Begin Again - Lost Stars

20 A shit called friendzone


Notas iniciais
Olá olha eu novamente aqui pulando como os fogos de artifícios da Kate Perry, sem saber o que dizer... O que é estranho porque geralmente eu sou tagarela(risos) Bom vamos para o capitulo! Nos vemos nas notas finais!

Stefan Salvatore

Assim que eu cheguei ao estacionamento, notando que estava longe da vista de qualquer humano que pudesse me ver. Eu desatei a correr em minha velocidade natural, forçando minhas pernas violentamente contra o chão como se pudesse descontar do a minha frustração de me encontrar impotente daquela maneira.

Eu estava confuso e não gostava disso. Todos a minha volta pareciam ver algo que somente eu não via, como se eu agisse inconscientemente de modo diferente em torno de Isabella. Talvez fosse verdade, mas era só a forma com que eu interagia com ela devido ao seu psicológico frágil. Eu gostava de passar meu tempo com ela da mesma forma que passava com Lexi ou até recentemente com Caroline. A diferença é que meu corpo se sentia atraído pelo dela, que eu sentia a enorme vontade de beija-la em diversos momentos por mais inoportunos que eles fossem. No entanto tudo se resumia a basicamente isso: atração, desejo. E era compreensível porque Isabella era uma mulher bonita, e se tornara ainda mais quando ao andar comigo passara a dar mais destaque a aparência, chamando não só a minha atenção como o dos outros a sua volta.

Como já dizia o sociólogo alemão Joseph Goebbels, uma mentira contada mil vezes tornasse verdade. Ou no meu caso, serve para plantar a semente da duvida nas minhas antigas certezas. Era realmente uma droga, porque agora eu ficava me perguntando se eles realmente não tinham razão, considerando que eu era o único a não enxergar esses detalhes que eles faziam gosto de apontar. Eu mesmo sabia o quanto uma pessoa apaixonada costuma ficar cega para o mundo a sua volta e algumas vezes para seus próprios sentimentos.

O que diabos eu estou pensando? É só atração física! Talvez até um pouco de irritação por estar lidando com as consequências disso sozinho, quando não foi um ato de minha inteira responsabilidade. Tenho que me focar nas minhas certezas e não dar ouvidos as caraminholas que insistem em colocar na minha cabeça, porque só eu sei o que se passa no meu coração.

Com essa certeza estabelecida em mim, eu pude finalmente organizar um pouco do caos da minha cabeça. Ao chegar perto da minha casa sai pela margem da floresta, subindo com agilidade os degraus de carvalho, assim como os de mármore na sala para o andar de cima, onde peguei o bem dito trabalho dentro da segunda gaveta na mesinha de cabeceira. Mesmo tendo usado minha velocidade descomunal, quando cheguei novamente ao estacionamento o sinal para a próxima aula já havia batido, e eu podia apostar que Isabella estava nervosa com o meu sumiço.

Andei em passos largos até a sala do Sr. Banner passando a mão nos cabelos e nas roupar para garantir que não houvessem folhas segas ou galhos fonos presos a eles, afinal seria difícil explicar isso quando eu supostamente deveria ter ido de carro.

— Muito bem, chamarei os alunos pelo numero da chamada para que eu possa olhar os cadernos e...

Interrompi a sua fala ao bater casualmente as juntas dos dedos na porta, atraindo a atenção de todos, inclusive uma certa Isabella que aparentava estar apreensiva. Meu olhar não durou muito na sua figura como se ela fosse somente outra colega entre os outros, para depois foca-lo no professor.

— Desculpe o atraso, Sr. Banner, tive alguns problemas referente ao trabalho, mas que já resolvi. Gostaria de assistir sua aula, caso não se importe. —pedi com a voz monocórdia e polida sem alterar minha expressão.

O homem de pele ébano e cabelos grisalhos suspirou, como se já tivesse acostumado com desculpa esfarrapadas dos alunas que se extravasavam por estarem dando amassos em algum lugar da escola, mas assentiu em concordância para o meu pedido.

