Before everything
16 CRUEL, nós somos fortes
Notas iniciais
Arames super finos penetravam por seus membros e tronco; uns quatro em cada braço, cinco nas duas penas e dois em cada lateral do tronco. Há um fio muito grosso ligado à nuca de Teresa, mas só a agulha entrava por sua pele, fazendo o monitoramento de seu cérebro. Todos esses fios colados a seu corpo impede-a de mexer livremente; ela somente pode olhar para um lado e para o outro.
O painel que amostra a imagem de seu cérebro está bem ao lado de maca, dando uma imagem nítida de seus nervos. A agulha do fio que está ligado em sua nuca atravessa seu cérebro, que pelo tempo está totalmente enroscado em nervos. Brenda fica assustada com a imagem de seu cérebro sendo espetado por uma pequena barra de ferro.
– Teresa? — pergunta Thomas, se aproximando do corpo da amiga, mas ele não espera resposta. Ele observa seu rosto neutro, sem expressão nenhuma e sua mente viajando em seu próprio mundo, desligando-se do que há no outro lado.
– Será que ela está ouvindo? — diz Minho, se aproximando também. — A professora disse que pessoas em coma conseguem nos ouvir.
– Será? Eu também já ouvi isso.
– Acho pouco provável. — fala Brenda, dando leves passos até Teresa.
– Por quê? — indaga Thomas.
– Há um ferro dentro de seu cérebro. — responde Brenda, apontando o dedo para o painel.
– Mas afeta seu consciente? Quer dizer, seu subconsciente? — pergunta Minho.
– O quê garante a você que eles não estão controlando-a?
– Você acha que podem estar nos ouvindo por esse pequeno ferro, aí? – diz Minho.
– Não só pelo ferro, mas pela câmera, ali. – Brenda aponta para uma bola preta no canto da parede. — Mas vale a pena tentar.
– Não tenho a mínima ideia do que falar com ela. – conta Thomas.
– Por favor, não faça aquele discurso desanimador. Vai deixar Teresa mais morta do que está. – brinca Brenda. Ela observa os rostos dos garotos, mas só Minho apresenta um sorriso.
– Teresa – Thomas começa a falar. – Estou pedindo que acorde logo. Não porque estou morrendo de saudades, também, mas o que vou dizer não nenhum discurso de despedida ou algo do tipo. – Ele olha para Brenda, agora ajoelhada no seu lado, e a vê desfazendo a testa franzida. Também, conseguiu vê-la revirando os olhos, pensando que era um discurso chato. Brenda ruboriza-se por sua suposição precipitada. – Eu vou falar sobre vingança.
– Thomas?! – profere Minho.
– Espera eu falar.
Ele continua:
– Nós, eu, Minho e Brenda, só estamos esperando você acordar para botar o resto do plano em ação.
– Mas sobre o quê você está falando? – pergunta Brenda, enrugando o espaço entre as sobrancelhas, novamente.
– Caramba, espera eu terminar. Depois eu conto tudo para vocês.
Thomas prossegue:
– Quando você acordar, se lembrará de tudo. O CRUEL quer nos controlar, mas nós somos fortes, e não deixaremos eles nos impedirem de viver.
Ele segura os pulsos da garota em coma, contendo as lágrimas da forma de transpassá-las à Teresa. Se ela conseguisse sentir alguma dor no momento, seria como se estivesse tocando em labaredas de fogo. Por sua sorte, de algum modo positivo, ela não o sente, porque, se ao contrário, a onda de tristeza também engoliria Teresa. Então ocorreria um tsunami de lágrimas audaciosas, que passam corroendo tudo de bom na consciência humana.
– Vamos? — pergunta Brenda, erguendo uma das sobrancelhas.
Thomas assente. Mas quando se afasta, continua a sentir uma linha invisível de energia os ligando fortemente. Ele aperta a mão até sua circulação sanguínea se cerrar, dando conformidade a sua tristeza que liga os dois corpos. "Seja forte", diz a si mesmo.
– Sabia que estou com muita vontade de te dar um soco no rosto? — fala Brenda.
– Acho que terá que fazer isso em outra pessoa. — responde Thomas misteriosamente, observando um ponto fixo como uma presa humana sendo caçada por um psicopata. Só faltava morder os lábios para apreciar o sangue envolvendo seus lábios. Os olhos dele perdem o brilho que a alma nos dá.
Brenda e Minho se entreolham rapidamente. Minho franze a testa, com reflexão à resposta de Thomas.
Um homem quase se joga quando os garotos atravessam a porta. Ele amostra seu rosto pálido quando se vira para trás; o cabelo ralo parece neve, que também combina com os pequenos espetos da barba branca. Porém, seu rosto é grosso e seu corpo é robusto, mas também, nada a impressionar para que retire essa sua imagem brincalhona que transpassa. Os garotos ficam pensando em como os funcionários levam-no a sério. O homem continua andando.
Thomas acelera o passo, tentando ir o mais rápido possível com suas pernas pré-adolescentes. Pareceu que estava com medo do rosto do homem pálido — Homem-Rato, é assim que podemos chamá-lo. Porém, o único medo que reina em sua cabeça, é o da vida de Teresa. Isso martela cada neorônio dele — esse sentimento já se tornou um prodígio.
– Ei! Por que a pressa? — pergunta Brenda, alcançando o garoto.
– Vocês ainda querem perder tempo com Teresa naquela cama? — retruca Thomas.
Driblaram os corredores até chegarem a uma parede, onde seu centro era destacado com uma placa metálica. Thomas olha para a parte de cima, perseguindo a luz que se desloca lentamente pelos números enfileirados. Quando é iluminado o primeiro botão, Thomas anda para o lado oposto.
