Begin Again - Lost Stars
4 Life goes on... However painful it may be.
Notas iniciais
Bella Swan
Eu sabia que estava sonhando. Era fácil entender isso quando se podia enumerar nas mãos os fatores que comprovavam que meu palpite estava certo. A primeira dica era a intensa luz solar que era emitida naquele dia quente de verão; em Forks, um dia como esse nunca seria possível.
A segunda era que, a alguns metros da onde estava, eu podia ver minha mãe bem mais nova do que na minha ultima lembrança dela. Não precisei de muito tempo para notar que havia voltado há ter seis anos novamente. A terceira e ultima revelação era que me lembrava deste cenário, eu já havia vivido aquilo.
E de importância mais imediata era o fato de eu saber exatamente como iria terminar. Não pude fazer nada se não assistir enquanto os fatos seguiam sua seqüência cronológica.
Balancei a cabeça enquanto minha mentalidade se adequava a meu físico atual e as informações sobre a situação se tornavam claras. Estávamos no clube de lazer do nosso bairro, onde havia a piscina publica. Como todas as ideias sem fundamentos que Renée tinha, as aulas de natação também não deram certo, por isso estávamos ali para cancelar a matricula.
No entanto, minha mãe havia encontrado uma amiga assim que chegou, e agora elas conversavam efusivamente. Tão avoada, pensei comigo mesma. Era típico dela se distrair rapidamente. Tentando acabar com o tédio, eu vaguei por ali observando ao redor até me deparar com uma das piscinas.
Em casa, eu e mamãe costumávamos a prender a respiração, fingindo nadar em cima da cama. Eu lembrava, também, de ter visto alguns dos movimentos que minha mãe praticava durante as aulas e não parecia ser difícil. Sentei-me na beirada com as pernas dependuradas, a sola dos meus tênis roçando na água.
Aposto que consigo, pensei comigo mesma. Se a mamãe consegue, eu também. Além do mais, caso algo desse errado, era só boiar. Minha mente infantil e inocente concordava, embora uma parte insignificante não tivesse tanta certeza, afinal eu havia visto isso num filme onde o cara era um zumbi. Como a maioria das crianças arteiras, eu ignorei essa parte e submergi.
Ter água dentro do nariz era incomodo, assim como a sensação ardente nos pulmões e nos olhos. No entanto tudo isso era obstruído pela visão estonteante do lugar; o modo em que a luz entrava pela água cristalina, impressão de estar voando, uma espécie de realização a um conto de fadas — a pequena sereia dos meus sonhos infantis.
Em poucos instantes notei que havia algo errado.
Meu corpo afundava cada vez mais rápido, como se houvesse uma âncora presa aos meus pés ou minha roupa pesasse toneladas; a profundidade era cada vez maior, do mesmo modo em que o fundo parecia não existir. Bati os braços com força tentando subir, porém não parecia fazer efeito nenhum.
Tentei não entrar em pânico para não gastar minha escassa reserva de oxigênio. Tudo bem, uma hora Renée teria que perceber que eu desapareci, não é? Perguntei-me histérica. Ver que eu sairá de perto de sua vista, certo? Mas a pergunta mais importante era quando? O tempo de minha vida estava se esvaindo como a areia de uma ampulheta tendo ela a duração de três minutos, sendo esse o tempo em que eu conseguia prender o fôlego.
Mesmo sob essa perspectiva desanimadora eu não deixei de bater os braços e pernas, pelo contrario, os movi com mais vigor. No entanto esse ritmo me levou rapidamente a fadiga. Girei ao meu redor. desorientada, tentando achar algo solido em que pudesse buscar apoio para subir. Não havia nada se não água escura e congelante. Com algum resquício de consciência eu questionei sobre esse fato. Supostamente a água deveria estar morna, devido ao constante contato com a luz solar nesse dia quente. Girei ao meu redor novamente desistindo de lutar. Tomei um susto ao ver uma figura flutuando próxima a mim, onde antes não havia nada.
Estava de olhos fechados, mas ainda sim, ele me era familiar. Os cabelos em um tom único de mel, mais escuros por conta da água, flutuavam ao redor do seu rosto pálido, as roupas molhadas grudavam em seu corpo, seus lábios estavam meio azulados e seus olhos estavam fechados. Ele parecia morto e isso me desesperou o suficiente para ignorar o fato que eu era adolescente agora.
Toquei seu rosto em pânico, chacoalhando para que acordasse. Ele permaneceu inerte. Meu cabelo rodopiou como uma mancha em meu rosto, mas eu ignorei, balançando-o pelos ombros tentando fazer com que abrisse os olhos. Minha boca se abriu quando gritei seu nome com o resto da minha energia. O ar escapou em bolhas por entre nos dois, um pouco de água adentrando minha garganta.
A sensação de sufoco era horrível, sentia como se meu coração fosse triturado diversas vezes. Mal sentia meus braços e pernas naquele momento. Em um ultimo esforço eu o abracei, me prendendo a ele. Minhas lagrimas se misturaram ao redor enquanto encostava meu rosto em seu peito e permitia que ela inundasse os meus pulmões.