— Claro, deixe o trabalho em cima da mesa e sente-se em seu lugar. — ordenou ele fechando a porta depois que passei do beiral. Deixando o trabalho na mesa dele eu me sentei em minha carteira onde se encontrava minha mochila, que Isabella tinha trazido quando deixei o refeitório em um rompante, na hora eu nem me lembrara disso, senti vontade de agradece-la por isso mas não o fiz. Simplesmente enrosquei meus braços em torno do volume formado pelo tecido negro, encostando minha cabeça nele e prestando atenção no que o professor falava.

Eu não gostava de dar um gelo nela, mas Isabella precisava entender que nem sempre e nem todos seriam tão complacentes com suas atitudes como eu era. Ela precisava entender que se agisse como uma babaca, isso traria consequências como o meu afastamento e indiferença para com ela. Uma parte de mim estava satisfeita por faze-la pagar na mesma moeda, provando o próprio remédio. Agora não era tão legal quando uma pessoa te ignorava deixando-o lidar sozinho com as consequências de uma ação, não é mesmo.

Eu estava obstinado a retribuir seu tratamento distante comigo, trocando o minimo de palavras com ela mesmo sabendo que essa decisão não perduraria muito tempo. Até ela me chamar após o fim da aula quando eu rumava para a educação física junto a Tyler, Mike e Ben. Eles se despediram de mim com tapinhas na costas, me deixando sozinho com ela.

— O que você quer?— perguntei de maneira grosseira demonstrando minha falta de humor.

— Eu gostaria de me desculpar pela forma que agi com você no refeitório. Aquilo não era motivo para ter me exaltado daquele jeito, sua amizade para mim vale mil vezes mais que um maldito e estupido trabalho. — afirmou ela parecendo realmente se sentir mal com que havia feito, encarando as próprias mãos que se mexiam de forma nervosa, com medo do que encontraria no meu olhar.

Respirei bagunçando os meus cabelos, ao encarar sua pequena figura acuada. Era impossível ficar bravo com ela por muito tempo, e era incrível como ela me tinha em suas mãos feito massa de modelar. Eu era muito dependente dela e isso poderia se tornar muito perigoso.

Puxei-a para meus braços sentindo-a ficar tensa por um instante, antes de relaxar e esconder o rosto no meu tórax prendendo com firmeza a barra da minha blusa fina entre os dedos. Afundei o nariz em seus cabelos sentindo o cheiro bom, suave e adocicado que dele emanava, embora eu preferisse o cheiro natural da sua pele, era muito mais apelativo. Quando a senti tentando se desvencilhar, empurrando-me de leve para trás, eu a libertei do meu abraço, não sem antes depositar um beijo sua testa.

— Desculpa mesmo fazer você perder o intervalo, por conta do meu egoismo você esta indo para a educação física de barriga vazia. — reclamou encarando as mãos ainda agarradas a barra da minha blusa.

— Não é como se eu fosse desmaiar por causa disso. — brinquei apertando de leve meu braço em toro da sua cintura estreita.

Ela beliscou a minha bariga me fazendo encolher com a dor.

— Bobo. Isso poderia realmente acontecer sabia? Que tal matarmos a educação física?

Eu ri com sua face esperançosa diante a proposta feita a mim.

— Por mais que essa proposta seja tentadora, eu vou recusar. — afirmei convicto vendo sua expressão desmoronar um pouco enquanto ela fazia um muxoxo. — Eu não te ensinei a dançar falsa para vê-la amarelar na hora final, okay? Essa é a de mostrar para aquelas peruas que te odeiam o quanto você manda ver.

— Pensei que já tivesse feito isso na festa de Jessica. — resmungou ela enquanto andávamos em direção a quadra, estando o corredor praticamente vazio naquele momento.

— Aquilo foi só uma previa do que você pode fazer, agora é a hora do grand finale. — brinquei tentando entrelaçar as nossas mãos como era costume fazermos, mas ela esquivou entrelaçando nossos braços em vez disso. Fingi não perceber esse seu ato, talvez ela tivesse simplesmente cortando atos que julgava não ser apropriado para a nossa relação.

— Mal posso esperar. — zombou ela.

Eu também, pensei comigo mesmo enquanto caminhávamos em direção ao abatedouro. Estar na zona delimitada para a amizade era mesmo uma grande merda

[...]

