Before everything

13 O sacrifício pela vida


Notas iniciais
Finalmente postei, Ufa!

Ivy acertou o tiro na quina da parede de concreto. Entrelaçou seus braços com o de Brenda e arrastou a garota para fora do campo de batalha, Teresa pegou Karen, apesar do peso ela conseguira arrastá-la até a metade do caminho, Ivy fez o resto.

Encostou as costas de Brenda na parede de um beco. Deixou escapar um gemido quando sua coluna ficou ereta. Karen se levantou e mirou na outra ponta do prédio, disparando repetivamente.

– Onde estão os outros guardas? — Karen perguntou.

– Com certeza já devem estar avisados. — Ivy cerrava os olhos a cada vez que disparava.

– Será que todos da cidades foram informados?

– Os que não foram devem estar no outro lado da cidade. — Um tiro passou perto de seu rosto, quebrando uma parte da parede. Mas protegera o rosto com as mãos. Karen quase congelou, mas a adrenalina não permitira. Karen se perguntava se o tiro havia acertado seu rosto, mas caso acontecesse Ivy estaria caída no chão frio com um furo na cabeça. Logo Ivy voltou a atirar, então a ideia de cumprir a missão de cuidar de duas crianças desaparecera.

Os guardas começaram a avançar em direção à elas, se esgueirando pelas pilastras no meio do caminho.

– Vamos sair daqui, agora! — Ivy ordenou. Deu um último tiro e, por sorte, acertou um dos alvos na testa.

Brenda se encontrava encolhida na parede, de cabeça entre as pernas chorando. Karen agachou-se perto da garota.

– Brenda, eu sei que acabou de ver uma cena horrível, também quer que tudo isso acabe, por isso precisa aguentar mais um pouco se quiser que isso aconteça. — A garota erguiu a cabeça, ficou observando o rosto da mulher por alguns segundos, com os olhos cheios de lágrimas. Ela assentiu.

Todas se levantaram e correram para a outra saída do beco. Foram se esgueirando pelos prédios, observando cada virada de esquina, quando percebiam que estava limpo voltavam a correr. Percorreram muitos quarteirões até chegar à entrada do aeroporto. As quatro já se encontravam ofegantes.

Dois guardas postavam-se no portão da pista de pouso, com dois fuzis enormes colados ao corpo.

– Na cabeça. — Disse Ivy clamando por oxigênio. Miraram nas testas dos caras e dispararam. Acertaram em cheio.

Na pista de pouso havia dois Bergs enormes, esperando para serem decolados em alta velocidade. Karen se aproximou da lateral da nave e apertou uns botões aleatoriamente. A rampa começou a arriar lentamente.

– Vai...mais rápido. — Karen implororava, sacudindo a perna. A rampa se abriu consideradamente.

– Vamos. — Ivy pegou Teresa pela cintura e erguiu-a, largando-a dentro da nave. Na vez de Brenda foi mais rápido, já que a rampa abriu-se mais ainda. Depois pularam as restantes. As duas garotas se esconderam nos domitórios.

Disparos atingiram a lateral do Berg, mas nada surgiu efeito. Então, a nave começou a flutuar no ar com chamas azuis debaixo dele. Os guardas repetiam a frase várias vezes no rádio: "Cancelem o voo". Até que um deles tomou iniciativa.

"Preparem um Berg"

Correram para a segunda nave. A rampa da nave se abriu sozinha enquanto iam em direção à ela. Aquela nave era controlada pela base da cidade, diferente dos fugitivos que possuiam uma com o sistema invadido, por isso não conseguiram detectar Ivy. A ignição do Berg foi ativada e os propulsores expeliram chamas azuladas, que sua potência fez uma círculo de ar no chão, como um helicóptero se aproximando do chão.

O painel de controle começou a apitar, um ponto vermelho surgiu no painel se aproximando da nave fugitiva.

– Não vamos conseguir. — Ivy avisou.

– Vamos sim. — Karen a respondeu. Ela segurou firme na barra de direção e a virou, mudando totalmente a direção.

– O quê você tá fazendo? — gritou Ivy.

– Acalme-se! Estou acostumada à esse tipo de situação. — soltou um sorriso, parecendo uma sociopata. A parceira olhou assustada para ela. — Brenda! Teresa! — gritou pelas crianças. Depois de ter gritado algumas vezes por elas, vieram correndo.

– O-O quê tá acontecendo? — Teresa indaga gaguejando. Sua pupila está muito dilatada, é muita adrenalina para uma criança. Teresa sente que pode desmaiar com mais um pouco de adrenalina. Brenda está com uma forte ânsia de vômito.

– Ela tá bem? — Karen pergunta, lançando um rápido olhar para Brenda.