Acordei arquejando com falta de ar. Precisei me concentrar por um instante, contando cinco vezes até dez para que minha respiração se normalizasse. Fora só um sonho, repeti para mim mesma. Só isso. O que deu em mim afinal? Estava com alguma espécie de transtorno obsessivo que se manifestava através dos sonhos? Por que somente desta forma poderia justificar esses vislumbres que envolviam garotos que me intrigavam e atraiam.
Ter pesadelos com o novato definitivamente não era nada bom, principalmente se fosse considerar a ultima vez em que isso aconteceu, onde eu me envolvi com um vampiro e fui caçada por um maluco psicótico. Não que houvesse alguma possibilidade algo como isso acontecer novamente, mas não queria deixar brecha para qualquer espécie de aproximação. Cortar o mal pela raiz era uma ideia ótima por esses e diversos fatores mas, principalmente, por que eu ainda não estava pronta para qualquer tipo de relacionamento. Passe a mão no rosto olhando em volta. Uma luz cinzenta rodava o quarto, mostrando que ainda era cedo.
Um exercício que adquiri como habito foi correr. Eu nunca fui muito fã de exercícios físicos, mas correr me fazia espairecer, descontar as energias negativas— sem ser nas outras pessoas, com meu mau humor — fora que fazia bem ao corpo, afinal eu não continuaria com cinqüenta quilos para sempre se continuasse sedentária.
Coloquei Middle Finger do Cobra Starship no ultimo volume do celular e sai de casa para fazer o aquecimento. Em geral, nesses momentos, eu costumava a ouvir musicar agressivas e que pudessem me entorpecer do mundo. Observei a movimentação em volta enquanto realizava os exercícios. Poucas pessoas estavam de pé a esse horário, mas alguns curiosos me encaravam pelo canto do olho. Enxeridos. Meio que odiava isso em cidades pequenas. Virei o rosto e parti, começando em um ritmo lento para depois acelerar.
A mais ou menos três meses atrás quando tive meu episodio de descontrole emocional, ou surto, todos que antes me chamavam de a pobre menina Swan passaram a me chamar de louca ou pirada pelas minhas costas. Charlie, que realmente se preocupava comigo e o minha repentina mudança de comportamento, me fez passar em um psicanalista onde descobri ter Alexitimia.
É uma dificuldade comportamental que me faz ter dificuldade de identificar e expressar sentimentos. É claro que eu não lidei bem com a descoberta, mas por fim aceitei quando ele apresentou os argumentos e provas concretas. Segundo o mesmo, esse transtorno tem dois tipos classificados como primário e secundário, separados pela diferença de derivação.
Respectivamente de um problema neurológico ou um trauma psicológico. Obviamente o meu era a ultima opção. Essa... doença, por assim dizer, não tem uma cura imediata ou medicinal. Ela tem que vir do meu progresso, a partir da psicoterapia. Por isso eu tinha essas consultas de quinze em quinze dias. Antes era três vezes por semana, depois diminuiu para um e por fim em estado atual.
Não que meu desempenho tenha melhorado. Aquele filho da mãe havia praticamente levado meu coração, me privando de sentir qualquer outra coisa. Eu meio que evitava pensar ou falar o nome dele. De certa forma sempre que isso acontecia, eu sentia como se levasse um chute nos pulmões embora não com a mesma intensidade que a do começo.
O buraco no meu peito estava cicatrizando um pouco, deixando só um vislumbre fantasmagórico de lembrete de que em algum momento meu muro frágil poderia desabar. De qualquer forma a terapia estava sendo boa para mim, apesar de ser completamente idiota e me fazer parecer com uma criança de três anos de idade.
Ela me fez ver que o que eu tinha por ele era um amor doentio, que se enquadrava mais como fixação obsessiva onde tudo o que importava era ele; se ele estava bem, feliz, triste ou angustiado não importava. Eu iria me desdobrar para ajudá-lo a resolver essa situação. Como se tudo que acontecesse a ele de alguma forma me afetasse; como se minha vida estivesse ligada a dele.
Como se o Cullen fosse o centro do meu universo, e naquela época era. Já eu uma reles mortal em comparação ao deus grego que ele era. Eu tinha sorte por ele ter escolhido a mim. Vivia em um medo patológico dele me deixar. O que de fato aconteceu. Se eu tinha superado a partida dele? Nem de perto. Mas aprendi a mascarar a falta que ele fazia. Com os antidepressivos eu conseguia levantar todo dia e isso já era um começo.
Durante os três meses que se sucederam aquele episodio, busquei reconstruir minha vida da melhor forma possível. Ocupei meu dia a dia com diversas atividades que me mantinham distraída, assim eu nunca ficava com tempo vago o que acarretaria eu pensar na minha ferrada vida. Eu estava bem, não completa, feliz ou animada; mas bem o suficiente para continuar com a minha vida em um passo de cada vez.
