Há alguns computadores em um canto da parede. No centro, tem posicionada uma grande maca, bem maior do que o tamanho de Brenda; três a largos holofotes iluminavam diretamente a maca, e logo ao seu lado, um balcão de alumínio onde eram mergulhadas peças cirúrgicas na água. Médicos perambulavam pelo cômodo com máscaras tapando seus rostos.

Brenda adentra à sala semicerrando os olhos, pensa em suspender a mão ao rosto, mas logo se acostuma com a claridade causada pelas enormes lâmpadas. Os médicos abrem espaço, dando um caminho retilíneo à maca. A luz era tão forte sobre a maca que parecia que exalava luz própria. Brenda sentiu medo por instante, porque a cama parecia que era um portal para outro mundo; aquela luminosidade se refletindo nos lençóis eram divinas.

– Tudo bem, obrigado. — um cirurgião dispensou o guarda, dando um aceno com a cabeça. Os guardas giraram os calcanhares e fecharam a porta dupla; um clique soou do lado de fora da porta de metal. O cirurgião enfiou algo no bolso frontal e ajeitou seu jaleco azulado. Seu rosto estava descoberto.

– Por-Por quê estou aqui? — pergunta Brenda, começando a tremer na base.

O cirurgião de meia idade dá uma pausa antes de responder, como se estivesse formulando um jeito de começar a explicar. Brenda fica mais desconfiada por essa possível possibilidade, porque se for isso, não deve ser uma boa coisa, já que os últimos dias não foram os melhores.

– Você... — ele interrompe sua fala e conserta — Ou prefere ser chamada de senhorita? — ele ergue uma de suas sobrancelhas, girando lentamente sua cabeça. Brenda fica sem reação. — Tudo bem. A senhorita está aqui para ser inserida em nosso sistema vitalício, entende? — ele diz pré-selecionando as palavras.

– Sim... É, compreendo. — ela o provoca, respondendo-o do mesmo jeito categórico.

– Depois deste curto teste de aptidão, você irá saber seu lugar aqui na Sede como: rotina, zona e nível.

– Ok, mas o que faço nesse teste? — ela pergunta fingindo estar entendendo o assunto. O que mais quer é que isso acabe logo. Todos a observa de pés a cabeça, seus olhares refletem intimidação e, um pouco, medo.

– A senhorita, nada. A única coisa que deve fazer é se deitar nesta maca e deixar-nos trabalhar.

– O quê vão fazer comigo? — ela indaga, franzindo a testa.

– Iremos fazer um back up de suas memórias. — ele conta. Uma energia puxa as costas de Brenda para atrás, mas ela se segura fortemente. A força da energia se junta com a do medo e desespero; a força que deveria ser facilmente suportável, agora está se transformando quase abrupta.

– Quer dizer que irão mexer em meu cérebro? Porque pelo que estou vendo não será tão simples assim. — Brenda começa se exaltar enquanto termina a frase. Sua raiva está sendo causada pela falta de humanidade deles; ela pressente algo anti-humano, algo anti-sentimental se expelindo de suas auras. Esses médicos a observando, e seus olhares não são intimidantes porque a observam todos juntos, ou porque a luz refletida da maca faz com que fique, de certa forma, divina. Mas sim porque eles, todos desse lugar, são cruéis, igual ao nome desse falso sádico governo, que faz as pessoas terem expectativas de vidas inexistentes, e que a cura é usar crianças para um, basicamente, corredor da morte.

CRUEL é bom.

CRUEL não é bom.

Nunca foi.

– E se eu não quiser fazê-lo? — pergunta, recuando um passo atrás.

– Pensei que fosse inteligente.

– Eu fiz uma pergunta. — ela profere em um tom ameaçador.

– Pensei que seu lhe contasse educadamente você aceitaria. — ele expressa uma ponta de psicopatia. Mas Brenda toma cuidado, porque ele só se deixou amostrar uma ponta de sua pessoa.

Então vou mostrar uma ponta de mim também, pensa Brenda. Mas como ele disse: ela é inteligente. Mas será o bastante para destruir um governo que domina o mundo? Ela não precisa disso; ela somente precisa destruir uma pequena parte, nem que seja o melhor cirurgião do CRUEL.

Planeje.

Ataque: tirar dele sua arma de fogo, e com ela disparar no mais próximo cientista e após disso, no mais próximo guarda. Pegar a seringa no bolso frontal do psicopata que se finge ser um simples médico cirúrgico, mas ao invés de apertar o êmbolo na veia do médico, injetará na garganta do segundo guarda. O último passo será finalizar com a mente da pessoa que está perante de seus olhos, destruindo uma das mentes controladoras do CRUEL.

Ataque.

Ela disparou para cima do médico, aproveitando a linha retilínea até a maca, fazendo-o bater de cabeça no ferro da cama, mas somente fica atordoado. Brenda precisa que ele veja ela atirando em sua cabeça, e percebendo que foi tirado sua vida por uma garota de 13 anos. Ela quer fazê-lo clamar por sua vida nos últimos segundos, os segundos que leva da bala chegar em encosto à sua testa. Sacou a pistola de seu quadril.

Dois enormes guardas surgiram, indo imobilizar Brenda, mas um deles foi atigido na garganta. As aulas de tiro com seu pai contra os roupas-brancas, foi-se útil finalmente. Ela quer assitir a reação dos outros médicos na sala, quer saber como se sentem sendo destruídos por uma menina, que achavam inofensiva. Quando o último soldado foi atacá-la — com o pulso de Brenda dolorido, porque segurou a arma de mal jeito, por isso escolheu eliminar o outro guarda com a seringa; sabia que não daria tempo de se ajeitar quando derrubasse o médico -, a seringa apareceu em sua palma da mão fechada como mágica. Mas esse truque de mágica fez com que o guarda se debruçasse no piso gemendo de dor, com o pescoço sangrando.

Não importava o que continha dentro do tubo de plástico, mas sim o que fazia-o expeli-lo: a longa agulha metálica.

Ela se levantou com a arma em seu punho. Fica impressionada com a momentânea ação do resto dos médicos, porque eles, agora, tomaram iniciativa de se mover de seu estado e choque. Brenda mira rapidamente na cabeça do médico, sem se ligar no mundo em sua volta. Diferente da salvação do mundo, que ainda há tempo para recuperá-lo, é tarde demais para eles a interromperem de seu estado hipnotizante, ela o matará nem que seja a última coisa que fazerá antes de morrer.

Quando um dia fuçou os documentos de trabalho de seu pai, sabia que aquilo iria ajudá-la em algum momento; respeitava o esforço de Michael em mantê-la a salvo, mas também residia-se a ideia vinda de seu subconsciente avisando que não daria certo por muito tempo, que um dia teria que resolver as coisas sozinhas. E quando encontrou aquela ficha brilhando na tela do notebook, seu subconsciente lhe repetia a mesma coisa "É ele". Então, o escolheu, como agora está fazendo.

Ela atira.

A potência do disparo e a dos médicos puxando-a para trás, se juntaram como uma lebre sendo atacada por uma matilha de lobos. A lebre foge. Brenda é a lebre no momento, então consegue fugir em seu psicológico dos braços dos médicos e se jogando no abismo da pequena clareira. Caindo e fugindo de tudo de mau no mundo. A leveza que sente em ter matado o homem, faz com que se sinta livre, parecendo mesmo uma psicopata, mas ao mesmo tempo diferente daquele homem largado no chão, com um buraco em sua cabeça que agora está preenchido por puro sangue. O sangue de todos que ele enganou.