Before everything

4 Vivendo por um triz


– Encontrei bisbilhotando aqui fora. — o guarda falou me dando um empurrão no braço.

O guarda estava suando no rosto e parecia bastante agitado. Minha adrenalina aumentou quando o homem da minha frente se ajoelhou perante a mim e disse bem baixo:

– Vamos acabar com isso logo, vamos?

Balancei positivamente a cabeça.

– Que bom, agora você vai sair daqui e não irá falar nada do que ouviu aqui, entendeu?

– Sim. — respondi quase desmaiando de nervosismo.

Atravessei a porta sentindo um calafrio quando passei pelo guarda, que estava me seguindo com os olhos.

Cheguei ao local aberto entre os prédios com a luz do sol atingindo diretamente a vista, quando senti uma mão me sufocando na minha boca e nariz e outra apertando minha barriga arrastando-me para o penhasco.

Eu o chutei no joelho e o homem soltou um gemido, mas não me soltou. Devia estar a uns 5 metrosdo penhasco. Só pensei em uma coisa.

"Thomas” chamei em sua mente, e nada.

4 metros.

"Me responde, Thomas".

3 metros.

Tentei travar as pernas na terra, mas, não funcionou.

2 metros. Mordi a mão dele e gritei.

– Socorro!

– Quieta. — e tapou minha boca de volta.

1 metro. Já conseguia ver queda d'água se quebrando lá embaixo.

Um tiro foi disparado, o guarda caiu no chão.

Me lembrei de minha mãe, foi um tiro certeiro na cabeça. Olhei para frente com meu rosto manchado de sangue e vi o cientista da sala.

– Não confiava nele. — olhou para o guarda — Precisamos de uma desculpa.

– O quê? — falei atordoada.

– Já sei. Vou falar que ele estava no último estágio do Fulgor e que você estava indo pra sala de aula quando ele te atacou.

– E a arma? – perguntei ainda assustada.

– Disso eu também já sei.

O psi foi indo embora quando eu gritei correndo em sua direção:

– Espere! — eu o alcancei — Preciso de explicações!

– Não precisa, não. — ele voltou a andar.

– Eu vou contar tudo ao chanceler antes que ele morra. — ele parou.

Ele andou rapidamente até mim e disse, apontando o dedo no meu rosto.

– Se você contar alguma coisa do que aconteceu naquela sala eu te jogo penhasco abaixo.

– Duvido que você faça isso diante das câmeras. — ele paralisou novamente.

– Ele sempre quis fazer o que pretendia, eu disse que não iria prestar, que tudo isso daria em uma coisa horrível. — em seguida ele se foi.

Corri para sala de aula. Abri a porta, todos me olhavam de pés a cabeça.

– Senhorita Teresa, o quê houve? — a professora falou com um tom ameaçador.

– Desculpa, é porque eu passei um pouco mal.

– Você está pálida. — travei.

– É...

– Já foi na enfermaria?

– S-Sim, já estou melhor.

–Então se sente.

No término das aulas fui para o dormitório. O relógio marcava 20h15min. Alguém bateu na porta e entraram Thomas e Minho.

– O que aconteceu hoje? — Thomas perguntou de disparada.

– Como assim? — perguntei tentando disfarçar.

– Não tenta me enganar, eu te conheço.

– Thom,estou falando sério. Eu passei mal de verdade. — ele não mudava sua expressa de desconfiança — Estou melhor, mas não totalmente, então... Vamos dormir, porque amanhã vai ter reunião de novo e eu não me dou bem em pensar estando doente.

–--

Será que estou tendo lembranças novamente?

Estou deitada em uma maca, uma enfermeira ao meu lado me dizendo que esse é um procedimento bem rápido. Com certeza são lembranças. Bebi um líquido transparente e meio azulado. A enfermeira disse que quando eu estiver pronta para desmaiar eu levantaria o dedão. Esperei um tempo até que várias imagens da minha vida estivessem deslocadas.

Dor de cabeça. Meu pai. Audição falhada. Minha mãe. Olfato monótono, sangue. Eu assustada. Parecia que estava flutuando.

“Você está bem?" um sussurro percorreu a sala, balancei a cabeça positivamente. Doença. Está quase lá. Fulgor. Levantei o dedo. Meu tronco se ergueu. Parece que meu cérebro todo estava interligado junto com meu corpo, as lembranças sendo deslocadas subitamente.

–--

De: Christopher.

Para: Karen

Assunto: Teresa

Boa noite, Karen. Desculpa por estar te enviando a essa hora em plena madrugada, mas preciso falar com você seriamente sobre Teresa.

Ela pode destruir todos nossos em relação ao CRUEL. Hoje de tarde ela me ameaçou a contar tudo para o chanceler. Ela é só uma criança, porém, essa criança pode fazer-nos ter o mesmo destino dos nossos ancestrais, por isso nós precisamos expulsá-la. O plano deve ser executado na apresentação da sucessor John Michael. Eu sei que está muito em cima da hora, só que se não o fizermos, tudo vai por água abaixo. Te enviarei outro email com o plano de rapto, me responda o mais rápido possível.

Christopher.