Eu havia chegado até a rodovia principal onde me alonguei novamente, sentindo os músculos rígidos de forma gostosa, e fiz o caminho de volta. Nunca mais procurei noticias dos Cullens ou fui a algum lugar que poderia remeter alguma memória indesejada. Eu viveria normalmente agora, sem riscos constantes ou criaturas sobrenaturais me rondando. Sem qualquer perspectiva sobrenatural como antes.
Eu não sabia se estaria pronta para um relacionamento algum dia, mas ficar sozinha não me assustava nem um pouco. O dia já estava claro quando cheguei em casa novamente, o céu tingido de uma cor cinzenta. Bebi um pouco de água antes de subir para um banho. Aproveitei para lavar meu cabelo e desembola-lo debaixo da água quente.
Vesti uma roupa confortável e prendi os fios úmidos em uma longa trança lateral. Eles haviam crescido bastante desde o ultimo inverno, e agora quase alcançavam a cintura. Mas, por estranho que pareça, isso não me incomodava nem um pouco. Desci as escadas devagar, mesmo com meu estomago doendo de fome, só para prevenir possíveis acidentes, e entrei na cozinha. Antes de abrir a geladeira, me deparei com um bilhete pregado na porta por ímãs.
’'Bells, hoje meu turno será até tarde, por isso não me espere acordada. Tem dinheiro no pote, caso precise comprar alguma coisa. Com amor, papai’’
Suspirei dando de ombros. Quando meu turno nos Newton’s acabasse eu abasteceria nossa escassa geladeira. Preparei um sanduíche de queijo, esquentando no microondas. Comi monotonamente antes de subir para praticar minhas aulas de yoga. Sim, eu praticava, por que de alguma forma correr me tirava energias negativas, e fazer yoga me trazia paz e paciência. Através do pranayma (técnicas de respiração), asanas (postura e movimentos físicos) e meditação, eu conseguia silenciar minha mente. Coloquei uma musica relaxante e calma antes de iniciar com a posição de lótus. Perfeita harmonia e equilíbrio.
Aquilo poderia parecer ridículo, mas me ajudava com a respiração e controlar o meu humor que variava, principalmente agora com a minha doença. Era relaxante sentir os meus ossos estalarem e os músculos esticarem. Respirei fundo voltando a posição de Buda. Virei-me para trás, olhando o relógio de cabeceira. 10:40. Eu precisava me arrumar, estava quase na hora do meu turno.
Troquei de roupa colocando uma camiseta de banda, um blusão de tricô branco que deixava um dos meus ombros de fora, calça jeans e meu par de all stars preto. Deixei a trança porque não tinha tempo nem paciência para fazer algo melhor. Fritei alguns pedaços de peixe empanado que estavam na geladeira, um lembrete da ultima pescaria de Charlie.
Comi rapidamente, escovando os dentes logo em seguida. Enfiei o livro surrado de orgulho e preconceito para dentro da bolsa, lembrando a mim mesma de comprar livros novos, e desci as escadas colocando a alça lateral da bolsa carteiro sobre meu ombro. Peguei minhas chaves e dinheiro destinado a comida, passando para o lado de fora.
Estava um pouco frio mas nada com o qual eu já não estivesse acostumada. Dentro da caminhonete estava mais quente e aconchegante. O cheiro do aromatizante de pinho era forte, mas bom. Dei a partida e a chefe deu rugido ensurdecedor, me fazendo dar um meio sorriso.
Karen Newton, com seu cabelo sempre bem arrumado em um coque, foi bastante amistosa quando cheguei, embora não parecesse nem um pouco verdadeira. As roupas usuais eram chamativas e caras demais para alguém que trabalhava em uma loja de artigos esportivos. Uma perua chique. Fora a primeira coisa que pensei ao vê-la na minha entrevista de emprego.
Forcei um sorriso quando ela me desejou bom dia e mandou que eu abastecesse as prateleiras do corredor dois com o novo carregamento. Tirei debaixo do balcão o pavoroso avental laranja fluorescente, vestindo e buscando no galpão atrás da loja, caixas de papelão com a mercadoria.
Organizei nas prateleiras dispostas as barracas de acampamento, em ordem por marca cor e tamanho, depois foi a vez dos sacos de dormir e mochilas. Foi um pouco chato e cansativo. Depois que terminei, caminhei por entre os corredores, vendo se mais algum precisava ser abastecido.
Encontrei Mike no corredor 5, a seção de produtos alimentícios, empilhando algumas latas de sardinha e ao julgar pela quantidade de caixas de papelão ao seu lado essa tarefa ia demorar. Ofereci ajuda e ele aceitou com um sorriso tímido. Agachei-me ao seu lado, abrindo algumas das caixas e passei a organizar as latas de alumínio em uma pirâmide uniforme.
Fiquei em silencio enquanto realizava o trabalho, sem saber o que dizer. Eu não falava com ele e os outros a mais de cinco meses, e embora sentisse falta de alguns deles— Mike, Angela e Ben— não sabia exatamente como me aproximar novamente. Ao julgar pelos recentes acontecimentos ele deveriam me achar doida. Levamos mais ou menos meia hora para terminar e eu iria embora sem pronunciar mais nenhuma palavra, se Mike não tivesse dito meu nome.