Parecia que tinha sido mesmo um combinado mutuo entre as garotas de trazer uma roupa especial para a ocasião, eu me senti incrivelmente melhor ao perceber que não fora o único a esquecer isso vários garotos vieram com a roupa escolar mesmo e não um traje a rigor. A única coisa que eu fizera foi dobrar a manga da minha blusa bordô até o cotovelo para melhorar a mobilidade dos meus movimentos. Tivemos que esperar bastante tempo em uma fila horizontal até que as garotas finalmente deixassem o vestiário, elas não estavam indo para uma maldita festa, mas pareciam preocupadas demais com as vestes como se fossem.

Aos poucos elas foram entrando na quadra, a maioria esmagadora usando vestidos leves e rodados em diferentes comprimentos, estampas e tecidos, assim como de penteados mais elaborados que outros o que justificava a demora tremenda. Até que eu consegui identificar a cabeça loira de Isabella, ela vinha acompanhada de algumas garotas que tentavam puxar conversa, mas eu via a forma em que ela se encontrava tensa. Usava um vestido preto de bolinhas brancas de alças, com decote pequeno em formato de coração, a barra rodada de babados roçando nos joelhos.

Os cabelos loiros escuros com algumas mexas mais claras caiam em ondas até um pouco acima dos seios. Ela havia me confessado antes, que teve que cortá-los um pouco para aderir à aparência de Sandy na fantasia. Não que aquilo mudasse alguma coisa ela estava linda naquela moda Pin up dos anos 50. Dei um sorriso amplo um pouco deslumbrado com a imagem, sorrisos esse que foi retribuído por ela, um pequeno rubor se instalando nas bochechas tornado-as rosadas. Ela era tentadora demais para o seu próprio bem.

— Nunca notei que você era tão baixa assim. — brinquei quando ela parou a minha frente naquele fila horizontal.

Era verdade, naquele momento ela tinha que quase deitar a cabeça para trás para poder me olhar nos olhos.

— Idiota. — xingou embora não parecesse verdadeiramente brava. — Tive que mudar meus adoráveis converse de plataforma por essas... argh! Sapatilhas. Aquela garota ali teve a ’’gentileza’’ de me emprestar. — apontou para uma menina alta com os cabelos pretos presos em uma trança trabalhada atrás da cabeça.

— Você até que não esta nada mal... — elogiei não querendo dar o braço a torcer enquanto a analisava da cabeça aos pés, parando brevemente nas sapatilhas negras com lacinhos rosa claro. — Espera ai essas coisas branquelas que estou vendo, são suas pernas dando o ar de sua graça, Swan?

Ela estapeou meu braço, antes de segurar firmemente meu queixo puxando o para cima, até que eu encarasse seu rosto novamente.

— Meus olhos são aqui em cima, bonitão. — brincou ela com uma piscadela, mas eu só esbocei um sorriso malicioso que a deixou meio sem graça.

Não tive tempo de responder, pois logo o treinador Clapp estava assoprando aquela porcaria de apito novamente, fazendo-me encolher levemente com o ruído agudo. Eu já estava me acostumando com a ausência disso, e eu poderia ter continuado daquela forma.

— Muito bem, agora que as moçoilas finalmente terminaram de se embelezar, vamos iniciar a avaliação pratica, que mostrara se alguns de vocês aprenderam algo durante essas semanas ou ficaram só vagabundando. Dancem já! — e desta forma como se tivesse dado a largada em uma corrida de obstáculos, ele apertou o play daquele radio velho e desgastado que estava ligado a duas caixas de amplificadores.

Para a minha surpresa não começou a tocar aquelas musicas clássicas meio entediantes e antigas, mas sim musicas um tanto atuais embora lentas como Coldplay, Gabrille Aplin, Birdy entre outras. Imediatamente fiz uma reverencia respeitosa como um perfeito cavalheiro, dando uma piscadela divertida ao estender minha mão, ela a segurou rindo da minha ação. Nossos passos eram mais agitados e divertidos que o dos outros que tentavam encaixar suas coreografias na musica lenta, mas nós não ligávamos para isso pois estávamos dançando sob o ritmo de uma melodia que só nós podíamos ouvir.

O treinador Clapp parecia verdadeiramente empenhado em avaliar seus alunos, segurava uma prancheta e observava cada casal dançar por quase dois minutos, o que deixava alguns nervosos fazendo-os errar os passos ensaiados, acabando até mesmo pisando no pé de suas parceiras. E o pior de tudo era que o treinador não falava nada, só anotava algo na prancheta e saia para observar outra dupla com o semblante misterioso e inexpressivo. Ninguém estava ralando tanto nas outras matérias para depois, acabar retido justo na educação física, uma das matérias mais fáceis, por isso estavam bem apreensivos com isso.