– Primeira vez...Berg. — ela responde quase botando tudo para fora.

– Qual é o plano? — Ivy pergunta.

– Com certeza eles não irão nos abater com duas Imunes nesta nave, principalmente com Teresa conosco. — O Berg oscila por um momento, mas logo volta ao normal.

– Estamos ficando sem combustível. — Ivy diz.

– Então, fazerei uma transmissão de resgate com eles...

– Espera, voltaremos para o CRUEL? — Teresa pergunta, levando o pé para o outro lado quando Brenda vomita. Todos fazem uma expressão de desgosto.

As mãos de Ivy perdem a força, mas, de repente, ganham determinação. Ela logo raciocina a finalidade do plano: se sacrificar para salvar as Imunes. O plano era letal. O objetivo do Braço Direito falhou nessa parte, porque não poderiam morrer juntos com as garotas. Apesar do CRUEL ser mau, só piorariam se perdessem mais recursos, já que a geração que salvará que repovoará o mundo será a dos Imunes.

– Sim...

– E vocês? — Brenda fala se recuperando da ânsia.

Os soldados estão quase lhes alcançando, mas não só eles. Uma grande massa verde fluorescente invade o painel do radar. O Berg soa três apitos agudos. O combustível só vai durar mais alguns minutos.

– O labirinto. — Ivy murmura.

– Isso mesmo, não vamos entregá-las e deixar isso a limpo. Vamos destruir a coisa que eles mais necessitam.

– Vocês não podem fazer isso com a gente! — Karen fala algo no rádio e a rampa se abre, o ar quente engole a nave por dentro, fazendo um som agudo quando atravessa a fresta entre a rampa e o teto. — Não... — o barulho do ar e do motor do Berg não deixa-a completar a frase. Ela começa a chorar enquanto grita.

Três atiradores se encontram em pé, segurando um fuzil cada um apontando para elas. A nave deles está quase colidindo com a outra, deixando um espaço para que Teresa e Brenda pulem na nave de resgate. Karen mexe a boca, mas só se consegue ouvir o som dos propulsores, faz um gesto com a mão mandando elas irem.

Brenda puxa Teresa pelo braço, arrastando-a até o limite da rampa. Os soldados devolvem os fuzis às costas e estendem os braços.

– Vamos, pule! — um deles grita. Elas ficam de mãos dadas, entrelaçando os dedos fortemente. Elas soltam um pesado suspiro e dão um passo para trás. Parece que estão sem base nenhuma para se apoiarem, se sentem tão leves que o vento pode levá-las a qualquer momento.

– Não sei se consigo. — Teresa avisa. Como antes, mais um pouco de adrenalina ela desmaia, mas agora ela tem que conseguir. E, também, se não fazê-lo levará Brenda consigo, caindo, caindo até colidir com o chão.

– Três, dois, um, agora! — elas contam juntas, e correm em direção ao meio fio. Elas pulam. Brenda observa o espaço em vazio abaixo dela, e deixa o vento a levar, sem fazer nenhum esforço. As duas batem no ferro da rampa e saem rolando para dentro da nave. A rampa se fecha.

O alarme de combustível continua apitando. O labirinto está quase abaixo da nave, já sendo permitido avistá-lo pelo painel nave. Mas Karen nem Ivy olham, só permanecem de olhos fechados esperando a hora da queda. Seus destinos acabarão do mesmo jeito do que a dos antecedentes: morrer de uma colisão de um Berg ao solo, afim de preservar oque mais importa à elas. A vida.

A nave cai.

***

Teresa e Brenda são transportadas a um dormitório. Elas choram enquanto são guiadas até lá, clamando, agora, para uma vida mais calma. Quando chegam à porta elas fazem o resto do caminho, correndo e se jogando na cama. Elas choramingam um pouco e dormem, como não quisessem acordar no dia seguinte.

No dia seguinte, somente Teresa é tirada do seu dormitório, enquanto Brenda se pergunta porque também não ela. Mas, talvez, seja porque ela é de uma outra zona, apesar de serem prometidas dois dias de descanso total. Com cetreza não deve ser algo ruim, pelo oque aconteceu antes. Não irão nos perder novamente.

Teresa está em uma pequena sala. Nela há uma cadeira modo dentista, uma pequena tela ao lado dela e uma balcão no outro lado da sala.

– Por favor, deite-se. — pede uma moça que está apoiada no balcão. Tem cabelos soltos e castanhos escuros.

– O que vão fazer comigo? — indaga Teresa deitando-se. A mulher aproxima-se da garota, segurando um minusculo copo de vidro. Ela tira um cilindro de metal do bolso do jaleco, aperta sua lateral e a parte de cima se abre. A moça derrama o líquido transparente no copo, mas quando se choca com fundo dele muda para uma cor mais esverdeada bem rala.