— Hey, Bella?
— Sim?– me virei contragosto. Mike olhou para baixo ficando um pouco corado antes de focalizar novamente nos meus olhos.
— Minha mãe deixou fechar a loja mais cedo hoje, porque eu e os caras vamos à inauguração de uma boate nova em Port Angeles... Bem me perguntei se você não queria ir conosco. – terminou coçando a nuca constrangido.
Sair, Pensei comigo mesma. Uma boate tinha musicas altas demais e pornô ao vivo em cores. Não que eu fosse puritana, mas era meio nojento. O principal fato era que ninguém era de ninguém nesses lugares como diz um ditado ’’cu de bêbado não tem dono’’. E com certeza eu teria que beber alguma coisa para não ficar de fora, alem do mais não confiava o bastante neles para me levar para casar, e cuidar para que nenhum maluco pervertido me apalpasse. Eles com certeza estariam mais ocupados tentando distinguir se estão beijando um travesti, de tão bêbados que irão estar.
Andar com sei lá quantos caras era estranho. Eles falariam de mulheres como objetos e de forma safada e nojenta. Sem contar que estar rodada de caras, bebendo como se fosse tirar o pai da forca me transformaria na emo bebum. Com a minha falta de sorte achariam que eu sou lésbica. ’’... não faça nada de imprudente e impensado..’’ que se dane isso, seu babaca hipócrita farei o que quiser com minha vida!
— Bella? – Mike perguntou me analisando com cenho franzido. Merda! Devo ter ficado com olhar de peixe morto, enquanto o encarava parada por sei lá quantos minutos. Senti meu rosto esquentar.
— Hum?... Quem exatamente vai com você? – perguntei tentando não parecer desesperada por companhia.
O vinco entre suas sobrancelhas sumiu enquanto seus olhos ficavam mais simpáticos.
— Eu, Tyler, Eric, Austin, Connor e o cara novo, o Stefan.– respondeu meio confuso.
Desgraçado filho de uma puta! Tinha que estar o príncipe encantado Stefan no meio? Não sei quantas horas passei durante essa semana ouvindo das garotas o quanto “o Stefan é lindo e charmoso” ‘’... sexy e gostoso’’ ‘’um molhador de calcinhas nato’’ e mais um monte de besteira.
O fato de eu ter tido um sonho estranho com ele era só isso, um fato estranho. Havia quase 95% de certeza que vomitaria caso encara-se a cara dele novamente. Cara babaca e pretensioso. Tinha uma antipatia gratuita por caras que se achavam o gostosão como ele.
— Não vai dar. Eu não gosto muito de lugares... Lotados. Tenho muita roupa suja para lavar, mandar as cartas de inscrições para faculdade. – fiz minha melhor cara triste e ele pareceu cair na mentira. E eu nem mentia bem.
— Quem sabe na próxima? – sugeriu triste, mas conformado.
— Sim, é claro. – que não, nem mesmo se ocorresse um apocalipse zumbi, e a única forma de não contrair o vírus fosse sair com você e aquele idiota para tomar uma vodca.
Ele deu um sorriso compreensivo e eu retribui me virando e indo até a dispensa em busca de um esfregão. O dia se passou mais lento do que eu imaginei, mas finalmente estava na hora de fechar a loja. Eu trabalhava em meio período, mas fazia hora extra nos fins de semana. Todo dinheiro era bem vindo agora.
A unica coisa que nos impedia de fechar a loja no horário costumeiro, eram dois clientes que discutiam algo enquanto analisavam o preço de barracas e sacos de dormir.
Um ruivo com uma barba rala disse para o outro mais alto com o cabelo castanho claro:
— Estou falando, Greg, era do tamanho de uma casa e tão escuro quanto carvão. Por pouco não fui atacado.
O outro deu uma risada debochada.
— Por favor, Howard, ursos negros não ficam tão grandes. Já vi ursos pardos com seu tamanho em Yellowstone, mas urso algum tem tamanho de casas. Você deve ter comido algum cogumelo suspeito que achou na floresta, você vive fazendo isso.
Howard grunhiu, irritado.
— Acha que não sei distinguir um amanita caesarea* de amanita muscaria**? Eu sei o que eu vi, ele estava pertinho da trilha. Teve sorte de não ser temporada de caça, senão teria metido uma bala na testa e ai sim você ia acreditar. Vou avisar a guarda florestal depois, poderia ter acontecido uma tragédia com outra pessoa que não eu. Mas se eu topar novamente com ele na temporada... não vou hesitar em meter bala só para calar essa sua boca nojenta.– exclamou ele fazendo o outro gargalhar.
Suspirei entediada. Mike ao meu lado no balcão me encarou.
— Pode ir, Bella, eu fecho depois que esses dois saírem.– informou com um sorriso simpático. Eu retribui com a noticia, tirando meu avental e jogando de qualquer jeito de baixo do balcão ao pegar minhas chaves.
