic que é da saga crepúsculo, quem quiser dar uma olhada para saber como é aqui tá o link: https://fanfiction.com.br/historia/713694/Splintered/ O próximo cap sai daqui a duas semanas porque já o tenho quase totalmente pronto e dessa vez é serio(risos). não sei porque o meu travessão fica aparecendo como um terço sobre quatro, mas amanhã mesmo eu vou tentar arrumar então me perdoem por isso. só vi essa gafe agora! Blowen kisses,Mia