Before everything

3 Teresa e expulsão


Pov de Teresa

Entramos no escritório em ordem, nos organizamos em linha reta um ao lado do outro em frente à mesa do chanceler.

– Parece que vocês estranharam suas novas rotinas, não é?

– Sim, senhor! — respondemos ao mesmo tempo.

– Portanto, a partir de hoje, vamos mudar um pouco as coisas. Os três dormirão no mesmo dormitório.

– O quê?! — falei um tanto alto demais – Perdão, senhor.

– Vocês serão transferidos para outra zona do prédio.

– Podemos saber para onde? — Minho perguntou calmo, porém aparentemente estranhando.

– Claro. -respondeu como se fosse um parente bem próximo. – Vocês irão para a zona D, conhecem?

– Sim. — respondemos ao mesmo tempo novamente.

– Estão dispensados.

Estávamos dando passos longos e rápidos pelo corredor.

– Zona D? Essa não é umas das melhores do prédio? — Thomas falou.

– Sim. — eu respondi – E é melhor andarmos rápido, porque estamos atrasados pra reunião.

Uma porta de ferro se encontrava no final do corredor, um guarda com as mãos pro lado balançando pra frente e para trás assobiando.

– O chanceler... — comecei a explicar quando fui interrompida.

– Já sei de tudo.

Entramos em uma sala enorme com vários computadores, e telões digitais nas paredes. Postamo-nos em nossos lugares rapidamente.

Depois de um tempo resolvendo a minha parte do projeto, fiquei observando Thomas concentrado no telão digital principal. Precisava falar com ele, mas não podia sair do meu lugar. Assim que se sentou, eu fechei os meus olhos e forcei os pensamentos.

“Thomas”, falei em sua mente.

“Ah, finalmente alguém pra conversar, não aguento mais” ele respondeu no mesmo momento.

“Preciso te contar uma coisa”

“O que?” ele disse em um tom preocupado.

“Eu sonhei com minha mãe”

“Outra lembrança?”

“Sim. Ela estava... o Fulgor.”

“Não precisa contar”

“Ela me puxou pelos cabelos, me bateu no rosto, vi meu pai puxando o gatilho...”

“Tudo bem. Não precisa continuar.” ele se virou para trás e me viu, eu com os olhos enchendo de lágrimas. Porém, me contive.

“A reunião já vai acabar” ele mudou de assunto.

“Será que vamos almoçar junto com as outras crianças?" falei conformada pelo assunto anterior.

"Não faço idéia"

Um alarme tocou e todas as pessoas da sala saíam em tumulto, todas com jaleco. Era a hora do almoço.

A nossa mesa era enorme, cheia de crianças. Quando chegamos nossos pratos já estavam nos esperando. A refeição do dia era feijão, arroz, salada, bife e um suco de limão. Todo dia uma nova refeição, pois devíamos ter uma dieta perfeita.

Estávamos em um corredor no térreo do prédio.

Depois de almoçar, sempre vamos à sala de aula. No corredor havia uma porta dupla que dava para um lugar aberto, com três grandes prédios envidraçados e logo à frente um penhasco com um pequeno rio, caindo de vista para o deserto onde atrás se encontrava a floresta.

Quando cheguei à porta com as outras crianças, pedi ao supervisor pra ir ao banheiro. Enquanto eu estava lavando a mão,dois psis passaram pela frente. De acordo com a conversa eram psis, mas eu só consegui ouvir duas palavras.

Teresa e expulsão.

Eu os segui até uma sala com outros psis sentados e, escondida na porta, ouvi sua conversa até um ponto que falaram sobre Minho.

– O chanceler está quase no estágio final do Fulgor. Presumo que Minho ficará abalado.

– E...? — Um homem interrompeu.

– Sugiro que reforcemos a preparação. Pensem: com a morte do chanceler, poderemos convencer Minho a acreditar mais ainda em nós.

Parei por um momento.

– Isso é crueldade. — sussurrei a mim mesma.

– E quanto a Thomas? — uma mulher perguntou. — Observei o rosto do homem em frente do pequeno público pela fresta da cortina, ele estava com uma expressão preocupada.

– A pergunta certa seria à Teresa, porque, eu acho que teremos que expulsá-la. — o público se exaltou.

– Nunca fizemos isso! — alguém gritou.

E logo em seguida...

– Você já ouviu demais, garotinha. – de repente, um guarda me pegou pelo braço e me jogou dentro da sala.

– Uma visitante, é? — O orador falou em voz alta enquanto todos me olhavam.