— Valeu Mike. – falei antes de passar pela porta.
Entrei na caminhonete seguindo para o supermercado, que não ficava longe dali. Passei a mão nas prateleiras jogando o necessário no carrinho de compras e indo para o caixa. O caminho de volta para casa pareceu mais lento por conta do radio maldito que ‘’acidentalmente’’ quebrei. Ele só tocava musica chata, eu e a tecnologia não dos dávamos muito bem.
Ao chegar em casa preparei a lasanha congelada que eu havia comprado, deixando tempo o suficiente para os quatro queijos ainda estivessem derretidos na minha boca. Deixei um pedaço dele dentro do prato com alguns pedaços de peixe empanado que eu havia fritado também. Colei um papel na porta do microondas com as instruções de como esquentar, porque tinha certeza que o chefe Swan ia se esquecer de jantar.
Assisti um pouco da programação ruim da teve, antes de desistir de achar algo que preste e ir para o meu quarto. Vesti meu pijama, escovando meus dentes depois. Subitamente senti uma sensação de sufoco como se não pudesse respirar, memórias do momento em que eu era feliz invadindo minha mente. Droga silencio demais!
Coloquei os fones de ouvido, ligando em uma musica alta e barulhenta que pudesse preencher o vazio antes que tivesse uma crise. Respirei fundo algumas vezes, pensando em qualquer coisa inútil que distraísse minha mente, como nas provas finais. Deitei na cama alinhando meus joelhos no peito com medo de dormir. Porque eu sabia que quando isso acontecesse eu teria o meu pior medo realizado.
Eu sonharia com ele, reviveria cada lembrança até que eu me tornasse pó novamente.
(...)
Eu corria. Uma imensidão de arvores me rodeava como um labirinto sem saída. O céu escuro me deixava desorientada enquanto, inutilmente, eu tentava encontrá-lo. Esforcei-me para respirar de forma continua, mas parecia impossível. O ar parecia denso demais, meus pulmões ardiam como se minha caixa torácica estivesse esmagando-os.
Minhas pernas estavam doloridas, os músculos rígidos de exaustão, enquanto eu persistia em esforçar minhas pernas a continuar seguindo sem uma direção exata, somente guiada por um vislumbre ilusório. Tranquei o maxilar, impedindo meus dentes de bater de frio. Eu possivelmente morrer de hipotermia não importava naquele momento.
Não quando tudo em que eu acreditava e mais me importava havia ruído diante dos meus olhos, como se fosse um castelo de cartas. Eu me recusava a parar porque fazer isso era aceitar que ele se fora, era permitir que a dor da verdade me açoitasse, era aceitar toda a destruição que se alastrou, era aceitar que tudo acabara. Olhei em volta, perdida, tentando achar uma saída daquilo tudo.
Meus pés se enroscaram na raiz bulbosa de um carvalho, fazendo-me tropeçar caindo no chão troncudo e lamacento. Puxei o ar com força, minhas costelas pareciam, agora, roçar no meu coração cada vez que o ar chegava a meus pulmões, em uma espécie de tortura. A cada segundo que se passava se tornava mais difícil respirar, doía muito. Virei-me de barriga para cima tentando facilitar o processo.
As arvores pareciam infinitas, alcançando os céus como uma espécie de prisão. Uma gota caiu em meu rosto seguida por outras mais em todo o meu corpo, porém não me movi. Não adiantava mais. Era uma pena a chuva não poder lavar a verdade ou o meu sofrimento tal como fazia em tinta. Minhas lagrimas se misturaram a água enquanto um gemido agoniado me escapava por entre os lábios, seguido por soluços que irrompiam por meu peito. No céu não havia estrelas ou luas, assim como pontos de felicidade ou amor, não havia mais nada.
Meu grito interrompeu o estupor causado pelo sono. Meus olhos se abriram em um rompante para a escuridão enquanto eu engasgava com minhas lagrimas. Tossi compulsivamente, sons estridentes escapando pela minha garganta. Ouvi passadas ruidosas e pesadas até Charlie abrir a porta de pijama.
O olhar que ele me deu fez com que eu tivesse nojo de mim mesma. Era cansado, triste sem esperança; como se eu tivesse voltado à estaca zero, como se eu tivesse uma doença sem cura, como se eu estivesse morta. A tontura e a náusea de toda essa situação me atingiram em um baque.
Disparei para o banheiro trancando a porta ao entrar. Só tive tempo de me debruçar sobre a privada antes que todo o meu jantar era expelido para fora.
— Bella?– Charlie chamou esmurrando a porta, preocupado.
— Vai embora pai! – falei a voz áspera e rouca de esforço, apoiei minha cabeça na beirada do vaso para logo em seguida, em outro espasmo, mais dejetos fossem expulso.
— Bella? Você esta bem? – a sua voz agora era mais urgente.
— Por favor. Eu preciso de um tempo sozinha. – expliquei em um fio de voz. Ouvi ele suspirar uma vez, antes do ruído de seus passos se tornarem mais distantes.