– Vamos religar seus aparelhos cerebrais. Se lembra daquela vez depois da cirurgia? — ela entrega o copo à Teresa.

Teresa assente. Balaça fracamente o copo e bebe.

– Pensei que vocês injetavam direto na veia.

– Sim, mas seus níveis de estresse estão altos ultimamente, então seria perigoso injetar direto no sangue. — a moça explica — Feche os olhos. — Teresa os fecha. — Me diga quando estiver prestes a desmaiar. — Teresa assente novamente.

Depois de alguns minutos Teresa levanta o dedo positivamente. A mulher dá um toque na pequena tela ao lado da maca, e o corpo de Teresa se enrijece. Surgem imagens aleatórias até que uma é focada: um pequeno fio de metal enrolados em muitos nervos em volta. Mas ele está danificado, no entanto, a moça arrasta o indicador no vidro e o cabo começa a se restaurar lentamente.

***

– Como foi? — Brenda pergunta ansiosamente. Teresa faz um gesto balançando-a.

– Mais ou menos. Causa um pouco de dor de cabeça e enjoo.

– Enquanto você estava fora o chanceler veio...

– O chanceler?! — Teresa a interrompeu. Uma onde raiva invadiu sua corrente sanguínea, mas não sabe o motivo. Não confiava nele por algum motivo desconhecido.

– Sim... Ele disse que veríamos alguns garotos hoje, mas não quem é. — Balança os ombros.

– Thomas! — Teresa grita. A raiva é substituída por ansiedade, felicidade e, talvez, no futuro, amor.

– Acho que um deles é esse... São que horas? — Há muito tempo que estão vivendo sem noção do mundo em volta. Teresa vasculha o lugar rolando a cabeça e diz:

– 11h:00min. Caramba, o almoço!

Elas correm e abrem a porta. Se dão conta de um homem de jaleco, quase colidem com ele. Ficam sem entender quando ele fica parado diante à elas. Teresa cerra os olhos, ela já o viu em algum lugar, e sua lembrança não é muito boa.

– Parece que vocês já sabem oque fazer. — Elas frazem o cenho. — O almoço. — Ele dá meia volta e vai embora. Elas seguem o caminho até o refeitório.

Enquanto percorrem os corredores cientistas e algumas crianças passam metrelhando-as com os olhos. Chegam ao grande refeitório. Todas as crianças param de fazer tudo e fissuram as duas, só deu para ouvir a porta batendo de volta, fazendo o eco por todo o cômodo. Elas se sentam com a maior vergonha do mundo, apesar de não ter feito nada de vergonhoso, os olhares de todos são intimidantes.

Teresa e Brenda se sentam, esticando o pescoço afim de tentar avistar Thomas e Minho, mas falham. A tradicional moça de cabelos louros entrega-lhes dois potes de comida e dois de suco. Comem calmamente, mesmo com tanto tempo sem fazer, porque nem sequer tomaram café-da-manhã e nem jantaram no dia anterior.

Elas se levantam e colocam as cambucas em um balcão onde outro funcionário a recolhe. Rodam o corpo a procura dos meninos , mas falham novamente. Brenda tem pouca chance de reconhecê-los, mas nem ela os achou com as caracteristicas dadas. Então se voltam ao corredor, porém são barradas na porta do refeitório por dois guardas enormes.

– Preciso que nos acompanhe, senhorita Teresa. — Um deles diz.

– O mesmo, senhorita Brenda. — Outro repete.

Eles a pegam nos braços quando assentiram. Se dividiram, cada um para um lado, quando alcançançaram dois corredores de direções opostas. Um deles levou Teresa para a sala de transcrições e outro levou Brenda para uma sala pequena de cirurgia. No caminho, Teresa sente uma picada na nuca, esfrega a cabeça para sarar a dor. Ela escava a mente tentando lembrar de algo.

Thomas e Minho se postavam sentados em uma mesa. Eles pulam da cadeira quando veem Teresa.

– Teresa! — grita Thomas, correndo em direção à ela e abraçando-a. Minho faz o mesmo.

– Que saudades. — murmura Minho.

– Também... — responde Teresa, com um sorriso melancólico no rosto.

– Você tinha que ver, fizemos de tudo para saber oque aconteceu... — Minho conta.

– Nós enfrentamos o chaceler. — Thomas o imterrompe.

– Espera aí — Teresa estranha — Sobre o quê vocês estão falando?

– Sobre o sequestro! — exclamam os dois juntos.

– Mas que sequestro?