Já eu e Isabella não. Não estávamos levando tão a serio tudo aquilo, brincávamos de Lip Sync buscando divertir um ao outro com as nossas caras e bocas, e nossa coreografia improvisada de movimentos espalhafatosos que misturavam nossos conhecimentos em Just Dance com a falsa, não que os tornasse menos fluidos e elegantes. Ajudava também nos estarmos zoando nossos outros colegas imitando-os de leve. Naquele momento quase não parecia que havia uma tensão que pesava o ar entre nós dois.

Por isso nem percebemos quando estávamos sendo avaliados pelo professor, até que ela segurou nos meus braços para inclinar a coluna para trás, em um arco quase perfeito fazendo as pontas dos seus cabelos roçarem nas minhas mãos posicionadas na sua cintura. Posso imaginar o susto que ela deve ter tomado ao abrir os olhos com a cabeça para baixo e encontrar um par de pernas peludas vestidas em uma bermuda roxo berrante. Sei que na hora ela endireitou o tronco de forma brusca quase batendo a testa na minha já que eu estava inclinado em pouco sobre ela suas tentando o peso do seu corpo para que não estatelasse no chão.

Ela escondeu o rosto no meu ombro enquanto tentava esconder o riso sobe o seu bagunçado cabelo. Foi preciso dizer que eu falhei miseravelmente? Ela podia sentir todo o meu corpo tremer com a risada que eu custava a disfarçar, tanto é que me deu um soco que fez a minha crise de risos falhar, com aqueles seus punhos minúsculos e incrivelmente dolorosos. O treinador Clapp nada disse ao anotar ao em sua prancheta, mas eu pude ver sua cabeça balançar levemente de forma positiva enquanto ele escrevia antes de sair.

— Droga! A gente deve ter tirado uma nota zero só por agora. — resmungou ela afundando com mais força o rosto no meu ombro.

Eu ri novamente subindo minhas mãos até seus antebraços para separá-la de mim o bastante para que eu pudesse olhar para seu rosto corado e envergonhado.

— Aquele movimento era muito legal, duvido que levemos um zero por isso. Você não viu a agilidade com a qual você se endireitou? aquilo foi um movimento de uma dançarina profissional. Aproposito você não se machucou com essa gracinha? — questionei avaliando-a preocupado, ela tinha deixado que boa parte do seu peso fosse sustentado por mim, um movimento brusco como aquele poderia ter dado um mal jeito em algum músculo ou até mesmo na coluna.

— Não. — informou ela botando uma das mãos nas costas como uma pessoa idosa, franzindo de leve o cenho. — Só deu uma estralada mas acho que ta tudo bem.

— Sei. — concordei ainda desconfiado da veracidade de sua fala, mas logo relaxei a face esboçando um leve sorriso. — Acho que vai gostar de saber que provavelmente tiramos uma nota boa na nossa performance.

— Jura? — questionou arregalando os olhos como uma criança no natal. Eu assenti vendo sua face se iluminar. — Menos uma coisa com a qual eu tenho que me preocupar.

— Ham-hã. — concordei puxando-a para mais perto mas ela espalmou as mãos no meu tórax, abrindo espaço entre nós dois ao desviar olhar para outra direção.

— Acho que não tem mais então necessidade que continuemos a dançar. — informou ela se desvencilhando de mim, dando alguns passos para trás, tentando ajeitar o cabelo jogando boa parte dele para o lado esquerdo.

Franzi a minha testa, irritado, com a desculpa que ela dava para justificar a mudança de tratamento.

— Viu? é disso que eu estou falando. Com estar dispersa e distancia. Você se retrai ao meu mínimo toque em você, como se eu houvesse lhe espancado, e estivesse com medo que eu faça novamente. — expliquei passando a mão sobre o meu rosto e cabelo, nervoso com toda essa contradição entre nós dois.

— De novo isso?

— Eu não estaria falando sobre isso novamente se você não tivesse agido de forma estranha, como vem agido desde a festa de Jessica, novamente. — esbravejei em resposta ao seu aparente descaso com o assunto.