Ao terminar fechei a tampa da privada, descansando a cabeça nele e deixando que meu corpo deslizasse pelo chão gelado. Eu só... Não podia continuar vendo sua expressão. Toda essa situação estava acabando com ele e era mesquinho da minha parte trazer essa carga para ele.
Principalmente agora que faz, quase dois meses que seu amigo, Harry Clearwater, morreu de ataque cardíaco fulminante. Charlie ficara arrasado com a noticia e desde então tem ajudado em como pode Sue Clearwater, agora viúva tendo que cuidar de dois filhos sozinha. Era cruel deixar Charlie preocupado com sua filha ser uma suicida em potencial.
Alinhei meus joelhos no peito e infiltrei minhas mãos pelo coro cabeludo, puxando os fios com força. Por que? Por que tinha que doer tanto? Por que eu não podia viver normalmente como antes de o conhecer? Eu precisava tanto esquecê-lo mas era tão difícil... como ele pode fazer isso comigo? Eu acreditei veemente que ele me amava quando na verdade tudo não passou de uma distração para o mesmo.
Suas palavras eram ocas e suas promessas vazias. Tão estúpida! Como pude acreditar que ele era bom? Nunca deveria ter me deixado levar por meus sentimentos, eles são traiçoeiros podem te deixar invencível assim como torturá-la lentamente; como acontece comigo.
Vampiros são monstros sádicos e cruéis por natureza. Não sentem absolutamente nada. Adoram seduzir suas vitimas com sua voz, cheiro e aparência em uma espécie de jogo doentio. E eu, como a donzela doce e tola, cai em sua lábia direto para suas garras afiadas. Eu deveria saber que contos de fadas não existem, ninguém consegue ser feliz para sempre. A prova viva disso era meu pai que até hoje não superou a partida da minha mãe.
Deveria saber que ser infeliz era hereditário. E como uma estúpida, me permito fingir acreditar que ele sentia algo por mim, que a qualquer momento ira perceber o erro que cometeu e voltar novamente. Como se ele estivesse sofrendo como eu... ‘’não vou esquecer. Minha espécie... nós nos distraímos com muita facilidade.’’ Dissera ele certa vez.
É claro que sim por que, qual o motivo de se martirizar quando se tem a eternidade para se distrair novamente? por que se envolver com uma humana que é frágil e quebradiça com uma vida limitada, quando se pode ter alguém deslumbrante, forte e imortal? O leão se apaixonou pelo cordeiro, mas chega uma hora em que ele se cansa de brincar com a comida e se vai, o problema é que o cordeiro não sabe mais viver sozinho. Pensei melancolicamente, no que parecia ter se tornado um lema da minha vida.
Passei a mão pelo rosto limpando as lagrimas que ali marcavam. Por que ele tinha que ser tão egoísta? Só pensou em si próprio quando tomou decisão de me deixar, no que era melhor para ele. Jesus, como pude me apaixonar por alguém assim? Ele me manipulou como se eu fosse uma perfeita massa de modelar em suas mãos. Droga, tudo isso que estava acontecendo era culpa dele. Como pude nutrir sentimentos por uma criatura morta? Mortos não sentem nada. Ele era um sanguessuga que estava sugando minha energia, vida e sanidade. Um nojento parasita sujando minha dignidade e amor próprio. Ele havia me contaminado com essa coisa doentia.
Passei as mãos pelos braços com força como se pudesse me limpar. Levantei do chão gelado, e olhei-me no espelho. Grandes olheiras arroxeadas circundavam meus olhos, minha pele estava pálida como a de um cadáver e meus lábios sem cor, mas não foi isso o que me apavorou e sim meus olhos. ’’olhos são as janelas da alma’’ e eu podia ver dentro das minhas pupilas e iris, que minha alma estava trincada e despedaçada feito vidro quebrado.
Olhei para meus antebraços novamente vendo minhas veias mapeando a pele de marfim e então manchas. Pretas, cinzas e esverdeadas elas serpenteavam por minha pele que apodrecia, mostrando como minha alma estava por dentro. Soltei uma exclamação de horror mirando o espelho e vendo minha pele se enrugar e sujar. Passei as unhas com força como se pudesse tirar as marcas que surgiam.
Olhei o sabão em cima da bancada da pia e em um ímpeto eu o peguei e mordi. Mastiguei–o sentindo novas lagrimas descerem por meu rosto. Eu era fraca, prometi a mim mesma que não faria isso novamente, mas não consegui evitar, eu precisava me sentir melhor, limpa de todas essas lembranças. Um riso fantasmagórico soou perto do meu ouvido e um calafrio percorreu minha espinha.
Pensa que pode se livrar de mim tão facilmente? Você nunca vai conseguir, principalmente quando me mantém tão vivo em suas lembranças. Uma sombra escura tremia ao meu lado no reflexo do espelho. Senti lábios gelados tocarem minha bochecha, que automaticamente me fizeram estremecer. As marcas na sua pele mostram que você é minha e de mais ninguém mesmo que você não esteja comigo, as marcas provam que você será minha para sempre. A voz era rouca e macabra.