Duas pessoas saem do elevador, interiormente grande. Elas seguram duas pranchetas branca cada — combinando com a roupa -, enquanto conversam, possivelmente, papos aleatórios, que não se encaixam à nada ao que faziam alguns minutos atrás.
–Agora, agora! — sussurra Thomas. Parte para o levador, encurvando a coluna, e interrompe o caminho de encerramento das portas. Brenda o acompanha, sem mesmo saber o que exatamente faz.
– Nós não podemos usar o elevador. — Minho para a um passo para entrar.
– Vem logo! — ordena Thomas, puxando o amigo pela gola cinza da camisa.
As portas se fecham.
–Você precisa ser mais rápido. — diz, pulando nas pontas dos dedos. Agora, não é só o medo sobre Teresa, mas também, o de alguém apertar o sagrado botão para chamar o elevador antes da hora. Eles não podem receber mais nenhuma reclamação.
– Você precisa me explicar o que estamos fazendo. — responde Minho.
Um andar antes do destino dos garotos, uma fresta do elevador surge, liberando uma fina imagem de um jaleco e um crachá quase colado à porta. Thomas se joga em cima do botão de fechar as portas junto com “Não!” e um palavrão. Ele trava o caminho do elevador para ambos os lados em que é possível. Tanto e tantos pensamentos, de todos os tipos, apoderam como se dissipam de forma drástica do cérebro de Thomas. Ele puxa os cabelos para trás, querendo arrancá-los, como um anzol que os pensamentos estarão lá, pendurados gritando socorro para entrarem em seu lugar de origem.
–O que nós fazemos? — pergunta Minho, bem sobressaltado.
– Calma. Não vai adiantar nada com esse nervosismo. — aconselha Brenda.
– Já sei. — diz Thomas. — Mas só precisa de uma pergunta.
– Fala logo! — retruca Brenda.
– Alguém tem medo de altura? — pergunta, observando uma parte do teto. A saída de emergência.
Os outro olham, mas até seus olhos chegarem o ponto de destino, dão o retrato de algum monstro estar os esperando grudado no teto.
–Então… — teme Minho.
Alguns segundos depois, Brenda estava em pé nas mãos dos dois garotos, dando inúmeros socos na porta emperrada. Ela pega a alavanca pela décima vez e exerce a maior força que já fez na vida, no entanto, para alegria deles, a pequena porta é arrastada para dentro do teto. Brenda soca novamente com as palmas das mão e a saída de emergência é liberada.
–Consegui!
– Percebi. -resmunga Thomas.
– Não reclama. — responde Brenda, pulando para fora do elevador. Minhos e Thomas dão uma curta alongada, mas com um grande suspiro de alívio de ter aquele peso em nos ombros. Thomas faz um gesto para chamar Minho. Ele se prepara para pular na mão do amigo e agarrar a mão de Brenda. Faz um planejamento de milésimos de segundos na cabeça. Respira. Finalmente, corre e pula. Thomas impulsiona bem mais forte do que pensava que podia.
Minho se ajeita do pulo, dando leves tapas na roupa. Ajoelha-se com as mãos nas coxas, como se fosse se jogar de volta.
– Como você vai subir agora? — indaga Minho, bufando tão forte que atinge os fios de cabelo de Brenda. — Acho que não vai alcançar Brenda pulando.
– Espera. — dize ela. — Meu pai me ensinava formas de evacuação emergencial. Minho, se prepara para puxar Thomas quando alcançá-lo. E Thomas, você vai escalar em mim, mas… Por favor! Seja rápido.
– Pode deixar. — adere Thomas com gesto com o dedo.
Brenda se deita com a barriga para cima e mergulha elevador adentro, somente sendo sustentada pela panturrilha encaixada, perpendicularmente, ao teto. Pareceu uma ninja, e Minho faz uma cara de surpresa. Thomas fica admirado com as habilidades da garota.
–O que está esperando? — murmura ela com os pulmões sobre pressão.
Thomas pula e se agarra feito uma preguiça em galho de árvore. Começa sua escalada. Primeiro, enrosca suas mãos nas coxas de Brenda — sim, achando muito constrangedor aquela situação — e puxa seu corpo para cima, tomando o máximo de cuidado para não chutar a nuca da garota. Sente a gravidade multiplicando seu peso; as mãos suam. Solta um insulto mentalmente. Seca as palmas das mãos na própria calça de Brenda. Ela começa a torcer que tudo isso acabe logo, se não as panturrilhas, daqui a pouco, terão câimbra. Thomas dá outro impulso e agarra o antebraço de Minho.
– Me puxa, agora!
Em seguida, Minho ergue seu amigo. Com um gemido contínuo, ele coloca Thomas ao alcance do teto. Ele libera Brenda para subir.
– Droga! — reclama ela, assistindo um pé-de-cabra ser atravessado entre as portas do elevador. Ela recolhe sua posição. — Fechem essa porcaria logo! — diz, botando peso em cima da porta de emergência. Todos se levantam e começam a chutar repetidas vezes. — Você não esperava por isso, não é?
– Não… — responde Thomas, olhando para seus pés.
– Mas esse não é o pior. O pior é como vamos sair daqui em 5 minutos.
Eles olham o teto acima e avista um extenso corredor vertical, com vários bolos de cabos de aço.
– Então… De novo. — fala Minho. — Se eles entraram no elevador, quer dizer que…
– Podem fazê-lo subir. — completa Thomas.
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