Ela estava realmente agindo como se não lembrasse, como se o que tivesse acontecido não fosse algo importante que mudou tudo entre nós. Ela estava agindo da forma que eu deveria agir.

— Porque eu agiria de forma estranha com você? Não é como se alguma coisa importante tivesse ocorrido durante a festa. — disse ela cruelmente sem saber o quanto as suas palavras me atingiram.

Sentindo-me verdadeiramente ferido por ser o único a querer por os pratos na mesa e conversar a respeito, por ser o único que sofria com o tormento das lembranças sem uma resposta conclusiva, perdi as palavras por um segundo, porque ela atingira bem no fundo do meu ego e moral.

— Se não fosse importante, como você diz, não estaríamos aqui fazendo papeis de idiotas para ver que vai levar a culpa por tocar no assunto do que aconteceu aquela noite. — rebati fechando as mãos em punhos ao lado do meu corpo para me impedir de fazer uma burrada da qual eu poderia me arrepender depois.

Isabella não queria me fazer duvidar da minha sanidade, ridicularizando minha capacidade mental ao agir como se tudo não passasse de uma ilusão da minha cabeça? Pois bem vamos ver até a onde ele continuaria levando essa brincadeirinha.

Piscando rapidamente como se não houvesse entendido a minha fala, ela engoliu em seco.

— Stefan, do que você ta falando? Eu bebi tanto que mal me lembro do resto daquela noite. — afirmou com convicção parecendo até sentir empatia por eu estar insistindo em algo que eu me lembro, e não ’’aconteceu’’.

Aquela sua justificativa até seria valida se eu não tivesse uma memória fotográfica perfeita, ao ponto de me lembrar de com perfeição da sua afirmação feita em um momento de cabeça alta, algo que eu apostava que ela não lembrava.

— Você vai me fazer falar não é mesmo? Vai disser que não se lembra nem um pouquinho? — perguntei dando passos vagarosos estreitando mais aquela distancia entre nós dois, o que pareceu deixá-la nervosa, fazendo-a olhar para os lados em busca de ajuda. Mas não estávamos tão perto dos outros casais para que aquela cena parece suspeita de alguma forma, ou ameaçadora.

— M-minha memória ainda é turva sobre o que aconteceu depois da dança, eu r-realmente não sei sobre o que você esta se referindo. — garantiu embora seu tom não transmitisse tanta certeza que ela queria passar. Ela parecia deliciosamente atraente daquela forma acuada como uma presa apetitosa, uma parte sombria de mim sorriu coma comparação.

— Me refiro a isso. — e em um rompante eu a puxei pelo braço, grudando meus lábios aos seus novamente como vinha desejando fazer diversas vezes desde aquele momento no por do sol.

Minhas lembranças não pareciam fazer jus às sensações provocadas no meu corpo, o aquecimento do corpo por dentro e o resfriamento dele por fora, causando uma serie de arrepios que corriam da minha nuca até o corpo inteiro. O cheiro dela era tão inebriante que enevoava minha mente. Os lábios dela eram tão macios e quentes contra os meus... Repentinamente uma ardência se espalhou pelo lado direito do meu rosto, eu abri os olhos em surpresa sentindo o local latejar, percebendo tardiamente que Isabella havia dando um tapa com a maior parte da sua força no meu rosto. Encarei ainda chocado, um pouco incapaz de formular alguma reação a isso.

Ela me encarava com fúria e repulsa palpável, como se eu fosse o ser mais desprezível que ela já havia encontrado na vida, mas ainda sim ela não parecia verdadeiramente me ver quando me encarou com os olhos desfocados, limpando com força demasiada os lábios na pele do antebraço e vociferou:

— Nunca mais encoste suas mãos asquerosas em mim outra vez. — e saiu da quadra correndo o mais rápido que suas curtas pernas pareciam conseguir.

Olhei em volta vendo todos os meus colegas me encarando com diversas expressões que expressavam o choque de se observar aquela cena, até mesmo o treinador que tinha se mantido inexpressivo durante a aula estava de boca aberta, é claro que tinha um ou outro que parecia me mandar um sorriso malicioso— Tyler e Ben— mas no geral todos esboçavam a mesma coisa. Eu engoli em seco, minha mente trabalhando rápido tentando encontrar uma explicação para sua reação. Eu sabia que ela possivelmente ficaria com raiva do que eu fizesse mais aquilo ali parecia ser muito mais profundo, ela me encarou como se não me conhecesse, como se eu fosse outra pessoa, como se ela tivesse presa em outra situação e não a do presente momento.