A sombra apertou de leve minha cintura antes de deixar um beijo congelado em meu pescoço, traçando as mãos ate os meus braços ele desapareceu. Arranquei a roupa do corpo ainda segurando o sabão com a minha mão, dei algumas outras dentadas sentindo o gosto amargo de lavanda, a espuma descendo raspando pela minha garganta e me dando ânsia de vomito.
Entrei debaixo da água morna esfregando com o máximo de força que podia a minha pele, me lavei três vezes até que minha pele se avermelhasse mais ainda sim me sentia suja, ainda sentia as mãos repugnantes em mim. Quando me senti um pouco melhor parei de me lavar. Desta vez havia sido muito real. A alucinação me fez perceber o quão longe eu estava de superar tudo aquilo. Desta vez sua voz fora tão perfeita, como a das minhas lembranças falhas.
‘’O tempo cura todas as feridas para sua espécie’’ ele dissera. Não era verdade. O tempo só tornava mais fácil lidar com a dor, pois ela se tornava familiar. As feridas sempre ficam lá nos mostrando o quão frágeis somos. O tempo bem que poderia passar mais rápido para mim.
Após aquele momento eu fiz minha higiene pessoal, tomando meus remédios, e tentei não pensar sobre o que havia acontecido. Realizei minhas atividades matinais que incluíam correr e praticar yoga. Ao terminar isso eram 10 a.m, decidi começar a fazer meu almoço e de Charlie. Depois de tomar um novo banho e descer para realizar esta tarefa Charlie, que estava na sala vendo TV, me desejou um bom dia avaliando-me da cabaça aos pés.
Forcei um sorriso mais natural que pude retribuindo o comprimento, para ele ver que estava tudo bem comigo e fui para a cozinha. Optei por preparar salmão com cebolas caramelizadas e um risoto de frango. Esse processo ia demorar um pouco por isso coloquei a frigideira no fogo médio baixo, aquecendo a manteiga e ½ de uma colher de sopa de olho, enquanto cortava a cebola em fatias finas e picava a outra para o risoto.
Em uma panela dissolvi o caldo de frango na água fervente para depois refogar o arroz na manteiga e azeite. Começo a mordiscar uma fruta, enquanto preparo o creme do risoto em uma outra frigideira e acrescento suco de limão na outra. O cheiro delicioso fez minha barriga roncar. Eu sabia cozinhar muito bem, mas via isso como uma forma de lazer.
Ao terminar chamei Charlie que elogiou o cheiro antes de se sentar. Reprimi um sorriso quando ele deu uma garfada sem hesitar, aparentemente Charlie já confiava plenamente nas minhas capacidades culinárias. Depois de repetir pela segunda vez, Charlie largou a garfo com um ruído me fazendo encará-lo.
— Quer conversar sobre o que aconteceu mais cedo? – perguntou ele, os olhos no seu prato.
— Não. – respondi de prontidão focando minha atenção na mesa quando ele me encarou.
— Você sabe que se isso acontecesse novamente teria que ir morar com sua mãe. Lá na florida existem mais recursos que podem para te auxiliar melhor e...
— Eu não estou doente, pai – o interrompi — Estou melhor. O que aconteceu foi uma recaída, faz parte do processo de superação. Faço terapia de duas em duas semanas para me ajudar nisso. Alem do mais faltam praticamente só as provas finais para o meu sênior year terminar e então me mando daqui já que faz tanta questão de se livrar de mim. – fui ríspida no final.
— Não quis dizer isso, Bella. Eu...
Larguei meu garfo puxando um pouco dos meus cabelos do coro cabeludo.
— Será que podemos não falar mais sobre isso? Por favor? – pedi cansada. Ele balançou a cabeça, suspirando.
— Por favor, não conte isso para a mamãe. Não quero deixá-la histérica novamente. – pedi ao continuar.
— Tudo bem. – ele concordou. — Ontem tive um dia turbulento. Tenho certeza que conhece o filho dos Newton's, ele estuda com você – ele acrescentou. Concordei com a cabeça, feliz por termos mudado de assunto.
— Sim, o Mike.
— Isso, ele mesmo. O garoto e os amigos foram detidos ontem à noite em uma boate de Port Angeles.
Arqueei as sobrancelhas surpresa.
— Presos? Como assim?– questionei espantada.
— Ele e os amigos se meteram em uma briga com uma gangue de traficante em uma boate, o Newton inclusive saiu baleado, já os outros só tiveram escoriações leves.– disse ele serio.
— Caramba, Mike está bem? – achei melhor não citar que eu possivelmente poderia estar envolvida com isso, caso tivesse aceitado a proposta do mesmo.
— Sim, foi de raspão. Um rapaz que estava com eles, Salvatore é seu sobrenome pelo que me lembro, conseguiu atrapalhar a mira do assaltante. Um ato de bastante coragem para um garoto com a idade dele. – disse ele um pouco impressionado.
