Begin Again
10 Pictures and Words
Notas iniciais
"Deixe-me tirar uma foto sua, baby. Eu vou salvá-la para um dia de chuva"
– Smile, R5
Austin's POV
– É por aqui, Alls. — Disse, explicando o caminho para a morena que olhava ao redor impressionada. A boca estava escancarada, parecia mal acreditar no que via diante de si. Soltei um pequeno riso. — Pode deixar sua mochila ali em cima e trocar de roupa aqui. — Apontei para um cabide um pouco longe de nós dois e ela assentiu com a cabeça.
– Esse lugar é... tão... Uau! — Exclamou, piscando devagar.
– Obrigado, eu acho. — Ri. — Não foi fácil, mas eu comecei a construir esse estúdio antes mesmo de viajar pra Los Angeles. Depois foi só colocar o projeto no papel e voilá!¹
Ela sorriu e pegou uma roupa de dentro da mochila, correndo para o provador enquanto eu escolhia uma câmera. Acabei optando pela que ganhara de natal, era a minha favorita. Digna de Allycia Marie.
– Estou pronta. — A morena surgiu com um belo vestido cinza destacado em cores como rosa e azul, um cinto enfeitava a roupa e uma jaqueta preta cobria os ombros. Sorri, sentindo algo dentro de mim se agitar. Era uma roupa tão simples mas ela estava tão... linda.
Pedi que ela ficasse a vontade pra fazer a pose que quisesse e Ally assentiu. Era tão fotogênica que a única coisa que eu tinha que fazer era virar a câmera e dar foco aqui e ali.
– Por que tanta seriedade, baixinha? Cadê o sorriso? — Perguntei, arrancando uma sonora gargalhada dela. O sorriso ficaria ainda mais belo nas fotos.
– Estou indo bem? — Perguntou, um pouco mais relaxada. Assenti, batendo uma foto da garota com a jaqueta pendendo nas mãos, abaixada.
– Sim, mais que bem.
~//~
– Posso ver as fotos agora? E agora? E agora?– Ally saltitava na minha frente, com toda a curiosidade estampada em suas orbes castanhas. Neguei pela centésima vez seguida, enquanto editava — editar não é bem a palavra, não tinha nada pra editar ali. Era tão espontâneo que se melhorasse, provavelmente estragaria — suas fotos no notebook. — Deixa de ser malvado, Aus! Deixa eu ver! Por favor! — Ela sacudiu o meu braço, fazendo um bico e piscando os olhos. Uma cara digna do gato de botas — foi o que pensei.
– Não, deixa de ser curiosa! Quando ficar pronto, eu te mostro. — Revirei os olhos e balancei a cabeça, mas ela pareceu não se convencer. Queria a qualquer custo então simplesmente saiu de perto de mim e se escondeu atrás das cortinas. Tive vontade de rir de sua teimosia. — Alls, sai daí!
– Só quando você me deixar ver as fotos. — Gritou de volta, decidida. Uma ideia começou a surgir na minha mente.
– E se eu disser que tenho uma ideia melhor? — Ela abriu uma pequena fresta do tecido preto e colocou um dos olhos pra fora. — Que tal me ajudar a revelar suas fotos? O que acha? — Ally ponderou a proposta por alguns instantes e finalmente concordou.
A levei para uma sala escura, carregando algumas das fotografias tiradas. A morena devia ter medo da escuridão, pois logo procurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Um choque percorreu meu corpo, mas preferi ignorar.
Comecei a explicar pra ela como se mergulhava as fotos nas três bacias: Primeiro no revelador, depois na água e por último no fixador.
– Posso tentar? — Ela perguntou, fazendo tudo com cuidado, um por um.Teve um pouco de dificuldade em expor no varal improvisado, mas eu peguei em sua mão e ela sorriu, maravilhada.
– Não fazia ideia de que o seu trabalho era tão... mágico. — Ally observou as fotos restantes, algumas haviam sido tiradas em Los Angeles — como o letreiro de Hollywood em diagonal ao pôr do sol — outras, aqui mesmo.
– É, é sim. — Concordei. — Você seria uma ótima modelo se tentasse de novo algum dia. — Fixei os olhos na foto em que ela sorria. Mesmo com a luz vermelha², percebi que a garota corara.
– Não tão boa quanto você é fotógrafo. — Bajuladora, pensei rindo comigo mesmo. — Posso dar uma olhada mais de perto? — Assenti, me afastando para que ela pudesse admirar as fotografias.
Meu coração se aquecia cada vez que a via sorrir, delicadamente. Então eu percebi que isso não tinha nada a ver com ela ser minha melhor amiga, tinha a ver com algo mais profundo e intenso.
Talvez, só talvez, eu estivesse começando a sentir alguma coisa por Ally.
Ally's POV
Sim, eu sabia que o Austin era fotógrafo e tinha seu próprio estúdio, também sabia que ele tirava fotos incríveis e amava o que fazia. Sempre soube, na verdade.
Mas eu não sabia que fotografia podia ser tão lindo, tão expressivo e intenso. Eu sentia vontade de levar cada uma daquelas fotos e admirá-las todos os dias, só para sentir aquela sensação calorosa de presenciar a beleza em seu real estado de espírito.
Saímos da sala escura e Austin disse que ia fechar o studio, mas eu não podia deixar que ele fizesse isso antes de pedir uma coisa.
– Me ensina a fotografar? — O loiro arregalou os olhos, surpreso e eu me apressei em corrigir. — Quis dizer, tipo, não precisa ser em uma das suas máquinas profissionais, nem nada disso. Só uma foto, dar foco e bater, se não for te incomodar. — Ele riu e em vez de responder, pegou uma câmera e colocou em minhas mãos.
Austin colocou seu corpo atrás do meu e passou suas mãos por cima das minhas erguendo a câmera. Meu braço formigou com seu toque e não pude evitar sorrir.
– Quando se sentir segura com a câmera, pode tirar a foto. — Comentou e eu assenti, quando ele me soltou devagar.
Olhei ao redor do local procurando algo que me interessasse, Austin me observava de forma curiosa, a câmera estava firme em minhas mãos. Uma ideia passou pela minha cabeça e eu não vi motivo pra não colocá-la em prática.
Virei a câmera na direção dele e cliquei no botão. O loiro abriu a boca e correu pra perto de mim.
– Ally, uou! Eu sou o fotógrafo, não o modelo! — Ele tentou tirar a câmera das minhas mãos, mas eu fui mais rápida e peguei a foto, escondendo dele — era daqueles tipos de máquinas antigas que revela a foto na hora. — Dawson!
– Nada disso, Moon. Essa foto é minha. — Ele continuou me repreendendo com o olhar. — Vai lá, você tem mais fotos, eu só tenho uma. Além disso, ficou ótima e é a minha primeira foto.
– Tudo bem. — Cedeu, de braços cruzados e eu o puxei pra um abraço. Austin descruzou os braços lentamente e me abraçou de volta. Senti um calor invadir o meu corpo e não consegui evitar o pensamento de quando vira sua foto.
Talvez, eu não sentisse amizade apenas, afinal.
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