Minha mente rodou de forma vertiginosa quando uma possibilidade em especifico passou por ela, fazendo-me sentir enojado como se pudesse vomitar a qualquer momento. Ela não se lembrava daquilo não é? Não era possível ela se lembrar daquilo e continuar a agir normalmente depois de me ver daquele jeito, tinha? Isabella não era boa em guardar as coisas para si mesma, eu me recordava da forma distante e assustada que ela andara dias depois da qual dia em especifico. Mas duvidava que ela conseguiria guardar isso para si mesma sem dar uma indireta, ou fazer uma piadinha sobre o que ela viu.

Isabella poderia não se lembrar, mas seu inconsciente sim, afinal tudo ficava armazenado lá. Eu havia lido em algum lugar que a Amnésia dissociativa era a capacidade do cérebro de bloquear certas lembranças traumáticas, o que faria sentido ter acontecido com ela pelas cenas fortes e chocantes que presenciou naquela noite. Mas não faria sentido ela agir dessa forma, afinal as lembranças só voltariam caso ela tivesse força para suportá-las. E esse definitivamente não parecia ser o caso de Isabella. A não ser que ela sofresse de Transtorno de estresse pós-traumático. Não! Droga, droga, o que eu havia feito.

Era obvio os sintomas estavam todos ali só eu quis não quis enxergá-los, eu sabia que ela tinha alguns problemas psicológicos decorrente a época sombria do abandono do namorado, mas não pensei que as coisas fossem serias a esse ponto. Ela havia dito que não havia reagido bem a partida dele, ter desenvolvido TEPT era um outro patamar disso, o que explicava varias das reações dela como exclusão social, ela só estava evitando que lapsos de memórias indesejadas não voltassem.droga, eu havia estragado tudo.

Eu podia imaginar os eventos agora pela perspectiva dela, o beijo forçado na frente dos colegas deve ter servido como um gatilho para desbloquear aquela memória dela e fazê-la reviver aquela experiência traumatizante novamente. Meu ato de ter dado-lhe a sensação de estar sendo abusada psicológica e fisicamente, pois não era algo para a qual ela estava preparada ou se sentia confortável. Droga eu não sabia se ela tinha trazido os remédios para casos como esses, ela deveria estar se sentindo tão transtornada e desorientada eu precisava encontrá-la. Foi o que estabeleci para mim mesmo enquanto partia para fora da quadra tentando por meus pensamentos em ordem para procurá-la.

—... Eu nunca teria investido com a Bella se soubesse que você gostava dela dessa forma. Porque não me disse? — questionou Mike colocando a mão sobre meu ombro barrando minha passagem, só naquele momento eu percebera que ele havia falado mais coisas para mim embora tivesse me mantido absorto para o resto de sua frase, assim como para os burburinhos que começavam a ganhar vida em meus ouvidos novamente..

— Porque que eu não sabia. — Me vi respondendo ao desvencilhar-me com um movimento brusco, caminhando em direção a saída parecendo tão confuso quanto ele, ao responder essa pergunta.

Notas finais
Eu fiz uma capa linda demais par a fic que eu necessito muito compartilhar com vocês, nela a Bella tá usando o vestido desse capitulo(risos). Vamos ver agora quem verdadeiramente lê minhas notas finais. Me digam nos comentários se a percepção do Stefan ter descoberto dos problemas psicológicos da Bella, foi muito ''catando no ar'', porque meio que me deu essa impressão apesar de saber que a mente vampírica dele é muito ágil, sendo aquilo um pequeno fragmento do que ele pensou a respeito até chegar no seu agnóstico percebendo a burrada que fez. Comentem bastante meus lindos, quem sabe não batemos a marca de cem comentários? falta tão pouco não? porque não se unir nesse bem maior que me deixara muito feliz?! Um ótimo ano novo a todos vocês anginhos açucarados, nos vemos novamente em fevereiro(sem data estabelecida ainda), com novos capítulos para matarem suas curiosidades. Bloen kisses,Mia