Enrijeci o maxilar em desgosto. Ótimo agora meu pai também esta caindo de amores pelo boy magia Stefan. Pelo amor de deus será que sou só eu que acha ele um babaca? Ele é tão irritante, se achar o gostosão. Argh! Bem que eu estava certa em evitá-lo, ele era o perfeito garoto problema com aquela aura sedutora que encobertava sua personalidade vazia.
— Hum, que bom espero que Mike melhore logo. – depois disso fiquei em silencio.
— Mas então, em quais faculdades você se inscreveu? – perguntou ele um tempo depois.
Mordi o lábio inferior antes de responder.
— Universidade da florida, universidade da Pensilvânia, UCLA, universidade da Califórnia em Berkeley, universidade de Michigan, universidade de Washington, Harvard e Dartmouth, embora duvide passar nessas ultimas duas. – ressaltei apos listar todas as minhas opções.
— Por que diz isso? Suas notas são ótimas, tenho certeza que ira bem nas provas finais. Se o problema for dinheiro eu posso ajudar...
— Não é isso, mas obrigada por ser otimista. E que a taxa de aceitação das duas são respectivamente 5,9% e 10,3%. Terei sorte se for aceita na UCLA ou em Berkeley. – dei um sorriso fraco, quase tímido.
—Sei que vai conseguir. Tenho certeza absoluta. – ele sorriu em incentivo, o rosto ficando dez anos mais jovem.
— Obrigado por acreditar. – fui sincera.
O dia se passou rapidamente.
Eu não tinha nenhuma tarefa, mas mesmo assim fui estudar para ter o que fazer. Charlie convidou Billy e Sue para assistir o jogo do final da liga de futebol americano na terça, eles trariam os filhos então a casa ficaria cheia. Eu veria Jacob novamente, na primavera passada fora ele que me ajudara através das lendas Quileutes a descobrir o segredo dos Cullens.
Esquentei o que sobrou do almoço na janta e depois de fiquei na sala vendo teve com Charlie até ficar muito tarde. Quando o sono me atingiu desejei boa noite pra meu pai e subi ouvindo o som do noticiário se distanciando a medida em que eu chegava mais perto do quarto..’’...O´connor foi encontrado hoje morto em sua cela, em Port Angeles, assim como seus comparsas. Acreditasse que tenha ocorrido uma rebelião entre os presidiários...’’
Devido o grande estresse que eu havia sentido logo de manhã e as horas perdidas de sono, eu capotei assim que deitei na cama. Uma noite sem sonhos que me deixou relaxada. Ao acordar no dia seguinte fiz minha higiene pessoal e me arrumei no automático. Taquei orgulho e preconceito na minha bolsa de escola pegando duas peras para comer no caminho.
O estacionamento estava cheio quando cheguei, o falatório desenfreado me incomodou; eu estava acostumada com o constante silencio. Uma Mercedes Guardian preta estava parada a quatro carros de mim. Não sai da caminhonete até que tocasse o sinal para a primeira aula, afim de evitar encontros indesejados.
O fone em meu ouvido gritava uma das musicas do system of a down, enquanto eu serpenteava pelas pessoas até a minha aula. Panfletos coloridos anunciavam a data do baile de formatura, assim como os candidatos da qual eu não prestei muita atenção. Eu não iria numa coisa fútil dessas nem que me pagassem.
As aulas se passaram normalmente. Alguns professores passavam uma revisão de toda a matéria do ano para nos ajudar. No intervalo me sentei fora do refeitório para não ter que aguentar alguns dos olhares para cima de mim, terminei pela vigésima segunda vez o livro de orgulho e preconceito, prometendo para mim mesma que conseguiria livros novos até o final de semana.
Então eu fui para minha próxima aula, biologia, da qual eu odiava e me sentei na carteira. Arranquei os fones ouvindo os cochichos das duplas na minha frente e a trás sobre o ocorrido com Mike e os amigos. Meu ‘’parceiro’’ ainda não havia chegado, mas pelo que todos estavam comentando eles eram os novos bad boys da escola. Revirei os olhos com isso, puxando meu capuz para cima da cabeça.
Stefan adentrou a sala, eu sabia disso mesmo que estivesse com os olhos fixos na minha carteira. Seu cheiro tão característico de canela e cigarro se impregnou no ar, fazendo com que estranhamente minhas mãos suassem. Mantive a cabeça abaixada evitando olhar para seu rosto atraente, balançando somente a cabeça em um comprimento mudo quando ele me desejou bom dia.
O Sr. Banner não tardou a chegar na sala, cumprimentou a classe e se virou para a lousa escrevendo sobre um trabalho, que seria uma especie de apinhado com explicação própria da matéria do livro das situações de aprendizagem 5 até a 10 que teria vinte pontos na média. A classe inteira irrompeu em protestos.
— Silencio turma! – ele exclamou antes de continuar.— Como virão o trabalho valera vinte pontos na media final, vocês terão exatos três semanas e meia para realizá-lo e será em dupla com o seu colega de carteira. – estabeleceu ele encarando a classe inteira.
— Mas que merda! – exclamei sem pensar. Era só o que me faltava, forçarem eu e meu colega a um convívio amigável.
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